As If We Never Said Goodbye

15 I Learned to live half alive Parte I


Notas iniciais
Oi, desculpem por não estar postando com a mesma frequência de antes, mas minha faculdade está prestes a começar e estou tomando aulas de direção, minha vida começou a ficar animada -n. Ia postar ante-ontem, mas tive uma crise alérgica, meu lábio ficou apenas do tamanho de uma bola de pingue pongue, foi algo lindo! O lance foi sério, tomei umas injeções em lugares não muito agradáveis, e ainda me deram um remédinho bem legal, eu o tomo e desabo de sono, não importa o lugar, eu realmente caiu e morro.
Neste capitulo( que ficou grande, por isso dividi em dois, mas a segunda parte, não posto hoje, por motivos estrategicos MUHUAHAHA) há uma expressão "Quebre a perna", no teatro quer dizer que se deseja boa sorte. Desculpem os erros, e boa leitura.

Naquela noite Oliver estava sentado no meio do auditório do NYADA, assistindo a um dos últimos ensaios da montagem de Wicked, Rachel já estava com as roupas da personagem principal e agora repassava uma das partes mais tensas da peça, não era um dialogo, ou uma música extremamente difícil. A personagem teria que voar, presa a alguns cabos e Rachel simplesmente morria de medo de altura. Para piorar tudo, Joe Montello estava na primeira fila assistindo a tudo e comentando algo com Carmen Tibideaux, que imediatamente corrigia os atores com uma voz enérgica.

Houve uma pausa para colocarem o equipamento que levantaria Rachel até próximo ao limite do palco, chegando ao teto. A morena engoliu seu nervosismo e olhou para Oliver que estampou um sorriso e levantou os polegares em sua direção, ela sorriu brevemente e o ensaio recomeçou, seguindo a musica de onde havia parado, assim que houve sua deixa, ela foi erguida a três metros com uma rapidez que fez seu corpo gelar e engolindo o medo terminou de cantar Defying Gravity com uma excelência em suas notas finais, como sempre fez.

Oliver percebeu Joe sorrindo e balançando a cabeça positivamente e Carmen deu por encerrado o ensaio. Rachel se sentiu imensamente aliviada ao tocar os pés no chão, assim que se viu livre dos cabos que a sustentavam correu para Oliver que já subia pela lateral do palco.

-Isso vai ser incrível! –exclamou o rapaz olhando para o cenário que começava a ser retirado.

-Vai ser incrível se eu conseguir não vomitar –disse abraçando o amigo.

-Relaxe, garota. Acho que deveria confiar em Joe Montello, ele sorriu, Rachel, sorriu quando terminou a musica...

-Pode ter sorrido por muitas coisas...

-E ele balançou a cabeça em tom de agrado, não ouse rebater esse argumento –Carmen Tibideaux disse se aproximando dos dois, fazendo Rachel se sobressaltar.

-Não quero ficar confiante demais, isso é capaz de estragar muitas coisas.

-Então apenas seja realista –Oliver abriu os braços exasperado. –Ouvi você cantar Defying Gravity mais de mil vezes nessa ultima semana de ensaios, e está cada vez melhor.

-Ele tem razão, Rachel. As vezes quando se sente mais pressão as coisas tendem a sair melhor. Por exemplo, hoje soou melhor até mesmo do que na segunda chamada para o papel de Elphaba...

-Embora também tenha sentido isso, nem sempre a pressão ajuda, sempre vou me lembrar do que aconteceu na audição para entrar aqui no NYADA.

-Já fazem alguns meses, já poderia se perdoar – Tibideaux disse se afastando. –Mas realmente nunca esqueça, vai fazer com que se lembre que após um vôo sempre há o chão.

E ela sabia, depois do ocorrido entre ela e Quinn, percebeu que era a mais pura verdade quando dizem para ter cuidado quando se sonha alto, já que a queda é maior ainda.

Fazia exatamente três semanas desde sua ultima ida a New Haven, desde que decidira deixar Quinn viver sua vida sem se meter. Três dolorosas semanas, onde, a cada manhã, deixava o que sentia de lado e ia para a aula, para os ensaios e à noite, trabalhava com Oliver na Pet shop, que decidiu aumentar o horário de funcionamento, pois agora a pequena loja estava em processo de expansão, tinha serviço veterinário completo e banho e tosa. Finalmente havia encontrado algum trabalho que lhe agradasse plenamente. Seu plano era ter uma rotina cheia, onde não tivesse tempo para parar e pensar em Quinn.

A verdade era que estava perdida e não importava se tinha os dias cheios de atribulações, não consegui parar de pensar que a chance de ser feliz tinha batido a sua porta e da mesma maneira que apareceu, se foi. Ela só não deixava mais aquilo aparente, e agradecia imensamente à Nova York.

As luzes, o barulho, as pessoas que não se importam com você, os artistas de rua, as divisões sociais, os cães que perseguiam patos nos lagos do central Park: tudo em Nova York a fez criar uma nova perspectiva. Aquele lugar lhe tornava pequena e grande ao mesmo tempo, a fazia sentir que não era nada diante do mundo sem alguém para amar, entretanto, a fazia perceber que poderia continuar a viver e a sua maneira tentar mudar o jogo.


Por volta das oito da noite chegaram a Pet Shop, Sr. Joseph Thompson, pai de Oliver, estava cuidando da loja e olhou triste para o filho que caminhava pela loja com Rachel. Ele não entendia como aquele relacionamento tinha acabado tão rápido e muito menos compreendia o por que dos dois continuarem a se falar sem nenhum problema.

-Chegamos, pai, pode deixar conosco agora –disse Oliver deixando as chaves e o casaco dele e de Rachel atrás do balcão.

-Tudo bem, acho que hoje deve haver algum jogo de baseball... –disse caminhando para a saída. –Boa noite, crianças.

-Não é perigoso deixá-lo ir para casa sozinho, a esta hora? –perguntou Rachel receosa.

-Rachel, nós moramos há dois prédios daqui –sorriu. –Acho que não namoramos muito a ponto de te levar a minha casa.

-Tem razão –riu.

-Vamos lá, isso tudo não vai sair daqui com o poder da nossa mente.

Oliver havia explicado à Rachel durante o caminho, eles precisavam esvaziar a parte principal da loja, onde ficavam expostas as rações, artigos de higiene, acessórios e animais de pequeno porte que variavam de hamsters à peixes dourados; para os fundos, pois na segunda-feira começariam as obras de expansão.

O rapaz tinha conseguido um empréstimo no banco, coisa extremamente difícil com a economia atual, para comprar o prédio vizinho, que passaria a abrigar a loja em si e parte do canil.


-Amanhã terá ensaio? –perguntou o rapaz colocando o penúltimo pacote de ração na pilha que se formava no quintal.

-Sim, será o ultimo, então teremos o domingo de folga e segunda-feira ocorrerá a estréia –disse a morena enquanto entregava a Oliver mais um pacote de ração.

-Seus pais vem?

-Sim, eles disseram que não perderiam por nada –sorriu limpando o suor da testa.

-Olá? –uma voz masculina se fez presente na frente da loja e os dois se dirigiram para lá. Um rapaz alto de cabelos cacheados segurava um filhote de labrador cor chocolate.

-Boa noite, em que podemos ajudar? –apressou-se Rachel com seu sorriso imenso.

-Ah, eu estava querendo comprar uma coleira, o Spyke comeu a dele quando estávamos aqui perto... mas parece que a loja está... fechada? –sua voz era melodiosa, realmente musica para os ouvidos.

-Estamos fazendo um remanejamento de estoque –Rachel esclareceu olhando atentamente para o rapaz. Graças a Kurt ela sabia reconhecer um gay com extrema precisão, a pele dele parecia muito bem cuidada, assim como suas sobrancelhas. Suas roupas pareciam ter sido saídas do armário de Blaine. –Acho que meu amigo pode lhe ajudar melhor, não é Oliver?

-Oliver Thompson? –questionou o rapaz com os olhos espantados. –Não acredito!

-Ham... eu lhe conheço? –perguntou receoso caminhando para o rapaz.

-Sou, Ben Stewart, na verdade não me conhece, mas estudamos na mesma escola... na verdade quando você estava no ultimo ano eu era do segundo ano... nunca nos falamos, então você não me conhece... eu... vou parar de falar –terminou sem graça e Rachel percebeu que em pouco tempo estaria sobrando.

-Já que vocês tem algo em comum vou deixá-los... Oliver, estou tão cansada, vou pra casa, certo? –disse correndo até o balcão pegando sua bolsa e seu casaco para sair feito um raio apenas deixando um sorriso maroto para Oliver que enrubesceu.


Rachel saiu sorrindo pela noite, quem sabe Oliver teria sorte com o tal de Ben, afinal, pelo menos algum dos dois tinha de ter sorte no amor.

Chegou ao seu apartamento por volta das dez da noite, não houve muito a ser retirado da loja, e o que restou seria melhor organizado no domingo. Suspirou aliviada pelo dia que finalmente tinha acabado, agora teria um fim de noite sossegado, apenas Lucy, um vinho que Oliver tinha deixado ali outro dia, e um pouco de Barbra.

Tomou um banho e se esparramou no sofá, com Lucy deitada sobre sua barriga, uma taça e a garrafa de vinho tinto sobre a mesa de centro e na televisão Barbra Streisand como Fanny Brice.

A noite foi passando de mansinho, o vinho acabou, Lucy soltava alguns roncos, que faziam Rachel rir, e Barbra cantava sofregamente My Man. A morena que apenas ouvia o filme, pois estava de olhos fechados, se concentrou na letra.

“Qual é a diferença se eu disser ‘eu vou embora’, quando eu sei que vou voltar um dia de joelhos.”

Ela podia se despedir de Quinn quantas vezes quisesse, mas sabia que um dia iria voltar, era apenas a loira dizer, que ela voltaria de joelhos. E naquela noite, tomada pelo vinho e por Streisand jurou que, se fosse preciso, iria esperar por aquela garota pela vida toda.



X


Quinn e Carrie sorriram ao ver a Alice se despedir de Carmen com um abraço e começar a gesticular com o dedo na cara da filha e começar uma verdadeira verborragia em espanhol quando foram deixar a mulher na estação de New Haven na noite de sexta-feira.

–Quinn, Carrie, cuidem bem dela! –disse as duas garotas as abraçando e virou-se para Carmen. -Carmen ya sabe, vamos a hablar de todos los días, no me importa lo que estás haciendo, si me contesta, puede despedirse de la Universidad de Yale! Ten cuidado, pequeña.

A loira não fez questão de entender, só sabia que a garota tinha que se cuidar, era o discurso normal de qualquer mãe.


As três voltaram para Yale, deixaram Carrie no seu dormitório, após um momento meloso entre Quinn e a morena, que arrancou algumas piadinhas da parte de Carmen, as duas caminharam para seu quarto.

–Quinn, posso te perguntar algo? –perguntou a latina quando já estavam deitadas em suas respectivas camas.

-Normalmente você nem pediria permissão... o que é? –Quinn se virou para a amiga.

-Hm, você e Carrie estão namorando, certo?

-Sim.

-Ela... ainda está trabalhando no Inferno? –perguntou receosa.

-Oh, eu não lhe expliquei isso! Não queria falar na frente da sua mãe e ela aparecia a cada segundo... Bem, a Carrie pediu demissão no mesmo dia em que houve o incidente com você. Ela conseguiu um emprego numa cafeteria aqui perto, mas não vai conseguir pagar a universidade, pois o dinheiro ainda é pouco...

-Eu tive uma ideia... Uma boa ideia –disse sentando-se na cama.

-Carmen... cuidado com suas idéias –a loira imitou a amiga, sentando-se também.

-Nós três poderíamos montar uma pequena empresa, você sabe como sou boa em criar frases inteligentes, engraçadas e apelidos fantásticos...

-E também em ser modesta! –comentou a loira.

-Continuando... Nós três poderíamos fazer camisetas, bottons, não sei... hm, canecas personalizadas e vender por Yale e New Haven, deve dar um dinheiro bacana! –a latina estava empolgada, correu para a mesinha de cabeceira pegando um bloco de papel e começou a anotar as idéias que passavam pela cabeça.

-Acho que pode dar certo, mas para montarmos uma empresa temos que ter o capital inicial, e bem, Carrie e eu estamos meio apertadas, já que meus pais se recusam a pagar meu curso –a loira argumentou. Seus pais a ligaram a intimando para voltar para casa, pois a universidade a estava corrompendo cada vez mais. E como ela já era maior de idade, apenas os ignorou, após duas semanas eles desistiram de manter contato e tiraram o que restava da conta que haviam criado para Quinn. Mas a loira havia sido esperta, pois dias antes tinha sacado em espécie mais da metade do dinheiro.

-Mas isso não seria problema...

-Explique-se –pediu a loira.

-Sabe... meu pai não veio com minha mãe por que ele é realmente um cara ocupado, e bem, eles são separados e hoje em dia não se dão muito bem –explicou triste. –Então, digamos que eu sou mimada... entende?

-Você quer dizer que ele lhe daria o capital inicial para o empreendimento?

-Isso, ele sempre quis que eu tomasse conta dos negócios dele, então essa talvez seja uma oportunidade de começar algo pequeno e deixar ele saber que o que houve comigo há algumas semanas não é um sinal de despreocupação minha com meu futuro! Isso pode dar certo, Quinn! –disse animada.

-Vamos falar com Carrie, por mim, estou dentro –sorriu a loira.

-Oh, e mais uma coisa que queria lhe perguntar. E sobre a Rachel? –a latina voltou a se deitar na cama e Quinn também o fez soltando um suspiro.

-Estamos seguindo em frente, uma sem a outra, essa é a melhor explicação. Eu quis ficar com a Carrie, decidi dar uma chance a nós duas e como se fosse mágica, Rachel aparece aqui, dizendo que gostava de mim. No fim, nós duas nos despedimos e ponto –disse sendo sincera.

-Ela terminou com o Oliver?

-Sim, ele veio com ela e falou comigo, foi estranho, não entrou em detalhes, só disse que terminaram sem dor e que ela queria que eu vivesse minha vida, feliz...

-Vai tentar esquecê-la?

-Por mais que a gente queira e tente, não é possível esquecer uma pessoa... -disse cobrindo-se colocando fim a conversa. –...especialmente se ela é Rachel Berry.



X


Rachel estava nervosa. Extremamente nervosa. Andava de um lado para o outro do pequeno camarim que dividia com outras vinte pessoas, fazendo seu aquecimento vocal com água morna, limão e mel. Era a noite de estréia da montagem de Wicked e faltavam cinco minutos para começar.

-Rach –alguem resmungou às costas da morena, ela se virou dando de cara com Oliver que carregava cinco buquets em seus braços. Ele colocou todos em cima de uma cadeira e Rachel os olhou com extrema felicidade. –Bem, o de rosas é meu...

-Obrigada, Olie, muito gentil –sorriu abraçando o amigo, em seguida procurou os cartões, um era de seus pais, outro de Will Shuester e Emma Pilsburry; de Kurt e Blaine; um de Finn (que fez com que Rachel olhasse surpresa) e mais admirada ainda com o ultimo, de Noah Puckerman e Shelby Corcoran.

-Aliás, eles não puderam entrar, por que chegara tarde, parecia mais uma caravana de gente que queria lhe ver...

-Como?

-Bem, todos eles vieram, seus pais que me reconheceram por uma foto que eles traziam na mão... foi uma cena hilária... hm, um homem de cabelo cacheado, um bem alto, um casal de gays que se vestia incrivelmente bem, um com moicano e uma mulher que parecia ser sua mãe, ela era sua cara!

-Por que é minha mãe! –Rachel levou as mãos a testa. –Oh, Deus, não esperava que viesse toda essa gente!

-Relaxe, ok? Só lembre de respirar e abrir a boca, pro que suas cordas vocais já sabem o que fazer! Agora tenho que ir, certo? Quebre uma perna! –disse dando um beijo na testa de Rachel a fazendo rir, por que sua boca acabara de ficar verde devido a maquiagem que a garota usava.

-Oh, merda! Oh, merda! –reclamou baixinho assim que ele saiu, sem perceber a presença de sua professora.

-Não engasgue, por favor! –riu. Aquela era a primeira vez que Rachel via aquela mulher rir.

-N-Não irei! –gaguejou.

-O que houve?

-Tem algumas pessoas de Lima... que vieram me ver... –respondeu terminado seu chá.

-Oh, entendo... apenas foque em uma pessoa, ela será seu ponto de referencia, como... aquele jovem rapaz, olhe para ele, acho que ele lhe passará bastante segurança –sorriu e saiu para verificar os outros atores.

Uma garota passou por Rachel e parou ao seu lado.

-Quebre a perna, Rachel –sorriu Harmony falsamente e a morena só fez sorrir sem graça. A judia tinha “roubado” o lugar da rival na peça, as duas tinham invertido os papeis, Harmony agora só fazia parte da figuração e com certeza queria que Rachel quebrasse, realmente, uma perna.


No primeiro ato, Rachel não aparecia, ainda daria tempo de relaxar. Era anunciada a morte da bruxa do Oeste, e Glinda, a bruxa boa, comenta sobre como a bruxa má, Elphaba, surgiu em Oz. Nasceu do fruto de uma traição, onde o amante deu a mãe de Elphaba, um “elixir” verde, que a fez ter a cor da pele da mesma coloração, seu pai horrorizado, manda o bebê embora.


No segundo ato, Rachel respira fundo e repete a si mesma, que aquele é só mais um passo a ser dado.

E assim ela entra em cena, carregando uma mala, usando um sobretudo e uma toca azul e um par de óculos redondos. Era a chegada de sua personagem a escola de magia, e todos os outros alunos a olhavam esquisito, evitando-a. Parecia o McKinely. Deu uma breve olhada para a platéia e viu seus pais orgulhosos ao lado de Oliver, e logo ao lado deles, Will, Emma, Shelby de braço dado com Puck, Finn ao seu lado, Kurt, Baine e Santana, sorrindo para ela. Sentiu-se em casa. Só uma coisa não se encaixava muito bem, o que diabos Santana Lopez fazia ali? Não teve tempo de pensar, pois a peça não havia terminado.

A peça correu normalmente, o único momento de tensão foi a temida parte em que ela voaria cantando Defying gravity. Pouco antes de ser erguida, viu que um dos cabos não estava bem preso, Joe Montello apareceu do nada, ajeitando o cabo na morena.

E com um sorriso nos lábios disse:

-Não quero que nada de ruim aconteça a próxima estrela da Broadway.

Rachel não pode responder, não havia tempo. Foi erguida e finalizou a musica arrancando a platéia de seus lugares aplaudindo a performance.


No final, o elenco se curvou agradecendo ao publico e foi aplaudido de pé, aquela era apenas a primeira peça daquela turma, e já haviam conquistado uma casa cheia, na verdade o auditório fora pequeno, tinham pessoas em pé nos fundos. Rachel sentiu, mais do que nunca, que aquele era de fato seu lugar.

Quando o teatro estava quase totalmente esvaziado, exceto pelos parentes, amigos e professores, os atores deram o ar da graça, já com suas próprias roupas e foram aplaudidos novamente.

-Estrelinha! –Hiram e Leroy abraçaram a filha ao mesmo tempo sufocando-a, seguindo uma fila, os demais foram abraçando-a e fazendo seus comentários. Por ultimo Shelby lhe deu um abraço tão forte quanto o de seus pais.

-Estava fantástica! –disse beijando sua testa.

-Ei, e não vai ter um After Party na casa de alguém não? –perguntou Oliver ao grupinho. –Então todos para a casa da Rachel!

-Minha casa? –perguntou confusa.

-Nem adianta negar! –disse Leroy que encaminhou todos para a saída enquanto Rachel se despedia do elenco. De longe Joe acenou para ela e seu coração se inflou, era a queridinha de um dos maiores diretores da Broadway.


Mais tarde naquela mesma noite, o apartamento modesto abrigou a pequena gangue, Lucy corria eufórica por todos os lados, cheirando os sapatos de todo mundo e pedindo carinho a Kurt.

Da cozinha, Rachel olhou orgulhosa para sua sala de estar, tinha gente que se lembrava dela, que torcia para que seus sonhos dessem certo, tinha amigos de verdade.

-Ei, Berry –disse Santana escorando-se ao lado de Rachel.

-Oi, Santana –sorriu abraçou a latina. –Tenho que dizer, não esperava te ver por aqui...

-É por que não vim assistir à sua peça –Rache se indignou. –É brincadeira, Hobbit!

-Hobbit?

-Agora é de maneira carinhosa –sorriu. –Vim aqui para ver sua peça e para outra coisa e preciso muito da sua ajuda...

-Pode dizer!

-Preciso de um lugar para ficar por... uma semana ou duas... –disse sem jeito. –Ou três... depende!

-Explica direito, Santana –pediu a morena.

-Britt-Britt e eu estivemos conversando e ela disse que não queria me prender a Lima... –os olhos de Santana ficaram marejados.

-Vocês terminaram? –Rachel abriu a boca em espanto.

-Não! Nunca! –apressou-se a latina. –Ela disse que se sentiria bem mais aliviada sabendo que eu estaria buscando algo para minha vida aqui em NY, ela, disse que embora fosse ingênua, não ficaria com mais ninguém além de mim, pois sabia que eu sou o amor verdadeiro dela e que próximo ano, viria pra cá, viver junto de mim, para termos nossa família.

-Santana! Isso é tão lindo! –disse a morena abraçando a latina. –Você pode ficar o tempo que precisar, depois vamos ligar para sua Britt-Britt dizendo que eu vou cuidar de você! E suas coisas onde estão?

-Já estão no seu quarto! –riu.

-Você arrombou meu apartamento?

-Não ia assistir a peça com quatro malas nas costas! –reclamou voltando a sala.


Aquela reunião foi até altas horas da madrugada, soube que Will e Emma finalmente tinham a data do casamento marcado para o começo de Maio; Shelby e Puck estavam em um relacionamento extremamente sério, estavam morando juntos em Los Angeles, por causa do negócio de limpeza de piscinas que já ia muito bem, e tinham planos de vir para NY em pelo menos um ano. E Finn estava suando a camisa, literalmente. Ele contou que desde que entrara no exercito tinha transformando seu excesso de peso em músculo, disse flexionando o bíceps, de fato estava bem mais forte e de certa maneira parecia menos desengonçado. A noticia não tão boa era que em poucos meses seu batalhão poderia ser chamado para combate. Ninguém comentou aquilo, era o que Finn desejava, honrar seu pai e o nome de sua família.

Só sobraram Santana, Rachel e Lucy, quando todos foram embora para seus hotéis, foi quase um milagre que todos conseguissem uma dispensa de seus trabalhos. Finn havia mentido, dito que a mãe estava doente, desta vez não disse que estava com um problema na próstata, foi mais sensato, mandou a conversa de que era um problema no apêndice.

Puck e Shelby tomariam um avião para Los Angeles naquela mesma madrugada, não gostavam de deixar Beth por muito tempo em uma casa estranha, mesmo que fosse de uma amiga de confiança que Shelby tinha na cidade.

As duas garotas dividiram a cama e Santana não dispensou seu comentários indecentes quando viu Rachel em sua roupa de dormir, mas a morena apenas deu um tapa no braço da latina.

A vida começava a mudar de maneira estranha, mas de um jeito bom, todos pareciam estar se ajeitando como a vida deixava.



X

Após prepararem um projeto para a criação da pequena empresa e enviarem para o pai de Carmen as três garotas receberam passagens de ida e volta para LA, e como não se dispensa um “convite” desses, foram para NY pegar o avião.

-Temos mesmo que ir para a Los Angeles? –perguntou Carrie. –Ou melhor, por que eu tenho que ir para Los Angeles com vocês?

-Pela quinta vez, por que meu pai quer conhecer vocês duas, para que possamos começar nosso negócio –disse Carmen quando afivelava o cinto. –E por que ele pagou as passagens.

-O que é, amor? –perguntou Quinn passando o braço pela cintura de Carrie.

-Eu... odeio voar –disse escondendo o rosto no pescoço de Quinn.

-O avião é o meio de transporte mais seguro –disse afivelando o cinto da namorada. –Qualquer coisa, esmague minha mão!

Carmen colocou os fones e ficou em silencio, Quinn apenas puxou os fones de seus ouvidos e a latina se virou interrogativa.

-Tudo bem?

-Por que não estaria? –respondeu com outra pergunta.

-Por que estamos indo pra LA...

-Eu sei, eu sei, se encontrar Anne vou cumprimentá-la e dar as costas!

-Não, você vai nos abraçar e vamos fingir que somos suas namoradas, não é Carrie? –perguntou Quinn e sua namorada sorriu.

-É por isso que eu agüento vocês –sorriu.


Durante a decolagem Carrie realmente esmagou a mão de Quinn e durante uma pequena turbulência quase colocou o café da manhã para fora. Carmen riu quando pousaram e a garota começou a agradecer a Deus por ter saído viva.

Assim que chegaram, foram diretamente ao escritório do pai de Carmen, era em um arranha-céu enorme, e por onde passavam, parecia que todos os funcionários do prédio conheciam Carmen, a latina acenava e sorria para cada um deles.

Ao chegar no décimo sexto andar uma secretária caminhou até Carmen e as duas trocaram um longo abraço e as direcionou para a sala do Sr. Herrera que estava virado de costas, sentado em sua cadeira falando ao telefone. As três garotas sentaram-se e esperaram por longos cinco minutos em total silencio a não ser pela voz enérgica do pai de Carmen.

Então, ele se virou na cadeira e a latina, imediatamente, corrigiu a postura, ficando ereta e seria.

-Olá, Carmen –disse o homem de meia idade com fortes traços latinos.

-Olá, papai, como vai o senhor?

-Bem obrigado, então estas duas jovens são suas amigas? –perguntou virando-se para Quinn e Carrie.

-Sim. Quinn Fabray e Carrie Menphis –as garotas o cumprimentaram e o assunto sobre o pequeno negocio se desenrolou. As garotas tinham combinado de apenas dizer que queriam abrir a pequena empresa para incrementar a renda, não para sobreviver dela, pois isso geraria mais e mais perguntas.

-E seus pais não tem interesse? –perguntou Sr. Herrera quando já tinha captado a ideia do projeto das garotas.

-Meus pais faleceram, senhor –explicou-se Carrie.

-Bem, a ajuda financeira que recebo só consegue pagar o curso e não quero deixar minha família com dividas –Quinn sorriu, queria mesmo que aquela história fosse verdade.

-Certo, certo –sorriu. –Muito bem garotas, vou fazer algumas analises e em poucos dias lhes darei a resposta, obrigado por terem vindo. E Carmen, quero falar um pouco com você.

Quinn e Carrie saíram deixando pai e filha a sós. Quinn sentiu o pai de Carmen um tanto sério com a filha, deveria estar chateado pelo ocorrido de algumas semanas atrás.

Logo Carmen saiu da sala com a expressão fechada.

-Terminamos, que tal almoçar e voltar para casa? –perguntou caminhando para o elevador acenando para a secretária.

As garotas concordaram e apenas seguiram a latina que estava absurdamente silenciosa. Pararam em um restaurante próximo à praia.

-Carmen, o que houve? –perguntou Quinn baixando o cardápio não agüentando mais a tensão.

-Nada, Quinn...

-Carmen! –bradou a loira.

-Ele me disse pra maneirar no pozinho, que de vez em quanto é aceitável, mas não em grandes doses! Meu pai me disse como usar drogas! Vocês acreditam nisso? E ele nem me olhou direito! –Carmen estava vermelha. –Deus, como é bom colocar isso pra fora!

-Não gostei do seu pai! –disse Carrie. –É mesmo bom colocar pra fora...

-Hey, Q! Olha aquele cara de moicano... parece com o pai da sua filha –apontou Carmen para nada mais nada menos Noah Puckerman carregando Beth no colo junto com uma mochila rosa sobre o ombro sentando-se em uma mesa não muito distante.

-Quinn... é a sua filha? –perguntou Carrie maravilhada com o rosto angelical da criança.

-É claro que sim, olha só, é a cara da Q! –disse a latina. –Vai lá, Quinn, faz tempo que não vê a Beth!

Puck tirou os óculos escuros desarmando a pose de badboy e seguiu o olhar da filha, se espantou ao ver a amiga e logo abriu um grande sorriso.


Notas finais
E ai? Curtiram? Rola uma review?
Quem sabe o nome da musica? hein, The Dias?