As If We Never Said Goodbye
3 It's not unusual
Notas iniciais
Depois de passar o dia todo tratando da burocracia de Yale, Quinn finalmente foi mandada para um dos doze edifícios residenciais disponíveis na universidade, lhe foi explicado que de maneira aleatória os alunos são distribuídos entre os edifícios e que eles seriam seus lares. Cada prédio tinha seu próprio refeitório, salas de televisão, se jogos, lavanderia, biblioteca, sala de estudos e que um Mestre lhe ajudaria em tudo. A primeira vista pareceu complicado, mas esperava que o tempo a ajudasse a entender melhor o sistema.
Quinn chegou ao prédio onde moraria pelos próximos anos por volta das quatro da tarde; Berkeley (um dos doze edifícios residenciais) tinha logo no hall de entrada um brasão vermelho incrustados de cruzes brancas. Segundo havia sido dito a ela, dividiria um dormitório composto por um quarto com duas camas; um banheiro e sala de estar com uma outra garota.
Estava carregando por mais de meia hora toda sua parafernália pelos corredores quando um garoto aparece do seu lado.
-Ei, –sorriu para Quinn pegando duas malas da garota. –Deixa eu te ajudar com isso.
-Não precisa se incomodar –Quinn sorriu envergonhada, estava estampado na sua cara que estava meio perdida, só sabia que aquele era o prédio certo por causa do brasão e do endereço que haviam lhe dado.
-O que minha mãe pensaria se não ajudasse uma garota frágil que nem você a subir quatro lances de escadas com três malas pesadas? –sorriu ajeitando o óculos de armação fina. –Me chamo Mark Johnson.
-Sou Quinn Fabray e não sou nada frágil –a loira levantou a sobrancelha em tom de provocação. –Mas não posso dispensar ajuda.
-É para isso estou aqui, gatinha –Mark começou a se mover entre os alunos que estavam se instalando e Quinn o seguiu. Mark tinha os cabelos castanhos e era musculoso, seus traços fortes lembravam Puck, só que numa versão madura e nerd, mas não mais sedutora.
-Mark, é aqui –Quinn aponto para o garoto que avançava pelo corredor e que já havia passado da entrada do dormitório. Era simples, as portas eram de cor marrom e as paredes brancas e a mobília simples.
-Prontinho, vou deixar aqui na sala, por que quando você e a sua companheira de quarto decidirem quem vai ficar com qual cama pode haver briga e eventualmente bagagens sendo jogadas para todos os lados... acredite, experiência própria –Mark largou as malas com cuidado no chão e olhou em volta.
-Certo... –Quinn riu, seria a primeira vez que dividiria um lugar com alguém totalmente estranho.
-Não se preocupe, somente os estudantes de artes que são possivelmente maníacos –Mark riu passando os dedos entre os cabelos curtos.
-O que diz de mim, pareço maníaca? –Quinn sorriu. Ela havia decidido cursar Artes.
-Nossa... agora você me pegou desprevenido –Mark sorriu sem graça. –Mas realmente você não parece maníaca ou algo do tipo.
-E você, faz o que?
-Vou começar meu segundo ano de direito –sorriu orgulhoso.
-Você tem cara de quem faz direito –sorriu olhando o cômodo.
-Sabe, acho que você pode ser maníaca...
-Como? –Quinn virou-se surpresa para Mark.
-É, eu não te conheço, talvez você seja maníaca, não vou cair nessa de ficar com a primeira impressão –ele parecia sério mas mantinha o tom divertido. –Amanhã, vamos dar uma corridinha por Yale, seis da manhã, te espero no salão principal.
-O que? –Quinn estava estática, estava na faculdade há menos de 24 horas e já tinha um encontro marcado.
-Te espero amanhã, Quinn –Mark saiu com um sorriso estampado no rosto. Não esperou uma resposta da loira, queria fazer charme e de certa forma conseguiu. Quinn ficou pensando na semana que havia passado com Rachel e decidiu que não passava de curiosidade, a amiga era hétero e fim de história, não seria uma má ideia dar uma chance a Mark.
-Ei, loirinha –uma garota morena com feições latinas balançava a mão na frente do rosto de Quinn fazendo com que ela se sobressaltasse. –Não sei que erva você usa, mas parece que está te afetando.
-Desculpe, eu fiquei distraída –Quinn sorriu envergonhada.
-Tudo bem, sou Carmen Herrera –a morena estava parada na sua frente, Quinn não sabia como ela havia chegado ali. A garota era muito bonita, seus cabelos negros eram compridos e lisos e seus olhos castanhos pareciam o mais doce mel.
-Prazer, Quinn Fabray –estendeu a mão mas foi surpreendida quando a garota lhe abraçou.
-Vamos viver juntas por um tempo, não há por que apenas um aperto de mão frio para delimitar território –Carmen soltou Quinn e pegou suas bolsas arrastando para o cômodo adjacente. –Ouvi a conversa entre vocês lá do quarto, espero que não se importe de já ter escolhido minha cama.
-Sem problemas –a loira estava um tanto receosa, nunca chegou a cogitar a possibilidade de ser tão bem recebida ali, estava esperando algo mais intimidador, como no McKinley.
-Você é meio calada ou eu que sou muito tagarela? –Carmen tinha levado todas as malas de Quinn para o quarto, a garota era definitivamente forte.
-Acho que somos os dois –riu sentando-se na cama e largando a bolsa a tira colo. –Você é de onde Carmen?
-Los Angeles, baby –a morena riu sentando-se em sua cama. –E de que lugar a loirinha é?
-Lima, Ohio –Quinn sorriu sem graça, a colega de quarto pareceu tão mais interessante que ela. –É meio que um fim de mundo.
-Realmente, nunca ouvi falar dessa cidade. Mas olhando para você, diria que é da Califórnia ou da Flórida –Carmen tinha algumas malas abertas sobre a cama e começava a retirar o conteúdo de dentro.
-Quem dera –sorriu imitando a colega.
-Então, namorado? Namorada? –Carmen já havia organizado a maioria de seus pertences, agora só estava separando alguns porta retratos.
-Não quis me prender a nada, entende? –Joe Hart foi apenas um romance passageiro, mas Quinn sabia que se tivessem tido mais tempo ele poderia ser o cara certo.
-Entendo, mas acho que você não captou bem a malicia da minha pergunta –Carmen riu de uma maneira descontraída que fez a loira lembrar de Santana. –Que apito você toca, Quinn? Você é lésbica?
-Eu? Como é? –a loira já estava com abuso das latinas, parecia que elas sempre a achavam gay.
-Você acaba de se entregar, Fabgay –Carmen colocou alguns porta retratos sobre a cômoda que lhe pertencia.
-Fabgay? Oh, meu Deus, vai com calma Herrera! –Quinn estava impressionada, Carmen parecia uma cópia mais branda de Santana Lopez. –Não sou gay, até já tive uma filha quando tinha dezesseis anos!
-É por isso que seu rosto me é familiar, você esteve naquele programa na MTV? Grávida aos dezesseis? –Carmen sentou-se na cama rindo da cara de Quinn.
-Você é um pé no saco, Herrera –Quinn pegou um travesseiro e jogou na garota. –E quem é essa garota? –apontou para um porta retrato.
-Minha namorada, Anne. Espero que não seja um problema... Sabe, dividir o quarto comigo...
-De maneira alguma –Quinn sorriu e tirou o celular do bolso procurando uma foto. –Olha, essas são duas das minhas melhores amigas, elas são lésbicas.
-Nossa, que loirinha linda –Carmen olhava o celular que agora estava na sua mão.
-É a Brittany e a morena é a Santana, também conhecida como Satã –riu.
-Ei, esta chamando –Carmen olhou a tela. –Rach... Que nome sexy, Rach...
-Ah, esqueci de ligar pra ela –Quinn se virou fazendo menção de pegar o celular, mas Carmen se afastou da loira e saiu correndo para a sala.
-Sabe Fabray... espero que essa Rach não seja sua mãe... –Carmen exibiu um sorriso malicioso e atendeu a ligação enquanto Quinn tentava pegar o celular.
-Não, Carmen! –exclamou segurando os braços da colega.
-Oi, Rach... –Carmen empurrava Quinn com o braço livre afastando-a. –Aqui é Carmen, sou a companheira de quarto da Quinn, ela não pode atender agora, então queria aproveitar e te perguntar uma coisa.
–Olá Carmen... –Rachel parecia confusa.
-Carmen! –Quinn parecia um tanto nervosa, pois já sabia o que a latina iria perguntar.
-Queria saber em que time a Fabray joga, ela me disse que era hétero e que participou de Grávida aos dezesseis...
–O programa da MTV? –Rachel riu.
-Exatamente! Quero saber com quem vou dividir o teto... Sabe como é –Carmen mantinha o sorriso travesso.
-Rachel, a Carmen é uma psicopata, não dê nenhuma informação a ela! –Quinn berrou e jogou seu peso contra Carmen fazendo com que as duas caíssem no chão numa luta frenética pela posse do celular.
-Me diz Rach! Ela é gay? –Carmen colocou o celular entre a orelha e o ombro para que tivesse as mãos livres para controlar a loira montada sobre ela.
-G-gay? –do outro lado da linha Rachel se engasgou. –Que eu saiba não... acho que não... ela teria me contado.
–Sério? Ah, que pena, achava que ela poderia um dia jogar comigo, se é que me entende... Agora vou te deixar falar com ela, foi um prazer falar com você Rach, espero que possamos nos encontrar para que me passe informações constrangedoras da Fabray.
Quinn revirou os olhos e tirou o celular de uma Carmen que ria descontroladamente.
-Você me paga, Herrera –Quinn sorriu e voltou sua atenção a Rachel. –Ei, Rach... Recebeu meu presente?
–Ah, Quinn, ela é linda e perfeita! Os olhos dela são tão pidões que dá vontade de fazer carinho nela o dia todo. Tenho que te agradecer muito, Q, muito obrigada, você não sabe o quanto ela vai ser útil enquanto você e o Kurt não puderem me fazer companhia –a voz de Rachel era tão animada que Quinn temeu mais uma vez que ela pudesse se engasgar e morrer sufocada.
Carmen correu para o quarto e voltou com um papel escrito “Vocês duas são tão gays”. Quinn abafou o riso e tentou prestar atenção ao discurso de Rachel.
–Espero que não se importe, mas a pequenina se chama Lucy, sempre gostei do seu primeiro nome e ela me lembra tanto você, já que foi você quem me deu...
-Lucy? –Quinn ficou surpresa, não gostava nenhum pouco de seu nome de infância.
–Talvez ela devesse se chamar Celine, em homenagem a Celine Dion, claro –Rachel se apressou em dizer, não queria que Quinn tomasse aquilo como uma ofensa.
–Lucy é legal... acho que combina com ela...
-Não fique chateada Quinn, não pense que foi uma piada de mal gosto. Ela é linda por dentro e por fora, carinhosa e inteligente, assim como você.
-Okay, Berry pode parar de me elogiar –Quinn estava vermelha e é claro que isso não passou despercebido aos olhos de Carmen.
-Fabray, por que está vermelha? Sua namorada está lhe falando algo inapropriado? –Berrou tão alto que com certeza a ilha inteira de Manhattan teria ouvido pelo celular de Rachel.
-Cale a boca, Carmen –Quinn deu um tapa no braço da colega que passava para o quarto.
-Quinn, sua nova amiga é um tanto inapropriada, não que eu esteja com ciúmes ou algo do tipo...
-Esquece isso Rach, ela é uma versão californiana de Santana, só isso... Então, voltando a história da Lucy, não me importo com o nome, realmente combina com ela. Entregaram tudo? Casinha, ração, as tigelas?
-Sim, sim... Quinn, você foi perfeita! Queria tanto te abraçar agora e tirar uma foto da nossa família –riu.
–Estou esperando uma foto de vocês duas para colocar num porta retrato –a loira sorria bobamente. –Ah, você vai gostar de saber disso. O dono da pet shop me disse que a maioria dos cães ali foram abandonados e sofreram maus tratos, quando cheguei lá, Lucy estava tão assustada e sendo intimidada por outro cão e só lembrei da sua cara quando via algum jogador de futebol passar com uma raspadinha.
–Eu e essa moça temos algo em comum –Rachel estava com a voz abafada e podia ser ouvido do outro lado da linha a morena murmurando algo com uma voz infantil. –Preciso te contar uma coisa! O entregador...
-O que tem o entregador? –Quinn lembrou-se do senhor que a atendeu na loja.
–Ele me chamou pra sair –a morena tinha o tom receoso.
-Um senhor de no mínimo 60 anos te chamou pra sair? –a loira andou pela sala até o quarto e deitou-se na cama.
–Não... Ele tinha no máximo uns 20 anos, era moreno, mais alto que eu... embora todos sejam mais altos que eu e tinha um sorriso lindo. Ele ficou até envergonhado por ter me convidado que saiu correndo...
-Rachel, você está pensando em sair com ele? –Quinn sentiu um incomodo tomar conta do seu corpo.
–Não sei... Fico pensando no Finn e tudo mais... Só que preciso fazer amigos, e Oliver parece ser alguém legal. A Lucy vai ser uma companheira e eu vou te incomodar bastante com as minhas ligações, mas queria conhecer gente, recomeçar longe de Lima.
-Isso é bom, você tem razão... –Quinn parecia relutante em aceitar que a amiga pudesse fazer amizade com outra pessoa. –Diga a esse Oliver, que Quinn Fabray está de olho.
-É... eu vou dizer –riu. –Me diga Fabray, fazendo muitos garotos se apaixonarem em Yale?
-Talvez... –Quinn mordeu o lábio. –Na verdade, tenho um encontro amanha, nem sei ao certo se é um encontro, um cara me ajudou com as malas, se chama Mark e está no segundo ano de direito.
–Nossa Quinn, você é rápida... Avise ao Mark que Rachel Barbra Berry está de olho.
-Também devo avisar a ele que Rachel Barbra Berry mede apenas 1,57?
-Quinn... Ela é ninfomaníaca? Tem pelo menos dezoito anos? –Carmen disparou levantando-se da cama, pelo que havia entendido Rachel havia sido convidada por um senhor de 60 anos para um encontro e ela media 1,57, ainda deveria ser uma criança.
Quinn soltou uma gargalhada.
Fale com o autor