As If We Never Said Goodbye
4 Don’t wanna be all by myself
Notas iniciais
Rachel desligou o celular e suspirou, já sentia falta de Quinn. Parecia tão natural acordar com a loira cantando e dançando pelo apartamento e sentir seu cheiro de roupa limpa quando a abraçava para tirar uma foto. Quem poderia imaginar que um dia as duas poderiam ser amigas? Nem mesmo Rachel em seus devaneios mais absurdos cogitava aquela possibilidade, esperava que as duas pudessem ter uma espécie de paz nos corredores do McKinley uma vez que Finn havia escolhido ficar com a morena e não haveria mais motivos para tanta discórdia.
A judia sabia que Quinn era sua amiga atualmente por ter passado pelo que passou, a vida lhe deu vários golpes e a cada um levantou-se com uma nova perspectiva. Quinn ainda tinha muitas inseguranças, mas agora não fugia mais de seus medos, estava disposta a encará-los de frente e se levantar caso caísse.
-O que acha de dar uma volta Lucy? –Rachel afagou o focinho da cadela acomodada no seu colo. Levantou-se e procurou por uma coleira que tinha visto dentro da casinha.
Rachel caminhou sendo levada pela cadela que parecia ter mais força que a dona. Ela farejava o caminho todo, procurando reconhecer o lugar. Caminharam por algumas quadras e Lucy levou as duas a pet shop onde Quinn a havia encontrado, Rachel reconheceu o nome da loja e entrou no estabelecimento.
-Olá, posso ajudá-la? –Rachel entendeu na hora que aquele era o senhor de 60 anos ao qual a amiga se referia. Ele atravessou o balcão que havia ali.
-Ah, na verdade não –sorriu. –Ela que me trouxe aqui...
-Você é a amiga da garota loira –o senhor sorriu abaixando-se para fazer carinho em Lucy. –Gostou da pequena?
-Não tinha como não gostar dela, é meiga –Rachel sorriu e olhou ao redor e seus olhos brilharam quando viu uma roupa rosa com uma estela dourada. Já era fim de agosto e a cidade começava a esfriar, não seria nenhuma má ideia que a pequena Lucy tivesse seu pequeno guarda roupa. –Oh, vou comprar todas as roupas que servirem em você, Lucy.
-Lucy é um nome bonito –o senhor concordou levantando-se.
-É o primeiro nome da minha amiga –sorriu escolhendo algumas roupas.
-Quem é Lucy pai? –Oliver apareceu na loja trazendo uma gaiola com um cachorro de pelo escuro.
-É o nome da cachorrinha da senhorita... –esperou que ela completasse a sentença.
-Berry, Rachel Berry –sorriu encarando Oliver.
-Realmente seu nome é lindo –o rapaz sorriu se perdendo no rosto de Rachel. –Digo... o nome da sua cachorrinha, Lucy é um nome lindo. Não que o seu não seja lindo...
-Oliver, pare de falar, você está passando vergonha –o senhor se indignou. –Por favor ajude Rachel com essas roupas –pegou a gaiola com o cachorrinho assustado e rumou para o fundo da loja.
-Certo, deixa eu te ajudar nisso... –se aproximou envergonhado pegando as roupas que estavam na mão de Rachel e começou a escolher as do tamanho de Lucy.–Acho que essas devem servir... alguma preferência?
-A com a estrela dourada... E aquela com “I Love NY” –Rachel olhava ao redor com certo receio de encontrar seu olhar com o de Oliver, o encontro passageiro de algum tempo atrás fora um tanto constrangedor.
-Sabe... sobre hoje mais cedo... –enquanto falava Oliver separou as roupas e media em Lucy.
-Eu aceito –disparou sem saber realmente o por que de ter dito, mas agora era tarde demais.
-Sair? Comigo? –um silencio constrangedor se instalou o rapaz não acreditava que a morena tinha dito aquilo.
-Se ainda quiser, é claro –Rachel precisava quebrar aquele gelo que se formava entre os dois. -Sabe, sou nova na cidade e seria legal ter alguém com quem conversar, sair...
-Claro, claro –Oliver sentiu-se um tanto desapontado, a morena parecia estar frisando que procurava um amigo.
-Poderíamos tomar um café... ou quem sabe...
-Um jantar? –respirou fundo, sentia-se atraído pela morena de pernas bem torneadas e tentaria algo mais do que uma amizade, embora suas táticas de sedução não fossem das melhores.
-Se tivesse uma opção vegana, seria fantástico –a morena deixou-se levar pelo leve flerte.
-Pode apostar –um golpe de coragem o invadiu. –O que acha de jantarmos na domingo? Sabe, sem compromisso, só pra se conhecer, conversar sobre... cães...
Oliver não era Finn e não estava ali para substituí-lo, mas seria inocência da parte dela não se dar uma chance de recomeçar.
-Creio que vá precisar do meu numero -sorriu para o moreno a sua frente.
X
O dia mal havia amanhecido em New Haven e Quinn já estava de pé, o clima não era dos melhores, estava nublado fazendo com que os pálidos raios do sol só conseguissem tornar o céu num tom de azul claro. A ex-Cheerio vestiu seu moletom mais quente e saiu para encontrar com Mark depois de ouvir os resmungos de uma Carmen sonolenta.
–Pensei que não viria –Mark se alongava no salão de entrada.
–Realmente cogitei a possibilidade de não vir, minha cama estava muito convidativa –sorriu balançando os braços e girando a cintura para se aquecer.
–Muito cedo? –riu parando de se alongar. –Sabe, se não participar de alguma atividade física extracurricular, tem que acordar cedo para fazer esse tipo de coisa, normalmente ficamos tão cheios que não cuidamos direito da saúde.
–Bem, não pretendo participar de nada assim... então é melhor me acostumar com o horário –riu. -Pensei que você praticava algo, é bem grande...
–Mas eu pratico, só gosto de correr de manhã cedo. Eu sou do Yale Bulldogs, do time de futebol americano –Mark abriu o casaco deixando a mostra uma camisa com o símbolo do time. –Sou o Quarterback.
–Não pode ser –Quinn riu descontroladamente. Todo garoto que entrava na sua vida tinha que ser daquele estereótipo.
–Qual a graça? –o garoto parecia desconcertado.
–Meus últimos namorados foram Quarterbacks...
–E ser um Quarterback... aumenta ou diminui minhas chances com você?
–Depende de que chances estamos falando –a loira levantou uma sobrancelha em desafio e rumou para fora do prédio começando uma leve corrida.
–Estamos falando das chances de futuramente lhe beijar –começou a acompanhá-la.
–Digamos que no momento suas chances de me beijar estão em 25% -sorriu forçando a corrida.
–Só 25%?
–Estariam em 50% se não me tivesse feito sair da cama tão cedo –riu.
–Esses 25% são atribuídos a minha posição no time?
–Não, estão atribuídos ao fato de que você é atlético e eu meio que adoro um cara sarado –sorriu lembrando-se de Sam Evans e seu tanquinho, não era a toa que havia conseguido o emprego de stripper e o apelido de Chocolate Branco.
–E em que categorias estou sendo avaliado?
–Corpo, mente, charme e borboletas no estomago.
–É... acho que vai ser trabalhoso te fazer comer borboletas, mas eu tento, daqui sua boca parece ser apetitosa –Mark se aproximou de Quinn, ambos continuavam correndo e o contato mínimo entre os braços os faziam vacilar pela calçada. A loira o empurrou devagar ao ver que o garoto se aproximava no intuito de beijá-la.
–Você ainda não tem todos os quesitos para esse tipo de contato –Quinn riu e forçou ainda mais a corrida, mas foi interrompida pelos braços fortes de Mark que a agarraram pela cintura fazendo-a virar para ele.
–Uma vez me disseram que beijos não devem ser pedidos e sim dados ou roubados – com isso puxou a loira ficando face a face.
–Meu jogo, minhas regras, Johnson –Quinn se soltou e continuou a corrida. –E a propósito, você tem que ter cuidado com uma amiga muito raivosa que mede apenas 1,57, mas te deixaria surdo com apenas uma nota aguda.
X
No domingo a cidade de Nova York acordou com fortes rajadas de vento o que deixou Rachel e Lucy trancafiadas no apartamento sem dar sua caminhada matinal até o Parque Washington Square.
No momento Rachel estava na sala aquecendo a voz, na segunda feira suas aulas em NYADA teriam inicio e queria começar afinada. Lucy a assistia fazer os exercícios vocais com interesse, a cadela sempre ficava na porta do banheiro quando a judia cantava no banheiro. Rachel achava aquilo o máximo, vivia com uma fã.
Ao meio dia recebeu uma ligação de Oliver, confirmando o jantar, Rachel estava verdadeiramente entusiasmada, não imaginava que algum nova-iorquino fosse se interessar por ela.
Com sua eximia organização fez um esquema do que fazer antes do encontro, seguindo-o a risca cumpriu com exatidão o horário estabelecido. Estava com um vestido preto simples, com gola V e um casaco branco rendado por cima. As oito em ponto Oliver tocou a campainha, ao abrir a porta Rachel recebeu um olhar abobado e um sorriso torto.
Oliver a levou de taxi até um restaurante vegano numa das ruas que cortavam a Broadway, Rachel nunca se cansaria de passar por ali, mesmo que não assistisse a um musical, aquele lugar e o seu arredor era mágico.
–Então, você é uma futura diva da Broadway? –Rachel não havia conseguido se segurar e não parou de falar sobre musicais e sua vida musical até que o pedido chegasse a mesa.
–Gosto de pensar que já sou uma, mas não me descobriram –riu. –E você, gosta de musicais?
–Na verdade não gosto de musicais –Rachel tinha os olhos atentos. Uma vez seu pai Leroy havia lhe dito “Não confie em quem não gosta de musicais.” –Não entendo muito bem... Se aquilo fosse na vida real...
–E você não acha que é a vida real? –a morena parecia um tanto indignada. –Na vida real, quando alguém solta a voz é como se colocasse toda a emoção para fora, algo que não pode ser expresso por simples palavras e sim com todas as celular do seu corpo. A vida é um grande palco assim como num musical, veja por exemplo, Funny Girl que tem sua adaptação cinematográfica, que, a propósito é meu musical favorito, leva Barbra Streisand jogando emoção pela tela e andando pelas ruas soltando seu eu interior que ninguém consegue ver assim como eu faço quando estou triste, ressentida, feliz, sentindo saudades dos meus pais ou algo do tipo. Então, os musicais estão presentes na vida real, pelo menos pra mim e aposto que na sua também, nunca cantou no chuveiro?
Oliver piscou e piscou tentando processar o discurso da garota.
–Como você conseguiu falar isso num fôlego só? – foi a única coisa que sua mente conseguiu processar.
–Isso foi fácil por que sei distender meu diafragma, difícil mesmo é se manter firme no final de Don’t rain on my parade.
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