As If We Never Said Goodbye

20 I’ve gotta to get a move on with my live Parte II


Notas iniciais
Olá! Queria agradecer as Reviews, vocês são sempre fofas *-* Hm, eu ia postar ontem, mas o Nyah estava meio que fora do ar, ou algo assim. Então deixei para postar hoje e foi até melhor, pois consegui adicionar alguns detalhes. Sei que estou ficando em falta com vocês, me desculpem por isso, mas a minha universidade vem em primeiro lugar :T Espero que esse capitulo agrade a vocês, do proximo capitulo para frente eu prometo drama e muito, MUITO FABERRY! Vocês foram pacientes e espero não decepcionar! Outra coisa, desculpem os erros de português que ando cometendo, puxem minha orelha quando eu fizer algo errado, é que as coisas andam corridas e fico numa agonia para postar e isso não faz bem nem a mim, nem ao texto e consequentemente a vocês.
Tenham uma boa leitura!

gelo, por Deus, na hora tinha sido ridiculamente engraçado ver Santana e ela se engalfinhando, mas após a briga anunciada terminar e toda a adrenalina se dissipar, o peso da situação brotou.

A latina teve que levar Carrie, que mais parerecia um peso morto, até New Haven, por sorte, assim que chegaram a estação rodoviária um ônibus já se preparava para sair, foi um alivio poder se mover livremente quando deitou a garota no banco. Elas não trocaram nenhuma palavra, mas Carmen se sentiu um pouco mal com tudo aquilo, como Quinn já havia lhe esclarecido anteriormente, aquela garota ainda tinha sido aquela a enlouquecer quando a latina surtou há alguns meses atrás de uma maneira extremamente protetora.


Ao chegar em New Haven ambas foram ao dormitório de Carrie, lá a garota tomou um banho rápido, dispensando a ajuda de Carmen que foi atrás do bendito gelo e do Kit de primeiros socorros que sempre havia nos prédios, quando retornou já viu Carrie sentada em sua cama olhando chorosa para a foto dela e de Quinn. A latina simplesmente sentou-se ao lado da garota e lhe entregou o gelo para que pressionasse no lábio e no olho que começavam a exibir uma coloração diferente.

Delicadamente começou a passar um spray antimicrobiano no joelho ralado, Carrie uma vez ou outra soltava um gemidinho de dor.

-Carrie... –a latina suspirou, tinha que falar alguma coisa, mas seu coração quebrou de vez quando ouviu um soluço esganiçado escapar da garota ao seu lado e abraçou Carrie que deitou instintivamente sobre o colo da garota.

–Por favor, não jogue na minha cara... que... estraguei tudo –disse baixinho entre os soluços.

–Eu não vou falar nada disso, não agora –Carmen deixou que as mãos corressem pelos cabelos escuros que se espalhavam pelo seu colo. –Pelo jeito você sabe e sente na pele, literalmente, que fez algo errado. Me diga, você pegou a carta que Rachel enviou a Quinn?

–Eu sou um monstro –a garota escondeu o rosto com as mãos e seus soluços se tornaram tão intensos que seu corpo os acompanhava. Carmen suspirou pesadamente, Carria havia se entregado.

–Você fez péssimas escolhas nesse relacionamento com a Quinn e mais cedo ou mais tarde vai ter que arcar com as conseqüências, só queria saber o que te fez ser tão ciumenta a ponto de fazer as coisas que fez. Não precisa me responder, só pense, por que amanhã, Quinn com certeza aparecerá por aqui, vou me encarregar de que ela não venha hoje, já que todas estamos com os nervos tão a flor da pele –Carmen sentiu o celular vibrar, era uma mensagem de Quinn avisando que logo estaria em New Haven.

–Por que está me ajudando? –questionou a morena em seu colo segurando os soluços.

–Porquê você me ajudou, Quinn me fez perceber que por mais que estivesse sendo uma namorada não muito boa para ela, você nunca deixou de ser nossa amiga, a garota que precisa de alguém ao seu lado –Carmen levantou a garota de seu colo com cuidado e a deitou na posição certa na cama. –Entenda, o relacionamento de vocês duas pode estar chegando ao fim, por mais que seja ruim agora, vai passar e eu posso apostar essa minha bunda latina que nós todas vamos ficar bem.


X

Rachel recebia uma massagem nos ombros, Oliver tinha mãos mágicas, ele a fez relaxar e seu choro cessar, era ótimo ter um amigo tão dedicado por perto.

–Estrelinha, se precisar de algo, nos ligue, amanhã vamos vir aqui para... bem... para ver como você está –disse Hiram depositando um beijo na testa da filha que se encontrava entre as pernas do amigo e ambos sentados na cama da morena.

–E fazer aquele jantar especial que sempre te anima –brincou Leroy abraçando a filha.

–Bem, foi bom rever vocês, e lhe conhecer Oliver –disse Finn beijando a bochecha de Rachel e a olhou com um sorriso bobo. –Pode contar comigo, Rach.

Em seguida os três foram acompanhados até a porta por Santana, a morena suspirou se apoiando em Oliver que beijou seus cabelos.

–Rach, só vou perguntar isso, não quero te aborrecer... –disse Oliver a abraçando. –Tem certeza que se afastar de Quinn é a melhor escolha?

–Tenho, nós não estamos prontas para algo juntas –suspirou.

–Então, está certo, não vou perguntar suas razões, por que você está cansada e principalmente, por que você deve saber o que está fazendo.

–Um dia a vida leva e no futuro o vento trás... –disse saindo do abraço do amigo.

–Eu vou anotar essa suas divagações –sorriu.

–Por favor, coloque entre aspas e cite o meu nome como autora –sorriu fraca.

–Ei, e o Finn? –questionou Oliver erguendo uma sobrancelha. –Sei que ele te consolou antes da Quinn aparecer aqui e tal, o que vocês conversaram tanto?

–Além de dizer que meus seios estavam bonitos... –sorriu. –ele me perguntou sobre como esse lance com a Quinn começou, e quando eu fui contando ele nem se fez de tão surpreso, disse que durante o ultimo ano da escola, quando nós quase casamos e Quinn apareceu interrompendo tudo de uma maneira muito subconsciente, Puck lhe contou sobre uma fantasia estranha, onde eu e ela éramos amantes, ele começou a acreditar nisso –riu.

–Você doidinha pra tornar essa fantasia realidade –brincou Oliver arrancando uma risada da judia. –Eu sei que quer, não apenas de maneira carnal, você é louca por ela, isso ainda vai ser um grande romance.

–Os dados já foram jogados –disse num meio sorriso.

–As duas velhinhas podem parar de tricotar? Tem uma mancha de vinho no sofá, como se tira aquela coisa? –disse Santana encostada na porta do quarto.

–Oh, pelo amor de Deus, eu sou mais dona de casa que você –Oliver se levantou e foi para a sala ver a mancha.

–Ele é mais gay que o Kurt! –disse Santana. –Hey, Berry, tudo certo?

–Vai ficar tudo bem, Santana. E estou agradecida pelo que fez hoje!

–Bater em vadias? –perguntou Santana com um olhar travesso. –É meu hobbie!


X


Quinn saltou na rodoviária e caminhou furtivamente até o dormitório, já passavam das três da manhã, havia muita neve e uma ventania desgraçada que arrepiavam até as células de atividade mais intensa de seu corpo, se ficasse mais meia hora ali fora, com certeza teria um resfriado para se preocupar.

Seu celular vibrou, mas ela estava muito compenetrada em atravessar o campo que separava os dois dormitórios de Berkeley, que outrora era completamente verde, como ela queria que a primavera chegasse logo.

Não hesitou em correr diretamente para seu próprio dormitório, não queria ver Carrie hoje, nem sabia se conseguiria dormir com a cabeça fervendo daquela maneira. Desde que entrara no ônibus, seu cérebro começou a avaliar todas as situações, todos os momentos e coisas ditas com palavras e com olhares entre Rachel e ela. A relação delas era tão turbulenta, tão cheia de altos e baixos que chegavam a ser desesperadores. Quinn começou a perceber que, mesmo inconscientemente e por trás de toda aquela grosseria, ela sempre gostou de Rachel.

O fato era que a morena sempre soava como uma ameaça a sua estabilidade, mesmo que falsa, primeiro com Finn, depois contando ao mesmo que ele não era o pai de sua filha ainda não nascida, roubando-o novamente quando voltaram, “Ah, tudo tem Finn no meio!” pensava ela em sua batalha mental. Mas ela sabia que não adiantava chorar pelo leite derramado, Finn era passado, mas não podia deixar de maneira alguma que Rachel também ficasse para trás. Naquele momento da vida de ambas a maturidade batia a porta acompanhada da responsabilidade de morar sozinhas e de consequentemente se afastar da família, embora Quinn não tivesse escolha.

A loira só tinha uma chance, aceitar o que Rachel aceitasse, que no caso era o contato familiar, e assim seria, pelo menos por enquanto. Era hora de realmente levar a vida a diante e deixar que os caminhos se cruzassem novamente.

Ao chegar em seu dormitório deu de cara com uma Carmen de pijamas sentada no meio da sala, ela se levantou cambaleante e começou a falar sem parar, a única coisa que Quinn entendeu foi sobre não ser uma boa hora para falar com Carrie.

–Relaxe, está bem? Não fui falar com ela, por hoje eu preciso descansar –disse tirando o casaco e a bolsa na cama assim que entrou no quarto com Carmen em seu encalço. –Como ela está?

–Bem machucada, mas está tudo bem, não foi nada que não possa ser superado em alguns dias... Agora, se falamos de como ela está emocionalmente, ela dormiu chorando... Ela sabe que o que fez hoje é um passo muito largo em direção a separação de vocês.

–Pelo menos ela sabe, acho que vai estar preparada...

–Então, você realmente vai terminar com ela, certo? –perguntou Carmen deitando-se na sua cama quente.

–Vou –foi taxativa na resposta enquanto trocava a roupa, não tomaria banho, estava tão moída que isso poderia esperar.

–Conversou com Rachel? –a latina ergueu uma sobrancelha.

–Sim... –respondeu passando a cabeça pela camisa do Yale Bulldogs.

–E sua decisão de terminar com a Carrie, ela é derivada dos ataques de ciúmes ou por causa dessa sua conversa com a baixinha?

–Eu entendo seu ponto, essa decisão não tem muito haver com o que Rachel e eu conversamos, se assim posso dizer... ela me deu um pé na bunda, novamente. Hoje foi o apogeu dos ciúmes de Carrie, o suficiente para que eu enxergasse o que não estava vendo realmente, nunca pensei que me envolveria num relacionamento tão... doentio! Não está fazendo bem a mim e, principalmente, a ela, isso está beirando os limites da sanidade! –Quinn bufou e apagou a luz do quarto para em seguida deitar-se em sua cama.

–Okay –Carrie suspirou, pelo que havia visto na festa, Rachel ainda pensava em Quinn e suas confirmações vieram quando conversou com Santana que relatou a tristeza em que Rachel estava se enfiando. –Como exatamente Rachel lhe deu um pé na bunda?

–Encurtando os longos discursos de Rachel Berry... em síntese ela disse que minha vida era melhor sem ela por perto, que deveríamos passar por esse processo de amadurecimento e que deveríamos nos tratar como conhecidas, por causa de nossa situação familiar –Quinn virou-se de bruços e abraçou o travesseiro. –Então, eu só pedi pra que ela dissesse se sentia o mesmo que eu ou que me mandasse ir embora, e bem, eu estou aqui...

–E como você se sente sobre ela?

–Se eu estivesse com ela o mundo inteiro poderia explodir e eu nem me importaria.

–Que bom que você não se importa comigo, Fabray, eu faço parte do mundo! –disse Carmen com um tom de falsa indignação.

–Sua idiota! –Quinn riu. –Você me entendeu! Quando me imagino com ela, eu me perco completamente, não me importa se estou no meio da aula mais chata ou no meio de uma prova, só a ideia de um dia poder tê-la me faz ficar aérea.

–Você é uma sonhadora, Quinn... só não deixe que seus sonhos fiquem somente na sua cabeça.

–Eu sei, e eu tentei ser pé no chão minha vida toda, e deu no que deu...

–Como assim?

–Nunca deixei o que tinha na minha mente virar realidade, sonhei tanto encontrar o amor de verdade que forcei sua existência e acabei me fechando em um sentimento inexistente... Lembro de uma vez em que Rachel me disse que tinha muito a expressar –sorriu da memória. –Ela estava completamente certa, eu me prendi muito a padrões, a costumes que não se encaixam nesse século... eu preciso deixar minha cabeça fluir.

–Amanhã irei ao centro comercial, preciso comprar uns materiais para desenho, você deveria me acompanhar, as vezes a gente entra nas lojas e se interessa em algo... você poderia tentar espremer essa sua cabeça oxigenada e ver o que sai numa tela...

–É uma boa ideia... e temos que ver como nossa situação vai ficar –divagou se revirando na cama, ficando de barriga para cima.

–Que situação?

–Amanhã vou terminar com a Carrie, e ela é nossa parceira de negócios, a situação vai ser complicada, não quero que ela saia, eu gosto dela, entende? Ainda quero o bem dela e só a ideia de que ela possa voltar para aquele clube de strip não me agrada nenhum pouco –Quinn suspirou.

–Acho que podemos dar um jeito, garanto que não vamos deixar ninguém na mão.


X


Quinn entrou no quarto de Carrie, a porta estava destrancada, Carmen havia dito que havia deixado a porta aberta, no caso de alguma emergência. Sua, até então, namorada não fora tomar café da manhã e nem o almoço, por isso Quinn trouxe aquela maçã e um café, sabia que ela sempre sentia-se enjoada pela manhã e só comia aquilo, e olhe lá.

Ao entrar deu de cara com a garota adormecida na cama, cheia de arranhões e manchar roxas e sentiu um aperto no coração. Era péssimo vê-la daquela maneira. Sentou-se a beira de sua cama e passou a mão pelos cabelos da garota, já passavam das duas da tarde.

Lentamente os olhos de Carrie abriram, ela sentiu um de seus olhos doer com o movimento, se ajeitou na cama para que pudesse olhar para Quinn. A loira deu um meio sorriso e colocou o café e a maçã sobre a mesa de cabeceira da garota.

–Por que não toma um banho e depois conversamos? –sorriu a loira paciente. Carrie apenas balançou a cabeça afirmativamente.

A morena não se despiu como normalmente fazia na frente da namorada, pegou uma muda de roupas no guarda-roupas e caminhou para o banheiro.

Quinn esperou dez minutos e uma Carrie renovada apareceu na porta já vestida, com o cabelo preso em um rabo de cavalo e uma expressão triste.

–Você sabe por que estou aqui –afirmou Quinn.

–É –Carrie sentou-se ao lado da loira e olhou para as mãos em seu colo.

–Eu jurei que tentaria te amar, e eu tentei, e ontem duas coisas me acordaram para a realidade de que eu não posso te dar algo assim. Rachel ainda está muito presente em mim e sempre vai estar. E não posso continuar com essa nossa relação, Carrie. Ela está nos destruindo.

–Eu sei Quinn, e é por isso que não vou me opor ao nosso rompimento. E acima de tudo, sei que sou grande culpada, eu fui extremamente possessiva e ciumenta com você, só... Quinn, por favor, eu gosto tanto de você... –Carrie começou a chorar. –Você e Carmen foram as únicas pessoas que se importaram comigo nos últimos tempos, não... não me deixe fora da sua vida, não me... não me abandone!

–Eu não vou te abandonar! –Quinn se aproximou da garota e a abraçou devagar. –Carrie, deixando tudo bem claro, eu não te quero mal, só não te quero mais e pelos motivos certos. Não estou indo atrás de Rachel ou de outra garota, estou terminando com você por que não consigo te amar e isso tudo me machuca. Mas eu te quero bem, você ainda vai ser a minha primeira garota, sempre vou ter um carinho por quem faz parte da minha vida. Você é um capitulo na minha história, Carrie.

–Um péssimo capitulo! –brincou a garota se separando da loira e enxugando as lágrimas.

–Não, de maneira alguma. Você é um capitulo enriquecedor –sorriu a loira.

–Como fica todo o resto?

–Você se refere a nossa empresa? –perguntou Quinn e a garota maneou a cabeça positivamente. –Somos sócias, não vamos ser loucas e pular de um barco que está a todo vapor.

–Nossa empresa ainda nome, você sabe que isso é um problema, não sabe?

–Sei, vamos dar um jeito nisso, tenho grandes planos para nós três –sorriu confortadoramente.

–E a Rachel?

–O tempo decide –disse suspirando. –Então, precisa de gelo?

–Oh, preciso, de muito gelo! –sorriu apontando para o olho inchado, ela nem tinha visto aquele golpe de Santana.


X


–Quinn, querida, cheguei! –disse Carmen risonha entrando no dormitório, viu a sala forrada com jornal e Quinn, com a roupa totalmente suja de tinta, admirando uma tela. Ao seu redor haviam pinceis curtos, vários vasilhames com água, pratos descartáveis com tinta e bisnagas de aquarela, aquele era o material que tinham ido comprar mais cedo. Sorriu abertamente e caminhou até ficar atrás da amiga. –Wow!

–O que acha? –perguntou a loira virando a cabeça de um lado para o outro.

–Acho que... Porra, Quinn! Por que você esconde esse talento todo? –Carmen sorriu e resistiu à tentação de tocar a tela que com certeza ainda estava fresca.

A pintura era feita em aquarela, e retratava ou o por do sol ou o nascer do dia, a latina não conseguia distinguir. Tinham tons que passavam do azul chumbo ao laranja, e havia uma passagem perfeita entre os dois, em um tom avioletado. Ainda haviam duas estrelas solitárias que brilhavam no alto da tela.

–É um por do sol... ou...

–É um nascer do sol –disse Quinn e Carmen balançou a cabeça positivamente.

–Tem um significado, não tem?

–Pode crer que tem... –respondeu e ambas viraram a cabeça na mesma direção, analisando a obra.

–É um novo começo...

–Continue...

–É uma mudança irremediável, é algo que foge do seu controle, a noite fica no passado, e o dia vem, mas ela sempre retorna...

Quinn sorriu, era exatamente aquilo.

–Quinn?

–Sim?

–Você sabe que trabalhar em aquarela é extremamente difícil, não sabe?

–Sei sim...

–E que na Academia de Belas Artes de Florença... essa técnica é a ultima a ser estudada devido ao seu grau de complexidade? –Carmen se virou para encarar Quinn que simplesmente balançou a cabeça. –E sabe que... ainda nem estudamos isso?

–Aham...

–Porra, Quinn! Você é... vamos mostrar para... pra quem a gente mostra isso?

–Eu... não faço a mínima ideia, estamos na introdução do curso... não sei a quem mostrar... –Quinn coçou a nuca.

–O nosso Mestre de Berkeley deve nos ajudar...

–É, vou ver se o encontro depois das festas –disse limpando as mãos no pano que trazia pendurado no boldo do short que usava.

–Oh, não! Não pode esperar, e eu sei que ele está aqui –Carmen sorriu. –Eu dei um pulinho na biblioteca pra devolver aquele livro que aluguei desde o inicio do ano letivo, e tinha esse panfleto aqui –a latina retirou do bolso um papel extremamente dobrado para caber ali.

Era o anuncio de uma exposição que reunia um acervo de vários alunos de intercambio de cursos de artes das mais variadas universidades, que ocorreria em uma semana e era aberta ao publico.

–Sim, ele está aqui por causa disso? –questionou a loira confusa.

–É, por que todos os Mestres monitoram as exposições, sério Quinn, as vezes você é meio avoada! –brincou a latina.

–Não sou eu que tomo chá com o Mestre e sou do clube de tricô!

–Ei! O clube de tricô é ótimo! Você deveria tentar, é melhor do que ficar preenchendo o tempo correndo pela pista de atletismo sem rumo!

–Fala sério, você vai ter um ataque cardíaco aos 30 se não se exercitar, garota, não vejo onde o tricô vai te ajudar...

–Chega, foco, Quinn! –riu Carmen. –Leia ali o verso, no fim...

Quinn leu e seus olhos brilharam. Os alunos poderiam expor seus trabalhos, contanto que fizessem um trabalho e que fossem para avaliação do criador da exposição.

–Você acha... acha que eu tenho chance? –a loira sorriu.

–Tem! Mas você tem que se apressar, por que segundo o panfleto –Carmen pegou o papel e leu a nota de rodapé. –Essa avaliação acontece hoje as oito da noite.

–Merda! A tela não está seca! –exclamou Quinn levando as mãos a cabeça.

–Acalme os mamilos! –Carmen riu e caminhou até o quarto revirando uma caixa que guardava alguns materiais que não usava com freqüência. –São quatro da tarde, então você ainda tem algum tempo para deixar a tela secar, mas se não der tempo, use o fixador –disse entregando um spray de verniz fixador.

–Obrigada! –sorriu pegando o spray.

–Só tem que ter cuidado pra não espalhar muito e borrar a pintura...

–Ter um trabalho numa exposição... nossa...

–Vai ser fantástico, Quinn... e eles vão te aceitar, vão sim... não tem como dispensar um trabalho como esses, é simples, porém você conseguiu colocar um sentimento nele e... o nível de complexidade é alto para esse tipo de técnica... –Carmen sorriu. –Tem coisas fantásticas na sua cabeça oxigenada.


X


Santana estava feliz, estava comento batatas que tinham formato de uma carinha feliz, ela nunca tinha visto, mas lembrava sua namorada, Brittany com certeza adoraria aquilo. Mas ela estava mais feliz ainda, por que a comida de Hiram Berry chegava a ser melhor que a de sua Abuela, que ela não escutasse aquilo. E o pior de tudo, aquilo era totalmente vegano. Como diabos soja conseguia virar carne? Santana não perguntou, apenas devorou o que era posto na sua frente. Talvez fosse a falta de uma comida caseira, por que Rachel e ela estavam vivendo a base de delivery.

A latina até sentiu um peso no peito quando o jantar terminou e os pais de Rachel se despediram, mas ficou extremamente grata por Hiram ter feito uma travessa extra de carne de soja e ter deixado um livro de receitas para iniciantes.

–Berry, eu vou contratar seu pai para cozinhar para mim, estava fantástico! –disse sentando-se no sofá e inspecionando o lugar onde, ontem havia uma mancha de vinho. Ela apostava seu silicone que aquilo tinha sido obra de uma das crianças que estiveram ali, ontem a noite. Com certeza Finn tinha derramado aquilo, ele era de fato a única pessoa desprovida de coordenação motora.

–Acho que já podemos fazer nossas receitas, não precisamos contratá-lo –riu sentando –se de frente a latina.

–Aliás, Quinn me mandou uma mensagem –disse sorrindo.

–E?

–Ela terminou com a Carrie, mas pelo que me disse foi uma situação amigável, ela entendeu que extrapolou todos os limites reais e imaginários na convivência humana –sorriu. –E ela me ligou pra contar uma coisa fantástica, você não vai acreditar!

–Ela terminou com Carrie, fantástico! –disse Rachel pegando Lucy no colo.

–Ela foi selecionada para apresentar uma pintura numa exposição em Yale, disse que os caras ficaram bem impressionados. A tal exposição vai ser próxima semana, dois dias antes da virada de ano, estou pensando em passar lá, quer vir?

–Não é uma boa ideia, San... eu adoraria ir, mas, você me entende...

–Sim, completamente! –disse a latina. –Acho que vou arrastar o Bambi...

–Você ama Oliver –riu a judia esfregando os dedos atrás das orelhas de Lucy.

–Não espalhe! –sorriu. –E eu queria falar algo realmente importante para nossa vida.

–Sou toda ouvidos –disse Rachel a encarando.

–Quando cheguei a NY disse que ficar aqui seria provisório, mas não me vejo vivendo longe de... de Lucy...

–Oh, fale serio Santana, você não consegue mais viver sem mim! –brincou a judia.

–Ah, que seja! Estou querendo realmente dividir o apartamento com você, dividir as contas e tal, mas nós dividimos a cama e é bem inconveniente, se um dia você quiser trazer uma garota, um cara... ou os dois...e fazer um ménage à trois, eu não quero estar no meio, entende?

–O que... o que é um ménage à trois? –perguntou Rachel séria.

–Berry, pelo amor de Deus! É... sexo a três! –disse a latina entre risos.

–Oh, eu não faria isso... sexo é um ato muito intimo... e deve ser compartilhado por suas pessoas, apenas...

–Finn conta como uma pessoa só mesmo que os peitos dele pareçam dois anões querendo abocanhar seus mamilos?

–Os peitos dele não são... –Rachel olhou para Santana e ela tinha razão. –Okay, os peitos dele parecem querer ganhar vida, parece que da cintura pra cima é uma mulher se esfregando contra você!

Santana riu.

–Finn foi o pior sexo que eu já tive na vida! –disse a latina.

–Finn foi o único com quem fiz sexo...

–Oh, pobre Berry! –Santana realmente sentia pena, Finn tentou ser carinhoso e deu o maximo de si quando eles transaram, mas mesmo assim, não tinha sido bom. Mas Rachel tinha perdido a virgindade com ele, ela nem deveria saber o que era um orgasmo.

–Voltando ao seu ponto, o que sugere para resolver nosso problema? –Rachel podia quase ouvir os pensamentos de Santana.

–Estava pensando que... poderíamos nos mudar... –disse receosa. –Sei que tem a questão contratual desse loft...

–Santana, estou adorando morar com você e seria uma ótima ideia que moremos juntas de fato, ter alguém para rachar as contas e tudo mais. Acho valida a ideia de procurarmos um outro apartamento que tenha dois quartos –Rachel sorriu para a latina, isso seria grande. –E quanto ao contrato, ele é anual, então até meados do próximo ano podemos procurar um novo lar.

–Oh, Deus, se a Santana de três anos atrás nos visse agora... –gargalhou a latina levando Rachel a rir junto.


X


A pintura tinha secado a tempo, o Mestre tinha achado incrível, embora não fosse sua área de conhecimento, e imediatamente indicou Quinn para a seleção. O criador da exposição nem a olhava, só avaliava a pintura, não fez nenhum comentário, só disse no final, após duas horas de avaliação dos trabalhos dos cinqüenta e três concorrentes, cinco foram escolhidos. Quinn suspirou aliviada quando ele apontou para seu trabalho. Ela tinha conseguido.

Carmen estava do lado de fora ansiosa, Quinn havia lhe mandado, assim como fez com Santana, uma mensagem dizendo que havia conseguido, mas ainda tinha que ficar no auditório escutando uma burocracia que ela nem sabia do que se tratava. Ficou extremamente surpresa quando soube que um mestre da Academia de Belas Artes de Florença viria para a exposição, e ele julgaria se algum deles tinha capacidade de participar de um programa de extensão na Itália que duraria exatos quatro anos.

Quinn sabia que não poderia pagar por aquilo, mas já estava mais do que satisfeita em ter seu trabalho disponível para a comunidade. Quando tudo já estava terminado ela guardou a tela e caminhou para a saída com os demais, mas foi impedida pelo seu Mestre, Sr. Richardson.

–Srta. Fabray, podemos conversar no meu escritório? –perguntou com um sorriso gentil.

–Claro! –disse o acompanhando até fora do auditório, deram de cara com Carmen que pulou em Quinn quase a levando ao chão.

–Essa é minha garota, botou pra foder! –exclamou fazendo com que o Mestre soltasse um pigarro. –Desculpe, Sr. Richardson.

–Carmen, daqui a pouco nos falamos, certo? –disse Quinn se afastando com o homem.

–Não vamos demorar muito –disse ao abrir a porta do escritório para Quinn entrar.

A garota nunca havia ido ali, realmente era muito avoada em relação a própria universidade.

–Bem, primeiramente, parabéns por ser selecionada, seu quadro é realmente impressionante! –sorriu sincero.

–Obrigada –sorriu sem graça.

–E bem, vamos falar sobre exatamente as conseqüências que essa seleção acarreta na sua vida universitária, está bem? –ele sentou-se em sua cadeira atrás da mesa e indicou a Quinn que tomasse acento.

–Na verdade não há muito o que conversar, senhor... Estudar na Itália? Não há como eu possa bancar algo do tipo, está fora da cogitação –disse sincera recostando-se na cadeira.

–Mas você conversou sobre isso com seus pais?

–Na verdade, sou eu quem estou pagando Yale com o resto da minha poupança e complementando com meu trabalho de serigrafia e impressão junto com Carmen Herrera e Carrie Menphis.

–Oh –disse o homem que rapidamente procurou algo em sua gaveta, Quinn surpreendeu-se ao ver que era uma de suas camisetas personalizadas, tinha a estampa de Pai Mei, um personagem do filme Kill Bill 2, que possuía uma barba comprida e que na camisa, dizia “Sou seu Mestre”. –Eu tive que comprar uma! Bem... eu sou o Mestre de Berkeley e bem... ele é o Mestre...

Quinn riu, era uma boa analogia.

–Quinn, você tem talento! –sorriu. –Já que é essa a situação que você me apresentou, acho que Yale pode te ajudar. Esse programa de extensão já é em si, 50% gratuito, e se pudermos discutir o assunto com os reitores de Yale e da Academia, creio que poderíamos fazer esses 50% se tronarem 75% ou até mais...

O senhor que já chegava a meia idade sorriu procurando uma pasta em sua gaveta.

–Você se interessa?

Como dizer que não se interessava numa proposta daquelas? Como dizer não a uma coisa que fez seu coração palpitar com a ideia de uma garota de Lima, que há pouco tempo não tinha muita perspectiva de uma vida acadêmica fora daquela cidade, recebia uma chance de estudar fora do país?

–Eu... eu ficaria... honrada! –disse soltando uma respiração pesada.

–Então precisamos acertar alguns pontos, Quinn... –ele abriu a pasta que tinha o Nome “FABRAY. Quinn” em uma etiqueta. –Você ainda está em seu primeiro ano de curso, certo?

–Sim, senhor –respondeu rapidamente, estava sentindo que poderia explodir de tanta felicidade.

–Então, o aluno que for escolhido nesta exposição para ir a Florença, deverá ter cumprido ao menos todas as matérias obrigatórias, para que não viaje sem nenhuma base sólida. E como você está em seu primeiro ano, e já cursou metade do exigido, existe um plano de aceleração de curso, onde você estudaria em dois períodos, ao invés de apenas um –explicou analisando uma caderneta com as informações básicas de Quinn e as matérias que ela tinha cursado até a pausa para as festas de fim de ano. –Está entendendo?

–Vejamos se entendi bem, para que eu consiga fazer parte do programa de extensão, tenho que ter as matérias básicas e para isso terei de tomar aulas pela manhã e pela tarde, certo?

–Certíssimo, não vou mentir, será bastante puxado, especialmente para você que tem um negocio próprio.

–Imagino... –disse mastigando o lábio.

–Não precisa me dar a resposta agora, certo? Vamos esperar que a exposição ocorra e que o resultado seja divulgado –o Mestre lhe olhou com um sorriso confortante, ele estava lhe dando tempo para pensar, e nos últimos dias as coisas tinham ido em seu ritmo próprio, atropelando-a que era gratificante poder controlar suas ações com precisão. Agora ela entendia Rachel e sua organização, era fundamental ter um ponto de equilíbrio em sua rotina, só assim o tempo seria maximizado e melhor aproveitado.


Quinn cambaleou para fora do escritório do Mestre ainda absorvendo toda aquela informação nova, Carmen a agarrou novamente e ficou pasma quando soube da história toda.

–Eu vou perder minha colega de quarto? –foi a única coisa que disse, era em tom de brincadeira, mas Quinn sentiu um aperto no peito, ia deixar sua irmã de coração sozinha.

–Você vai ter que se comportar, garota! –riu cutucando as costelas de Carmen.

–Oh, você sabe que eu não me comporto! –brincou. Mas de fato, nos últimos meses, Quinn teve que sair do dormitório todas as sextas feiras, por que agora Carmen vivia acompanhada de garotas de fora e de dentro do campus, era uma loucura.

–Vamos para o salão de festas? Os professores estão dando uma festa com os alunos que ficaram aqui no feriado –ofereceu Quinn.

–Mas é claro! –disse animada. –Só me pergunto por que há tanta gente sem ninguém no Natal...

–Acho que muitos estão aqui perseguindo um sonho e de alguma maneira não podem estar perto da família... –divagou Quinn, percebendo que aquele discurso poderia ser seu num futuro não muito distante.


X


Para Oliver arte era uma coisa importantíssima na vida do ser humano, como forma de se expressar: passar uma mensagem subliminar, demonstrar sentimentos, uma ideia... Mas o que diabos tinha de especial numa tela azul com um ovo pintado no meio? Ele olhou para Santana que tinha uma expressão confusa com a boca meio aberta, ela ergueu as mãos e balançou a cabeça negativamente e saiu de perto da tela. Para o alivio do rapaz, não era a obra de Quinn.

Oliver a acompanhou para o quadro seguinte e lá estava algo mais bonito de se ver, era uma espécie de colagem com ícones dos anos sessenta em escala de cinza.

–Vocês vieram! –exclamou Quinn atrás dos dois, exibindo um sorriso enorme. Santana deu-lhe um abraço apertado e a olhou de cima a baixo.

–Oh, garota, você está completamente sexy! –disse a latina referindo-se ao vestido de tecido preto com alguns pontos de luz, que ia até um pouco em cima do joelho e tinha um decote que deixava subentendido que a loira não usava sutiã.

–Nossa senhora, queria saber se onde você comprou isso tinha pra homem... mas acho que não cairia bem em mim –brincou Oliver abraçando-a.

–Fala sério, Oliver, você ficaria glamoroso com um vestido desses num desfile de Drag Queen –disse Santana.

–Oh, não sei se tomo isso como um elogio ou uma ofensa –revirou os olhos.

–Um pouco dos dois Boy George... –disse Carmen aparecendo ao lado de Quinn e tentando dar um jeito na sua roupa.

–Oh, não! Mais uma me chamando assim –Oliver suspirou.

–Carmen, o que é isso no seu pescoço? –perguntou Quinn tocando o pescoço da latina em uma mancha avermelhada.

–Sabe como é... –simplesmente riu indicando uma garota que acabava de passar por trás dela.

–Você está pegando a presidente do clube do livro? –a loira deixou o queixo cair.

–O que? Aquela era a presidente do clube do livro? Mas que merda é essa? Desde quando essas garotas nerds são tão gostosas assim? –perguntou Santana secando a garota.

–As coisas são diferentes por aqui, exceto pelos jogadores de futebol, são sempre os mesmos que a gente viu na escola –resmungou Quinn, um exemplo disso era Mark Johnson, que dava investidas nela de mês em mês.

–Mas então, souberam que a Quinn pode nos abandonar? –perguntou Carmen agarrando uma taça de espumante de um garçom que passava por ali.

–Eu soube! –disse Santana fazendo uma cara de ressentida. –Só por que estou mais perto dela, ela quer se afastar de mim. Q, não adianta lutar contra nosso amor, não me deixe!

Quinn apenas gargalhou.


A noite correu rápido demais, Santana e Oliver se encantaram pelo quadro de Quinn que recebeu o nome de “Amanhecer de uma alma”, Carmen fugiu da exposição mais de três vezes com garotas diferentes e a loira recebeu inúmeros elogios pela obra.

No fim, quando só sobravam pouquíssimas pessoas no ambiente, um homem que circulava praticamente incógnito reuniu-se com os Mestres e com Dommus Reymond, o criador da exposição e disse algo a eles, Quinn não conseguiu saber o que era, mas sabia do que se tratava.

–Por favor, os autores, nos acompanhem até a sala adjacente –disse Sr. Reymond, caminhando com os demais para a sala.

Santana, Oliver e Carmen acenaram para a loira quando saiam pela porta da galeria, já que a exposição estava terminada, de fato.


Por uma longa hora, os três esperavam ansiosamente no hall de entrada, Quinn veio radiante correndo até eles e os abraçou os três com força.

–Puta merda, Quinn! Estou caindo! –informou Santana se desequilibrando e sendo salva por Oliver que tinha conseguido se apoiar em uma dar paredes.

–Cale a boca, Santana! Eu venci! Eu vou para a Itália! Eu vou! –exclamou Quinn beijando o rosto da latina.

Santana só a abraçou forte, sentiu as lagrimas quentes de Quinn em seu ombro, sabia pelo quanto ela tinha passado para chegar ali, sabia que ela merecia.


Notas finais
Quem quiser conversar com a autora, pode seguir no @ElisaFidellis, aliás, eu falo besteira pra caramba!