As If We Never Said Goodbye

17 I’ve been an awful good girl, Santa Baby! Parte I


Notas iniciais
Vocês são demais, sabiam? Tô muito, muito agradecida pelas reviews, pelos leitores fixos, por quem favoritou e por quem recomendou, vocês são demais. Um autor está completo em momentos como esse, quando é reconhecido. Muito obrigada!
Neste capitulo as coisas vão ficar tensas pro lado da Quinn e da Carrie, e o momento que vocês tanto querem (não exatamente do jeito que querem) está próximo. Aliás deixei escapar muita coisa nas ultimas reviews... E bem... Vocês já repararam bem no nome da fic? É uma musica presente em Glee... talvez se juntasse a letra da musica e a imagem da capa...
E o capitulo foi dividido, não gosto de coisas muito compridas.

Desde que havia terminado a escola, Santana Lopez se tornou uma pessoa com hábitos noturnos, não sabia o que era acordar pela manhã, já que trabalhava a noite toda no Breadstix, mas agora que estava em NY e dividia o apartamento com Rachel Berry, uma pessoa que saia de casa as seis da manhã e chegava as dez, todos os dias, sua vida mudou. E ainda tinha aquela cachorrinha que não parava de uivar enquanto o Hobbit cantava no banho. Santana sempre acordava com aquelas duas. As seis da manhã. Todos os dias.

–Bom dia! –disse Rachel quando Santana finalmente deu o ar da graça.

–Berry, isso é ridículo, ainda não entendo como consegue acordar num sábado às seis da manhã? E ainda por cima com essa cara animada? –perguntou a latina que tinha o cabelo bagunçado e ainda vestia os pijamas.

–Minha rotina é bem elaborada, e a sigo a risca, de maneira que posso aproveitar meu dia e maximizar meu tempo –a garota disse olhando a correspondência.

–O que vai fazer, hein? –perguntou a latina se servindo de cereais e enchendo a boca de fartas colheradas.

–Santana! –a morena a olhou indignada. –É quinze de dezembro!

–E daí? –perguntou de boca cheia só para provocar a morena, já que a baixinha odiava quando a latina fazia aquilo. –Falta uma semana para a terra explodir segundo aquela profecia Maia?

–Santana! –resmungou novamente. –Faltam dez dias para a véspera do Natal!

–Pensei que sendo judia, não comemorasse o Natal –disse mastigando de boca aberta para agoniar Rachel que virou o rosto levantando-se para colocar sua louça suja na pia.

–Bem, meu pai, Leroy não é judeu, papai Hiram insistiu para que ambos tivessem sua individualidade também quanto à religião, e eu basicamente comemoro alguns feriados judaicos e alguns cristãos, e o natal é uma dessas datas –disse apontando para o calendário que ficava preso a porta da geladeira.

–E o Hanu... Kanukár... –tentou lembrar o nome da celebração enquanto Lucy se esfregava nos pés da latina, Deus aquela cadela as vezes parecia um gato.

–É Hanukkah! –corrigiu a garota.

–Não vai comemorar? –perguntou puxando uma das orelhas de Lucy com os dedos dos pés.

–Bem, deveria estar comemorando agora, mas estou tão ocupada com NYADA e esse meu trabalho de passear cães... e estamos no fim do período de comemoração que é de oito...

–Ok, já entendi, Berry! –disse Santana fazendo um gesto com a mão como um maestro mandando os músicos pararem de tocar e assim Rachel o fez. –O fato é... por que diabos você está de pé num sábado para fazer compras de natal se ainda nem entramos na semana da celebração?

–Não posso deixar isso para ultima hora, tenho que mandar alguns presentes para alguns colegas da Academia e para meus pais, Shelby e Puck, Will e Emma. Oh, e Kurt! E Mercedes!

–Quinn... –resmungou a latina.

–Quinn, Artie... –a morena olhou feio para a latina. –Eu não vou comprar nada para Quinn!

–Por que não? –Santana exibia um sorrisinho idiota.

–Você sabe muito bem, Santana! –a morena se descontrolou e sua voz saiu um tanto estrangulada.

–Oh, vamos lá, Rachel! Você é completamente apaixonada pela Q, mande pelo menos um cartão de “Eu te desejo todas as noites e finjo não sentir a pressão entre as minhas pernas pro que não posso me aliviar com Santana morando comigo. Então se desfaça dessa sua namorada sem sal e me deixe aquecer sua cama nesse inverno rigoroso.”

–Por que diabos eu ainda deixo você morar comigo? –disse uma Rachel muito vermelha com os dentes cerrados apanhando o casaco e a bolsa. –Vou esperar Oliver lá embaixo!

–Oh, espere, espere! –disse a latina. –Ontem falei com a Quinn, não quer saber sobre o que conversamos?

–Não quero saber de fofoca, você bem sabe como uma maldita fofoca terminou nossa amizade –a morena não queria ouvir a fofoca, mas seus pés não se moveram e Santana sabia que era a deixa para engatar a conversa séria que Rachel vinha se esquivando.

–Vamos, sente sua maldita bunda na cadeira e me escute, pelo menos enquanto o Príncipe Caspian reprimido não chega –a latina fez Rachel soltar uma risadinha, aquele era o mais novo apelido de Oliver.

–Okay, Santana, fale –disse sentando-se à mesa.

–Bem, depois de todo aquele drama para me desculpar por não ter dito a ela de cara que estava vindo para NY e blá, blá, blá. Ela sempre faz aqueles comentários normais sobre um relacionamento...

–Aqueles que eu não faço muita questão de saber...

–... e ontem ela desabafou tudo, vou uma verborragia sem fim, você precisava ter escutado. A Carrie está se mordendo de ciúmes, a garota é bem possessiva, mas segundo a Q. é um furacão na cama! –sorriu.

–Pode por favor... pular esses comentários?

–Só queria ver se você sentia-se mal, bingo! –riu. –O ponto é que o relacionamento das duas não vai lá muito bem, acho que não seria nada mal que você mandasse algo, nem que seja um cartão, pra deixar pelo menos claro que se importa com ela... Se é que se importa... –a latina se serviu de mais cereais e voltou sua atenção para a tigela. A verdade era que Santana estava jogando sujo, Quinn não havia lhe dito nada de extraordinário na ultima ligação, somente relatado o quanto a namorada era fogosa e probleminhas bestas do relacionamento, mas uma coisa era certa Carrie era ciumenta, não nas doses certas. E por mais que Quinn não mantivesse mais nenhum tipo de contato com Rachel durante meses, a judia era a motivadora de ciúmes.

Assim Santana estava regendo um jogo de xadrez onde Carrie era o rei das peças brancas a ser derrubado e Rachel rainha das peças pretas, a peça mais forte do seu lado. Aqueles eram apenas seus primeiros movimentos para o xeque-mate. A latina não tinha nada contra Carrie, ela apenas está no lugar errado.

–Por favor, não ouse dizer que não me importo com Quinn. A verdade é que me importo demais, você sabe muito bem pelo que ela já passou nessa vida e uma relação comigo não seria nada saudável tendo em vista que ela está com outra garota, Santana. Preocupo-me tanto com ela que desejo sua felicidade, independente de estar comigo, com Carrie, ou até Finn!

–Ah, Finnocencia, não! –torceu o rosto. –Concordo com o que você disse, mas Berry, você já parou para pensar que Quinn pode não estar satisfeita com seu atual relacionamento e esteja, novamente, perdida?

–Ela lhe disse algo assim?

–Não...

–Então ela não está. Santana, vocês são melhores amigas, ela lhe contaria se estivesse perdida quanto aos seus sentimentos, e se estivesse, creio que terminaria com Carrie, ela não é mais do tipo de pessoa que engana os outros.

–Você tem razão, mas não é justo que você fiquei ai pelos cantos sendo a personificação da frase “Forever Alone”!

–Eu não sou uma pessoa solitária! –uniu as sobrancelhas fechando a expressão.

–Oh é sim, quantas e quantas vezes não cheguei em casa à noite e te vi sentada naquela maldita janela com essa cachorrinha melosa aos seus pés enquanto você cantava Don’t rain on my parade? –a latina ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços sobre o peito, numa de suas poses clássicas.

–Estou muito compenetrada em meus assuntos e preciso de um momento para parar e refletir, e só tenho à noite para pensar –explicou-se.

–E me diga qual o motivo mesmo de não ter amigos?

–Tenho a você e Oliver.

–Ah, Rachel! Fala sério, me refiro a amigos de NYADA, não sei... de... algum lugar que você freqüente... A mim você tem que agüentar, pois invadi seu apartamento e você teve um relacionamento estranho Branca de Neve!

–Branca de Neve? –perguntou confusa.

–É, você nunca viu? Ela vive a cantar com animaizinhos e cheia de anões ao redor, você é um deles... acho que o dengoso seria o mais apropriado... enfim, horrível.

Rachel não conteve a onda de risadas, Oliver era com certeza a Branca de Neve, não por ser gay, mas por que todas as vezes que alimentava os animais na pet shop, sempre cantava uma musica de Wicked, por culpa de Rachel que o arrastou para todas as apresentações que teve naquela temporada de duas semanas onde interpretou Elphaba.

–O ponto é, você não sai, Rachel, só comigo ou com a Branca de Neve, e nossas saídas são pra um café, umas compras, ver algum espetáculo... Você está vivendo em Nova York, poderia ao menos explorar esse lugar e ser mais aberta a novas experiências, assim como Quinn e se dar uma chance de ser feliz.

–Mas eu sou feliz, Santana!

–Não, você não é! Se fosse feliz não me acordaria toda semana com seu choro abafado vindo do banheiro! Você está ficando confortável, relaxada –a latina se aproximou de Rachel e pegou suas mãos em um gesto de carinho quando a garota a sua frente a olhou com os olhos marejados. –Rach, lembra quando Will fez aquela competição idiota entre meninos e meninas no Glee?

A morena apenas balançou a cabeça afirmativamente.

–Ele queria que nos sentíssemos desafiados, motivados a buscar o nosso melhor. Você deveria estar fazendo isso, se desafiando. E tudo o que vejo, desde que a peça terminou, é você apenas sobrevivendo. Berry, pelo amor de Deus, você não passou por tudo o que passou para fingir estar feliz na cidade dos seus sonhos. Quer felicidade? Vá lá, agarre-a com os dentes. E se sua felicidade está malditamente vinculada à Quinn, pela coleção de roupas de ginástica da Adidas de Sue Sylvester, lute por essa garota!

–Por mais que esteja certa, sobre tudo, Santana... Não posso simplesmente ir a New Haven e pedir que Quinn aceite meu amor, pois ela está com uma garota que demonstrou e lutou para consegui-la. Ela tem todo o direito de amar a pessoa que queira, numa história como essa, sempre, sempre alguém saíra machucado e dessa vez sou eu. E prefiro assim, prefiro ser eu com o olhar triste, sem animo, chorando no banheiro durante a noite, do que vê-la chorando e se despedindo de mim mais uma vez! –Rachel cobriu o rosto com as mãos. –Eu não agüentaria ver aqueles olhos chorando por minha causa.

Merda, Hobbit –exclamou a latina se ajoelhando ao lado de Rachel para abraçá-la pela cintura. A judia abraçou Santana enquanto soluçava e parecia ter uma espécie de ataque, não era um choro normal, a latina só a havia visto dessa maneira quando ela deu um ataque de choro na sala do coral dois dias depois de ocorrer a audição frustrada para a Academia. –Rachel, só te vi assim por algo que você quisesse muito, e como amiga, sua e de Quinn, sei que as duas são uma para a outra. Por mais que hajam desvios no caminho, não se dê por vencida.

A latina se afastou de Rachel e segurou seu rosto entre as mãos enxugando as lágrimas com os polegares.

–Não importa quantas vezes possam se desencontrar, sempre vai haver algo as conectando, nem que seja a consciência lhe dizendo que deveria ter tentado mais. Digo isso por que sei! Tentei afastar a Brit quando os sentimentos ficaram confusos, mas meu pensamento estava preso nela, por que eu a amava de verdade e aproveitei as chances que tive pra poder finalmente romper minhas barreiras e ficar com ela. –a latina voltou a abraçar Rachel que cessou o choro e aconchegou a cabeça no pescoço da amiga. –Não quero que perca tempo, quando você tiver a loira em seus braços vai me entender, que é a melhor sensação do mundo.

–Mas...

–Chega de “Mas, Santana”, mova essa bunda! Vamos as compras de Natal e você vai mandar pelo menos um maldito cartão pra aquela loira oxigenada –exclamou a latina se separando de Rachel colocando a tigela de cereais na pia.

–Mas você ainda está de pijamas, Santana –disse a morena deixando as lagrimas de lado.

–Eu vou estar pronta antes que Boy George apareça por aqui –piscou referindo-se à Oliver e foi para o quarto.


Mais tarde naquele dia, por volta da uma da tarde, os três resolveram almoçar em um restaurante tailandês. Era por isso que Santana odiava sair com Rachel, tinham que almoçar em um lugar que agradasse a princesa vegetariana, comprar roupas e produtos que não agredissem o ecossistema. Era frustrante, mas tudo bem, afinal até agora estava morando quase que de favor com Rachel. Desde que há uns meses começou a dividir as contas o que era para ser temporário estava ficando cada vez mais definitivo.

O assunto era a coleção de inverno da Burberry, segundo Santana, Oliver era mais perito em gayzisse do que um combo de Kurt, Blaine e Karofsky.

–Eu só quero encontrar algo barato –riu Oliver. –Queria encontrar alguma dessas peças que os ricos deixam em algum brechó!

–Só assim para ter algo da Burberry, ou roubando, é o que o nosso dinheiro pode pagar –suspirou Rachel. –Ei, e como anda com o Ben?

–Ele me chamou para sair, hoje a noite... –sorriu envergonhado.

–Vocês todos são tão gays –brincou Santana. -Sinto o cheiro no ar...

–E como cheira? –perguntou Oliver rindo.

–Cheira a Nutella... com banana...

–Nutella com banana? –Rachel gargalhou.

–Tem coisa mais gay que banana? –Santana ria. –Mas para nós, Gay-Berry... tem outro cheiro...

Antes que a conversa pudesse ficar mais indecente o celular de Rachel tocou salvando Oliver de rir mais e ter um ataque no meio do restaurante.

–Alô? –disse a morena cessando as risadas mantendo a voz divertida.

–Mamãe! –exclamou uma voz doce e o coração derreteu assim como todas as vezes que falava ou via as fotos da sua “meio irmã”. Ouviu ao fundo a voz de Shelby dizendo “Fale com ela”. – Raich...el

–Oi meu anjinho! Como você está? –a voz de Rachel era tão melosa que Oliver e Santana já sabiam com quem ela estava falando e pararam de comentar suas obscenidades.

–Rachel! –exclamou Shelby que tinha um riso presente na voz. –Ela ficou com vergonha...

–Ela já está quase acertando meu nome –riu.

–Como vai?

–Bem –ela não ia dizer o contrário. Não mesmo. –E você? Como está indo com Puck?

–Estamos bem, muito bem. Escute, quero saber quais são seus planos para o natal, aposto que você e seus pais estarão bem ocupados, não é? –perguntou com a voz calma.

–Bem, eles vem para cá, passar o feriado até a virada do ano, por que? –perguntou confusa.

–Noah, Beth e eu estamos indo para Nova York nesse feriado, recebi uma proposta de emprego e vou avaliar a situação. Então pensei que pudéssemos fazer uma ceia, acha que poderia acontecer? Sei que você é judia assim como Noah...

–É uma grande ideia! Na verdade a melhor de todas, poderíamos fazer uma grande reunião, já que Santana está morando comigo e Kurt e Burt vem também... –a garota estava tão empolgada que atropelou a mulher.

–Seria perfeito, poderíamos nos falar melhor essa semana para combinar o resto. Aliás, poderia falar com Quinn sobre isto? Estou tão ocupada e Noah é um cabeça de vento...

–Com Quinn? –Rachel repetiu chamando a atenção dos amigos.

–Sim, é que ela tem sido muito importante para Beth nestes últimos meses e não seria nada mal se ela pudesse vê-la no natal, seria algo fantástico, pode fazer isso por mim?

Claro que ela faria.

–Claro, claro, pode deixar comigo, eu aviso à ela... Mas temos que combinar melhor. Essa semana vou estar completamente livre pelas manhãs, assim podemos nos ligar para esquematizar a ceia...

–Certo, agora preciso ir, acho que Noah está fazendo algo errado no banho de Beth, posso ouvi-la reclamando.

Ambas se despediram brevemente e Rachel suspirou recostando-se na cadeira sob os olhares de Oliver e Santana.

–Vamos ter uma ceia de natal no meu apartamento e Shelby pediu para que eu informasse à Quinn da reunião –respondeu a pergunta que estava estampada nos olhos dos dois.

–Isso é destino –disse Santana com um maldito sorriso nos lábios.


X


Quinn caminhava na terça feira, pelas ruas do centro comercial de New Haven com uma Carmen extremamente empacotada, a latina parecia ter engordado uns dez quilos com aqueles três casacos. Faltavam três dias para o natal e Quinn agora realmente precisava comprar os presentes.

–Ah, como eu sinto falta da Califórnia –resmungou tirando o cachecol que tapava sua boca.

–Você é uma molenga –riu Quinn.

–Eu vi aquele seu uniforme apertadinho que deixa a bunda pra fora, só por que você já se acostumou a andar seminua com ele, não quer dizer que eu seja molenga!

–Nos dias frios usávamos um uniforme diferente, de calça e a parte de cima tinha mangas compridas, então... deixe-me ver... você é uma molenga!

–Fabray! Eu sou da Califórnia! Gatas saradas de biquíni, sol, areia! E quando chega essa maldita época não neva! –exclamou gesticulando debilmente os braços que mal se fechavam contra o corpo.

–Ok, você é uma molenga –repetiu sorrindo vitoriosa.

–Que seja... Por que você tem que pedir a minha ajuda pra comprar esses malditos presentes de natal? Cadê sua namorada?

–A Carrie foi comprar algo para nós e para alguns amigos, ficaria difícil ter alguma surpresa se todas nós soubéssemos o que vamos ganhar de Natal, uma da outra, não acha?

–Você poderia ter ido sozinha! Ou ter fechado os olhos enquanto ela escolhia algo para você –reclamou a latina.

–E eu queria conversar com você!

–Não poderia ter conversado no dormitório? –Carmen era muito chata quando queria.

–Porra, Carmen! –exclamou alto fazendo uma menina de aproximadamente dez anos levar as mãos a boca com os olhos assustados.

–Ótimo, Fabray, agora a menina vai ficar traumatizada pelo resto da vida!

–Porra, porra, porra, porra, porra... –a garotinha começou a repetir e Quinn se viu obrigada a tomar as rédeas da situação.

–Cuidado! Porra é um tipo de monstro invisível que faz as pessoas ficarem com uma careta bem feia quando se repete dez vezes! –Carmen riu descontroladamente e Quinn fez um sinal para que ela prestasse atenção. –Está vendo a minha amiga, ela repetiu isso dez vezes e ficou assim!

Carmen virou-se para a garota ficando com os olhos vesgos e chupando as bochechas por dentro, a menina olhou assustada.

–Então, não repita isso, nunca mais, certo?

A menina balançou a cabeça e caminhou desconfiada para dentro da loja onde provavelmente seu pai ou sua mãe deveriam estar.

–Você é péssima! –a latina soltou uma forte gargalhada. –Essa garota nunca vai falar um palavrão na vida dela!

Quinn riu.

–Tudo bem, me diz o que quer conversar...

–Shelby me ligou há algumas horas, avisando que no dia vinte e cinco, ela e Puck vão fazer uma ceia, e me chamaram para juntá-los –disse a loira quando entraram numa pequena joalheria.

–Wow! Ir para a Califórnia? Me leve! –Carmen sorriu.

–Aí que está, para sua infelicidade, não é na Califórnia –resmungou. –É em Nova York!

–Nova York? Eles se mudaram ou algo assim? –perguntou a morena confusa tirando o casaco de zíper que a revestia por fora.

–Não, na verdade eles estão de férias, e bem, é inverno e Puck está de férias já que é baixa temporada no seu negocio e estão procurando um apartamento para se mudar, ou pelo menos Shelby, por enquanto, já que apareceu uma oportunidade bem melhor de emprego para ela –explicou. -Não entrou muito em detalhes, mas o fato é que os dois, e Beth, vão fazer a tal ceia e ela vai ocorrer no apartamento de Rachel, que é o único lugar disponível para fazer isso.

–Oh, já entendi o problema...

–Não é bem um problema, é que seria uma situação estranha, ninguém sabe que Rachel e eu estamos afastadas, mas ao mesmo tempo, eu não quero recusar, por causa da Beth, é ela que importa em tudo isso, nesses últimos meses o nosso contato vem sendo cada vez maior, e queria tanto vê-la –Quinn exibiu um sorriso triste.

–Então não há o que ser pensado, é sua filha, Quinn –disse sorrindo confortadoramente para a amiga. -Ligue para Shelby avisando que nós vamos.

–Nós?

–É, Você, eu e sua namorada psicótica –respondeu enquanto olhava para um colar de pérolas que era a cara da sua mãe.

–Carrie não é psicótica! –respondeu encarando o olhar de Carmen que dizia “É mesmo?”-Certo, talvez ela seja um pouco super protetora...

–Ah, pode parar com isso, Fabgay! Sua namorada é louca, e se ela for, por que vai querer ir, eu tambpem vou. E embora ela ache super fofa a sua relação com a Beth, ela odeia só o fato de vocês duas terem alguma ligação com Rachel.

–Não é bem assim...

–É bem assim, mesmo! –retrucou frustrada. –Qual é Quinn, a Carrie é super legal, e é bem quente na cama, como você sempre frisa, mas é ridículo esse ciúme.

–Tudo bem! Você tem razão, mas ela está parando com isso –disse quando uma vendedora finalmente apareceu.

–Em que posso ajudar?

–Quero dar uma olhada em brincos para crianças, que sejam de prata –respondeu.

–Vou procurá-los –disse a mulher dando a volta no balcão.

–De prata? –perguntou Carmen.

–Ela tem alergia a ouro, assim como eu –respondeu. –E sabe, estou meio chateada... Shelby disse que pediu à Rachel para me contar da reunião desde o sábado!

–Quinn, posso me meter na sua vida, mais um pouco? –perguntou a morena receosa.

–Mais do que já se mete? –sorriu. –Continue.

–A ficha acabou de cair, mas não estou dizendo que foi ela, posso ter perdido pelo nosso quarto... mas procurei por todo o lugar e não achei... chegou uma correspondência para você, da Rachel... –Quinn que olhava para as jóias expostas se virou para Carmen a olhando estática.

–Por favor, repita isso.

–Ontem, no correio do fim da tarde, chegou uma carta, da Rachel. Eu deixei em cima da sua mesa e saí para jantar, nós até nos encontramos lá. E bem, depois você foi para o dormitório da Carrie e só voltou hoje de manhã para o nosso quarto. Assim que dei por falta da carta, eu revirei o quarto todo, mas não a encontrei... –a latina a olhou preocupada.

–Mas...

–Querida, só vamos ter de ouro –disse a vendedora que voltava de sua busca. –Se quiser temos gargantilhas...

–Não, obrigada, só isso –a loira respondeu arrastando Carmen para fora do local. –Carmen, pela nossa amizade...

–Wow, wow, wow! Ei, Fabray! Eu não mentiria para você...

–Pela nossa amizade, tem certeza? –Quinn interrompeu o discurso da amiga e a olhou fundo nos olhos.

–Não posso dizer com certeza, mas você viu a bagunça que estava no nosso quarto hoje de manhã, fui eu revirando tudo! Quinn, pode ter sido outra pessoa, só quero dizer, que é...

–Outra pessoa, Carmen? –a loira parecia indignada. –Ontem a noite ela chegou dizendo que eu era só dela. Certo, beleza, ótimo ouvir isso quando se está em um momento intimo com alguém, mas ela pegou pesado ontem.

–Você se refere a esse corte que tem no pescoço? –Carmen ergueu uma sobrancelha e viu Quinn ajeitar o cachecol.

–Tem piores, minhas costas estão ardendo...

–Você está ligando esse sexo selvagem à carta? –a latina perguntou e Quinn balançou a cabeça. –Oh, então você não vai avisar a ela que irá a NY no natal, se ela souber que você e Rachel irão, eventualmente, se encontrar, o corpo da minha colega de quarto vai estar estendido no meio do campo de futebol.

–Ei! Garotas! –exclamou a voz conhecida. Carrie resmungou algo como “Timing perfeito”. –Pelo visto ainda nem começaram as compras!

–Oi! –disse Quinn dando um selinho demorado na garota. –E pelo jeito você já terminou...

–Ah é! Finalmente achei tudo! –sorriu erguendo as cinco sacolas que ocupavam suas duas mãos. –Ainda vão demorar muito? Queria passar um tempinho com você...

–Hm, vamos resolver algumas coisas... acho que nos vemos a noite... –Quinn parecia insegura, mas que porra estava acontecendo? Desde quando sua namorada parecia uma ninfomaníaca psicótica?

–Tudo bem, depois quero saber quais são nossos planos pro natal –sorriu dando um longo beijo em Quinn que sorriu desconcertada quando a morena saiu caminhando.

–Hm, ela é bem fogosa... e psicótica! –exclamou Carmen quando já era seguro falar.

–Carmen, vamos fazer o seguinte, hoje a noite na hora do jantar eu vou abordar o assunto do telefonema de Shelby, e dependendo de como ela reagir, saberemos se ela pode ter pego a carta... Agora preciso achar um presente para minha filha.

–E tentar não morrer –riu Carmen.


Com as compras finalmente feitas, as oito da noite as três garotas se reuniram no refeitório e conversa vai, conversa vem, Carmen dá um chute no calcanhar de Quinn que estava a sua frente com Carrie ao seu lado, era a deixa para comentar sobre o natal.

–Oh, advinha quem me ligou hoje! –exclamou Quinn sorrindo depois de tomar um gole de seu chá.

–Hm, não faço a mínima ideia –disse Carmen inocente.

–Deixe-me ver, Santana? –perguntou Carrie séria. –É esse o nome dela não é?

–É, mas não foi ela. Foi Shelby...

–Shelby? E o que ela queria?

–Bem, ela me convidou para a ceia de natal que vai fazer em Nova York, acho que vai ser fantástico, passar o natal com Beth...

–Em Nova York? –perguntou erguendo uma sobrancelha com a expressão ainda fechada.

–É, ela disse que recebeu uma oferta de emprego e que vai estudá-la e se der certo procurar um apartamento por aqui... –Quinn parecia hesitante.

–E onde vai ser essa ceia? Em um restaurante? –perguntou mexendo displicentemente nos talheres de Quinn o que fez Carmen engolir uma risada ao ver a loira olhar preocupada. Estava na cara de Quinn que pensava seriamente sobre a namorada ser uma assassina em potencial.

–Aí que está, acredita que é no apartamento da Rachel?


Notas finais
E essa musica, quem sabe?
Sou uma pessoa má por parar nessa parte?