As If We Never Said Goodbye

31 I think I hear them callin’ Parte IV


Notas iniciais
Nem demorei tanto assim, não é mesmo? Curtam o capítulo e se quiserem uma dica, escutem as seguintes musicas que me inspiraram para fazê-lo:
Be Calm - Fun: http://www.youtube.com/watch?v=7qMXBUjm8tM
Details in the fabric - Jason Mraz feat. James Morrison: http://www.youtube.com/watch?v=XdIw6tEjyEg
Don't rain on my parade - Glee version: http://www.youtube.com/watch?v=8xuIDbrZv4g

No momento em que ela ligou para Quinn e não obteve resposta, seu interior a informava que havia algo fora do lugar. As crianças ao redor corriam sem parar, a musica de uma banda pop formada há pouco tempo atrás invadia o ambiente, Lucy corria entre suas pernas implorando carinho e abrigo, mas ela se sentia deslocada. Olhou ao redor, e mesmo que conhecesse todos ao redor, sentia-se sozinha.

Rachel deu meia volta e se direcionou para a varanda e lá ficou por alguns segundos até que reconheceu a presença de Beth no canto, apenas observando Nova York se desfazer pela barreira de vidro.

-Ela não vem, não é mesmo? –perguntou com um fio de voz. Rachel a conhecia bem, ela não chorava facilmente, e embora fosse relativamente próxima de Quinn, sabia que a garota guardava receio e um tanto de rejeição. Apesar de ser esperta e ter uma cabeça de gente madura, ainda era uma criança e que não entendia as implicações emocionais e físicas que as decisões uma vez feitas, tomam.

-Sinceramente, não sei o que aconteceu, ela já deveria estar aqui... –Rachel foi até a garota e sentou-se ao seu lado.

-Me pergunto se ela me ama...

-É claro que lhe ama, Quinn nunca foi muito boa em demonstrar, mas quando demonstra é em pequenos momentos e em suas decisões mais importantes, como lhe dar para Shelby...

-Não entendo –soluçou brevemente engolindo o choro que mal saiu.

-Ela não sabia nem podia te dar algo bom naquele momento da vida dela, é por isso que hoje ela queria estar aqui e se ela não está é por quê algo aconteceu, ela te ama Beth, ela ainda é sua mãe e esse amor nunca deixa de existir –disse passando os braços ao redor do corpo da garota.

X

Não tinha cor, ela se levantou e observou o mundo ao redor. Era tudo cinza, a pior visão da modernidade, prédios sem cor, ruas vazias, céu sem nuvens e uma luz que ela aceitou como o sol. A rua em que se encontrava era familiar, ela tinha passado por ela durante meses, anos com a vontade de andar por ali com Rachel, havia história naquelas quadras, ela pode ver ao longe as estátuas que compunham um monumento antigo e que atualmente abrigava uma réplica perfeita da estátua de Davi de Michelangelo. Mas tinha algo de novo, assim que ela andou, pode ver que algumas ruas davam passagem para parques um tanto descampados. Caminhou até a entrada de um deles e pode sentir o calor do verão de Ohio lhe atacando. Olhou ao redor e não viu ninguém, mas ela sentia que cedo ou tarde alguém apareceria ali.

Finalmente tomando consciência de seu próprio corpo se viu usando um vestido leve de algodão, sua pele parecia mais branca que nunca, sentiu seus cabelos longos chacoalharem com os cachos nas pontas, não usava nenhum acessório e só se deu conta de que estava descalça quando seus pés entraram em contato com a grama fresca e úmida, do que parecia ser orvalho, embora o sol já estivesse alto demais para isso.

Caminhou até uma árvore, uma enorme macieira que fazia sombra pelo gramado, sem se importar muito com os motivos de estar fazendo aquilo, deitou-se sobre a sombra da árvore e deixou o vento esvoaçar seu vestido. O som dos galhos que chacoalhavam ao sabor do vento invadiu seus ouvidos, aquilo era perfeito, era paz. Era como se nada tivesse acontecido de ruim em sua vida, parecia que uma folha em branco se estendia diante da imensidão de um borrão.

X

Rapidamente um murmurinho se formou no apartamento, era quase inaudível perto daquelas crianças gritando, mas estava ali, foi o bastante para fazer Rachel virar-se em direção ao interior.

Puck acabara de chegar, tinha ido comprar o que estava em falta na festa, mas suas mãos estavam vazias, ele estava pálido, tão quanto ou mais quando sua filha estava para nascer. Ela se levantou automaticamente e caminhou até ele sem notar quem estava ao redor, alguns se viraram para ela com um olhar de pena, Shelby, que estava ao lado de Puck, caminhou até ela a abraçando pela cintura. Santana entrou pela porta com um olhar devastado e se postou ao lado de Puck.

-Seus pais ligaram, eles estão bem –Shelby começou a falar e foi interrompida por Rachel.

-E por quê eles não estariam bem? O que houve? –perguntou em um tom imperativo.

-Houve um incidente no metrô e bem, eles e Quinn estavam envolvidos... –Puck explicou por alto, parecia não ter coragem para completar a história.

-Rach, dois assaltantes entraram no metrô e eles... –Santana tentou completar o que Puck não conseguiu dizer.

-Mas Quinn... quando vai chegar? Quando meus pais vão chegar? Eles já estão aqui?

-Rachel, eles pegaram Quinn de refém, ela saiu ferida e está no hospital, foi algo grave, seus pais estão a caminho do hospital... –Santana continuou da maneira mais objetiva possível, ela não tinha tempo a perder, tinha que agir rápido e usar sua influencia para garantir a punição efetiva dos culpados.

-Mas ela está bem, não é? Quero vê-la, quero falar com ela –disse sacando o celular e ligando para Quinn.

-Rachel, ela não pode falar com você agora, ela foi baleada –Puck disse sem dar voltas. –Precisamos ir ao hospital, tentamos ligar para a mãe dela, mas não obtemos resposta, não queremos ligar para o pai dela por motivos óbvios. Ela precisa de alguém próximo para assinar... pensamos em Franny, mas não... Rachel, você está bem? Rachel! –ele a segurou junto com Shelby enquanto ela escorria por seus braços.

X

Não é que ela havia dormido, ela estava de olhos fechados e tudo estava bem, estava relaxando, aquilo parecia uma espécie de férias. Ela não lembrava de ter trabalho, mas sentia que realmente estava de férias. O barulho das arvores e seus galhos dançando ao sabor do vento a lhe traziam calma, foi então que seu ouvidos captaram um ruído, parecia um som abafado de pessoas falando, ela se levantou e abriu os olhos deixando que eles se ajustassem a claridade do parque, olhou ao redor e notou algo que não estava ali ou que simplesmente havia ignorado.

Era um lago no centro do parque que formava pequenas marolas, em seu centro parecia haver uma ilha que abrigava um (lugar onde a banda toca), um homem estava de costas e parecia tocar violão, ela apenas sentou-se na grama e ficou a admirá-lo de longe. Outras vozes surgiram e tomaram um tom único, suas vozes se misturavam, se sobrepunham, mas só havia aquele único homem. Mas ao fundo ainda estava aquela voz abafada, parecia um rádio, alguém conversava, mas não consegui distinguir nada. Então ela apenas observou o homem que estava de costas e admirou a musica que tomava por todos os lados.

X

Hiram e Leroy estavam ao seu lado, ou melhor, encolhidos na ambulância, seus olhos fixos no cabelo loiro que havia adquirido um tom escuro e estava grudado em si próprio, os enfermeiros administravam soros nas veias dos braços pálidos de Quinn, haviam estancado a maior parte do sangue e agora ela respirava por uma mascara acoplada a um balão que inflava a medida que o socorrista o bombeava com a mão.

Os dois queriam se enganar, mas a verdade estava estampada na frente deles, a situação era terrível. Eles pensaram em ligar pra Rachel, mas sabiam que a filha poderia ter as mais diversas reações, por tanto num momento de mais lucidez ligaram para Puck. Ele teria condições de contar a ela o ocorrido, pelo menos estariam na certeza de que alguém estaria ali para ampará-la.

A medida que a ambulância se aproximava do hospital, o motorista pegou o rádio e informou que se aproximava com uma paciente em estado grave, o som abafado da resposta que recebia pelo rádio fazia Hiram se arrepiar, era algo que tinha desde criança, não gostava daquele barulho abafado, era serio demais, seco demais, era demais.

X

Rachel abriu os olhos e o borrão se desfez, ela focalizou a sala e a primeira pessoa que viu foi Brittany, agachada de frente a ela que parecia estar sentada no sofá de sua casa. Não haviam mais crianças, Britt não sorria, o que era estranho. Ela cogitou que o incidente com Quinn tivesse sido apenas um sonho, mas não. Brittany S. Pearce estava com os olhos tristes e vermelhos, ela estava chorando e só haviam duas coisas no mundo que faziam Brittany chorar: brigas com Santana e violência com quem ela ama.

-Rach... fique calma... eu preciso que você se acalme... –disse em tom baixinho, ela se virou e Santana apareceu na sala, carregando um copo de água com açúcar.

-Tome que você vai se sentir melhor –Santana a estendeu o copo e assistiu quando a morena o entornou com força. –Ok, você se lembra do que aconteceu?

-Quinn... ela realmente...? –Rachel olhou para Santana que balançou a cabeça.

-Ela foi baleada, mas está indo para o hospital, seus pais estão com ela, eles estavam no metrô quando tudo aconteceu, Puck e Shelby vão para o hospital, sei bem que você vai querer ir junto, mas só vou deixar você ir se me disser que está bem e lembre-se que sei quando você mente –discursou ficando de braços cruzados.

-Pra ser sincera, me sinto fraca, mas quero ficar pelo menos no hospital... quero estar lá... –ela disse e em seguida ouviu o choro de Beth logo atrás de si.

Virou-se e viu a garota na varanda, encostada no vidro que a separava de Nova York, Shelby e Puck estavam sentados ladeando-a enquanto a abraçavam. Beth olhou para Rachel e disparou para o sofá a abraçando de uma maneira tão forte que chegava a doer, ela parecia querer se agarrar a algo que tivesse um mais da parte da alma de Quinn, assim ela sentia a mãe um pouco mais forte dentro de si.

Depois de meia hora de descanso, por insistência da parte de Santana, que estava no posto de pessoa mais racional no ambiente, Rachel seguiu para o hospital central da cidade, com ela estava Beth, agarrando no seu vestido e em sua mão, Puck e Shelby caminhavam mais atrás, seguidos de Santana ao celular de braço dado a Brittany.

O hospital e aquelas luzes brancas davam uma impressão de limpeza exagerada, tudo aquilo fazia sufocar. As pessoas de jaleco e roupas azuis caminhavam pelos corredores, sons de maquinas ligadas e macas sendo deslizadas pelo chão de mármore fizeram seus olhos arder, anunciando que o ambiente a queria fazer chorar. Estar em um ligar como esse é sinônimo de doença, muitas vezes de desgraça.

Hiram e Leroy estavam sentados em uma pequena sala postada em frente a recepção. Rachel os viu e correu para eles que lhe abraçaram com força sussurrando palavras e promessas de que as coisas melhorariam.

Beth foi envolvida pelo abraço dos pais e manteve seu choro baixo, Santana abraçava a Brittany observando a cena, aquilo doía de maneira terrível, eles já haviam passado por situação parecida com Quinn, anos atrás, ela não entendia porque sua amiga tinha que sofrer tanto. Naquele momento, mais do que nunca, ela jurou se empenhar em fazer algo sobre aquilo tudo.

X

O homem sumiu, o coreto desapareceu junto com o lago, aquilo era estranho, mas não era nada que a fizesse se sentir mal, estava de férias.

Pelo que pareceram ser horas, somente os galhos balançaram e farfalharam, ela passava os braços pela grama, como se quisesse fazer um boneco de neve, a grama não lhe espetava, era macia ao toque, como um cobertor felpudo, ela se espreguiçou para depois se fechar como uma bola, olhando para a o horizonte de árvores infinitas.

Seus olhos se fecharam por um segundo, quando os abriu, mirou o céu que agora tinha um tom alaranjado borrado por nuvens que pareciam tecido esfarrapado. Uma batida familiar começou a soar de tudo a sua volta, como se as plantas, as árvores vibrassem aquela musica. Sentia que vibravam em seu ouvido, causavam incomodo, ela se levantou assustada, sentindo-se acuada, desprotegida.

Uma batida seguida por um instrumento de sopro, um clarinete, e um violino fazendo nuances entre as notas musicais. Mas estava algo fora do lugar, aquilo soava mais rápido que o comum, chegava a ser doentio.

Então aquela voz soou, firme, porém macia, cantava aquilo com fervor, mas mantinha a doçura nas horas certas. Mas tudo corria rápido demais.

“Don’t tell me not to live just sitting and putter, life’s a candy and the sun’s a ball of butter. Don’t bring arround a cloud to rain on my parade.” O sol brilhou alaranjado tocando o caminho de árvores que se perdiam no firmamento. Porém drasticamente, as nuvens se tornaram sólidas e se chocaram explodindo em chuva e trovoadas, Quinn correu para se abrigar nas árvores, porém se lembrou que aquilo era potencialmente perigoso, antes que pudesse pensar em voltar para as ruas que ladeavam o parque, sentiu-se ser sugada para o ar, viu o mundo girar sobre seus pés, ela era erguida pelos céus, até que atravessou a cortina pesada de nuvens.

“Don’t tell me not to fly I simply got to, if someone takes a spilt, It’s me, it’s not you...”

Lá em cima o céu estava laranja e o sol fazia sua pele arder como nunca, aí que ela apareceu, vestida de branco, com asas douradas, rígidas, seu cabelo castanho escuro, caia na altura dos ombros, com leves ondulações. Seu rosto era realmente digno de um anjo, era Rachel, com seus lábios formando um sorriso feliz e olhos grandes e sinceros. Ela estendeu a mão para Quinn que, como se aquilo fosse uma ordem, levantou a mão para tocá-la, mas antes que pudesse fazê-lo, as feições de Rachel se fecharam e ela recolheu a mão sussurrando o resto daquela musica desfigurada.

-“Who told you’re allowed to rain on my parade?”

Quinn assistiu a morena sorrir debochada enquanto caia pelas nuvens, seu braço continuava no ar na esperança que Rachel a segurasse daquela queda. Mas ela sumiu entre as nuvens chuvosas, os raios e os trovões ocorriam ao seu redor, ela fechou os olhos e deixou-se cair, aceitando seu destino trágico.

Notas finais
Em breve a playlist, provavelmente próximo mês.