As If We Never Said Goodbye
32 A dark world aches for a splash of the sun Parte I
Notas iniciais
Aqueles afagos, as palavras, os olhares, como se não bastasse a situação em si, tudo ao redor exalava tristeza e penar. Era raro ver, até mesmo os médicos, exibir um sinal de esperança para o quadro clínico de Quinn. Brittany, Beth e Rachel eram as únicas a esboçar aquele sentimento, era como se elas estivessem em um universo aparte, até mesmo Santana estava no mundo “real”, lutando dia a dia, contra o prefeito da cidade e rodando as ruas em busca de apoio para a perseguição dos culpados.
Com o passar dos dias, tudo piorava. Não sabiam se a situação tinha se tornado um caos quando os médicos decretaram que o estado de Quinn era grave, estava em um coma que poderia ser perpétuo ou quando os culpados escaparam no dia em que seriam transferidos para o presídio.
Faziam mais de dois meses desde o ocorrido, embora o clima fosse passivo, em um ambiente onde pouca coisa parecia se alterar daquele equilíbrio mórbido, muito tinha sido alterado.
Rachel estava sentada em seu lugar costumeiro, em uma poltrona reclinada de couro, onde passava seus dias, observando a namorada adormecida, numa armadilha de regeneração de seu próprio cérebro, num mundo aparte.
A judia tinha abdicado de sua vida, embora todos os dias ouvisse protestos de seus pais e de amigos, não sentia mais animo para nada, sua voz era como uma maldição, ela debulhava-se em lágrimas ao lembrar do olhar que Quinn a dirigia, nos poucos momentos em que estiveram juntas como namoradas, quando cantava.
Definhando mais que Quinn, ela se juntava a dezenas de pessoas que assim como ela, passaram a viver naquele hospital passando a vida ao lado de quem amava, numa promessa silenciosa de que se um partisse o outro partiria. Nos horários de almoço, quando os acompanhantes se reuniam na cafeteria, o silencio e os olhares cansados que trocavam por décimos de segundo, era uma prova de amor mórbida e sofrida de que ficariam ali até o ultimo suspiro.
O pior de tudo é que a vida segue de maneira implacável, como um rolo compressor, ou você caminha para não ser esmagado ou morre. Rachel havia abdicado de seu papel de estreia nos palcos numa peça profissional, e como se a vida já não estivesse satisfeita, sua substituta havia torcido o pé e em uma chamada extraordinária, Harmony tinha aparecido com as canções na ponta da língua. Rumores que Jesse teve um ataque e se não fosse seu ego, teria saído da montagem.
-Rachel, o que acha de sair um pouco? –Oliver tentava mais uma vez tirar a amiga daquele quarto. –Estou a ponto de te arrancar daqui se não sair voluntariamente.
-Oliver... –resmungou enquanto aconchegava a cabeça mais próximo ao travesseiro de Quinn. –Sinto que ela pode acordar a qualquer momento, quero estar aqui quando isso acontecer...
-Meu amor, você sabe das perspectivas dos médicos, não há previsão de cura para agora, tem que dar tempo a seu cérebro para que se regenere. E além do mais, Quinn não ia querer que você estivesse assim, definhando do jeito que está –Oliver levantou-se da cadeira escorada na parede cor verde vômito, e caminhou até Rachel em sua poltrona habitual, perto da janela que abrigava os desenhos de Brittany e Beth. –O dia está lindo, você precisa tomar um sol, precisa ver a vida e dar ela a Quinn.
Naquela manhã, ela saiu pelas ruas de Nova York acompanhada de seu amigo, era a primeira vez que via o céu azul como se estampasse a promessa de que alguma coisa boa viria.
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Kurt e Blaine estavam finalmente se instalando em Nova York, após idas e vindas, seu apartamento estava pronto, mobiliado e devidamente decorado. Era realmente um dia glorioso na cidade, o céu estava limpo, estava agradável e uma brisa leve corria pelas ruas e parecia guiar as pessoas em direção a área verde que ocupava o centro de Manhattan. O casal decidiu caminhar pela cidade aproveitando o clima e ir visitar Quinn e Rachel no hospital e tentar arrancá-la de dentro daquele quarto.
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Ardia. Ardia demais. Era algo como uma dor por trás dos olhos, um formigamento ardido, não lembrava em nada a letargia que ela parecia ser se acostumado. Tinha se acostumado com a facilidade de estar em standby, não que ela soubesse disso, mas era um sono bom que agora era interrompido com a consciência de seu corpo que formigava e queimava. Era como acordar de uma soneca rápida, que derruba seu corpo por causa de uma dor de cabeça qualquer, não revigora, só cansa, deixa o corpo dolorido.
Seus olhos abriram com uma dificuldade sem precedentes, pareciam selados, e no primeiro momento a luz a cegou, entrou forte forçando-a a fechá-los novamente. Uma dor mais forte que a anterior surgiu, ela sentiu seu corpo formigar de vez, ela ardia. Quando conseguiu abrir os olhos de uma vez, se viu em um quarto que não lhe pertencia, não tinha anda da cor rosa de seu quarto, era um tom verde que a fez ficar imediatamente enjoada. Sua cabeça rodopiou com a dor e um desespero lhe tomou. O que fazia ali? Por quê?
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Kurt caminhou até a cafeteria do hospital, acenou para um par de idosos simpáticos que havia conhecido dias atrás pelos corredores do hospital. Como de costume pediu dois cafés, um com leite de soja e outro puro, não entendia como Blaine conseguia engolir o leite de soja que era servido naquele lugar. Após pagar, rumou para o quarto em que Quinn havia se instalado. Era difícil de engolir, mas Sr. Fabray havia se colocado a disposição para o pagamento, e como não havia mais nenhuma alternativa, foi uma situação a ser lidada. Hoje era o dia da semana em que ele visitava a filha, conversava com os médicos e fazia pose de bom moço cumprimentando os demais que acompanhavam Quinn com um leve tom de desdém. Frannie, a irmã mais velha de Quinn, ainda não havia dado as caras, Santana dizia que era melhor assim, menos energia negativa se acumulando no quarto.
Ele entrou no corredor e viu que havia um entra e sai do quarto de Quinn, correu até a porta e deu de cara com Blaine.
-O que houve? Tem algo de errado? –seu rosto deveria estar pálido, ele se sentia esfriar.
-Está tudo bem, Kurt –seu namorado o segurou pelos ombros e o chacoalhou levemente. –Quinn acordou.
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Fazia tanto tempo que ela não aproveitava os pequenos prazeres de NY, andar pelo Central Park e tomar um pouco de sol nunca foi tão revigorante. Ela olhou ao redor e deu graças por ter Oliver ali, com piadas esporádicas e seu óculos escuro de armação verde limão. Ela sentiu a brisa e algo a mais que vinha com ela.
Então seu celular vibrou, ela pulou por um segundo e então tirou de dentro do bolso da calça, era Blaine.
-Rachel! Corra já pra cá, sua namorada acordou! –o mundo dela paralisou por um segundo e então ela levantou.
-Quinn! Acordou! –berrou para Oliver antes de sair correndo, ele apanhou o celular que ela havia deixado cair e a seguiu. Se precisasse correr atrás de Rachel para achar o hospital estaria perdido, aquelas pernas curtas corriam rápido demais quando queriam.
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-Nada passa de boatos, o agente dela não confirmou absolutamente nada. O que a senhorita Lopez propõe é a cidade de seus sonhos, mas vamos ser francos, a experiência e os anos passados em uma faculdade como Harvard, estudando e analisando a realidade, me fazem de um candidato bem mais preparado. Eu conheço a realidade do povo de Nova York, estive com eles por mais de vinte anos, ocupando lugar na câmara e em lutas partidárias. Eu posso construir uma cidade melhor... –O prefeito estava pomposo naquela manhã ensolarada na Big Apple. Fazia um anuncio de emergência para desmentir que Santana seria sua concorrente na eleição que ocorreria no fim do ano.
-Sei que não deveria interromper seu discurso, mas temo que se continuasse eu cometeria o desprazer de vomitar no seu terno engomadinho com tanta besteira. Você estabelece seus alicerces com argumentos fracos e posso coloca-los no chão. Primeiramente, quero uma cidade dos sonhos. Nós sempre fomos impelidos a pensar que querer o melhor enquanto outros estão na miséria seria mesquinharia, mas podemos querer o melhor, mas que seja para todos, é claro. Para que isso ocorra precisamos exigir, todos temos direitos que não estão sendo cumpridos atualmente na cidade de Nova York, quantas veze nos privamos de sair de casa porque o transito está péssimo? Ou mudamos de calçada por causa de um sem teto que afoga as lágrimas numa garrafa de bebida barata? Uma cidade nova e perfeita é possível se puderem ouvir minha voz que diz tudo sem rodeios. Sou jovem e não frequentei uma faculdade da liga Ivy, meu ensino foi na rua, em uma cidade preconceituosa. E eu não acho certo que em uma cidade como Nova York, pessoas precisem roubar, matar, ou ter de aprender da maneira mais cruel como lidar com a vida. E Sr. prefeito... Se esteve em meio ao controle dessa cidade, porque não a fez uma cidade melhor como diz agora? – Santana discursou sem gaguejar, fazer pausas demoradas ou desviar o foco. Ora olhava para o atual prefeito e a audiência no meio da Times Square. –Aliás, próxima semana farei o anuncio formal a minha candidatura.
Santana desceu do púlpito e caminhou graciosa para fora do cerco de policiais que protegiam a área, ela foi seguida de flashes até entrar no carro, essa aparição não programada havia lhe tirado de tempo, agora estava atrasada para o horário de visita à Quinn.
Quando estava na altura do Central Park ela parou no sinal, esperou pacientemente que ele abrisse, ligou o rádio e enquanto procurava uma estação com uma musica conhecida o sinal abriu, ela não percorreu nem dois metros, uma louca se atirou na frente do carro. Era Rachel que foi rapidamente socorrida por Oliver, Santana assistiu atônita aquilo, a judia não se machucou, ficou descabelada sobre o capo, talvez pelo susto.
-Ficou louca, Berry! Não olha o semáforo? –Santana berrou saindo do carro. –Você está machucada?
-Quinn... Quinn acordou! –disse ofegante do susto.
-Blaine acabou e nos ligar, ela acordou!
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