As If We Never Said Goodbye

30 I think I hear them callin’ Parte III


Notas iniciais
Olá, desculpem a demora, esse capítulo por ser dividido em 4 partes estava me tomando muito tempo, espero que vocês gostem.

Crianças já corriam pelo apartamento, a pobre Lucy era um brinquedo nas mãos das crianças, Rachel não podia fazer nada, misteriosamente a cadela aprendeu a abrir portas e já era a terceira vez que ela fugia para averiguar as risadas infantis e se dava mal, sendo pega pelas crianças. Enquanto isso Lord Tubbington estava escondido na cozinha, em baixo de um armário, no qual ele mal cabia.

Beth estava radiante agarrada a Rachel, não era realmente todo o dia que podia ficar com a meia-irmã, eram raros os momentos já que moravam em lados quase opostos da cidade e a morena mal tinha tempo livre por causa de seus ensaios.

-Então, ela está mesmo aqui? Você me entende, ela está realmente na cidade? –seus olhos verdes cintilaram de ansiedade. Ela queria ver a mãe que ao mesmo tempo foi tão presente e distante (por motivos de força maior) em sua vida.

-Sim, ela está! –Rachel riu e depositou um beijo no topo da cabeça de Beth. –Deve ter ficado presa em um engarrafamento ou algo do tipo, ela não deve demorar! Agora, me diga, quem é aquele garoto que não para de olhar na sua direção?

Beth enrubesceu e escondeu o rosto contra o corpo de Rachel.

-Oh, Beth está apaixonada! –brincou cantarolando.

-Não! Calada! –reclamou com a irmã se escondendo mais contra o vestido florido.

-Vamos lá, me conte, ele é um gato! Aposto que ele gosta de você!

-Você acha que ele gosta de mim? –ela afastou a cabeça e olhou nos olhos de Rachel com dupla ansiedade.

-Sim, basta olhar para ele –ambas olharam para o garoto e ele baixou o olhar e tomou um gole de seu refrigerante, mas ainda sim, olhava pelo canto do olho para Beth. –Viu? Agora vá lá falar com ele!

-Eu? Não! Ele que tem de vir falar comigo! –resmungou.

-Não mesmo, você gosta dele e ele gosta de você, então, porque não ir lá e dar um oi?

-Eu posso?

-Você deve! –Rachel passou a mão no cabelo loiro que lembrava tanto o de Quinn e empurrou a irmã pelos ombros. Ela assistiu Beth andar discretamente até o garoto e soltar um tímido “oi”. Ele parecia ser um garoto tímido, usava óculos e tinha algumas sardas, seu cabelo cor de fogo caia sobre os olhos e ele olhava firmemente para baixo enquanto Beth tentava puxar assunto. Parecia que estava totalmente fora do circulo de amizades dos outros garotos, ela arriscava que não fosse da mesma escola que Beth. Ela olhou ao redor e reparou num homem ruivo que conversava com Puck, logo ela o reconheceu como um dos parceiros de Puck em seu negócio de limpeza de piscinas.

Agora Beth e o garoto já tinham estabelecido uma conversa. Sentiu-se orgulhosa e rumou para a cozinha, Shelby estava lá e sua ajuda com toda a certeza seria bem vinda.
-Ainda bem que está aqui! Eu sei que crianças comem muito, mas, essas estão impossíveis, só temos mais duas bandejas de cachorro quente, e ainda nem está perto da hora de cantarmos parabéns! –Shelby desviava de duas crianças que passaram correndo pela cozinha enquanto equilibrava uma bandeja de doces na mão.

-Vamos esperar Quinn por mais meia hora, tenho certeza de que ela vai chegar antes disso, senão, cantamos parabéns e tudo será resolvido, crianças costumam ficar com sono depois de se empanturrarem.

-Ligue para Quinn, veja se ela já está perto, certo? –Shelby saiu da coziha deixando Rachel discando para a namorada. No primeiro toque ela atendeu.

-Oi, Rach! –Quinn respondeu animadamente.

-Amor, precisamos de você aqui, por favor diga que está caminho –Rachel jogou para Quinn sua voz mais melosa e pidona.

-Acabo de entrar no metrô, estarei aí em no mínimo, quinze minutos...

-Fabray, eu lhe disse para pegar um taxi, essa cidade está realmente perigosa nos últimos tempos, Santana me contou que os crimes aumentaram cerca de 63%...

-Rachel Barbra Berry, por favor relaxe, não vaia acontecer nada de ruim, estarei ai em pouco tempo para você me ver e fazer um check up e constatar que cheguei inteira, tenho que desligar, te amo e relaxe –Quinn suspirou e desligou o telefone, ela passou pela catraca do metrô e se dirigiu a plataforma especifica. O trem não tardaria a chegar, colocou os fones e deixou as musicas de seu celular no aleatório, foi parar diretamente na faixa que estava em sua cabeça há dias, era Kiss, cantando docemente, Beth.

A composição chegou e soltou um guincho quando seus freios a fizeram parar, as portas se abriram e os poucos passageiros que ali se encontravam saíram dando lugar a Quinn e mais duas pessoas.

“Beth lhe ouço chamar, mas não posso ir para casa agora, os garotos e eu estamos tocando, e não conseguimos encontrar um som.”

Quinn sentou-se perto do começo do vagão e encostou a cabeça na janela, assistiu as portas se fecharem e sentiu o trem dar o impulso inicial para a composição se deslocar. Coloco a musica para repetir, e se deixou pensar na vida. Logo o trem fez uma parada, entraram mais algumas pessoas, dentre elas, Leroy e Hiram Berry.

–Mas olha só quem encontramos! –exclamou Leroy sentando-se ao lado de Quinn lhe dando um meio abraço.

–Se não é a namorada de nossa filha, Rachel nos ligou pela manhã tagarelando sobre você, já era de se esperar –Hiram sentou-se do outro lado de Quinn, que tirou os fones e o abraçou.

–Que bom encontra-los, pelo menos mais alguém além de mim utiliza metrô, Rachel não queria que andasse sozinha por aqui, acredita nisso?

–Oh, entendo essa preocupação dela, soubemos que hoje mesmo ocorreu um assalto a um banco aqui perto, me impressiona que uma cidade como Nova York esteja tão fraca com o policiamento, acho isso um absurdo –Comentou Leroy se ajeitando melhor ao lado de Quinn.

“Só mais algumas horas e estarei em casa para você.”

Ela se esticou e ajeitou o pacote com o presente singelo para a filha, foi exatamente nessa hora que o trem parou abruptamente, aparentemente alguém tinha acionado o freio de emergência, ela foi para o lado, caindo sobre o Leroy que havia se agarrado as barras de ferro, olhou ao redor e todas as pessoas se entreolharam, logo uma movimentação foi vista no vagão dianteiro, o ar parecia não entrar nos pulmões, o sangue havia congelado. Quinn olhou para frente e viu a porta que ligava os vagões se abrir com violência por uma mão armada. Dois homens invadiram o vagão, um par de olhos raivosos fatiou o lugar e com a arma erguida para cima deu passagem para o comparsa que carregava duas sacolas cheias, com a marca do banco da cidade.

–Mas que merda! –Hiram sussurrou.

“Acho que os ouvi chamar. Beth, o que posso fazer. O que posso fazer?”

–Senhoras e senhores, não queremos causar dano algum, apenas colaborem, assim podemos continuar com nossas vidas, certo? –O homem puxou uma faca de sua cintura e a girou na mão. –Espero não ter ninguém bancando o herói por aqui, não há motivos para isso, todos sabemos que o país está em crise, e a crise maior é nos lares dos mais pobres, estou apenas fazendo o que é certo. Se puderem colaborar, por bem ou por mal, agradecerei. Coloquem seus celulares, tablets, joias e dinheiro na sacola que meu amigo vai passar.

O homem era sínico, seu rosto não estava coberto, estava com a barba bem feita e o cabelo impecável. Sua roupa parecia até ser de marca, não fazia sentido seu discurso e sua aparência.

O outro criminoso largou as bolsas no chão e começou a passar uma vazia, Quinn foi logo a primeira, ela não queria problemas, apenas deu o celular, o dinheiro que carregava consigo e os brincos.

–Ei, loirinha, porque não passa esse anel que usa? –o homem com as armas em punho perguntou brandindo o revólver em sua direção.

–É minha aliança de compromisso...

–Não tenho nada haver com isso, coloque nesse saco ou morra com esse anel idiota –Quinn olhou para os sogros que balançaram a cabeça afirmativamente e tirou o anel o jogando na sacola.

–E o que é isso no seu colo?

–Presente para minha filha...

–Quer, por favor, colocar na porra da sacola tudo o que tiver? –Ele se aproximou e ergueu o rosto dela com a ponta de sua faca. — É uma loira bem burra, hein?

–Não custa nada deixar ela com esse presente... –o comparsa já havia desistido de pegar as coisas de Quinn e tinha partido para pegar os pertences dos demais.

–E se eu quiser o que tem dentro da sacola? O que tem dentro?

–Só ca-canetas... –respondeu se engasgando ao sentir a ponta da faca fazer mais pressão contra seu queixo.

–Eu preciso de canetas, como vou anotar minhas coisas? –resmungou tomando o presente do colo de Quinn. –Posso ficar com isso, não é?

Quinn não respondeu e ele deslizou levemente a faca afiada pela garganta dela trazendo uma ardência, ela sabia que daquilo sairia uma marca. Os Berry ao seu lado esboçavam reações diferentes, Hiram estava em choque, mas ao mesmo tempo torcia para que Leroy não desse uma de herói, pelo canto do olho já o via cerrando os punhos e mantendo seu rosto imparcial demais.

–Me responda! –berrou se inclinando contra Quinn colocando o revolver contra a têmpora da mulher.

Neste momento as portas de acesso do vagão foram arrebentadas de maneira violenta, alguns policiais invadiram o local empunhando armas, o homem que estava ameaçando Quinn simplesmente a puxou fazendo dela um escudo, a segurando pelo pescoço com a faca e a arma apontada para os policiais, ele virava para os dois lados com Quinn que sentia a ardência em seu pescoço aumentar, a faca estava friccionando em sua pele, ela podia sentir o sangue sair levemente.

–É melhor me deixar sair, ou essa daqui já era –exclamou colocando a arma contra a cabeça de Quinn.

–Nos deixar sair –berrou o comparsa que era visivelmente um capacho.

Ela não ouvia nada, parecia estar em estado automático, não entendia mais o que se passava, só sentia a dor no pescoço e a vontade de ver Rachel e Beth. Passaram-se minutos, ela ouvia de longe, como uma mera observadora, os policiais conversando com os assaltantes. Ela tinha a certeza que quando chegasse em casa Rachel ia lhe passar um sermão de como estava certa sobre a violência na cidade. Queria ter dado ouvido aos dados que a namorada queria lhe passar sobre os assaltos, queria ter nunca ido para a Itália, queria nunca ter brigado com a namorada, queria nunca ter feito o que fez com ela na escola. Queria estar no aperto suave e protetor dos braços morenos. Queria ir para casa.

–Pegue essa idiota se quiser! –escutou o homem dizer ríspido, ele a jogou contra os policiais, era a saída. Tudo ia acabar, ela ia voltar para Rachel o mais rápido possível. Seus pés nem cambalearam, ela deu alguns passos em direção ao policial que a esperava, mas antes de chegar, ouviu o disparo. Uma dor percorreu seu corpo, sendo radiada diretamente de sua cabeça. Ela caiu no chão frio da composição. Não ouviu mais nada, apenas viu o mundo girar de maneira vertiginosa. Só queria voltar para casa.

Notas finais
Estou com uma ideia de fazer uma playlist dessa fic, alguém se interessa?