As If We Never Said Goodbye

29 I think I hear them callin’ Parte II


Notas iniciais
Ok, demorei demais, mais do que o previsto, minha vida tá uma loucura e por causa disso me sinto forçada a reduzir o numero de capitulos da fic, que deve agora ficar no entorno de, no máximo, 40 capítulos. Acho injusto que vocês esperem tanto por um capitulo ou outro que vem mês sim, mês não. Desculpem por isso :T
Do mais aproveitem o capítulo, depois de serem interrompidas pelo vizinho na lavanderia elas mereciam uma folguinha.

Depois de passado o susto, o elevador subiu até o décimo primeiro andar sendo preenchido pelas risadas histéricas das garotas e beijos desesperados. A porta do elevador se abriu e Rachel saiu em disparada pela pelo corredor puxando a namorada pela mão, rapidamente tirou a chave do bolso da saia e deslizou na fechadura, Quinn estava mais do que impaciente, a abraçou por trás afastando os cabelos morenos expondo o pescoço que foi assaltado por beijos e mordidas. Foi um alivio quando a porta finalmente abriu e elas entraram no apartamento, a loira a jogou contra a porta direcionando os beijos a boca de Rachel­­­­­ que largou as chaves sobre a mesa de canto para rasgar o resto da camisa de Quinn.

-Eu realmente gostava dessa camisa –resmungou enquanto tirava o suéter da namorada.

-Eu lhe dou uma minha –puxou Quinn pelo cós da calça pelo apartamento em direção ao quarto.

-Seu apartamento é lindo... –comentou enquanto passavam pela sala cuja parede era decorada com alguns quadros, cujo estilo reconheceu sendo de Carmen.

-Depois você vê isso! –Rachel abriu a porta do quarto deslizando a mão pela parede até ligar a luz e se deparou com Lucy correndo e cheirando Quinn.

-Ei, Lucy! –exclamou se abaixando para fazer carinho atrás das orelhas da cadela.

-Agora não, Quinn! –a morena riu, será que não dava para perceber que queria matar a saudade da namorada?

-Certo, certo, sorte sua que agora temos todo o tempo do mundo –ela passou pela porta a fechando com o pé. –Rach, lembra que em uma de nossas conversas...

-Quinn, serio? Quer relembrar uma de nossa conversas agora?

-Quero sim, lembra do Strap-on que você comprou? –sorriu maliciosa enquanto empurrava a namorada de encontro a cama. –Onde está?

-No armário, ultima gaveta –apontou compartilhando o sorriso da namorada. Quinn foi até o armário e encontrou a cinta e o pênis de silicone ainda na embalagem, virou-se para Rachel e levantou uma sobrancelha caminhando até a porta do que supôs ser o banheiro. –Quero você sem nada quando eu voltar.

Rachel engoliu em seco, fazia tempo que queria usar aquele brinquedo com a namorada, ela teria o levado em sua mala para a Itália, mas com a sorte que tem, teria de abrir a mala e só a perspectiva de alguém revirando seus pertences e achando aquilo a fez esquecer a possibilidade.

Ela tirou a roupa com agilidade, como já pensava, sua calcinha estava arruinada, desabotoou o sutiã e se levantou da cama para apagar a luz, ela não tinha mais problemas com sua aparência como no ensino médio, por Deus, hoje em dia ela namora a garota mais gostosa que pisou nos corredores do McKinley High e de Yale, mas não custava nada fazer um clima romântico deixando o quarto a meia luz deixando somente o abajur ligado. Sabia o quanto Quinn era romântica durante o sexo embora tivesse toda a pose mandona ainda mais hoje.

Ao se deitar na cama ouviu o clique da porta do banheiro sendo destravada, a meia luz deixou evidente os contornos do corpo definido de Quinn e do strap-on preso a seu corpo pela cinta.

Ela usava seu sorriso safado, aquele que invadia seu rosto em qualquer momento que passava sozinha com Rachel e as coisas começavam a esquentar.

Ela caminhou até a cama se ajoelhando sobre ela e Rachel se pôs de joelhos buscando a boca de Quinn que lhe foi negada palas mãos ágeis que a empurrara de encontro a cama. Ela gostava de estar no comando e Rachel gostava de ser comandada.

Seus olhos vagaram pelo corpo moreno assim que ela se inclinou sobre Rachel roçando o pênis pelas coxas da namorada, seus braços passaram pelos da garota abaixo a fazendo se debruçar sobre ela.

-Você precisa saber a quem eu pertenço... –disse enquanto baixava a cabeça e assaltava o pescoço da morena. –Eu vou fazer você sentir isso... que amanhã mal vai andar...

Rachel soltou um arquejo com o que a namorada disse e com a mordida que precedeu suas pernas sendo afastadas com rapidez, instintivamente seus braços se lançaram ao redor do pescoço de Quinn, que sorriu tolamente deslizando uma das mãos contra o centro de Rachel o sentindo ainda úmido começou a fazer pequenos círculos ao redor do clitóris da morena.

-Não comece a provocar! –falou exasperada enquanto sentia seu corpo vibrar nas mãos de Quinn. A verdade era que a loira queria ouvir aquilo, queria ouvir o quanto Rachel a queria.

Colocou o pênis na entrada da namorada e com uma única estocada a completou. Rachel não se sentia aquela sensação há tempos, desde seu namoro com Finn, não que o sexo tenha sido bom (foi meio que um desastre), não era tão bom como o que Quinn faz com os dedos e a língua, mas a sensação de estar inteiramente completa por dentro era fantástica ainda mais com Quinn.

Rachel sentiu-se completa e assaltada por estocadas mais lentas que a atingiam em pontos específicos que a fizeram jogar a cabeça para trás, ela sentiu seus quadris serem levantados e as mãos de Quinn a segurando e guiando os movimentos de encontro ao pênis, sua cabeça parecia estar mais que longe, ela se sentia como se estivesse no ar, apenas sentindo as ondas de prazer, sabia que estava grunhindo e gemendo coisas desconexas, ela só queria que não acabasse.

-Abra os olhos, Rachel –Quinn resmungou enquanto seus quadris trabalhavam e um ritmo moderado, ela estava adorando ver a namorada se contorcer e ainda mais a fricção que o strap-on fazia contra seu centro. Rachel suspirou e conseguiu encarar Quinn, cujos cabelos dourados agora compridos seguiam os movimentos de seu corpo.

–Você gosta disso, não é? Gosta de um pau em você não é?

Rachel não respondeu diretamente, só gemeu mais alto com as palavras.

-Eu lhe fiz uma pergunta –Quinn largou os quadris da namorada, se apoiou em um braço e com a mão livre agarrou o seio direito da morena o arranhando com as unhas curtas enquanto a penetrava num ritmo mais acelerado.

-S... sim –suspirou o corpo pequeno que era domado por prazer. –Sim, Quinn!

Quinn sorriu e escondeu o rosto na curva do pescoço de Rachel o mordendo para deixar propositalmente uma marca, ela queria deixar tudo explicito. Enquanto estocava, sua boca vagou pelo pescoço bronzeado até os lábios cheios os assaltando com paixão antes de bruscamente retirar o pênis e virar o corpo moreno de costas e coloca-lo de quatro no centro da cama, um gemido soou de Rachel e foi o bastante para Quinn manter o sorriso convencido no rosto. Um punhado dos cabelos de Rachel foi pego com força a surpreendendo, ela arriscou um olhar para o espelho do guarda roupa e viu uma cena que com toda a certeza ficaria em sua mente para sempre. Quinn a havia pego pelos cabelos e agora lambia os dedos da mão livre em seguida esfregando-os contra o centro de Rachel.

-Quinn –suspirou enfiando a cabeça entre os travesseiros.

-Rach... –ela levou os dedos a boca- você está mais gostosa ainda hoje a noite, isso é saudade ou você é uma vadia por esse pau?

-Acho que os dois –Rachel murmurou se apoiando nos cotovelos, ela sabia que ia ganhar só em provocar a namorada

Quinn apenas a penetrou mais forte ainda puxando os cabelos castanhos, ela se realizou ao ver Rachel com a boca aberta e os olhos apertados, sua mão vagou pelo cintura da namorada a agarrando para ter apoio e começou a bombar dentro de Rachel, o pênis de silicone deslizava sem resistência nenhuma para dentro e para fora da vagina de Rachel, Quinn podia sentir o cheiro doce do corpo da morena e os gemidos ininteligíveis invadirem o quarto. Rachel agarrou os lençóis e ficou apenas com os quadris suspendidos fazendo com que o pênis atingisse mais fundo em sua vagina, Quinn deixou-se começar a cair sobre o corpo moreno enquanto continuava a estocar, afastou as pernas de Rachel e se deitou sobre as costas nuas da cantora, suas mãos soltaram dos pontos de pressão e correram pela pele suada da judia a arranhando e caminharam por baixo dos braços de Rachel que agarravam o lençol, e agarraram seus ombros. O corpo moreno tremia, e ela gemia alto, completamente entregue a sensação que sua namorada lhe provia. Quinn sussurrou em seu ouvido a frase em que ela mais amava ouvir no mundo (amava mais do que ouvir um “O papel é seu”).

-Eu te amo –sua voz rouca ao pé do ouvido da morena saiu como um suspiro e fez as paredes de Rachel se contraíram ao mesmo tempo em que o pênis de silicone estocou fundo, com um gemido alto, ela se derreteu em um orgasmo e deixou seu corpo relaxar na cama macia. Quinn vendo que tinha conseguido o que tanto queria traçou uma rota de beijos do pescoço aos ombros de Rachel, fazendo com que a morena sorrisse bobamente.

Quinn deslizou o pênis para fora da vagina de Rachel e o desatarraxou de seu corpo, o jogando na beirada da cama. Era melhor assim, sentir o corpo dela contra o seu por inteiro.

-Eu te amo, Quinn, nunca se esqueça disso –disse suspirando contra a cama. –Round dois!


X

A manhã seguinte se fez presente, Quinn a sentiu chegar quando os raios de sol atravessaram as persianas do quarto de Rachel e esquentaram suas costas desnudas. Sentia seu braço doer em uma posição incomoda, vagarosamente abriu os olhos e só conseguiu ver a própria franja a impedindo de enxergar. Como estava de bruços e seu braço esquerdo estava preso sob algo, provavelmente Rachel, teve de fazer um malabarismo para com o braço esquerdo puxar o cabelo para que pudesse ver uma das cenas que mais sentia falta durante o tempo em que não haviam se visto.

Rachel Berry podia não ser considerada por muitos o exemplo de mulher a ser seguido, não só por seu temperamento mandão, por ser um tanto egocêntrica e escandalosa. Mas para Quinn aquilo eram pontos positivos, assim como agora, muitas pessoas poderiam não ligar para aqueles detalhes que tornavam a judia perfeita aos olhos de Quinn. Seu rosto prensado contra o travesseiro, deixando seus lábios cheios levemente entreabertos, sua respiração leve se revezava entre a boca e o nariz avantajado, seus olhos fechados como se estivesse preocupada com algo, seus cabelos espalhados pelo travesseiro tinham as pontas encaracoladas, não como usava atualmente, Quinn sabia que ela tinha o cuidado imenso em deixar o cabelo perfeitamente liso ou com ondas e cachos bem definidos, mas naquele momento seu cabelo se encaracolava naturalmente devido ao suor de ontem. Ela era mais linda ainda pela manhã.

Quinn queria acaricia-la, mas estava de bruços e seu braço esquerdo estava realmente preso em baixo da namorada, Rachel era pequena, não pesava quase nada, então delicadamente puxou o braço que deslizou entre a colcha da cama e o corpo pequeno.

Ela sentou na cama e alongou os braços e sacodindo o esquerdo que havia ficado sobre pressão por tanto tempo. Deixou as cobertas caírem do corpo enquanto se levantava com cuidado para não acordar a namorada. Caminhou até a porta olhando para os lados tentando averiguar se Brittany ou Santana estavam por vista, afinal ela estava nua e não queria estragar a pose de Rachel. Vendo o caminho livre ela caminhou até a bolsa e pegou um lápis grafite e um moleskini, um caderno pequeno, sem pautas, que carregava consigo desde seu primeiro dia na Itália. Voltou ao quarto, sentou-se na cama com o caderno apoiado na coxa, olhou para Rachel que tinha se mexido, encolhendo os braços contra o busto e se aconchegado mais no travesseiro, procurou o ângulo certo para desenhá-la. Decidiu continuar naquele canto e agradeceu a Deus pelo lençol ter caído mais um pouco com sua movimentação, ele estava na base de suas costas e o sol que passava pelas persianas fazia ondas em suas costas morenas e lisas.

Seu grafite deslizou pela pagina em cor creme esboçando aqueles cabelos espalhados pelo lugar e o corpo encolhido e sensual. Ela desenhava rápido, gostava apenas de fazer esboços rápidos para depois puxar a lembrança do momento e reproduzir em aquarela. Poucos minutos foram suficientes para terminar o esboço de Rachel em seu ninho.

Repousou o caderno na escrivaninha ao lado da cama e engatinhou até a namorada deslizando os dedos da base das costas até os ombros morenos. Rachel estremeceu e pareceu acordar no mesmo segundo, apenas esboçou um sorriso satisfeito.

Houve um tempo em que se odiavam, na verdade, que Quinn odiava à Rachel, ela não sabia bem de onde havia vindo tanto ódio, elas gostavam de acreditar que era por causa de Finn, mas a ex líder de torcida sabia que havia algo há mais, talvez fosse o ego de Rachel nos primeiros anos de convivência, somente a cadeia alimentar social do McKinley, mas Quinn cogitava secretamente que já fosse amor, hoje em dia ela tinha a plena convicção que não foi transformada em lésbica, que foi vitima de seus pecados ou tentada pelo demônio, ela tinha nascido daquele jeito. Tinha nascido para ser de Rachel, mesmo que tivesse passado por Carie, ela gostava de mulheres, gostava daquela conexão inexplicável. Ela só gostava. Mas amava à Rachel, somente a ela.

-Deite aqui e me abrace, Fabray. Quero você nua nessa cama o dia todo –resmungou a morena contra o travesseiro.

-Oferta tentadora, meu amor. Mas hoje é o aniversário de Beth e preciso comprar um presente –disse engatinhando para cima de Rachel beijando a base de seu pescoço.

Rachel deu um pulo da cama empurrando Quinn.

-Oh meu Deus, esqueci completamente! A festa de Beth será aqui, preciso organizar tudo. Que horas são? Shelby estará aqui as dez, preciso organizar a casa, tirar o Lord...

-São oito e meia Rachel, se acalme um pouco –Quinn riu e se pôs de pé abraçando a namorada a segurando pela cintura. –Shelby não sabe que estou aqui, preciso do numero dela para avisar sobre minha chegada, quero que ela, como mãe legal de Beth, saiba que estarei presente.

-Certo –Rachel suspirou e pôs a cabeça no lugar, tinha tanta coisa para fazer que lhe dava vertigem. –Vamos logo, pode usar meu banheiro, vou tomar um banho rápido no quarto de hóspedes.

-Não, você vem comigo –Quinn pegou Rachel no colo e entrou no banheiro com ela. Decididamente elas iam tomar banho juntas.

-Quinn! Nós vamos nos atrasar! –resmungou Rachel entre uma risada.

-Nos atrasar? Rachel, não temos sexo regular há bastante tempo, nós é que estamos atrasadas! –disse a beijando no pescoço enquanto entrava na banheira e a colocava de pé.

-Fabray, é sério, tenho que preparar uma festa infantil, isso leva tempo... –Rachel colocou os braços em volta do pescoço de Quinn e lhe deu um selinho. –Você sabe o quanto quero ficar com você, mas se não me apressar as coisas vão sair do controle.

-Me prometa que hoje a noite será minha mais uma vez –disse com um bico.

-Serei sua hoje, amanhã e depois de amanhã –acariciou os cabelos loiros enquanto saia da banheira. –Quer usar o carro de Santana?

-Não, eu me viro –disse dando uma piscadela enquanto ligava o chuveiro.

-Tem certeza? Sabe se virar na cidade?

-Eu vou de metrô, já sei onde fica a loja onde vou comprar o presente –resmungou enfiando a cabeça na ducha.

-Metrô? Não sei se soube das noticias, ultimamente as coisas tem ficado perigosas na cidade...

-Eu vou de taxi então, não se preocupe, vai dar tudo certo, me virava em Florença, posso me virar aqui –sorriu e Rachel aceitou.


X

Assim que saiu do apartamento de Rachel deu de cara com o morador que as havia flagrado na lavanderia e deu um sorriso sem graça quando ele a cumprimentou. Estava usando uma blusa de Rachel, o que não deixava tão a mostra o fato de terem dormido juntas na noite passada, não que realmente importasse depois de terem sido pegas no meio do processo em cima de uma máquina de lavar.

Decidiu ir ao hotel onde estava hospedada, trocou de roupa, afinal iria para a festa da filha, naquele momento lembrou de ligar para Shelby, sacou o celular da bolsa e ligou para ela, não demorou muito para se entenderem, pouco antes de desligar ela pode ouvir do outro lado da linha uma Beth eufórica que havia escutado a conversa. Naquele segundo seu coração se encheu de amor e no mesmo segundo se derreteu, era uma mistura de construção e desconstrução, mas era uma sensação boa.

Antes de sair, fechou a conta do hotel, Rachel insistiu que ficasse no apartamento que dividia com Santana e Brittany, pois assim estava na sua mente por tanto tempo, as quatro naquele apartamento enorme era algo premeditado. Entrou em um táxi com as poucas malas e rumou de volta ao apartamento de Rachel, as deixou na portaria e pediu que o porteiro as levasse. Sabia que a namorada estaria mais que ocupada organizando a festa de Beth, então não se deu ao trabalho de subir. Tentou pegar um táxi, mas a maioria estava cheia, decidiu pegar o metrô, por serem quase nove e meia, não deveria ter muita gente.

Como o previsto não tinha muita gente, logo chegou ao centro comercial onde tinha tido ótimas indicações de lojas especializadas em arte. Caminhou entre as ruas respirando o ar da cidade, não era como New Heaven, onde havia verde demais, e nem como Florença, onde sentia a história fervilhando dentro de si, Nova York era tudo ao mesmo tempo, não consegui entender aquela complexidade, só entendia que naquele lugar tudo coexistia, tudo se resumia aquilo, a tecnologia, a gente, a cheiros. Aquilo era o mundo.

Sua caminhada lhe levou a algumas ruas mais afastadas do centro, sorte que havia olhado pelo celular a localização das lojas de arte, teria se perdido se viesse às cegas.

Entrou em uma pequena loja que se espremia entre um armazém e uma cafeteria.

Seu estomago roncou só de ver as pessoas saindo do café comendo rosquinhas, assim lembrou que não tinha tomado café da manhã, seria obrigatório comer algo lá assim que terminasse as compras.

-Precisa de algo? –questionou uma mulher que limpava as mãos por trás do balcão. Ela parecia desinteressada em Quinn, no momento seu objetivo maior era tentar tirar algum material que tinha grudado em sua mão.

-Estou procurando por uma caneta de bico de pena, para nanquim...

-Nanquim?

-É, tinta...

-Oh, nanquim, foi essa coisa que escorreu na minha mão quando derrubei um vidro...

-Coloque um pouco de álcool vai ajudar a tirar da sua mão –Quinn sorriu vendo o estado da mão da mulher.

-Não sou nem um pouco boa com isso, como pode ver, é minha primeira semana e sou um pouco desastrada! –resmungou enquanto procurava o álcool nas estantes inferiores do balcão.

-Você pega o jeito –sorriu.

-Então –ela limpou a mão com álcool e um pano e se pôs ao dispor de Quinn. –Canetas de bico de pena para nanquim... alguma em especifico?

-Na verdade é um presente que quero dar a minha filha, se bem que ela não tem uma idade adequada para usá-las...

-Seria algo mais decorativo, então? –perguntou caminhando pela pequena loja até um balcão com canetas mais delicadas e especiais.

-É, mais ou menos, digamos que a mãe dela não vá querer que ela brinque com tintas e coisas pontudas...

-A mãe dela? Você é...? –Quinn não precisava nem ter olhado nos olhos da mulher, sabia apenas pelo tom de sua voz que havia surpresa.

-Na verdade, eu fui mãe muito cedo e tive de entregar minha filha para a adoção –sorriu. –Mas eu também sou lésbica...

-Oh, certo... –ela pareceu um tanto desconfortável. –Não quis parecer rude, só, ainda é meio estranho pra mim... vim de uma cidade pequena do Texas, bem pequena mesmo, é tudo muito novo.

-Você se acostuma –esboçou um sorriso. –Mas voltando as canetas, minha filha já gosta dessas canetas, ela as usa as vezes, escondido, então, talvez se tivesse algo decorativo, mais que também fosse usável...

-Acho que entendi, chegou semana passada um kit, com uma caneta, diversos bicos e um tinteiro, em um acabamento, que segundo meu patrão é único –ela se abaixou e pegou uma caixa embrulhada com papel mostarda e um laço de cordão. O abriu delicadamente e deixou Quinn ver a caixa de madeira bem polida. Ela deslizou a tampa e mostrou o interior que continha o conjunto que havia descrito, protegido por lascas de madeira, Quinn podia sentir o cheiro amadeirado lhe invadir o juízo, ela sabia que Beth adoraria. Sua filha tinha um gosto por coisas simples e singelas, ela gostava das coisas como elas são de verdade, sem floreios; aquilo espantava Quinn por causa da idade da garota que parecia já saber o que queria. Sem dúvida alguma ela tinha um gene Fabray, quer queira ou não, e esse gene ainda era melhorado com a disciplina de Shelby, o carinho de Noah em dar aquilo que seu pai nunca o deu e a presença de Rachel.

-Certo, vou levar –sorriu mais uma vez naquele dia ensolarado, tudo estava entrando em ordem.


Notas finais
Ok, sem mais delongas, próximo capitulo Quinn vai sofrer, como de costume.