As If We Never Said Goodbye
38 Girl I know you very well Parte II
Notas iniciais
Quinn acordou e olhou para o alarme, passava das oito da manhã, mas ela não se importou com o tempo, apenas queria observar a morena que estava ao seu lado, ainda vestia as roupas de ontem, mas Quinn podia ver a base das costas da garota, ela havia se revirado tanto na cama que sua blusa havia subido até o meio do torso. A loira esticou um dedo, como se estivesse disposta a provar um doce, mas só um pedacinho, porque era proibido. Ficou nesse empasse até tomar coragem e deslizá-lo levemente pela pele exposta, era macia e ela queria beijar aquele corpo. Antes que pudesse ser tomada por mais algum impulso, ouviu batidas leves na porta e se afastou. A porta abriu e Finn apareceu na porta ainda com cara de sono.
–Capotei no sofá, descul... –ele interrompeu a frase ao observar que Rachel estava na cama. Quinn emudeceu e ele só sorriu. –Estou indo nessa, depois me conte sobre isso.
–Nós...
–Depois... agora faça um café da manhã para sua garota –disse fechando a porta.
Quinn sentiu as bochechas pegarem fogo, agora era mais que obvio que ela queria Rachel por perto, ela já havia colocado a cabeça no lugar e podia sentir que entre elas corria alguma coisa.
Aceitou o conselho de Finn e foi até a cozinha achar alguma coisa que a morena pudesse comer, seu estômago roncou assim que viu o bacon na geladeira, não hesitou em pegá-lo e começou a fritar seu próprio café da manhã. Uma musica surgiu na sua cabeça, parecia inapropriado, mas ela queria cantar.
–Ah, push it! Uh, baby, baby! Baby, baby! Push it good, push it real good… Yo baby bop, yeah you give me a kiss –começou a cantar e rebolar ao som da musica.
Rachel acordou sozinha e resolveu procurar Quinn, a encontrou fritando bacon, ela sabia pelo cheiro de animal morto. Qual foi sua surpresa quando a ouviu cantando Push it. Resolveu se juntar ao momento.
–Oh, you got me soo, oh, I don’t know what I’m doing… -cantou se aproximando de Quinn fazendo com que a loira se virasse para a cena sexy que era Rachel caminhando até ela cantando sensualmente. –De onde você conhece essa musica, posso saber?
–Hm... ela só veio a minha mente –sorriu.
–Vamos, você a ouviu recentemente? –Quinn olhou para aqueles grandes olhos castanhos e sentiu que a morena queria algo daquela conversa.
–Uh, não sei, me veio essa musica com uma imagem, não ria... mas parece que tem pessoas azuladas fazendo alguma coisa sexual... em um teatro ou algo assim... Se ainda fossem verdes diria que tenho uma imagem de aliens fazendo sexo, o que não deixa de ser uma coisa absurdamente fora de contexto –divagou a loira se virando para prestar atenção no seu bacon.
–Quinn...
–O que? –disse olhando sobre o ombro Rachel com as mãos sobre a boca.
–Você teve uma lembrança –resmungou a morena abraçando a mulher por trás.
–O que diabos você está dizendo? –perguntou a loira tentando ficar de frente para Rachel mas só conseguindo girar ambas em círculos.
–Deixe eu te mostrar –a morena saiu correndo para o quarto de Quinn, agarrou o notebook e o trouxe para a cozinha. Ela não se continha, parecia uma criança na véspera de natal, o computador mal ligou e ela já estava abrindo o navegador para entrar em seu MySpace.
–Pessoas ainda usam MySpace? –perguntou Quinn colocando o bacon em um prato e sentando-se a mesa ainda sem entender o que se passava.
–Eu uso para guardar meus vídeos –resmungou. –Aqui tem um registro de tudo que eu fiz.
–Então, onde entra a parte que você me explica o que diabos a musica tem haver? –disse enquanto mastigava o bacon.
–Aqui... –disse clicando para abrir um vídeo, ela virou o notebook e deixou que Quinn o visse, ficou observando as feições da loira se quebrarem em espanto, ela até havia parado de comer seu bacon.
–Isso... Isso é você? Insinuando posições sexuais com meu ex namorado que também é seu ex namorado? –a loira questionou sem conseguir tirar seus olhos da tela.
–É só isso que você consegue captar?
–E Kurt... e...
–Você estava na plateia, era no colégio, no ginásio... foi a primeira apresentação oficial do Glee. Tem Mercedes, Tina... Artie... –Rachel parecia orgulhosa. –Nem imagina o que fiz pra conseguir esse vídeo, tive de dar ao tarado da escola uma das minhas calcinhas...
–Wow, é demais, minha garota dando uma calcinha pra o tarado da escola? Você não está se referindo ao Jacob Israel, não é? Isso é nojento, Rachel! O que você acha que ele deve estar fazendo com sua calcinha agora? –Quinn disse fechando o notebook, mas não ouviu sequer uma palavra vinda de Rachel, a mulher a sua frente estava parada com um sorriso bobo nos lábios. –O que foi?
–Você disse que eu sou sua garota... –resmungou assistindo Quinn ficar vermelha.
–Uh, você entendeu...
–E parece uma adolescente enciumada... –Rachel caminhou até Quinn mantendo o sorriso nos lábios. –E isso é fofo. Eu sou sua garota, Quinn?
–Acho que sim... –disse evitando olhar para a morena, mas já não consegui conter um sorriso.
–Acha? O que falta pra ter certeza? –Rachel passou os dedos pela camisa de Quinn, como se a dissesse que um contato seria bom.
Quinn nada disse, apenas envolveu a morena em seus braços e se aproximou lentamente, olhou fixamente para os lábios que sentia urgência em beijar. Inicialmente encostou os lábios, sentindo a maciez que vinha de Rachel, depois sentiu que seus lábios eram feitos sobre medida para os da morena.
Rachel se segurava para não avançar nenhuma barreira, mas era impossível ter Quinn a beijando, depois de tanto tempo sem nenhum contato, e manter o controle. Colocou seus braços ao redor do pescoço de Quinn e a puxou mais contra si, como não houve protesto, ela abriu seus lábios deixando espaço para que a loira se sentisse a vontade para deslizar sua língua. A loira assim o fez, e quando menos esperara estavam em uma confusão de línguas, lábios e dentes. As mãos procuravam se segurar a carne, apertavam, deslizavam, acariciavam.
–Bom dia –Santana estava na cozinha observando as duas que se separaram como se tivessem tomado um choque.
–San... pensei que já tinha ido trabalhar...
–Sabe como é, Britt-Britt me deu um trato ontem, não tive como levantar tão cedo para trabalhar... e vejamos só o que eu encontro, no meio da cozinha, se comendo como duas adolescentes... tem um quarto bem grande ali para vocês, aliás, acho que é de onde vieram... essas roupas amassadas...
–Eu... eu...
–Você o que, Berry? –perguntou Santana roubando duas fatias do bacon de Quinn. –A leoa comeu sua língua?
–Eu só dormi aqui... Nada demais...
–Não foi nada demais o que eu vi aqui, garotas –riu a latina. –Podemos voltar a torcer pelo casal? Ou ainda vão ficar de frescura?
–Acho... –Quinn parecia confusa, mas segurou a mão de Rachel. –Acho que vamos ver no que dá... devagar... vamos nos conhecer...
Rachel sacudiu a cabeça afirmativamente. Ela podia ir devagar. Definitivamente.
X
Ela podia ficar daquela maneira para sempre, aprendendo sobre si mesma, ouvindo apenas Rachel falar sobre o que havia esquecido, mostrando vídeos do coral, contando sobre o que havia ocorrido nos corredores do colégio, o que havia feito na faculdade. Ela gostava de Rachel, da voz, dos olhos, do cabelo, dos tiques.
–Se importa se eu fizer perguntas mais intimas? –questionou ficando deitada de lado para encarar Rachel. Novamente elas estavam no Central Park, aquele se tornou o recanto das duas.
–Vá em frente... –disse a morena olhando para o céu usando os óculos escuros arredondados que Quinn havia desenterrado de algum lugar. Mascava um chiclete tentando fazer uma bola.
–Quem é a ativa? –Quinn perguntou de uma vez por todas, se ficasse enrolando não conseguiria perguntar aquilo nunca.
Ela assistiu Rachel conseguir fazer uma bola e explodir no próprio rosto, só pode rir da cena levando a morena a gargalhar com ela.
–Não, estou falando seriamente, preciso saber, é uma divida que me corrói...
–Aposto que isso é coisa de Santana, ela deve ter te impelido a fazer essa pergunta –Rachel se virou tirando a goma de mascar do rosto e enrolando num pedaço de papel e jogando num saco que haviam levado para o piquenique.
–Em parte... Depois que ela perguntou, me veio a dúvida... –disse assistindo a morena ficar de bruços sobre a grama.
–Somos versáteis...
–Hm, as vezes você fica por cima... depois invertemos...
–Nunca definimos isso, só gostamos de nos dar prazer –sorriu. Olhou para frente e viu Beth correndo em sua direção. –Olha quem está aqui!
–Rach! –Beth se jogou nos braços da morena e rapidamente já estava engalfinhada com Quinn, rolando pela grama do parque num ataque de cócegas.
–Vocês duas, devagar! -reclamou a morena.
–Certo –disseram as duas em uma só voz e voltaram para perto da morena.
–Aqui estão vocês, rodamos esse parque –resmungou Puck que segurava um frasco de protetor solar e tentava passar na filha.
–Olá meninas, como estão? –Shelby sentou-se ao lado delas.
–Muito bem, me arrisco a dizer –sorriu Rachel. –Ontem, Quinn se lembrou de uma coisa...
–Sério? –Puck perguntou baixando os óculos meio incrédulo.
–Sim... Eu... meio que lembrei de uma musica, Push It, e de um cenário, então Rachel me mostrou um vídeo do Glee Club cantando...
–Eu lembro! Foi a primeira apresentação, ainda não fazíamos parte –relembrou o rapaz sentando-se com as mulheres.
–Sabe o que seria interessante? –perguntou Shelby divagando. –Vocês deveriam ligar para Will e fazer uma reunião do Glee. Talvez refazer as lembranças seja uma maneira de reavivar sua mente, Quinn.
–Não é uma má ideia –sorriu a loira deitando na grama de barriga para cima.
–Bem, falando em boa ideia, acho que deveríamos sair hoje a noite, poderíamos ir a algum bar, jogar conversa fora... O que acham? –disse Puck liberando a filha do banho de protetor solar para que ela se agarrasse a Quinn.
–Poderíamos chamar a todos, um grande grupo fica melhor –comentou Rachel. – E Beth, vai ficar com quem?
–Beth vai ter sua primeira festa do pijama hoje a noite –respondeu Shelby. –Por quê não conta a Quinn quem é sua amiga da escola?
–Mãe! –reclamou a garota que se escondeu contra o pescoço de Quinn.
–Sério? Não quer falar sobre Junnie? –Shelby riu.
–Eu vou brincar com os patos –exclamou antes de sair correndo para perto do lago.
–Tente não se molhar –berrou Puck.
–Quem é Junnie? –perguntou Quinn.
–Digamos que ela tem uma queda por essa garota, pelo menos é o que Puck e eu pensamos, ela não para de falar nessa garota –explicou Shelby.
–Oh, ela me falou sobre essa garota, você acha que ela está apaixonada? –perguntou a loira.
–Bem, apresenta os sinais clássicos, quer ir a escola, não para de falar nela, já fomos à diretoria porque ela havia colocado chiclete no cabelo de Junnie... –explicou Puck.
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