As If We Never Said Goodbye

10 Falling in love is all bitter sweet


Notas iniciais
Desculpem não estar postando com frequência, esses últimos dias vieram com tudo, alguns trabalhos de ilustração (propaganda aqui hein :P), reuniões da faculdade e alguns problemas normais de toda a família. Agradeço demais as reviews, vocês são demais e tem uma paciencia de ferro comigo (por não fazer a Rach e a Quinn se pegarem logo. Desculpem os erros e tenham uma boa leitura.

Desenho de memória era algo complexo, os alunos deveriam observar um dos objetos ou pessoas na sala por um determinado tempo e somente com essa observação deveria se fazer um esboço do que foi visto, sem dar mais nenhuma espiada, Quinn observava um balanço de madeira em forma de cavalo, depositado no meio do circulo de cavaletes em meio a outros objetos variados.

Uma bola de papel atravessou a sala batendo na cabeça de Quinn, já era a segunda vez, virou-se zangada, não queria ser interrompida naquela aula tão importante. Carmen tinha os olhos bem abertos lhe encarando e os virava efusivamente para sua esquerda onde uma garota morena rabiscava com carvão seu bloco de papel A2. A latina apontou para a garota com o polegar, imitou alguém desenhando e apontou para Quinn.

A loira ergueu as sobrancelhas, Carmen lhe estava indicando que era modelo para a garota morena, Quinn tentou espiar a menina, mas só conseguia ver os cabelos.

Carmen sorriu olhando para a garota ao seu lado, virou-se para Quinn e segurou os próprios seios os balançando e dizendo “Que peitos!”, a loira riu e a professora olhou de Quinn para Carmen, a latina só fez que estava ajeitando o sutiã e sorriu normalmente fingindo voltar para seu desenho.

Era segunda feira, e Quinn -e conseqüentemente, Carmen –estava curiosa sobre a morena que a havia feito uma dança no colo, havia deixado claro que estavam próximas, mas Quinn não a tinha percebido.

A loira começou seu esboço do cavalo de madeira com um lápis grafite, seus traços eram firmes e aqui e acolá fazia seu dedo mindinho escorregar pelo papel formando sombras e o fundo do desenho. Faltavam apenas alguns detalhes para o cavalo estar perfeitamente esboçado e simétrico, o sinal sonoro do fim do período de aulas do dia soou e o farfalhar de folhas sendo recolhidas e cadeiras sendo arrastadas se fez presente.

-É ela! Tem que ser ela, a garota é linda e o corpo... Que corpo –suspirou Carmen que havia corrido até Quinn.

-Ela ainda ta sentada lá, vai Carmen, some daqui... –a sala já estava se esvaziando, e Quinn queria travar sua primeira partida consciente e de completa e livre espontânea vontade em seu novo time.

-Sumir daqui? –Carmen parecia indignada.

-Agradeço por tudo, mas preciso fazer o próximo movimento por mim mesma –Quinn sorriu recolhendo seu material, deixando um lápis preso a orelha.

-Você vai me contar tudo –a latina saiu da sala a passos largos deixando finalmente Quinn, a tal morena que terminava de recolher seu material e a professora que fazia algumas anotações em seu caderno sobre a mesa.

A loira levantou-se com seu material arrumado e apenas um plano na cabeça, ou melhor, na orelha. Ao passar pela garota que sentava-se no caminho para a porta balançou o cabelo deixando que o lápis caísse de sua orelha, o som fez a garota levantar o rosto vendo a loira procura pelo objeto confusa.

A morena correu os olhos pelo chão encontrando o lápis junto aos próprios pés, se abaixou e o pegou, ficando em pé estendeu à Quinn.

-Obrigada –a loira soltou seu sorriso mais sincero.

-Por nada –a menina sorriu mordendo o lábio inferior fazendo a loira erguer a sobrancelha.

-Estranho, acho que lhe conheço de algum lugar –Quinn mantinha o mesmo sorriso.

-Talvez... –a morena ficou ligeiramente vermelha.

-Ei, essa sou eu? –riu apontando para o bloco de papel que ainda estava sobre o cavalete.

-Parece que sim –riu nervosa como uma criança pega no flagra.

-Você desenha bem –Quinn puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da garota. –Pensa em seguir o ramo do desenho?

-Não sei bem, quem sabe ilustração, estamos no começo do curso de artes, então... tudo pode mudar até o fim... –a garota fechou o bloco de papel se preparando para levantar.

-Verdade –Quinn sorriu. –Indelicadeza a minha, sou Quinn...

-... Fabray, Quinn Fabray –a morena estava vermelha e seus olhos estavam desejando Quinn. –Sei quem é...

-Então nada mais justo do que me deixar saber quem você é...

-Está mais do que claro que você sabe que eu sou uma completa va...

-Como hoje é segunda-feira, não temos muito trabalho –Quinn a cortou sabendo o rumo que a conversa estava tomando e não deixaria a garota enfiar qualquer pensamento absurdo em sua cabeça. –Poderíamos tomar um café?

-O... O que? –a morena tinha os olhos abertos entre o desentendimento e o espanto.

-Um café... você e eu –a loira mordeu o lábio insegura.

-Você quer tomar um café? Comigo?

-Se não for pedir muito... talvez um café e um cupcake, eu amo aqueles bolinhos –sorriu um pouco mais segura.

-Por quê?

-Porque eu gosto de cupcake? –sorriu fazendo graça tentando quebrar o clima tenso. A morena só fez olhar para baixo. –Falando sério, você não saiu da minha cabeça...

-Eu sou uma stripper –a garota falou em tom baixo para que a professora não ouvisse. –Desculpe pelo que fiz, desde que te vi carregando sua bagagem pelo campus... droga!

-Um café! É só isso que te peço –Quinn sorriu tentando jogar seu charme.

-Eu não vou aceitar, desculpe – a garota se levantou e rumou para fora da sala de aula.

Quinn a seguiu, os corredores já estavam vazios, e os passos das duas ecoavam.

-O que vai fazer agora? –a loira insistiu.

-Almoçar –resmungou a morena.

-Posso te acompanhar?

-Eu já pedi desculpas pelo que fiz lá no Inferno, por que não desiste?

-Por que nem ao menos sei seu nome! –Quinn exclamou.

-Carrie, me chamo Carrie, agora já pode me esquecer –a morena correu para fora do prédio.

Quando Quinn teve uma reação e saiu do prédio não havia nem um sinal da garota.

X

-Rachel! –Harmony exclamou quando a garota esbarrou nela fazendo seu material cair.

-Desculpe, Mony –Rachel devolveu o celular ao bolso de seu vestido.

-O que está acontecendo com você, Rach? Esta toda aérea e nem brigando comigo por causa do papel que ganhei, com muita pericia e qualidade, na montagem de Wicked... –disse enquanto recolhia o material.

Apesar dos pesares, Rachel e Harmony ficaram “amigas” já que foram as duas únicas estudantes de Lima que passaram para a Academia.

-Só pensando no Olie...

-Sabe, quando você diz o nome dele, soa com Wolly... e eu só o imagino um cara magro, de óculos com roupa vermelha e branca listrada.

-Não seja maldosa!

-Desculpe, isso é da minha natureza. Mas me diga, estão namorando?

-Não houve um pedido oficial, mas ele acaba de me chamar para um jantar as oito –sorriu batendo palmas.

-Adorável –sorriu sem graça.

-Credo, será que não da pra ser um pouco mais animada coma minha felicidade?

-Desculpe, mas não vejo tanto motivo para sua felicidade, ele me parece ser só mais um cara qualquer –Rachel começou a fazer uma cara feia, mas Harmony prosseguiu. –É melhor uma pessoa sincera do seu lado, Rachel. Se quiser posso ser falsa com você e te dar o maior apoio nisso, mas seria uma péssima amiga.

-Ele é um cara legal –a morena saiu dali a passos apressados com o rosto erguido.

X

Por volta das onze da noite Quinn lendo O Morro dos Ventos Uivantes, quando Carmen chegou de uma reunião de emergência com um dos Mestres de Berkeley sobre seus problemas com o professor de história da arte, a morena tinha sido acusada de encher sua maleta de papel higiênico molhado.

-Como foi a reunião? –Quinn se espreguiçou olhando para Carmen.

-Ele basicamente riu e perguntou se eu havia feito aquilo –a latina sorria. –Simplesmente coloquei minha feição mais séria e neguei as acusações, disse que seria algo muito infantil de alguém numa instituição de ensino superior fazer tal ato.

-E ele engoliu?

-Ele me dispensou, mas começou a gargalhar quando sai da sala –jogou-se na cama tirando os sapatos. –Ei, e a garota da aula do ultimo período? Era ela? A stripper?

-O nome dela é Carrie, a chamei para tomar um café e ela disse que foi um erro o que aconteceu, ou seja, me dispensou –Quinn passou os dedos pelo cabelo soltando-os do rabo de cavalo.

-Você é muito romântica, Quinn –Carmen se virou de bruços. –Se quer alguma coisa, vá lá e pegue.

-Não é tão simples...

-É você que complica, garota! –antes que as duas pudessem entrar em uma discussão o celular de Quinn começou a tocar Someone Like You –Ah, Deus, seu toque de celular é uma musica de dor de corno!

-Não comece! –Quinn exclamou pegando o celular em cima da cama, o atendeu sem saber quem era. –Diga!

-Quinn? É a Rachel! –a morena soava a felicidade.

-Oi Rach! –Quinn disse com uma voz doce, foi algo involuntário. Carmen a fitou com um sorriso idiota nos lábios e disse baixinho “Tão Gay”. A loira revirou os olhos, a latina precisava mudar as piadas. –Tudo bom?

-Tudo bem, digo, maravilhosamente bem! –riu gostosamente.

-Me conte o motivo de tanta felicidade –sorriu.

-Oliver me pediu em namoro –sua voz saiu num suspiro bobo. –Foi agora a pouco, ele me chamou para um jantar num restaurante vegan na 5ª Avenida, e depois fomos ver Jersey Boys na Broadway, ele me fez esperar todo o teatro esvaziar e me pediu ali no meio do...

Rachel poderia continuar com seu monologo o quanto quisesse, mas Quinn não ouviria, pois não sentia mais seu corpo, parecia esta flutuando e que dentro de si não havia nada.

-Você está namorando? –Quinn perguntou com voz imparcial. Pela primeira vez, Carmen não se manifestou.

-Sim, sim, Oliver é um doce de pessoa...

-Vocês mal se conhecem!

-Aconteceram algumas coisas desde que te visitei em New Haven, Oliver e eu conversamos, nos conhecemos melhor, ele perdeu um pouco da timidez...

-Você está feliz mesmo, não é? –perguntou sentando-se na cama mastigando o lábio.

-Bastante, é uma chance de recomeçar, preciso de alguém que me dê apoio e que seja companheiro.

Quinn soltou um riso triste, ela poderia ser tudo aquilo, mas Rachel realmente preferiu esquecer aquilo que havia acontecido na festa.

-Entendo, Rach, então boa sorte nesse seu novo relacionamento, que tudo dê certo para vocês dois –Carmen a olhava com uma sobrancelha erguida, Quinn a fitou e gesticulou dizendo que iria lhe explicar. –Queria falar mais, só que tenho um trabalho para amanhã...

-Ah tudo bem, obrigada Quinn, espero te ver em breve, assim pode conhecer Oliver –parecia empolgada.

-Certo, vamos marcar, tenho que ir, tenha uma boa noite, Rach –Quinn não esperou uma resposta e desligou o celular.

-Você parece confusa... –Carmen tinha a voz calma.

-Acho que já esperava algo assim... Rachel não é para mim e eu não sou para ela.

-Talvez não agora, quem sabe mais na frente...

-O futuro à Deus pertence, e o presente ainda é meu –ela se levantou caminhando até o armário, a noite lá fora estava fria, então colocou sua calça jeans mais quente, acompanhada de um casaco de couro marrom, nem se deu ao trabalho de trocar a blusa de Yale que estava usando.

Meia hora depois, Quinn estava de volta ao “Inferno” e se dirigiu ao bar encontrando Victoria servindo duas doses de drinques que pegavam fogo à dois rapazes que beberam o liquido com um canudo e saíram gritando.

-Ei, loira, bom te ver novamente –Victoria e aproximou. –Onde está sua amiga?

-Vim sozinha –sorriu. –Na verdade queria saber quem era a garota que me fez aquela dança no colo, tem como me ajudar?

-Hm, desculpe, segundo as regras da casa a identidade das meninas não pode ser revelada...

-Mas pode ao menos apontar-me qual delas? –Quinn mordeu o lábio.

-Pole dance, a da esquerda –disse virando-se para atender a um homem que se recostava ao bar.

Quinn virou-se e viu uma garota morena com os cabelos ondulados soltos descendo até o chão usando apenas a mascara e uma calcinha. O bar estava sem movimento, só havia Quinn, os dois rapazes que haviam tomado os drinques, o homem no bar e duas mulheres ao fundo vendo as garotas que dançava no pole dance.

Quinn sentou-se de frente a morena que conhecia como Carrie, a garota dançava sem muita vontade, e quando viu a loira a sua frente estacou os movimentos. Elas se encararam por longos segundos até que a mulher que dançava ao seu lado soltou um pigarro, como se a ordenasse a dançar, e assim o fez. Voltou a dançar ao ritmo sensual da musica que ecoava pelo ambiente evitando olhar para Quinn.

A noite se estendeu e Quinn esperou pacientemente até a hora de o bar fechar, por volta das duas e meia da manhã as dançarinas se retiraram a os últimos consumidores começaram a sair, a loira caminhou até o bar pagando sua consumação e Victoria puxou assunto.

-O que tanto queria com a garota?

-Vê-la...

-Não me diga que se apaixonou pela garota por que ela te fez uma dança no colo, ela é paga pra fazer isso...

-Eu a conheci na faculdade, sei quem ela é, disse que me quis assim que bateu o olho em mim –Quinn entregou a Victoria uma nota de vinte e recebeu o troco, o guardando no bolso.

-História interessante, mas você veio aqui só pra observá-la?

-Vim esperar ela sair, já que não aceitou tomar um café comigo –a loira ajeitou os cabelos.

-É melhor se apressar, ela já deve estar de saída –sorriu.

-Obrigada –Quinn se retirou e assim que saiu deu de cara com Carrie.

-O que diabos esta fazendo aqui? –a garota disparou, mas não pode esperar uma resposta verbal.

Quinn a agarrou pelas mangas do casaco a encostando na parede de tijolos da frente do bar e a beijou com desejo. A garota conseguiu se desvencilhar de Quinn.

-Se quisesse algo assim era só pagar! –Carrie tentou retomar seu caminho, mas a loira a abraçou por trás.

-Você não é desse tipo... –disse segurando a garota que queria se rebelar.

-Não me conhece!

-É por isso que quero te conhecer, gostei da garota que conheci à noite, mas estou perdida pela Carrie que conheci na aula de artes. Você já se meteu comigo e eu já me meti com você, pra ter um fim tem que haver um começo.

Notas finais
Falling in love is all bitter sweet... quem reconhece esse trecho de musica? não vale procurar na internet u.u