As If We Never Said Goodbye

27 Been a long time but I'm back in town


Notas iniciais
Há quanto tempo hein?

“Quando você chega em uma nova cidade, nada faz sentido. Tudo é desconhecido, virgem... Depois de ter vivido aqui, andado por estas ruas, você vai conhecê-los de dentro e para fora. Você conhece essas pessoas. Uma vez que você viveu aqui, atravessou a rua 10, 20, 1000 vezes ... ela vai pertencer a você, porque você viveu lá.”

Quinn corria pelo campus a todo o vapor, tinha acabado de receber o resultado de sua ultima avaliação, estava na hora de voltar para casa, Rachel a iria matar se não corresse tudo certo. Ela tinha um plano para as duas.

Em uma de suas conversas com Carmen e Carrie ficou sabendo que uma loja de departamento ficou interessada em seus materiais promocionais e em suas camisetas sátiras e que próxima semana teria uma reunião em NY e que as duas não poderia ir por causa de algumas avaliações.

Quinn estava pronta para dar mais um grande passo, Judy a havia mandado uma carta dias atrás onde dizia estar na Índia e que ficaria incomunicável por alguns meses devido a seu retiro espiritual, e como estava numa fase de desapego material, havia transferido para a conta da filha parte da quantia em dinheiro, vinda do processo da separação de Russell.

O plano de Quinn consistia em voltar para a America e ir diretamente para New Haven, finalizar sua situação com o dinheiro doado de livre e espontânea vontade por sua mãe, ir a NY para alugar um apartamento e como estaria na cidade, avaliaria a proposta da loja de departamento e fecharia o negocio se fosse o caso. E com tudo pronto faria uma surpresa a Rachel, sabia que o romance andava em baixa, mesmo que encomendasse flores ou escrevesse todas as semanas, o que segundo sua namorada era algo romântico; Quinn sentia que poderia fazer mais.

Quando chegou ao dormitório sua companheira de quarto havia lhe feito o enorme favor de empacotar suas coisas que ainda faltavam, a garota lhe olhou interrogativamente.

-Passei! –sorriu quando recuperou o fôlego e recebeu um abraço de Annita.

-Vamos! Seu avião parte em uma hora e meia –avisou olhando seu relógio e agarrando algumas malas. –Vamos! Não estava tão agoniada para dar o fora daqui?

Florença é um lugar lindo, quem sabe um dia poderia morar ali, Rachel tinha se apaixonado pela cidade, das poucas vezes em que visitou Quinn, descreveu a cidade como um pedaço do mundo que fazia com que as pessoas soubessem que o passado importa. Que era belo.

Despediu-se dos poucos amigos que havia feito com a promessa de um dia voltar para a cidade, mas o que mais desejava era voltar para New Heaven, finalizar sua vida universitária e se mudar para Nova York. O que mais desejava era Rachel.

Sua poltrona era uma das ultimas, localizada no fundo do avião, sorriu ao lembrar de uma mania de contar fatos irrelevantes que ficam grudados em algum lugar do cérebro, que Rachel parecia ter desenvolvido ao longo desses anos pela convivência com Brittany. Ela lhe disse enquanto caminhavam por Florença que o lugar mais seguro do avião é a “cauda”, não lhe disse o porquê, e Quinn não quis saber, só achou lindo e suspirou pedindo mais um beijo. Em Rachel ela confiava, por isso sabia que sentando no fundo, teria mais chance de sobreviver se algo de errado acontecesse, pois sabia que se fosse necessário nadaria o oceano para encontrar com a morena.

O vôo não estava tão cheio e ela agradeceu esse fato, odiava aviões cheios, sempre tem alguém puxando conversa, crianças chorando e passageiros chatos, estava mais do que agradecida. Havia dormido mal, ansiosa como uma criança de oito anos esperando os presentes de Natal, então deitou a cabeça contra a janela, não queria dormir, aliás, ainda haveria alguns procedimentos de segurança a se fazer, só queria relaxar. Deixou a cabeça vagar mais um pouco, lembrando de seus afazeres e o que deveria fazer naquela semana. Era começo de Junho, em três dias teria o aniversário de sete anos de Beth, o que daria, um dia para ir a Yale, outro para procurar um apartamento, fechar negócio com seus futuros investidores, comprar o presente da filha e um para Rachel e no dia do aniversário de Beth, comparecer a festa, que seria na casa de Rachel, e obviamente fazer uma surpresa para a namorada.

-Quinn Fabray, estou falando com você! Sei que sou chato, mas, por favor, faz tempo que não lhe vejo! –Ela virou assustada para o lado, era Mark Johnson, Seu cabelo estava relativamente comprido e seu rosto havia amadurecido, ou era apenas uma ilusão por causa de sua barba rala.

-Mark, me desculpe! Não te ouvi, estava...

-Mergulhada nos seus pensamentos, eu sei, eu via você estudando em Yale, era difícil alguém te tirar do seu mundinho –sorriu sentando-se ao lado da garota. –Espero que não se incomode que eu me sente aqui, soube que a traseira do avião é um dos lugares mais seguros...

-É, minha namorada me disse isso também –sorriu, Rachel está sempre certa.

-Então ainda está namorando com a Carrie? –fez um rosto confuso. –Por que mês passado ela estava se agarrando com sua amiga, Carmen nas arquibancadas do campo de futebol...

-Ah não, por favor, se atualize, terminamos há quatro anos, estou namorando Rachel...

-Rachel, ainda não a perdoei por ter ganhado de mim no Cerveja Pong naquela festa! –riu abrindo um caderno surrado em uma folha em branco. –Então, voltando para casa definitivamente?

-Espero que sim e você? Aliás, o que está fazendo em Florença?

-Ah, só uma troca de vôo! Vou para casa só por uma semana, tenho que resolver alguns negócios do meu pai em Dublin...

-Oh, você se formou! –exclamou.

-Sim, estou trabalhando no escritório do meu pai, não é bem o que queria entende? Ficar na asa do papai não está realmente nos meus planos, é por isso que essa semana vou me reunir com alguns amigos de Yale, para firmar nosso escritório de advocacia em Nova York –discursou orgulhoso contendo o sorriso.

-Isso é ótimo Mark, estou realmente feliz por você! Também tenho negócios em Nova York essa semana...

-Eu soube do sucesso de você e suas amigas com seu... seu... como posso chamar esse negócio que vocês administram?

-Estúdio –respondeu rindo da confusão.

-Eu não entendo bem como funciona –riu. –Ia chamar de escritório... mas o termo não se encaixaria...

-É, nem nós sabíamos direito como denominar no começo...

-Mas como vão as coisas no estúdio?

-Realmente boas, temos um bom capital em circulação, bons clientes fixos e essa semana vou a Nova York para fechar um acordo grande com uma loja de departamento que atende a todo o país.

-Fabray... você é uma mulher de negócios e isso é indubitável, se tivéssemos dado certo, seriamos um casal e tanto –riu. –Não estou dando em cima de você, mas se estiver funcionando me avise.

X

Parecia que o destino gostava de ficar entre seus planos e a realidade, queria sair dali o mais rápido possível, mas suas malas não apareciam em nenhuma das esteiras do aeroporto. Mark estava mais impaciente que ela, foi reclamar com algum responsável e voltou sem resposta alguma. O lugar estava uma loucura, era verão, pessoas entrando no país a todo vapor em busca de diversão na Big Apple.

-Oh Deus, minhas malas! –Quinn suspirou quando viu as duas malas vermelhas caminhando pela esteira.

-Começo a acreditar que a minha foi extraviada ou algo assim –reclamou Mark pegando as malas de Quinn. –Bem, acho que isso é uma deixa para nossa separação.

-Não seja dramático!

-Passei quatro anos sem te ver, que garantia tenho de que vá lhe ver em breve?

-Vou estar em Nova York, você também, garanto que teremos contatos em comum e em meio a tantos negócios vou precisar de um advogado –sorriu pegando suas malas pela alça.

-Só para garantir, lhe dei mesmo meu cartão? –perguntou se virando para Quinn que já caminhava a caminho da alfândega.

-Você me deu dois!

Uma hora depois ela conseguiu sair dali em um taxi até a estação norte do metrô e sem demora pegou o primeiro trem para New Haven, era fim de tarde quando chegou a Yale, a universidade estava vazia, a maioria dos estudantes estava de férias e se mandavam para os lugares de agitação.

Nem ousou deixar as malas em seu antigo dormitório, era provável que Carmen estivesse lá, mas pela hora resolveu correr ao escritório de Sr. Richardson. Como o esperado ele estava lá e agendou um exame final para o outro dia de manhã, Quinn já esperava que pudesse ter esse pequeno atraso em seus planos.

Passou correndo pelos corredores de Barkeley como um foguete, agradeceu a Deus por ter mantido seu condicionamento físico pelos anos, pois subir aquelas escadas era um inferno, mas dessa vez ela não se importou em subi-la até fazer seus músculos queimarem do esforço feito. Bateu a porta de seu antigo quarto compartilhado com Carmen, sabia que a porta sempre estava aberta, mas com sua saída, outra aluna fora remanejada para ocupar a vaga, não queria parecer uma intrusa.

Uma garota de moicano loiro abriu a porta a olhando de cima a baixo.

-Ei, Herrera, sua amiga está aqui! –berrou deixando a porta aberta e saiu do caminho descendo as escadas sem dar outro olhar à Quinn.

-Ah! –a latina berrou e se jogou em cima da amiga fazendo as duas caírem no meio do corredor. –Sua loira azeda! Senti tanto sua falta! Prometa que se sair do país vai me levar!

-Carmen, pelo amor de Deus, saia de cima de mim, eu cai em cima das malas! –Quinn ria e não se importava verdadeiramente em sua estarem doendo, ela estava abraçando uma de suas melhores amigas, desde sua partida, não a havia visto pessoalmente.

-Oh, Deus, preciso te contar tantas coisas, aliás precisamos escolher seu apartamento em NY, eu e Carrie procuramos em alguns anúncios e coisas do tipo, precisamos também analisar todos os papeis e a documentação que você vai levar amanhã, droga, queria tanto ir com você, não sei como consegui ficar presa em tantas provas para fazer...

-Caralho, Carmen, cale a boca por um segundo! Quinn já deve estar querendo voltar para a Itália! –a voz de Carrie soou pelo corredor.

-Sem ciúmes, amor, sem ciúmes! –brincou Carmen se levantando e puxando Quinn pela mão para que pudesse abraçá-la propriamente.

-Ciúmes de uma loira azeda?

-Porque todas estão em chamando de loira azeda? –Quinn correspondeu o abraço da amiga e caminhou até Carrie a abraçando.

-Carmen fez com que a nova colega de quarto te odiasse de tanto que falou sobre você esses anos, sério essa latina ficou um saco depois que você se mandou, Quinn. Não passou um dia sequer sem falar um “Se Quinn Fabray estivesse aqui...”

-E você morreu de ciúmes! –Carmen puxou Carrie pela cintura a tascando um beijo.

-Calada! –brigou Carrie num meio sorriso ao conseguir escapar do beijo. –Enfim, a coleguinha de quarto ficou de saco cheio e te chama de loira azeda, então esse é seu novo apelido carinhoso.

-E eu não fiz nada, imagine se fizesse –brincou entrando no quarto com suas malas. –Vamos logo resolver nossa vida, ver vocês duas me lembra que tenho uma namorada solitária em NY!

X

-Quinn! –Carmen berrou mais uma vez na ala principal da serigrafia. –Mova essa sua bunda branquela até aqui, você precisa organizar o que vai levar para mostrar ao cliente, só temos mais meia hora antes do seu trem sair!

-É muita coisa para se fazer C! Eu nem consigo acreditar que esse lugar estava mesmo aos pedaços, vocês fizeram um trabalho incrível aqui –Quinn apareceu pela porta que separava os ambientes carregando algumas caixas.

-Tá, ta, depois você vê tudo isso, já está tudo finalizado em relação a Yale? –perguntou pegando algumas pastas e separando-as em cima de uma mesa de madeira que ocupava o centro do espaço.

-Já, só vou receber o resultado desse teste q eu fiz hoje pela manhã e vir para a formatura –sorriu colocando as caixas sobre a mesa e selecionando alguns cartões e adesivos para mostrar aos futuros clientes.

-Não posso me esquecer, Carrie está fazendo uma prova hoje, então pediu para que eu lhe entregasse isso –Carmen tirou do bolso do jeans um bloquinho de notas. –Ela fez uma pesquisa de apartamentos acessíveis em NY, ela queria se despedir de você, mas ela ainda não se sente muito a vontade.

-Nossa... eu... mais tarde ligarei para ela para agradecer. Fazem quatro anos que nosso lance aconteceu e nesse tempo vejo que ela melhorou bastante... ela ainda se consulta com...

-É, ela está freqüentando um psiquiatra novo, ele a receita alguns remédios, eu não gosto disso, mas está realmente funcionando. Não cheguei a lhe contar, bem, ela pediu para não contar, ela tentou se matar há dois anos...

-O que porra você está me dizendo? –Quinn ficou estarrecida, como pode não saber disso?

-Eu queria te contar, mas nós brigamos e do jeito que ela estava, achei melhor não falar nada e não é lá um assunto que se te via Skype, é conversa para “olho no olho” –Carmen sentou-se sobre a mesa e olhou para Quinn. –O padrasto dela apareceu do nada, com a noticia de que a mãe dela havia falecido, ele veio atrás de dinheiro. Quinn aquele homem tem um sorriso psicótico, pra mim tem mais do que apenas o que Carrie nos contou. Pra mim esse homem fez mais mal a ela do que sabemos. O fato é que só descobri que ele estava na cidade quando encontrei Carrie em cima de uma cadeira com uma corda amarrada numa viga do teto e a outra presa em seu pescoço...

Quinn se arrepiou em imaginar a cena, lembrou-se de Karofsky, eles foram empurrados até a beira do abismo, David até não tinha realmente a quem recorrer, mas Carrie tinha, tinha a Quinn e especialmente, Carmen.

-Eu cheguei a tempo, foi dramático, Quinn... mas de uma maneira ou de outra, isso fortaleceu nosso relacionamento. Ela me salvou uma vez e essa foi a vez em que eu a salvei, faria isso novamente quantas vezes fosse preciso, e acima de tudo farei com que ela não queira fazer isso novamente.

-Fico feliz que tenha estado lá para ela...

-Sinto que sempre estarei, eu... Quinn... –Carmen riu sem graça. –Não é assunto para agora, você chegou de viagem agora e já vai para NY, mas não agüento mais segurar isso só pra mim. Quero pedir Carrie em casamento e pedir que você seja minha madrinha...

-Oh, puta merda! –Quinn se jogou nos braços da amiga. –Você está realmente nessa não é? Sinceramente, agradeço todos os dias por ter terminado com Carrie!

-Também agradeço! –riu deixando algumas lagrimas caírem. –Quem diria que levar todos aqueles arranhões era tão bom!

Notas finais
Tristezas a caminho!