As If We Never Said Goodbye
33 A dark world aches for a splash of the sun Parte II
Notas iniciais
Tinha muita gente ali. Cerca de dez pessoas ocupavam o cômodo, algumas com aparelhos, outras cochichando e anotando coisas, havia um homem de meia idade que no momento colocava um feixe de luz em seus olhos e os observava com cuidado.
–Sou Dr. Harold Smith, como se sente, Quinn? –perguntou apagando a luz e repousando as mãos sobre o colo.
–Me sentiria melhor se entendesse o que é isso tudo... –sua voz soou rouca e apática.
–Vou falar de maneira simples, você esteve em coma, por cerca de um mês, após um assalto onde foi atingida por um projétil –explicou assistindo Quinn ficam em choque por um segundo e vagar as mãos pelo cabelo encontrando uma parte de sua cabeça sem ele. –Fizemos uma cirurgia para retirar o projétil e esperamos que seu cérebro se recuperasse, agora vamos lhe acompanhar para saber se tem sequelas, daqui a pouco vamos fazer alguns testes de sua parte motora e sobre sensibilidade, é normal sentir-se dormente, aliás, é um bom sinal. Mas de inicio, quero lhe fazer algumas perguntas, certo?
–Acho que... certo –respondeu insegura.
–Você lembra do incidente? –perguntou quando lhe foi entregue uma prancheta e uma caneta.
–Não...
–E o dia?
–Nem ideia...
–Em que cidade estamos?
–Lima, Ohio.
X
–Santana! –Oliver berrava no banco de trás enquanto a latina voava pelas ruas da cidade. –Acho que aquele guarda acabou de lhe multar!
–Dane-se, Boy George! –disse quando chegou na frente do hospital onde Quinn se encontrava, estacionando o carro de qualquer maneira sobre a vaga.
Rachel nem tinha esperado o carro parar para sair correndo, ela parecia uma louca quando entrou no hospital, o segurança estava a ponto de chamar um enfermeiro, ela entrou no elevador lotado e quando chegou ao andar do quarto de Quinn, disparou atropelando qualquer um que estivesse em seu caminho. Blaine a viu chegando e sorriu para ela, estava com Kurt do lado de fora a pedido dos médicos.
–Onde ela está? –perguntou com o peito arfando olhando para dentro do quarto que estava vazio.
–Foi levada para fazer uma tomografia –Kurt disse a abraçando.
–Como ela estava? Estava lucida?
–Parecia um pouco perdida, deve ser uma loucura acordar e se ver num hospital –comentou Blaine que preferiu esconder o fato que Quinn não o havia reconhecido quando acenou para ela.
–Queria tanto ter estado aqui... será que vai demorar muito? –perguntou se desvencilhando do abraço de Kurt.
–Onde está Quinn? – um homem loiro de olhos verdes e grande porte questionou. Aquele era Russell Fabray e seu estilo de fazer perguntas sem dar ao menos bom dia.
–Ela acordou...
–Isso eu soube, Hummel –disse encostando-se na porta.
–Você não pode ser educado nunca? Nem quando sua filha sai de um coma e estamos felizes? As vezes penso que só quer estragar a vida dela novamente... –Rachel parecia minúscula perto dele, mas aquilo não a intimidou quando afundou o dedo no peito dele.
–Se eu quisesse estragar a vida dela, nem teria vindo aqui e não estaria pagando a conta... –resmungou afastando a mão da morena.
–Certo, vamos nos acalmar, Quinn está bem e é isso que importa – Blaine puxou a morena para si prevenindo seus ânimos.
X
Enquanto Rachel e Russell trocavam olhares incomodados enquanto esperavam na cafeteria, que algum medico desse noticias. Santana já havia ligado para Brittany que fez questão de espalhar para o resto dos amigos a boa noticia, a loira já falava sobre uma comemoração pela volta de Quinn, já a latina sentia que havia algo de errado, porém não apagou a felicidade de Brittany.
Agora ela esperava na porta do consultório do Dr. Smith, ia extrair o que pudesse dele. Não demorou muito para que ele aparecesse carregando uma pasta sobre o braço, ele a encarou e já sabia o que esperar de Santana. Nesse tempo em que Quinn estava em coma, ele aguentava Santana falando e falando sobre a importância que sua paciente tinha para ela, a história de vida das duas e que ele não deveria esconder nada dela.
–Dr. Smith... –se pronunciou cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha para o homem a sua frente.
–Srta. Lopez, sua amiga está prestes a voltar para o quarto... –adiantou-se caminhando para o consultório e destravando a porta.
–Imaginei, mas estou com um pressentimento... disse se encostando na entrada da sala.
–Prossiga –pediu sentando-se a mesa, jogando a pasta e sobre a mesa.
–Ela levou a porcaria de um tiro... –ela entrou na sala e fechou a porta atrás de si. -Suponho que tenha feito todos os exames possíveis e imagináveis, então com certeza pode me dizer se ela tem alguma sequela.
–Sua suposição está certa... fiz todos os exames possíveis e imagináveis, os resultados sairão em breve, mas não posso passar nenhuma informação de primeira mão para você Santana... Sabe bem que a família...
–Porra de família, o pai dela não presta, Deus teve a audácia de dar juízo a ele, para trazê-lo aqui. Rachel e eu somos a família dela... Harold... você sabe disso melhor que todos nesse hospital!
–Eu sei! E você saberá junto com Russell, ele ainda é o parente aqui, mesmo que seja uma péssima pessoa, ele é o pai de Quinn... –rebateu debruçando-se obre a mesa.
–Harold...
–Srta. Lopez... –disse quando ouviu leves batidas a sua porta. –Por favor, entre!
–Dr. Smith, os exames que pediu com urgência já saíra, estamos esperando sua autorização para levar a Srta. Fabray para o quarto, ela está agitada perguntando pelo pai.
Santana olhou para Harold e depois saiu da sala. Ok, exames com urgência, tinha algo ali.
Ela preferiu não chegar nem perto dos amigos, sabia que sua cara não era das melhores, estava com medo de que algo tivesse dado realmente errado. Esperou pacientemente observando Harold andar de um lado para o outro naquele hospital, até que ele caminhou até os amigos e Russell. Ele a olhou e fez sinal para que se aproximasse.
–Fizemos alguns exames em Quinn, no geral ela está bem –deu uma pausa e pode ouvir os suspiros de alivio de Rachel e Kurt. –Como acabou de sair de um coma, ela tem sintomas e sequelas tratáveis na maioria dos casos.
–Que sequelas? –perguntou Russell impaciente.
–Ela não tem todas as funções motoras totalmente reestabelecidas, terá de fazer fisioterapia, mas isso é o mais simples de ser corrigido. O nosso “problema” – frisou a palavra formando aspas com os dedos. –é o fato de que ela não se lembra do incidente e de outras coisas, ela acha que estamos em Ohio. Isso é fruto do coágulo que não se dissolveu completamente, esperamos que os remédios o dissolvam, mas não sabemos a que nível o cérebro foi comprometido nesse sentido...
–Quinn não se lembra de nada, mas tem jeito de reverter, é isso? –perguntou Rachel se pondo de pé.
–Sim... espero que vocês sejam pacientes, não a deixem exausta, que expliquem o que aconteceu, que a ajudem a lembrar. Sei que alguns não se dão muito bem, mas pelo bem de Quinn, se controlem –disse olhando para Santana e Russell. –As enfermeiras já a levaram para o quarto, então, sejam o mais relaxados possíveis, se coloquem no lugar dela. Prevejo que em uma semana ela possa voltar para casa.
Dr. Smith deu as costas e se dirigiu para sua sala. Todos os presentes trocaram olhares atordoados.
–Certo... acho que eu devo ser o primeiro a ir vê-la... –disse Russell enfiando as mãos nos bolsos. –Se ela não se lembra de muita coisa do que aconteceu, deve se lembrar de mim... vivemos muito tempo juntos...
–Eu entro com você, eu também vivi muito com Quinn, nos conhecemos desde os dez anos, e com toda falta de respeito, não confio em você, não quero que deturpe a mente dela... –disse Santana se adiantando em direção ao quarto.
Oliver que tinha se abstido de tudo segurou a mão de Rachel sentindo que a amiga já tinha enfiado mil coisas na cabeça.
–Fique tranquila Barbra, sei que quer vê-la, mas dê tempo a ela –deu-lhe um beijo na têmpora e recebeu um sorriso de Rachel.
Eles chegaram ao quarto de Quinn e lá estava uma enfermeira a colocando sobre a cama, Russell se apressou e ajudou a coloca-la. A enfermeira se retirou e Quinn se pendurou no pescoço do pai, choramingando como uma criança de cinco anos. Rachel observou a cena e se afundou em lágrimas contra o peito de Kurt. Santana olhou para Rachel e entendeu. Ela estava morrendo de medo da possibilidade de ter sido apagada da vida de Quinn, tinham percorrido um caminho longo demais para terminar assim. Ela sentia o que Rachel sentia, não só por serem amigas ou conviverem muito, mas sim porque entendia o amor de Rachel e Quinn por ser tão semelhante ao que ela tinha com Brittany.
–Hey, Q! –disse quando ela se desvencilhou dos braços do pai, seus olhos vagaram perdidos por um segundo e Santana prendeu a respiração.
–San... –Quinn esticou os braços para ela, a latina disparou em seus braços a abraçando com força.
–Sua idiota! –murmurou deixando uma lagrima que havia sido presa por muito tempo descer pelo seu rosto. –Senti sua falta...
–Seu cabelo... tão longo... você está tão diferente... –resmungava com a voz ainda rouca.
–Todo pokemon evolui... –sorriu limpando a lágrima.
–Papai, onde está Frannie? E Mamãe?
–Frannie virá assim que puder... Sua mãe está viajando... –disse Santana antes que Russell se manifestasse.
–Muita coisa aconteceu, filha, você não se lembra, mas está tudo bem... nós vamos te ajudar... –disse passando a mão sobre a cabeça de Quinn.
–Dr. Smith me contou... que não vou lembrar de muita coisa... que pode ser passageiro...
–Sua mãe e eu nos separamos há algum tempo e ela está viajando pelo mundo ou algo assim, seus amigos tentaram entrar em contato com ela, mas não conseguiram...
–Oh... isso foi inesperado... –suspirou apoiando a cabeça no travesseiro. –E aquelas pessoas lá fora, elas vão fingir que eu não as vejo ou vão entrar?
–Acho que eles não deveriam entrar agora Q... –disse Santana.
–São seus colegas do McKinley... –resmungou Russell.
–Quero vê-los...
–Quinn... as coisas estão bem diferentes, é melhor que eu te atualize primeiro...
–Quem está ai? Puck? Finn? Onde está Finn? –perguntou se esticando para ver melhor as pessoas que estavam na porta. Seu olhar cruzou com o de Rachel, a morena sentiu pura alegria, na esperança de que a tivesse reconhecido. –O que Man Hands está fazendo aqui?
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