As If Magic Exists
11 Chapitre ♣ J
Notas iniciais
boa leitura, espero que gostem ♥
Obrigada por toda a ajuda, Aki ♥
Chapitre ♣ J
Chegamos à casa de Yutaka depois de uma caminhada rápida e silenciosa, durante a qual ele me fez ir comendo o pão que havia me dado, pois eu parecia magro e fraco demais pra caminhar no frio sem estar alimentado. Agradeci mais uma vez e tentei não demonstrar o quão desesperado de fome eu estava, comendo com calma.
Depois de descobrir em qual universidade ele estudava, julguei que ele fosse de uma família rica. Mas não era. Pelo menos não ao julgar pela casa modesta onde ele morava. Chegamos, e mal ele abriu a porta da frente e fomos surpreendidos por uma criança pequena saltitante.
– Kaaaaaaaaaai! – A menina gritou sorridente e imediatamente abraçou Yutaka na altura que alcançava.
– Olá, pequena. – A pegou nos braços sorrindo também e a abraçou apertado. – O Kai tem que estudar com o amigo dele hoje, ok? Amanhã eu brinco com você.
– Ah... ok. – Pareceu desapontada por um momento, mas então beijou o moreno no rosto e disse para ele dar o seu melhor. Depois notou minha presença e ficou mais tímida, parando de falar e apenas acenando um “oi” pra mim.
Tentei sorrir de volta. Não sei o que saiu, há muito tempo eu não sorria... Cheguei a ficar bobo vendo aquela demonstração de afeto entre os dois ali na minha frente. Quando a situação fica complicada você acaba esquecendo que também existem coisas bonitas no mundo.
Yutaka a colocou no chão e me levou até seu quarto, fechando a porta em seguida, parecendo ansioso.
– Minha irmã... – Explicou, com um breve sorriso. Pensei ver uma sombra de tristeza passando em seus olhos quando sorriu daquele jeito. – Certo, Kou. Termine de comer enquanto eu faço um chá pra nós. Sinta-se a vontade, e quando achar que estiver pronto, comece a me contar. Tudo.
Concordei com a cabeça, muito agradecido por tudo que ele estava fazendo por mim desde já. Permaneci ali sentado em sua cama, comendo enquanto esperava ele voltar com chá que tinha saído fazer, e senti que alguma coisa lá no fundo do meu coração estava morrendo de medo da sua reação quando eu contasse quem eu era. A única coisa que eu podia fazer era ter fé na nossa amizade e torcer pra dar tudo certo...
O mais novo voltou trazendo duas xícaras, e antes que me entregasse a minha as palavras já estavam saltando da minha boca, impulsionadas por meu coração acelerado.
– Eu não sei por onde começar. – Confessei.
Sentado na minha frente, ele me encarou e se inclinou para segurar minha mão por um instante, me dando coragem.
– Comece do começo. Ou de onde achar que deve. – Disse, tentando me passar confiança, mas viu que eu continuava confuso, então continuou. – Que tal começar pelo incêndio então?
– Tudo bem... – Respirei fundo. Hora de colocar tudo pra fora. Tudo que eu ficara remoendo sozinho durante aquele quase um mês. Eu sabia que podia confiar nele. Olhei no fundo de seus olhos castanhos e comecei a falar.
Contei que eu estava sozinho quando tudo aconteceu, que havia pegado no sono na biblioteca e quando acordei já estava tudo em chamas. Contei como eu consegui escapar. E aí a coisa apertou pra mim. Percebi que havia outra coisa que eu temia a reação dele se eu contasse. Sobre Yuu e eu sermos mais do que amigos.
Até agora ele havia ouvido em silêncio, com toda atenção, mas sem perguntar nada. Foi quando comecei a explicar as coisas de verdade.
– B-bem, eu na verdade... eu moro na biblioteca.
– Ah é? Emprego com moradia?
– Sim. Quer dizer, não exatamente, hm... Yutaka. Você sabe o quanto você é importante pra mim não é? Tem duas coisas sobre mim que eu tenho medo de lhe contar, medo da sua reação... – Admiti, sem jeito. Ele voltou a apertar minha mão na sua.
– Kouyou, você também é importante pra mim. Eu quero te ajudar! Pode me contar o que for, minha opinião sobre você não vai mudar. Eu prometo.
Concordei com a cabeça e juntei força pra contar o primeiro dos meus segredos.
– Obrigado, meu amigo... Por favor me ouça então, e não me julgue mal, eu lhe peço. Sabe meu chefe rabugento? Shiroyama Yuu, o dono da biblioteca?
– Ah, claro que sim, ele sempre me olha com uma cara tão feia que eu acho que não gosta de mim por algum motivo. O que tem ele?
– Não é nada pessoal as caras feias dele pra você, nem se importe, é só que ele tem... ciúmes. Hum... é que... nós dois temos um... relacionamento.
Silêncio. Eu estava extremamente desconfortável e sem jeito.
– O que você quer dizer com relacionamento...? – O outro perguntou, lentamente.
– Um relacionamento... amoroso.
Ele ficou chocado por um instante. Depois sua expressão se abrandou.
– Ah, isso explica muita coisa mesmo. – Riu baixinho. – Vocês são... namorados então?
– É, acho que sim... – Falei, constrangido. Eu realmente não sabia se podia nos dar aquele título, mas eu gostaria muito, pois batia com o nível dos meus sentimentos por ele. E... espere um momento... Kai havia aceitado aquilo!? – Não se incomoda com isso?
– De jeito nenhum! É diferente é claro, mas é lindo, deve ser bem complicado pra vocês, devem se amar muito pra combater todas as adversidades que isso traz... sinto uma invejinha apenas, afinal eu não encontrei ninguém pra mim ainda. – Deu de ombros.
Ah...! Eu queria abraça-lo e agradecê-lo tanto por isso! Por todo o apoio e compreensão que ninguém mais poderia me dar naquele momento.
– Muito obrigado! Muito, muito! – Agradeci com reverências. Então, percebi que para continuar a história eu também devia contar o outro segredo nesse momento... minha identidade. Isso seria mais complicado ainda.
– Kai (posso te chamar assim né?), você já ouviu falar no caso daquele mágico procurado por assassinato?
– Uruha? O ilusionista que tinha uma irmã gêmea? Mas é óbvio que sim! Fiz um trabalho inteiro sobre ele para a faculdade, tenho até uma defesa pra ele pronta aqui... por quê?
Foi a minha vez de ficar chocado. Qual o nível de improbabilidade disso? Infinito, eu aposto.
Pelo menos essa informação havia me deixado muito mais tranquilo.
– Hm... a questão é que... por favor não se assuste, mas... eu sou ele.
Acompanhei o assombro percorrer seu rosto. Os olhos se arregalando conforme ele assimilava a informação. A boca se abrindo lentamente.
– Você o quê?
– Eu sou Uruha. Eu era. Eu fugi aquela noite e quem me acolheu foi Yuu. Ele me deu um emprego, um teto, secou minhas lágrimas, me ensinou a ler e ganhou meu coração. Pelo o que você falou, deve saber então que eu não sou culpado de nada e que foi tudo um acidente... – Comentei com pesar.
– Meu deus! Mal consigo acreditar! Meu Kouyou, meu amigo... Uruha era você o tempo todo? Nossa...! – Comentou quase levantando e saindo dando pulinhos. – E, definitivamente você não tem culpa de nada. Já deduzo que você fugiu da biblioteca depois do incêndio porque certamente o inspetor Matsumoto estava por ali? Vou te contar uma coisa. Ninguém gosta desse cara. E, excluindo os que idolatram ele, ninguém concorda com os absurdos que ele faz. Caçar Uruha por aí, caçar você, é um exagero sem limites, todos sabem que foi um acidente infeliz, mas ninguém ousa falar nada porque não podem contrariar a opinião do supremo inspetor. O poder é dele, e enquanto ele continuar no seu trono ninguém vai ousar dizer um “ai” contra ele. Até hoje não entendo porque ele se precipitou tanto na sua sentença...
– Porque ele amava minha irmã.
–Aaaaaaah... – Chocado novamente. – Isso... isso realmente explica muita coisa... E então você fugiu do incêndio e foi pra onde?
– Pra minha velha casa. Pro que sobrou dela, pelo menos. Tenho vivido lá desde aquele dia, enquanto procurava por você, meu único amigo. Yuu está sendo vigiado e seguido então não podemos nos encontrar. Estávamos nos comunicando por mensagens improvisadas de vez em quando...
– Isso é terrível... – Pareceu chocado mais uma vez. Então se levantou e me abraçou apertado. – Minhas condolências sobre sua irmã, Kou...
O abracei de volta, feliz pelo carinho.
– Já estou melhor agora, obrigado...
Terminei de contar minha história e expliquei que precisava de sua ajuda para voltar pro Yuu e minha verdadeira casa.
– Você pode ficar aqui o quanto quiser. E eu prometo ajudar vocês. Sou grato por ter confiado em mim e contado tudo isso... Eu que preciso agradecer. Quero te contar sobre a minha vida também, pra que você possa confiar completamente em mim.
– Não precisa fazer isso se não quiser, eu confio em você.
– Mas eu quero... por favor ouça, eu preciso contar isso pra alguém... agora que eu sei pelo que você já passou quero que saiba pelo o que eu passo também, pra que me conheça melhor... – Ele baixou o tom de voz e se aproximou. – Lembra aquela vez que eu não estava bem e fui à biblioteca pedir um abraço seu? É sobre isso... naquela época eu não quis te contar o que era, tinha medo que fosse me julgar...
– Agradeço por confiar em mim também. Pode contar, eu também quero te ajudar como puder...
Yutaka concordou com a cabeça e foi sua fez de fazer revelações. Ficou em silêncio por um tempo, parecia estar tentando encontrar as palavras certas. Eu sabia exatamente como ele estava se sentindo... e estava curioso para saber o que o deixava tão mal, como daquela vez...
Então ele me contou me mostrando, não falando. Puxou a manga da camisa até o cotovelo. Assustei-me ao ver que seu braço estava cheio de machucados e manchas.
– Meu deus, Kai..!
– Meu padastro... ele bate em mim. Meu corpo inteiro é assim. – Sua voz não passava de um sussurro agora, enquanto puxava a manga de volta, tapando aquela visão que o atormentava. – Minha mãe sabe e não faz nada.
– Mas... por que você não faz nada? Devia denunciar ele ou alguma coisa assim... – Comentei, ainda surpreso. Não conseguia aceitar que uma família que tinha uma casa, comida, tudo que poderia desejar, vivia desse jeito, com um monstro em seu lar. Eu não conseguia entender como uma pessoa com uma família completa poderia fazer esse tipo de coisa... Para mim, o amor dentro de um lar é o maior de todos, era um absurdo ver meu amigo passar por aquele tipo de coisa, doía em mim também.
– Meu pai faleceu quando eu tinha 10 anos... eu tive que crescer sem um pai, e não quero que minha irmã passe por isso também, eu sei que ele não tocaria nela, também sei que ele não é o pai ideal, mas... não quero que ela cresça como eu...
Agora ele estava sentado ao meu lado, e encostou a cabeça no meu ombro.
Eu estava assustado com a sua bravura, por ele estar fazendo aquilo por sua irmã, e, pensando melhor, soube que eu teria feito a mesma coisa no seu lugar.
– Ele faz coisas piores também, Kou... – Pela sua voz eu soube que estava chorando e tentando disfarçar.
O segurei pelos ombros, delicadamente o levantando, e então o abracei propriamente. Sua dor era minha dor. Eu sabia muito bem pelo o que ele estava passando.
– Eu já tive que passar por isso também... não com alguém da “família” é claro, mas sei o que você está sentindo Yutaka, e admiro sua nobreza...
Ele não falou nada, apenas apertou o abraço, tentando controlar as lágrimas silenciosas. Eu mesmo não consegui me segurar. Por tudo o que já havia acontecido e estava acontecendo, por mim, por Yuu, por Kai, e por tudo estar indo para o caminho certo agora. Eu aceitava seu argumento pra não parar com a violência que ele tinha que aguentar quieto, mas não sabia se concordava. Era uma questão muito difícil...
Consolamos um ao outro naquele abraço, sem precisar dizer nada.
Ele me deu tudo que precisava: comida, um lugar pra dormir, e uma banheira cheia de água quente para eu tomar um bom banho, coisa que não fazia há muito tempo.
Eu precisava ficar apenas no seu quarto e só sair quando não houvesse ninguém em casa. Yutaka estava mais ou menos me escondendo ali, mas era como se sua família realmente não se importasse. Nunca os encontrei de frente por mais do que um vislumbre, mas ouvia suas vozes o tempo todo, geralmente gritando ou brigando.
Durante a manhã, quando Kai saía para a faculdade, eu ficava brincando com a sua irmã. Ela era a única pessoa na casa que notava minha existência ou sequer se importava com isso. Com o tempo ela passou a gostar de mim e perdeu a vergonha, vindo me chamar pra brincar.
Quando menos percebi, estava fazendo pequenos truques de mágica pra ela. A menina ficava encantada, com os olhinhos brilhando e um lindo sorriso no rosto quando eu fazia sua bolinha preferida desaparecer e reaparecer diante de seus olhos.
E pela primeira vez em meses, eu não me senti culpado por estar fazendo o que eu sempre amei fazer. Ela me incentivava e pedia mais e mais truques, e eu me lembrei como os sorrisos que eu ganhava em troca faziam tudo valer a pena. Enquanto fossem coisas bobas e simples, sem nenhum risco, estaria tudo bem.
Foi um pouco complicado me convencer disso, na minha cabeça ainda havia muito medo pelo acidente, um conflito interno, já que ao mesmo tempo eu estava com muita saudade de me sentir útil fazendo alguma coisa. E é claro que no fundo eu sabia que aquele medo era irracional, eu sabia que alegrar crianças brincando com uma bola, cartas ou lenços coloridos não machucaria ninguém. A culpa disso é do trauma que ficou em mim, que me deixava tremendo só de pensar em ir para um palco novamente, e que agora aquela menina estava me ajudando a superar.
À tarde, quando ela ia para a escola e Kai estava trabalhando, eu também saía. Discretamente, é claro, apenas para respirar um ar puro e tomar um pouco de sol (Yutaka quem mandou, disse que eu estava muito branquelo, mas eu sou assim mesmo). E à noite, quando Kai finalmente voltava pra casa, ficávamos conversando. Ele me trouxe alguns livros uma vez, mas eram muito difíceis pra mim, eu preferia ler os livros infantis da sua irmã, eram menos cansativos para quem ainda estava pegando o jeito e tinha problemas com palavras complicadas.
Algumas vezes, Kai não voltava pro quarto, de noite. Eu ouvia gritos ao longe e tapava os ouvidos para não ter que ouvir aquilo, rezando para que a pequena Mio já estivesse dormindo e não ouvisse nada também. Eu esperava acordado, e uma hora depois ele aparecia de volta, quase desabando, todo machucado. Eu não sabia como que uma pessoa que sofria tanto podia ser tão forte e ter um coração tão bom. Ele voltava pro quarto e eu oferecia um abraço, que ele aceitava sem pensar duas vezes e geralmente acabava chorando no meu ombro, até conseguir o acalmar, afinal ele precisava dormir, tinha que acordar cedo todos os dias...
No dia seguinte ele sempre estava bem, como se nada tivesse acontecido. Sorria pra mim afirmando que estava ótimo, mesmo que eu soubesse o quão machucado e dolorido ele estava. Yutaka era uma pessoa incrível. Fazia tudo pela felicidade da Mio e pela minha também.
Kai contou que se formaria dali um ano, que seu sonho era ser advogado para seguir a carreira de seu pai, e prometeu que conseguiria um julgamento pra mim e limparia meu nome. Ele era simplesmente incrível. Me emocionava só de prometer essas coisas, só pela sua intenção de me ajudar. Já era um milagre ter Yuu na minha vida, ter outra pessoa em quem confiar então, era uma dádiva.
Eu gostava muito da companhia do meu amigo e da sua irmãzinha, mas a saudade de Yuu estava me corroendo. Então Kai me deu o melhor presente que eu poderia querer no momento: entrou em contato com Yuu cautelosamente e conseguiu marcar um encontro secreto pra nós. Eu já devia tanto a ele que nunca poderia pagar por tudo que ele estava fazendo por mim...
Sempre em lugares diferentes e públicos, em horários diferentes, uma vez por semana, eu e Yuu podíamos nos encontrar e passar um tempo juntos. Era pouco, mas era o suficiente para eu não enlouquecer. Os guardas do inspetor continuavam o vigiando como se testando sua paciência e esperando ele se descuidar e acabar nos entregando sem querer. Por isso continuávamos sendo muito cuidadosos, e eu ainda não podia voltar pra sua casa.
Não preciso nem dizer a emoção que foi reencontrar meu anjo. Nos abraçamos por um longo tempo e então ele encheu meu rosto de beijos. Mal podia acreditar que era verdade. Não podíamos nos dar o luxo de ficar muito tempo juntos em lugares razoavelmente públicos, só tínhamos em torno de uma hora por encontro, então a aproveitávamos muito bem. Geralmente era na própria padaria em que Kai trabalhava durante a tarde (ele fazia estágio no final de semana, precisava trabalhar ali porque precisava do dinheiro pra ajudar a família a pagar dívidas). Claro que não podíamos demonstrar afeto se houvesse pessoas ao redor, mas antes de nos despedirmos sempre encontrávamos um canto com privacidade para um beijo longo e apaixonado cheio de saudade.
Enquanto essa situação não se resolvia, ele havia arrumado um emprego no jornal da cidade como crítico literário, então toda vez que Kai me trazia um jornal eu corria ler sua coluna, mesmo que eu não entendesse sobre o que ele estava falando, queria muito ler suas palavras e me sentir em sua companhia.
Não havia nada que pudéssemos fazer, além de esperar.
E esperamos. Por três meses.
Foi quando o último guarda finalmente abandonou seu posto de vigia, quando o último homem que seguia Yuu na rua sumiu. Esperamos mais uma semana pra ter certeza, e garantir que não era uma emboscada, uma falsa ilusão de “encerramos as investigações, você está liberado para continuar sua vidinha chata que não valeu a pena observar por tanto tempo”.
Três longos meses, mas pelo menos eu podia ver Yuu uma vez por semana, e só vê-lo já enchia meu coração de alegria, só poder olhar no fundo dos seus olhos, prometer que ia ficar tudo bem e mostrar o quanto de saudade eu estava sentindo... Essa distância de jeito nenhum enfraqueceu nossos laços, apenas os fortaleceu. Eu lutaria contra tudo e contra todos pra ficar com ele, enquanto ele ainda me quisesse.
E então, finalmente o grande dia chegou. O dia de voltar pra minha verdadeira casa.
– Nem sei como te agradecer... – Comecei a tentar expressar meus sentimentos para Yutaka, enquanto ele me escoltava até a casa de Yuu, atento a qualquer imprevisto.
– Já disse que você não precisa agradecer Kou, você não me deve nada. Sua amizade e apoio são mais do que eu preciso... e fico sempre muito feliz em poder te ajudar.
Com o coração batendo tão forte que doía, bati na porta, e assim que ela se abriu entramos rapidamente. Pronto. Estava tudo resolvido. Tudo de volta ao normal. Finalmente, depois dos quatro meses que se seguiram da noite do incêndio, eu estava de volta ao meu lar.
Uma vez estando do lado de dentro da casa e em segurança, agarrei Yuu, o esmagando num abraço, rindo. Mal estava acreditando que eu estava ali, na minha verdadeira casa, tanto tempo depois... Agora não teríamos mais problemas, o inspetor acha que eu morri e está tudo bem..!
– Eu não sei nem o que dizer... – Yuu, depois que eu o soltei, se virou para Yutaka que observava a cena sorrindo. Adiantou-se e apertou sua mão com suas duas, tão agradecido quanto eu.
– Apareça pra jantar sempre que quiser. Venha nos visitar a qualquer hora. É uma honra ter alguém como você como amigo, Yutaka. – Meu moreno falou, olhando-o nos olhos. – Qualquer coisa que precisar, qualquer coisa, é só vir aqui com a gente.
– Muito obrigado. – O outro respondeu, sem jeito. Ele ainda se sentia meio inseguro com o Yuu, por causa dos ataques de ciúmes de antigamente.
– É verdade, Kai. – Concordei, colocando uma mão em seu ombro gentilmente. – Sempre que precisar, venha. Não fique sozinho. – Ele soube do que eu estava falando e concordou com a cabeça, agradecido.
– Bem, hora de eu ir ou vou me atrasar. – Falou após conferir seu relógio de bolso. – Agora posso ficar tranquilo sabendo que meu casal preferido finalmente está bem de novo.
Sorriu seu melhor sorriso com covinhas e se despediu, prometendo vir nos visitar assim que pudesse.
Ficamos sozinhos. No silêncio da casa, da nossa casa, apenas nós dois, com os olhos fixos um no outro. Eu transpirava alegria por todos os meus poros, mal contendo um sorriso enorme, a felicidade do momento inundando meu coração. Uma sensação deliciosa de segurança tomou conta de mim, eu me sentia quase brilhando.
Nos abraçamos tão forte que nada naquele momento poderia ter nos separado. Eu mesmo não queria soltá-lo, nunca mais, queria mantê-lo protegido nos meus braços para sempre, junto a mim, sentindo seu coração batendo contra o meu, ambos acelerados.
– Bem vindo de volta. – Ele falou em meu ouvido, ainda me abraçando.
Ri com o rosto afundado em seu pescoço, no cheiro maravilhoso de sua pele e seus cabelos.
– Nem parece verdade... – Ri baixinho, realizado. – Não acredito que estou de volta, e com você nos meus braços, sem precisar me esconder, sem precisar ficar longe de você... Parece um sonho, ah, Yuu, eu te amo tanto...
O abracei mais forte, meio surpreso por ter falado aquelas palavras pela primeira vez, e por perceber o quanto elas eram verdadeiras.
– Não é um sonho, é verdade Kou... – Ele falou sorrindo. – Eu também te amo, muito...
Me tomou de surpresa num beijo, seus lábios carinhosos pressionados contra os meus, calmamente, apaixonadamente.
Antes que eu retomasse a consciência para notar qualquer coisa que não fosse seu toque quente e suave, estávamos no quarto. A calma havia dado lugar à pressa ao passo que a necessidade ia surgindo mutuamente. Nada mais importava, nenhuma palavra era necessária, o desejo surgira naturalmente com a saudade de sua boca, e eu havia sonhado tanto com esse momento nos últimos meses...
Seus lábios famintos percorriam meu pescoço, enquanto minhas mãos deslizavam por seu corpo. Nossos olhos se encontrando sempre que possível, seguidos de um sorriso cúmplice. Ele desejava aquilo tanto quanto eu, e essa seria uma maravilhosa comemoração de boas vindas.
– Yuu... eu estava morrendo de saudade... – Murmurei seu ouvido enquanto minhas mãos deslizavam por baixo de sua camisa.
Ele sorriu daquele jeito safado que o deixava ainda mais lindo que o normal.
–Eu também... – Sussurrou em meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha em seguida, me arrancando um gemido baixinho. Riu em meu ouvido ao descobrir meu ponto fraco, o que fez eu me contorcer ainda mais.
Retruquei apertando suas coxas com força, o deitando na cama.
Quando percebi, já estava tirando suas roupas.
E, naquela noite, nos amamos por completo pela primeira vez.
。。Yuu 。。
É claro que eu poderia passar páginas e mais páginas falando sobre como eu estava com saudade de Kouyou, sobre como foi difícil viver aquele período de tempo sem ele e com toda a insegurança do perigo que estávamos correndo ao nos arriscar a nos encontrar, e sobre como aquela noite foi maravilhosa e muito melhor do que eu sempre havia sonhado. Sim, eu poderia. Mas vocês já ouviram tudo isso dele e podem apostar que eu estava sentindo a mesma coisa, e não quero ter que repetir tudo de novo, afinal há muitas coisas mais pra contar e eu estou ansioso por elas. Elas me deixam nervoso até hoje e eu preciso colocar logo pra fora, nessas amadoras palavras que estou registrando aqui.
Como disse um de meus autores favoritos — “É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar”¹.
Então me perdoem, por favor, obrigado, por pular os momentos felizes e ir direto para quando a situação voltou a complicar.
Porque, é claro, Kouyou achava que estava tudo bem agora, mas não estava, de jeito nenhum. Pelos meus cálculos, seu sobrinho poderia nascer a qualquer hora a partir dessa semana, e Akira nunca mais havia aparecido pra falar comigo. Teria Matsumoto descoberto que ele entrara em contato comigo? Ou estaria apenas mantendo ele preso em casa? Ou quem sabe ela estava tão frágil que precisava de companhia o tempo todo, e eles não podiam arriscar não estarem os dois em casa quando o bebê resolvesse nascer?
Eu não tinha como saber, só sabia que eu precisava falar com ele assim que possível, ou seria tarde demais. E esconder aquilo de Kouyou estava me matando por dentro. Um dia ele me pediu para levá-lo no cemitério visitar sua irmã e levar flores pra ela. Ele me disse que estava melhor sobre isso agora e começando a aceitar a ausência dela, e que estava pronto para ir lá. Que queria dizer algumas palavras pra ela porque sabia que ela as ouviria de onde quer que estivesse.
Me doeu tanto não poder contar ainda a verdade pra ele. Tive que inventar uma desculpa e disse que não sabia em qual cemitério ela estava. No fundo eu sabia que não podia contar, mesmo que metade de mim estivesse lutando pra contar logo pra ele independente do que fosse acontecer.
Como eu iria encontrar o mordomo? Não podia ir até a casa do inspetor, seria suicídio. Ele poderia desconfiar ou poderia me chutar pra fora de seu capacho só por, sei lá, estar sujando sua residência com meu sangue nojento de bichinha sofredora, pobre e viúva e transmitisse minha “doença” pra ele só por chegar perto e blábláblá.
Então só me restava esperar ele aparecer, aguentando aquele aperto no peito sabendo que a cada dia que passava o fim dela chegava mais perto, que a qualquer momento a bomba poderia explodir e não haveria nada que eu pudesse fazer. E se isso acontecesse, eu havia decidido, eu não contaria nada para Kouyou. Nunca. Se eu contasse, ele afundaria novamente e nem eu seria capaz de erguê-lo de novo. Talvez um dia, daqui muitos anos, mas só quando eu soubesse que ele teria forças para suportar a notícia.
Se não fosse isso, é claro, nossa vida estaria perfeita. Meu Kouyou estava mais radiante do que nunca e estávamos planejando juntos o que fazer com o que havia sobrado da biblioteca, e se era possível construir alguma coisa no terreno com o dinheiro que eu tinha guardado. Tomamos muitos banhos juntos e nos amamos muitas vezes. Cozinhamos juntos e dançamos juntos. Nos irritamos um com o outro e fizemos as pazes novamente. Ele estava lendo os livros que eu tinha em casa enquanto eu trabalhava escrevendo para o jornal. Yutaka vinha nos visitar e tínhamos ótimos momentos juntos. E Kouyou havia me surpreendido ao me dar uma rosa que havia surgido do nada em sua mão.
Fiquei muito surpreso, olhando para ele com os olhos arregalados, mal conseguindo acreditar, e então ele também notou. Havia feito uma mágica pra mim sem se torturar por isso, e tão naturalmente que pra ele era como respirar. Uruha estava voltando. Meu Kouyou estava finalmente se recuperando do choque do acidente e voltando ser a ele mesmo, o homem que fazia todos sorrirem sem pedir nada em troca, o homem por quem eu havia me apaixonado sem nunca ter falado com ele diretamente.
Sorri abertamente naquele momento e o abracei muito forte, tão feliz. Ele não disse nada, tímido, mas sorria também. Pedi que fizesse mais um truque. Kouyou hesitou um pouco, pensativo, mas pegou uma moeda e fez maravilhas com ela, como nos velhos tempos, me deixando encantado, hipnotizado com suas mãos habilidosas fazendo suas mágicas.
Ele me contou sobre a irmã de Yutaka e como ela havia o feito perder o medo e recuperar o amor pelo o que sabia fazer. Incentivei-o a voltar pra sua profissão, mas ele negou dizendo que ainda não estava pronto pra isso, seria um grande passo e ainda demoraria pra ele se permitir fazer truques maiores e para pessoas desconhecidas.
– Então treine comigo. Me surpreenda com alguma coisa todos dias, e aos poucos vai voltar a se sentir bem. – Eu disse a ele.
– Tudo bem... vou tentar. – Ele sorriu sem jeito, um pouco envergonhado. – Obrigado pelo apoio, Yuu...
– Não precisa agradecer, meu amor... – Depositei um beijo em sua testa. O loiro suspirou, se aconchegando em mim para dormir. Estávamos conversando na cama no escuro como eu amava fazer, mesmo que agora já não tivesse muita vergonha dele.
Em pouco tempo adormecemos, e eu achei que fosse dormir feito uma pedra pelo resto da noite, mas no meio da madrugada um barulho insistente me despertou. Tentei dormir de novo. Não consegui, o barulho não parava. Teria ficado alguma janela aberta lá embaixo e estava batendo com o vento? Não queria de jeito nenhum levantar daquela cama quentinha e sair dos braços do meu amado, mas não conseguiria dormir se aquele barulho irritante não parasse.
Me arrastei dali me odiando por isso, estava tão frio, e desci as escadas seguindo o barulho.
Não era uma janela.
Alguém estava batendo na porta, e parecia que não ia desistir tão cedo.
Quem poderia ser? Meu coração começou a saltar em peito. Só podia ser uma pessoa. E rezo para que traga boas notícias e não o contrário.
– Akira? – Perguntei, abrindo a porta.
– Finalmente, estou congelando... – Mal estava reconhecível, todo enrolado em roupas para aguentar o frio da rua. Entrou rapidamente e ele mesmo fechou a porta.
– Finalmente digo eu. – Respondi, ansioso, mas falando baixo para não acordar Kouyou lá em cima no quarto.
– Não tenho muito tempo, vou direto ao ponto. Há dias estou tentando vir falar com você, mas é impossível, então resolvi vir de madrugada, e aqui estou. Não preciso dizer que não temos mais tempo, certo? Estou tentando montar um plano decente, e me parece que o único jeito é eu tirar o inspetor de casa e nesse tempo você levar Kouyou lá. Ela está bem, mas diz que sabe que não vai poder criar sua criança, que não vai viver pra isso. Temos que fazer os movimentos nesse final de semana.
– Ok. No que você pensou?
– Às duas horas da tarde de sábado ele vai ao barbeiro cortar o cabelo. Geralmente demora uma hora ou mais. É a nossa chance. Ultimamente ele vive agarrado na Aiko e não me deixa tempo nem de respirar de tanto trabalho que arranja para eu fazer. Talvez seja a única chance que teremos, então é bom que dê tudo certo. Às duas horas, estejam no café no outro quarteirão, de onde dá pra avistar a casa. Não tem problema, ele vai pela outra rua na direção contrária. Quando eu aparecer na janela do primeiro andar, venham e entrem, deixarei a porta aberta.
– Entendi. – Já estava ansioso por aquilo. Não podia dar errado, era só não nos demorarmos muito. Valia correr o risco pela felicidade que os gêmeos teriam ao se reencontrar.
– Se eu não aparecer na janela, NÃO venham, porque alguma coisa deu errado. Espero que isso não aconteça, mas devemos nos preparar para o pior.
– Certo. Se algo der errado, a gente sai correndo. E como ela está..? Quer dizer, quanto tempo você acha que ainda vai demorar..?
– Não faço ideia. Pode ser a qualquer momento. Pode estar acontecendo nesse exato momento, aliás, e eu estou morto se não estiver de volta em casa imediatamente, nesse caso. O problema é que não vamos saber com antecedência porque ela não vai sentir as contrações. Vai ser muito complicado. Ela não tem como fazer força. Tenho até medo que o bebê não... não...
– Shhh. – O calei. – Não diga isso. Nem sequer pense nisso. Vai ficar tudo bem, tem de ficar.
Nos encaramos por alguns momentos. Ele estava assustado, mas estava tentando se manter forte aguentando aquela pressão sozinho. Ninguém o entendia melhor do que eu, afinal eu estava passando exatamente pela mesma coisa.
– Então, está tudo combinado. – Concluiu. – Devo ir. Até sábado então, Shiroyama. Duas horas. – Ofereceu sua mão, e eu a apertei com força.
– Duas horas. – Confirmei. – Boa sorte para nós todos.
Ele concordou com a cabeça me lançando mais um olhar de confiança, e foi embora.
Voltei para cama. Por sorte, Kouyou não acordara.
Demorei muito pra voltar a dormir. Minha cabeça estava à mil repassando o plano e procurando falhas, já me enchendo de nervosismo e tentando controlar a vontade de contar tudo pro loiro.
Se eu conseguir guardar segredo, vai ser a melhor surpresa que ele vai ter na vida, é, vai sim. Vai valer a pena, porque vai dar tudo certo, é claro.
。。Aiko 。。
Quando Akira me disse que Takanori (finalmente!) ia sair por um tempo hoje, quase gritei de alegria. Não aguentava mais aquele homem e sua companhia desagradável o dia inteiro todos os dias, encarando minha barriga como se fosse uma bomba. Não aguentava mais ele me mantendo longe de Akira o tempo todo.
Hoje então eu teria uma abençoada tarde livre com meu amado, que cuidava de mim com carinho e não com o olhar maníaco que às vezes o outro deixava transparecer. Que saudades do tempo em que o baixinho ignorava minha existência e passava o dia fora de casa...
Infelizmente aquela tarde de sábado não foi exatamente como eu queria, conversando, tomando chá e rindo em paz com meu Akira. Ele não parava quieto, caminhando pela casa. Tinha me dito que só ia acompanhar o inspetor até a porta, mas demorou tanto pra isso, e depois não parava de entrar e sair do quarto, inquieto. Estava desperdiçando nosso precioso tempo sozinhos, afinal já fazia uns bons 20min. que Takanori havia saído pra cortar o cortar o cabelo e Akira estava passeando pela casa e espiando pela porta e pelas janelas feito um louco.
– O que você está fazendo, Akira? – Indaguei, curiosa. Ele apareceu na porta.
– Esperando. Uma coisa, hã... – Conferiu seu relógio novamente, como estava fazendo à cada minuto. – Eu já venho, Ai. É só... uma surpresa. Um presente pra você, que eu já queria ter te dado há muito tempo.
Ele sorriu, parecendo contente, mas tão cansado ao mesmo tempo. Meu coração deu um salto, me deixando imediatamente ansiosa. Um presente pra mim? O que poderia ser?
O loiro conferiu o relógio novamente e balançou a cabeça murmurando pra si mesmo “acho que agora, é” então atravessou o quarto e abriu rapidamente a janela que dava pra rua, colocando a cabeça pra fora, olhando para algum lugar específico.
De lado, o vi sorrir para alguém ao longe e acenar com as mãos, mas então seu sorriso se desmanchou ao olhar para o lado e ele mudou completamente de comportamento. Começou a abanar pra pessoa com quem estava se comunicando e fez um sinal de X com os braços, desesperado pra deixar o sinal claro. Então bateu a janela com força e saiu correndo do quarto.
O que diabos estava acontecendo? Posso arriscar concluir que seja lá o que ele estava tramando não havia dado certo?
Quando ouvi a voz de Takanori no corredor, com um gemido de desgosto, tive certeza disso. Por algum motivo ele havia voltado mais cedo pra casa e pelo jeito isso impedia Akira de me dar o presente.
Os dois entraram no quarto, Takanori não parava de falar, como sempre, e me conformei que meu dia estava estragado. Nada de tempo livre com meu melhor amigo e nada de presente.
– Olá minha querida, veja só quem já voltou pra você. – Matsumoto sorriu e se adiantou até minha cama para me dar um beijo na testa. – Dá para acreditar que o Sr. Toren está de férias? Pois é, encontrei um conhecido no caminho e ele me contou. Então não perdi tempo e voltei pra casa. Semana que vem eu vou lá.
Akira estava parado na porta na sua posição de “aguardando ordens”, olhando pro nada com uma cara de enterro. Ao ouvir as palavras “semana que vem”, ele olhou pra mim e piscou um olho confidente.
Eu não me importava com presente nenhum, só queria ver meu Kira-Kira feliz... Não só hoje, mas na última semana ele parecia estar tão exausto e estressado...
Ignorei a falação infindável do baixinho que já estava sentado na cama ao meu lado segurando minha mão. Quando fez uma pausa, Akira pigarreou e pediu se podia se retirar.
– Mas é claro que sim, nem sei o que ainda está fazendo aí. – O mais baixo respondeu, estúpido como só ele sabia ser.
– Vou colocar o lixo pra fora então, senhor, senhora, com licença. – Fez uma rápida reverência e se retirou com pressa.
Estaria ele indo correndo lá fora só pra conversar com a pessoa com que estava se comunicando antes pela janela? Talvez essa pessoa estivesse trazendo meu presente, é, deve ser isso...
Fosse o que fosse eu já estava muito feliz por Akira se esforçar tanto por mim. Eu esperaria ansiosamente pela semana que vem, assim como estava esperando pela vinda do bebê.
。。Yuu 。。
Como você pôde ver, do ponto de vista menos doloroso que eu pude colocar, nosso plano não deu certo.
Marcamos de tentar de novo na semana que vem, no dia em que o inspetor afirmou que realmente iria fazer o que tinha que fazer, ficando fora tempo o suficiente pra todo mundo sair ganhando. Kouyou, é claro, não estava sabendo de nada, achava que aquele dia eu só havia o levado pra passear.
Mas receio ter de lhe dizer que os gêmeos não voltaram a se encontrar. Antes que tivessem essa oportunidade, a morte se colocou em seu caminho.
Notas finais
Olá pessoal...
Me desculpem pela demora gigantesca, mas eu estava num hiatos terrível depois de passar por muita coisa ruim, desde problemas na família à morte de uma amiga, e ainda estou passando por um momento difícil...
Além de tudo agora eu trabalho a tarde inteira e então só tenho poucas horas livres por dia, sendo que quando chego no pc de noite já to explodindo de dor de cabeça e mal consigo ler ou escrever
Se vocês ainda gostam da história continuem me ajudando, comentem se quiserem e agradeço muito por isso, vou fazer todo o possível pro próximo capítulo não demorar
Viram que vão ser 14, e não 13? Pois é, esse capítulo teve que ser dividido ou ia dar 30 páginas G_G
Pros que não estão gostando, me perdoem, mas é o melhor que posso fazer no momento
Pros que estão gostando, continuem me incentivando e me cobrando no twitter por favor ♥
Ps: não estranhem a narração direta do Yuu, depois vão ficar sabendo que ele escreveu a história deles como um livro, então é por isso.
Ps: não adiantar criticar nada sobre o Kai porque ele não é inventado, é baseado em uma pessoa real, as decisões e tudo mais
E aí, o que acharam desse?
03.09.2012 Hoku
Longos dias e belas noites.
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