As If Magic Exists

12 Chapitre ♥ Q


Notas iniciais
meu capítulo preferido, estava tão ansiosa por ele
boa leitura ~ ♥
Obrigada por toda a ajuda novamente, minha Aki ♥

Chapitre ♥ Q

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。。Akira 。。

É meu dever narrar essa parte da história. Ninguém mais que esteve lá naquele dia teria condições de contar o que aconteceu. Afinal, Aiko não está mais aqui e Takanori enlouqueceu completamente.

Não que seja de todo triste, a chegada de uma nova vida é sempre uma alegria, não importam as circunstâncias.

Como a maioria dos problemas que acontecem, foi por não termos nos preparado para uma única coisa, talvez a mais perigosa delas – o elemento surpresa. Mas como teríamos nos preparado?

Ninguém teria como saber que, aos oito meses de conturbada gravidez, o trabalho de parto começaria justamente no dia anterior à data do encontro que eu e Yuu havíamos remarcado. Sobre isso, nada pode ser feito agora. Lágrimas não vão trazer ela de volta e outras lágrimas não devem destruir Kouyou ao contar o que ocorreu naquele dia.

Sexta-feira à tarde. Takanori já havia saído e dado uma passada rápida na delegacia resolver alguns problemas, e já estava de volta, almoçando. Nesse meio tempo que tive, saí comprar algumas flores para Aiko. Fazia dias que ela não ganhava nada e eu queria animá-la e deixar seu quarto mais bonito. Corri até a floricultura do outro lado da rua e escolhi um lindo vaso de violetas para ela. Eram perfeitas e cheiravam muito bem, e o sorriso que recebi de volta ao lhe entregar elas foi mais lindo que qualquer flor do mundo.

– Obrigada Aki... elas são incríveis... valeu a pena esperar.

Takanori podia dar buquês muito maiores e caros pra ela mas eu sabia que ela gostava de qualquer gesto meu mil vezes mais do que as tentativas dele de agradá-la.

– Esperar? Mas esse não é o seu “Presente”! Esse vem amanhã. – Sorri, ansioso.

– Não é? – Ela corou ligeiramente, ficando tão adorável. – Não precisa me mimar tanto, seu bobinho...

Ela sorriu sem jeito e naquele momento algo tocou meu coração. Uma vontade súbita de lhe contar tudo. Alguma coisa me dizendo que aquela era a hora certa.

Bem... e por que não? Estaria tudo bem em deixa-la ansiosa hoje, afinal faltavam pouco mais de 24 horas. E ela estaria livre do choque, que eu não queria que causasse mal ao bebê.

– Que foi, docinho? – Perguntou preocupada diante do meu silêncio pensativo.

– Eu... – Respirei fundo. – Eu tenho uma coisa para lhe contar... Que eu queria ter lhe contado há muito tempo, mas o momento certo só chegou agora...

Ela respirou fundo também, parecendo ansiosa. Organizei rapidamente as falas na minha cabeça para que me não demorasse muito e ela ficasse pensando algo sobre eu ter passado a amar ela, o que, no sentido que ela desejava, não seria verdade.

Olhei nervoso para a porta do quarto que estava fechada e rezei para que meu mestre demorasse para comer e não voltasse tão cedo.

– Aiko... – Segurei suas mãos com força. Não que para ela significasse alguma coisa, ela não sentiria aquele toque, mas eu necessitava disso. Seus olhos dourados estavam grudados nos meus, esperando que eu falasse. Tão cheios de esperança que quase me doeu não ter contado antes. – Takanori mentiu pra você.

– Novidade... – Resmungou, mas sem tirar os olhos dos meus. – Sobre o que ele mentiu..?

– Sobre seu irmão.

Juro que pude sentir o arrepiou que lhe percorreu o corpo inteiro naquele momento. Segurei suas mãos com mais carinho ainda e pedi para ela que respirasse fundo.

– Sim, é isso que você está pensando. – Antes que eu sequer contasse, lágrimas já estavam escorrendo por seu rosto. – Kouyou está vivo.

Ela desabou num soluço baixinho, e seus olhos brilhavam, não apenas pelas lágrimas, mas de... felicidade.

– Akira... meu deus... eu... ah... – Tentou falar alguma coisa e fracassou. Sequei seus olhos com um lenço, tão comovido com a cena que estava quase chorando também.

– Shh... – Sussurrei enquanto a apertei num abraço, torcendo para que Takanori não ouvisse seu choro. – Sim querida, ele está vivo, e muito bem, encontrou o amor e os dois estão vivendo juntos numa casa, muito felizes.

Aiko chorou com mais intensidade ainda ao ouvir aquilo, sem conseguir conter um sorriso.

– Oh... Aki... eu estou tão feliz! Tão feliz! – Falou enquanto ainda chorava em meu ombro.

A afastei lentamente para secar seu rosto novamente. Sua felicidade havia me contagiado e eu estava sorrindo também.

– Desculpa por não ter contado antes, mas foi pelo bem da criança... não queria que você entrasse em estado de choque e acontece algum mal à ela...

–Não tem problema nenhum, o importante é que você me contou, e eu serei eternamente grata a você por isso... – Ela continuava sorrindo em meio às lágrimas, pediu para que eu me aproximasse e beijou todo o meu rosto. – Você é um anjo Akira, realmente...

– Pois é, ele é o seu presente, que vai vir te visitar amanhã quando o baixinho sair...

De novo ela não conseguiu conter o sorriso gigante gritinhos de alegria.

– Mas o problema é que... e foi aí que Takanori mentiu de novo... ele não sabe que você está viva. Acha que você morreu no dia do acidente e Takanori disse a todos que ele era seu assassino e ele está sendo procurado pela polícia até hoje.

Se eu ia contar, tinha que contar a história inteira, não é?

Assisti seu sorriso murchar.

– Pobre Kou... não acredito que teve que passar por tudo isso... por causa desse monstro...

– Mas não se preocupe com ele! – Implorei, não querendo ver seu sorriso desaparecer novamente. – Ele está muito bem, afinal passou por tudo isso com Yuu ao seu lado, o mantendo de pé...

– Yuu? Quem é essa? – Perguntou, curiosa sobre sua suposta cunhada. – Kouyou apaixonado, isso é uma coisa que eu nunca achei que fossse ver... – Riu baixinho, voltando a se animar.

– Quem é “esse”, você quis dizer. – Contei, meio sem jeito. Ela compreendeu.

–Ahh... aah... pior que faz sentido... – Comentou pensativa, começando a sorrir mais e mais. – Não posso dizer que estou realmente surpresa...

Então rimos juntos e ela pediu mais um abraço e eu a abracei. Depois, ela começou um questionário sobre quem era Yuu e se ele estava cuidando bem do seu irmãozinho.

Voltou a chorar de felicidade quando eu contei que Yuu era dono de uma biblioteca (sobre o incêndio ela não precisava saber, seria demais...) e que havia ensinado Kouyou a ler e escrever.

– Eu nunca me senti tão aliviada em toda a minha vida... muito obrigada Akira, por dar paz ao meu coração... agora está tudo bem, tenho certeza...

Ela começou a respirar fundo rapidamente e eu comecei a ficar com medo que todo esse alívio colocasse o bebê pra fora. De um jeito ou de outro, foi o que aconteceu mais tarde.

– E eu que estava começando a achar que Takanori tinha alguma coisa boa no coração... pff... – Resmungou, amarga. Depois se desculpou por ter dito isso na minha frente, lembrando do que eu sentia por ele.

– Ele já teve sim... mas perdeu isso em algum lugar no caminho... – Comentei, tentando ignorar a dor chata que sempre vinha com esses pensamentos sobre ele, quem eu queria chamar de “meu” pequeno. – E eu quero fazê-lo voltar a ser quem era... espero que o bebê ajude a amolecer seu coração e coloca-lo de volta no lugar.

Ah, sobre o bebê e seu “pai”, eu esqueci de comentar. Matsumoto havia concordado em deixar Aiko ter a criança, uma vez que eu fiz o médico mentir pra ele que ficaria tudo bem. Foi um movimento muito arriscado, mas o homem concordou, sendo profissional. Se era o que era ela queria, correr um grande risco por sua criança, assim seria, e a decisão foi totalmente dela.

Voltamos a comemorar sobre seu irmão, ignorando o momento ruim anterior. Ela estava sorrindo tanto, eu nunca a tinha visto tão feliz, nem de longe. Se pudesse, Aiko estaria pulando e saltitando pelo quarto, dançando de alegria. Pediu que eu arrumasse seu cabelo, coisa que não sentia vontade de me pedir há muito tempo. Fiz uma trança em seu cabelo castanho claro tão bonito e comprido, que ultimamente parecia meio sem vida. Ela pediu que eu colocasse algumas das violetas que eu havia lhe dado em seu cabelo, e assim o fiz. Ela ficou linda, radiante. Quando voltou pro quarto, não muito tempo depois, até Takanori ficou surpreso.

Afinal, a felicidade havia lhe dado uma beleza que nem ele havia visto antes.

– Você parece um anjo... – Ele entrou e foi direto até ela, lhe beijar nos lábios. Ela estava tão realmente diferente que nem notou ou fez cara feia. Quem fez fui eu, odiava ver aquilo.

– Bom trabalho Akira, mas agora nos dê licença. – Resmungou pra mim, sem nem olhar, mandando eu sair.

Lancei um último olhar para ela e saí então, os deixando sozinhos. Me irritava o modo como nos últimos tempos ele estava me ignorando por causa dela. Não passava mais o tempo de sempre comigo e estava sempre junto dela, todo apaixonadinho, ou seja lá como sua mente perturbada define isso.

Ah se eu soubesse que na noite desse mesmo dia essa seria a última coisa com que eu me preocuparia...

Uma hora mais tarde, quando eu estava lavando roupa, o loiro apareceu me chamando.

– Ela... ela está molhada.

Achei que fosse só um aviso normal para ir trocar suas fraldas (sim, era meu dever, isso ele não queria fazer por ela, e sabia que ela morria de vergonha por isso), mas então notei o tremor em sua voz e em seguida a palidez de seu rosto.

– O que houve, mestre? – Parei o que estava fazendo imediatamente e sequei as mãos.

– Acho... acho que... ela está molhada... de sangue... – Parecia prestes a desmaiar e nesse momento eu me lembrei do que fazia meu coração ansiar por ele: sua sensibilidade com quem se importava e o jeito que parecia tão frágil e indefeso só na minha frente.

Ignorei esses sentimentos idiotas de querer lhe abraçar, fazer carinho em seus cabelos e dizer que ia ficar tudo bem porque isso não fazia sentido, a culpa era toda dele por aquilo e ele merecia sofrer pelo o que havia feito com os outros.

Então a ficha caiu e eu também fiquei assustado.

– Vamos. – O segurei pelo braço e voltamos pra dentro, indo direto para o quarto de Aiko.

Só de olhar para os lençóis entre suas pernas, não tive dúvidas: o trabalho de parto havia começado.

Mas POR QUÊ? Por que logo hoje? Por que ela não pode esperar mais um ou dois dias para meus planos com Yuu finalmente darem certo?

– Aiko... – Me aproximei da cama, Takanori ficou parado na porta parecendo um fantasma de tão branco.

Tirei o lençol sujo de cima dela e vi que sua roupa estava encharcada também, numa mistura de sangue diluído em alguma coisa.

– A bolsa estourou. – Anunciei e não sei como o baixinho não desmaiou lá na porta.

– Eu nem senti nada, ele que viu e então eu percebi... está acontecendo... vai ser hoje, Aki... – Ela falou, e eu a encarei, assustado, com medo de a perder antes de realizar seu desejo, entregar seu maior presente. Por sua vez, Aiko parecia tranquila, completamente em paz e despreocupada, sorrindo levemente, como se sua mente estivesse longe...

– Vou chamar a parteira, aguente firme. – Segurei sua mão com força, lhe passando toda a confiança que eu consegui. Ela apenas se mostrou despreocupada e contente, e foi aí que eu soube. Ela realmente tinha certeza de que não ia sobreviver, mas que estava tudo bem porque sua criança nasceria e seu irmão estava vivo levando uma vida feliz em boas condições.

Balancei a cabeça em confirmação e saí correndo do quarto indo buscar a mulher que já havíamos contratado com antecedência, mas Takanori me empediu, me agarrando pela camisa.

– Não me deixa sozinho com ela assim. Não. Por favor Akira. – Implorou me olhando no fundo dos olhos e por um segundo quis largar tudo e abraça-lo. Ele estava sinceramente apavorado.

– Sente e respire fundo. Fique com ela, eu volto em dez minutos. – Afirmei, tirando suas mãos de minha roupa (usando uma enorme força de vontade pra isso) e corri pra fora de casa sem olhar pra trás. Não é hora pra deixar minha paixão reprimida se aproveitar do momento de fraqueza do menor.

Voltei com trazendo a Sra. Earnshaw o mais rápido que pude, a ajudando a carregar seu material. Graças a deus ela morava perto de casa, então não levou muito tempo.

Quando entrei no quarto, o loiro estava sentado numa poltrona encarando a parede, ainda pálido. Aiko estava um pouco menos contente, o rosto parecendo levemente preocupado, mas sorriu ao me ver.

– Sabe, se você segura minha mão, com força, eu não sinto isso, mas sei que alguma parte do meu corpo está sendo pressionada, tenho alguma noção, mesmo que vaga... o que estou sentindo agora é que algum lugar está realmente doendo.

Ela foi contando pra mim enquanto a senhora se adiantava preparando as coisas e posicionando suas pernas do jeito certo, tentando mantê-las no lugar, dobradas.

– Vou precisar de água morna e mais alguns panos. – A Sra. Earnshaw me pediu, e eu corri até a cozinha buscar as coisas.

Quando estava voltando para o quarto, ela me veio encontrar no corredor.

– Sr. Suzuki, o senhor sabe como isso vai ser complicado, não? Ela não tem como fazer força. Se o bebê não conseguir por si mesmo, nem com a nossa ajuda pra empurrar... bem...

Ah, como eu estava temendo ouvir aquilo há tantos meses...

– Vamos ter que fazer um corte para tirá-lo de lá. Nunca passei por um caso desses, apesar das centenas de bebês que já coloquei no mundo, mas a condição dela é realmente uma raridade... e é o que ela quer, certo..?

– Sim, é o que ela quer... – Minha voz saiu fraca. – E se... se... se for preciso fazer um corte... as chances dela..?

A mulher balançou a cabeça negativamente, pesarosamente.

– Nulas. Será sangue demais para conter... Mas esteja preparado pra isso.

Concordei, por mais que não quisesse. Era a realidade e eu precisava aceitá-la. E a essa hora já era tarde demais para chamar Yuu, mesmo que eu fosse e voltasse à cavalo. O corpo de Aiko já estava tendo contrações mesmo que ela realmente não as sentisse (e isso por um lado é uma coisa boa, ela não vai sofrer com as dores do parto).

Voltamos pro quarto. Por dentro eu estava tão apavorado quanto Takanori e queria me encolher num cantinho e chorar e não ver o que ia acontecer com minha amiga. Mas já que ele não estava fazendo o papel de pai, eu teria de fazê-lo. Ia me manter forte, e se for a hora de ela ir embora, eu estaria ao seu lado segurando sua mão.

– Precisa de alguma ajuda? – Perguntei à parteira que já estava começando a fazer seu trabalho, mas evitando olhar porque não queria passar mal.

– Por enquanto não, só fique com ela. – Respondeu sem nem me olhar, muito concentrada nos preparativos. – O pai..? – Perguntou indicando Matsumoto, do outro lado do quarto.

O canalha havia virado a poltrona pra janela da rua e estava exatamente de costas pra nós. Grande apoio, chefinho. Agora em vez de vontade de abraçar ele eu havia voltado ao normal e queria dar um soco bem dado na cara dele.

– Ele não está muito bem, melhor deixar ele quieto lá... – Suspirei dando de ombros, profundamente irritado.

Depois de passar meses enchendo ela do seu “carinho”, nessa hora difícil e delicada, que era culpa somente dele, era ele quem devia estar dando algum apoio a ela. Ah, claro, talvez fosse o nojo dele pelo “verme parasita” que ia sair de dentro dela.

– Como você tá, Ai? – Perguntei a ela depois de puxar uma cadeira e me sentar do lado da cama.

– Bem... só um pouco enjoada, já me acostumei com essa “impressão” de dor... – Ela sorriu para mim, me consolando, mostrando que eu não precisava me preocupar. Continuava tão bonita como mais cedo, o cabelo arrumado por mim com as flores roxas o decorando, o brilho no olhar de felicidade tanto pelo irmão quanto pelo filho.

– Akira... – Ela me chamou pra mais perto, e continuou, falando baixinho no meu ouvido. – Façam o que tiverem que fazer comigo, mas tirem a criança viva de mim... Não importa o que aconteça comigo. Eu nunca escolheria minha vida no lugar da dela. Você é a única vida que eu tenho. Só me mantive viva até hoje por ter você comigo esperando por esse dia.

Me afastei um pouco assustado e emocionado. Não queria perdê-la... ela havia se tornado uma própria irmã para mim, muito mais do que uma amiga, e agora meu coração estava doendo diante da perspectiva real de que ela não passaria desse dia.

Aiko me encarou com olhos pidões molhados de lágrimas que ela estava tentando segurar. Entendi o que ela queria e realizei seu desejo (depois de conferir se o inspetor realmente não estava olhando), e a beijei nos lábios.

Ela suspirou e sorriu, parecendo rejuvenescer por alguns instantes, toda sem jeito, e então voltou a me encarar, pedindo que eu me aproximasse novamente.

– Já disse que ficaria muito feliz se você pudesse criar o bebê... mas depois do que você me contou hoje, eu gostaria que Kouyou também pudesse fazer isso... se puder dar um jeito... é meu único desejo.

Concordei com a cabeça, tentando ser forte por ela naquele momento.

– Pode deixar querida, vou fazer isso sim... não vai faltar amor para essa criança, ela vai ter a melhor família do mundo.

Ela então sorriu e não conseguiu mais conter as lágrimas, murmurando “obrigado, obrigado meu anjo, obrigado por tudo” inúmeras vezes, e a abracei o mais forte que pude, sentindo o cheiro das flores em seu cabelo.

– Sra. Matsumoto? – A parteira nos interrompeu, apreensiva. – Consegue fazer alguma força? Qualquer coisa vai ajudar, qualquer esforço que possa tentar...

– Respire fundo. – Eu disse voltando a me sentar e começando a me sentir um inútil.

Um momento de silêncio se passou.

– Não. Nada. – Ela gemeu, frustada.

– Feche os olhos e se concentre, tente mais uma vez... – A mulher disse, parecendo preocupada de verdade agora.

Aiko respirou fundo várias vezes e fechou os olhos, se concentrando. Segurei sua mão entre as minhas, canalizando energia também.

– Não. Não vai sair. – Sra. Earnshaw interrompeu. – A dilatação já está grande o suficiente mas só assim não vai sair e não podemos ficar esperando. Sr. Suzuki, me ajude por favor, agora!

Levantei rapidamente e fui até a mulher, ela se levantou também e disse para pressionarmos juntos a barriga, levemente, pra baixo, e depois pra frente.

Tentamos. Não deu muito certo. E eu estava com medo de estar machucando o bebê, que afinal ainda era muito frágil pois estava nascendo antes do tempo certo.

– Chega, vamos pro plano B imediatamente. – Alertei, sob o olhar corajoso e decidido da grávida.

Antes que eu sequer falasse a parteira já estava com uma lâmina muito afiada na mão, que parecia uma faca pequena com um punho menor ainda.

– Espero que não doa, querida. – Ela disse encarando Aiko e então desceu a lâmina precisamente para o lado direito da barriga e começou uma incisão em formato de meia lua. Fiquei ao lado da cama segurando sua mão, mas ela não gritou nem nada, parecia pacífica novamente, então realmente não estava doendo, não mais do que uma picada de um espinho de uma flor para ela, só uma sensação distante e amortecida.

Manti seus olhos nos meus, evitando olhar para o sangue que começava a se espalhar por todo o colchão. Ia ficar tudo bem, sim, é claro, ia ficar tudo ótimo, tudo maravilhoso, só um bebê sem mãe, mas vivo e saudável e com 3,5 pais e era melhor um bebê vivo do que uma mãe viva sem filho nenhum e um buraco no coração maior do que o universo.

– Panos! – A mulher gritou, e em seguida um choro de bebê encheu o quarto inundando todos os corações de alegria.

Quando me virei e corri lhe entregar os panos que já estavam umedecidos com água morna, a vi segurando a criança nas mãos com todo cuidado, que então foi envolvida nos lenços macios, berrando para o mundo.

A barriga de Aiko era devastação que eu me arrependi de ter dirigido um olhar mesmo que por um segundo. Cobri aquela parte com um lençol. A cama estava lentamente se tornando vermelha por causa do sangue vertia.

– É uma menina! – A parteira disse alegremente, me entregando com delicadeza a pequena, depois de ter limpado um pouco do sangue em sua pele, toda enroladinha num lenço de pano seco e fofinho.

A peguei nos braços com todo o amor do mundo, emocionado e profundamente triste ao mesmo tempo, e a levei até sua mãe.

Aiko, que agora estava muito pálida e muito abatida, a olhou com lágrimas nos olhos. Chorei junto com ela, por não ela não ter como tocá-la com as próprias mãos. Era triste demais.

– Como vamos chamá-la? – Perguntei, tentando sorrir. Sabia que ela já não tinha muito tempo. A vida estava se esvaindo de seus olhos.

A mãe sorriu também, e declarou com a voz firme.

– Violet.

E como uma barra de ferro, a dimensão dos sentimentos dela por mim me atingiu por inteiro pela primeira vez. Ela havia nomeado sua filha com o nome das flores que eu havia lhe dado naquele dia. Nunca até aquele momento eu havia percebido o quanto aquela mulher me amava e dependia de mim, e voltei a chorar por isso, lágrimas doloridas. Eu queria ter dado muito mais felicidade pra ela enquanto tive tempo... eu devia isso a ela... nunca antes alguém havia me amado desse jeito...

Ela apenas sorria, parecendo brilhar novamente, tão relaxada, tão feliz. Violet havia parado de chorar em meus braços e agora só estava resmungando.

– Mais uma coisa... Akira... – Sua voz estava enfraquecida agora. Me aproximei para ouvir melhor. – Preciso que me prometa... que não vai contar para Kouyou...

O QUÊ?

– Eu... querida... não sei se posso prometer isso... – Respondi baixinho, assustado pelo pedido.

– Por favor... não agora... se ele não sabia sobre mim... não contem... que eu morri de novo... ele não vai suportar... só daqui... anos... prometa... que vão esperar...

– Eu prometo. – Respondi prontamente, ela estava com dificuldade pra respirar agora.

– Obrigada... docinho... – Um último sorriso brincou em seus lábios. Seus olhos estavam se apagando agora. – Eu amo vocês...

Takashima Aiko, também conhecida com a bela Carrie, deu seu último suspiro e partiu desse mundo.

Devolvi Violet para os braços da parteira para que ela tomasse as providências, terminasse de limpá-la e colocasse num lugar quentinho e confortável.

Não queria aceitar, não queria assimilar, não suportava olhar para o corpo que jazia na cama e MEU DEUS TAKANORI O QUE VOCÊ...-

Quando me virei quase morri do coração ao ver Takanori parado de pé do outro lado da cama, os olhos arregalados. Mas não estava mais branco como antes, estava começando a ficar vermelho, a cor lhe subindo pelo rosto, alternando o olhar vidrado entre eu e o corpo da sua amada.

Não previ aquela explosão.

– O QUE FOI... QUE VOCÊS FIZERAM... COM ELA?

– SUZUKI AKIRA SEU VERME ME RESPONDA O QUE É ISSO QUE ESTOU VENDO AQUI, CADÊ MINHA ESPOSA? DE QUEM É ESSE SANGUE TODO?

– Senhor... ela... – Tentei falar, mas estava apavorado com a situação. Nunca havia visto ele desse jeito, em todos aqueles anos.

Ele deu a volta na cama, completamente furioso, o rosto distorcido em raiva e ódio e pelo jeito a culpa era todo minha.

– VOCÊ ME PROMETEU, VOCÊ DISSE QUE IA FICAR TUDO BEM, QUE NÃO IA ACONTECER ISSO COM ELA POR CAUSA DO PARASITA-TUMOR. VOCÊ... SEU...

Não bastou ele me dar um soco no estômago, também fechou as mãos em meu pescoço e caiu sobre mim no chão.

Vi de canto de olho a Sra. Earnshaw sair do quarto protegendo a bebê e fiquei aliviado por isso. Takanori nunca teria tamanho ou força pra conseguir fazer alguma coisa comigo. Rolei por cima dele com facilidade e o prendi no chão, segurando seus braços e ficando sobre suas pernas, pois ele não parava de se debater, gritar e tentar me morder.

– PARE COM ISSO TAKA, ELA SE FOI, ACEITE. – Nem me surpreendi por usar seu apelido de infância, eu também já estava fora de mim. – AGORA VOCÊ TEM UMA FILHA E TRATE DE AMAR ELA COMO VOCÊ NUNCA AMOU AIKO.

– Filha..? FILHA? AQUILO É UM MONSTRO ASSASSINO, NÃO UMA CRIANÇA. AQUILO MATOU MINHA MULHER! E VOCÊ NÃO FEZ NADA PRA IMPEDIR!!

Com nojo do jeito que ele chamava a bebê de “aquilo”, dei um soco em sua cara. Ele bateu com a cabeça no chão e apagou, se calando finalmente.

A mistura de sentimentos escorreu por meus olhos e me senti mais mal do que nunca. Ele parecia tão pacífico agora, só uma criança dormindo...

O peguei no colo e o levei até seu quarto, o deixando na cama. O machucado em seu rosto que eu mesmo havia feito doía em mim. Eu não me importava minhas próprias dores... só não queria vê-lo daquele jeito... queria curá-lo e não piorar com seu estado mental...

– Me desculpe, pequeno... – Murmurei pra mim mesmo, e me inclinei depositando um beijo em sua testa.

A adrenalina e a raiva de antes haviam me deixado completamente, como se nunca houvessem existido, e eu me sentia, mais do que tudo, culpado. E profundamente triste de novo. Fechei a porta do quarto, rezando para que quando ele acordasse estivesse calmo e bem novamente... havia sido um choque grande demais para ele...

Econtrei a Sra. Earnashaw assustada no corredor, mas lhe afirmei que estava tudo bem agora, e ela mostrou que havia montado uma cama para Violet no meu quarto e que ela estava dormindo tranquilamente lá. Agradeci por tudo. Pedi um momento sozinho com Aiko antes que movêssemos o corpo preparando as coisas para o enterro.

Voltei para o quarto de Aiko e me aproximei dela, fechando seus olhos. Fiquei ali sozinho, olhando para seu rosto que ainda esboçava seu sorriso gentil para mim e desejei que me coração pudesse ter amado ela, e não ele.

Estaria doendo menos, certamente.

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Sing me to sleep
Sing me to sleep
I'm tired and I
I want to go to bed
Sing me to sleep
And then leave me alone
Don't try to wake me in the morning
'cause i will be gone
Don't feel bad for me
I want you to know
Deep in the cell of my heart
I will feel so glad to go
Sing me to sleep
There is another world
There is a better world
Well, there must be


。。。

Takanori acorda no meio da noite e se senta na cama olhando ao redor. Ele não se lembra de como havia parado no seu quarto nem o porquê de seu rosto estar dolorido e seu coração tão apertado. Já devia estar dormindo há algumas horas, pois se sentia completamente perdido e desamparado. Assim que as memórias voltam ele se lembra que sua esposa estava morta e a praga culpada disso estava em algum canto da casa planejando tirar tudo que ele ainda tinha na vida, o que não era muita coisa. Dinheiro, poder, status e uma casa enorme. E Akira é claro, ele podia ser um bocó inútil, mas Takanori gostava dele de algum jeito e era o único amigo que tinha.

Se aquela pequena coisa nojenta e mortífera acordasse poderia tirar tudo isso dele. Então ele se levanta e sai de seu quarto silenciosamente procurando pela ruína da sua vida.

Ele para ao lado da porta do quarto de Akira e a abre. No escuro, em silêncio, e fica parado ali, ouvindo. Existem duas respirações naquele quarto. A coisa está ali então. Por pouco não matou seu empregado também, então é ótimo ele ter chegado na hora certa.

Fica parado ali por um tempo ouvindo e observando com a fraca luz que vinha da janela do outro lado do quarto.

Então em alguns passos ele vai até a coisa e a pega no colo, sentindo nojo.

Sai do quarto silenciosamente tomando sua decisão e continua andando até sair da casa e segue pela rua. Sem destino? Talvez. Por sorte não está frio lá fora, a primavera está começando, e Violet continua adormecida em seus braços rígidos que tremiam levemente ao segurá-la.

Graças ao seu desleixo de ter deixado a porta da rua bater com o vento, seu mordomo acordou poucos minutos depois, deu falta dos dois e saiu correndo em seu encalço. Mas apenas isso não teria bastado para impedi-lo.

Pelo desenrolar da história sabe-se que naquele momento ele estava decidido a dar um fim em sua vida

(Akira me deu soco na cara ele não gosta mais de mim Akira está infectado também ele não se importa comigo Aiko cadê você meu amor minha linda o que fizeram com você eu preciso encontra-la)

e na de sua filha ao mesmo tempo.

Por interferência da força que move o mundo e nossas vidas, um anjo foi colocado em seu caminho naquela noite pelo o que muitos chamam de coincidência.

。。。

。。Yuu。。

Finalmente, amanhã seria a segunda tentativa de encontro. Eu estava saltitando por dentro, tinha certeza de que dessa vez tudo daria certo.

Já era noite, umas nove horas mais ou menos, e o Kou estava tomando banho enquanto eu fazia nossa janta.

Queria que tudo fosse muito especial, mais especial que o normal, uma refeição gostosa feita com carinho. Quando me abaixei para pegar mais lenha e alimentar o fogo do fogão, encontrei o compartimento vazio. Merda! Eu andava com a cabeça nas nuvens naquela semana e havia esquecido completamente de ir comprar lenha, e Kouyou também não havia se lembrado disso.

O fogo já estava se apagando, virando em brasas, e eu mal havia começado a fazer nossa comida. Fiquei tão chateado com isso... queria que fosse uma noite especial, já que amanhã seria um dia extremamente feliz e importante.

Subi as escadas e o encontrei na banheira. Fiquei perdido por alguns segundos babando no seu corpo nu e molhado coberto de espuma até que ele se encolheu um pouco envergonhado (sim, à essa altura ele ainda tinha vergonha, coisa linda do Yuu).

– Não é pra ficar só olhando. – Ele disse, com um sorriso timidamente malicioso, típico seu.

– Na verdade eu só vim avisar que acabou a lenha e eu vou ter que sair rapidinho pra comprar e poder fazer nossa janta. Mas se quiser é claro que eu fico. – Sorri de volta, retrucando.

– Aaaah, Yuu... não precisa... a gente come qualquer coisa, não vá sair a essa hora só por isso... – Ele resmungou.

– Mas eu quero... – Implorei, fazendo bico. – Prometo que volto bem rápido, vou o mais rápido que puder.

– Tá bom, tá bom... depois eu te recompenso por todo esse esforço então... – O loiro piscou um olho para mim e senti um arrepio percorrer minha espinha de antecipação. Ah, com certeza aquela noite seria ótima.

Saí correndo de casa como prometido e fui caminhando rapidamente até a loja onde eu sempre comprava lenha. Demorava um pouco pra chegar lá, mas tudo bem. Hoje não estava frio e não havia muita gente na rua.

Com passos rápidos e decididos, caminhava olhando pra frente, atravessando uma das pontes da cidade agora, a mente perdida em pensamentos gays e felizes sobre eu e meu amado, quando uma figura me chamou atenção.

Parada próxima à beirada da ponte, uma silhueta afastada da luz permanecia imóvel em pé.

Se fosse uma pessoa normal eu teria passado rápido sem nem olhar, com medo que fosse um assaltante ou coisa pior, mas o que me chamou atenção foi a baixa estatura. O que uma criança estava fazendo sozinha ali àquela hora?

– Com licença... você precisa de... – Fui para o outro lado da ponte e me aproximei da criança, mas quando enxerguei seu rosto tive vontade de gritar e sair correndo pelo caminho contrário.

Era o inspetor Matsumoto. E carregava uma manta nos braços, com algo enrolado dentro, talvez um pão.

Fiquei paralisado ao vê-lo, com medo e repúdio, lembrando da última vez que havíamos nos visto e suas últimas palavras (insultos) dirigidas a mim.

– Aah... Shiroyama... você por aqui... – Falou despreocupado ao me reconhecer também, conversando como se fosse uma tarde ensolarada de domingo e tudo estivesse completamente normal.

– Inspetor... – Cumprimentei com um aceno de cabeça. Queria seguir meu caminho e não ter que ficar ali, mas ele puxou uma conversa estranha em que mais parecia estar falando consigo mesmo.

– Onde ela está?

– Ah? Quem?

– Minha esposa. Ela não está mais aqui. Eu preciso dela.

– Sua espo..? Ah... ela... ELA O QUÊ?

– Eu preciso dela. Eu preciso ir. Ela precisa de mim também. Ela não quer me ver com essa coisa nas mãos.

Falava sozinho, olhando pra nada, no horizonte, e depois olhando pra baixo, para as águas geladas lá embaixo do rio que corria sob a ponte onde estávamos.

– Será que é alto o suficiente? Não pode dar errado, talvez não tenha outra chance.

–Alto pra que? – Perguntei, começando a ficar assustado. Ok, ele já não era muito certo da cabeça normalmente, mas agora estava realmente me preocupando. Seus olhos estavam opacos e ele estava praticamente babando.

– Pra isso. – Respondeu, fazendo o gesto de jogar seu embrulho pela ponte. Alguma coisa acelerou meu coração.

– Hãn... Matsumoto... não é muito legal jogar coisas no rio, como inspetor você devia ser um exemplo pro outro... – Nem sabia mais o que estava falando, só queria ir embora dali, um alerta de perigo ecoava na minha cabeça. Por que eu fui sair de casa mesmo?

– EU FAÇO O QUE EU QUISER E NINGUÉM VAI MANDAR EM MIM. – Gritou, olhando furioso para mim agora, mas ainda com aqueles seus olhos distantes e perdidos.

– Me entregue isso. O que você tem aí? – Falei firme dessa vez, pronto pra arrancar o embrulho de suas mãos.

– Não vou entregar. É meu. Eu que fiz. Veio de mim essa coisa e a culpa é minha, eu sei, mas ela me perdoou por isso, só quer que eu faça esse último trabalho... estou indo embora também...

– Matsumoto pare com isso. PARE. COM. ISSO. – Ele deu um passo em direção ao parapeito da ponte e parecia muito decidido a pular dali. Bem, seria um alívio para o mundo mas eu estava preocupado com o pacote, que estava começando a se mexer.

Quando ele deu aquele passo, eu o segurei pelo ombro, e com o movimento e as vozes elevadas, o embrulho começou a chorar e tudo fez sentido na minha cabeça lavando minha felicidade com uma chuva de horror.

Aiko havia falecido e sua criança estava ali nos braços do pai, e ele estava prestes a se jogar para a morte com ela nos braços.

– TAKANORI, NÃO!!!!!!!!!!

Tudo ocorreu ao mesmo tempo. Essa voz surgiu do começo da ponte e ele finalmente pareceu ter alguma reação sob minhas mãos que agarravam seus ombros com força, o impedindo de avançar.

Ele se assustou e os braços afrouxaram, e não pensei duas vezes antes de tomar meu sobrinho ou sobrinha para mim. Houve resistência, mas depois de alguns esforço consegui pegar o bebê que chorava e protege-lo nos meus próprios braços.

Takanori se avançou sobre mim com unhas e dentes, gritando de raiva, mas nesse momento ninguém menos que Akira nos alcançou e segurou seus braços pra trás, o imobilizando.

– Obrigado... – Agradeci ao outro, meu coração estava batendo tão forte que parecia que ia saltar pela boca. Olhei para o bebê adorável que eu segurava com carinho e tentei tranquiliza-lo para que parasse de chorar.

– Não acredito que você ia fazer isso... – Akira murmurou para o baixinho que ele o esmagava sem afrouxar o aperto, enquanto o outro se debatia tentando se soltar e atacar a mim e ao bebê.

– TUDO BEM TUDO BEM FIQUE COM A COISA SE VOCÊ QUER PROBLEMA É SEU MAS DEIXE EU IR POR FAVOR DEIXE EU IR EU PRECISO.

Continuou gritando suas palavras, chutando Akira tentando se libertar para se jogar da ponte.

– Eu nunca deixaria... – Seu mordomo murmurou, pesaroso, seu rosto estava mudado, como se tivesse sofrido por uma vida inteira em um dia só.

– Você precisa ser preso, Takanori. Mas não na prisão, pois lá vão fazer com você o que eu sempre quis fazer, mas vão te machucar e vão ter razão pra isso. Afinal você nem tem noção mais do que está fazendo ou dizendo. Você precisa ser internado, você está doente, meu pequeno, você não está bem... – O loiro continuou dizendo, e então olhou para mim, pedindo confirmação, ignorando os protestos do outro que ainda berrava qualquer coisa.

– Também acho que é o melhor a ser feito. – Falei, ainda aturdido com a situação, com o jeito que minha noite havia dado uma reviravolta completa. – Ele precisa ir para uma clínica de doentes mentais, é o melhor lugar pra ele, e lá deve ficar preso, longe da gente. – Afaguei a criança que havia desistido de chorar e agora estava novamente sonolenta. Tão bonita... notei que sua roupa era rosa e que então devia ser menina. Apesar daquela situação horrível, meu coração pôde se alegrar pelo parto ter dado certo e eu ter aquela nova vida nos meus braços nesse momento, que compartilhava o mesmo sangue que Kouyou.

Na verdade uma parte de mim queria que Akira deixasse ele se matar, mas outra parte dizia que seria misericórdia demais. Ele precisava sofrer pelo o que havia feito com tudo e todos.

– Leve ela pra casa. Vou arrastar ele até o posto de polícia ali na outra rua e conseguir umas algemas, assim que eu arrumar tudo, passo lá conversar com vocês. – O mais alto disse para mim, tão cansado, tão exausto. – O nome é Violet. — Acrescentou. Concordei com a cabeça.

Cada um seguiu para um lado, cada um levando outra pessoa nos braços e compartilhando o mesmo destino.

Coloquei os medos e os pensamentos ruins de lado e mantive só uma coisa na cabeça enquanto voltava para casa levando Violet comigo:

Kouyou vai chorar de felicidade quandou souber que temos uma filha.

Notas finais
depois de ir pra cirurgia por apendicite e passar os piores dias da minha vida no hospital e até hoje de recuperação em casa, aqui estou eu com o capítulo novo ♥
então sejam bonzinhos e comentem por favor, pelo bem da minha cicatriz que ainda tá doendo muito ♥
meu capítulo preferido, espero que tenham gostado ♥
falta pouco agora...
me contem o que acharam ;u;
até o próximo ♥
12.09.2012 Hoku
Longos dias e belas noites.
ps: desculpem mas foi irresistível fazer isso: http://imm.io/E8HU
ps2: letra da música -> Asleep - Emily Browning ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.