As If Magic Exists

1 Chapitre ♠ A


Notas iniciais
QUE SAUDADE DE POSTAR ♥

Chapitre ♠ A

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「Alguma cidade na Europa.

Há muito tempo atrás.」

。。。


Mais uma noite de show.

Casa cheia, como eu podia ver espiando por trás da cortina.


Bem. “Show” entre aspas porque minha meia dúzia de truques baratos não podiam ser chamados de show. “Casa cheia” entre aspas porque nosso pequeno palco era praticamente no meio da rua, e de “casa” não tinha nada. “Cheia” igualmente entre aspas pois nossos espectadores não formavam um grupo de nem trinta pessoas. Até “cortina” é entre aspas pois aquele pano puído e furado não podia ser chamado de cortina.


Reformulando meu começo, agora que já fui sincero com vocês:


Mais uma noite de “show".

“'Casa' 'cheia'”, como eu podia ver espiando por trás da “cortina”.


Ou, melhor ainda:


“Mais uma noite dando duro fazendo truques de mágica usando minha irmã de cobaia pra conseguir algumas moedas pra comprar comida.

As pessoas de sempre estavam ali pra assistir, como eu podia ver espiando por um dos buracos do trapo velho que eu apelidava de cortina.”


Sou Uruha, o Ilusionista, e bem vindo ao espetáculo que é minha vida.

A cobaia que eu citei é minha irmã gêmea e assistente, Carrie.

Esses são apenas nossos nomes artísticos, claro.

E nossa vida se baseia nesse “espetáculo” semanal, e dele tínhamos que tirar trocados o suficiente pra comprar pão por uma semana. Por isso eu devia variar nos truques, sempre impressionando o público de um jeito diferente, inovar em alguma coisa, mesmo que eles se contentassem com o repertório de sempre. Eu sabia que aquilo alegrava aquelas pessoas quase tão pobres quanto nós, afinal, todos precisam de uma pitada de mágica na vida. E das suadas moedas que ganhávamos a cada salva de palmas, conseguíamos sobreviver.


Não era uma vida fácil, mas era gratificante. Tanto pelo sorriso das pessoas, quanto por conseguir nos manter vivos. Meu lugar era nos palcos, disso eu não tinha dúvida. Desde criança eu era fascinado por mágica, e assistindo aos mágicos de rua, fui aprendendo alguns truques. Meu rostinho encantador os fazia revelar seus segredos, e aos poucos, fui ficando conhecido como um ótimo aprendiz.


Até aí nossa vida ia muito bem. Éramos pobres, eu, minha irmã, e nosso pai. Mas num inverno rigoroso, papai adoeceu, e a cada dia sua saúde piorou mais e mais, até que nos deixou. Nossa mãe havia se sacrificado pra nos dar à luz e não tínhamos sequer um retrato dela. Enquanto nosso pai era vivo, morávamos no alojamento da fábrica onde ele trabalhava, mas depois que ele se foi, nos expulsaram dali sem pensar duas vezes, e fomos parar nas ruas, dois órfãos indesejáveis, que nunca haviam ido nem pra escola, por não ter dinheiro pra comprar livros ou roupas decentes.


Tive que começar a tomar conta de nós dois. Eu tinha apenas doze anos quando isso aconteceu, era apenas uma criança, nós dois éramos apenas duas crianças perdidas nesse mundo cruel. Não tínhamos onde dormir, não tínhamos o que comer, ninguém tinha piedade de nós, gêmeos eram sinal de má sorte, sofremos tanto naquela época... até que eu resolvi tentar ganhar trocados fazendo truques de mágica, minha paixão, meu hobby, com minhas mãos já treinadas, mais rápidas que os olhos das pessoas. Não tinha material, mas fiz o possível usando coisas abandonadas e minha criatividade.


E hoje, tantos anos depois (quantos anos? pelo menos uns dez, creio eu, já perdi a conta), estamos aqui. Nos adonamos de um estabelecimento abandonado e improvisei um palco na frente dele. Moramos nos fundos e nos apresentamos na frente. Nosso público é fiel. Tenho materiais agora — baralhos de carta, lenços, uma cartola, correntes, caixas com fundo falso, e uma roupa misteriosa que eu mesmo confeccionara. Meu sonho era ficar famoso pra ser rico e dar uma vida decente pra nós dois... afinal o sonho dela não era o mesmo que o meu. Minha irmã sonhava em ser bailarina, e meu objetivo era um dia conseguir pagar aulas pra ela, e poder vê-la no seu respectivo palco fazendo o que amava... não me ajudando pra conseguir comida.


As cortinas se abriram. Fiz minha entrada triunfal, sob efeitos de luz, que deixavam meu rosto misterioso, mais misterioso do que já ficava sob a maquiagem que Aiko aplicava em meus olhos. Sempre quando ela entrava no palco eu podia ouvir pequenas exclamações. Devia ser sempre surpreendente ver duas pessoas tão parecidas e ao mesmo tempo tão distintas. Dois lados da mesma moeda. Isso era um ponto ao meu favor, a admiração por nossas feições quase idênticas sempre os deixava distraídos. Era praticamente a mesma pessoa, mas uma em roupas masculinas, com mão fortes, e a outra em seu vestido e rosto e movimentos delicados.


Comecei o primeiro truque, depois de apresentar o show, a introdução de sempre, e me diverti mantendo as pessoas curiosas e maravilhadas com minhas ilusões.


Porém...


Sim, sempre há um porém.


Porém, enquanto analisava a plateia, procurava por um rosto em especial, o rosto que eu torcia pra não encontrar, mas que de vez em quando estava ali, escondido por um chapéu, ou pela gola alta do casaco, sempre por ali espreitando...


O inspetor.

Sua presença era mau sinal. Um péssimo sinal, na verdade.


“Vocês não têm autorização pra se apresentar aqui.”

“Este lugar não tem estrutura para coisas perigosas como essas, pode ruir.”

“Quem foi que permitiu isso tudo?”

“Não vou avisar da próxima vez, venho com um mandado e expulso vocês daqui.”


Sempre a mesma conversa. Ele conseguia acabar com o meu dia inteiro só por estar ali com a sua falta de expressão, mesmo que não viesse nos intimar todas as vezes. E me deixava com o coração apertado, é claro, pois realmente poderia nos expulsar dali se quisesse. E nada podíamos fazer contra isso, ele estava certo, aquele lugar estava caindo aos pedaços e nós não tínhamos autorização nenhuma, nem pagávamos impostos.


Terminamos o primeiro ato sob uma chuva de entusiasmados aplausos e nos retiramos para trás das cortinas para um breve intervalo.


– Algum sinal dele, Kou? — Ela perguntou, mudando de roupa para o próximo truque.


– Não. Pelo menos por enquanto... mas sabe que pela altura dele é fácil de confundi-lo com uma criança. — Ri nervosamente.


– Tomara que ele não estrague mais essa noite também... uma noite já tão triste com essa tempestade lá fora... — Aiko comentou, pensativa.


– Me admira que o pessoal veio, mesmo nessa chuva... e nem cadeiras nós temos pra oferecer pra eles... — Me entristeci como uma hora outra sempre acabava fazendo, pela nossa falta de estrutura. Tínhamos apenas um teto para o nosso público, mas apenas isto. Alguns traziam banquinhos de casa e outros sentavam no chão mesmo. Mas se vinham nos assistir mesmo sob essas condições, significava que nosso trabalho era bom, e isso me consolava um pouco.


– Não fica assim, ne, loiro... — Ela suspirou, se aproximando e segurando meu rosto com as mãos. — Um dia vamos ter um teatro inteiro pra nós dois, e as poltronas estofadas mais confortáveis que existirem para nosso amado público! Trate de voltar pra lá com um sorriso porque ninguém quer ver essa sua cara feia. — Resmungou, brincando.


– Não se esqueça que minha cara feia é igual à sua cara feia. — Retruquei, voltando a relaxar um pouco.


Voltamos pro palco. O resto do show seguiu muito bem, até o truque final. Enquanto isso, a tempestade piorava lá fora e as goteiras se transformavam em poças no chão. O vento forte balançava levemente o lugar, e eu ouvia a madeira podre rangendo e estalando sobre minha cabeça. Aquele velho galpão já havia aguentado tempestades piores que aquela, eu sabia que não ia acontecer nada. O público agora estava irriequieto com o barulho de trovões lá fora, pensando em como voltariam pra casa com aquele tempo, e incomodados pela lona de entrada, que era a única barreira entre o inteior e o exterior do lugar, e que praticamente esvoaçava agora.


Mas tudo bem, faltava apenas mais esse truque, não havia por que parar o show agora.


Carrie entrou na caixa de madeira e eu a tranquei lá dentro. Agora eu deveria enfiar espadas (que não eram bem espadas mas pedaços ferro por falta de orçamento obviamente) pelos buracos da caixa, nos lugares certos, e ela se contorceria lá dentro, como bem sabia fazer. Já haviámos feito aquele truque centenas de vezes. Era perigoso? Talvez. Mas nunca deu errado.


Só que eu não contava com o fato da tempestade estar ganhando a briga contra nosso precário palco. E depois de terminar de colocar o último ferro no lugar, veio um estalo forte, uma viga de madeira velha quebrou, e em um piscar de olhos tudo veio abaixo.


O que eu me lembro a seguir foi de ser soterrado por tábuas molhadas quando o teto despencou sobre o palco, e da gritaria do público sem saber pra onde correr. Algo me acertou com força numa perna e eu mal podia movê-la. As paredes, o teto, o palco, tudo ruiu e caiu sobre nós, além da chuva que agora caia diretamente sobre mim. Consegui me arrastar pra fora dos escombros, e foi aí que lembrei... que Carrie estava presa dentro da caixa. Cercada... de... pedaços de ferro pontudos... cortantes... e enferrujados.


Gritei seu nome e tentei chegar ao lugar onde antes estava a caixa, mas eu estava completamente descoordenado ali, desesperado, meio tonto, e mancando da perna machucada. Vi mãos me ajudando a retirar os escombros, enquanto eu gritava tentando salvá-la. Finalmente alcançamos a caixa. Retirei todos os pedaços de ferro, e quase desmaiei ao ver que estavam sujos de sangue. Lágrimas escorriam pela minha face enquanto eu lutava contra o cadeado, as mãos tremendo, sem conseguir colocar a chave na fechadura.


Se tivesse acontecido alguma coisa com ela... pelo menor arranhão... eu não me perdoaria, nunca...

Ela era minha única família, a única pessoa que eu amava, que eu confiava, que eu daria minha vida por, ela era parte de mim, meu próprio reflexo, tanto por fora quanto por dentro, Aiko... Se ela tivesse se ferido por minha causa...


Depois de muito esforço consegui arrancar o cadeado, tremendo, na chuva, chorando. Tudo ao meu redor era destruição mas isso não importava. A única coisa que importava era ela...


– Aiko... — Sussurrei, abrindo a tampa da caixa.


。。。

Notas finais
TIA HOKU DE VOLTA NO PEDAÇO PRA ANIMAR ESSA BAGAÇA ♥
saudade de vocês meus pupilos, sumi por 5 meses mas tá tudo bem agora asiudfhsfduygs
depois de outros projetos que não entraram no rumo ainda, consegui arrumar essa ideia que me veio esses dias e, pois é, tá aí, espero que gostem m(_ _)m
me deixem reviews se não for muito incômodo por favor rs (eu imploro)
ou avisem no twitter que leram, qualquer coisa, por favor ;-;
preciso de incentivo senão entro em hiatus de novo...
até o próximo, quanto mais pessoas interessadas, mais rápido ♥
ps: o que diabos aconteceu com o nyah, tá cada vez pior isso aqui