As If Magic Exists
9 Chapitre ♠ 9
Notas iniciais
mas agora estou bem de novo e de férias então não vou mais demorar tanto ♥
capítulo de presente de 6 meses de namoro pra minha amada ♥ espero que goste *U* (do resto que tu não leu ainda >u> IUHSDICFUHSD ♥)
Ruki mandou um cartão postal pra vocês:
http://i1109.photobucket.com/albums/h427/hokusama/12546.jpg
LOL -Q
-IMPORTANTE-
as estantes da biblioteca são assim:
http://farm4.static.flickr.com/3127/2882912629_87dc3fa702.jpg
Chapitre ♠ 9
A dramatic turn in events
Perdi alguns segundos encarando a tragédia ao meu redor. Todos aqueles livros... pegando fogo... era uma cena terrível de se ver, e pior ainda de se estar dentro.
Agarrei o livro de Yuu que eu estava lendo antes de dormir e o escondi dentro da camisa para protegê-lo, eu não sairia dali sem aquela preciosidade, se algum livro merecia ser salvo era aquele, afinal Yuu havia escrito ele à mão e era a única cópia, além de ser extremamente importante pra mim também.
Com o livro em segurança e a cabeça no lugar, comecei a pensar em como eu escaparia dali. Eu estava mais ou menos no meio do caminho entre as duas portas principais – a dos fundos e a da entrada – e ambos os lados estavam inacessíveis por causa das estantes em chamas e pedaços do teto caindo. Pense Kouyou, pense! Você foi um mágico a vida inteira, você devia saber resolver isso, encontrar uma saída, desaparecer, qualquer coisa, é a sua especialidade...
Olhei ao redor tentando não me desesperar, procurando um jeito e... Ah.
As janelas, é claro.
Havia uma boa quantidade de janelas, se eu conseguisse alcançar uma baixa o suficiente talvez eu conseguisse sair sem me machucar muito. Tentei localizar as que estavam mais próximas de mim, mas meus olhos ardiam pela fumaça. Me abaixei ficando próximo do chão, como sabia que devia fazer para não inalar a fumaça e conseguir um ar mais puro pra respirar.
Havia um canto onde o fogo ainda não havia se alastrado com firmeza, então rastejei até lá. As estantes aqui têm mais ou menos dois metros de altura, de madeira maciça e realmente pesadas, e suas partes de cima são largas o suficiente para alguém poder se manter em pé lá. Foi o meio que eu usei para me aproximar de uma das janelas. Escalei uma das estantes do jeito atrapalhado que consegui, e fiquei de pé sobre ela, andando por sua extensão cuidadosamente até chegar ao seu final – a parede onde havia uma janela. Graças aos deuses não estava emperrada, e consegui a abrir. Mais uma estante despencou em algum lugar ali perto com um grande ruído, o incêndio estava ganhando forças.
Abri a janela e coloquei a cabeça pra fora, olhando pra baixo. Era realmente alta distância até o chão lá fora na rua. Certamente eu quebraria algum osso se pulasse dali. As chamas iluminavam a escuridão da noite, então eu podia calcular que seria uma queda de uns quatro metros. Não podia arriscar, mas...
A outra extremidade da estante onde eu estava começou a queimar. Eu precisava ser rápido... Me ajoelhei com cuidado, e com uma mão consegui pegar alguns livros na última prateleira da estante sob mim, e os joguei pra fora da janela. Peguei todos que eu pude, sem cair da estante, e fui jogando-os pro lado de fora, tentando fazer uma pilha que amortecesse minha queda de algum jeito. Acabaram os livros ao meu alcance, mas ainda não era o suficiente.
Havia cortinas naquela janela, finas e já chamuscadas, mas eram alguma coisa. Arranquei uma com algum esforço, e a amarrei na extremidade da outra com um bom nó. Era tudo que eu podia fazer, agora era só torcer pra minha fuga dar certo. Sentei no parapeito da janela segurando a cortina que eu havia encompridado. Puxei algumas vezes pra ver se ela iria aguentar meu peso. Nesse instante a estante onde antes eu estava em pé desmoronou, tombando de frente no chão e sendo engolida pelo fogo. É agora ou nunca Kouyou, coragem, ou sua corda improvisada vai começar a queimar também.
Me deixei cair pro lado de fora, agarrado na cortina, rezando pra que ela não arrebentasse. Senti ela ceder um pouco, talvez seus trilhos entortando lá dentro presos na parede, mas não traiu minha confiança de primeira. Fiquei balançando de um lado pro outro um pouco, e então soltei, e caí de boca na pilha de livros que eu havia tentado fazer. Uma dor alucinante se espalhou por meus cotovelos, mas eu estava vivo, havia conseguido escapar do incêndio!
Levantei, desesperado, tentando pensar no que faria em seguida. Eu estava do lado de fora da biblioteca pela primeira vez em meses. Era arriscado alguém me ver, mesmo de noite, pois talvez colocassem a culpa do incêndio em mim se me vissem parado ali feito um idiota com fumaça saindo das roupas...
Pensando nisso, como havia começado tudo aquilo? Será que realmente... foi um incêndio criminoso? Não é hora pra isso, melhor eu fugir primeiro, ou encontrar Yuu, talvez ele já estivesse chegando em casa...
Não havia ninguém naquela rua, mas na esquina eu podia ver algumas pessoas se aproximando, horrorizadas, depois correndo de volta por onde vieram, talvez buscando baldes de água ou ajuda. Alguma coisa me disse que eu devia dispersar o cenário da minha fuga. Chutei a pilha de livros (que dor no coração ter de fazer isso) os espalhando ocasionalmente e então saí correndo. Não podia ficar ali. Alguma coisa me dizia que era perigoso, e que eu estava me arriscando ao ficar exposto. Tais pensamentos foram confirmados ao notar de longe a silhueta do inspetor entre as pessoas que começavam a se juntar lá na frente. Corri para a escuridão sem olhar pra trás. Amanhã se fosse seguro eu voltaria e procuraria por Yuu.
E pior do que minha dor física após a queda era a dor em meu coração que inutilmente tentava me convencer de que ia ficar tudo bem.
。。。
Corri por becos escuros fugindo da multidão que agora tentava apagar o fogo da amada biblioteca da cidade, quando percebi que eu não sabia pra onde estava indo. Precisava me esconder em algum lugar antes que amanhecesse e algum dos policiais de Matsumoto me avistasse passeando por aí.
O único lugar que me veio à mente foi minha antiga “casa”. Será que eu já estava recuperado o suficiente pra voltar praquele lugar cheio de memórias da minha antiga vida? Será que eu suportaria a solidão de estar longe de Yuu e sem minha irmã?
Isso eu teria de descobrir sozinho, pois não havia outro lugar pra eu ir.
Cheguei no meu antigo bairro depois de uma apressada caminhada me esquivando nas sombras. Não me surpreendi ao ver que tudo continuava exatamente do mesmo jeito que estava quando eu havia deixado aquele lugar pela última vez. O estabelecimento desabado, toda aquela madeira quebrada, nada havia sido removido e não havia, obviamente, sinais de tentativa de conserto. Tudo continuava igual, exceto por Aiko.
Voltar ali e ver nosso lar destruído já estava me doendo no coração, e ao lembrar de que ela também não estava ali fez lágrimas brotarem silenciosamente nos meus olhos. Eu sei que eu havia prometido não chorar... mas ali, no lugar onde tudo aconteceu, no lugar onde vivemos e sobrevivemos tantos anos juntos... era impossível não chorar, não me lamentar, e não deixar meu coração voltar a se corroer de saudade. Ela não vai voltar, eu repetia pra mim mesmo. Você só pode falar com ela pelos seus sonhos agora, Kouyou, contente-se com isso.Você nunca mais vai vê-la, ela não está mais aqui, não adianta procurar. O mais próximo que você vai ter disso é o seu reflexo no espelho. O que havia feito esse sangramento parar até então era Yuu. Mas agora ele estava longe e eu não sabia como e quando conseguiria encontrá-lo.
E se sua casa fosse consumida pelo fogo também? E se ele achar que eu não consegui escapar? Tantas perguntas e nenhuma resposta... só de imaginá-las, só de pensar no meu moreno sofrendo e procurando por mim... só de imaginá-lo vendo sua propriedade destruída, tudo que herdou da mãe, tantos livros, toda sua dedicação, tudo...
Não, não havia absolutamente jeito nenhum de eu me acalmar ou descansar. Só esperar pela manhã, preso novamente na minha cabeça com minha pior companhia – eu mesmo.
Hesitante, me aproximei dos restos do lugar que um dia eu chamei de minha casa. A parte de trás não havia sido tão danificada quanto nosso palco, onde o telhado não tinha muito suporte. Não havia muita luminosidade para iluminar o cenário devastado, apenas a luz da lua, mas pra mim era o suficiente, afinal conhecia o lugar como a palma da minha mão. Uma das portas permanecera de pé. A empurrei, chutando alguns entulhos pra longe e consegui entrar. Nosso combinado de sala-cozinha-quarto estava ali, parcialmente inteiro, e realmente empoeirado. Aquele lugar me atraía como ímã. Doía estar ali e ver tudo aquilo, sem Yuu por perto, e sem Aiko também.
Nosso colchão (tudo ali era “nosso”, nada era meu, ou dela, tudo era compartilhado e sempre fomos um só, um cuidando do outro, um ajudando o outro...) estava coberto por uma grossa camada de serragem. O teto ali havia cedido, mas não chegou a desabar totalmente. Alguns velhos bens meus estavam espalhados por ali, meu primeiro baralho de cartas por exemplo, mas não dei muita atenção além de um sorriso triste. Me sentei ali, sem me preocupar com qualquer coisa. Escondi o rosto nas mãos e respirei fundo, tentando segurar as lembranças e todos os sentimentos.
Por que logo agora? Por que justo quando estava tudo bem, eu estava feliz, reajustado no mundo, recuperado do luto e quando eu e Yuu havíamos começado um relacionamento mais intenso do que amizade? Por que esse maldito incêndio, por que eu fui obrigado a voltar a esse maldito lugar, a esse cemitério, e por que as pessoas tem que morrer tão jovens? Nada disso devia ser permitido...
E eu juro, que se aquele maldito inspetor anão teve alguma coisa a ver com isso, eu faria questão de fazê-lo sofrer e pagar por tudo isso. Por ser um imbecil apaixonado pela minha irmã e tê-la forçado a escolher entre a miséria feliz ou a um casamento infeliz mas com uma vida confortável. Se não fosse por essa “relação” deles ele nunca teria me culpado e começado a me caçar desse jeito, oferecendo recompensa pela minha cabeça. A suspeita de que fora ele quem começara aquele incêndio crescia com convicção na minha mente, e meu desejo de fazê-lo sofrer por isso também. Por que ele não podia perceber que eu estava sofrendo pela morte dela tanto quanto ele? Que a obsessão romântica dele não é nem metade do meu amor de irmão por ela? Maldito seja Matsumoto... eu nunca havia sentido raiva de alguém na vida como sentia dele agora. Nem dos homens que pagaram por meu corpo. Se Matsumoto era responsável por eu estar ali agora e Yuu estar sozinho e desamparado eu teria o prazer de empalá-lo com aquela sua bengala cretina e deixar corvos comerem seu corpo lentamente.
E foi com a cabeça cheia de raiva, ódio, frustação, dor, saudade e incerteza que passei o resto daquela madrugada em claro, a pior noite da minha vida desde o acidente que levou minha irmã de mim.
。。Yuu 。。
Se você nunca passou pela experiência de correr desesperadamente uma longa distância num frio congelante pra chegar em casa e ver todos os seus bens sendo consumidos pelo fogo, juntamente do amor de sua vida que estava sozinho e trancado lá dentro, você não faz a menor ideia da dor que eu senti ao colocar os olhos naquela cena.
Parei no meio da rua, estagnado, o queixo caído, sem poder calcular o tamanho da tragédia. Meu coração parecia que havia se desintegrado em milhões de pedacinhos pontiagudos. Não sei como eu não desmaiei. Deve ter sido o pânico por lembrar que eu havia deixado Kouyou sozinho lá dentro.
– KOUYOU! – Gritei sem pensar duas vezes, sem me importar com nada, e corri empurrando as pessoas na minha frente.
Havia uma pequena multidão reunida em torno da minha biblioteca, tentando inutilmente apagar um incêndio daquela dimensão com meros baldes e mangueiras. Sabia que não ia adiantar. Aquele fogo não tinha como ser parado, e ele ia queimar até queimar o último suspiro do meu coração junto com aqueles livros velhos que eram a minha vida.
– KOUYOU, KOUYOU! – Continuei gritando, tentando entrar, mas fui impedido. Alguns homens me seguraram pelos ombros e não deixaram eu tentar passar pela porta da frente direto para as chamas.
– Não adianta, todas as portas estão barradas, já tentamos entrar, mas não há passagem nenhuma. – Um deles disse pra mim. – Ei, você é o dono não é? Havia alguém lá dentro!? Achamos que você estivesse lá!
Nem ouvi a última parte. Meu cérebro havia parado de funcionar racionalmente quando aquela voz disse que todas as saídas estavam barradas. Kouyou... eu devia estar gritando ainda, ou não, não sei dizer. Meu mundo desabou ao pensar na possibilidade de perdê-lo. Não... isso não podia acontecer... logo agora depois de conquistar seu coração, agora que ele era meu e tínhamos toda vida pela frente... Kou...
Os vidros das janelas estouravam e seus cacos voavam pra todos os lados ocasionalmente. As labaredas cruéis lambiam e consumiam o prédio tão belo por dentro e por fora. Mais uma hora e estaria tudo acabado, e tudo que teria sobrado da minha vida seriam cinzas e fumaça.
Voltei a gritar desesperadamente, sem controlar as lágrimas que lavavam meu rosto gelado. Se Kouyou ainda estava lá dentro... então não havia mais esperanças...
Se eu estivesse em casa na hora ao menos... se eu não tivesse sido atraído para uma emboscada e deixado meu amor sozinho lá dentro... se ele estava dormindo quando tudo aconteceu... ao menos... não sentiu dor... eu espero...
NÃO, KOUYOU ESTÁ BEM! PARE COM ESSES PENSAMENTOS AGORA MESMO SHIROYAMA YUU! Você sabe que ele é forte e esperto e já passou por coisa pior, mesmo com as portas trancadas ele deve ter conseguido um jeito de fugir, ele deve estar bem e vai entrar em contato em breve, é só uma questão de tempo, não é como se ele tivesse m...
Antes que a terrível palavra se formasse em meu raciocínio de dor e desespero, uma mão pousou em meu ombro e me interrompeu.
– Uma pena, não é?
Olhei pro lado. Matsumoto. Com um leve sorriso debochado na cara que me fez ter vontade de arrancar seus dentes um por um e fazê-lo engolir todos depois. A diversão em seu olhar... a mão nojenta coberta por uma de suas luvas de couro nojentas dando tapinhas de falso consolo em minhas costas...
– Só esquecer a lenha acessa e dar uma saidinha e acontecem esses acidentes, tsc... Aliás, como foi a reunião? – Continuou, falando com aquele sorriso realizado estampado na cara, admirando o fogo como se fosse um espetáculo. – Esse Kouyou por quem você está gritando há meia hora, meu caro amigo Yuu, seria por acaso Takashima Kouyou, mais conhecido como Uruha, o Ilusionista? Por que eu te avisei sobre o quanto eu ficaria chateado se estivesse mentindo pra mim, lembra, querido?
Fervi de raiva por dentro. Se não estivesse esgotado física e psicologicamente eu já teria dado uma surra naquele anão por cada palavra, por cada segundo que ele mantinha aquele sorriso de satisfação. Ele sabia disso também e continuou sorrindo.
– Tudo bem, não precisa responder, se por uma incrível coincidência era essa a pessoa que acabou de ser queimada viva trancada ali dentro eu te perdoo por ter traído minha confiança, porque só sofrer pela perda do seu anormalzinho já vai a maior punição que eu poderia te dar em vida, não? Ah... uma dor de cabeça a menos pra mim e um depósito de papel velho e inútil a menos na cidade! Certamente vou dormir muito bem hoje. – Sorriu mais ainda, fechando os olhos expressando sua alegria enquanto falava.
Quando os bombeiros que agora tomavam conta da situação se aproximaram de nós e das pessoas a nossa volta mandando todos se afastarem mais porque ali não era seguro, o inspetor aproveitou pra se despedir de mim.
– Então, te vejo por aí Yuu, não sei se vai sobrar algum resto da sua casa pra você morar mas isso não é problema meu. – Acenou e saiu quase dançando sumindo na multidão.
Decidi ignorar tudo que havia ouvido daquela boca imunda dele antes que eu arrancasse um braço fora só pra ter com o que bater nele. Algumas pessoas me identificaram e tentaram falar comigo, mas eu já não ouvia mais nada, estava tonto e acabado. Voltei a pensar em Kouyou e acabei perdendo a consciência ali mesmo.
。。。
Acordei num lugar estranho. Não sabia onde eu estava, mas sabia que estava deitado no sofá de alguém. Descobri então que quem havia me acolhido era um de meus funcionários que morava próximo à biblioteca. Agradeci imensamente por isso. Ele me atualizou com as notícias e disse que os bombeiros conseguiram apagar o fogo antes que ele consumisse minha casa também. Lavei o rosto me recompondo do pesadelo real que foi a noite a passada e voltei pra cidade decidido a encontrar Kouyou.
Eu tinha certeza que ele estava bem, ele tinha de estar bem.
Caminhei rapidamente e tive que desviar o olhar quando ele bateu minha biblioteca. Quer dizer, os restos de madeira carbonizada que um dia foram a biblioteca da minha família. Desviei pela rua do lado tentando não olhar muito, ignorando o grande aperto no coração, e fui direto pra minha casa.
Realmente, ela não fora queimada. Nem sei para onde eu iria se eu tivesse perdido minha casa também. Respirei aliviado por isso, mas antes que me desse o luxo de começar a pensar sobre Kouyou, fui abordado por um policial.
– Senhor Shiroyama, o senhor está sob investigação da polícia. Ninguém entra ou sai do perímetro da sua casa sem nossa revista. O senhor também estará sendo seguido por onde for, esteja avisado.
– Mas... o quê? Por quê? Sob que acusação!? – Me indignei, chocado. Embora já soubesse a resposta.
– Ordens do inspetor. – Ele disse apenas, e então se retirou daquele jeito formal que policiais fazem.
Acompanhei-o com o olhar e então reparei que em cada esquina havia mais um guarda, todos me encarando, todos de olho na minha casa.
Ok, certamente era por isso que Kouyou deve ter fugido e se escondido, e já que estou sendo seguido agora vai ficar meio complicado de nos encontrarmos...
Merda, eu estou sendo seguido e vigiado! Aquele canalha conseguiu estragar tudo fazendo isso! Agora nem seu mordomo vai poder entrar em contato comigo... meu deus, será que agora com toda essa complicação vamos conseguir um jeito de fazer o Kou se encontrar com a sua irmã?
Está tudo errado... e é tudo culpa daquele psicopata...
Entrei em casa, sozinho, sentindo falta da presença do meu loiro ali mais do que nunca, e me deixei sentar no chão, o rosto apoiado nas mãos.
Se eu conseguir encontrar Kouyou ele vai nos pegar, como disse, e agora nenhum lugar é seguro...
O que nós vamos fazer...!?
Não saí mais de casa naquele dia e fechei todas as janelas só de raiva de todos aqueles guardas plantados lá fora como cachorros encarando um bife. O cheiro de fumaça estava forte lá dentro, mas eu não tinha outro lugar pra ir, e precisava pensar, pensar e pensar num jeito de resolver todos aqueles problemas.
Pra onde Kouyou pode ter ido? Ele não tem família nem amig... Ah! Yutaka! Será que ele foi buscar ajuda com ele? Torci pra isso, mas eu não fazia ideia sobre se Kouyou sabia onde o outro morava ou não. Perdi tempo demais ficando com ciúmes dele do que me informando sobre a intimidade da amizade deles. Bem, mas era uma esperança, e uma das boas. Sabia que podia confiar naquele garoto e se Kouyou conseguisse encontrá-lo certamente ficaria bem.
No outro dia pela manhã, fui caminhar entre os destroços da biblioteca vendo se encontrava alguma pista sobre Kouyou ou alguma coisa que ainda pudesse ser utilizada. Consegui catar alguns livros que não haviam sido inteiramente queimados, nada mais, todos os sofás, tapetes e luminárias haviam sido carbonizados. Passei com tristeza pelo lugar onde costumávamos ter nossas aulas de leitura, no nosso sofá preferido, o lugar onde nos beijamos pela primeira vez (o que parecia ter sido há meses atrás, não dias), e uma coisa me chamou atenção.
Um pequeno pedaço de papel, branquinho, enfiado no meio das cinzas, bem naquele lugar. Me abaixei e o peguei, ansioso.
Era uma carta de baralho.
Um nove de espadas, pra ser mais exato.
E em seu verso, com a caligrafia prematura e meio tremida que eu conhecia muito bem, havia uma mensagem de Kouyou.
Estou vivo e bem
Mas não deixe ninguém saber
Você está sendo vigiado.
Vou procurar por Y., ele pode nos ajudar.
Não fique triste, eu também estou com saudade, mas
Vai ficar tudo bem.
Eu te amo
Aguarde mais cartas
Guardei a carta no bolso e voltei despreocupado pra casa.
Quando estava longe da vista dos policiais, deixei as lágrimas de felicidade escorrerem por meu rosto e sorri por um bom tempo. Kouyou estava bem, eu sabia, ele estava vivo..!
Finalmente o aperto em meu coração diminuiu. Aquela dúvida na cabeça desde aquela noite estava me matando por dentro. Mas agora eu sabia que meu amor havia conseguido escapar e estava tudo bem...
E agora também tínhamos um jeito de nos comunicar sem que nos vissem, e um plano. Assim que Matsumoto tiver certeza de que ele morreu no incêndio, vai voltar a me ignorar e então poderíamos dar o próximo passo.
。。Aiko 。。
De um dia pro outro, Takanori mudou completamente.
Parecia uma pessoa diferente.
Eu não fazia a menor ideia do motivo, e se Akira sabia, não me contou. Também não sabia se isso havia melhorado ou piorado as coisas.
Antes ele simplesmente me ignorava e me via como um problema, deixando tudo pro Aki fazer sozinho. Agora ele chegava em casa e vinha direto me ver, falar comigo, perguntar como eu estava. Mudança tão radical que chegava a me dar medo. Ele não parecia mais o filho da mãe que me obrigou a fazer tantas coisas a ponto de me engravidar. Não sei se estava querendo consertar as coisas se fazendo de bom marido agora, mas para mim ele nunca seria mais do que um verme.
– Bom dia meu amor. – Ele entrou no quarto, sorridente, trazendo um pequeno buquê de flores coloridas.
– Bom dia... – Respondi sem vontade, por obrigação. Ele se aproximou e me deu um beijo na testa, depois arrumou as flores num vaso ao lado da cama.
– Trouxe um presente pra você, gostou? – Aproximou o vaso de meu rosto para que eu pudesse cheirá-las.
– Obrigada, são muito bonitas. – Agradeci educadamente.
Eu realmente estava com medo dele, daquela mudança de comportamento absurda. E eu estava odiando aquilo também, porque assim ele mantia Akira afastado de mim por mais tempo, exatamente o contrário do que eu queria. Meu único amigo, aquele homem de bom coração que havia cuidado de mim com tanto carinho, que era tão bonito e charmoso e nem percebia isso... Akira, aquele a quem meu coração havia escolhido se agarrar depois de todo o desespero que tive que passar, pois ele era minha única luz, a pessoa que havia me convencido a não desistir de viver e me dado um motivo pra isso...
Meu coração se alegrava só de ver Akira, me fazia sorrir e me sentir bem, mas quando Takanori estava ali sozinho comigo eu tremia de medo, pensando no que ele poderia estar tramando dessa vez, tentando descobrir de que jeito ele iria me ferir da próxima vez, com aquele seu amor irracional e cego como uma faca de dois gumes...
– Você está confortável, Ai? Quer mais um travesseiro, ou um copo d’água? – O baixinho se sentou ao meu lado.
– Não, obrigada, estou bem. – Queria é que ele fosse embora dali imediatamente e que Akira viesse me contar como estava o tempo lá fora, as notícias da cidade e ler um livro pra mim, como sempre.
– Sabe querida, eu finalmente consegui resolver um grande problema no trabalho, e agora tenho muito tempo livre pra passar com você. Você sabe que eu te amo e acho você a mulher mais linda do mundo, mesmo... quebrada assim, mas até agora eu sei que não fui um bom marido. Peço seu perdão, minha donzela. Espero que possamos começar de novo agora. – Observei-o pegar minha mão e a beijar, me olhando nos olhos.
– Tudo bem, o que você quiser, eu não vou a lugar nenhum mesmo. – Ri sozinha e respondi amargamente. Depois, temi que ele me desse um tapa na cara por aquilo.
Ele me analisou por alguns segundos, pensativo, mas com um semblante muito calmo, e depois voltou a falar.
– É claro que só há um problema, na verdade. – Continuou, sorrindo daquele jeito irritante, ignorando minha resposta de antes. – Sabe, eu realmente não gosto de crianças. Acho que você devia se livrar desse bebê. Mas é só uma dica, só uma opinião. Tudo bem se você quiser ter esse parasita que está deformando seu corpo, mas depois ele vai pra adoção ou pra qualquer lugar assim, aqui em casa não vai ficar. Só avisando, ok? Tenho que dar uma saída agora amor, tenha um bom dia. – Se inclinou pra dar um beijo na minha testa novamente, mas num acesso de raiva cuspi na cara dele.
– O BEBÊ É MEU! – Comecei a gritar, tremendo. Não dava mais pra segurar todo o ódio que eu sentia por ele. – Eu vou ficar ele, não importa o que você diga!
– Ah é? E me diga como você vai me impedir? Ou me diga como você vai amamentar essa sanguessuga se não pode mover os braços, hein? – Riu, limpando o rosto.
– Akira... ele vai me ajudar... – Tentei me controlar pra não gritar novamente, mas se eu pudesse já estaria desmembrando aquele demônio em formato de pessoa ali na minha frente, por cada uma daquelas palavras horríveis. Nem percebi que estava chorando.
– Ele vai fazer o que eu mandar ele fazer. E se o médico disser que esse parasita pode colocar sua vida em risco, nem espere que eu vá deixar isso acontecer. Querida você sabe que eu só quero o seu bem, não chore por um pedaço de carne indesejado, eu te amo.
Não tentou se aproximar de mim novamente sabendo que eu o morderia se tentasse, e apenas se afastou em direção a porta.
– Você... não faz a menor ideia... sobre o que é... amor... – Respondi, tremendo de raiva, chorando de frustação por não poder levantar e arrebentar a cara dele.
Takanori apenas sorriu, deu de ombros, e foi embora.
Notas finais
essa história é rica em detalhes e tramas, as vezes fico com dificuldade de colocar no papel tudo isso que fica passeando na minha cabeça, espero que vocês estejam gostando >
perdoem minhas falhas e minha demora, e por favor comentem sempre que puderem seus lindos ;u; ♥ obrigada por todos os reviews no último capítulo também, Kouelho, Queen, Ellesmera, Yue, Riku, Tutfrut e Vi ♥
até o próximo ♥
Hoku 30/06/12
ps: A dramatic turn in events - álbum do Dream Theater ♥
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