As If Magic Exists

10 Chapitre ♦ 10


Notas iniciais
boa leitura~ espero que gostem do capítulo >

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Chapitre ♦ 10

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。。 Kou 。。

Quando o sol nasceu, pude me acalmar um pouco. Fisicamente exausto, mas completamente decidido a erguer a cabeça e consertar a situação, só descansando em paz quando tivesse Yuu nos meus braços novamente. Levantei daquele lugar deprimente já sabendo o que eu tinha que fazer primeiro. Procurar por Yutaka.


Com a claridade pude olhar melhor ao redor. Encontrei algumas latas de comida fechadas num canto, então procurei por alguma sacola para levá-las comigo. Era pouco, mas era só o que tínhamos lá em casa. Encontrei também, com um certo desconforto no estômago ao vê-los, meus velhos utensílios de fazer mágicas. Um baralho de cartas. Uma bolinha de borracha vermelha que eu fazia desaparecer e reaparecer, e também um lenço que eu usava pra vários truques. Relutante, coloquei-os na sacola também. Alguma coisa me dizia que podiam ter utilidade, mas eu sabia que só os usaria novamente em caso de extrema emergência. Náusea tomava conta de mim quando pensava na possibilidade de voltar à minha profissão de mágico ilusionista. Mesmo que sempre tenha sido meu sonho. Mesmo que deixasse as pessoas felizes. O acidente que fora culpa minha de um jeito ou de outro havia destruído tudo isso. Eu não podia me perdoar. Mesmo o mais inocente e bobo truque me deixaria angustiado me lembrando de Aiko e o que aconteceu com ela.

Fechei a sacola, colocando o livro de Yuu lá dentro também, e tratei de ignorar aqueles objetos que eu havia reunido. Talvez eles me tivessem alguma utilidade, o que já era lucro. Saí pela porta quebrada do barraco semi-soterrado. Eu estava contando com a sorte pra me ajudar na questão a respeito de minha aparência. Se eu realmente havia mudado como Yuu disse uma vez, não me reconheceriam na rua. Claro que era arriscado e eu estava com medo, mas não havia outro jeito. Nos shows eu sempre usava muita maquiagem ao redor dos olhos e o cabelo com a franja cobrindo uma parte de meu rosto. Agora não havia maquiagem ou beleza nenhuma, apenas olhos cansados e mais sofridos, mas com muita força de vontade. E meu cabelo estava pro lado, e mais comprido. Devia estar diferente o suficiente. Isso tinha que bastar.

As roupas que eu estava usando, que Yuu comprara pra mim, obviamente também eram diferentes das minhas que eu usava pra me apresentar. É, não deviam suspeitar de um sujeito bem vestido como eu andando despreocupado por aí. Principalmente se estão achando que eu morri.

Certo. Tudo pronto pra partir. Respirei fundo, nervoso.

Agora vem a questão fundamental: eu não sei nada sobre Yutaka.

Tudo o que conversamos desde que nos tornamos amigos foi sobre qualquer coisa menos nós mesmos. A única coisa concreta que eu sabia sobre sua vida pessoal era que ele era estudante de Direito. Apenas isso. Já é alguma coisa pra começar, mas... Existem seis universidades principais na cidade. E eu teria que espreitar a entrada de cada uma delas procurando por ele.

Foi o que fiz.

Por quase um mês.

Mas já voltaremos a esse ponto.

Naquele dia eu me dirigi até a proximidade do portão de entrada de uma dessas universidades. Fiquei escondido num beco, de onde tinha uma boa visão da entrada. Analisei cada pessoa que entrava ou saía, e nenhuma delas era Yutaka. Fiquei o dia inteiro ali, naquela atividade completamente exaustiva e me sentindo muito sozinho, deixando os pensamentos vagarem pelas lembranças dos momentos maravilhosos que passei com Yuu até hoje pra me distrair um pouco.

Observei a manhã inteira, a tarde inteira e até a primeira parte da noite. O fato de eu não ter visto ele ali não significava que esse não era o lugar em que ele estudava, hoje podia ser um dia em que ele não tinha aula, ou ele faltou por algum motivo relacionado ao meu desaparecimento e toda aquela confusão sobre a biblioteca.

Comecei a ficar assustado. Uma infantil esperança havia me dito que eu encontraria Yutaka logo no primeiro dia, na primeira tentativa, mas depois de ter passado pela realidade da coisa, me perguntei quantos dias, semanas, eu levaria para encontrá-lo. Quanto mais tempo demorasse mais eu ia sofrer e enlouquecer ficando sozinho.

Agora que já havia escurecido era seguro eu voltar a me aproximar da casa de Yuu e pensar novamente no que fazer. Caminhei calmamente até lá, me misturando às poucas pessoas na rua, passando despercebido, usando a arte de ficar invisível por simplesmente não chamar a atenção de maneira nenhuma, com a expressão completamente indiferente ao resto do mundo. Por dentro, é claro, meu coração estava se debatendo contra meu peito, muito assustado e já tentando se preparar para o pior. Eu até agora, pelo bem da minha sanidade, não havia considerado a possibilidade de Yutaka rejeitar meu pedido de ajuda quando eu revelar minha identidade. Estava certo de que nossa amizade era verdadeira, mas sei que pode acontecer qualquer coisa... E se isso acontecesse eu entraria em pânico, certamente.

Duas quadras antes de chegar à “nossa” rua, notei a presença de guardas estrategicamente posicionados. Alerta, dobrei a esquina, indo para as sombras, longe das esparsas luminárias da rua. Experimentei dar a volta, indo pela direção de onde ficava a biblioteca, não a casa do meu moreno. Deu certo. Daquele lado não havia mais guardas. Eles pareciam estar concentrados ao redor da casa mesmo. Melhor pra mim.

Um momento de terror me deixou paralisado, ao ver pela primeira vez como havia ficado a biblioteca depois do fogo ter sido apagado. Só havia escombros e madeira carbonizada por todo o lado. Uma mancha negra na paisagem. Lutei contra a tristeza que tentava se abater sobre mim. Não era hora de me lamentar, Yuu já devia estar fazendo isso o suficiente por nós dois, eu devia é continuar feliz por ter conseguido sair com vida de lá, ou agora estaria ali no meio daquelas madeiras e esqueletos de livros numa pilha de pó sendo levado pelo vento.

Reorganizei os pensamentos. O que eu sabia era: eu não podia me aproximar da casa. Mas eu poderia me aproximar da biblioteca, mais tarde da noite. Tudo era escuridão ao redor. Se eu me aproximasse, dançasse valsa ou ficasse pelado lá no meio, ninguém veria. E de madrugada os guardas estariam cansados e odiando aquele trabalho tedioso e inútil, porque do contrário do inspetor eles devem saber que ninguém importante tentaria falar com Yuu simplesmente batendo na porta da frente, pronto pra ser algemado por isso.

Certo... já que eu não podia me encontrar com Yuu pessoalmente ainda, só me restava uma opção... deixar uma mensagem pra ele. Mas como? Onde? Pelo o que eu conheço dele ele certamente vai passar o dia se lamentando andando pelas ruínas... o único lugar com significado que eu conseguia pensar era o canto onde sempre tínhamos nossas aulas de leitura. Era a única chance, minha única aposta. Sim, era arriscado, mas podia dar certo, e eu não me perdoaria se o deixasse mais um dia sem notícias de mim. Precisava pelo menos dizer pra ele que eu estava bem e tentando resolver as coisas para que nossa vida possa voltar ao normal.

O problema era que eu não tinha papel, como concluí depois de revistar os bolsos. Não ousaria arrancar nenhuma página do livro de Yuu pra isso também. Dei uma olhada na minha sacola.

Ah. O baralho de cartas. Perfeito!

Agora elas se tornariam cartas nos dois sentidos. Ótimo, eu já tinha um plano, só precisava esperar. Escreveria com um pedacinho de carvão no verso da carta e a deixaria no nosso lugar especial. Depois disso só rezaria para que ele a encontrasse. E que nenhuma outra pessoa a encontrasse antes.

E foi o que eu fiz. E na madrugada seguinte, voltei para ver se ela ainda estava no lugar onde eu a havia cravado. Não estava. Das três uma: ou Yuu a encontrou e está se sentindo melhor agora que sabe que eu estou vivo, ou alguém a encontrou e nós dois estamos em sérios problemas porque o inspetor sabe que eu não morri, ou ela pode não ter ficado bem colocada e ter sido levada pelo vento.

Durante a noite eu voltava pro meu barraco pra dormir, afinal era o único lugar que eu tinha. No resto do dia eu espreitava faculdades procurando por Yutaka, rezando pra ele aparecer logo. Minha comida estava acabando agora. Racionei ao máximo aquelas latas, mas não duraram muito. Depois, aguentei a fome até quando pude, e então não me restou alternativa a não ser me humilhar e pedir comida. Como fiz durante toda minha vida desde os doze anos... doía em mim, e muito, voltar praquela situação, mas até eu achar meu amigo eu teria de ver assim, mendigando.

E foi assim que os dias e noites se passaram. Passei três ou quatro dias de semana analisando cada faculdade. E em dias alternados eu deixava cartas para Yuu. Para minha extrema felicidade, ele começou a me responder deixando pétalas de rosa no mesmo local, com respostas. Juntando todas elas eu conseguia ler sua mensagem, e quase chorei de alegria por estarmos conseguindo nos comunicar.

Eu estava me sentindo mais solitário do que nunca, mas poder me comunicar com Yuu daquele jeito secreto me dava forças novamente. Era horrível ter que ficar longe dele, mas enquanto aqueles guardas não saíssem dali nós não poderíamos nos encontrar.

Eu continuava procurando por Yutaka feito um espião, e enquanto isso trocava mensagens com Yuu de vez em quando. Ele me ofereceu ajuda, e em dez dias eu já tinha riscado quatro universidades da lista de principais possibilidades. Faltavam mais duas. Se ele também não estudasse numa dessas, eu partiria para as menores. Daqui três dias eu receberia a resposta de Yuu sobre elas.

Continuei sobrevivendo com os pães queimados que às vezes eu ganhava e a água que conseguia encontrar, “espionando” durante o dia (lembrei que ele estudava de manhã e trabalhava a tarde, então reduzi meu turno de observação) e tentando me manter aquecido à noite, enquanto ocupava a mente com a lembrança da voz de Yuu, seus sorrisos, o toque de seus dedos na minha pele, o carinho imenso no seu olhar e os poucos momentos íntimos que tivemos oportunidade de ter até agora. Era isso que me mantinha são, me mantendo longe do perigoso abismo que eu sabia que estava escondido em algum ligar na minha cabeça, me espreitando em momentos de fraqueza, solidão e saudade. Yuu. Sempre Yuu.

Ah, mal posso esperar para encontrá-lo novamente...

。。。

Mal acreditei no que li quando fui recolher as pétalas-resposta. Finalmente havíamos encontrado Yutaka! Ironicamente, na última opção da lista. Já havia se passado três semanas desde o incêndio (mas o número de policiais montando guarda ainda não havia diminuído).

Me organizei para ir encontrá-lo na manhã seguinte, completamente ansioso e feliz. Agora as coisas iam começar a dar certo... Deixei mais uma carta pro Yuu, dizendo o quanto sentia sua falta e que havia acabado de ler seu livro, e que um dia gostaria de adotar uma criança com ele, como os personagens haviam feito, formando, assim, uma família.

Enquanto voltava pra minha casa provisória, fiquei pensando bobamente se ele ficaria corado quando lesse a mensagem. Eu estava morrendo de saudade, mal me aguentava... esperava que minhas palavras o deixassem ao menos um pouquinho feliz...

Também já não me aguentava mais de fome, a única coisa que eu havia comido durante o dia foram alguns pêssegos que achei numa árvore por aí. Enquanto caminhava rapidamente para não congelar, as mãos enterradas nos bolsos do casaco, avistei uma padaria ainda aberta. Ainda era cedo da noite, eu não havia aguentado de ansiedade e fora bem cedo buscar a resposta na biblioteca, com muito cuidado pra não ser visto, é claro.

Decidi me aproximar, odiando aquilo, me sentindo humilhado, esquecendo como eu sempre fiz para ignorar aquele sentimento. A fome falava mais alto que meu orgulho recentemente adquirido.

Perguntei se havia alguma sobra, alguma coisa que fossem jogar no lixo, que pudessem dar para eu comer, qualquer coisa, ou se eu podia ajudar em alguma coisa em troca de comida. O moço atrás do balcão se virou com um abençoado sorriso caridoso e disse que ia dar uma olhada na cozinha. Eu disse “muito obrigado!” sincero fazendo uma reverência. O moço olhou completamente assustado para mim, piscando várias vezes. Eu olhei completamente assustado para o moço, o queixo caindo.

– KOUYOU!? – Ele exclamou.

– YUTAKA? – Eu me exaltei de volta, sem conseguir acreditar nos meus olhos.

Eu demorei pra reconhecê-lo porque ele estava com um lenço amarrado na cabeça, e de uniforme com um avental por cima. Ele demorou pra me reconhecer porque eu estava parecendo atualmente um legítimo morador de rua.

– Meu deus! O que aconteceu com você, Kou!? Eu estava tão preocupado! Não consegui falar com seu chefe, não sabia como você estava desde o incêndio, eu, ah... – Ele passou por baixo do balcão rapidamente e me deu um abraço muito forte.

– Não acredito que eu finalmente te encontrei... – O abracei de volta, muito emocionado. Realmente eu tinha um amigo além de Yuu, alguém que se preocupava comigo, que sentia minha falta... – Estou te procurando pela cidade desde aquele dia.

– Eh? Sério?

– Sim, eu preciso de ajuda Yutaka, e você é meu único amigo... é uma longa história...

Nesse momento surgiu uma mulher de meia idade na porta atrás do balcão.

– O que tá acontecendo aqui, que gritaria é essa, Kai? – Ela falou, olhando feio pra mim.

– Não é nada, é só um amigo meu. Desculpe. – Yutaka respondeu.

– Que seja, tudo bem, você tá dispensado por hoje. – Terminou de falar e voltou indiferente pela porta de onde tinha surgido.

– Kai? – Perguntei, curioso, quando ficamos sozinhos novamente.

– Ah, sim, é meu apelido, achei que tinha te falado... – Ele sorriu. – Nossa Kou, é tão bom te ver de novo, saudades das nossas conversas, saudades da biblioteca... E então, no que você precisa de ajuda?

Hesitei. Não sabia nem por onde conversar.

– Se pudermos conversar em outro lugar, com mais privacidade...

– Claro, perdão. – Começou a tirar o avental e o lenço do cabelo. – Vou trocar de roupa e já volto, sim? Depois vamos pra minha casa.

Esperei ali, um pouco constrangido. Quando ele voltou, então percebeu algo que havia esquecido.

– Meu deus, me desculpa, você estava pedindo comida não é? Santo cristo, você deve ter muita coisa pra me contar... – Ele deu meia volta e se abaixou atrás do balcão, voltando um pão grande enrolado em papel, que entregou para mim.

– M-mas, tudo isso? Pra mim? Eu não quero causar problemas... – Gaguejei, constrangido pelo presente tão caro.

– Para com isso, seu bobo. – Ele sorriu. – Vamos?


。。 Yuu 。。

Impaciência me dominava conforme os dias passavam e Kouyou continuava me informando através de suas cartas que ainda não havia conseguido encontrar Yutaka. Ele não dizia isso, mas eu sabia que ele estava sofrendo, sem um lugar decente pra “morar” e muito provavelmente sem comida suficiente.

A saudade rasgava meu peito. Inventei uma maneira de lhe responder e lhe pedi os nomes das universidades ele ainda não havia investigado. Quando obtive sua resposta, fui correndo até uma delas muito bem vestido, e perguntei por Uke Yutaka, dizendo ser seu chefe. Não encontraram seu nome no registro de alunos. Fiz a mesma coisa em outra, e também não era lá que ele estudava. Avisei Kouyou através das pétalas de rosa para já tirar aquelas duas da lista. Esperava que eu estivesse sendo útil. Amanhã eu faria a mesma coisa nas outras. Iria conferir todas, até encontra-lo.

Kouyou devia ficar o dia inteiro escondido do lado de fora observando, o que não era exatamente efetivo, e meu coração doía só de imaginá-lo fazendo isso. Com minha ajuda o encontraríamos muito mais rápido. E já que agora eu estava “desempregado”, tinha tempo pra fazer isso...

A biblioteca, o que sobrou dela, na verdade, ficaria ali destruída por um longo tempo. Eu não sabia o que fazer. Eu tinha dinheiro, bastante até, que herdei de minha mãe, mas não era o suficiente para reconstruí-la. Sem esquecer o fato de que boa parte daqueles livros era insubstituível. Então por enquanto o terreno ficaria do jeito que estava. Meu foco agora era deixar bem claro pros guardas que a presença deles era desnecessária, e colocar Kouyou em segurança na casa de Yutaka. Enquanto isso, estaria esperando alguma visita de Akira, já que eu não podia ir procurá-lo no covil de Matsumoto onde minha cunhada estava presa. Ao mesmo tempo eu sabia que seria suicídio ele vir até aqui enquanto eu estivesse sendo vigiado, mas não custava ter esperança. Tudo precisava ser resolvido antes que Aiko virasse uma bomba-relógio quando o parto estivesse próximo.

Se alguma coisa acontecer enquanto Kouyou ainda estiver longe e ela não sobreviver, não sei se eu poderia algum dia contar pra ele a verdade. Ou sequer se deveria.

。。 Akira 。。

Se havia alguém mais desesperado que eu na situação atual, deveria ser Shiroyama Yuu.

Takanori tinha quase certeza de que havia conseguido eliminar Kouyou no incêndio que ele mesmo gerou. Disse pra mim que decidiu manter Yuu sob vigilância apenas por garantia, mas que era muito provável que tudo estivesse sob seu controle.

Estando completamente satisfeito e em paz, começou a bancar o bom e atencioso marido. O que era horrível de vários ângulos, porque isso limitara muito meu tempo sozinho com ela, o que a deixava infeliz, e porque eu estava egoistamente morrendo de ciúmes.

E agora eu não tinha como falar com Yuu e saber o que havia acontecido na verdade, se Kouyou realmente havia falecido, e aquela dúvida estava me matando. Se Takanori estivesse certo, meus planos teriam ido por água abaixo. Eu nunca, nunca, poderia contar para Aiko que Kouyou estava vivo sim, depois do acidente no show, mas que depois havia sido morto pelo inspetor num incêndio criminoso. E nunca me perdoaria por não ter ido procurar Yuu antes e feito os gêmeos se reencontrarem a qualquer custo enquanto ainda era possível. Se Kouyou havia falecido sem saber que sua irmã estava viva, e grávida, eu me culparia para sempre por isso.

O bom de ser o único amigo do baixinho era que ele me contava tudo, então, quando ele dispensasse seus guardas do serviço eu saberia, e iria imediatamente falar com o Shiroyama, nem que fosse para consolá-lo e oferecer um ombro amigo. Mas quando isso aconteceria? E quando acontecesse, a que altura Aiko estaria da gravidez?

O que levava a mais um problema: Takanori não queria a criança. Queria abortá-la se soubesse que a vida da sua amada estaria em risco no parto. O que certamente estaria, o médico já havia me dito isso, mas o baixinho não sabia de nada porque naquela época praticamente ignorava a existência dela ou da criança. Eu tinha medo de que quando o médico viesse novamente ele comparecesse ao exame e ficasse sabendo disso. Não sabia o que fazer. A única pessoa em quem eu confiava e poderia pedir ajuda era Yuu, mas eu não tinha como falar com ele.

Enquanto Takanori passava longos períodos com ela por dia agora, eu ficava sozinho desesperado tentando pensar no que fazer. Quando ele saía do quarto, se não mandasse eu fazer alguma coisa eu corria fazer companhia pra ela e consolá-la.

– Eu tenho medo dele Aki, muito medo... não quero que tire meu bebê de mim... esses sorrisos dele me dão calafrios...

– Eu não vou deixar ele fazer isso. Eu prometo, Aiko. Eu mentirei se for preciso, farei qualquer coisa, mas não deixaria ele fazer mal à criança de vocês antes dela nascer, e depois disso... depois... – Minha voz foi sumindo sem saber como encarar aquilo.

– Se eu morrer...? – Ela completou a frase por mim, com um olhar triste mas conformado.

– Sim... se isso acontecer, eu não vou deixar ele fazer nada com o bebê. Se você me der essa honra, eu gostaria de cria-lo, como se fosse meu próprio filho, com todo o amor do mundo. – Confessei pra ela, hesitante, sem saber qual seria sua reação.

Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo até que seus olhos se encheram de água e então as lágrimas transbordaram.

– Você... v-você faria isso, Akira? Mesmo?

– Mas é claro, querida..! – Me aproximei e a abracei, deixando que chorasse em meu ombro. Acariciei seu cabelo, até ela se acalmar um pouco.

– Muito obrigada... do fundo do meu coração, você é um anjo Aki, simplesmente um anjo... é um alívio saber que você está disposto a fazer isso, sei que o bebê vai ficar em ótimas mãos então...

– Ei, mas não é como se isso fosse acontecer! – Me exaltei.

– Não sei Aki, realmente não sei... alguma coisa me diz que eu não vou ver minha criança crescer... não sei se meu corpo vai aguentar muito tempo depois que ela nascer...

– Não diga isso! Por favor, Aiko! Ninguém sabe ainda, não pense desse jeito... – A olhei no fundo dos olhos, implorando para que parasse com aquele negativismo. Mesmo que parte de mim concordasse com ela e soubesse a dura verdade de que ela não vai sobreviver.

Ela sorriu e suas lágrimas cessaram. Ficamos em silêncio, nos encarando, ainda num meio abraço.

– Obrigada, muito obrigada, você tem minha eterna gratidão por tudo que já fez por mim... você é o homem com o coração mais belo que eu já conheci... gostaria que as coisas fossem diferentes... – Terminou sussurrando, e então me surpreendeu virando o rosto e encostando seus lábios nos meus num beijo. Fiquei paralisado, assustado, mas deixei que ela me beijasse.

Eu não sou tão bom assim, eu queria gritar. Eu não sou uma boa pessoa. Eu menti pra você, eu escondi o fato do seu irmão estar vivo.

Ela então afastou o rosto, e voltou a repousar a cabeça no travesseiro, levemente corada. Me peguei sem saber o que fazer, e sem jeito. Não ousei dizer nada. Qualquer coisa que eu dissesse poderia machuca-la nesse momento delicado.

– Obrigada por isso também... – Ela sorriu timidamente e desviou o olhar. Depois continuou, ao ver minha cara. – Tudo bem, eu sei, não precisa dizer nada. Eu sei só pelo jeito que você olha pra ele.

Ah, então ela sabe, mais fácil assim, eu não teria coragem de explicar...

Que confusão dos diabos...

。。。

The courage to walk strongly, I will be waiting for good news.
Listen to the stars disappearing in the night sky
One more wish delivered, I drew a ride in the wind.

missin 'song? sepia color screen
missin 'me? don't forget you.

Gently, gently spread the wings
To return to the only place.


Notas finais
*As If Forever Exists - Lin
como alguns já tinham percebido, o nome da fic é baseado nessa música
quando eu comecei a escrever ela, o rascunho original era um pouco diferente do jeito que ela está agora, então toda a letra da música estava relacionada a ela... as coisas acabaram diferentes, mas queria usar um pedacinho dela ♥ pra quem quiser ouvir http://www.youtube.com/watch?v=VYZeRbzz8JA ♥
meu deus, capítulo 10, tá acabando já ;u;
no próximo capítulo acontece todo o desfecho principal... o 12 é a resolução das questões pendentes e o 13 a conclusão, com uma surpresinha marota que espero que gostem, se não gostarem apenas ignorem -q ♥
e aí, como estou indo até agora? >
até o próximo gurizada ♥