As If Magic Exists
8 Chapitre ♥ 8
Notas iniciais
Feliz Aniversário de novo, Aki ♥
Chapitre ♥ 8
Acordei praticamente no paraíso, com Yuu dormindo aconchegado contra mim. Sorri bobamente, parecia perfeito demais pra ser verdade. As memórias da noite anterior foram voltando como um urso desgovernado. Minha epifania, sua declaração, nosso primeiro beijo. E depois aquele momento íntimo e maravilhoso.
É, certamente eu estava no paraíso.
Fiquei ali sorrindo enquanto acariciava seus cabelos macios, com cuidado para não acordá-lo. Seu cheiro era inebriante, bagunçava meus sentidos e acelerava meu coração. Eu estava feliz como nunca estivera antes em toda minha vida. Sentia que agora eu finalmente poderia parar de sofrer e me lamentar pela morte da minha irmã, e começar a aceitar a situação, seguindo em frente. Era como se ela estivesse me dizendo que estava feliz por me ver feliz e me dando permissão para parar de me deprimir e sufocar de saudade.
A pessoa que Yuu amava era eu, e só de lembrar disso eu quase me desmanchava em lágrimas de felicidade. Minha vida nova agora estava completa.
Eu já me encontrava quase dormindo novamente enquanto refletia sobre essas coisas, quando Yuu acordou. Procurou meus olhos e sorriu. Certamente também devia estar achando que aquilo era um sonho. O apertei mais forte contra meu corpo, suspirando com o toque delicioso da sua pele na minha.
– Bom dia, Yuu... – Falei timidamente, olhando no fundo de seus lindos olhos negros.
– Bom dia, meu anjo... – Ele sorriu e me deu um beijo no rosto.
Perfeito. O dia mais perfeito da minha vida só pela primeira hora. Não há nenhum sentimento que se equipare ao de se sentir amado por outra pessoa, saber que você é importante para alguém.
– Queria poder ficar assim o dia inteiro... – Murmurei, desviando de seu olhar, ligeiramente envergonhado.
– Ora, e por que não? – Ele se animou. – Hoje é domingo, não precisamos trabalhar. E mesmo se fosse dia de semana eu tiraria folga só pra passar o dia com você.
Beijei seu rosto repetidamente em agradecimento e ele riu, tímido. Terminei o ataque tomando seus lábios com os meus, e o moreno se rendeu totalmente. Como eu tinha demorado tanto pra perceber o quão importante aquele homem era pra mim?
Ficamos assim abraçados na cama, nus sob os cobertores, entre carinhos, beijos, risadinhas e olhares longos e profundos. Eu não queria que aquele momento acabasse nunca. Me assustei ao conferir no relógio que já era quase duas da tarde. Yuu se ofereceu para fazer o almoço para nós e então saímos do nosso refúgio quentinho. Fiquei com vergonha de me vestir na frente dele, mesmo depois do que aconteceu ontem. Ele me abraçou por trás me deixando mais constrangido ainda e disse, rindo, pra eu deixar de ser bobo. E que meu corpo era lindo.
Me vesti rapidamente, estava frio, apesar de não estar chovendo ou nevando lá fora. Ficamos abraçados mais um pouco, ainda envoltos naquela magia da companhia um do outro, até que a fome falou mais alto e descemos para a cozinha, de mãos dadas.
Depois de uma refeição deliciosa, fomos para a sala de estar da sua casa, lugar que raramente era usado, e nos aconchegamos num grande e confortável sofá de veludo, enrolados num cobertor macio e quentinho. Devemos ter passado o resto da tarde assim, conversando, rindo, entre beijos e carícias, tudo simplesmente perfeito.
Até que, pra variar, fomos interrompidos.
Bateram na porta da casa. Coisa rara, porque sempre batiam na porta dos fundos da biblioteca, não da casa de Yuu. Se fosse o inspetor resolvendo fazer uma visitinha inoportuna de novo eu juro que eu mato ele só pra ele ter motivo pra me acusar de alguma coisa.
Felizmente, não era ele. Era apenas um mensageiro, que trouxe uma carta para Yuu.
– Carta de quem? – Perguntei, curioso, quando Yuu voltou pra dentro dizendo que estava tudo bem.
– Hm... pelo jeito, é da prefeitura... – Comentou lendo o remetente, a expressão preocupada.
Veio se sentar ao meu lado e abriu o envelope começando a ler o que dizia no papel dentro dele. Acompanhei sua expressão mudar de preocupação para desapontamento.
– Não acredito, estão me convocando para uma reunião hoje à noite... – Gemeu com desgosto. – Achei que fosse ter o dia inteiro de paz só com você hoje...
O mais velho me encarou com uma cara de cachorrinho abandonado que me fez rir.
– Tudo bem Yuu, é o seu trabalho, é importante... o dia já foi maravilhoso o suficiente por toda minha vida até agora. – Ele corou ao ouvir isso. O abracei. Yuu ficava tão fofo quando abaixava seu escudo de “bibliotecário chato, sério e responsável” que eu simplesmente não resistia em abraçá-lo e depois pedir a permissão de um beijo.
– É às sete horas, vou sair de lá o mais rápido possível... – Completou, com o rosto um pouquinho menos triste.
Já estava escuro lá fora fazia bastante tempo, devia ser umas seis horas agora, então ele foi se arrumar. Ficamos juntos mais um pouquinho, mas logo já estava na hora de ele sair.
– Não vai ficar entediado? – Perguntou.
– Não, vou ficar lendo. – Afinal, eu estava realmente curioso pelo fim da história do seu livro, e ficava encantado cada vez que lembrava que foi ele quem escreveu aquela história.
– Então até mais tarde Kou, espero não demorar muito... – Se despediu me beijando ternamente. Sorri pra ele feito um idiota. Já estava até com saudade, eu havia me tornado um idiota completamente apaixonado...
– Até mais tarde... mal posso esperar... – Será que essa noite iríamos mais longe do que na anterior? Eu pelo menos estava mais ansioso e pronto pra isso do que nunca.
Então ele se foi, e eu fiquei ali sozinho.
Não era legal ficar sozinho naquela sala onde estávamos juntinhos até agora, então decidi ir ler na biblioteca, no meu sofá preferido, onde todas as noites, há muito tempo, ele me ensinava ler. Aquele sofá era especial pra mim, ele ficava num canto especial, e tudo junto fazia meu lugar especial e cheio de boas lembranças.
Peguei seu livro, que eu havia levado comigo, me deitei confortavelmente e comecei a ler de onde havia parado na noite anterior. Li um capítulo inteiro, no meu ritmo. Levantei pra fazer um chá, depois voltei e li mais. Tentei não ficar pensando em quanto tempo havia passado desde que Yuu havia saído, ou ele começaria a passar ainda mais devagar. Mas algumas boas horas já haviam se passado e eu estava começando a ficar ansioso.
Voltei a me concentrar na leitura. Estava praticamente no último capítulo quando acabei pegando no sono.
。。Yuu 。。
Saí pelas ruas geladas da noite morrendo de vontade de dar meia volta e voltar pros braços do meu anjo. Peguei um bonde odiando estar ali congelando quando podia estar em casa aproveitando meu paraíso.
Quando finalmente cheguei na prefeitura, a encontrei vazia. Estranho. Apenas alguns atendentes estavam ali, o pessoal que havia me chamado pra discutir questões de reformas na rua e na calçada ao redor da minha biblioteca não estavam ali.
Perguntei. Disseram que “não, senhor, não há nenhuma reunião marcada pra hoje”. Mostrei a carta que estava meio amassada no meu bolso. A data e o horário estavam certos, e havia o selo da prefeitura, o brasão da cidade. Fiquei um bom tempo discutindo com o funcionário. “Houve algum engano, senhor”, me responderam.
Aquilo estava começando a me cheirar a encrenca.
E onde há problemas, há Matsumotos.
Decidi voltar correndo pra casa, depois daquele arrepio de mau pressentimento que percorreu minha espinha. Mas já estava tarde e eu teria de voltar a pé, o que demoraria um bom tempo, mesmo correndo, se é que eu teria fôlego pra correr naquele frio.
。。Akira 。。
Por todo o período do dia, eu tentei sair correndo de casa e ir avisar Shiroyama que grandes problemas estavam a caminho e que ele devia se preparar para tudo e qualquer coisa. Mas Takanori ficou fora o dia inteiro, e não era uma opção deixar Aiko sozinha. Muito preocupado, eu estava andando em círculos, ansioso, pensando em algum jeito, até que ela perguntou:
– O que houve Akira? Você não está bem. Sente-se um pouco. – Me fitou preocupada da cama, onde estava posicionada quase sentada, com vários travesseiros nas costas, do jeito que era possível arrumá-la sem ela cair pra nenhum dos lados.
– Uma coisa ruim vai acontecer e eu não posso impedir... – Suspirei, me sentando na cadeira ao seu lado, afundando o rosto nas mãos. – Preciso sair, mas não posso te deixar sozinha, se ele voltar e eu não estiver aqui ele vai me matar... ou pior...
– Aki... – Ela suspirou, me encarando, pesarosa. – Me desculpe por ser um incômodo... e por não poder ajudar em nada, nem com um abraço...
– Ei, não fale assim! – A repreendi, carinhosamente. – Não é culpa sua, você não precisa se desculpar por nada, bobinha... Eu só queria que ele chegasse em casa logo, pra eu poder sair sem causar desconfiança...
– Você é tão bom pra mim, eu queria ser poder capaz de ajudar com o que for que está te preocupando...
Evitei olhar pra ela. Era necessária muita força de vontade pra não abrir a boca e vomitar toda as verdades, que a longo prazo apenas trariam danos se fossem reveladas nesse momento. Controle-se, Akira...
– Você é muito importante pra mim, Ai, apenas estando bem e se mantendo firme assim já está me ajudando... – Sorri pra ela, cansado, mas sincero.
– Você também é muito importante pra mim, bobinho... – Ela sorriu. – Nunca teria sobrevivido a esse inferno se não fosse por você... você é muito importante... muito mais do que imagina... – Terminou falando baixinho, quase pra si mesma, e suspirou de um jeito estranho como “vou suspirar fingindo que é só pra mim mesma, mas querendo que você note”.
– O que foi? – Perguntei, como ela devia estar querendo que eu fizesse. – Tem alguma coisa errada...? – Cautela. Tudo o que se precisa pra lidar com mulheres sem causar um furacão é cautela.
– Nada, Kira... só queria... que esse bebê fosse de outra pessoa, não dele... – Olhou para sua barriga levemente saliente, parecendo triste do nada.
Resolvi não perguntar sobre quem, então, ela queria que fosse. Eu já tinha uma breve suspeita pelo jeito que ela começara a me encarar nos últimos dias a cada gentileza minha.
。。Kouyou 。。
Estava tão cansado de não ter feito nada o dia inteiro, que acabei pegando no sono enquanto lia, naquela noite.
Quando voltei a acordar, um cheiro ruim queimava minhas narinas. Abri os olhos com dificuldade, havia muita luz, parecia que era dia, antes só havia um lampião acesso, não tanta luz assim... E que calor, que cheiro horrível é esse meu deus, isso parece... (levantei num salto, atordoado, ao olhar meu redor) cheiro de... (não podia acreditar em meus olhos, mas a ardência em meu nariz e a dificuldade pra respirar confirmavam que era verdade)… fumaça.
A biblioteca ao meu redor despencava em chamas.
Não havia saída visível naquele mar de fogo, entre estantes caindo e belos livros agonizando sob as lambidas cruéis das chamas alaranjadas que queimavam com voracidade o lugar que era meu lar.
Notas finais
e esse capítulo tinha que ser pequeno assim, mas prometo que lá por domingo eu venho com o 9 pra compensar ♥
Muito obrigada por todos os reviews e pelas recomendações! Não tive tempo de responder todos, mas amei cada um deles, muito obrigada por todos os comentários!!! >w< ♥♥♥
espero que continuem gostando, e agora que começa a parte interessante da história q
ATÉ O PRÓXIMO ♥
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