As If Magic Exists
4 Chapitre ♥ 4
Notas iniciais
Agradecimentos pra Aki que atura minhas crises literárias ♥ E pra Yuu e pra Noa que me aguentaram muito com trocentas sms essa semana sobre a fic ♥ amo vocês ♥
「Eu tinha o poder de mantê-lo emocionalmente equilibrado, e ele tinha o poder de afastar minha solidão. Os laços que agora se firmavam entre nós eram mais promissores do que eu poderia ter imaginado. Eu só precisava manter a atenção daquele homem intrometido de estatura abaixo da média bem longe da minha biblioteca.」
Chapitre ♥ 4
Yuu realmente me obrigou a dormir na sua cama naquela noite, junto com ele. Fiz questão de ficar bem longe dele no colchão, pra não abusar de nossa leve e em construção intimidade (e amizade, talvez?). Uma tristeza voltou a se abater sobre mim antes de dormir, mas perceber que ele estava ali tão perto de mim fez eu me sentir um pouco mais tranquilo.
Antes de dormir, enquanto eu sabia pela respiração que ele ainda estava acordado e pensativo como eu, na escuridão completa, lhe fiz uma pergunta que estava me cutucando desde mais cedo.
– Você é amigo do inspetor ou alguma coisa assim?
– Amigo, não. Alguma coisa entre conhecido e amigo. Costumávamos... frenquentar um lugar em comum periodicamente, então... mas não muito mais do que isso, ele que se aproveita e se acha no direito de se dizer meu amigo... nunca conversamos não sendo por educação.
– Hum... – Balancei a cabeça, por costume.
Eu gostava de conversar no escuro, antes de dormir, era confortável e eu não precisava me preocupar com minha expressão ou o que fosse que eu visse nos olhos dele. E no escuro eu era apenas... eu mesmo.
– Eu nunca tive amigos. – Pausa pra começar a se sentir um idiota. – Você tem quantos, Yuu?
Não faço a menor ideia de porque eu disse aquilo. E de que lhe interessava minha vida pessoal, afinal? Não bastava eu já lhe incomodar o dia inteiro, ocupar espaço na sua casa, esvaziar seus armários e dar trabalho, ainda queria que ele fosse meu terapeuta. Um tapa na cara pra você Kouyou, depois não fique se lamentando se ele te mandar embora, você merece.
– Eu tenho você. – Respondeu, e meu coração vacilou uma batida ao ouvir aquela resposta.
Fiquei petrificado em silêncio. Então... eu tinha um amigo? Ele me considerava seu amigo? Posso chorar se for de felicidade e gratidão?
– E-Eu... eu... obrigado...
– Ora Kou, não precisa agradecer. – Riu levemente. – Fico feliz por você ter vindo parar aqui e eu ter tido a chance de conhecê-lo.
(Aquele apelido de novo... me deixava tão confortável)
Eu queria abraçá-lo e agradecer muito por isso, por cada palavra, mas isso seria meio inapropriado levando em conta o fato de que estávamos deitados na mesma cama debaixo dos mesmos cobertores.
– Obrigado, Yuu... muito obrigado... – Nem percebi que havia lágrimas em meus olhos.
– Kou... você tá chorando? – Perguntou assustado ao notar a diferença na minha voz. – Assim você me deixa sem jeito... – Riu nervosamente em seguida.
– Desculpa, é que eu fiquei... muito feliz... – Enxuguei as lágrimas teimosas que eu não queria que tivessem aparecido. Ah, eu andava tão sensível... Se minha irmã estivesse aqui estaria rindo da minha cara e mandaria eu parar de frescura e ser homem.
Senti ele se virar na cama, ficando de frente pra mim.
– Fico feliz por nos darmos tão bem. – Disse.
– Mas eu só atrapalho você e arrumo problemas... e um dia você vai ter uma família e eu vou ficar... por aí...
Eu não entendia como Yuu, bonito, elegante, gentil, carinhoso, bem sucedido e simpático como era, não era casado. Não fazia sentido.
– Eu nunca vou ter uma família... – Ele suspirou.
– Por quê? O que te impede, eu não entendo...
– Fica pra outra hora... amanhã o dia vai ser cheio, boa noite Kou. – Encerrou o assuntou e se virou ficando de costas pra mim.
Soube que havia chegado ao limite, não devia estar perguntando coisas tão pessoais, e me senti envergonhado por isso.
– Boa noite...
。。。
Quando acordei, estava sozinho na cama. Por um momento achei que estivesse no meu quarto, mas olhei ao redor e confirmei que estava mesmo no quarto de Yuu, e ele não estava ali. Espreguicei-me, e percebi como havia dormido um sono pesada, minha cabeça estava estranha, mas eu me sentia relativamente melhor do que ontem. Como se meus pensamentos houvessem se assentado em seus respectivos lugares e parado de girar e gritar loucamente na minha mente.
Sentei-me na cama, e percebi que Yuu havia deixado um pedaço de papel em cima de seu travesseiro. Um pedaço de papel com alguma coisa escrita... um bilhete... pra mim...
Oh...
Parei e me concentrei pra não começar a me sentir mal por isso.
Tudo bem, ele só deve ter avisado que saiu fazer compras, tudo bem Kou, não precisa se estressar, não é necessário...
Me vesti e desci pra procurar por ele ou esperá-lo.
Parei com a mão girando a maçaneta da porta da cozinha, quando percebi o tamanho do meu erro. Vozes vinham lá de dentro, mais de duas.
Eu havia me esquecido completamente que Matsumoto faria a inspeção hoje. A porta chegou a se abrir alguns centímetros, mas meus reflexos foram rápidos e a fechei novamente e voltei correndo por de onde tinha vindo, só parando quando estava de volta no quarto do Yuu, com o coração na mão.
Como eu posso ter sido tão burro, meu deus...
Estava tão feliz por ter dormido bem e perto dele, que me esqueci completamente daquele problema... que afinal era o motivo pra eu ter passado a noite ali.
O bilhete devia dizer pra eu não sair do quarto...
Fiquei com muita vontade de bater a cabeça contra a parede. Por muito pouco quase estraguei tudo...
。。。
Matsumoto e seus guardas haviam chegado mais cedo do que o combinado, como percebi ao ser arrancado da cama por batidas na porta lá embaixo. Levantei correndo e deixei um bilhete pra Kouyou, que continuava dormindo, dizendo que não saísse do quarto de jeito nenhum até eu voltar.
Estávamos conversando na cozinha (aquele maldito me fez servir café pra todos), quando notei a porta se abrir, e então voltar a ser fechada imediatamente numa batida.
Meu coração parou e eu devo ter congelado.
Ah, Kouyou, você não viu o bilhete...?
– O que foi isso? – Matsumoto perguntou. Todos haviam se assustado com o barulho da porta.
– Se esqueceu que eu tenho companhia? – Ri, sem jeito. – Ela é muito tímida, e deve ter saído do quarto só calcinha, não avisei que vocês viriam hoje, estávamos muito ocupados ontem, se é que me entendem.
Juro que o mais baixo estreitou a vista perigosamente pra mim por meio segundo, mas então todos riram e me deram tapinhas nas costas complementados de alguns comentários machistas.
Essa foi por pouco...
。。。
– Meu deus Kouyou você não viu o bilhete? – O moreno irrompeu no quarto pelo o que eu julguei ser duas horas depois. Trazia uma bandeja com bastante comida pra mim e me emocionei com a sua gentileza mais uma vez.
– Eu... me desculpe... – Abaixei a cabeça, envergonhado pelo que fiz.
– Tudo bem, eu consegui resolver as coisas... eles já olharam tudo e foram embora. Mas a biblioteca está aberta e eu preciso ir lá trabalhar, não posso deixar meus funcionários sozinhos... – Suspirou. – Desculpa ter te deixado com fome e sozinho aqui, mas eu realmente só pude voltar agora...
Deixou a bandeja em cima da cama e então notou seu bilhete que repousava ao meu lado.
– Como que você não viu? Droga... só de pensar que por um segundo teria dado tudo errado... pelo menos eu não hesitei (muito) ao inventar uma mentira pra eles...
– Yuu... – Comecei, com a cabeça baixa ainda. Uma hora ou outra ele teria de saber, sendo que se tratava da porra de uma biblioteca.
– Hm?
– Eu... e-eu não... eu não sei ler...
Finalmente coloquei aquilo pra fora. Nunca durante minha vida esse fato havia me incomodado, nem sido necessário, mas agora, morando com ele, uma pessoa tão culta e inteligente, eu estava começando a me sentir praticamente... humilhado.
– Você o quê!? – Ele perguntou assustado, depois de um longo minuto de silêncio, e se aproximou. Eu ainda encarava o chão como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
– Não me faça repetir... – Sussurrei, completamente tomado pela vergonha da minha ignorância. Era terrível ter que admitir aquilo...
– Ei, por que não disse antes? – Sorriu, falando animado, e com dois dedos levantou meu queixo e me fez olhar em seus olhos. – Eu te ensino.
.
.
.
HÃ?
。。。
Eu tinha esperado de tudo vindo dele, todas as reações: pavor, ódio, nojo, surpresa desagradável, desprezo... tudo, menos... aquilo.
– Sério...? – Perguntei, consternado.
– Mas é claro! Se você quiser, obviamente. Eu de qualquer jeito, acho ler a coisa mais fantástica do mundo...
– Eu não saberia como agradecer... nossa, Yuu... como você pode ser tão bom assim comigo? Eu nunca ousei sonhar que existisse uma pessoa tão... tão... gentil assim como você. – Primeiramente pensei em dizer “perfeita”, mas mudei de ideia, pois aquela palavra denunciaria o tamanho da minha admiração por ele que aos poucos seguia outro caminho.
– Eu ficaria muito feliz em te ensinar. Podemos começar hoje à noite mesmo. E, ora, não é nada demais... – Sorriu, sem jeito pelo meu elogio.
– Você é um anjo... – Comentei, quase explodindo de felicidade por dentro. Tudo aquilo que ele estava fazendo por mim... eu nunca poderia o recompensar o suficiente.
Ele desviou o olhar e sorriu sem timidamente.
– Bem, eu tenho que ir... assim que escurecer você pode descer e ir me encontrar na biblioteca. Só fechamos mais tarde, mas à luz de velas não tem como te reconhecerem...
– Mesmo?
– Sim... você não deve ter percebido mas está bem diferente do que era antes... Até mais tarde então, vou tentar vir aqui rapidinho de vez em quando pra ver se está tudo bem, hm?
– Certo, obrigado... até depois Yuu... – Ainda emocionado pela sua promessa de me ensinar a ler, levantei e o abracei antes que fosse embora. Sim, eu ia ficar com saudades, mas tentaria não enlouquecer por ficar sozinho. – E muito obrigado, mesmo... do fundo meu coração... serei eternamente grato a você por tudo isso.
– É uma honra. – Respondeu apenas isso, enigmático, e sorriu mais uma vez antes de sair pela porta.
。。。
Sobrevivi àquele dia enigmático melhor do que eu esperava. Apenas por um curto período de tempo a depressão voltou a se abater sobre mim, mas logo ele chegou me fazer uma breve visita e esqueci de tudo que me perturbava.
Não tinha absolutamente nada pra fazer ali então fiquei tentando imaginar como seriam as aulas.
Assim que o anoitecer veio e se consolidou, saí apressadamente de sua casa entrando nos fundos da biblioteca, e enfim estava atravessando um dos corredores laterais para encontrá-lo. Provavelmente estava lá na frente, onde estivera ontem enquanto eu tirava o pó...
Fui andando cautelosamente à sombra das estantes até chegar do outro lado do grande salão. Havia algumas pessoas aqui e ali entre as estantes, concentrados procurando livros, e outros mais concentrados ainda nas poltronas, lendo, ou fazendo anotações. Tudo no mais absoluto silêncio. O único som que se ouvia era o virar de páginas. Achei aquele ambiente silencioso e de pouca luz tão... mágico.
E digamos que eu tenho alguma experiência pra julgar uma coisa como mágica ou não.
As pessoas hipnotizadas por seus respectivos interesses ali, a harmonia, tudo deixava o ambiente incrível. Como se a biblioteca fosse um santuário que protegia as pessoas da correria e da barulheira lá fora na rua. Simplesmente mágico.
(Isso me lembrou de que fazia dias que eu não saía de casa nem pegava sol, mas não me importei por enquanto. Teria de me acostumar pois eu não poderia sair dali tão cedo. Talvez levasse, meses, anos... E pra alguém que morou na rua tanto tempo, quem era eu pra reclamar de ficar sobre um teto e quatro paredes, com todo o conforto que eu poderia desejar e a companhia mais agradável possível?)
– Err, com licença.
Uma voz se projetou do nada e congelei ao perceber que se referia a mim. Olhei pro lado e um jovem de cabelos castanhos me olhava.
– Você trabalha aqui? – Perguntou.
– Hm, sim... – Respondi um pouco nervoso, e evitando olhar diretamente pra ele, morrendo de medo que reconhecesse meu rosto... Talvez tivesse sido um erro e eu só deveria ter descido depois de não haverem mais clientes ali... A luz baixa era minha única segurança de que não desse tudo errado por um descuido como esse.
– Ah, que bom, eu não consigo achar os livros de sociologia, poderia me mostrar onde ficam? – Perguntou, esbanjando simpatia. Notei que ele parecia um cachorrinho de algum jeito. E devia ter mais ou menos uns 18 anos.
– Eu, hm... hã... Só um minuto, vou perguntar. – Respondi e saí quase correndo procurar por Yuu.
Encontrei-o no lugar principal dos atendentes. Usava óculos e eu me atrevo a dizer que ficava muito atraente com eles.
– Olá Kou! O que houve?
– Um garoto quer saber onde ficam os livros de... sociologia, eu não soube responder, me ajude por favor. – Quase gemi, implorando socorro. Ter que falar com estranhos me deixava nervoso.
– Quinta estante à direita, daquele lado lá. – Me indicou o lugar.
– Ok, mas... tudo bem eu falar com ele? – Sussurrei, chegando mais perto dele.
– Sim, tudo bem... – Ele sorriu e voltou sua atenção ao que estava lendo.
Certo, lá vou eu, coragem Kouyou...
Voltei ao lugar onde o havia deixado esperando, e então o guiei até o lugar que procurava.
– Obrigado! – Ele agradeceu. – Qual seu nome?
– K-Kouyou... – Respondi, temeroso. Era realmente uma boa ideia eu me expor assim?
Mesmo que o mundo só me conhecesse por Uruha, e o desenho na capa do jornal era de meu antigo eu, com cabelo ondulado caindo sobre o rosto, um penteado diferente, e muita maquiagem, além das roupas extravagantes e esfiapadas...
– Prazer em conhecê-lo senhor Kouyou, sou Yutaka. – Estendeu a mão e apertou a minha firmemente. – Ando meio perdido aqui às vezes porque faz pouco tempo que venho, mas agora vou sempre procurar por você quando precisar de alguma coisa.
– Eu só trabalho à noite aqui, desculpe... – Respondi, meio sem jeito, por encontrar outra criatura espontânea e receptiva como Yuu.
Mal sabia eu que acabara de conhecer o garoto que se tornaria meu amigo em pouco tempo, e que mais tarde teria minha vida em suas mãos.
– Melhor ainda, eu só venho no final da tarde mesmo.
– Qualquer coisa que precisar, me chame então. – Acenei e ele acenou de volta, e então me dirigi até Yuu novamente. Ele me indicou uma cadeira ao seu lado. Respirei fundo.
– Tudo certo? – Ele sussurrou.
– Sim... — Respondi.
– Não falta muito pra hora de fechar, então depois vamos jantar e então voltamos aqui pra começarmos nossas “aulas”.
– Obrigado. – Agradeci mais uma vez naquele dia e voltamos a ficar em silêncio.
Observei as pessoas irem e voltarem à mesa dos atendentes, assinando seus nomes nas fichas dos livros e mantendo registro, ou apenas indo tirar dúvidas ou devolvê-los. O movimento foi diminuindo aos poucos e quando menos percebi estávamos sozinhos ali, e Yuu trancava as portas principais. (Yutaka me avistou e acenou pra mim novamente antes de ir embora, adorável).
Fizemos o que ele havia proposto e logo estávamos de volta, sozinhos naquele aposento enorme e tão aconchegante. Sentamos ao redor de uma das mesas de leitura. Eu estava ansioso, muito, tanto que meu coração não parava quieto. Eu ia aprender a ler, finalmente...
– Você parece tão bem hoje, fico feliz. – Comentou.
– A culpa é inteiramente sua. – Sorri. E percebi que era a primeira vez que eu sorria de verdade... desde aquela noite, que fora à poucos dias mas pra mim parecia longos anos.
E, realmente, era tudo mérito dele. Yuu sorriu de volta e ajeitou os óculos no rosto.
– Ok, vamos começar. Preparado?
Notas finais
perdão não ter respondido os reviews do último capítulo, a semana foi corrida e eu sempre termino de escrever o capítulo na madrugada antes de postar G_G mas amei TODOS ♥ muito obrigada!! ♥
Por causa de um review que eu recebi no último capítulo tive uma ideia avalassadora e todo o final da fic mudou
Pra vocês verem como reviews são importantes pra mim, por favor não hesitem em comentar qualquer coisa *A*
Por causa dele o final se repartiu em 3 tive que fazer uma reunião com minha staff pra decidir o rumo das coisas, e, é o final da história já foi decidido ♥
Eu escrevo conforme vou postando, nunca tenho nada pronto além do capítulo que acabei de postar, então me incentivem e me cobrem também, por favor qqq
até o próximo ♥
ps: não era pro Kou ter ficado uke assim, não sei o que aconteceu, mas não foi culpa minha 3
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