Notas iniciais
Mais um.

36 – Sal e Neve


Foi Sally quem sugeriu Montauk, numa ligação de domingo em que Percy mencionou que teria dez dias livres nas férias de inverno de Oxford, o período entre os semestres em que a universidade praticamente fechava as portas.


— Paul ainda tem aquele chalé — ela disse, a voz carregando o entusiasmo de quem já estava, mentalmente, organizando a viagem inteira — Ele nunca vai lá em dezembro, diz que o frio ali é cruel demais pra aposentado. Mas é lindo assim mesmo, sabe? Praia vazia, lareira, aquele silêncio gostoso que só existe fora de época. Vocês dois deviam ir.


Percy aceitou antes mesmo de considerar direito a logística, e assim que pousou em Nova York, o frio já cortando diferente do frio britânico — mais seco, mais afiado — soube que tinha feito a escolha certa.


Annabeth o esperava no aeroporto de JFK, o casaco pesado demais pro corpo dela, o cachecol enrolado até o queixo, e o sorriso dela ao vê-lo atravessar o saguão foi genuíno o suficiente pra fazer Percy esquecer completamente toda a distância dos últimos meses. Eles colaram os corpos num abraço de urso antes de qualquer coisa.


— Você trouxe bagagem de mais pra dez dias — ela comentou, olhando pra mala dele com uma sobrancelha erguida.


— Você me conhece. Nunca sei o que vou precisar num inverno americano.


— Você trouxe o skate, não trouxe? — ela ergueu a sobrancelha ao ver rodas saindo de dentro de uma mochila amarrada na mala.


— Talvez.


— Em dezembro, Percy?


— O skate não liga pra estação do ano, Annabeth. Isso é preconceito seu.


Ela riu, revirando os olhos, e o abraçou com força suficiente pra fazer qualquer dúvida sobre a viagem desaparecer de vez.


Alugaram um carro no aeroporto e dirigiram pra Long Island sob um céu cinzento de fim de tarde, os prédios de Manhattan indo se substituindo, aos poucos, por casas de praia fechadas pra temporada e dunas cobertas por uma névoa fina de frio. O chalé de Paul ficava numa rua tranquila perto da costa, de madeira desbotada pelo sal e pelo tempo, com uma varanda coberta que dava direto pra vista do oceano cinzento e agitado do inverno.


— Isso é lindo — Annabeth murmurou, parada na varanda assim que entraram, o vento gelado bagunçando os cabelos dela por baixo do gorro.


— Paul disse que a gente pode ficar à vontade. Geladeira cheia, lenha suficiente pra um mês inteiro de lareira.


— Sally organizou isso, não foi?


— Completamente.


Passaram a primeira noite só desfazendo as malas e acendendo a lareira com uma dificuldade cômica — nenhum dos dois sabendo direito como empilhar a lenha certo — até finalmente conseguirem um fogo decente, comendo sopa quente direto das canecas sentados no chão da sala, o som das ondas quebrando ao longe substituindo qualquer necessidade de conversa. Foi só depois, já deitados na cama estreita do quarto de hóspedes, um edredom grosso demais pra qualquer um dos dois se mexer direito debaixo dele, que Percy percebeu o quanto sentia falta daquilo — não só dela, mas da simplicidade específica de existirem juntos sem nenhuma plateia, sem nenhuma expectativa além de acordar no dia seguinte e descobrir o que fariam.


Acordaram tarde na manhã seguinte, a luz fraca de inverno entrando por trás de cortinas finas, Annabeth resmungando qualquer coisa incoerente contra o travesseiro enquanto Percy já se espreguiçava, mais acostumado ao fuso horário depois de anos de viagens.


— Levanta — ele disse, beijando o ombro dela.


— Está frio.


— Vamos fazer café da manhã. Tem lareira acesa.


— Você vai fazer café da manhã. Eu vou continuar dormindo até o mundo esquentar de novo.


Ele riu e a puxou pra fora da cama de qualquer jeito, um cobertor inteiro enrolado nela como uma múmia relutante, e os dois acabaram na cozinha minúscula do chalé, Percy já circulando pela bancada com uma naturalidade que só vinha de anos cozinhando pra si mesmo em Chelsea, batendo ovos com uma mão enquanto com a outra ajeitava o bacon na frigideira.


— Você é bom nisso — Annabeth observou, ainda enrolada no cobertor em cima do balcão, genuinamente impressionada mesmo depois de meses vendo ele cozinhar.


— Minha mãe é escritora e meu pai é CFO. Alguém precisava aprender lá em casa.


— E o carbonara daquela noite em Chelsea?


— Foi meu momento de glória culinária. Isso aqui é só o dia a dia.


Ela desceu do balcão, o cobertor ainda pendurado nos ombros como uma capa, e roubou um pedaço de bacon direto da frigideira antes que ele pudesse reclamar, os dois rindo enquanto dividiam o pequeno espaço da cozinha, cotovelos se esbarrando, Annabeth cortando fruta ao lado dele só pra ter alguma função na produção.


— Isso é tão... doméstico — ela comentou, em algum momento, um sorriso pequeno no rosto — A gente nunca faz isso. Sempre tem alguma coisa grande acontecendo. Uma crise, uma audiência, uma expedição. Isso aqui é só... normal.


— Eu gosto de normal.


— Eu também — ela admitiu, baixinho — Mais do que eu esperava gostar.


Percy não respondeu, mas guardou aquela frase em algum lugar, junto com todas as outras pequenas evidências que ele vinha acumulando de que talvez a vida que ele realmente quisesse não fosse tão complicada quanto ele sempre tinha imaginado.


No terceiro dia, Percy sugeriu, meio hesitante, uma visita que não tinha nada a ver com Montauk.


— Quero te mostrar uma coisa no Queens. Não vai demorar muito.


Dirigiram de volta pra cidade, o trânsito de sempre engolindo boa parte da manhã, até chegarem à Thames Valley — o campus quase deserto por causa das férias escolares, só um zelador solitário limpando neve da entrada principal, a rua giratória vazia onde Percy costumava estacionar a Kawasaki anos atrás.


— Ainda parece igual — Annabeth murmurou, descendo do carro, os olhos percorrendo o prédio principal com uma nostalgia que ela claramente não esperava sentir tão forte.


— Igualzinho. Só menor. Tudo parece menor quando você cresce.


Ele pegou o skate do porta-malas — porque é claro que tinha trazido, mesmo pra dez dias no inverno americano — e caminhou até a escada principal, aquela mesma escada onde, mais de uma década atrás, tinha aceitado o desafio idiota de Luke pra mandar um Hardflip só pra provar um ponto qualquer.


— Você não vai fazer isso de novo — Annabeth disse, cruzando os braços, mas com um sorriso já se formando.


— Vou sim. É tradição.


— Você vai quebrar alguma coisa.


— Já quebrei coisas piores tentando impressionar você.


Ela riu, sentando-se nos degraus baixos ao lado do corrimão de metal — o mesmo corrimão, na verdade, onde ele tinha esbarrado nela anos atrás, correndo apressado entre uma aula e outra, os livros dela caindo no chão, o coração dele acelerando de um jeito que ele não soube explicar direito na época.


— Sabia que foi bem aqui — ela disse, batendo de leve na barra fria de metal — que a gente quase se chocou daquela vez. Você vinha nesse skate seu que nem um louco.


— Eu lembro. Fiquei tão nervoso quando vi que era você que fiquei com medo de tomar uns tapas — ele riu — você não era muito minha fã antes de cair no conto do vigário.


— Não foi nada — ela repetiu, o mesmo tom antigo, brincalhão — Mas foi aí que eu comecei a te olhar diferente, sabia? Bem naquele corrimão idiota. Antes disso você era só um garoto irritante de skate. Depois...


— Depois?


— Depois eu não conseguia parar de reparar em você.


Percy sorriu, largando o skate no chão, e remou até a base da escada, tomando distância com a mesma concentração antiga, o corpo lembrando movimentos que a mente quase tinha esquecido de saber que ainda sabia. O Hardflip saiu quase perfeito — um pouco mais desengonçado do que há onze anos, os joelhos reclamando um pouco mais alto, mas a aterrissagem limpa o suficiente pra arrancar um aplauso genuíno de Annabeth, sentada ali no mesmo corrimão que tinha mudado tudo entre os dois sem que nenhum dos dois soubesse na época.


— Ainda consegue — ela disse, orgulhosa, quando ele voltou, ofegante, o rosto vermelho de frio e esforço.


— Sempre vou conseguir. É basicamente a única coisa que meu corpo lembra de fazer direito além de te amar.


— Isso foi incrivelmente piegas, Jackson.


— Você adorou.


— Um pouco.


Ficaram sentados ali por mais um tempo, o campus vazio ao redor, o frio mordendo através dos casacos, só relembrando — todos os encontros sob a sombra da macieira na porta do prédio da administração, os games de SKATE que atraiam curiosos e apostadores, a sala de música onde Percy tocou The Only Exception, sem saber que ela o assistia, pela primeira vez. Ele lembrou também aquela conversa sinistra que os dois tiveram dias antes dela partir pra Stanford e ele atravessar o Atlântico pra se tornar historiador.


Foi na volta da Thames Valley que Percy anunciou, meio sem jeito, que precisaria passar pelo menos uma noite na casa do pai.


— Poseidon quer me ver, e eu meio que prometi — ele disse, dirigindo de volta pra Manhattan — Você se importa se eu ficar lá? Você fica no seu apê, eu apareço direto.


— Claro que não me importo. É seu pai, Percy.


***


Ela não sabia — nem podia saber — que a visita à rua Elm tinha um propósito bem menos inocente do que reencontrar o pai. Percy passou os dois dias seguintes na casa antiga, o quarto de infância exatamente como sempre fora, ligando pro contato da Nike Sb entre uma xícara de café e outra com Poseidon, organizando detalhes de uma noite que Annabeth ainda não fazia ideia que existia.


— Você está aprontando alguma coisa — Poseidon observou, na segunda manhã, servindo-se de café na mesma bancada de sempre — Reconheço esse jeito disfarçado de ficar no celular.


— Estou planejando uma surpresa.


— Pra Annabeth?


— Pra Annabeth.


Poseidon sorriu, o tipo de sorriso que carregava anos de orgulho silencioso.


— Sua mãe teria adorado ver isso.


— Ela sabe. Foi ideia dela, praticamente.


***


A limusine chegou à porta do pequeno estúdio de Annabeth perto do campus da NYU numa noite de quinta-feira, o motorista educado o suficiente pra não fazer nenhum comentário sobre o contraste entre o carro chique e o prédio simples de tijolos onde ela morava.


Percy subiu os três lances de escada — o elevador, como sempre, quebrado — e bateu na porta com um buquê de flores numa mão e um vestido champagne de alta costura embrulhado cuidadosamente num transterno branco bordado. Ele não se importou com o preço ao passar na boutique nada discreta que Sally mencionou por mensagem durante os preparativos daquela noite.


Annabeth abriu a porta em moletom, os cabelos presos num coque desalinhado, uma caneca de chá na mão, e ficou parada ali, boquiaberta, por vários segundos.


— O que...


— Temos uma ópera pra assistir.


— Percy, o que você fez?


— Muita coisa, na verdade. Vista-se, o carro está esperando.


Ela ainda tentou protestar, confusa, meio incrédula, enquanto se trocava às pressas atrás da cortina improvisada que dividia o estúdio minúsculo, o vestido caiu como luva e desenhou as curvas acentuadas do belo corpo da mulher. Percy assistiu cada segundo pensando se deveriam mesmo sair ou se ele rasgaria o presente ali mesmo no minúsculo apartamento.


— Você é ridículo — ela disse, saindo já pronta, ajeitando um brinco — Ridículo e incrível ao mesmo tempo. Como assim você organizou isso tudo sem eu perceber nada?


— Talento nato pra mentir sobre onde estou.


— Isso devia me preocupar.


— Devia mesmo.


Ela riu, e desceram juntos até a limusine parada na rua estreita, Annabeth ainda balançando a cabeça, incapaz de acreditar completamente na cena inteira.


O Metropolitan Opera brilhava sob as luzes noturnas quando chegaram, o salão de entrada tomado por smokings e vestidos de gala, o burburinho educado de sempre preenchendo o ar. Foi durante o intervalo, taças de champanhe nas mãos, que um homem de uns sessenta anos, o cabelo grisalho impecavelmente penteado, se aproximou com um sorriso reconhecível.


— Não é possível — ele disse, estendendo a mão — Percy Jackson. O rapaz da expedição na Anatólia.


Percy apertou a mão, surpreso, tentando situar o rosto.


— Senador Whitfield — ele conseguiu, por fim, reconhecendo o nome de um dos principais doadores da fundação que ajudara a financiar parte do trabalho em Éfeso, anos atrás — Não esperava encontrá-lo aqui.


— Minha esposa ama ópera, eu amo arqueologia, então fazemos as pazes assim — o senador riu, gesticulando pra uma mulher elegante conversando animadamente com outro grupo ao longe — Acompanhei os relatórios da expedição turca com atenção. Trabalho excelente, Jackson. Excelente mesmo. E essa deve ser...


— Annabeth Chase — ela se apresentou, estendendo a mão com a confiança de sempre — Trabalhei na mesma expedição.


— Uma honra — o senador apertou a mão dela, genuinamente impressionado — Espero que continuem trabalhando juntos. Duplas assim são raras.


Conversaram por mais alguns minutos, o senador insistindo em trocar contatos, mencionando vagamente a possibilidade de financiamento futuro pra qualquer projeto que Percy quisesse propor, e quando finalmente se afastou pra cumprimentar outro grupo, Annabeth se virou pra Percy com os olhos brilhando de um jeito que misturava orgulho e diversão genuína.


— Você é famoso.


— Sou reconhecido por senadores em intervalos de ópera. Isso não é bem fama.


— É um tipo específico de fama. Fama de nerd importante.


— Vou aceitar isso como elogio também.


Ela riu, encostando-se nele, o vestido sereia brilhando sob as luzes do salão, e Percy pensou, não pela primeira vez naquela viagem, que talvez conseguisse se acostumar com aquela vida — não a ópera, não os senadores, mas ela, ao lado dele, brilhando daquele jeito específico em qualquer cenário que a vida decidisse apresentar.


Depois do espetáculo, decidiram, num impulso que nenhum dos dois questionou muito, prolongar a noite. Percy tinha reservado um quarto num hotel próximo ao Central Park, a suíte pequena mas elegante, uma vista parcial do parque coberto de neve visível pela janela.


— Isso foi um dia caro demais pra ser real — Annabeth comentou, tirando os brincos diante do espelho do quarto.


— Vale cada centavo.


Ela se virou, o vestido ainda no corpo, os cabelos parcialmente soltos do penteado elaborado de mais cedo, e Percy sentiu o mesmo arrepio de sempre, o mesmo fôlego perdido que ela conseguia arrancar dele desde os dezessete anos.


— Vem cá — ela disse, simplesmente, e ele não precisou de mais nenhum convite.


O resto da noite se perdeu entre o tecido caro escorregando pelo corpo dela, os lençóis brancos do hotel, e a certeza silenciosa, compartilhada sem palavras, de que aqueles dias emprestados de Nova York valiam qualquer preço que precisassem pagar depois.


***


Os três dias que restavam da viagem se dividiram entre o pequeno estúdio de Annabeth e a casa antiga na rua Elm, os dois alternando entre um lugar e outro sem muito planejamento, Poseidon insistindo em cozinhar pratos elaborados demais toda vez que Percy aparecia com a namorada, claramente orgulhoso de ter, enfim, alguém pra impressionar além do próprio filho.


Na penúltima noite, no estúdio apertado de Annabeth, os dois sentados no colchão dela no chão por falta de espaço pra qualquer coisa mais elaborada, uma garrafa de vinho barato entre eles, que aconteceu o desentendimento — pequeno, bobo, do tipo que nasce mais do cansaço acumulado do que de qualquer razão real, mas que doeu de qualquer jeito, exatamente por chegar tão perto do fim daqueles dias perfeitos.


Annabeth mencionou, quase de passagem, uma conversa que tinha tido com a orientadora sobre possibilidades de doutorado.


— Ela mencionou um programa em Berkeley — Annabeth disse, olhando pro próprio copo em vez de olhar pra ele — Bolsa integral, orientação de peso. Seria uma loucura recusar, na teoria.


Percy sentiu o estômago apertar.


— Berkeley. Do outro lado do país inteiro.


— É uma possibilidade distante, Percy. Nem decidi nada.


— Mas está considerando.


— Estou considerando tudo. É assim que carreira acadêmica funciona — a voz dela ganhou uma aresta defensiva — Não posso simplesmente parar de pensar no meu futuro só porque isso complica a geografia entre a gente.


— Eu nunca pedi isso.


— Não precisou pedir. Ficou olhando pra mim desse jeito assim que eu mencionei.


— Que jeito?


— Esse jeito de "você está me abandonando de novo", Percy. Eu conheço esse olhar. Vi ele quando contei que viria pra NYU. Mesmo você sabendo disso semanas antes de eu vir contá-lo pessoalmente.


—Pois é — Percy se levantou — Parece que sou sempre o último a saber das coisas na sua vida.


A frase pegou os dois de surpresa, saindo mais afiada do que ela pretendia, e o silêncio que se seguiu carregou o peso de meses inteiros de distância mal resolvida.


— Isso não é justo — ele disse, por fim, a voz baixa — Eu passei o ano inteiro tentando não te sufocar com expectativa, tentando dar espaço, e agora você me acusa de fazer exatamente o oposto por causa de uma frase.


— Não é sobre a frase. É sobre o fato de que a gente nunca resolveu nada de verdade, Percy. A gente só... continua adiando, mês após mês, fingindo que dá pra sustentar isso com visita de dez dias e mensagem de bom dia.


— E o que você quer que eu faça a respeito?


— Não sei! — ela quase gritou, a voz quebrando um pouco — Não sei, e isso me mata, porque eu te amo, e ainda assim sinto que estamos só adiando o inevitável.


Percy ficou em silêncio, o peso daquilo caindo sobre ele com uma clareza brutal. Não era raiva o que ele sentia. Era medo — o mesmo medo que vinha carregando desde Angkor, desde a fogueira, desde a pergunta que ele ainda não tinha coragem de responder completamente em voz alta.


— Eu não quero te perder pra Berkeley, ou pra Oxford, ou pra qualquer oceano que fique entre a gente — ele disse, finalmente, a voz mais firme do que ele esperava.


Ela o encarou por um longo momento, os olhos ainda brilhando de raiva contida, mas alguma coisa nele — talvez a sinceridade crua da voz dele, talvez só o cansaço de brigar sobre algo que os dois já sabiam ser inevitável de um jeito ou de outro — fez ela relaxar aos poucos.


— Tudo bem — ela disse, por fim, baixinho — Mas Percy, dá pra ficar nesse limbo pra sempre.


— Eu sei.


Ficaram sentados no chão apertado do estúdio por mais um tempo, o silêncio já não tão pesado quanto antes, as mãos eventualmente se encontrando de novo, sem que nenhum dos dois precisasse dizer mais nada.


***


Voltou pra Londres na manhã seguinte, a despedida acontecendo dessa vez na porta do próprio estúdio dela, sem a formalidade de um aeroporto — Annabeth ainda de pijama e o beijo de despedida mais longo do que qualquer voo justificaria.