As Crônicas da Tempestade
11 Capitulo 10 - Invasão a Capital Parte 2
Capitulo 10 — Invasão a Capital Parte 2
Ba Sing Se, Reino da Terra
— Vê se não morre Dalai, logo alcançarei você — Lian Fu disse ao companheiro por cima dos ombros enquanto levava a rainha por outro corredor a esquerda.
Agora sozinhos naquele caos de explosões e gritos, Dalai se deu conta de quanto estava cansado e ofegante. Por um instante os dois ficaram ali a se encarar como se esperando o outro agir, como se qualquer hesitação fosse o seu fim de tudo que representavam.
— Não a esperava por aqui Avatar — Dalai disse em tom sombrio — Pensei que fosse o bichinho de estimação da Lótus.
— E eu que fosse o monstrinho de Raidou.
Dalai sorriu e então atacou. Mas o Avatar se esquivou da massa de ar proporcionada por ele e, dando uma pisada no chão, arrancou um pedregulho da terra e a arremessou contra o fora da lei, este que o cortou com um chute despedaçando em pedrinhas. Em seguida o Avatar se conectou com a água da lagoa maleando-a e brandindo como a um chicote contra Dalai.
O dobrador de ar se inclinou para o lado protegendo o rosto e sentiu a água lanhar seu antebraço. Até que para uma criança, ela é fortinha, ele pensou, mas eu sou mais experiente. Então com um movimento ligeiro deu uma rasteira de ar no Avatar a atirando ao chão e completou o massacre com uma sequência de golpes velozes com os braços em rajadas cortantes.
Caída, Lana no último momento ergueu uma parede de rocha para se proteger, no entanto, viu os pedaços de seu muro sendo fatiados pela ventania como se fosse de manteiga. Até que por fim Dalai caiu sobre ela com uma meia lua destruindo o muro e a arremessando do outro lado do jardim.
— O que foi garotinha? isso é tudo o que tem? — Dalai riu enquanto a observava se levantar — O que há com esse olhar magoado? Não achou mesmo que jogaria limpo, não é?
Lana deixou sua ira queimar e dar vazão em forma de chamas ardentes. Ela desferiu uma sequência de socos velozes disparando bolas incandescente em seu inimigo, mas Dalai os dissipava gradativamente até que, por descuido, um o acertou no peito e o derrubou. Então caiu a ficha, porem era tarde demais para reparar seu erro, ofegava e, coberto de suor e sangue, as forças se esvaiam. Os movimentos estavam ficando cada vez mais lentos e sua visão embaçava.
— O que foi assassino? Já está cansado? — Lana gritou para ele. A garota o rodeava caçando um ponto cego.
Dalai franziu o cenho. Até que foi um bom truque, mas não bom o suficiente para vencê-lo.
— Veremos então! O próximo golpe será o último — ele disse por fim.
Dalai levantou-se com dificuldade e começou seu gingado. Lana não lhe deu essa oportunidade e atirou outro pedregulho e se impulsionou contra ele, mas Dalai se desviou com facilidade e a esperou paciente. Lana tocou o chão enquanto corria e a terra calçou a pele como luvas pontiagudas e se preparou para terminar com aquilo.
Sua certeza evaporou.
Dalai desviou facilmente do soco de Lana e agarrou sua camisa, comprimindo o ar e o soltando sob a sola do pé. A joelhada a acertou com tremenda força no estomago que a fez se curvar de dor. O ar fora roubado dos pulmões e ela cambaleou de lado. Mas o dominador de ar a impediu de se afastar a puxando de volta para mais um ataque. Dessa vez ele a acertou com uma massa de ar na barriga e a deixou que voasse para longe até a lagoa.
— Sinto muito que isso tenha que terminar assim, Lana — Dalai disse ofegante e dolorido — Não tenho outra escolha. Te vejo na próxima vida.
Algo se aproximou pelo ponto cego, uma súbita mudança no ar, mas em Dalai não restara forças para se desviar e foi pego pelo tubo de água, que num instante se transformou e o prendeu numa parede de gelo.
— Lana! Você está bem? — um outro cara a chamou correndo em sua direção. Ele pulou na lagoa e a ajudou a voltar a terra firme.
— Estou bem Kaijin — respondeu e escarrou sangue viscoso. Ela o afastou e deu dois passos vacilantes em direção à estátua de gelo. Apenas o tronco fora congelado, as mãos e a cabeça ainda se debatiam.
Kaijin fitou um Dalai congelado, que nem por isso deixava de lhe deitar um olhar tempestuoso, e perguntou:
— É ele?
Lana assentiu enquanto recuperava o fôlego.
— Então vamos acabar com ele — Kaijin sacou a espada e pôs centímetros do rosto do inimigo.
Ele não esboçou qualquer reação, viver ou morrer que diferença teria? Não tinha obrigações ou aspirações, apenas vagava em sofrimento naquele mundo. Um espetro autodestrutivo.
— Onde está a rainha? — Kaijin perguntou ao Filho da Tempestade.
Dalai cuspiu em seu rosto com escárnio.
— Vá se ferrar! Procure você mesmo machão, se tiver coragem.
— É mesmo uma pena. Seu destino foi selado.
Kaijin ergueu sua espada para o golpe final:
— Espere Kaijin — Lana o interrompeu, agora decidida outra vez — Temos uma missão a cumprir, não dá para perder tempo aqui. Mesmo se fizéssemos, o que conseguiríamos o matando? Nos tornaríamos iguais a ele: assassinos. Não vale a pena.
— Se tocarem um dedo na Laya, eu juro diante dos deuses e ancestrais que caçarei qualquer um de vocês até fim do mundo! Não descansarei até ter suas cabeças! — Dalai rosnou tentando inutilmente se soltar.
O conflito transpareceu no rosto do soldado até que, hesitante, abaixou a espada e partiu com o Avatar, deixando Dalai sozinho a própria sorte.
Pelos relatórios dos espiões, o protocolo de segurança dos Dai Lis logo entraria em vigor e a única brecha na segurança seria interceptar a rainha antes que alcançasse o subsolo. Caso falhassem na missão, o ataque de fachada de nada serviria e as forças do Ar acabariam repelidos pelos guerreiros Dai Li. Estavam em uma corrida contra o tempo. Esse era o momento definitivo para essa guerra. Uma chance que agarraria com unhas e dentes se necessário.
Enquanto percorria os corredores do castelo a exaustão cobrara seu preço e Lana forçava-se a perseverar. A batalha anterior torrara suas forças, ainda sentia como se tivesse sido atropelada por um elefante. Tinha certeza de que se Kaijn não tivesse aparecido provavelmente estaria morta a esta altura. Viraram em outro corredor que dava para o saguão onde Lana pode perceber a silhueta de outra pessoa os esperando.
Lian Fu encarou friamente seus inimigos com o rosto coberto pela escuridão, seus punhos cerrados queimando as mangas do uniforme. Ergueu sutilmente o queixo em desafio, carregava a honra da Nação do Fogo nas costas e orgulho de seu povo em seu coração.
— Não darão nem mais um passo. Não permitirei que peguem a Rainha da Terra — ela sentenciou.
Kaijin sacou novamente sua arma e se preparou.
— Vá atrás da rainha, eu cuido dessa mulher e já a alcanço.
Lana abriu a boca para retrucar, mas Kaijin a calou com um gesto de mão.
— Tenha um pouco fé em mim para variar. Não precisa carregar todo o peso do mundo nas costas.
Sem olhar para trás Lana correu para a porta. Mas Lian Fu não deixaria que passassem tão facilmente. Num movimento rápido incendiou o caminho de Lana erguendo uma muralha de chamas. No entanto, o Avatar continuou a correr em direção ao inferno ardente a sua frente, depois, pisando com força no chão, tomou impulso com auxílio da terra e saltou por cima do véu de fogo pousando ilesa do outro lado.
Lian Fu praguejou e se virou para lançar uma bola de fogo no Avatar até que algo passou voando centímetros de seu rosto arrancando-lhe um filete de sangue. Irada voltou a cabeça para onde havia vindo a adaga.
— Não é educado esquecer um oponente — Kaijin sorriu e investiu.
Kaijin atacou com sua espada pela esquerda, mas Lian Fu aparou o golpe e agarrou seu braço torcendo-o e forçando seu corpo a frente. Mas Kaijin não desistiria assim tão fácil e com uma cotovelada se soltou e tomou um pouco de distância. Uma disputa árdua o aguardava.
Seguindo sozinha, Lana evitava os tremores e pedaços do teto que caiam devido aos bombardeios. Avançou aniquilando qualquer um que entrasse em seu caminho. Conhecia bem a planta do castelo e encontrar os subterrâneos não seria problema. Virou novamente em outro corredor e desceu as escadas até as catacumbas do castelo, lá encontrou uma mulher grávida agachada em um canto. A mulher lutava contra fortes contrações e dois guerreiros Dai Li tentavam acalmá-la e impedi-la de gritar.
Antes de os guerreiros a perceberem Lana já estava sobre eles com golpes furiosos e precisos e os incapacitou rapidamente.
— Eu lamento por isso, mas preciso que venha comigo — Lana disse e agarrou a mulher pelo braço.
Kaijin se esquivou por um tris de uma bola que quase lhe fritou os miolos. Sentia os músculos cederem a pressão. Sem água com que se proteger, Kaijin se sentia vulnerável e seu peito ardia onde uma rajada de fogo o acertara instantes antes. Como conseguiria escapar daquela situação? Provavelmente não vou conseguir segurar ela por muito mais tempo. O pensamento invadiu sua mente.
Então pela janela uma luz verde cortou o céu. Esse era o sinal de retirada, Lana havia conseguido interceptar a rainha. Kaijin cruzou o olhar com o de Lian Fu e o entendimento apareceu em seu rosto. Antes que Kaijin pudesse fugir, Lian Fu assumiu a conhecida posição tão temida na Tribo da Água do Norte: a dobra de raios.
Lian Fu fechou seus olhos e sentiu os pelos da nuca se arrepiarem como se toda a matéria que compõe o universo percorresse seu corpo acordando todos os seus sentidos. A capitã saboreou o momento e liberou tudo de uma vez em seu inimigo. O relâmpago atingiu Kaiin e o arremessou na parede e sem que pudesse fazer nada, seu mundo escureceu.
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