Notas iniciais
Ainda tenho alguns capítulos prontos, vão ser bem curtinhos, pra eu conseguir postar com mais frequência. Mudei o ponto de vista, agora vocês irão conhecer a Gwen. Enjoy!

Gwen corria. Era a única forma de escapar. Podia ouvir os passos de seus perseguidores quebrando galhos e estalando folhas secas atrás de si. O cachorro que andava com eles latiu furiosamente, fazendo um arrepio descer pela sua espinha.

Sabia que não tinha chance de escapar com aquele cachorro seguindo seu cheiro, e sabia que não havia nenhum riacho por perto para que pudesse escapar por ele. Mesmo assim, continuava correndo.

Havia espinheiros naquela floresta que prendiam seu vestido toda hora, e suas mãos já estavam em carne viva pela quantidade de vezes que arrebentara os espinhos de qualquer forma para continuar correndo. Seus pulmões queimavam, e perdera um pé do sapato. Nada a fazia diminuir o ritmo.

Seu corpo trabalhava incansavelmente e sua mente também. Como distrair o cachorro? Como disfarçar seu cheiro? Como matá-lo? Ela não sabia se conseguiria, mesmo se tivesse uma arma apropriada. Os homens a pegariam antes que chegasse perto do cachorro.

Sua mãe – ela tentava combater as lágrimas quando se lembrava dela – lhe ensinara diversas coisas sobre a floresta. Gwen repassava todos os ensinamentos, tentando achar algo, qualquer coisa, que pudesse lhe tirar daquela situação.

Qualquer coisa!

E de repente a solução veio.

Gwen escalou por uma árvore sem usar nenhum apoio, deixando marcas de sangue no formato de suas mãos. Daquela árvore, se atirou para outra, e depois para outra um pouco mais distante, quase perdendo o galho e se esborrachando no chão.

Aquela era uma árvore especial. Gwen rasgou uma tira de seu vestido rapidamente, enrolando em uma das mãos. Com a outra, quebrou uma das vagens secas da árvore, que tinha o formato de um canudo, pois todas as frutas de dentro haviam secado e caído. A essa altura, os seus perseguidores já estavam em seu campo de visão, e o enorme cachorro farejava, procurando-a. Tinha pouco tempo.

Cuidadosamente, com a mão enfaixada no tecido, ela escolheu uma das vagens da árvore que ainda estavam verdes e quebrou apenas a ponta, evitando que a gosma que saía caísse em qualquer parte de pele desprotegida. Gwen encaixou esse pedaço numa das pontas do canudo e colocou a boca na outra ponta. Só tinha uma chance.

O cachorro latiu para a árvore que ela havia subido. Gwen viu os homens apontando para as marcas de sangue que havia deixado.

Levou segundos para que eles identificassem para onde ela havia ido e que a vissem no meio dos galhos. Um dos homens correu para a árvore para subir, enquanto o outro vigiava se ela não iria descer. O cachorro parecia saber que Gwen estava às portas da morte e se contentou em observar. Gwen mirou cuidadosamente no olho do animal, encheu os pulmões de ar e deu seu melhor sopro.

Acertou em cheio, e o cão vacilou e ganiu, distraindo os dois homens. Gwen aproveitou a oportunidade e desceu da árvore num único salto, rolando no chão para diminuir o impacto. Então correu, correu como nunca correra na vida, correu mais do que estava correndo antes.

Eles não eram da floresta, e jamais encontrariam seu rastro sem aquele cão, que já deveria estar espumando por conta do veneno poderosíssimo. Gwen vencera.

Então, sem aviso, uma flecha tremeluziu no ar e a acertou.

Notas finais
Bom, se tiver alguém acompanhando, me digam o que acharam!