As Crônicas dos Defensores de Luminia
13 Má escolha
Notas iniciais
Quando Gwen e Enzo chegaram à cidade, era início de tarde, e já fazia um dia e meio que ele havia saído de casa.
Gwen olhou admirada para as construções de pedra, pois jamais havia entrado numa cidade anteriormente.
— Como as pessoas fazem essas coisas tão altas? – ela perguntou, fazendo Enzo rir. Ele a guiou rapidamente por alguns dos pontos pitorescos da cidade, como a ponte, o castelo do governador, a loja de doces. Gwen se encantou com tudo, eram construções impressionantes, e os doces que Enzo conseguira para eles eram deliciosos. Enquanto os dois caminhavam despreocupadamente pelas ruas, chupando as balas, Gwen se perguntava por que sua mãe jamais a levara na cidade. Mas também não conseguia se lembrar de alguma vez ter pedido por isso.
Por fim, Enzo parou na frente da loja de cartas.
— Me espera aqui – disse ele, olhando para Gwen. – Vou só escrever uma carta para minha mãe e já volto. – Enzo esperou até que ela se sentasse em um dos bancos públicos e entrou na loja. Num rápido olhar, percebeu que só havia um vendedor e que ele estava ocupado com outro cliente.
Ergueu o olhar para a vitrine. Ainda conseguia ver Gwen lá fora. Enzo fingiu olhar os primeiros tipos de papel, passando o dedo pelas prateleiras e se dirigindo mais para o fundo, até encontrar o que procurava: uma janela que ficava do lado oposto à entrada. Daquele ponto, ele já não via a vitrine da loja, e tinha certeza de que Gwen também não o via. Deu uma última olhada para conferir se não havia funcionários ali, e então pulou a janela.
Sabia que Gwen jamais aprovaria sua decisão. Também sabia que sua mãe jamais se contentaria com uma carta. Precisava encontrá-la pessoalmente, explicar onde estava e a estranha jornada em que se metera. Correu pelos becos que já lhe eram familiares e em poucos minutos estava na porta de casa. Sua mãe lavava roupa com uma expressão desolada. Enzo correu na direção dela.
— Mãe! – exclamou.
Sônia se virou, admirada. Encontrou o olhar do filho e seus olhos se encheram de lágrimas, puxando-o para um abraço de esmagar ossos.
— Menino! Onde você foi?? Me deixou maluca de preocupação com você!
Os dois sentaram-se à mesa da cozinha, e Sônia fez um almoço reforçado para o filho, enquanto ele lhe contava todas as coisas estranhas que havia passado nos últimos dias. Sônia ouvia com atenção. Por algum motivo, mesmo que tudo aquilo fosse tão místico, tão difícil de acreditar, ela não duvidava da sinceridade do filho. E ele, de cabeça baixa, temendo uma repreensão, disse à mãe que pretendia ir com Gwen atrás de outras pessoas que também tivessem um diamante.
— Eu já esperava que você dissesse isso – respondeu Sônia, fazendo Enzo erguer os olhos, surpreso. – E eu sei que você está tomando a melhor decisão. – A mãe o olhava com orgulho. – Você está destinado a grandes coisas, Enzo. Posso sentir isso em meu coração.
O coração de Enzo se apertou com as palavras da mãe. Temia que ela o condenasse, dissesse que morreria se ele partisse, coisas que as mães costumam dizer para que os filhos não saiam de casa. Ele a abraçou com força, sem saber quando a veria novamente. Quando se afastou, os olhos dos dois brilhavam de lágrimas não derramadas.
De repente, Enzo sentiu uma queimação muito forte na mão, fazendo-o soltar uma exclamação de dor. Quando olhou, seu diamante estava tão quente que a pele ao redor estava vermelha. Seu estômago revirou quando uma sensação de urgência o atingiu até os ossos.
Gwen.
De alguma forma, Enzo sabia que ela corria perigo.
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