As Crónicas de Hermione
10 Enigma misterioso
Notas iniciais
POV Draco
Desde o Natal que Draco andava intrigado com a primeira carta que recebera. Tinha pensado em todas as hipóteses mas não chegara a conclusão nenhuma. A única coisa que sabia é que aquela última informação só podia vir de Pansy Parkinson, não queria acreditar que a amiga o tinha atraiçoado daquela maneira, achava mesmo que era impossível. Ela podia ser muita coisa, mas sempre guardou os segredos dele, da sua vida pessoal, sobre os seus pais. Podia ter usado tudo o que sabia antes, e não o tinha feito. Não tinha porque duvidar dela. No entanto, tinha a certeza que mais ninguém sabia sobre a morte dos seus pais, como é que lhe podiam estar a escrever sobre isso. Será que a amiga tinha mesmo contado a alguém? Ao Zabini? A uma amiga? Mas quem?
A letra da carta era demasiado bonita e cuidada, e a maneira de escrever preocupada, por isso concluiu que devia ser mesmo uma mulher que lhe tinha escrito. O que só piorava, não tinha assim tantas amigas, pelo menos que se preocupassem com ele naquele momento. A Pansy era a única. Depois de passar dias, a conjurar hipóteses, chegou a conclusão que não existia ninguém, não tendo mais respondido a Pansy, esta deve ter resolvido inventar uma personagem anónima para o tentar animar. Guardou o papel e apesar de pensar naquilo de vez em quando, acabou por deixar de lado.
No entanto, em finais de Janeiro, o guarda veio novamente até à sua cela, e atirou-lhe uma carta pelas grades:
— Parece que a maluquinha que te escreve ainda se lembra de ti. — disse o guarda, e enquanto se afastava ouvia-o resmungar “há com cada uma que mais parecem duas.. sinceramente..”
Draco levantou-se na cama, e sentou-se. Olhou para o chão e lá estava de novo o seu nome e o seu nr de prisioneiro, bem escrito no exterior daquela carta. A mesma letra da outra vez. Ele lembrava-se da letra de Pansy, emprestara-lhe os apontamentos na escola demasiadas vezes. Aquela não era a letra dela. Mas havia muitas maneiras de modificar um tipo de letra, não era esse o problema.
Abriu a carta, e desta vez quem quer que fosse, tinha escrito muito. Começou a ler desconfiado mas como quem lê um livro que vai ficando cada vez mais interessante, Draco não conseguiu deixar de ler aquelas palavras. Quase duas páginas. Aquela que lhe escrevia, e que se assinava por J., era definitivamente uma mulher pois aqui e ali utilizava formas femininas, como “sozinha”, “ansiosa”, “preocupada”, entre outras.
Não era apenas uma carta para ele, parecia um desabafo, uma confissão. Quem quer que fosse contou lhe a sua história pessoal como se se conhecessem há muito tempo. Ficou a saber que tinha perdido os pais, de forma brutal, e que ficara sozinha no mundo, mesmo estando rodeada de pessoas. Que sentia que ninguém a compreendia de verdade. Draco leu tudo com atenção, ela terminava dizendo que talvez ele a compreendesse. Que lhe podia escrever e confiar nela. Até ali, ele até leu com algum interesse mas aquele fim deixou-o irritado e muito desconfiado mesmo. A Pansy não ia inventar aquilo tudo, sabia que a amiga não tinha paciência pra escrever e inventar histórias. Mas ali naquela nova carta, quem quer que fosse, sabia da sua história, da história dos seus pais, e não tinha esse direito. Só Pansy podia ter contado tudo, e iria pagar por ter andado a falar da sua vida. Ela e aquela a quem ela tinha contado. Não se ficariam a rir, se o objetivo era deitá-lo abaixo, não iriam conseguir. Até porque ele já estava na lama, literalmente.
Mais uma vez passou dias a cogitar sobre o assunto. Nova conclusão, a Pansy tinha dado com a língua nos dentes a algum jornalista, que agora estaria a tentar comunicar com ele pra obter um exclusivo. A amiga sempre gostou de atenção, provavelmente estaria desocupada, em França e devia ter falado sem pensar. Não tinha voltado a falar com ela e não sabia o que é que a amiga andaria a fazer àquela data.
Depois de pensar muito, resolveu escrever a Pansy. Quem é que ela achava que era pra lhe fazer uma coisa daquelas?! Estava furioso. Tão furioso que escreveu uma carta a quente, chamou o guarda e pediu-lhe que enviasse a sua carta assim que possível. Quando mais tarde pensou no assunto, percebeu que tinha sido incorrecto com a única amiga que lhe restava e que se tinha preocupado com ele. Já nem se lembrava do que escrevera, mas um dia pedir-lhe-ia desculpa por tudo, sabia que tinha sido um pouco cruel, como era seu hábito. Um hábito que nem mesmo aquelas condições lhe tinha tirado, seria algo a corrigir no futuro, se o tivesse.
Na manhã seguinte, o guarda voltou a acordá-lo aos gritos. Tinha chegado nova carta, e o guarda não estava satisfeito por tanto leva e traz. Draco demorou pra se levantar e apanhar a carta atirada para o chão, já sabia que Pansy iria se desfazer em desculpas. E que devia estar magoada com as suas palavras, mas a amiga devia ter cuidado com o que falava, precisava aprender uma lição. Voltou a adormecer. Desde que estava em Azkaban dormia muito mas estava sempre cansado. Alimentava-se mal. Exercitava-se. E o resto do tempo dormia, pelo menos quando podia, ou melhor, quando os guardas deixavam.
Quando acordou novamente, endireitou-se na cama e ao olhar para a carta ficou surpreendido, o papel era o mesmo das outras vezes, e ao virar o envelope selado, constatou que a letra era a mesma que lhe tinha escrito no Natal e em Janeiro.
Aquela J. tinha tido a audácia de lhe escrever novamente. Abriu a carta, admitindo no seu íntimo que estava curioso.
“Draco, não te aborreças com a Pansy. Ela é mais tua amiga do que possas imaginar, e se partilhou a tua história não foi para espalhar a notícia, mas por preocupação. Acredita que o teu segredo está bem guardado comigo. E sobretudo, acredita quando te digo que não estou aqui para te julgar. O tribunal já fez isso e já estás a cumprir a tua pena. Não te escrevi para te importunar e muito menos para te menosprezar. Antes pelo contrário, só quero ajudar com a tua dor, pois sei bem o que sentes. Se aceitares responder, a coruja que levará as próximas cartas, esperará pela tua resposta. Quando quiseres. Quando estiveres preparado. Não vou desistir.
Lembra-te que tens um futuro quando saíres, terás uma vida livre e nova. Uma vida onde poderás escolher tudo e ser tudo o que quiseres. Assinado: J.”
Mais uma vez, Draco não conseguia perceber quem era aquela pessoa. Era amiga de Pansy? Boas amigas e demasiado confidentes, pois aquela carta respondia à sua, enviada a Pansy. Mas quem podia ser? Tentou pensar em todas as amigas de Pansy, com algum nome começado por J, mas não lhe ocorria nenhuma. A amiga dava-se minimamente com algumas alunas quando estavam em Hogwarts, mas ela estava mais com ele e com os rapazes do que com as miúdas. E, não sabia porquê, aquela pessoa parecia conhecê-lo.
Nada fazia sentido. E tudo aquilo estava a deixá-lo louco, queria responder e exigir de imediato que se identificasse, queria impor-se e exigir respeito, mas já não estava nesse patamar. Fosse de que maneira fosse não estava disposto a ceder, não ia dar esse prazer àquela desconhecida. Podia fazer o que quisesse, ele não iria responder, nem queria saber de mais nada. A verdade é que o tempo passava e não tardava sairia dali, e nunca mais saberiam nada dele, nem mesmo Pansy, muito menos ela, depois de o ter colocado nesta situação.
Mas aquilo não terminou, a pessoa tinha dito que não ia desistir e realmente todos os dias, a partir daquele, ele recebia uma carta. O guarda andava sempre mal disposto por ter tanto correio.
Draco não lia as novas cartas. Foi juntando todos os pequenos envelopes e não os abria sequer. Não havia nada que aquela pessoa dissesse que lhe pudesse interessar.
Tinha passado um mês, agora até conseguia contar o tempo, com o número de cartas que recebia, uma a cada dia que passava. Até que num dia solarengo de março, depois de receber mais uma carta, ele decidiu abrir o primeiro envelope. Já que estavam ali, queria saber o que tanto aquela pessoa escrevia.
Depois abriu o segundo, e o terceiro até chegar ao último. Eram pensamentos soltos, frases de escritores conhecidos, de músicas que ele nunca ouviu, curiosidades, e pequenos momentos do dia daquela pessoa. Draco terminou a leitura e deu por si a sorrir. Pela primeira vez em meses, talvez anos, sorria sem motivo aparente. Quando se apercebeu nem ele queria acreditar, fechou a cara novamente. Tinha de admitir que aquela pessoa escrevia bem, e fosse sobre trivialidades ou banalidades do dia a dia, aquilo tinha-o distraído. Por momentos sentiu que estava no castelo de Hogwarts novamente a ver um pôr do sol, refletido no lago.
Draco acordou dos pensamentos e procurou um bilhete em particular entre todos aqueles bilhetes. Agora que pensava nisso, estava ali um que lhe dava algumas pistas. Encontrou-o e leu novamente, desta vez em voz alta:
“Hoje foi um daqueles dias de março em que o sol aquece mas o vento sopra frio, quando é verão na luz e inverno na sombra. Um daqueles dias que agradecemos uma manta nas pernas, um chocolate quente numa mão e um livro na outra, enquanto vemos o sol pôr-se atrás do castelo e os raios se alongam no lago. Assinado: J.”
Entre tantos bilhetes, aquele era o que tinha mais informações, como é que ele não tinha percebido logo. Aquela pessoa que se empenhava e insistia em escrever-lhe todos os dias, estudava em Hogwarts. Mas quem?! Quem é que ainda estava em Hogwarts que o conhecia e que era amiga de Pansy? E se as duas estavam tão próximas que esta J. lhe tinha respondido quando ele tinha escrito a Pansy, isso queria dizer que esta também estava em Hogwarts? Mas porquê? Já nada fazia sentido, nenhuma peça encaixava neste puzzle. Quem é que era esta J.? Que diabos, não saber estava a deixá-lo louco de curiosidade, agora que tinha lido tudo queria saber mais.
Draco agarrou no último bilhete, tinha apenas uma frase: “A saudade pesa, mas o amor fica — e é ele que, aos poucos, transforma a dor em luz. J.”, leu novamente. De alguma maneira, as palavras que ela lhe enviava faziam sempre sentido, agarrou um resto de lápis que ainda tinha guardado e rabiscou no verso: “quem és?”, não gostava daquele jogo que a outra pessoa sabia tudo sobre ele e ele não sabia quem estava do outro lado. Teria de ter uma resposta o quanto antes. Timidamente chamou o guarda. Mas teve sorte, era a folga do guarda rabugento que o maltratava e este guarda pareceu lhe que era novo no serviço, pelo menos Draco não se lembrava de o ter visto antes. Este não resmungou quando ele pediu para devolver o bilhete a uma coruja que supostamente esperava por ele. O guarda assentiu e saiu imediatamente para enviar o bilhete.
No dia a seguir, Draco acordou cedo, estava ansioso pela resposta. A cada barulho que ouvia do lado de fora da porta, ele chegava junto da pequena abertura com grades. No entanto, a resposta tardava em chegar. Viu passar o novo guarda, e atreveu-se a perguntar que dia era, parecia-lhe ser uma pessoa mais razoável.
O guarda foi simpático e chegou perto da porta, disse lhe que era domingo, dia 14 de março, e até comentou que a primavera estava quase aí mas ainda estava fresco. Draco aproveitou a onda e perguntou casualmente se o correio ainda não tinha chegado. O guarda riu-se, mas disse que não, que se houvesse alguma coisa, já teria sido entregue.
Draco não queria abusar da simpatia do guarda e não fez mais perguntas. Mas o guarda aproximou-se da porta, e ofereceu-lhe um cigarro:
— Fumas?! — perguntou esticando o braço e oferecendo-lhe um maço de cigarros. — Eu sei que não é um bom hábito, começou como brincadeira mas desde que vim para aqui, o vício piorou… mas que hei-de fazer, ajuda-me a relaxar.
Draco tinha fumado ocasionalmente. Naquele momento já estava por tudo, aceitou a oferta e agradeceu.
O guarda acabou por lhe contar que o conhecia de Hogwarts, chamava-se David Felton, era 3 anos mais velho e tinha pertencido aos Hufflepuff. Draco admitiu que não se lembrava dele, nada que surpreendesse o guarda Felton, pois os puros sangue, sobretudo os Slytherin não reparavam nos Hufflepuff. Draco concordou e nem tentou pedir desculpa ou explicar-se, era desnecessário naquele momento. O guarda anunciou que era quase hora de almoço e tinha de fazer uma última ronda.
Malfoy viu-o virar costas e desaparecer no corredor à esquerda, no entanto foi agradável poder falar com alguém depois de tanto tempo.
O almoço veio, Malfoy comeu aquela mistela que serviam apenas para dizer que as refeições era servidas e que os presos eram nutridos como deviam ser. Na verdade, aquela comida era intragável e nojenta.
Mais tarde quando o guarda veio recolher o tabuleiro, chamou-o mas de certa forma animado:
— Hey, Malfoy?! Estavas à espera disto?! — e mostrou-lhe um pequeno envelope pelas grades.
Draco levantou-se rapidamente e agarrou a carta. Entregou o tabuleiro com a tigela vazia, e agradeceu a David Felton. Que o deixou sozinho.
O rapaz, aproximou-se da pequeníssima janela para ter mais luz, lá estava o seu nome escrito na mesma letra. O mesmo lacre vermelho de sempre. Abriu o envelope, na ânsia de saber finalmente se aquela pessoa se apresentaria. Leu o texto:
“Quem sou?
Pouco sei de mim.
Há quem me conheça melhor,
Eu sou como me quiser ver,
Sou o que preciso ser
E quando não preciso, sou nada.
Sou filha frágil que precisa de um abraço,
Sou filho forte, pisando em pregos de pés descalços.
Para os amigos tristes, sou o palhaço.
Para os ausentes, sou saudade.
Para os necessitados, sou caridade.
Para o mal, eu sou bondade.
É difícil dizer quem sou
Quando posso ser tudo e nada.
Posso ser o sorriso num rosto triste.
Posso ser a esperança onde ela não existe.
E se perguntas quem sou, eu pergunto;
Quem precisas que eu seja?”
Draco Malfoy suspirou de desânimo, o poema estava bem escrito, mas não respondia àquilo que ele queria saber. Mais uma vez ficou furioso. Ele não ia falar com alguém que não sabia quem era, quem é que ela se achava? “Quem precisas que eu seja?”, leu novamente em voz alta, e continuou a falar consigo mesmo, num monólogo introspectivo.
— Bolas, eu não preciso de ti, não preciso de nada nem de ninguém. Aceitei o meu destino, aceitei a minha pena. Devia estar aqui enclausurado, sozinho, simples assim. Estive sempre sozinho no fundo, agora estou só no mundo. Não me vou preocupar com nada, nem ninguém. Ninguém se preocupa comigo, eu sei. Estas cartas não querem dizer nada, são do ministério ou de um jornalista, de certeza que querem apenas descobrir onde estão os meus pais. São eles que interessam. Não eu. — Draco divagava nas suas ideias.
Falava mais alto do que era suposto, e entretanto ouviu um som. Alguém que pigarreava do lado de fora da porta. Foi então que percebeu que estava a falar alto. O guarda mostrou a cara pela pequena abertura com grades, e respondeu-lhe, mostrando claramente que tinha ouvido o seu desabafo:
— Toda a gente precisa de alguém, ou de algo. Ninguém deve estar sozinho, ninguém merece estar só. Nem mesmo tu, Malfoy!!
Por esta altura, tudo em Draco Malfoy estava em alerta máximo, tudo lhe dizia pra desconfiar de tudo e de todos. Foi assim que aprendeu a viver, era assim que iria proteger-se. E do nada começou a gritar com o guarda:
— E quem és tu, David Felton?! De onde vens de repente? Estou aqui há tempo suficiente pra saber que os guardas não estão aqui pra ser simpáticos, pra serem nossos amigos, e assim do nada aparece um novo guarda, que oferece cigarros, conversa, todo sorrisinhos. Já te topei, já percebi tudo. Bastou mostrar interesse nestas cartas, nesta porcaria de bilhetes e de repente, o guarda muda. Acabou a brincadeira, se achavam que ia falar, dizer fosse o que fosse, enganaram-se. Ainda não estou assim tão xalupa. — Draco berrava por esta altura, quase histérico, o rosto vermelho, a cuspir gotas de saliva enquanto falava, realmente parecia que tinha enlouquecido.
Viu o guarda Felton, encolher os ombros e virar costas, enquanto lhe respondia um “tu é que sabes…” que ecoou pelo corredor vazio.
Draco encostou-se a parede e deslizou, sentando-se no chão, completamente abatido. Começou a chorar. Começou a pensar que tinha exagerado, com tudo. O novo guarda não tinha feito nada de alarmante, tinha sido apenas respeitoso, não tinha sido nem mais nem menos simpático, tinha feito o seu trabalho. E aquela carta, não dizia nada mas dizia tudo, era um ponto de partida pra ele se abrir. Realmente aquela J. tinha razão, um dia ele iria sair dali, precisava espiar a sua culpa, se queria ter a oportunidade de ter uma vida onde pudesse fazer as suas próprias escolhas. Finalmente, poderia ser ele a decidir, não tinha ninguém a decidir por ele, a dar-lhe ordens. E se calhar ele precisava mesmo de uma pessoa que o orientasse, que o ajudasse a descobrir quem ele era. Sim, era isso que ele precisava: descobrir quem era, visto que toda a vida lhe tinham dito o que devia ser: um Malfoy, filho de Lucius, um slytherin, um devorador da morte, um assassino, um cobarde. Estava na hora de mudar tudo. Queria ser simplesmente Draco.
O guarda ouviu os gritos do Malfoy, e retirou-se. Virou no corredor à direita, e andando sempre em frente, virou novamente a direita e a seguir à esquerda. Chegou a uma porta fechada, abriu-a: havia uma mesa ao centro e algumas cadeiras. Havia três aurores na Sala: Gawain Robards, o chefe do departamento, Harry Potter e Ron Weasley.
David Felton tinha entrado no departamento de aurores quando saiu de Hogwarts, fazia trabalho de escritório, analisando e arquivando relatórios. No final de fevereiro, chegou um relatório de Azkaban, como chegavam regularmente desde que as detenções de devoradores tinham aumentado depois da guerra. Aquele relatório em particular era do prisioneiro Í¥525, nem mais nem menos que Draco Malfoy.
David Felton era estudante em Hogwarts há 3 anos quando a turma de Harry Potter tinha entrado, conhecia o trio de vista, assim como conhecia o irritante do loiro Malfoy. Toda a gente o detestava, os alunos mais velhos não o suportavam, mesmo os Slytherin, que apenas o suportavam por ser filho de quem era.
Agora, ali estava ele, um funcionário exemplar do departamento a analisar o relatório do riquinho que estava preso desde o ano precedente.
Algo lhe chamou a atenção, o guarda responsável da ala onde Malfoy se encontrava, sempre se referira a este com um prisioneiro exemplar, nem falava sequer, não respondia a provocações, estava sempre quieto na sua cela. Mas neste relatório relativo a janeiro e fevereiro, havia a referência a uma alteração de comportamentos, o guarda apontava que o prisioneiro recebera uma segunda carta e que começou a ter um comportamento mais errático e nervoso. Em fevereiro, o prisioneiro enviou uma carta para Pansy Parkinson. Referia também o relatório que as cartas eram seladas e não houve quebra de sigilo, como ordenado pelo ministério (apesar de tudo o Ministério da Magia sob a tutela de Kingsley Shacklebolt, queria manter algum respeito a todos os prisioneiros). Mais referia o relatório que a partir dessa carta para a amiga, Draco Malfoy começou a receber correspondência diária não respondendo a nenhuma.
Felton achou aquilo tudo muito suspeito, que diriam aquelas cartas todas que o Malfoy recebia. Seriam os pais que finalmente o contactavam e preparavam-se para fazer alguma coisa, algo estava errado. Agarrou em todos os relatórios de Malfoy e dirigiu-se ao chefe de departamento, que por acaso nessa altura estava reunido com outros aurores, entre os quais Harry Potter e Ron Weasley. Pediu permissão para falar, e expôs as suas dúvidas apresentando os relatórios que tinha em mão.
Como presumira, também o chefe e sobretudo Harry e Ron, acharam aquela correspondência mencionada nos relatórios suspeita. Todos concluíram que aquela carta para Pansy Parkinson teria desencadeado uma correspondência com os pais.
Ali mesmo foi delineado um plano, precisavam ter acesso àquelas cartas era um facto, mas não podiam interferir demasiado, ou arriscavam se a que correspondência parasse. Decidiram que iam colocar um auror infiltrado, como guarda, com o objetivo de ler a correspondência mas também que se aproximasse de Draco para começar a ganhar a sua confiança.
Foi nesta altura, depois de analisarem todos os candidatos, que o chefe de departamento, Gawain Robards, sugeriu o nome de David Felton. O chefe justificou-se dizendo que este era um bom funcionário, atento a detalhes que passavam despercebidos a muitos, era mais jovem que a maior parte e o melhor de tudo, era um desconhecido para o Malfoy. Seria a pessoa certa para ganhar a confiança do prisioneiro e perceber se as mensagens tinham algum valor para uma investigação ou não.
David foi para Azkaban no dia 1 de Março, inicialmente iria apenas interceptar as comunicações e analisar o conteúdo, era uma pessoa detalhista conseguia perfeitamente abrir uma carta selada e voltar a colocar o selo sem ninguém perceber, depois passaria à segunda fase, substituir o guarda encarregue daquela ala e ganhar a confiança do prisioneiro Í¥525.
As cartas chegavam todos os dias numa coruja cinzenta, mas não sabiam de onde vinha, pois a primeira coisa que ele fez foi tentar seguir o animal, no entanto a tarefa tornou-se um pouco difícil. Primeiro porque a coruja ficava em Azkaban durante horas, e quando finalmente partia a pobre ave ia caçar, deste modo nunca conseguiu perceber para onde se dirigia e de onde vinha. Pelo menos até abrir uma carta em particular.
Desde o dia 1 que lia e copiava todos os bilhetes antes de os entregar novamente no envelope selado para o guarda entregar ao destinatário. David percebeu que todas as mensagens eram escritas manualmente, a forma cuidadosa e delicada com que eram escritas, diziam-lhe que quem os enviava seria uma mulher, que se assinava J. Seria essa mulher, Narcissa Malfoy? No entanto, os bilhetes não continham informações nenhumas, pelo menos aparentemente. Quem quer que fosse que escrevesse a Draco enviava-lhe frases soltas, pequenos poemas, frases de autores, pensamentos do dia a dia, mas nada de especial. Das duas uma: ou havia um código e aquelas mensagens tinham outro significado para o Malfoy, ou eram simples mensagens sem conteúdo. Conhecendo minimamente os Malfoy, David apostou que existia um código algures e ele iria desvendá-lo.
No dia 11, porém, a carta trazia uma frase, ou melhor um pensamento, da autora que lhe deu outra perspectiva. A mensagem referia o pôr do sol atrás do castelo e os raios refletidos no lago, assim que o leu, Felton percebeu que aquilo se referia a um pôr do sol em Hogwarts, também ele assistira a essa paisagem inúmeras vezes. Para ele tornou-se óbvio que a autora das cartas se encontrava em Hogwarts, tinha visto o padrão de mensagens e agora não tinha dúvidas, estas não eram escritas por uma mulher, por uma mãe, nem mesmo que tivessem um código. As cartas vinham de alguém jovem, muito provavelmente de Pansy Parkinson, e agora sentia-se um incompetente, pois tinha sido ele que dera o alerta para esta situação e provavelmente não iria ter nada para apresentar.
Não teve outra solução, senão enviar um relatório com todas as informações que tinha reunido até então e as conclusões a que chegara. Enviou as cópias de todas as mensagens, inclusive a última, e a conclusão que tirara de tudo o que tinha lido. Referiu também que o prisioneiro não lia as comunicações e por isso concluía que a autora da correspondência era Pansy Parkinson. Terminou pedindo autorização para voltar, pois dava por concluída a investigação.
A resposta ao relatório foi rápida, o chefe informava-o que a investigação terminaria quando ele entendesse, e que não existiam ainda provas suficientes que as comunicações vinham de Hogwarts e muito menos que a autora J. fosse Pansy Parkinson. Foi incumbido de continuar a investigação e no fim de semana começaria a segunda fase de investigação, ele iria ocupar o lugar do guarda e deveria aguardar orientações.
Assim fez, continuou a receber as cartas e a copiá-las, cada vez mais certo que vinham de Pansy, agora pareciam ainda mais mensagens de uma adolescente. No sábado deveria então tomar o lugar do guarda, e logo nesse dia, a carta chegou mais cedo que o habitual, não que tivesse um horário certo mas naquele dia a coruja chegou mais cedo que o normal. Abriu o envelope, copiou o conteúdo, mais uma frase lamechas, colocou dentro do envelope novamente e selou-o novamente. Dirigiu-se à cela do Malfoy e anunciou o correio, mas não teve nenhuma reação do interior, estaria ainda a dormir com certeza. Atirou com o envelope para dentro daquele buraco imundo, não estava habituado àquelas condições, não havia limpeza e os prisioneiros faziam as suas necessidades e toda a sua higiene nas celas, havia poucas janelas e todas elas tinham sido fechadas, por isso o cheiro nos corredores dos prisioneiros era horrível. Mas não podia sair dali, agora estava realmente infiltrado, teria de passar os dias ali.
Andou às voltas pelos corredores, não havia grande coisa para fazer. Até que de repente, um pouco antes do almoço, ao passar pela cela do Malfoy, este chamou-o, não de forma autoritária como normalmente o ouvia falar em Hogwarts, mas de maneira educada e até tímida, olhou para ele um pouco surpreendido por ver uma cara nova ali, mas pediu-lhe para levar um bilhete a uma coruja que supostamente esperava por ele. Ele assentiu e saiu, já curioso para saber o que estava escrito naquele bilhete.
Chegou junto da coruja cinzenta, agora compreendia porque ficava ali todos os dias, esperava a resposta dele, e mais sentido fez quando abriu o papel amarrotado para ler a resposta, Draco Malfoy também não sabia quem lhe escrevia, pois no verso do bilhete recebido nessa manhã, o rapaz escreveu apenas uma pergunta “quem és?”
Amarrou o pequeno papel na patinha da coruja, e antes de a libertar, pediu a um guarda para assumir a ronda e informou que ia seguir a pequena ave. Depois de voar durante um bom bocado, a coruja tomou a direção de Hogwarts. David seguiu-a sempre ao longe. Agora restava apenas a questão de quem enviava as cartas todos os dias. No entanto, a coruja deu algumas voltas ao castelo, baixou até aos jardins, e subiu novamente até ao corujal. David continuou a voar na sua vassoura, dando algumas voltas, pairou junto do corujal, mas não havia movimento algum. Reparou que o único movimento que havia naquele dia em Hogwarts era a saída de alunos pelo portão, em direção a Hogsmead. O jovem Felton lembrou-se dos seus tempos de estudante e como era bom quando era dia de visita a Hogsmead. Presumiu que não valia a pena continuar por ali, pois a pessoa que teria enviado o bilhete, provavelmente estaria em Hogsmead e por isso a coruja resolveu esperar com a carta no corujal. Aquela coruja era especial, não era do tipo de procurar pelo destinatário para entregar a correspondência pessoalmente mas esperaria para receber novas indicações.
David partiu de novo para Azkaban, tendo assumido o posto infiltrado de guarda, não podia se afastar tanto tempo.
No dia seguinte, ainda de madrugada, David Felton foi surpreendido pela visita do seu chefe, Gawain Robards, Harry Potter e Ron Weasley. Vinham falar com ele sobre o seu relatório e as suas conclusões. Harry concordou que provavelmente a amiga de Malfoy, Pansy, estaria a enviar lhe aquelas mensagens para tentar animar o amigo. Ron estava mais apreensivo, achava que algo na história estava mal contada. O chefe de todos acabou por concluir que a investigação ainda devia prosseguir, eventualmente poderiam descobrir mais alguma coisa sobre os Malfoy caso o filho resolvesse começar a falar. David acabou por contar sobre o desenvolvimento do dia anterior, confirmando que o Malfoy mais novo não sabia quem lhe escrevia, e que ele próprio seguiu a coruja que se encaminhou para Hogwarts mas não pudera confirmar a quem era entregue a resposta pois a pequena ave, refugiou-se no corujal.
Os 3 superiores de David resolveram passar o dia em Azkaban para descobrirem de uma vez por todas quem escrevia a Draco Malfoy, porquê e onde estavam os pais deste. Era hora de agirem e de os trazer a justiça.
David saiu, foi fazer a ronda da manhã, conversou com Draco quando este lhe perguntou que dia era, partilharam um cigarro. E do pouco que falaram, Felton nem acreditava que aquela pessoa era a mesma que conhecia como um imbecil arrogante na escola. Pelos vistos a prisão estava-lhe a fazer bem e o Malfoy estava mais humilde, senão disfarçava muito bem.
Já depois de almoço, a coruja cinzenta de Hogwarts voltou. O bilhete foi aberto na presença do chefe, Harry e Ron. Cada um leu as palavras daquele poema misterioso. Nenhum percebeu o que aquilo queria dizer e provavelmente Malfoy também não ia entender. Quem de raios seria esta J.
Ron era da opinião que se fosse Pansy, a slytherin não se ia esconder assim. E não sendo esta a autora das mensagens, queria dizer que alguém em Hogwarts estava a ajudar o Malfoy de alguma maneira. A situação tinha de ser vigiada. O chefe de todos e Harry acabaram por concordar.
A nova carta foi entregue, e não era de todo a resposta que o Malfoy esperava. De um momento para o outro, o rapaz pareceu enlouquecer, ou melhor, voltou a ser o o que era: um arrogante prepotente. Mas ao mesmo tempo lúcido o suficiente para levantar a guarda e começar a suspeitar de tudo, e não estava errado. Provavelmente o plano iria por água abaixo, pois nesse momento David Felton duvidou que Draco voltasse a responder aquela pessoa misteriosa.
Quando entrou na sala, contou a todos o sucedido. Combinaram que dariam mais uns dias à investigação para saber se dava frutos, se até ao final do mês não houvesse desenvolvimentos, o melhor seria dar o assunto por concluído.
Draco leu aquele poema centenas de vezes, e mudou de opinião outras tantas, ora queria responder, ora não queria. Voltou a passar dias sem responder nada, recebia os seus bilhetes diários, agora lia-os assim que chegavam, e juntava-os ao molho de cartas que tinha arrumado e escondido numa pedra solta da parede, ninguém repararia nela, e não queria que ninguém pudesse ler aqueles bilhetes, não queria que ninguém se pudesse aproveitar das informações que estavam ali.
Um dia, já no final do mês, Draco resolveu responder aquela pergunta daquele poema, ele precisava de saber quem ele era, mais do que saber era a misteriosa J.
Malfoy chamou o novo guarda, Felton. Ficara a saber que o guarda rabugento, já tinha alguma idade e tinha sido transferido para outro serviço mais perto da família. Felton era conversador e contava-lhe coisas do mundo lá fora, já lhe dissera que sempre tinha sonhado ser auror mas não tinha tido notas suficientes nos exames para ingressar na profissão, por isso acabou por se adaptar, já trabalhara no banco de Gringotts como segurança e agora estava ali. Talvez um dia chegasse ao departamento de aurores. Por isso nesse dia, quando Draco o chamou, ele apareceu sorridente e perguntou o que sua majestade queria, o guarda divertia Draco com estes comentários, troçava dele e da situação dele, sem o magoar. Draco pediu um pouco de papel se possível, e um novo lápis pois o seu estava a terminar, o guarda disse que ia ver o que podia arranjar sem prometer grande coisa.
À hora do almoço, o guarda passou lhe o tabuleiro e desejou lhe bom proveito, junto da tigela com a papa nojenta que serviam quase todos os dias, estava um molho de folhas e um lápis novo. Draco sorriu pela generosidade, e agradeceu visivelmente contente.
Draco não pensou muito no que ia escrever, foi apontando tudo o que lhe vinha a cabeça, pouco mais era que pensamentos soltos que o assombravam.
“São tantas as perguntas que tenho, quem és? Porque me escreves? Porque insistes e não desistes de me tentar salvar? Há coisas e pessoas que não merecem ser salvas. Nem eu sei porque me hei-de salvar, nem eu sei do que preciso. Não sei de nada. Não sei quem sou, o que fui, por onde andei. Fui tantas coisas mas quando é que no fundo fui eu?! Fui Malfoy, fui cobarde, fui um pau mandado que seguia as ordens do meu pai e depois daquele nojento mestiço, sem nunca pôr as palavras deles em causa. Dizia a mim mesmo que não tinha escolha, mas sim eu tinha escolha, podia ter dito não. Mas não disse, fui um cobarde sempre. Estar onde estou foi resultado dessas escolhas. Toda a minha vida é o resultado das escolhas que fiz em nome de um nome de família que não valia nada no fundo, em nome de uma causa, que hoje sei que era uma causa suja e podre. Aprendi da pior maneira. O que preciso é que o passado mudasse, que eu pudesse ser outra pessoa, mas isso não é possível. Como podes garantir que posso ser outra pessoa no futuro? Como é que me posso escolher a mim? Como é que posso ser eu, se ser eu, é ser tudo isto?”
Dobrou a carta, não tinha envelope nem maneira como a selar, mas sabia que eventualmente a sua carta seria lida pelo guarda ou por outra pessoa qualquer, ao contrário das que recebia que vinham seladas, e que os guardas deviam respeitar o selo, permitindo aos prisioneiros ter pelo menos alguma privacidade na sua correspondência. Chamou novamente o guarda Felton e pediu que entregasse a coruja se ainda estivesse lá, ou enviasse no dia seguinte quando chegasse, não sabia que horas eram, mas parecia ser já tarde.
David Felton viu a evolução de Draco Malfoy em poucos dias, ele era atento a detalhes como o seu chefe tinha referido na primeira reunião. Ele viu o quão abalado ficou ao receber a resposta que não dizia nada da pessoa que lhe escrevia, a desilusão que lhe passou pelos olhos e que desencadeou aquele ataque de fúria à Malfoy.
Mas nos dias que se seguiram o rapaz foi acalmando novamente, tal como referido nos outros relatórios do antigo guarda, o prisioneiro era pacífico, quase não falava, acatava as ordens facilmente, e com Felton era até agradável. Respondia e perguntava lhe coisas, a medo, pedindo sempre desculpa e por favor, agradecendo sempre tudo e qualquer coisa. Definitivamente não se parecia nada com a pessoa que conhecia dos corredores de Hogwarts.
As cartas da autora desconhecida, J, continuavam a chegar todos os dias, às vezes mais cedo, outras vezes mais tarde, mas todos os dias havia um bilhete, com frases motivacionais, pequenos pensamentos e poemas. David Felton acreditava cada vez mais que a autora ou era Pansy ou era uma adolescente apaixonada por Draco, ninguém se preocuparia tanto com alguém sem motivo algum.
Tal como suspeitara, desde aquele poema enigmático, que fez o Malfoy surtar, ele não tinha respondido mais. Todos os dias a pobre coruja esperava horas, e quando começava a anoitecer, levantava voo e voltava a sua casa. Todavia, já no final do mês, quando David pensava que já não haveria mais investigação, Draco pediu lhe papel e lápis. Era dia 29, dali a dois dias ele iria embora, e a investigação acabava-se. Para ser sincero, ele já estava farto de estar ali, sobretudo para investigar uma coisa que agora percebia não tinha valor nenhum e que não avançava em nada. Ficou até um pouco aborrecido quando o prisioneiro lhe pediu o material, era sinal que iria escrever alguma coisa, e agora ele seria obrigado a ficar ali mais uns tempos.
Quando o Malfoy o chamou novamente, ele recebeu o papel com a mensagem e dirigiu-se à sua sala, já estava a anoitecer e sabia que a coruja não estava mais à espera. Abriu o papel e leu, sentiu-se um pouco mal quando começou a ler, pareceu-lhe que desta vez o Malfoy tinha partilhado algo mais intimista. No entanto sabia que este era o seu trabalho e leu tudo até ao fim, e de seguida copiou. E quanto mais lia, mais percebia que ninguém conhecia aquele rapaz. Toda a gente que o conhecia antes disto, sabia a pessoa execrável que ele era, da família que vinha, mas isto que agora ele lia, e que tinha visto nos últimos dias, não era de todo o mesmo Draco Malfoy. Começou a pensar que ele estava ali desde o ano passado, sem uma única visita, a única companhia que agora tinha, era esta pessoa que lhe enviava bilhetes. Faltava-lhe pouco para sair, não acreditava mais que houvesse alguma tentativa de fuga e muito menos que os pais estivessem por trás destas cartas. Ficou genuinamente triste ao ler todas aquelas palavras que o jovem enviava não se sabia a quem.
No dia seguinte, assim que a coruja chegou com mais um bilhete, trocou a correspondência e libertou-a imediatamente. Hoje trazia apenas um excerto duma música, segundo a informação do bilhete. Mas até ele ficou ansioso para saber a resposta que a coruja traria na volta do primeiro desabafo verdadeiro de Draco Malfoy.
Ainda na noite anterior, enviou uma coruja ao Ministério avisando o seu chefe que finalmente o Malfoy tinha respondido novamente.
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