A noite em Trifestis era vazia, muitos tomariam a cidadela por inabitada. Nenhuma luz estava acesa, nem a das casas, muito menos a das ruas, devido ausência de alguém para iluminar. As nuvens eram a única coisa visível no céu, nenhuma estrela ou lua podia abençoar as casas e prédios de mármore cinza com sua luz. Essa escuridão não era nem calmante ou aterrorizante, apenas indiferente, algo que os moradores de Trifestis já estavam acostumados, mas não Vlakin Capra.

O jovem pensava em sua família, em todos os bons momentos que vivera com eles, e se arrependia profundamente de ter se alistado a milícia municipal de Trifestis, aqui e sua casa eram completamente diferentes, Vlakin achava que teria aventuras épicas e companheiros calorosos, pensava que seria igual aos livros que haviam tanto o entretido na sua curta vida. Até agora ele só havia feito treinamento seguido treinamento, todos eram exaustivos e exigiam muito mais força do que ele tinha.

Ele suspirou e invejou a capacidade de dormir dos outros soldados, o dormitório não lhe dava amparo, parecia que todo o lugar gritava “saia daqui!”. E o garoto de cabelos purpuras recém raspados queria sair, ele queria fugir daquela cidade repreensora e nunca mais soltar seus irmãos. Mas isso era desertar, e desertores eram enforcados.

Exceto por Vlakin que já estava acordado, todos os soldados o fizeram quando a sirene tocou, invocando a milícia para uma operação urgente.

No pátio escuro, sob a única luz das lamparinas os soldados já vestidos com seus uniformes cinzas, se agregaram para ouvir o a explicação do general, a figura alta e robusta estava ainda mais alta sob as bancadas do pátio, ele berrava para todos o motivo de tudo aquilo, aparentemente a localização dos desertores de Farilei foi descoberta e os arquegovernantes entraram em alguma espécie de acordo na captura deles. Vlakin não prestou atenção nos detalhes, estava cansado demais e interessado de menos, o jovem apenas seguiu os outros pelos estábulos e avançou até o local marcado.