Jihas já estava acostumada as caminhadas incessantes, desde que os desertores decidiram fugir para Detris eles caminhavam todos os dias por horas, a ausência de cavalos deixava o processo muito mais longo, mas era a única escolha que os renegados tinham, se fugissem para Farilei eles seriam presos por anos pelo crime de deserção, a punição de Trifestis não seria muito diferente.

As circunstâncias da presença da jovem Jihas Capra, uma jovem homúnculo esguia com curtíssimos cabelos vermelhos e olhos castanhos, eram uma serie de desventuras, a maioria delas causada por Rikard Teomus.

No dia do luto ao pai do archegovernante de Farilei era proibido a expressão de alegria em público, faze-la resultaria em um aviso com multa, repeti-la seria motivo de prisão. Jihas não tinha noção de tal regra absurda, resultando na jovem sendo pressa durante uma de suas visitas casuais a Farilei.

A cadeia era um lugar inofensivo, além disso a pena da jovem que naquela época tinha longos cabelos cor de fogo era de miseras duas semanas. A maioria dos guardas via aquilo como um trabalho tedioso e mal se importava com os encarcerados, logo esses desenvolveram e aplicaram uma democracia na cadeia, depois viram que seu governo era corrupto e ouve uma revolução, sem que guarda algum percebesse. As distrações lá eram numerosas, desde o básico como livros, esportes e musculação, até produção e distribuição ilegal de bebidas e drogas, escavação de tuneis subterrâneos e furtos em massa aos guardas. O movimento budista tinha grande forca dentro da prisão feminina, pelo menos vinte por cento das encarceradas eram monges devotas, Jihas tentou se unir aos monges, ela raspou a cabeça e decorou todos os chacras, porem a homúnculo tinha ansiedade demais para atingir a paz interior.

Quando o archegovernante Rikard Teomus declarou seu ataque suicida à Trifestis, Jihas completara uma semana de prisão, lhe ofereceram armas e outras coisas de guerra, e uma ceia à todos os prisioneiros, para muitos aquela seria a última. Ela estava nervosa por ter que participar de uma invasão à uma fortaleza, mas ao mesmo tempo estava feliz que seria libertada e por ver aquela vasta coleção de armas e armaduras, coisas que seus irmãos falavam o tempo todo, mas raramente tinham contato.

Jihas nada entendia sobre guerras, invasões, luta armada ou a posição política de Trifestis com Farilei, ela apenas ficou perto das pessoas mais conhecidas e seguiu ao campo aberto próximo a Trifestis, quando os canhões acertaram os soldados e o sangue e desespero se espalhou pelo local, ela percebeu que iria morrer, nos seus três anos de vida essa foi a primeira vez que ela pensou na própria mortalidade, e isso a deixou desesperada, sua próxima lembrança era de estar gritando a plenos pulmões enquanto e chorando, enquanto abraçava Syndra, uma de suas companheiras na prisão.

—Você viu a Syndra por ai? – Indagou Jihas à Alara, sua companheira de caminhada.

—Não, ela deve estar sozinha em algum canto, e acho que você deveria parar de ficar importunando ela.

Alara Gibétros era pelo menos uma cabeça mais pequena que Jihas, seus braços era definidos por anos de treino de esgrima e treinamentos em geral, seu rosto era cansado em contraste com a expressão jovial e positiva de Jihas e ela era uma dos poucos desertores que fazia parte de milícia de Farilei.

—Eu importunando? – Disse com uma expressão de indignada forçada. – Eu sou umas das únicas que faz companhia a pobre moça, tenho certeza que ela me a-do-ra.

—Eu conheço esse tipo de gente, ela prefere ficar sozinha, além disso ela não parece... fria demais?

Jihas se lembrava de quando fugira da batalha e em como tinha sido consolada por Syndra, esta não estava desesperava ou traumatizada pela possível morte eminente, Syndra parecia calma naquela hora.

—Talvez ela só seja fechada? Talvez ela não consiga faze amigos tão facilmente, por isso eu preciso fala com ela, ai ela vai se senti bem vinda aqui!

Alara estava impressionada com a inocência de Jihas, mesmo sendo mais alta, a jovem de cabelos raspados perecia uma criança vestindo polainas, um casaco de couro desproporcional e dois cachecóis, Alara entendia o frio excessivo que a outra sentia, mas a necessidade de dois cachecóis lhe era um enigma.

— Afinal porque a gente tá conversando mesmo? – Indagou Jihas

A outra não respondeu, ela se sentiu um pouco ofendida e muito confusa ao ouvir isso e só conseguiu encarar a mulher mais alta enquanto pensava em uma resposta.

— Ah digo, normalmente você tá conversando com o Edmus e a gente quase nunca se vê. O que mudo pra a gente pode conversa hoje?

— Edmus esta... ocupado com um visitante – A voz de Alara era em um tom baixo, quase inaudível – Além disso ele quer conversar com a família com o novo mensajante dele.

Jihas se sentiu mal ao ver como a menção da figura mais influente dos desertores havia afetado negativamente sua amiga, ela sabia do enorme respeito que Alara sentia por Edmus, não era um sentimento romântico, as palavras dele espiravam-na e a fizeram seguir em frente, se não fosse por ele, Alara teria sido morta pelos canhoes de Trifestis, ou teria enlouquecido durante a fuga a Detris. Talvez realmente fosse algo romântico, Alara não tinha certeza sobre isso, e ver sua figura de maior inspiração trocando mensagens com esposa e filha era tortuoso.

[...]

Notas finais
Eu havia parado de escrever ali. Não pretendo continuar a historia, se você leu até aqui eu agradeceria muito em ouvir sua opinião. Caso se pergunte aonde eu pretendia dirigir a historia não tenha medo em me mandar uma mensagem perguntando
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.