Armagedom
4 A Capital
Notas iniciais
Bom, tá aí mais um capítulo... Espero que gostem. Como prometido, bem no início do final de semana.
Boa leitura. =)
Parte I – Charlie Manson
Assim que abriu os olhos, Charlie percebeu que não estava em boas companhias. Não conseguia se lembrar de nada que aconteceu há pouco tempo, só de uma enorme explosão. Ele tentara segurar Mandy com seu professor, Antônio, para evitar que a garotinha de apenas sete anos se ferisse. Na verdade, nem ele mesmo que teve contato direto com os efeitos destrutivos da explosão estava muito ferido. A única região de seu corpo machucada era seu braço, que estava levemente enfaixado. Mesmo assim, ele não sentia muitas dores naquela região.
Quando levantou sua cabeça, apoiando-se na parede, Charlie percebeu que dormira sozinho sob um colchonete de um quarto pequeno, sujo e com uma grande mesa de madeira ao canto. Na mesa, estavam algumas seringas e outros medicamentos, aliadas sob uma bacia cheia d’ água.
Bem ao seu lado, havia um velho telefone dos anos 70. Era vermelho e bem conversado, de modo com que você pensasse se ele realmente tivesse sido fabricado há tanto tempo. No verso de uma folha apoiada ao telefone estava um bilhete que o garoto franzino e curioso resolveu pegá-lo. E então o leu:
“Sr. Manson, não tente escapar daqui antes de receber uma ligação. Caso tente sair do quarto, não só você, como todos morrerão. Ass: A capital”
Charlie não parecia muito surpreso ou assustado, por mais que seus grandes olhos azuis estivessem arregalados. Já estava caindo a noite quando o telefone tocou, e ele o atendeu, afobado.
– O que você quer seu desgraçado? – Gritou intensamente o garoto, irritado.
– Calma, precisamos conversar. – Disse uma voz anônima, que era masculina, porém continha um tom levemente afeminado.
– Não tenho nada pra conversar! Me tira logo daqui, seu desgraçado...
– Hum, se você não me ouvir, nunca vai sair daqui. – Intimidou a pessoa do outro lado da linha.
– Fala logo, estúpido! – Indagou Charlie.
– Ok, senhor Manson.
Então, a voz misteriosa fez uma longa pausa na fala, por pelo menos três minutos. Quando retornou a falar, a voz masculina engrossou:
– Meu nome é J.J, e faço parte de uma associação secreta, denominada “A Capital”. Nosso clã controla e manipula a humanidade há anos, e o aparecimento dos lobos não é uma novidade pra gente. A questão principal é que sei como você está irritado, querido Charlie. Mas sou o único que posso lhe salvar desse terror, então, se der valor a vida própria, faça o que eu lhe pedir.
– Não obedeço ordens. – Mentiu o garoto de olhos azulados, que sempre foi muito obediente.
– Mas as minhas você vai obedecer. – Indagou J.J. – Não quero lhe matar. Prometi a seus pais que iria lhe proteger, mas isso não vem ao caso.
– Não fale o nome de meus pais em vão, seu vagabundo! – Gritou Charlie, raivoso, prestes a desligar o telefone na cara do homem anônimo.
– Bom, a questão é simples, amiguinho. Você deve ir para o vilarejo da cidade, em busca de seu irmão. Ele terá todas as respostas necessárias. Enquanto isso, seus amigos vão em busca das suas próprias respostas.
– Hum. E por que quer tanto me ver vivo se você mesmo me prendeu? – Perguntou o jovem Manson jogando o anônimo por entre as paredes.
– Meu tempo é curto garoto, então não diga mais nada, e pare com essas ironias. Não estou pra brincadeira. Você precisa achar logo seu irmão para se manter vivo. Abra a porta, e desça as escadas. Logo abaixo você terá uma moto que poderá utilizar como veículo. Como está ao Norte da cidade nesse momento, não vai demorar menos que meia hora para ir até o Vilarejo. Compreende? – A voz de J.J já estava mais fraquejada.
– Entendi. – Assentiu o garoto.
– E que a sorte esteja sempre com você. – Foi tudo o que homem misterioso disse, logo após, desligou o telefone.
Charlie não hesitou. Sabia que todos estavam em segurança, e embora estivesse preocupado com seus amigos sobreviventes, seu irmão precisava muito dele. Só Tom poderia ajuda-lo a resolver esse mar de mistérios.
Então, o garoto desceu as escadas de pijama, rapidamente. Pegou uma mochila velha no canto, junto com um agasalho que J.J o disponibilizou. Se pôs por cima da moto, um pouco desajeitado, e partiu para os braços de seu destino indeterminado.
Parte II – Silena Bouvier
Silena estava completamente triste e desesperada por não conseguir encontrar Charlie. Ela, Elizabeth e Alice conseguiram achar Mandy e Antônio debaixo de alguns escombros de madeira. Eles ficaram desacordados por dois dias, porém já passam bem. Enquanto isso, não encontraram nenhum sinal do garoto de olhos claros que desaparecera havia mais de três noites.
Todos os dias ao pôr do sol, uma voz que se auto intitulava “A Capital” ligava para eles por meio de um telefone celular. Silena sempre atendia a chamada anônima) que vivia os ameaçando e o obrigando a cumprir ordens.
A última ordem dada pela Capital foi que a senhorita Bouvier, com Alice, deveriam se encontrar com o grupo secreto nessa noite. Lá, a organização anônima daria comida, roupa, e outros materiais, além da liberdade para que o grupo pudesse sair de Times City com segurança.
Logo chegando ao portão da mansão, dois homens armados, com roupas de guerrilha preta e com uma máscara de gás lhes cobrindo a cabeça, autorizaram a entrada delas, embora ficar com uma pistola apontada para sua cabeça não fosse algo agradável.
Depois de entrarem na mansão, as duas garotas se depararam com um salão enorme e vazio. Seu piso era de mármore e o único objeto que havia lá dentro era um grande tapete vermelho. As paredes tinham uma cor branca como neve e a escada era tão enorme a ponto de parecer infinita.
– Esse lugar é estranho. – Sussurrou Silena no ouvido de Alice.
– Tudo aqui é estranho. – Foi tudo o que a menina ruiva respondeu.
Mesmo uma colaborando com a outra, elas não se “bicavam”. Elas sentiam ciúmes umas das outras, principalmente quando o assunto era o desaparecimento de Charlie, onde havia constantemente pequenas discussões.
Os dois homens mascarados saíram da sala, e então, uma mulher magra e elegante começou a descer as escadas acompanhada por duas pessoas do mesmo naipe misterioso.
A misteriosa mulher loira trajava um vestido avermelhado, com um par de saltos altos da mesma cor. Em seu pescoço estava um colar de ouro que brilhava tanto quanto seus olhos cinza. Ela sentou-se elegantemente num pequeno sofá de couro que alguns de seus homens trouxeram.
– Podem se sentar no tapete, crianças. – Anunciou a loira, com uma voz extremamente enjoativa.
– Ok. – Assentiu Alice, um pouco irônica.
– Bom, me chamo Catherine. – Apresentou-se a moça.
– Ah, que legal. Mas você já deve saber nosso nome, então nem adianta falar...
– Sim, Silena.
– Parem com essa conversa estúpida. Estou morrendo de fome e quero logo saber o que você quer Catherine. – Interferiu Alex, irritada.
– Calma mocinha. – E então, após uma longa pausa, Catherine voltou a falar. – Quero ajudar vocês a saírem dessa situação, claro, se vocês me ajudarem.
– Sempre ouvimos isso. Sabe, já estou irritada com essas falsas promessas, e pouco ligando se você é ou não “A Capital”. Agora me deixe sair daqui, preciso encontrar Charlie... – E então, quando a menina ruiva ia completando a frase, a loira misteriosa interferiu.
– AQUELE GAROTO MAGRICELA ESTÁ MORTO! – Gritou Catherine, num tom insano e psicótico.
E então, um longo silêncio eclodiu na sala. Silena ajoelhou-se no tapete e começou a chorar por longos minutos. Seus olhos já estavam um pimentão.
– Não, Charlie... Não... – Sussurrou ela, num tom suplicante.
– Desgraçada, o que você fez com Charlie! – Alice não pensou duas vezes, sacou sua faca pontiaguda que estava escondida no bolso de sua calça jeans.
Os homens mascarados tentaram parar a menina com alguns tiros, porém, quando estavam prestes a puxar o gatilho, seus peitos já estavam encharcados de sangue. Alice fora ágil o suficiente para mata-los instantaneamente.
A menina ruiva, quando fora atacar a refinada mulher loira, viu seu ataque ser bloqueado com imensa facilidade.
– Acha que é o único serial killer aqui, garotinha? – Perguntou Catherine, num tom sádico e cruel.
– Como ousa... – Suplicou a garota da capa vermelha.
– Ah, é... Esqueci que esse é o seu segredinho!
Silena não hesitou. Assim que viu sua companheira entendeu/compreendeu/notou/percebeu que não teria nenhuma chance de vencer esse combate fisicamente, desta forma, agarrando a arma de um dos homens esfaqueados que estava caído no chão. Pulou por entre o belo sofá de couro, e então pairando sobre o ar, acertou um tiro no ombro de Catherine. Ela caiu no chão, largando uma pequena faca que também carregava consigo.
Alice e Silena saíram correndo para o lado de fora. Tarde demais, pensou a menina que tinha olhos com cor de chocolate. A entrada da mansão estava cercada por centenas de lobos.
Parte III – Alice Ivanov
Alice estava completamente desnorteada com o cenário de guerra que via em sua frente. A neve caía fina por entre a curta grama da entrada da mansão, que agora estava coberta de sangue. Ouviam-se tiros por todos os lados do quintal, agora manchado com corpo de homens e lobos mortos.
– Vamos logo pra casa, Silena! – Gritou a menina ruiva.
– Não vou até você me dizer qual o seu segredo. Não quero andar com uma assassina...
– Mas eu não sou assassina!
– Então porque ela lhe chamou de serial killer? Você acha que eu nunca percebi como tu tens facilidade para matar pessoas? Nunca conheci ninguém assim, principalmente alguém de quinze anos que sabe matar soldados. – Silena estava com seu rosto completamente vermelho de raiva enquanto seus cabelos castanhos escuros ficavam cobertos por neve.
– Me desculpa... Mas...
Alice não teve tempo para se desculpar. Logo que se viroupercebeu que um enorme lobo branco de 2,00 metros estava bufando em suas costas. Seu mau hálito cheirava a urubu.
A menina ruiva acertou uma faca no olho do longo lobo, o que o deixou completamente intacto. Elas correram pelas ruas frias e desertas de Times City que estavam repletas de humanoides.
Chegando num beco escuro e úmido, as duas garotas que ainda discutiam, se sentaram para descansar. Estavam levemente machucadas, e o cansaço também era um inimigo. Enquanto Silena saiu para buscar alimentos no mercado mais próximo, Alice, que estava mais limitada fisicamente ficou por ali, pairando no escuro e gélido refugio.
Uma estranha figura de formato humano saiu das sombras. Assustada, a garota da capa vermelha sacou sua arma branca, esperando pelo perigo. Quando a sombra ia ganhando forma, saia de lá um garoto alto e franzino, vestindo um pijama azul escuro como seus olhos, enquanto seus pés estavam protegidos com pantufas do Ursinho Poo. Ele acarinhava a cabeça de um enorme lobo, que tinha uma pelagem branca e olhos da cor do oceano.
“Não pode ser”, pensou Alice.
Era Charlie.
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