Armadilha Do Destino.
9 Capítulo 9 – Inesperado Encontro.
PDV Narrador.
Edward estacionou o volvo na frente da pousada, desceu do veículo e abriu a mala do carro retirando de dentro uma pequena valise com três mudas de roupas limpas. Ele mantinha sempre aquela mala em seu carro para uma eventual necessidade, como ocorrer um imprevisto, uma viagem repentina ou até mesmo um affair de última hora. Após o café da manhã ele havia ido até o carro e trocado a camisa de tecido azul por outra na cor creme de mangas curtas. Pegando uma jaqueta preta largada sobre o banco traseiro do volvo, segurou a bolsa de couro em uma das mãos, respirou fundo e caminhou decidido para a porta de entrada, que foi aberta antes que ele pudesse tocar a campainha. Um rosto infantil contente emoldurado por longos cabelos escuros sorriu amplamente para ele que retribuiu o sorriso de forma espontânea.
- Oi.
-Olá. Posso entrar?
-Sim. Você vai ser nosso hóspede?
Perguntou animada com os olhinhos brilhando. Ele observou que a criança era uma réplica perfeita de Bella, cabelos escuros e o rosto em formato de coração, mas seus olhos eram verdes. Verdes como os dele? Edward engoliu em seco. “Milhares de homens em todo o planeta possuem olhos verdes, Cullen, não seja ridículo”! Sua consciência gritou silenciosa.
- Nessie?
Uma voz feminina soou dentro do estabelecimento. A garotinha terminou de abrir a porta, permitindo que ele entrasse, fazendo com que a tia arregalasse os olhos diante do belo exemplar masculino que ali se encontrava.
- Minha nossa!
Falou com espanto e interesse, ajeitando nervosa, os óculos sobre o nariz pequeno e afilado. Edward segurou um sorriso. Ela era bonita, mas não poderia ser comparada a Bella. Jamais.
- Quero dizer, seja muito bem vindo a Pousada Weber, Sr... ?
- Cullen. Edward Cullen, ele respondeu aproximando-se a apertando a pequena e delicada mão com a sua. Ângela fitou o lindo homem à sua frente abobalhada, um sorriso engraçado dançando em seus lábios. Edward divertindo-se resolveu quebrar o silêncio. Ele sabia o efeito devastador que causava nas mulheres.
- Gostaria de me hospedar aqui.
- Sim, mas é claro. Vou providenciar um quarto. Um ótimo quarto.
- Tia Angie, a criança falou atraindo a atenção dos dois adultos.
- O que foi meu bem?
O carinho da moça com a menina era visível.
- Posso ir para o quintal agora?
Perguntou com os olhos brilhando pela ansiedade. Olhando para o livro de registros aberto sobre o balcão a moça respondeu:
- Já arrumou o seu quarto?
- Sim e também coloquei a roupa suja na máquina de lavar.
Falou dançando e rodopiando.
- Tudo bem querida, você pode ir brincar agora, disse a moça sorrindo condescendente.
- Oba! Vou fazer um montão de tortas de lama!
Respondeu gritando e saiu correndo. Edward sorriu com vontade.
- Só não deixe sua mãe ouvir isso, disse Ângela sorrindo.
- Puxa, ela tem muita energia hein?!
Ângela sorriu amplamente.
- Você não faz idéia.
- Posso imaginar, retrucou acompanhando com o olhar em fenda o suposto lugar que Nessie ocupara instantes atrás.
- Preciso de um documento, por favor, para fazer o seu cadastro.
- Qualquer um?
Perguntou com a voz baixa e rouca.
- Sim, ela respondeu simpática.
Ele retirou a carteira do bolso, abriu e lhe entregou a habilitação. Ele agradeceu a anotou os dados necessários.
- Edward Cullen... O seu nome me é vagamente familiar. Já esteve aqui conosco antes?!
Perguntou devolvendo o documento. Edward sorriu e guardou-o de volta sem saber e a moça queria apenas estabelecer uma simples conversa ou se Bella havia comentado alguma coisa sobre ele.
- Não, esta é a minha primeira vez aqui.
- Então seja muito bem vindo, Sr. Cullen, respondeu animada.
- Edward. Pode me chamar de Edward.
- Ok, Edward. Se puder me seguir vou mostrar onde fica o seu quarto.
Ele assentiu. Ela deu a volta saindo de trás do balcão, passando por ele, que se preparou para seguir a jovem moça, mas chegando ao início da escadaria, Edward estacou, sentindo sua pulsação acelerar. Alguns degraus acima, Bella estava parada, com uma postura tensa, segurando fortemente no corrimão, olhando para baixo com os olhos escuros atordoados. Ela estava absolutamente imóvel tomada por um misto de choque e surpresa pelo inesperado encontro, e o fitava com um olhar vago. O sangue parecia latejar em sua cabeça. Edward observou que uma veia saltou no pescoço esguio e delicado. Seus olharam estavam presos um no do outro. Edward sentiu um arrepio indecente percorrer seu corpo de cima a baixo, enquanto apreciava a sedutora visão a sua frente. Um quadril muito torneado coberto com uma saia justa, as pernas longas e esguias, uma blusa de seda listrada, comportada e de boa qualidade com um laço na gola, sapatilhas baixas e femininas, o cabelo preso de forma displicente em um longo rabo de cavalo. O que ela possuía que o atraia tanto? O que Bella tinha que fazia com que se tornasse tão desejável aos olhos dele?! Perguntava-se secretamente. O ar ao redor deles pareceu ficar sobrecarregado de tensão por um momento, mas Ângela não se apercebeu.
- Oh, que bom que está aí Bella. Esse é o nosso mais novo hóspede, o Sr...
A voz de Ângela a trouxe de volta. Bella então se retraiu e assumiu a velha postura profissional.
- Edward.
Bella falou. Sua voz era polida e neutra. Sem emoção alguma. Ela havia recuperado de forma invejável o autocontrole que perdera minutos atrás.
- Bella.
Ele respondeu educado. Ângela franziu o cenho, confusa, alternando seu olhar de um para o outro.
- Vocês... Vocês já se conhecem?
Perguntou com a surpresa estampada em sua face.
- Sim, responderam ao mesmo tempo.
Empertigando-se Bella começou a descer os degraus.
- Edward é um velho conhecido Angie. Estudamos na mesma escola no colegial. Bem vindo a Pousada Weber.
A frase dela era estudada e repetitiva, usada para receber qualquer hóspede que ali chegasse. Edward não disse nada, mas deu um grande e irônico sorriso, pensando que o termo “velho conhecido” era uma maneira muito prática para explicar a química sexual poderosa que eles tinham experimentado dez anos atrás.
- Nascemos na mesma cidade.
Respondeu de forma casual fitando despudoradamente os seios de Isabella que balançavam de forma suave, delineados pelo tecido elegante da blusa, afastando-se para que ela passasse. Seus braços roçaram levemente e uma corrente elétrica se apoderou do corpo de ambos, fazendo com que Bella se afastasse prontamente. O ar ficou pesado, o silêncio reinou absoluto. Ângela então arregalou os olhos, mas rapidamente tratou de disfarçar o embaraço, pedindo gentilmente que Edward a acompanhasse, enquanto Bella o cumprimentava com a cabeça e se afastava dali. A proximidade dele era opressiva, Bella mal conseguia respirar, quanto mais pensar com clareza. Ela precisava ficar sozinha.
PDV Bella.
Apesar de sentir as pernas fraquejando, ameaçando me derrubarem com a cara no chão, consegui andar segura até o escritório, onde simplesmente desabei sobre o estreito sofá e couro de dois lugares, sem acreditar no que havia acontecido. Edward Anthony Cullen estava ali na minha pousada, no meu refúgio, meu santuário, como hóspede. Levei minha mão ao peito que arfava. Alto, elegante, enigmático. A presença marcante de Edward dominava completamente qualquer ambiente. Vê-lo tão próximo depois de dez longos anos foi como levar um soco no estômago. Um reconhecimento instantâneo, uma sensação familiar e desconcertante.
Seu olhar era firme, felino, decidido, penetrante e como sempre enigmático. Um lago verde, profundo e intenso, emoldurado por sobrancelhas escuras e retas, formando um contrate irresistível. A expressão de cansaço no rosto de anjo e a barba por fazer o deixavam ainda mais sexy, se é que aquilo era possível. Senti um estranho formigamento no meio das pernas, um calor há muito tempo adormecido e respirei fundo diversas vezes. Mesmo depois de tanto tempo e de todo mal que tinha me feito, ele era o único homem capaz de fazer o meu coração disparar com um simples olhar.
E continuava lindo. Talvez até mais bonito agora que estava mais velho, mas maduro. Pequenas e discretas rugas nos cantos externos dos olhos davam-lhe um ar charmoso. Estaria com trinta e um anos agora. Os cabelos acobreados e bagunçados estavam sob o chapéu, mas visivelmente mais curtos. Minhas mãos subitamente coçaram com uma vontade inexplicável de se emaranharem dentro deles, acariciando-os. Os lábios cheios e bem desenhados eram como uma promessa de paixão. Queixo definido, maxilar talhado... Engoli em seco, sentindo as borboletas saltarem agitadas em meu estômago. Gemi e me estiquei apressada, pegando um antiácido na primeira gaveta da escrivaninha, rasgando o invólucro e colocando a pastilha na boca.
O ar rebelde que suas feições de anjo possuíam antes havia sido substituído por uma expressão calculista, fria. Usava roupas informais e o contraste da camisa preta de malha em sua pele era sedutoramente provocante. Esperei que a pastilha dissolvesse e engoli fazendo uma careta pelo sabor desagradável. Céus! O que eu iria fazer agora?! Lancei um olhar rápido para o elegante conjunto que eu vestia de saia e blusa. O que ele teria achado da minha aparência atual? Os homens geralmente me elogiavam, diziam que eu era bonita, mas Edward me conhecera muito jovem cheia de vida e cheia de amor e esperanças. “E desde quando isso importa?!” meu subconsciente dardejou. Com certeza ele ficaria surpreso diante da mulher que eu havia me tornado. A garota simples do interior, meiga, espontânea, inconsequente e apaixonada, que vivia descalça, trajando shorts e camisetas, havia desaparecido para sempre.
Após conversar demoradamente com Jasper, ficando ciente da proximidade de Edward, meu mundo ruiu. Primeiramente a sensação de pânico me invadiu e eu pensei em fugir, pegar Renesmee, entrar no carro e sumir dali. Ir embora de Lexington e talvez do Texas para sempre. Mas depois procurei raciocinar com clareza. Já fazia um ano que ele retornara a Caldwell e até a noite passada eu nunca o havia encontrado, então a possibilidade existia, mas era remota. Só que a possibilidade tinha se transformado na mais pura e chocante realidade.
Nesse instante a porta abriu e uma afobada Ângela entrou me encarando com ansiedade.
- É ele?
- Sim, respondi sentindo um poderoso sentimento de derrota.
- O próprio? O pai de Nessie?
Suspirei cansada.
- Em carne e osso.
- E músculos, virilidade, sensualidade, beleza e muito sex appeal.
Falou suspirando encantada pelo charme latente dele. Gemi baixinho.
- Caramba Bella, ele é lindo, másculo, sexy, extremamente charmoso e insanamente sensual...
Rolei os olhos fitando o teto. Ela precisava ser tão detalhista?!
- Não havia a menor possibilidade de uma adolescente não se apaixonar por ele, portanto não se culpe pelo que aconteceu. Se eu estivesse em seu lugar não teria sossegado enquanto não o seduzisse. Fato.
Suas palavras até que eram reconfortantes, mas não minimizavam a dor e o enorme sofrimento que eu havia passado. Edward me abandonara com uma filha no ventre. Voltei-me para minha melhor amiga, mordendo os lábios nervosa.
- Como vou conseguir lidar com ele Ângela? Não me preparei para esse momento, não dessa forma.
Ela sentou ao meu lado e me abraçou.
- Calma Bella, você não tem mais quinze anos e não está sozinha. Eu estou aqui com você, pronta para a briga, se isso for necessário.
O olhar que eu lhe dei foi de imensa gratidão, mas infelizmente Ângela não poderia me ajudar em nada naquela situação.
- Talvez fosse melhor eu ir embora...
Falei esperando sua reação.
- Não Bella. Fugir não é a melhor solução. Se vocês forem embora, o problema não vai desaparecer. Nem hoje e nem nunca. Você vive aqui, nós temos um negócio para gerenciar e levar em frente juntas. Você se estabeleceu em Lexigton dez anos atrás e essa é a sua casa. Você tem amigos na cidade, pessoas que te amam. Fugir só iria levantar suspeita, além de traumatizar Nessie. O que você diria a ela por estarem saindo da cidade às pressas dois meses antes das férias de verão?
Suspirei mais uma vez. Eu sabia que ela estava certa.
- Ele comentou alguma coisa? Disse quantos dias irá ficar ou porque está na cidade?
Questionei sentindo o coração apertado. Ângela ajeitou os óculos sobre o nariz antes de responder.
- Ele disse que está de passagem para resolver alguns assuntos particulares.
Gelei. Paralisei quando ouvi aquilo. Um arrepio involuntário e sinistro transpassou minha coluna de cima a baixo.
- Assuntos particulares?!
Repeti sentindo a boca ressecada.
- Sim. E que cara é essa? Nada de pânico Bella.
Questionou franzindo a testa e me fitando com atenção.
- Onde está a Nessie?
Perguntei aflita, olhando para a porta.
- Lá fora brincando no quintal, ela respondeu estreitando os olhos, preocupada.
- Não quero que ele a veja Angie.
Ela rolou os olhos. Eu dei uma risada histérica.
- Tarde demais amiga.
Meus olhos arregalaram-se assombrados.
- Eles já se encontraram?!
O medo transparecia como água límpida em minha voz.
- Não conhece sua filha? Foi ela quem o recebeu Bella.
Falou segurando minha mão.
- Oh meu Deus!
Levei minhas mãos ao rosto, cobrindo-o. O desespero aflorando em meu íntimo, me engolfando num precipício.
- Relaxe. Não existe motivo para tamanha preocupação. Nessie é sua cópia exata, com exceção dos olhos, que por sinal são idênticos aos dele. Com os mesmo cílios e as mesmas sobrancelhas espessas.
- Como quer que eu relaxe se você fica falando essas coisas, Ângela?!
Falei exasperada, trincando os dentes.
- Desculpe amiga, foi apenas um comentário idiota.
Apressou-se em retrucar.
- Ele não vai descobrir. Não tem como. Pense o seguinte: em poucos dias ele era resolvido todos os seus assuntos e irá embora. Você e minha afilhada estarão seguras outra vez.
Olhei para ela com tristeza. Como eu poderia explicar o pressentimento ruim que me assolava? Engoli em seco, concordei com um gesto de cabeça e tentei sorrir sabendo que conviver com a presença dele durante três ou quatro dias dentro da minha própria casa iria ser desgastante ao extremo.
Notas finais
Beijos
Kiki
Fale com o autor