Armadilha Do Destino.
8 Capítulo 8 – Longe dos olhos, longe do coração
Notas iniciais
PDV Edward.
Sentado numa padaria de esquina dois quarteirões depois da pousada Weber, ficando entediado a xícara de café preto amargo e sem açúcar à minha frente, analisei cada detalhe da noite anterior com cuidado. Seth, Paul e eu ficamos bebendo até às cinco da manhã num bar simples da periferia. Ao contrário deles dois eu mais conversei do que bebi e me diverti muito ao saber das confusões e aventuras amorosas em que o Seth estava metido. No ano passado ele havia saído apressado pela janela de uma casa, enrolado num lençol para não ser pego. A moça tinha namorado e não o avisou.
Paul relatava todos os fatos com indignação, enquanto Seth ria ou apenas dava de ombros. Tinha de ser um grande equilibrista para poder lidar com três mulheres ao mesmo tempo, sendo comprometido com cada uma delas. Deus me livre de estar na pele dele. Minha mente vagou. Ver Isabella depois e tantos anos havia sido um choque, mas algo em meu âmago dizia que aquele reencontro não era um mero acaso e sim, obra do destino, como se estivesse sendo me dada à chance de colocar, dez anos depois de tudo em pratos limpos. Não adiantava negar ou fingir que eu não a desejava, pois só de pensar em seu corpo curvilíneo metido naquele vestido sensual e tentador, eu ficava duro como pedra. Suspirei olhando para o relógio, vendo que já havia passado das oito da manhã. Meu irmão iria ficar bastante irritado com o telefonema, mas eu tinha certeza de que ele tinha muita coisa para contar. Assim, ignorando à hora, tirei o celular do bolso e disquei o número dele. Cinco toques depois...
– É bom ter tido um excelente motivo para me acordar Edward.
Disse com a voz grossa pelo sono interrompido.
– Bom dia Emmett.
Falei com uma dose de ironia.
– Estaria sendo um bom dia se você não tivesse me ligado tão cedo, retrucou com rispidez.
Decidi ignorar.
– Desculpe por não ter me despedido ontem antes de sair, falei.
– O que raios aconteceu ontem?!
Ele bradou do outro lado.
– Rose e eu ficamos preocupados com você porra!
Resolvi ser sincero.
– Eu a vi.
– Você a viu? Quem diabos você viu?!
– Bella.
Alguns segundos de silêncio.
– Isabella Swan, falou firme.
– Sim. Há quanto tempovocêsabia que ela morava em Lexington?
Não era uma pergunta, era uma constatação. Fiz questão de frisar a palavra você. Eu estava arriscando para descobrir se ela realmente morava na cidade ou se estava de passagem. Se Bella tivesse residência fixa em Lexington, meu irmão estaria ciente com certeza.
– Por que acha que eu sabia?!
Disse irritado. Apertei o aparelho entre os dedos com força.
– Por que eu conheço você Emmett Cullen melhor que ninguém. Se assumiu a chefia da polícia de Lexington, mesmo que de forma temporária, pesquisou todos os cidadãos. Você sabia. Não tente negar.
Falei sentindo a raiva crescer. Ele deu um suspiro longo.
– E o que eu ganho com isso? Não quero te ver outra vez sofrendo com um cachorro sarnento Edward.
Revirei os olhos antes de responder.
– Se você começar a falar vai me poupar de ter que gastar tempo e dinheiro contratando um bom detetive, mas saiba de antemão que eu não vou sossegar até descobrir tudo.
Ele proferiu um sonoro palavrão do outro lado.
– Por que isso justamente agora? Dez anos já se passaram Edward! Deixe essa história para lá.
Respondeu.
– Isso é assunto meu Emmett. E você ainda não respondeu a minha pergunta.
Se ele achava que eu iria deixar barato estava redondamente enganado. Sabendo que não tinha alternativa, ele começou a falar.
– Descobri há uns dois meses e foi por acaso.
Prendi a respiração, ficando imediatamente alerta a qualquer informação que ele pudesse me dar.
– Continue.
– Pelo que eu entendi, ela é gerente da Pousada de uma amiga.
Da valente senhorita Weber claro.
– O que mais?
Insisti. Ele estava sendo evasivo e eu não gostava daquilo.
– Bella não sai muito, leva uma vida tranquila e...
Ele estava testando minha paciência.
– E?
Mais um suspiro.
– Ela tem uma filha Edward.
Foi como levar um soco no estômago. Então Bella havia tido uma filha. Senti um ciúme monstruoso, uma inveja cega, irracional do homem que havia plantado sua semente nela e gerado um fruto.
– Ela casou?
Perguntei sem emoção, sentindo um nó formando-se em minha garganta. Se ela estivesse casada eu não iria conseguir chegar perto o suficiente para concluir os meus planos de vingança.
– Acho que não. Ela vive sozinha com a criança e moram na Pousada.
– Qual a idade da menina?
A curiosidade aflorava em meu íntimo.
– Como vou saber?! Não sou um computador Edward. Só sei que ela é pequena. Acho que talvez sete ou oito anos.
Minha mente trabalhou depressa. Se a criança tinha sete ou oito anos, ela envolveu-se com alguém logo depois de mim. Um relacionamento após eu ter partido. Jasper? Provavelmente. Ou Bella havia se divorciado ou então era mãe solteira.
– E por que não me falou nada sobre isso antes?
– Você é masoquista ou o quê, Edward?! Essa mulher fez você viver um inferno! Você passou um ano devastado, não comia, não dormia direito, não conversava com ninguém, todo o seu tempo era dedicado aos estudos e mais nada. Mamãe e eu já não sabíamos mais o que fazer! E como diz o ditado, longe dos olhos, longe do coração, mano.
Foi a minha vez de suspirar.
– Mas porque todo esse interesse justo agora?!
Ele merecia saber a verdade.
– Eu a quero. Na minha cama.
Falei com calma.
– Como assim, “você a quer”?! Que papo idiota é esse?!
– Meu corpo ardeu de desejo quando a vi ontem a noite. Bella está ainda mais bonita que antigamente, Emmett.
Era a mais absoluta verdade. Outra torrente de palavrões no meu ouvido.
– Mano, mano, tome cuidado. Nossa mãe deve estar se revirando no túmulo a uma altura dessas! Não se lembra de todos os conselhos que ela te deu?!
Os cantos dos meus lábios se curvaram num meio sorriso.
– Deixe nossa mãe fora disso, sim? E não se preocupe, pois não sou mais um garoto ingênuo de vinte e um anos Emmett, sei me cuidar.
– No que diz respeito à Isabella Swan, você não passa de um idiota.
– Posso dizer o mesmo sobre você em relação a Rose irmãozinho.
– Tem mais.
Estreitei meus olhos devido ao seu tom de voz.
– Fale.
– Ela recebe uma visita masculina de vez em quando. O mesmo homem. Sempre.
Engoli em seco sem gostar nada daquela informação.
– Alguém que eu conheça?
– Sim.
– Quem?
– Jasper Whitlock.
Apertei a xícara com tanta força que a porcelana espatifou em minha mão, cortando de leve um dos meus dedos, os pedaços brancos caindo sobre o balcão. A garçonete correu apressada para limpar o ferimento e recolher os cacos. Agradeci e pedi outro café.
– Edward? Ainda está aí?
– Sim.
Aquele infeliz do Whitlock sempre cruzando o meu caminho.
– A menina é dele, constatei com frieza na voz.
– Não. Pelo que andei investigando ela o chama de “tio Jasper” e não de papai.
Um alívio imenso me invadiu. Se Jasper apenas a visitava de vez em quando ou se eles eram amantes, não me interessava. Eu sabia como fazer Isabella baixar sua guarda e iria entrar naquela briga em breve.
– Valeu Emm. Obrigado pelas informações.
– Você está entrando num mato sem cachorro, isso sim. Arranjando sarna para se coçar!
Bradou antes de nos despedirmos e encerrarmos o telefonema. Pedi a conta, paguei e saí dali. Estava na hora de fazer uma agradável surpresa a minha ex-namorada, pensei ao entrar no carro e tomar a direção da simpática pousada Weber.
PDV Bella.
Irritada com a atitude desmedida e em propósito de Ângela, voltei ao quarto e peguei o telefone discando para a única pessoa além da minha sócia com quem eu poderia desabafar. Instantes depois a voz grave e ao mesmo tempo suave chegou aos meus ouvidos acalmando-me.
– Como vai a minha garota favorita?
– Não minta Jazz.
Eu falei sem conseguir conter um sorriso.
– Desde que Renesmee nasceu eu passei a ser a segunda garota favorita, perdendo a posição anterior para minha filha.
– É verdade. Não posso negar esse fato, minha afilhada vem em primeiro lugar, mas não precisa ter ciúmes Bella. Você sempre irá morar em meu coração.
– Larga de ser bobo! Como estão às coisas por aí?
– Na mesma.
– Alice não te perdoou?
– Não. Resolvi seguir em frente.
– Jazz... já fazem mais de quatro meses que vocês romperam. E você a ama!
– Sim eu a amo e tenho certeza de que ela é a mulher da minha vida, mas se não confia em mim não podemos ter uma relação sólida e duradoura. Nunca vai dar certo, Bella.
Suspirei cansada.
– Não sei quem é mais cabeça dura. Você ou ela!
– Ela naturalmente.
Falou com a tranquilidade que ele era característica. A serenidade que Jasper tinha era invejável e contagiante. Todas as vezes que estávamos juntos eu sentia como se ele possuísse um estranho poder de entender e acalmar as minhas emoções.
– E o pior é que tudo isso é por minha causa.
Falei desanimada.
– Não Bella. A culpa é da Alice por ser tão teimosa. Mais uma vez ela mostrou que não consegue confiar em mim. Ela diz que me ama, mas suas atitudes a contradizem. Não posso ter esperanças de um relacionamento estável. Não com ela.
A tristeza na sai voz era perceptível e fez com que eu me sentisse péssima.
– Ela só queria saber a verdade Jazz. O verdadeiro motivo de você ter me pedido em casamento. Se ela vai ser sua esposa, ela tem esse direito.
Ao saber que eu estava grávida de Edward e que iria ser mandada embora da minha casa e da cidade, Jasper se ofereceu para casar comigo e assumir o meu filho. Ele deixou claro que me respeitaria e que jamais cobraria algum tipo de envolvimento físico. Uma atitude linda e extremamente louvável. Chorei quando ele me fez esta proposta descabida e louca, agradecendo por ter uma pessoa tão especial como ele em minha vida. Jasper Whitlock amava Alice Brandon profundamente, mas faria esse sacrifício pela nossa amizade. Eu recusei é claro. Saí de Caldwell uma semana depois, mas nunca perdemos o contato. Sempre que sua vida corrida permitia, ele me visitava em Lexington.
Eles namoraram durante dois anos, terminaram o namoro porque ela foi morar na Suíça por um tempo e meu melhor amigo não suportava a idéia de se relacionar a distância. No ano passado haviam reatado e finalmente Jazz a pediu em casamento. Alice perguntou se ela era a primeira pessoa a quem ele fazia a proposta. Ele disse que não. Que havia me pedido em casamento alguns anos antes. Ela então o colocou contra a parede querendo saber o porquê do pedido, se ele me amava, se eu era importante para ele, etc. e tal. Jasper negou-se a responder dizendo apenas que eu sempre iria fazer parte da vida dele e que ela teria de se acostumar com aquilo. Turrão! Teimoso! Eles acabaram rompendo mais uma vez. Ofereci-me para falar com ela, mas ele não permitiu. Suspirei pesadamente. Por que a vida tinha de ser tão complicada às vezes?!
– E você anjo como está?
Falou mudando de assunto sutilmente, me tirando dos meus devaneios e me trazendo de volta a realidade.
– Irritada, respondi sendo honesta.
– Outro encontro desastroso?
Ele me conhecia como ninguém.
– Mais ou menos, falei deitando sobre os travesseiros e fitando o teto.
– Hum, o que eu perdi?
Rolei os olhos antes de responder.
– Ele até que é interessante.
– Nossa! É a primeira vez em anos que eu a escuto falar assim a respeito de um homem. O que ele faz?
– É o dentista a Nessie.
Ele gargalhou.
– HÁ, HÁ, HÁ, HÁ, a impagável Ângela Weber ataca de cupido outra vez.
– Nem me fale, gemi entre dentes.
– Mas parece que desta vez foi diferente. Lembre-me de dar os parabéns a ela por isso, quando for aí.
– Mais ou menos Jazz. Você sabe o que eu penso sobre me envolver seriamente com alguém.
– Sei, mas não concordo com isso. Você é uma mulher linda Bella. É jovem, brilhante, inteligente, batalhadora e que amadureceu a força pelas circunstâncias ingratas que a vida lhe impôs. Você merece conhecer alguém e ser feliz. Merece conhecer um homem que te complete, que cuide de você. De verdade.
Eu sabia que ele era sincero, mas achei melhor desconversar.
– Por que eu não me apaixonei por você Jazz?! Tudo seria tão mais fácil...
Ele riu.
– Por que nós não mandamos nos nossos corações anjo. E quando as coisas vêm de forma muito fácil, nos enjoamos. O desafio da conquista é sempre um tempero a mais na vida a dois.
Dei outro suspiro.
– O pior é que eu tive a nítida impressão de ter visto o Edward no bar em que eu fui ontem à noite.
Falei angustiada. Aquilo não saía da minha cabeça. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, analisando o que eu havia dito.
– Eu devia ter falado antes meu anjo, mas fiquei preocupado com a forma como você reagiria.
Sentei abruptamente. Meus sentidos se aguçaram, meu coração apertou, minhas mãos começaram a suar. O que o meu melhor amigo estava escondendo de mim?!
– O que exatamente você deveria ter me contado Jasper?
Perguntei com os batimentos cardíacos acelerados. Alguma coisa estava me dizendo que eu não iria gostar da resposta. Os segundos de silêncio que se seguiram foram torturantes. Finalmente sua voz reverberou no outro lado da linha.
– Edward Cullen voltou a morar em Caldwell há um ano.
Estaquei paralisada com tal revelação.
– O que?!
Ele suspirou pesadamente, enquanto eu apertava com força o aparelho em minha mão.
– Faz um ano que ele retornou a cidade. E pelo jeito está muito bem de vida, pois comprou a casa da colina lembra? Aquela mansão antiga maravilhosa no topo da colina na entrada da cidade? É lá que ele reside atualmente. Provavelmente deve ter sido ele mesmo quem você viu ontem à noite.
Um medo profundo se apoderou de mim. Edward estava morando na nossa antiga cidade, apenas à uma hora de distância de mim e da filha há cerca de um ano?! Engoli em seco. E se ele descobrisse?! Céus! Eu precisava fazer alguma coisa. Precisava evitar a todo custo que aquilo acontecesse. E depressa.
Notas finais
Bem amanhã tem mais gente.
beijos
Kiki
Fale com o autor