Armadilha Do Destino.
21 Capítulo 21 – Descobertas – Parte II
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Assim que ela saiu da minha casa, que a sua silhueta curvilínea e sedutora desapareceu no vasto jardim, o céu literalmente desabou. Uma chuva violenta com raios e trovões imperiosos. Começou como há muito tempo não chovia em Caldwell.
– Merda!
Gritei e desci as escadas correndo tentando trazê-la de volta. Era uma imprudência grande demais sair debaixo de uma chuva feroz como aquela. Escancarei a porta e vi a luz baixa dos faróis acesos. Bella estava indo embora.
– Bella, que droga!
Gritei irritado saindo em sua perseguição. Em menos de cinco segundos a chuva castigou minha pele, deixando-me ensopado até os ossos. Estremeci devido ao frio.
– Bella! Pare, não seja ridícula! Não há condições de você dirigir no meio desse temporal!
Gritei alcançando a lateral do carro, esperando que ela me escutasse apesar do barulho forte da chuva.
– Vá para o inferno!
Gritou através do vidro.
– Você está sendo irracional!
– Não finja que se importa!
Devolveu. Limpando as lágrimas do rosto. Me senti um canalha.
– Desligue o carro e volte para casa! Por favor! Vamos conversar!
Insisti esbravejando. Mas ela me ignorou. Não me deu ouvidos. Eu sabia que a estava levando ao limite com aquela idéia de custódia, mas razão não tinha absolutamente nada a ver com aquilo. Era instintivo. Um sentimento muito maior, poderoso, inexplicável, que me causava medo e ao mesmo tempo me consumia. Eu precisava dela ao meu lado da mesma forma que preciso respirar para viver.
– Bella! Pelo amor de Deus, saia deste carro!
Gritei mais uma vez, desesperado, tentando abrir a porta do veículo. Mas foi em vão, pois ela havia acionado a trava elétrica segundo antes.
– Mas que merda, Isabella! Você vai se matar desse jeito!
Esbravejei com toda força do ar que restava em meus pulmões. Ela pôs o carro em movimento e arrancou com violência, recusando-se a olhar para trás enquanto partia. Então a deixei partir. Só me restava aguardar e torcer para que ela chegasse a Twilight bem. Sã e salva. Desanimado voltei para a biblioteca, fitando o tapete próximo ao fogo. As imagens vívidas e recentes do corpo macio sob o meu invadiram meu cérebro, reacendendo meu desejo. Suspirei. As palavras dela não saíam da minha cabeça. Seu pai a havia mandado embora da cidade porque ela carregava meu filho no ventre. Ele havia renegado a própria filha e a neta. Bastardo, filho da puta.
– Maldito seja Charlie Swan! Que você queime eternamente no fogo inferno! Que nunca tenha paz!
Bradei para o vazio, ouvindo o eco de minhas palavras carregadas pela ira, sentindo o ódio correr livremente em minha corrente sanguínea. Se não fosse pelo egoísmo e pelas mentiras dele, eu, Bella e Renesmee, estaríamos vivendo juntos e felizes.
Suspirei tristemente. As cartas haviam sido lançadas. Eu não pretendia forçá-la a nada, não queria impor as coisas daquela forma, mas Bella repudiou a proposta de ir viver comigo. Ela não considerou aquele arranjo como razoável, nem mesmo por um momento. Não tive saída. Não me restou escolha. Eu a obrigaria a ficar ao meu lado de forma permanente e daria um jeito de reconquistá-la. Faria tudo o que estivesse ao meu alcance para que Bella me amasse outra vez. E contaria com a ajuda da minha filha no processo. Ela seria minha cúmplice.
Um sorriso bobo formou-se em meus lábios ao lembrar o rostinho de Renesmee, as bochechas rosadas, o olhar vivaz, a pureza de seu coração. Mas o que eu faria exatamente... — Pense, Edward, pense!- Obriguei meu cérebro a trabalhar. Casamento? Examinei a possibilidade.
“E o que mais?”Minha mente falou. “Quer que a sua filha vire o alvo das fofocas na escola local?! Que seja apontada nas ruas porque seus pais estão vivendo em pecado?”
– Nunca, respondi dando um soco na mesa, transpirando dos pés a cabeça. Minha filha não iria sofrer com os preconceitos ridículos daquela sociedade arcaica, como eu e Bella havíamos sofrido. Sim eu casaria com Bella. A tornaria minha esposa e daria o meu nome ao possível fruto que ela gerava. Seríamos uma família. E eu disporia dela todas as noites em minha cama, para sempre.
–Ah...
Gemi baixinho sentindo a boca seca, abaixando meu olhar para o chão, mais uma vez, visualizando-a ali, nua, ansiosa e apaixonada, pronta, esperando por mim. Era ultra- excitante. Eu a desejava tanto que meus dentes rangiam. Desde que coloquei meus olhos sobre ela no dia em que fui pedir emprego na fazenda. E tal necessidade jamais havia se extinguido. Eu poderia ter noventa anos e ela oitenta, que eu ainda a desejaria da mesma forma.
Recostei na minha cadeira, bufando alto, balançando para frente e para trás, algumas vezes, antes de retirar sua calcinha destruída do meu bolso. Olhei para o tecido de seda vermelho destruído entre os meus dedos por um momento, antes de abrir uma das gavetas da escrivaninha, a que tinha tranca, é claro, colocando-a ali como recordação.
PDV Narrador.
Bella desceu a colina cega pelas lágrimas e pela chuva torrencial. Não conseguia enxergar um palmo a frente do nariz. Parou o carro no acostamento assim que pôde, dando vazão as emoções avassaladoras. Soluços sacudiam seu corpo. Descobrira que Edward nunca a abandonara. Ele partira da cidade por culpa do seu pai. Seu próprio pai era o causador de toda aquela infelicidade.
– Por que papai, por quê?!
Lastimou arrasada. E agora Edward lhe dera um ultimato: Ou iria morar com ele ou sua filha lhe seria tirada. Um gemido escapou-lhe pela garganta. Parecia que vivia um pesadelo sem fim e que nunca acordaria. As fortes luzes dos faróis de dois veículos passaram por ela, buzinando. Suspirou algumas vezes e tentou avaliar a situação com frieza e racionalidade. Meia hora depois, um pouco mais calma, ligou o motor do carro e partiu em direção a Twilight.
Estacionou o carro ao lado do de Sue e correu. A chuva continuava implacável. Antes que pudesse alcançar a porta, esta foi aberta. Bella gemeu internamente. A última coisa que desejava era conversar sobre o malfadado encontro. Falar sobre o assunto? Não, não queria nem mesmo pensar sobre ele neste instante. Só desejava esquecer. Estava molhada, sentia frio, medo e exaustão. Aquela altura o que mais poderia acontecer?
– Deus do céu! Por todos os céus! Você está encharcada! Não tem um guarda-chuva no seu carro?
Bella precisou fazer um esforço para entender o que sua madrasta dizia.
– Tem um no carro, sim, mas eu esqueci completamente.
Replicou, omitindo deliberadamente a informação de que caso tivesse lembrado, não teria ajudado muito. Molhara-se ao sair correndo da casa de Edward.
– Você está horrível, querida.
Na verdade, a mulher mais velha queria perguntar como fora o jantar.
– Tudo bem, eu me sinto horrível. Mas o que faz acordada até essa hora?! Bella questionou.
– Fiquei preocupada com você. Está chovendo demais. É difícil enxergar a estrada nessas condições.
– E Nessie?
Sue sorriu.
– Dormindo como um anjinho.
Bella suspirou. Ao menos sua filha estava bem.
– Ela deu trabalho?
– De jeito nenhum. Jogamos várias partidas de perfil, depois ela lanchou, escovou os dentes, trocou o pijama e foi deitar às nove. Sua filha é um doce, Bella.
– Obrigada Sue, mas eu sei o quanto ela pode ser inoportuna às vezes.
– Coisa de criança mesmo. Agora suba logo e livre-se dessas roupas molhadas para não se resfriar. Eu vou lhe preparar uma xícara de café quentinho, disse fazendo um gesto com a cabeça em direção à cozinha.
– Ok, Bella assentiu refreando o impulso de recusar a generosa oferta. Ela subiu, tomou um rápido banho morno, vestiu um roupão atoalhado e felpudo, calçou chinelos e desceu as escadas com os cabelos úmidos ainda envoltos por uma toalha. Quando avistou a enteada, na soleira da porta, Sue sorriu, fazendo um gesto para que sentasse, entregando-lhe uma xícara fumegante. Bella deu alguns goles, enquanto Sue ia até o armário sobre a pia e retirava uma garrafa de conhaque. A bebida quente aqueceu sua alma em conflito.
– Aceita uma dose?
Perguntou simpática. Bella estendeu o café para que ela colocasse um pouco da bebida dentro.
– Acho que estou mesmo precisando, falou desanimada.
– Nós duas estamos, respondeu Sue.
– Desculpe, Sue. Sei que sente a falta dele.
– Nós vamos superar, Bella. Vai dar tudo certo, falou encorajando-a.
– Eu gostaria muito de acreditar nisso, respondeu.
– Foi tão ruim assim o jantar?
Bella deu um longo suspiro quando duas respostas brotaram simultaneamente, a primeira, "foi horrível" e a segunda, "foi maravilhoso". Optou pela primeira.
– Sim, foi horrível.
Respondeu sentindo-se aturdida.
– O que ele queria afinal?
– Edward, ele...
– Sim?
Engoliu em seco ao pensar na proposta maluca.
– Ele...
– Ele é o pai de Renesmee. Eu sei Bella.
– Quem lhe contou? A Ângela?
Perguntou confusa.
– Não. Seu pai contou-me antes de morrer em meus braços.
– Oh!
Mais uma vez naquela noite Bella se via chocada com uma revelação.
– Ele con... Contou? Meu Deus!
Sue apressou-se em segurar suas mãos.
– Eu não sabia Bella. Eu nunca desconfiei de nada.
– Ninguém sabia, Sue. Papai tramou tudo muito bem para conseguir nos separar. Como ele pôde ser tão frio, tão desprezível e calculista?
– Não o odeie, filha. Ele se arrependeu da monstruosidade que fez. Confessou seu pecado na hora da morte. E pediu perdão.
Bella fitou-a com indiferença.
– Ele me contou tudo, pediu que eu conversasse com você, dissesse o mal que ele havia feito e que pedisse perdão a você em nome dele, Bella. Ele errou muito, mas o que Charlie queria meu bem era que você fosse feliz. Na cabeça dele Edward jamais servia para você. Vocês nunca seriam felizes juntos porque eram diferentes demais
– Ele arruinou qualquer possibilidade de eu ser feliz quando mentiu e mandou Edward embora daqui Sue. Ele destruiu a minha vida.
Ela então fez um breve resumo de todos os fatos do passado, do namoro às escondidas, da paixão que eles viveram, das mentiras, dos enganos, e por fim a triste separação. Sue ouviu com atenção sem interromper.
– Eu nem posso imaginar o tamanho da sua dor, e também fiquei horrorizada quando ele me falou, mas peço que reflita com calma e perdoe o seu pai.
– Não sei se consigo. Vou precisar de tempo.
– Leve o tempo que precisar filha, disse Sue confortando-a.
– É engraçado como a vida pode ser irônica às vezes, disse tentando sorrir.
– Como assim?
– Ao descobrir que eu estava grávida, papai mandou-me embora daqui e Edward ao descobrir que tem uma filha quer que ela vá morar com ele.
Os olhos da madrasta se abriram feito pratos.
– O que?! Não, ele não está falando sério!
– Está sim.
– Não acredito Bella. O Edward não é assim. Você mesma falou que ele estava sendo um bom amigo, replicou.
– Ele não está blefando. Deixou isso bastante claro hoje à noite, disse levando a xícara novamente aos lábios, na vã esperança que o líquido quente misturado ao conhaque fizessem sumir o doloroso que sentia em seu peito.
– Mas eu não compreendo. Não consigo entender. Por que ele tiraria a filha de você? O que ele ganharia com isso?! Você não teve culpa, ele também não. Tudo foi um grande mal entendido. E a Nessie iria odiá-lo com certeza, concluiu.
– Ele me fez uma proposta.
Disse com uma voz monótona.
– Que tipo de proposta?
– Edward Cullen resolveu brincar de casinha, a ironia estava vívida em sua voz.
– Não entendi, disse sue interessada naquela parte da conversa. Ela havia percebido um laço muito forte entre sua enteada e Edward Cullen. Bella suspirou mais uma vez.
– Ou eu e Renesmee vamos morar com ele na casa da colina de boa vontade ou ele irá aos tribunais pedir a guarda unilateral da filha.
Bella resumiu, esboçando um gesto de ombros evidenciando sua derrota.
– O que?! Não acredito nisso! Logo você que sempre cuidou dela tão bem e sozinha ao longo dos anos?!
– Sim.
Bella sentia-se acuada, sem saída. Recriminava-se internamente, mas a verdade era que se deixara arrastar por um homem. O mesmo homem. Edward. E aquela noite havia se desmanchado nos braços dele novamente. O fato que este homem fosse o único a quem havia amado, e também o pai de sua filha, não diminuía a culpa e o remorso pelo seu comportamento inadequado. E ela tinha plena consciência de tal fato. Aceitava a culpa xingando a si mesma em silêncio.
– Bella, ele está falando da boca para fora, disse Sue com uma calma impressionante.
– Não, Sue. Ele está disposto a ir até o fim caso eu não ceda.
Sue sorri de maneira sábia.
– Pense um pouco. O que levaria um homem bem sucedido como Edward a ter uma atitude extremista como essa?!
– Não faço a menor idéia. Talvez o fato de nunca ter convivido com a filha, desconhecer a existência dela, querer recuperar os anos perdidos... Sinceramente, eu não sei.
Outro sorriso surgiu nos lábios de Sue.
– Bella, não seja ingênua. Se ele quisesse apenas a Nessie iria entrar num acordo com você, compartilhar a guarda dela ou algo parecido. Ele quer você, despejou.
Bella sorriu tristemente.
– Eu sei. Ele deixou isso perfeitamente claro. Edward me quer no pacote como uma prostituta de luxo embrulhada para presente, deitada em sua cama para satisfazê-lo sempre que tiver vontade.
A mulher mais velha ficou em silêncio por um momento.
– E o que você deseja?
– Ficar o mais distante dele possível. Sair daqui, pegar Renesmee e voltar correndo para Lexington.
– Você estava feliz lá?
Indagou Sue. Bella refletiu e constatou que de certa forma era feliz, mas no fundo seu coração era um grande vazio. Por mais que gostasse da companhia de Ângela, dos outros amigos e do trabalho, ela sabia que faltava alguma coisa.
– Acho que sim, respondeu insegura.
– Mas faltava algo, completou Sue.
Bella preferiu não responder. Ainda estava abalada com aquela recente descoberta.
– Escute Bella. Não sou a sua mãe, mas também sou mãe. E sempre gostei muito de você.
– Também gosto de você Sue. É uma boa amiga.
– Fico feliz em ouvir isso, mas agora vou falar da minha experiência de vida. O que dez anos atuando como psicóloga me ensinaram, certo? Estou de fora da situação e geralmente enxergamos melhor assim.
– Tenho medo quando você faz essa cara, falou Bella.
– Medo de encarar a verdade?
Retrucou Sue.
– Medo da sua verdade, Sue.
– Bella você como sempre é uma caixinha de surpresas. Agora escute com atenção.
Ela acomodou-se melhor na cadeira e deu mais um gole no café forte.
– O amor você e Edward tiveram no passado foi especial e precioso. Tão precioso que nem ele e nem você aceitaram viver o mesmo com outras pessoas. Você está solteira até hoje. E pelo que eu sei, ele também.
Bella paralisou sentada onde estava, começando a acompanhar o raciocínio de Sue.
– Por que você não casou?
– Por que eu não queria me arriscar a sofrer de novo, respondeu sentindo a boca seca de repente.
– Ok. E ele? Por que não formou uma família? Com aquele rosto e o dinheiro que tem, aposto que pretendentes não lhe faltaram.
Bella também apostava nisso, mas achou melhor ignorar seus instintos e deu de ombros.
– Não faço idéia. Vai ter de perguntar a ele.
– Por que não pergunta você mesma?
– Por que se ele estivesse aqui na frente eu o mataria com as minhas mãos! O esganaria até que ele não respirasse mais.
Sue não disfarçou o sorriso.
– O amor e o ódio andam junto Bella, lado a lado. Talvez os sentimentos dele por você sejam tão profundos quantos os que você sente por ele.
– De que sentimentos você está falando?
– De amor Bella, respondeu com suavidade. Ela levantou indignada.
– Amor? Ora não me venha com essa! O que ele quer é tomar a minha filha. Roubá-la de mim! Como eu poderia amar um ser desprezível como ele?! Eu não amo o Edward Sue! Ele pertence ao meu passado.
Foi à vez de Sue suspirar.
– Se você parar e avaliar com cuidado os seus sentimentos talvez tenha uma surpresa.
– Não tenho tempo para isso. Preciso encontrar um bom advogado com urgência, retrucou despejando o restante do café na pia, preparando-se para voltar ao seu quarto.
– Antes que eu me esqueça, Ângela ligou assim que você saiu e pediu que lhe entregasse isso, disse dando a Bella um papel com o nome Jacob Black e um número de telefone escrito.
– Obrigada Sue. Agora eu sei que vou ter uma tranquila noite de sono.
Sue abraçou-a carinhosamente.
– Pense no que eu lhe disse.
Bella deu um beijo em sua face e saiu em direção às escadas. Amanhã seria um longo dia.
Notas finais
Beijos até amanhã
Kiki
Fale com o autor