Armadilha Do Destino.
32 Capítulo 32 – Limites.
Notas iniciais
PDV Narrador.
Bella subiu os degraus de dois em dois e entrou depressa no quarto, fechando a porta. Queria tomar um longo banho na banheira enorme, para descansar os músculos doloridos, mas suspirou ao lembrar-se de que a única banheira disponível e ao seu alcance ficava no banheiro que partilhava com Edward, então desistiu da idéia imediatamente. Não queria correr o risco de encontrá-lo no banheiro de novo, porque sabia que sucumbiria ao charme sedutor daquele homem. Começou a desabotoar a blusa devido ao calor que lhe assolava e tinha aberto os dois primeiros botões quando ouviu uma batida seca na porta do banheiro. Revirando os olhos foi até lá e abriu. O olhar de Edward foi imediatamente atraído para o inicio dos seus seios expostos pela abertura da blusa. Naquele momento, estava deslumbrado demais com a intensidade apaixonada daquela pele pálida, deslumbrado demais com as lembranças da noite de amor recente. Completamente hipnotizado pela atração selvagem quase tangível que sentia por ela. Os olhos escuros foram atraídos para o resto de anjo. Ele havia tirado o chapéu. Ela sentiu-se estremecer e sabia que o seu desejo por ele era mais que evidente. Os olhos verdes brilharam, mas os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos. Edward foi o primeiro a falar.
- Aqui está. É um excelente relaxante muscular. Vai aliviar suas dores rapidamente.
- Obrigada, ela respondeu pegando o franco escuro e voltando para a cama, sentando-se. Ele entrou atrás dela e sentou na poltrona.
- Sobre o que você quer conversar?
Perguntou apoiando os cotovelos sobre as pernas, fitando-a diretamente.
- Sobre esta nossa convivência, retrucou.
- Se vai querer negociar sua ida embora desta casa, pode esquecer. Temos um trato. Expus as minhas condições e você aceitou.
- Embora ache tudo isso ridículo, Edward, não vou dar para trás em minha palavra. Somos adultos e devemos agir como adultos.
Uma de suas sobrancelhas arqueou levemente e Bella teve a nítida sensação de que ele estava fazendo pouco caso dela.
- Algum problema?
Questionou cerrando os punhos.
- Não sei. Não é você quem está querendo uma conversa?
Rebateu.
- Sim. Bem já que sou prisioneira aqui...
- Hóspede. E apenas porque você quer. E a propósito, deliberei um dos motoristas da empresa para levar Renesmee à escola. O nome dele é Garrett. Ele estará livre a partir de amanhã se você achar que já é hora dela retornar.
- Que boa notícia, Edward. Ela vai adorar saber disso, falou dando um meio sorriso.
- Voltando ao assunto você é minha hóspede por enquanto, mas poderíamos nos casar e acertar logo tudo de uma vez.
Ela rolou os olhos fitando o teto.
- Casamento é coisa séria Edward. E não vim morar aqui de boa vontade vim porque você me obrigou, não esqueça isso.
- Se eu não fizesse isso você iria fugir Bella, portanto não me sinto culpado. De forma alguma.
- Por que quer se casar comigo?
- Por que nós temos uma filha, você pode estar grávida novamente e somos parceiros imbatíveis na cama.
- Um contrato.
- Uma união, Bella.
- Jamais daria certo, falou desanimada.
- Você precisa aprender a aceitar novas possibilidades.
- Esta conversa não está nos levando a nada, falou Bella.
- Então eu já posso descer? Ainda tenho muito trabalho a fazer antes de viajar, respondeu passando a mão pelos cabelos bagunçados.
- Vai viajar?
- Amanhã cedo. Preciso ir até Washington. Negócios.
- E quando volta?
- Na sexta à noite, por quê?
Maneando a cabeça ela respondeu:
- Encontrei Mike Newton na cidade mais cedo e ele falou alguma coisa sobre um encontro de ex-alunos no ginásio da escola na sexta. Seria bom rever meus velhos amigos, respondeu desviando o olhar.
O maxilar de Edward travou. Suas mãos se fecharam com força. Mike Newton que tirasse o cavalinho dele da chuva ou sentiria a ira de Edward Cullen partindo sua cara de pomba lesa ao meio.
- Fique longe do Newton, Bella.
A voz baixa, cortante e decidida pegou-a de surpresa.
- O que?
Perguntou achando que não tinha escutado direito.
- Não quero que saia com nenhum outro homem Bella. Especialmente com ele.
Sua voz era baixa, mas ameaçadora.
- Mike é um velho amigo, Edward. Nós estudamos juntos na mesma classe durante anos...
- Eu conheço aquele imbecil Bella. Ele só quer dormir com você, te usar, jogar fora e depois sair por aí se gabando.
- Não exagere, rebateu.
- Quer virar o alvo de fofocas desta cidade provinciana e arcaica?! Por que ele vai querer te comer sim! É isso o que ele faz com todas as moças de quem se aproxima!
Esbravejou.
- Escute aqui Edward Thomas Cullen! Não sou uma mulher fácil e muito menos uma prostituta, e saiba que eu sempre, sempre soube evitar os avanços indesejados dos homens!
O clima pesou no quarto abafado pelo calor da discussão.
- Não quero ver você com outro homem, droga! Você me deve isso!
Esbravejou ficando em pé. Sua expressão era ameaçadora.
- Eu não lhe devo nada Edward! Saio com quem eu quiser, nós não temos nenhum compromisso, está ouvindo?! Quem você pensa que é? Meu dono?! Sinto muito, mas estamos no século XXI e caso a sua memória esteja falhando, as mulheres adquiriram sua liberdade há décadas!
Ela gritou bufando.
- Droga Bella! Será que a noite passada não significou nada para você?!
- Sim! Ficou claro de que você não dormia com uma mulher há algum tempo, desdenhou tentando irritá-lo.
- Maldição! Não me faça perder a paciência Isabella! Não me provoque ou vou fazer você implorar para eu te possuir!
Apesar de estar extasiada com o fato de ele sentir ciúmes, ela percebeu que o controle de Edward estava por um fio. Um embate maior entre eles agora não daria certo. Era preciso usar sua inteligência para lidar com Edward naquele momento. Não faria mal abordar aquele assunto depois. Decidiu então recuar e usar outras estratégias. Com o tempo faria Edward perceber que ela não aceitava certas ordens e imposições, afinal de contas cuidava sozinha de si mesma há muito tempo.
- Acho que você não escutou o que eu disse, falou com tranquilidade.
- Ouvi cada palavra, rebateu ele.
Bella contou até dez mentalmente para ganhar tempo.
- Eu disse que ele havia me convidado, Edward, não que eu tinha aceitado o convite, falou jogando a toalha.
Ele relaxou visivelmente.
- Excelente.
- Bom, eu chamei você aqui porque precisamos estabelecer alguns limites neste “nosso” relacionamento.
- Estou ouvindo.
- Aceitei as suas condições, mas como falei antes as coisas estão indo rápido demais e eu não gosto disso. Não estou acostumada a receber ordens, Edward. Desde que saí de Caldwell com quinze anos, sempre me virei sozinha, cuidando de mim e da nossa filha e me saí muito bem apesar das adversidades que tive de enfrentar.
- Continue.
- Vou ficar como você exigiu, mas só se prometer me deixar em paz.
- Como assim?!
- Nada de sexo.
- O que?!
A perplexidade tomou conta do lindo rosto de anjo ao assimilar as palavras que ela proferiu. Parecia que Bella havia sugerido que ele parasse de respirar.
- Você não pode estar falando sério! Acha mesmo que isso vai ser possível, com nós dois morando debaixo do mesmo teto?!
Ele ainda estava de queixo caído, incrédulo. Bella respirou profundamente. Ele não compreendia suas razões e ela não poderia confessar que tinha medo de envolver-se profundamente, que queria ser amada por ele, que apesar de desejá-lo com loucura, queria muito mais do que sexo. . . Precisava de mais. Necessitava de amor. De uma família formada com bases sólidas, coisa que nunca tivera na vida. Mas sabia que ele não estava pronto a enfrentar isso. Edward lhe oferecera uma família pela filha, para dar uma satisfação à sociedade, mas nunca falara em amor. E de certa forma tinha medo dele, medo de sua personalidade forte, marcante e misteriosa, medo de confiar demais nele outra vez e machucar-se depois.
- Terá de ser, respondeu baixinho. Ele então se aproximou levando a mão até a sua nuca, fazendo com que ela reagisse ao toque imediatamente.
- Está vendo Bella? Você reage a minha presença como nenhuma outra mulher. Os pêlos de sua nuca estão eriçados. O que nós temos é muito mais do que físico, é uma coisa de almas, de mentes, uma necessidade que vai além do plano carnal. Eu não sei explicar, mas sei que é uma coisa única.
- Edward, por favor...
Falou empurrando a mão dele para longe.
- Você está mesmo falando sério em relação a isso?
- Sim, a menos que...
A esperança surgiu no brilho do olhar esverdeado.
- A menos que...
Incentivou para que ela prosseguisse.
- Ao menos que eu decida se... Se...
- Se?
Ele queria ir até o fim.
- Se eu quero dormir com você. Não posso me dar ao luxo de ter minha vida regida pelo sexo, Edward. Não sou um robô, tenho sentimentos.
Seus olhares duelaram.
- Eu não sou mais aquela garota ingênua e não estou à procura de aventuras, Edward.
Ele lhe deu um olhar fulminante.
- Se quer mentir para você mesma, é problema seu, mas isso não muda o fato de que você quer sim estar comigo na minha cama. O seu desejo é tão óbvio quanto o meu. Reconheço todos os sinais e o seu corpo não mente Isabella. Quanto a questão aventuras, já deixei claro que quero você como minha esposa, retrucou.
Por conveniência, não por amor, ela pensou com uma ponta de tristeza.
- Por enquanto nós seremos bons amigos. Seremos os pais que a Nessie precisa, falou com a voz tão vacilante que nem ela própria reconheceu.
- Você está delirando. Não podemos ser apenas "amigos"! Quero você na minha cama agora e em todas as noites e não tenho espírito de sacrifício. Já foi ruim o suficiente os anos em que o seu pai conseguiu nos separar, mas agora é impossível. Quando vai encarar a realidade?
Bella fez pé firme. Edward precisava aprender a respeitar as vontades dela, tentar enxergar a situação pelo lado dela. Era ela quem estava abrindo mão de praticamente tudo para ir morar com ele. Não podia perder a chance.
- Limites?
- Sim, limites. Não estou pedindo que faça um voto de castidade. Apenas que me deixe em paz, até que eu decida.
Ele andou de um lado para o outro, inquieto, as mãos nas costas, os pensamentos fervilhando em sua mente.
- Sou um homem normal, com necessidades normais e não vou me abster de sexo por muito tempo. Vou lhe dar algum tempo se é disso que necessita, mas terá de vir a mim Bella. Vai ter de vir até mim e me pedir para fazer amor com você, mas não demore muito porque eu nunca fui um homem paciente.
De repente lhe ocorreu que se ela estava se recusando a dormir com ele, Edward poderia se sentir à vontade para procurar outras mulheres e o simples pensamento disso fez com que ela sentisse uma dor no coração, mas este era um risco que teria de correr. Engoliu em seco e levantou os olhos para ele sentindo-se interiormente dividida entre a razão e o coração.
- Então estamos de acordo, Bella disse.
- Por algum tempo, respondeu frisando cada palavra.
- Se você se colocar no meu lugar apenas por um instante Edward, verá que eu tenho razão. Em menos de um mês minha vida virou de ponta cabeça e tudo aquilo que eu conquistei com o meu próprio esforço agora está distante do meu alcance. Não estou acostumada a ter alguém cuidando de mim e muito menos a ter que dar satisfações da minha vida. Essa situação é nova e inusitada. Você vai ter que ter paciência.
- Dou-lhe minha palavra dizendo que vou tentar, mas não vou prometer nada. Vou cuidar de você e da nossa filha de agora em diante. Acostume-se Bella, é um fato, goste você ou não. E posso não ter colocado uma aliança em seu dedo ainda, mas é uma tola se pensa que vou fingir que não há nada entre nós. Você é minha, entendeu? Minha, e não deixarei que Mike Newton, Jasper Whitlock, ou quem quer que seja tomar aquilo que é meu.
Cuspiu antes de sair e bater a porta com força, deixando Bella sentada e atordoada pensando em todas as coisas que haviam sido ditas.
Notas finais
Beijos
Kiki
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