PDV Isabella Swan.

Aproveitando a viagem do Edward, eu havia ido a Pousada por dois dias e estava aproveitando para ajudar Ângela a cuidar das reservas, dos pagamentos aos fornecedores, da lista de pedidos dos clientes e da roupa suja. A pesar da minha ausência tudo estava em perfeita ordem, o que me deixou muito satisfeita. Graças à proximidade das férias de verão as excursões haviam aumentado muito e não faltavam hóspedes, mochileiros e viajante nesta época do ano. Nessie havia voltado a frequentar a escola. Eu estava indo para Lexington aqueles dias com ela e o motorista que era uma pessoa muito simpática, mas que sabia reconhecer o seu lugar de funcionário, ou seja, as coisas estavam fluindo lentamente com o ritmo que a vida nos impunha.

- Oi Bella, que bom que voltou!

- Estou apenas de passagem Irina. Obrigada por estar aqui cuidando de tudo e ajudando a Ângela.

- Não me agradeça. Estou adorando trabalhar aqui, respondeu a jovem loira acenando para ela e desaparecendo pela porta da cozinha.

- Fico feliz que esteja aqui, amiga.

- Eu também, Angie. Senti saudades.

- Gostei do sorriso. Você deveria sorrir mais, faz bem à alma e ao coração, sabia? Quando chegou aqui sua cara esta um verdadeiro horror, falou.

- As coisas não estão fáceis, respondeu ligando a duas máquinas de lavar simultaneamente.

- Edward?

- Ele, Alice, a fazenda...

Retrucou abatida.

- Jazz ainda não fez as pazes com sua amada?

- Não. Ele é tão cabeça dura quanto ela.

- Dois bobos. A vida é passageira, nós não devemos desperdiçar uma oportunidade com a deles nunca!

- Que tal você conversar com ele, então?

- Acha que adiantaria?

Disse com ceticismo.

- Não.

Jasper muitas vezes era um osso duro de roer.

- E as coisas entre você o bonitão?

- Hum, eu prefiro não conversar sobre isso agora, Angie, pode ser?

- Tão ruim assim?

- Pior.

- Xii...

Edward ligava para casa todos os dias, sempre pedindo para falar com a filha ou com Alice. Delegava ordens, conversava horas com Renesmee, mas nunca pedia para falar comigo ou perguntava por mim, o que me deixava frustrada de certa forma. Eu sabia que ele estava me dando o espaço que eu mesma tinha pedido, respeitando os limites que eu havia estabelecido, mas isso não tornava a situação mais confortável. Minha posição era totalmente contraditória, eu sei, mas eu não podia dizer isso a ninguém. Se nem eu mesma conseguia-me entender como faria os outros entenderem?!

- O que mais a está preocupando neste instante?

- Não consegui o empréstimo para erguer a fazenda e preciso fazer alguma coisa rápido, ou vou ver o lugar onde eu nasci ser totalmente destruído.

- Já foi em outros bancos?

- Em todos de Caldwell. Ofereci todas as garantias possíveis, mas ninguém quis me dar o dinheiro. Preciso contratar trabalhadores, fazer alguns reparos na casa, pintar, reconstruir o celeiro... Eu não queria vender as terras, pois elas são a herança de Renesmee, mas se não conseguir o empréstimo, não terei escolha.

O pesar dominava minhas palavras.

- E qual a justificativa que deram para lhe negarem o dinheiro?

Revirei os olhos antes de responder. Todas as negativas haviam sido absolutamente iguais.

- Não tenho experiência, a crise financeira mundial e o atual estado de deterioração em que Twilight se encontra.

Ângela franziu o cenho e ficou pensativa.

- Oi... Ainda está aqui no planeta Terra, Ângela Weber?

Falei em tom de brincadeira.

- Eu estava pensando numa coisa...

- Em que?

Ela me encarou muito séria.

- A pousada também é sua, Bella. Por que não retorna aos bancos e a coloca como garantia também?

Fiquei chocada com a sua oferta.

- De jeito nenhum! A pousada está na sua família há gerações, você mora e administram este lugar há mais de trinta anos!

- Assim com a fazenda onde você nasceu e cresceu, retrucou me fitando por cima dos óculos.

- Bella, Bella... Eu não me importo com o lugar em si. Importo-me mesmo é com a nossa amizade e não preciso da Pousada para ser feliz. Posso perfeitamente ser feliz num outro lugar.

Era reconfortante saber que elas estaria disposta a abrir mão de tudo para me ajudar, mas eu não podia permitir tal atitude.

- Então decida vender a pousada porque você quer e não por minha causa, retruquei.

- Mas, Bella...

- Esqueça. E como andam as coisas entre você e o Seth?

Mudei de assunto estrategicamente.

- Agora estão melhores, respondeu reticente.

- Como assim “agora”?

Perguntei curiosa. Ela estava escondendo alguma coisa.

- Nós tivemos alguns contratempos, respondeu ficando subitamente tensa.

Aproximei-me colocando as mãos em seus ombros, obrigando-a a me fitar.

- Quer para de enrolar e me contar de uma vez o que está acontecendo?!

Ela me fitou longamente.

- Lembra que eu falei das outras namoradas?

- Claro que sim, respondi começando a me preocupar.

- Bom, ele terminou com uma sem maiores problemas, mas com a segunda delas, as coisas ficaram meio complicadas.

Disse me dando as costas.

- Defina complicadas, pedi cruzando os braços e escutando atentamente.

- No sábado ele foi até a casa dela e eles romperam.

- Continue.

- Segundo Seth, ela desejou que ele fosse feliz e lhe deu um abraço de despedida.

- E?

- E daí que era tudo fingimento. Ela estava possessa. Esperou que ele saísse de sua casa, o seguiu e veio até aqui.

Arregalei meus olhos assombrada.

- Ela veio até aqui tirar satisfações com você?!

Eu disse quase gritando.

- Não, ela veio aqui e destruiu o meu carro, disse ajeitando os óculos que teimavam em escorregar pelo fino e delicado nariz.

- O que?!

- Foi horrível Bella.

- Ângela, por que não me disse nada?! Quando foi isso, pelo amor de DEUS?! O que ela fez?! Essa mulher é uma louca?! Você está bem?! De verdade? Tem que ter muito cuidado, amiga! Você foi à policia?!

Falei aos borbotões sem nem dar a ela a chance de respirar direito.

- Bom, o Seth chegou e me contou que eles dois tinham conversado, terminado tudo e resolvido que continuariam a ser amigos numa boa. Falou que ela não se alterou em nenhum momento e que até deu um abraço nele quando ele foi se despedir. Só que na verdade ela já suspeitava que ele estivesse com alguém.

- E?

- E assim que ele saiu de lá, ela entrou no próprio carro e o seguiu até aqui.

- Ele não percebeu?

- Não.

- Prossiga.

Minha ansiedade era cada vez mais crescente.

- Ela deve ter ficado aí fora um tempão, porque nós jantamos, assistimos TV e depois fomos para o quarto. Durante a noite acordamos com um barulho enorme de vidros sendo quebrados, metal amassado e gritos horríveis. Eu quis ligar e chamar a polícia, mas ele não permitiu e pegou sua arma indo até a janela e praguejando alto.

Assenti.

- Ele a reconheceu.

- Sim. E ela xingava horrores enquanto acabava com meu carro com um taco de beisebol.

Estremeceu ao recordar a cena violenta.

- Minha nossa!

- O Seth saiu e tentou acalmá-la, mas foi em vão. Tivemos que chamar a polícia. Ela foi presa e nós fomos até a delegacia para depor e prestar queixa. Como ele é policial as coisas foram mais fáceis. Ela vai ter que me indenizar em cinqüenta mil dólares pelos danos materiais, mas como o carro tinha seguro, não vejo maiores problemas. E também pedimos uma ordem de restrição. Ela não pode ficar a menos de três metros de distância de mim ou dele. É isso.

- Que loucura!

- Com certeza. Nunca imaginei que algum dia em minha vida passaria por uma situação com essa.

- Qual o nome dessa maluca?

Ângela riu.

- Sulpícia, respondeu.

- Como?

Questionei sem conseguir conter uma risada.

- Sulpícia, repetiu.

- Arg, que nome horrível!

Explodi gargalhando.

- Mas ela até que é bem bonita, Bella.

Retrucou.

- Só que também é uma cobra, respondi.

- Com certeza e da família da mamba negra sem dúvida.

** A mamba negra é uma das cobras mais venenosas do Planeta. Seu veneno fatal tem o poder de paralisar a presa em questão de minutos.

- Você realmente está bem?

- Sim. Mas foi um susto e tanto.

- Eu imagino, Angie. Se fosse eu teria ficado apavorada, falei envolvendo os seus ombros com um braço.

- Chega de falar de mim. Agora eu quero saber tudo sobre você, minha afilhada e as coisas na casa da colina, disse sorrindo.

- Ok, mas antes que tal uma boa xícara de café?

Eu sabia que um bom café era o ponto fraco da minha melhor amiga.

- Adorei a idéia, respondeu e juntas caminhamos até a cozinha.

PDV Edward Cullen.

As imagens se misturavam confusas em minha mente... O rosto implacável do velho Charlie Swan rindo e torcendo o bigode, dizendo-me coisas terríveis. O dia em que eu havia ido embora da cidade para sempre. Uma súbita tensão me percorreu. O pânico me invadiu. Em seguida esta imagem mudou para um rosto amargo e contorcido pela dor. Uma satisfação secreta brotou em meu âmago. Ouvi sua respiração pesada, cansada. Quase pude sentir o medo devorando suas entranhas, consumindo-o e causando-lhe uma náusea tão profunda capaz de cortar sua própria respiração.

Velho miserável! Seria um grande prazer assistir à morte daquele arrogante bastardo. E pela sua expressão agoniada, ele sabia que estava à beira da morte. A imagem então desvaneceu-se para dar imagem a outra. Uma adolescente linda, de pele alva, mas bronzeada pelo sol, pernas torneadas, corpo perfeito, lindos olhos castanhos e cabelos longos escuros soltos em suas costas. Bella...

Aos olhos de minha mente, a garota parecia tão livre e indomável com o um cavalo selvagem. A expressão de seus olhos era decidida e ao mesmo tempo vulnerável, o que dava a impressão de que era uma garota atormentada. De um momento para o outro o vento estava soprando e ela sacudia a cabeça para liberar os cabelos, agora drapejando como nuvens cor de mogno. Ela desceu do cavalo negro e caminhou até mim, seus dedos delicados encontrando os botões da minha camisa de seda, desabotoando-os um a um. Minha camisa foi baixada até a cintura. A expressão do rosto dela mudou, e a inocente deu espaço à libertina. Quando senti lábios femininos sobre os meus e num susto, me ergui da cadeira do escritório da multinacional em Washington.

- Mas o que?!

- Relaxe, Edward, sou eu.

Disse Jane, uma executiva de marketing loira e fogosa, com quem eu já havia trabalhado antes. Ela estava de pé, descalça, usando uma saia cinza xadrez logo acima dos joelhos, meias pretas e um sutiã preto rendado.

- Droga, Jane! O que pensa que está fazendo?!

Retorqui irritado ao extremo com a ousadia daquela mulher.

- Me preparando para comer a sobremesa?

Devolveu a pergunta sorrindo maliciosamente. Dei uma rápida olhada para a porta e vi que estava fechada. Ao menos isso.

- Guarde suas idéias para por em prática com outra pessoa, respondi grunhindo, fechando a camisa e colocando a gravata no lugar. Ela deu uma resposta baixa e inexpressiva, a qual eu nem me dignei a responder.

- Sabe o que foi?

Falou fazendo um biquinho com os lábios.

- Eu trouxe os termos do contrato para que você lesse antes de assinar. Mas aí te vi sentado, cansado, tão sozinho e indefeso, cochilando como um bebezinho e não resisti. Achei que você iria gostar de um pouco de sexo antes de voltar para aquele fim de mundo em que mora, justificou fitando-me com olhos cobiçosos.

- Pensou errado, respondi cortante.

- Faz um tempão que você não vem para cá, hein? Um ano se não estou enganada, retrucou sem fazer o menor reforço para se vestir.

- Problema meu.

Os olhos claros brilharam, mas ela não disse uma palavra, como se a resposta malcriada que eu dei não lhe dissesse respeito. Eu havia dormido com ela uma única vez e deixei claro que não queria compromisso na época. Andei até a mesa e peguei a papelada passando os olhos pelas linhas impressas. Ela não falou nada. Aliás, eu sempre achei que as palavras entre nós dois eram algo absolutamente desnecessário, a não ser que se tratasse de negócios. Percebendo que seu charme e suas táticas de sedução não surtiriam efeito desta vez, ela resolveu apelar.

- Não gosta do que vê, Edward?

Perguntou dando uma volta em torno de mim e da mesa.

- Vista-se!

- Credo, que mau humor!

- Você já deveria saber que quando eu quero sexo, eu mesmo vou atrás, rebati ríspido.

Frustrada ela pegou a blusa que havia largado no sofá estreito de couro e começou a abotoar com as mãos ligeiramente trêmulas. Deveria estar perto dos quarenta anos e era uma mulher de carreira, determinada e agressiva no mundo dos negócios. Família e filhos estavam sempre em segundo plano para mulheres como ela.

- Você mudou, Edward, queixou-se cabisbaixa.

- Pode apostar que sim.

Falei cortante, continuando a ler os papéis em minha mão, enquanto ela se vestia completamente e calçava os sapatos pretos de verniz.

- Então é verdade?

- O que?

Questionei sem desviar os olhos dos papéis.

- Que você está morando com uma mulher e que tem uma filha?!

Levantei meu olhar em sua direção e abri um amplo sorriso, satisfazendo sua curiosidade e garantindo a ela que com aquilo que me considerava o homem mais feliz do mundo.

- Sim é verdade.

Ela engoliu em seco e murchou, seu entusiasmo desaparecendo completamente.

- Então devo presumir que é sério? Não vai haver mais nada entre nós?!

- Nunca houve nada entre nós, falei decidido.

- Sim, sem compromisso, mas eu pensei que quando você estivesse aqui...

Não pude a deixar concluir.

- Jane, pode ter certeza de que eu agora sou um homem de família, completamente fiel a minha mulher e ao nosso relacionamento, respondi pegando uma caneta no bolso do paletó e assinando o documento.

- Fico feliz por você, disse dando um sorriso forçado.

- Aqui está, respondi devolvendo-lhe o contrato, preparando-me para ir embora. A semana havia sido longa e eu não tinha falado com Bella nenhuma vez. No começo era para lhe dar uma boa lição por causa daquela ridícula história de estabelecer limites, mas agora quem não estava mais aguentando a saudade era eu.

- Até logo Jane, você fez um ótimo trabalho aqui, falei reconhecendo sua competência profissional.

Ela me fitou com um misto de surpresa e choque.

- Você já vai voltar para casa?!

- Sim. Já resolvi tudo o que vim fazer aqui em Washington. Volto para Caldwell agora à tarde, respondi olhando no relógio e vendo que já passavam das três. Eu só chegaria em casa depois das oito da noite, mas valeria a pena.

Ela suspirou.

- Vai haver um jantar aqui da empresa num clube exclusivo hoje à noite. Não quer ficar até amanhã?

- Não. Estou indo embora agora mesmo, retruquei. Eu sabia muito bem o que aqueles jantares significavam: comidas, bebidas, mulheres fáceis, muito sexo e drogas para aqueles que gostavam. Realmente nada que me interessasse. Despedi-me com um aceno e saí, deixando-a parada no meio da sala, com uma expressão desolada.

Notas finais
E duro ser gostoso ne Edward, todas te querem....
Agradecendo as recomendações feitas por:
Liz Cullen.
Michele Pattinson.
Claudinha.
Luana Gayo.
giza.
Rosana Diniz.
Carolmaeve.
patricia silva.
tata21.
Kida.
Jee Lacerda.
Lanyee Rocha.
laura159.
gabeblack.
ladylaly.
Nathy Gouveia.
Obrigado garotas vocês são fantásticas..
Beijos