Armadilha Do Destino.
24 Capítulo 24 - Golpe Fatal parte II
Notas iniciais
Cap. XXIV – Golpe fatal-Parte II
Edward Cullen.
Depois de me certificar de que Paul estava bem e folgando aquela manhã, graças a Deus, voltei para casa, tomei um banho revigorante e fui até a cidade resolver as pendências da semana. Encontrei com o gerente do banco e perguntei sobre a situação de Twilight. Ele reafirmou que a fazenda estava no vermelho e que Bella sozinha, dificilmente recuperaria as terras. Resolvi então fazer uma visita a minha mulher e minha filha depois do almoço. Parecia tão certo chamá-las assim... Liguei para Emmett e o convidei para almoçar no restaurante Port Angeles, localizado numa das saídas da cidade, onde a comida era divina. Ele queria conhecer a sobrinha o mais depressa possível. Afirmei que iria até a fazenda hoje mesmo e daria um jeito naquilo. Eu também estava louco para ouvir minha filha me chamar de papai.
Contou-me que ele e Rose dariam uma festa de noivado em breve. Confirmei minha presença e nós nos despedimos. Passei numa loja de ferragens para comprar uma chave mestra e acabei encontrando Mike Newton que me cumprimentou e perguntou se eu tinha notícias de Bella. Ele gostaria de visitá-la em nome dos velhos tempos, mas temia ser inoportuno devido ao luto familiar dos Swan. A conversa entre ele com Tyler que ouvi quase um mês brilhou como flashes reluzentes em minha mente.
“–Ela foi embora daqui com quinze anos, Mike”.
Disse Tyler, divertindo-se e mordiscando uma barra de cereal.
–Eu sei.
–Será que continua bonita como era?
–Espero. Bella era linda. Rosto em formato de coração, cabelos longos e castanhos, olhos cor de chocolate, corpo escultural...
Sabe se ela casou?
–Acho que não. Sue e Charlie jamais comentaram nada a esse respeito. E se estiver solteira, eu vou fazer uma visita em breve, você sabe como é...
–Pode tirar o cavalinho da chuva Mike. Eu também estou nessa. “Sempre achei a Bella gostosa”.
Precisei conter minha fúria assassina para não agarrar o moleque pelo pescoço e quebrar sua coluna vertebral em duas. Ele estava cobiçando Bella. Minha Bella. Minha mulher. Mas eu não ia permitir que ele sequer chegasse perto dela. Nunca. Jamais. Por isso inventei uma mentira das grossas, falando que ela estava vivenciando uma tristeza profunda após a morte do pai, praticamente uma depressão, recusando-se a receber visitas. Que eu mesmo tinha ido à fazenda e soube disso através de Sue.
Ele deu um sorriso amarelo, desculpou-se e saiu da minha frente. Sujeitinho asqueroso!
Voltei para o carro e segui para fazenda. Entrei sem problemas observando com desgosto o estado lamentável em que tudo se encontrava. Twilight hoje era uma caricatura mal feita da fazenda produtora de frutas cítricas que havia sido anos antes. Segui com o veículo até a casa principal e a primeira pessoa que vi minha filha brincando na varanda, no balanço de madeira, com suas bonecas, panelas, xícaras e talheres. Meu coração disparou.
Estacionei o veículo e desci franzindo o cenho estranhando a presença de outro carro ali. Não era o de Bella, nem o De Sue. Olhei para casa novamente e o rostinho infantil e sapeca me saudou.
-Oi Edward!
-Oi, pronunciei em tom emocionado, fitando os olhgos verdes idênticos aos meus, com ávida intensidade.
Ela me mostrou suas bonecas dizendo que tinha ganho de presente. Renesme era uma criança adorável e eu fazia um grande esforço para não correr,tomá-la nos braços e dizer que era o seu pai. Foi quando ele me disse que o Jasper havia dado as bonecas a ela e que ele havia chegado pouco antes de mim. O ciúme subiu por minhas entranhas vermelho e quente. O que diabos Whitlock estava fazendo ali?! Eu não havia sido bastante claro com ele dias atrás?!
Dei quatro passos e entrei na velha residência, estacando ao ver Bella e ele juntinhos no sofá, os ombros colados, numa posição bastante comprometedora. Fervi de ódio, mas não pude abrir minha boca porque Bella gemeu baixo e desmaiou na nossa gente me deixando apavorado.
-Vou ligar para a Emergência, eu disse.
-Não!
Sue falou afobada. O que havia de errado com aquela mulher? Será que ela estava estressada pela recente perda do esposo? Primeiro ela teve um acesso de tosse, depois uma crise de risos histérica, agora não queria que eu chamasse um médico para Isabella?! Será que ela era bipolar?!
-Já estou ligando, respondi dando de ombros ignorando aquela doida.
-Tenho certeza de não é necessário, Edward. Bella deve voltar a si em breve e...
-Ele tem razão Sue. Já se passaram mais de quinze minutos e ela continua desacordada. Algo está errado.
Ainda bem que aquele idiota estava do meu lado. Pelo menos desta vez.
-911. Qual a sua emergência?
Disse a voz da operadora do outro lado da linha.
-Meu nome é Edward Cullen estou ligando da fazenda Twilight. Isabella Swan sofreu um desmaio e está desacordada.
-Isso ocorreu há quanto tempo, Senhor?
-Talvez uns vinte minutos, respondi rapidamente.
-Ela bateu a cabeça ou vomitou antes de desmaiar senhor?
-Como é que eu vou saber droga?!
-Oh...
Nesse instante Bella voltou a si.
-Bella!
-Você está bem?!
Eu e Jasper dissemos em uníssono.
-Mãe!
Renesme gritou correndo para os braços maternos.
-Senhor?
A voz da moça questionou.
-Desculpe, mas não é mais necessário que venham até aqui. Ela voltou a si, falei desligando o aparelho. Se houvesse necessidade eu mesmo a levaria ao hospital para ser examinada.
Isabella Swan.
Quando vi Edward ligando para 911, não tive escolha e recuperei a consciência, rapidinho. Nessie correu e me abraçou. Fiquei agarrada a ela pensando no que faria.
-Mãe, o que aconteceu?
Perguntou com voz de choro.
-Hum...
Prossegui com a farsa.
-Não sei meu bem, acho que foi o calor juntamente com as preocupações, respondi tranqüilizando-a.
-Você tá legal, mãe?
-Agora estou. Um abraço desses é capaz de curar tudo, respondi fazendo-a sorrir. Sem ti três pares de olhos cravados na minha pessoa e suspirei profundamente.
-Meu amorzinho, será que você pode ir brincar lá fora um pouco?
Pedi afagando seus ombros. Ela rolou os olhos e pôs as mãos na cintura.
-já sei, conversa de adultos... Isso é uma chatice!
Falou emburrada.
-Meu bem, não seja inoportuna!
Ralhei dando um beijo em sua testa. Ela deu meia volta e saiu da sala em direção a varanda, deixando-nos a sós.
-Está tudo bem Bella?
Agradeci aos céus por Sue ser tão boa comigo.
-Sim, Sue.
Edward empurrou Jasper e ajoelhou-se na minha frente.
-O que está sentindo?
Seu olhar era perscrutador. Pânico. Medo. Estou apavorada por saber que terei de ir morar com você em breve, eu quase falei.
-Nada. Eu... Eu estou bem, consegui responder sentindo um leve tremor.
-Tem certeza Bella? Não está sentindo nada? Desmaiar assim não é normal, afirmou Jasper categoricamente.
-Estou bem, Jazz, de verdade. Acho que o problema foi cansaço. E como eu não estou me alimentando muito bem, então...
Falei dando de ombros. O Olhar de Edward foi duro.
-Precisamos conversar, ele disse.
-Dê um tempo a ela Cullen! Não vê que Bella está pálida como um cadáver?!
Jasper vociferou. "E me sinto ainda pior". A frase reverberou em minha mente, mas guardei a resposta para mim mems, decidindo que já envolvera ele demais naquela triste história.
-Avisei você para que saísse do meu caminho Whitlock. Não vou pedir novamente, cuspiu Edward. Eu precisava agir rapidamente ou eles iriam brigar outra vez. Erguendo a cabeça, endireitei os ombros e respirei mais uma vez, ordenando os pensamentos.
-Jazz, Sue, falei com brandura. Eles me fitaram.
-O Edward tem razão, eu realmente preciso conversar com ele. Será que vocês poderiam nos dar licença um minuto?
Falei levantando a mão cuidadosa, num gesto típico de defesa, quando percebei que meu melhor amigo pretendia protestar.
-Há alguns detalhes que precisamos acertar, concluí.
-Claro, filha. Fiquem à vontade.
Completou Sue, fazendo menção em retirar-se, mas com um gesto eu pedi que ela ficasse.
-Não Sue, pode deixar. Nós vamos até o escritório, retruquei.
-Se é isso quem você quer Bella, devolveu Jasper com frieza.
-Acha que eu vou fazer algum mal a Isabella?
Questionou fitando Jasper com hostilidade. A irritação na voz de Edward era implícita. Jasper colocou as mãos nos bolsos da calça de forma displicente e deu de ombros.
-Em se tratando de você Edward, só Deus sabe a resposta, devolveu irônico. Edward bufou.
O clima era tenso. Desviei minha atenção para a conversa que iria ter com Edward, meus olhos fixos no chão de madeira, e saí em direção ao antigo escritório do meu pai, com ele imediatamente atrás de mim. Passei pela porta e fiz um gesto com a mão pedindo que ele entrasse. Em seguida, fechei a porta devagar e passei direto por ele, indo me sentar na cadeira de couro da escrivaninha.
Minhas opções haviam sido reduzidas a uma só. Morar com ele. Edward Cullen havia vencido a batalha. E ele não precisara fazer quase nada. Infelizmente o destino o havia ajudado. Ele dispunha de todos os trunfos. E nesse momento só me restava aceitar a barganha que me era oferecida.
Resoluta, sentei, aprumei os ombros e dei um pigarro. Tentei lembrar exatamente das suas palavras, tudo o que ele havia relatado antes. Ele queria que nós duas fôssemos viver com ele. E também deixara claro que me queria em sua cama, como uma amante exclusiva e disponível. Bem, não existia nada, nenhuma lei que determinasse que eu precisaria jogar segundo as regras dele. Prometi a mim mesma que não facilitaria as coisas para ele. Usaria todas as minhas armas para a vitória dele não fosse fácil e muito menos satisfatória.
Edward Cullen.
Eu estava ansioso para conversar, para conseguir chegar a um acordo, mas controlei minha ansiedade e esperei que Bella falasse primeiro.
-Muito bem. Quais são os termos da chantagem Cullen?
Falou sem emoção. Uma imensa alegria surgiu em meu íntimo. Eu havia ganhado aquela primeira batalha. Bella estava cedendo e eu ganhava terreno.
-Que chantagem?
Devolvi a pergunta. Ela crispou os lábios.
-Não me venha com essa agora! Pare de bancar o espertinho ou eu não respondo por mim!
Bradou raivosa.
-Desistiu de contratar um advogado?
Provoquei.
-Não é da sua conta!
Vociferou. Seu temperamento forte me fascinava. Eu desejava com todas as minhas forças esta mulher guerreira, a tigresa que defendia sua cria com unhas e dentes. Senti o desejo crescer impiedoso, fazendo minha virilha queimar, meu pau pulsar latejando forte. Precisei recorrer todo o autocontrole possível para não me lançar sobre ela naquele instante, arrancando-a da cadeira austera, rasgar suas roupas e jogá-la sobre o tampo da escrivaninha de carvalho, saciando minha louca necessidade de possuí-la ali mesmo, com a casa cheia de gente.
-E então Edward?
Sua voz era firme, sua atitude decidida, firme e beligerante me excitava tão profundamente que me provocou uma excitação sexual potente e intensa, exigindo que eu detivesse minhas mãos com um esforço sobre humano para não tomá-la em meus braços. Se eu tivesse certeza que minha filha, Jasper irritante Whitlock e Sue não estavam por perto eu confesso que não resistiria e tentaria subjugá-la de qualquer forma.
-Estou satisfeito, pois vejo que resolveu ser racional e evitar que Renesme sofra com uma briga de custódia, mas confesso que estou intrigado Bella.
-Me poupe das suas gracinhas Edward. Você está me chantageando de maneira sórdida e vil, portanto quero saber exatamente os termos sujos desta barganha!
-Prefiro chamar de acordo, falei exultante.
Finalmente ela tinha cedido. Agora seria apenas uma questão de tempo.
-Tanto faz, retorquiu abusada.
-Muito simples. Venha com nossa filha morar comigo, falei taxativo.
-Como?
-Como o que?
-Em qual situação eu devo ir morar com você?
Ignorei a agressividade da pergunta.
-Como a mãe dos meus filhos, respondi calmamente.
-E como sua amante, também?!
Crispei minhas mãos.
-Não foi isso que eu sugeri, não distorça as minhas palavras. Eu disse que você era minha mulher, droga!
Falei exasperado.
-Pode tirar o seu cavalinho da chuva, Edward Cullen! Posso concordar em ir morar com você e nossa filha. Mas eu não estou à venda. Não sou uma pros...
-Nunca mais repita essa palavra! Que inferno! Eu nunca lhe pedi isso, Bella. Mas sei que a atração...
-Pare!
Pediu agitada.
-Ou o que quer que exista entre nós dois, é grande demais para ser ignorado por mim e por você. E não finja que não sabe disso também! Além do mais pude perceber que ela ainda não sabe que eu sou o seu pai. Você me fez uma promessa. E agora está me devendo mais esta, afirmei categórico.
Ela crispou os lábios e respirou profundamente.
-Não esqueci a minha promessa. Devo isso a minha filha. Vou conversar com a Renesme assim que você for embora daqui.
-Ótimo, porque eu não vou esperar nem mais um dia. Se você não contar, amanhã eu mesmo venho aqui e conto tudo, disse sem me alterar. Ela fitou o teto com se contasse mentalmente, tentando não explodir comigo. Cruzei os braços aguardando o que viria. Bella me fitou outra vez, fazendo-me cativo do seu olhar castanho e misterioso.
-E por quanto tempo vai me manter refém dessa situação ridícula?
Bradou.
-Não é nada elegante falar com o pai dos seus filhos desta maneira. Eu não sou um sequestrador e não estou fazendo de você uma refém, retruquei.
Ela sorriu com escárnio.
-Não me venha com balelas Edward! Fiz uma pergunta direta e exijo uma resposta!
-Bella...
Ela fez uma careta e eu segurei o riso.
- O fim justifica os meios, devolveu sagaz.
-Muitas vezes sim.
-Você ainda não respondeu a minha pergunta, disse tensa.
-Não sei ao certo.
Falei dando de ombros. Se dependesse da minha vontade elas morariam comigo para sempre, mas o melhor naquele momento era agir com prudência. Seus olhos estreitaram-se em fenda. Sua postura evidenciava o crescente desconforto.
-Como assim, você não sabe?! Estabeleça um prazo Edward!
-Perdi nove anos da vida dela. Não tenho como determinar um prazo para você agora. Vamos morar juntos, formar uma família e deixar as coisas fluírem, seguirem o seu curso natural.
-Não estou gostando, falou nervosa.
-Arrume suas coisas e venha para a minha casa. Vamos ver no que isso vai dar, devolvi tranquilo.
-E quando exatamente nós duas devemos ir para a casa da colina?
Agora mesmo, minha mente assinalou, mas eu preferi ir com calma.
-Que tal amanhã?
Sugeri. Ela pensou um pouco e acabou concordando. Um alívio enorme se apoderou de mim.
-Ok, então será amanhã.
-Excelente. Vou providenciar tudo o que estiver faltando para garantir o conforto de vocês, falei animado.
-Temos outro problema, disse respirando profundamente.
-E qual seria?
Indaguei. Depois que ela aceitou morar comigo, qualquer outro problema seria irrelevante.
-Ela quer continuar estudando na sua escola, em Lexington.
Meu semblante fechou.
-Não posso permitir que vocês fiquem morando lá, Bella. Falta mais de um mês para as férias de verão eu já esperei tempo demais.
Ela soltou um longo suspiro.
-Não estou pedindo para ir morar em Lexington, Edward. Sei que você não concordaria com isto. Pense um pouco. Nossa filha tem passado por muitas coisas ultimamente e tirá-la da escola que está acostumada a frequentar e onde estão todos os seus amigos vai ser um golpe doloroso demais. Achei que nós poderíamos resolver isto a colocando num transporte escolar ou até mesmo contratando um motorista para levá-la diariamente pelo resto do semestre. Afinal de contas é apenas uma hora de distância daqui.
Ela tinha razão.
-Pode deixar que nós vamos resolver isso da melhor forma possível. Tenho dois motoristas a minha disposição. Ela não vai precisar sair da escola. Pelo menos não agora.
Ela suspirou visivelmente aliviada e eu me preparei para sair.
-Não se esqueça Bella. Seu prazo está esgotando. Amanhã eu espero vocês duas à tarde na minha casa, sem falta.
Notas finais
Tiih.
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