Notas iniciais
Oi pessoal, como estão ? Tive alguns problemas pra postar na semana passada, Mais espero que tudo entre nos conformes de agora em diante.

PDV Isabella Swan.

Edward deixou o escritório, mas eu permaneci lá sentada, temerosa de que as minhas pernas não suportassem o peso do meu corpo caso eu levantasse agora. Respirei fundo, analisei a situação com o pouco de calma que me restava e escutei a batida seca da porta do carro dele e o momento exato em que o motor foi ligado. Suspirei buscando o fôlego que me faltava e que seria necessário para conversar com Jazz, Sue e especialmente para ligar para Ângela contando todas as novidades.

Eu ainda estava concatenando minhas idéias quando alguém bateu à porta. Jazz, eu tinha certeza.

- Bella?

Ouvi sua voz segundos depois.

- Entre.

Ele abriu aporta, mas hesitou em entrar.

- Está tudo bem?

Seus olhos azuis expressavam sua preocupação. Engoli em seco.

- Não Jazz, as coisas não estão nada bem. Mas vão ficar, eu falei.

- O que aconteceu?

Questionou com ansiedade. Respirei mais algumas vezes e despejei tudo o que estava me afligindo. Contei tudo. Tudo o que papai havia feito para destruir minha relação com o Edward, as mentiras, a história do falso noivado, minha conversa com Jacob, minha frustração, o desejo de Edward em conviver com a filha, a exigência dele para que eu fizesse parte do pacote da barganha sórdida, sua proposta absurda de formar uma família da noite para o dia... Enfim, de maneira resumida eu procurei esclarecer todos os fatos que tinham mudado a minha vida radicalmente.

- Bella, eu honestamente não sei o que dizer, falou depois de minutos de um silêncio profundo.

- Ele não me abandonou Jazz.

Ele assentiu.

- O seu pai arquitetou tudo muito bem. A família Cullen desapareceu sem deixar rastros. Todo este tempo, e eu nunca desconfiei de nada, Bella... Céus!

- Sue me confirmou cada detalhe.

A surpresa estampou os olhos azuis.

- Como assim?

Suspirei mais uma vez. Não só o cansaço mental, mas o físico também me dominava por completo.

- Papai confessou tudo o que fez em seu leito de morte.

- Meu Deus! Vocês dois foram vítimas. Vítimas inocentes nessa sujeira toda.- Concordei sem nada dizer. Ele prosseguiu pesaroso.

- É muita coisa para se absorver ao mesmo tempo. Confesso que estou me sentindo zonzo.

- Nem me fale, eu disse dando um sorriso triste. Ele inclinou-se em minha direção e segurou na minha mão por sobre a escrivaninha.

- Estou solidário com você anjo. Para o que der e vier. Sabe que sempre contou comigo e que sempre poderá contar.

Meus olhos encheram-se de lágrimas. Jasper me escutava, ponderava e dava sempre a sua opinião, mas nunca era intrusivo ou metido.

- Sim Jazz, eu sei. E não sei o que seria de mim e da Nessie se não fossem você e a Ângela me apoiando ao longo desses anos todos.

Ele correu para me abraçar e eu deixei as lágrimas virem à tona.

- Chore, faz bem a sua alma. Coloque para fora tudo o que está te incomodando, faz mal guardar tanta coisa represada aí dentro Bella.

Eu mal o escutava, mas no fundo sentia-me apoiada, amparada, aliviada. Ele me acalentou todo o tempo em que eu chorei. Já mais calma, limpei as lágrimas com as mãos enquanto ele fazia piadas infames sobre o meu nariz, me fazendo rir.

- Melhorou?

- Sim Jazz, obrigada.

- Não me agradeça. Amigos são para todas as horas. Sou o seu melhor amigo ou não sou?

- Claro que sim!

Exclamei sorrindo.

- É minha obrigação apoiar você, anjo, disse satisfeito.

- Mas mesmo assim obrigada.

Ele deu de ombros.

- O que pretende fazer agora?

Suspirei mais uma vez. E outra e mais outra.

- Ceder à chantagem dele, o que mais?! Eu não vou me arriscar a perder a minha filha Jazz.

- Bella, eu entendo o lado do Edward de querer a filha ao lado dele. Entendo perfeitamente, mas nós podemos lutar se esta for a sua vontade. Você ouviu a opinião de um advogado apenas. Existem vários advogados de renome em todo país. Eu posso consultar outro, pedir que uma firma especializada entre em contato com você.

Doce ilusão.

- Não vai adiantar Jazz.

- Como pode saber se não tentou?

Ele rebateu.

- Por que o meu sexto sentido me diz exatamente isso. Lá no fundo eu sei que não tenho escolha. Não me resta alternativa a não ser concordar com o Edward.

Ele me fitou zombeteiro.

- Intuição feminina?!

Gracejou.

- Sei lá. Não sei explicar ao certo, mas eu sinto.

- Ouça o seu coração Bella.

Engoli em seco com as sábias palavras dele.

- Tenho que deixar as emoções de lado nesse momento.

Ele me deu um olhar que falava mais que mil palavras.

- Tudo bem, eu vou respeitar sua decisão, mas num ponto eu tenho que concordar com a Sue.

- Não entendi.

- Se a questão fosse apenas a Renesmee, anjo, ele não teria problemas em partilhar a guarda dela com você. Mas ele exigiu que você fosse morar com ele. Você Bella. Pense um pouco... O Edward não te esqueceu. Mesmo depois de tanto tempo.

Revirei os olhos, disposta a ignorá-lo.

- Bella, pense bem, insistiu.

- Não tem o que pensar Jazz. O que nós temos é uma atração física incrível, uma química sexual poderosa e intensa. É uma coisa física, carnal, mas está muito longe de poder ser chamado de amor.

Ele me deu um olhar beligerante.

- Você também não o esqueceu, afirmou dando um meio sorriso.

Não respondi.

- E ele também me disse que você pode estar grávida novamente.

- Infelizmente a possibilidade existe, confirmei desviando meu olhar. Ele entendeu a mensagem.

- Se não quer falar sobre o assunto, eu entendo, mas lembre de que você nunca conseguiu se envolver com mais ninguém depois que o Edward saiu da cidade. Você nunca se permitiu amar outra vez Bella.

Jasper me conhecia muito bem. Sempre fora assim.

- Jazz, por favor...

Pedi numa súplica. Como eu poderia falar com ele a respeito dos meus sentimentos, explorar o meu lado emocional, se nem eu mesma conseguia entender direito o que estava sentindo?!

- Ok. Vou deixar você à vontade. Mas reflita sobre o assunto, pense no que o Edward desperta em você. Tenho absoluta certeza de que são os mesmos antigos e adormecidos sentimentos que os unem desde que vocês se reencontraram.

Dei-lhe um olhar atravessado.

- Você fala que eu sou cabeça dura, mas você não fica atrás Isabella Marie Swan... Quando quiser conversar, minha amiga sabe onde eu vou estar, falou carinhosamente, me desarmando.

- Tudo bem.

- O que vai fazer com a Nessie?

- Onde ela está?

- No terraço, brincando com a s bonecas novas, eu acho.

- Bom, tenho que contar a ela sobre o pai.

Ele me deu um amplo sorriso.

- Vai dar tudo certo. Ela é uma criança maravilhosa, respondeu.

- Eu sei, mas para mim, não será nada fácil, disse ansiosa.

Ele me deu um abraço encorajador e juntos saímos caminhando na direção do terraço da casa.

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PDV Narrador.

Jasper foi embora de Twilight enquanto Bella colocava Sue a par dos últimos acontecimentos, explicando a decisão que tomara. A madrasta consultou-a em relação a ouvir a opinião de outro advogado com experiência no ramo da Justiça de Família, mas Bella descartou a possibilidade. Jacob havia sido bastante claro e era primo de sua melhor amiga, ou seja, praticamente da família. Se existisse esperança ele com certeza, daria a ela.

- Quando vai contar a Renesmee?

- Agora.

- Fico tão feliz em ouvir isso, Bella. O Edward vai ser um excelente pai, querida.

- Assim espero Sue.

- Vou para o meu quarto para deixar vocês duas mais à vontade.

- Obrigada, Sue.

- Por nada. Se precisar de reforço, é só chamar.

- Sue?

- Sim?

- Quando vai viajar?

- Daqui a dois dias, respondeu sorrindo.

- Depois que eu me mudar, retruquei.

- Sim. Estou morrendo de saudades da Leah. Não vejo a hora de poder abraçar minha filha.

- Espero que dê tudo certo na Europa.

- E eu espero que você o Edward, desta vez, consigam finalmente se acertar, devolveu.

Dei um sorriso amarelo e virei de costas, chamando Renesmee para entrar e tomar um gostoso lanche.

Algum tempo depois...

- Puxa mãe, esse bolo tá delicioso.

Falou comendo mais um pedaço do famoso bolo de maçã e canela da Sue.

- E parece que você não almoçou hoje filha, eu disse me referindo ao apetite gigante dela.

- Almocei sim, comi tudinho.

Falou arregalando os olhos verdes ligeiramente. Engoli em seco e vi que não poderia mais adiar o assunto. Renesmee sabia que seu pai estava vivo e morava em algum lugar. Desta parte não haveria nenhum problema. Aceitando o conselho da sábia senhora Weber, eu preferi encontrar uma explicação lógica, o mais próxima da verdade quanto possível.

Quando suas perguntas começaram, ainda no jardim da infância eu havia dito que ela era filha de pais separados, assim como tantas outras crianças de sua geração. Na sua classe havia pelo menos cinco crianças na mesma situação. Quando ela passou a perceber que o pai não aparecia nunca, expliquei como pude que nós tínhamos namorado, mas que o relacionamento não havia dado certo. Assim, os pais dela haviam se separado antes que se dessem conta que eu estava grávida, esperando uma criança. Também fiz questão de observar que tinha certeza absoluta que se o pai a conhecesse, ele teria amado-a e desejando-a tanto quanto eu. Nessie não apenas havia aceitado minha explicação, como também compreendera e acreditara em cada palavra.

- Filha, nós precisamos conversar, disse eu.

- Ok, mas posso comer só mais um pedacinho?

Pediu fazendo a carinha do gato de botas do Shrek.

- Não.

Respondi segurando o riso. Mãe ter que ser firme.

- Por favor, mãe...

- Nessie! Você já comeu três pedaços enormes e daqui a pouco é hora do jantar, falei olhando para o relógio em meu pulso. Ela revirou os olhos e fez um bico emburrada, afastando o prato em minha direção, enquanto lançava um olhar de cobiça para a guloseima sobre a mesa da cozinha.

- Quer falar sobre o que?

Perguntou cruzando os braços sobre o peito. Respirei fundo, tentando encontrar a forma correta de abordar o assunto. Ela deu um salto da cadeira onde estava e veio sentar no meu colo, assustada.

- Está se sentindo mal, mãe?

- O que?

- Não vai desmaiar outra vez, vai?!

Sua aflição crescia a cada palavra. Abracei-a bem apertado.

- Não, meu amor, eu estou bem. Pode ficar tranquila.

- Verdade, verdadeira?

Perguntou ainda duvidando.

- Verdade, verdadeira, respondi com um amplo sorriso. Ela por fim relaxou.

- Então, fala mãe, disse me fitando ansiosa.

- O que você acha do Edward?

Ela me deu um sorriso tímido.

- Acho ele legal.

- Querida, nós precisamos conversar sobre o seu pai, retruquei esperando um bombardeio de perguntas.

- Sobre o meu pai?

- Sim.

- Por quê?

O olhar que ela me dirigiu indicava um profundo interesse.

- Bem...

Tentei clarear a voz dando um pigarro.

- Veja meu amor, o fato é que...

Eu buscava, mas as palavras pareciam faltar. As letras escorregavam garganta a baixo recusando-se a formar uma frase coerente e a sair de minha boca. Mas por onde começar? Esforcei-me para encontrar uma saída, quando ela se inclinou, aproximando-se, perscrutando meus olhos.

- Lembra que eu contei que eu e o seu pai namoramos quando eu tinha apenas quinze anos, que o namoro era escondido do seu avô, porque o seu pai era empregado aqui na fazenda, e que eu amava muito o seu pai?

Ela me deu um olhar cético, seguido por uma careta impagável. Minha filhinha estava crescendo rápido demais, pensei orgulhosa.

- Dãaaa... Claro que sim mãe! Eu lembro tudo. Tudinho viu? Não sou mais um bebezinho!

Respondeu chateada.

- Tudo bem filha, vamos falar sobre o Edward.

- O que tem ele?

Ela estava bastante interessada e eu gemi interiormente, pedindo o auxílio dos Céus naquele instante.

- O Edward era o meu namorado, filha.

Prendi a respiração, temendo por mim mesma, temendo magoar minha filha, aguardando sua reação. Nunca os segundos se arrastaram tanto em minha vida.

- O Edward?

Falou agitada, entrelaçando os dedos e soltando.

- Sim. Ele é o seu pai Renesmee.

Ela baixou a cabeça pensativa e o meu coração se apertou no peito.

- Filha?

- Ham...

- Tudo bem meu amor?!

- Tudo bem mãe.

- E então?

A ansiedade me engolfava.

- Então nada, falou baixinho.

Aquilo me surpreendeu além da conta. Onde estava a curiosidade imperiosa que a dominava constantemente?!

- É tudo o que você tem a dizer?

Questionei temerosa. Ela deu de ombros.

- Não sei. Sei lá. É esquisito...

Respondeu envolvendo minha cintura com seus bracinhos.

- Esquisito como?

Falei piscando algumas vezes, me sentindo como um peixe fora d’água.

- Faz tempo que eu não penso muito sobre isso, disse.

Respirei fundo tentando ordenar meus pensamentos.

- Bom, você quer perguntar algo sobre ele?

Ela sacudiu a cabeça negando. Afaguei carinhosamente seus cabelos cacheados, dando alguns minutos para que ela refletisse sobre a crucial informação.

- Nessie?

- Eu... Eu, er...

- Eu responderei qualquer coisa que você queira saber, com a maior honestidade possível, meu bem.

Disse sentindo que havia alguma coisa errada. Ela ergueu o rostinho para mim, mas logo desviou os olhos para o chão.

- Tudo bem, filha, vai ficar tudo bem eu prometo. Agora me diga o que está incomodando você?

— Será que ele vai gostar de mim?

Sentiu uma dor tremenda no coração quando vi a insegurança brilhando em seu olhar. Não consegui evitar as lágrimas. E estreitei novamente o abraço sentindo o corpinho delicado colado ao meu.

- O Edward ama você filha. Muito. Não percebeu a maneira carinhosa como ele tratou você hoje?

- E por que ele não disse que era o meu pai, mãe?

- Por que ele achava que quem tinha de fazer isso era eu minha linda.

Ela ficou em silêncio, refletindo sobre o que eu disse.

- Ele descobriu que era seu pai quando você ficou doente lá na Pousada, você lembra?

Minha voz estava embargada pela emoção.

- Sim.

- Quando ele deu banho em você, viu o sinal em suas costas.

- A meia lua?

- Sim, meu amor. Ele tem o mesmo sinal, igualzinho ao seu. Idêntico. E pelo que eu sei o seu tio Emmett, também.

A surpresa estampou a sua face infantil.

- O xerife?

- Sim, ele e o Edward são irmãos, respondi.

- Legal! Agora eu vou ter um tio de verdade!

Exclamou levantando e começando a dançar em volta da mesa.

- Que massa! Da hora! Quer dizer...

Falou me fitando outra vez com a dúvida presente em seu olhar.

- Não é mesmo? Quero dizer, você não se importa se eles dois o meu pai e o meu tio gostarem de mim, não é mesmo?

Estremeci involuntariamente. Ela estava preocupada comigo, com a minha reação. A insegurança dela transpassou minha alma.

- Não meu amor, claro que não. Eu acho o máximo seu pai e seu tio gostarem tanto de você quanto eu. Quer dizer, por mais que eles amem você, eu sempre vou te amar mais. Sempre.

- Eu sei mãe. Amor de mãe é maior que o mundo, respondeu.

- E tem mais uma novidade para você.

- O que é?!

- Nós vamos nos mudar para a casa dele amanhã, despejei de uma vez.

- Uau! A aquela casa grande lá em cima do morro marrom?!

- Colina. Sim, amanhã nós vamos para lá.

- Nós vamos ser uma família mãe?

Seus olhinhos brilhavam em expectativa.

- Acho que sim, filha. Acho que sim.

Falei desejando ao menos por enquanto encerrar a conversa com ela naquele ponto.

Notas finais
Bem até que a Renesmee levou numa boa a descoberta né.
Vamos comentar e recomendar que tal em...
Beijos
Kiki