Armadilha Do Destino.
2 Capítulo 2 - Revivendo o passado
Notas iniciais
PDV Bella
“Passava das três da tarde e eu resolvi me refrescar um pouco devido ao calor escaldante e abafado do verão. Subi as escadas e entrei em meu quarto cantarolando uma canção do Bom Jovi, abrindo o closet. Vesti um biquíni rosa novo, calcei os chinelos, peguei uma toalha de banho amarela florida, descendo os degraus de dois em dois em direção à sala. Papai surgiu inesperadamente com as mãos nos bolsos da calça jeans, um olhar de desaprovação. Estaquei.
-Onde pensa que vai vestida dessa forma?
Falou irritado. Charlie era meu pai, mas nós não nos dávamos bem. Minha mãe tinha morrido ao dar a luz e acho que de alguma forma em seu íntimo, em seu subconsciente, ele me culpava pela morte dela. Diante da pergunta eu dei de ombros e respondi.
-Para a piscina.
Ele abriu a boca como se fosse dizer alguma coisa, mas mudou de idéia. Deu-me as costas e andou em direção a um antigo móvel no canto oposto da sala, pegando as chaves do seu carro novo, um BMW.
-Vou ao clube jogar cartas.
Disse com secura.
-Vai demorar?
Perguntei ansiosa. Quando ele estava mal humorado assim eu achava ótimo ficar em casa sozinha.
-Sim, voltarei tarde. Por quê? Algum problema?
-Não. Só para saber mesmo. Tenho muita lição de casa para fazer.
Ele assentiu. Eu sempre tirava boas notas na escola, portanto ele não poderia duvidar. Impaciente olhou-me mais uma vez.
-Escute Bella, mandei o Cullen buscar o caminhão na oficina do Ben. O motor já está consertado e ele deve chegar logo. Receba as chaves e mande-o voltar amanhã, avisando que eu o pagarei pessoalmente. Espere-o aqui em casa e pelo amor de Deus deixe para ir nadar depois que ele for embora!
Esbravejou, olhando meus trajes com franca desaprovação, torcendo a ponta do bigode negro pegando seu chapéu e saindo em direção à porta. Minha respiração estava presa na garganta, meu coração batia tão forte que eu achei que papai pudesse escutar... Edward Cullen, o garoto que povoava os meus sonhos há semanas chegaria em breve e eu estaria sozinha... Uau. Respirei fundo, endireitei minha postura e caminhei em direção à piscina, ignorando as palavras duras do meu pai. Com 1,61m de altura, quadris arredondados, seios fartos, cabelos longos escuros e olhos castanhos, eu despertava o interesse dos rapazes da escola e aquela era uma oportunidade excelente de fazer com que Edward me notasse, já que eu parecia ser invisível para ele.
Sentei na borda depois de nadar um pouco e observei a água escorrendo pelo meu corpo. Sorri satisfeita observando os contornos curvilíneos que já possuía aos quinze anos. Minutos depois senti que era observada. Um frio estranho instalou-se em meu ventre. Virei-me. Lá estava ele, lindo como sempre, de pé, a camisa aberta revelando os pêlos do peito. Meu coração disparou, minhas pernas tremeram ligeiramente. Edward me encarava com olhos escurecidos pelo desejo. Engoli em seco, aprisionada pelo poder do seu olhar devastador. Olhar de homem. O minúsculo biquíni cor de rosa não escondia muito. Meu corpo estava quase todo à mostra. Como estava nadando, não ouvi o barulho do motor do caminhão nem a aproximação dele, que me fitou com uma expressão indecifrável, nos magníficos olhos verdes.
-Seu pai está?
Perguntou com os olhos fixos nos meus seios fartos. Não consegui responder. Sequer abri minha boca, negando com um simples aceno de cabeça.
-Está sozinha?
A surpresa tomou conta do seu rosto perfeito. Rosto que qualquer modelo na face da Terra daria a alma para possuir.
-Si... Sim, balbuciei fracamente.
-Vim trazer o caminhão, falou mostrando as chaves.
-Certo.
Meu nervosismo transparecia em cada palavra.
-O Ben disse que o motor está novo em folha. Onde devo deixá-las?
Perguntou balançando as chaves em sua mão direita.
-Aqui, respondi rapidamente, apontando para uma das espreguiçadeiras. Ele me fitou receoso.
-Posso ir até aí?
Questionou inseguro. Umedeci meus lábios com a língua inconscientemente. Ele observou o gesto estreitando os olhos em fenda, ficando ainda mais atraente. Se ele poderia ir até lá?! Eu tinha ido até a plantação de frutas por diversas vezes durante aquele verão, implorando, rezando, suplicando aos céus que ele me notasse que sentisse alguma coisa, qualquer coisa pela adolescente rica, filha de seu patrão. Agora eu tinha certeza de que alguém lá em cima gostava realmente de mim.
-Cla... Claro.
Estúpida! Pare de gaguejar e aja como uma mulher! Minha mente gritava silenciosa repreendendo-me. Ele aproximou-se até parar exatamente a minha frente. Lindo, másculo, viril, sedutor, sexy. O homem dos sonhos de qualquer adolescente boba de 15 anos como eu, materializado em carne, ossos, beleza e músculos. Edward tinha 21 anos, 1,85 m de altura e acabara de voltar da faculdade onde adquirira o diploma de engenheiro agrônomo. Ele estava passando o verão com sua mãe e seu irmão Emmett Cullen. Nossos olhares se perderam um no outro e o mundo parou. Não sei quanto tempo passou até que ele falasse novamente.
-A água me parece deliciosa. Posso experimentar?
Você pode fazer o que quiser Edward Cullen, pensei, mas não me atrevi a verbalizar. Limitando-me a consentir com um gesto de cabeça. Ele sorriu. Chegou mais perto e tocou no meu queixo de leve, começando a despir-se ficando apenas com uma cueca boxer apertada, que destacava todo o volume de seu membro. Olhando para baixo engoli em seco. As raras conversas que eu tinha com algumas amigas e o que escutava quando estava no vestiário da escola, não me prepararam para esse momento. Resolvi voltar para a segurança da piscina, mergulhando. Segundos depois braços fortes me envolveram, aquecendo minha pele, agitando meus hormônios, me arrepiando da cabeça aos pés, me fazendo querer mais.
-Onde pensa que vai sereia?
Disse sibilando com a voz sexy e rouca em meu ouvido. Não consegui responder. Sua pele enviava uma corrente de eletricidade à minha, me deixando totalmente consciente dele, que apenas me fitava, aguardando que eu desse o primeiro passo. E foi o que fiz. Eu já havia beijado dois rapazes, nada mais que isso. Tímida, aproximei meu rosto do dele e o beijei. A princípio apenas um simples roçar dos meus lábios no dele. Mas eu jamais estaria reparada para a avalanche de sensações que me atingiu num só golpe. Ele aprofundou o beijo invadindo minha boca com sua língua atrevida, mãos experientes, boca sedutora, virilidade a flor da pele. Edward me excitou ao extremo me tocando toda, me levando a loucura.
-Linda, linda, você é tão linda, tão macia...
Dizia me beijando até fazer com que eu perdesse o fôlego. Quando interrompi o beijo para poder respirar, ele tirou o sutiã do biquíni, passando a sugar meus seios ritmadamente, me fazendo queimar incendiada pelo desejo crescente.
-Edward...
Consegui gemer, agarrando firmemente seus cabelos acobreados, bagunçados e insanamente lindos como o dono.
-Você me deixa maluco Isabella.
Falou beijando meu pescoço e a linha do meu queixo.
-Deus... Esses seus cabelos... O cheiro deles é maravilhoso, único.
Disse percorrendo meu corpo de cima a baixo com as mãos. Provocando, atiçando. Um vulcão de emoções selvagens e até então desconhecidas explodiu dentro de mim.
-Eu quero você, Bella. Agora. Diga que também me quer, exigiu encostando o pênis endurecido em meu ventre plano.
-Sim, foi tudo o que consegui dizer.
Ele saiu da piscina e me trouxe junto, em seus braços, arrancando a calcinha molhada, deitando-me numa das espreguiçadeiras. Eu ia dizer que era virgem, que aquela era a minha primeira vez, pedir que ele fosse com calma, mas as palavras nunca chegaram a sair. Edward separou minhas pernas com um joelho e mergulhou os dedos em meu sexo, sorrindo ao constatar o quanto eu estava excitada.
-Você está pronta para mim, Bella.
Falou cobrindo meu corpo com o dele e enterrando-se dentro de mim. Soltei um gemido abafado de dor. A tensão me tomou por completo, me fazendo enrijecer por um momento. Ele retesou o corpo parando, dando algum tempo para que eu me acostumasse ao seu corpo. Em seguida começou a mover-se devagar, ondulando os quadris, subindo e descendo, fazendo com que eu o acompanhasse. O prazer começou a fluir devagar. Eu gemia, ele gemia de volta, apertando minhas nádegas, acariciando os meus seios. O mundo deixou de existir. Tudo parou no tempo e no espaço. Só existíamos nós dois ali, no final da tarde fazendo amor de forma intensa. As ondas de prazer foram aumentando enquanto ele acelerava os movimentos, levando-me junto. Quando pensei que não poderia mais suportar, uma torrente violenta me arrebatou, contraindo meus músculos ao extremo, tragando-me para o abismo do êxtase absoluto. “Com a mente ainda envolta em névoas, vi o momento em que ele lançou a cabeça para trás gritando meu nome, atingindo o clímax e desabando sobre o meu corpo jovem satisfeito e suado.”
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Rolei na cama mais uma vez, gemendo angustiada e sentei abruptamente. Meu coração batia acelerado, meus seios estavam túrgidos, minha vagina molhada, meu corpo ardendo de excitação. Outra vez. Outra maldita vez. Inferno! Era a terceira ou quarta vez que aquele sonho idiota me atormentava no último mês. Por que, droga?! Por que agora?! Era a pergunta que eu me fazia de forma incessante. Coloquei o rosto entre as mãos pedindo a Deus que me ajudasse. Por que eu tinha de reviver o passado?! Que espécie de tortura inconsciente era aquela?!
Suspirei chateada. Eu tinha de superar. Eu precisava. Dez anos. Dez anos haviam se passado e eu não conseguia esquecer Edward Cullen. Cretino! Infeliz! Por que aquele conquistador de meia tigela apareceu na minha vida?! Ele tinha me seduzido, roubado meu coração e me abandonado. E o pior de tudo foi descobrir que estava grávida, esperando um filho dele, um mês após Edward ter ido embora.
Exasperada olhei para o relógio digital na mesinha de cabeceira. Passava das três da manhã. Sabendo que não pregaria mais o olho naquela madrugada, decidi levantar e ir tomar alguma coisa na cozinha. Um chá, um suco ou qualquer outra coisa que me refrescasse e servisse para me acalmar um pouco. A freqüência com que aqueles estranhos sonhos vinham acontecendo estava me desgastando. Eu ia dormir cansada e acordava mais cansada ainda. Suspirei pesadamente.
Como estávamos sem hóspedes no momento na pousada, vesti a primeira coisa que encontrei, um roupão velho, jogando-o sobre a camisola de malha lilás, calcei os chinelos e saí do quarto, parando na porta do quarto de Renesmee, vizinho ao meu. Até o ano passado ela dormia comigo, mas ao completar nove anos, reivindicou o direto de dormir sozinha, argumentando que não era mais um bebê para continuar dormindo no quarto da mãe.
Abri a porta suavemente e sorri ao vê-la adormecida como um anjinho, os cabelos escuros espalhados sobre o travesseiro, um livro de estórias, As Crônicas de Nárnia, caído no chão ao lado da cama. Ela herdara os olhos verdes e intensos do pai, bem como o temperamento forte e decidido, mas os cabelos e o formato do rosto eram meus. Cheguei mais perto para cobri-la, engolindo em seco ao ver no alto de suas costas, no lado esquerdo, a mesma marca de nascença que Edward possuía. Um sinal escuro, do tamanho da palma de uma mão em forma de meia lua. Idêntico. A prova irrefutável de que ela era uma Cullen. Ajeitei as cobertas e dei um beijo em sua cabeça, retirando-me em seguida. A temperatura havia caído um pouco naquela noite e fazia frio, mas eu não senti. Fechei os olhos lembrando nitidamente da primeira vez em que o vi.
“... Edward estava sem camisa, trabalhando no campo, ajudando na colheita. Pequenas gotas de suor deslizavam por aquele tórax magro e definido e eu engasguei diante da visão espetacular, desejando ser uma daquelas gotas para poder acariciar a pele masculina. Dois dias depois eu estava no jardim quando o avistei no cercado, exercitando o cavalo do meu pai, sem camisa, usando um chapéu de cowboy, trazendo uma corda presa ao ombro direito, rindo e brincando com o animal. Ele parecia totalmente à vontade, relaxado, feliz. O sol acariciava seu lindo rosto. Foi ali que me apaixonei perdidamente...”
Suspirei, sacudindo a cabeça para afastar aqueles pensamentos masoquistas. Um calor familiar e inquietante me percorria de cima a baixo, a agitação interior me consumia. O sonho havia levado embora a minha paz. Abri a geladeira e olhei em seu interior achando uma jarra grande de inox com o chá mate que Ângela havia preparado na hora do jantar. Peguei um copo e enchi com o líquido amarelo escuro, tomando de uma só vez. O líquido gelado descendo pela minha garganta foi como um bálsamo em minha alma atormentada. Devolvi a jarra à geladeira e lavei o copo, recolocando-o na bandeja de copos sobre a bancada. Observando pela primeira vez que estava chovendo. Sorri. Nada melhor que um bom banho de chuva para mandar embora a inquietação que me dominava naquele instante.
Caminhei até a porta dos fundos, tirei o roupão, deixando-o sobre uma cadeira de ferro batido e saí sentindo o ar frio da noite e os pingos gelados me atingirem, dando-me uma gostosa sensação de liberdade, mas também trazendo à tona dolorosas lembranças. Fechei os olhos e não consegui segurar as lágrimas. Revivi cada momento que passei nos braços dele, as noites de paixão, o dia em que abri meu coração dizendo que o amava. Um riso amargo descontrolado brotou em meu âmago. Ele me iludiu, me usou. Fez de mim um brinquedo. E depois foi embora, me deixando para trás, como se nada tivesse acontecido. Chorei, sentindo a velha e profunda chaga reabrir. Abri os braços deixando a força da água torrencial me ensopar, prometendo a mim mesma que iria parar de sofrer por Edward Cullen. Eu tinha que tentar. Por mim e pela minha filha. Pelo bem de nós duas.
Música do momento:
Crying In the Rain (A HA)
http://www.youtube.com/watch?v=h-WPexVEujg&ob=av3e
I'll never let you see
The way my broken heart is hurting in me
I've got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I'll do my crying in the rain
If I wait for stormy skies
You won't know the rain from the tears in my eyes
You'll never know that I still love you so
Only heartaches remain
I'll do my crying in the rain
Raindrops falling from heaven
Could never take away my misery
Since we're not together
I pray for stormy weather
To hide these tears I hope you'll never see
Someday, when my crying is done
I'm gonna wear a smile and walk in the sun
I may be a fool but 'till then
Darling, you'll never see me complain
I'll do my crying in the rain
Since we're not together
I pray for stormy weather
To hide these tears I hope you'll never see
Someday when my crying is done
I'm gonna wear a smile and walk in the sun
I may be a fool but till then
Darling, you never see me complain
I'll do my crying in the rain ...
Tradução: Chorando Na Chuva
Eu nunca deixarei você ver
O jeito que meu coração partido está me machucando
Eu tenho meu orgulho e eu sei como esconder
Toda a minha tristeza e sofrimento.
Eu chorarei na chuva...
Se eu esperar pelos céus tempestuosos,
Você não distinguirá a chuva das lágrimas nos meus olhos,
Você nunca saberá que eu ainda te amo tanto.
Então, embora os desgostos permaneçam,
Eu chorarei na chuva...
Gotas de chuva caindo do céu
Nunca conseguiriam tirar meu sofrimento.
Porém, já que não estamos juntos,
Eu rezo por tempo chuvoso
Para esconder estas lágrimas que eu espero que você nunca veja.
Algum dia quando meu choro estiver acabado,
Eu vou exibir um sorriso e caminhar ao sol.
Eu talvez seja um tolo, mas até lá,
Querida, você nunca verá eu me queixar
Eu chorarei na chuva...
Porém, já que não estamos juntos,
Eu rezo por tempo chuvoso
Para esconder estas lágrimas que eu espero que você nunca veja.
Algum dia quando meu choro estiver acabado,
Eu vou exibir um sorriso e caminhar ao sol.
Eu talvez seja um tolo, mas até lá,
Querida, você nunca verá eu me queixar
Eu chorarei na chuva...
PDV Edward Cullen.
Eu parecia um leão enjaulado, andando de um lado para o outro em minha casa no alto da colina, em Caldwell, cidade do Texas. Era uma cidade pequena, onde todos os moradores se conheciam. Fiz questão de voltar para lá quando consegui vencer na vida. O menino pobre, rebelde, encrenqueiro, filho da viúva Esme Cullen hoje era um homem vivido, rico e muito respeitado. Eu havia me tornado um grande empresário do setor agrícola quando desenvolvi sementes geneticamente modificadas. Primeiro testei em frutas e legumes e depois em flores. O sucesso foi estupendo. Eu tinha contratos com empresas nacionais e internacionais. Minhas sementes eram exportadas para outros continentes como Europa, Ásia e América do Sul. Pessoas que antigamente viravam o rosto quando eu passava na cidade agora faziam questão de parar e me cumprimentar. Sorri amargo. Sociedade hipócrita. Respirei profundamente. A inquietação me dominava, meu coração estava apertado, meus ouvidos zumbiam. A conversa que eu havia ouvido no dia anterior quando fora a cidade não saía de minha cabeça.
Entrei no mercadinho do Sr. Crowley pegando uma embalagem com seis latas de cerveja, queijo fresco, pão e iogurte. Vários outros fregueses faziam compras àquela hora. O velho Crowley havia se estabelecido há muitos anos na região de fazendas e favorecia-se com movimento do comércio local. Dirigi-me a fila do caixa para pagar as compras quando trechos de uma conversa entre Tyler Crowley, filho do proprietário do estabelecimento e Mike Newton, dono da única loja de veículos da cidade, chamaram minha atenção.
“-Lembra dela?
-Claro que sim. Garota tímida, mas muito interessante.
-Faz tempo que não a vejo. Uns dez anos.
-Ela foi embora daqui com quinze anos Mike.
Disse Tyler, divertindo-se e mordiscando uma barra de cereal.
-Eu sei.
-Será que continua bonita como era?
Eu não estava gostando do rumo daquela conversa, mas me contive.
-Espero. Bella era linda. Rosto em formato de coração, cabelos longos e castanhos, olhos cor de chocolate, corpo escultural...
Senti como se tivessem dado um soco em meu estômago. Eles falavam de Isabella Marie Swan. A única mulher que eu havia amado em minha vida. E que também me humilhara e destruíra o meu mundo. Apertei os punhos com força, focando-me na conversa, transferindo meu peso de uma bota empoeirada para outra, ansiando por sair logo dali e voltar para o refúgio de minha casa.
-Sue conversou com minha mãe ontem e disse que provavelmente ela vem para passar o verão aqui, emendou Mike.
-O verão todo?
Quis saber Tyler curioso.
-Acho que sim. A saúde de Charlie está a cada dia pior.
-É eu soube que velho Swan não está nada bem. Sabe se ela casou?
-Acho que não. Sue e Charlie jamais falaram nada a esse respeito. E se estiver solteira, eu vou fazer uma visita em breve, você sabe como é...
O sorriso de Mike me deu nojo.
-Pode tirar o cavalinho da chuva Mike. Eu também estou nessa. Sempre achei Bella gostosa.
-E Lauren?
Mike questionou referindo-se a namorada de Tyler.
-Você sabe que só estou com ela por falta de coisa melhor.
Respondeu dando de ombros. Embora a conversa me provocasse ciúmes e náuseas, minha mente trabalhava rápido. Bella iria voltar à cidade?! A Caldwell? O ar pareceu faltar em meus pulmões.
-Sua vez Cullen, disse o velho Crowley, mas eu não ouvi. Meus pensamentos vagavam perdidos em lembranças num verão longínquo, ali mesmo na cidade dez anos atrás.
-Edward?
Com um sobressalto voltei para a realidade, vendo os dois jovens imbecis rindo da minha distração. Ignorei os moleques, votando-me para o dono, murmurando algo ininteligível. Minha voz soou estranha até para mim mesmo. Meus lábios estavam pesados, minha cabeça girava. Bella... O simples fato de levar minha mão ao bolso traseiro da calça e pegar a carteira parecia um enorme fardo.
-Desculpe-me, Edward, o que disse? Eu não entendi.
Questionou o velho senhor. Dei um longo suspiro.
-Pode fazer a conta Sr. Crowley, respondi colocando tudo sobre o balcão.
-Hum, deixe-me ver... São dezenove dólares.
Abri a carteira tirando uma nota de vinte e jogando sobre o balcão saindo apressadamente. Abri a porta da caminhonete cabine dupla e me acomodei ao volante, permanecendo ali inerte como um robô. Baixei os vidros elétricos, permitindo que a brisa fresca entrasse no veículo. Isabella Swan estava voltando para a cidade. Aquilo era tudo o que eu conseguira registrar.
-Você está bem Edward?
Perguntou Jasper Whitlock, pelo vão do vidro do carro aberto. Ele estava de pé, próximo à caminhonete e me fitava com curiosidade. Fitei-o sem qualquer emoção.
-Está tudo bem. Não precisa se preocupar, respondi com secura.
Os olhos azuis eram amistosos. Cerrei os dentes. Aquele homem era uma das últimas pessoas no mundo com quem eu gostaria de falar. O homem com quem Bella havia me traído. O mais interessante é que ele havia namorado minha grande amiga Alice Brandon por um longo tempo, mas as coisas não tinham dado certo para eles. Enviei-lhe um olhar gélido, cumprimentando-o com a cabeça por educação e dei partida no carro. Eu tinha passado metade da minha vida tentando esquecer Isabella e até estar com Jéssica Stanley, poucos dias atrás eu achava que havia conseguido. Mas bastou escutar o seu nome para que uma avalanche de emoções invadisse minha mente e perturbasse o meu coração. Eu havia amado Isabella mais que a mim mesmo, mas ela me usara para depois me rejeitar, me desprezar e me mandar embora da cidade. Maldita mulher! Esmurrei a direção, sem conseguir me conter.
Desviei o carro para o acostamento e desliguei o motor. Respirando profundamente para recuperar o controle. Ela que se preparasse, pois eu não era mais o jovem tolo e inexperiente que tinha sido aos vinte e um anos. Eu agora era um homem duro, de negócios, sério, solitário e implacável quando necessário. Meus olhos se estreitaram contra minha vontade, a memória se aguçando e mergulhando de volta ao longínquo passado.
“ ...Ocorria um verão especialmente forte naquele ano. O calor fumegava em ondas, partindo do céu, amornando a superfície das estradas, as calçadas e as casas em todo o estado do Texas. Recém formado pela universidade do Arkansas, retornei a minha cidade Natal, decidido a passar um tempo com minha família e trabalhar por alguns meses antes de procurar emprego numa empresa de renome. Como eu havia me envolvido em dois projetos de pesquisa na faculdade e sido monitor em algumas disciplinas, meu currículo era muito bom. De acordo com dois dos meus mestres, ele me abriria às portas de várias no País.
Em Caldwell estávamos na época da colheita, então muitas fazendas da região contratavam trabalhadores temporários e eu esperava por isso ansioso. Grupos de adolescentes, de várias idades, riam, conversavam e se amontoavam nas ruas, alguns passeando, outros apenas pedalando suas bicicletas. Era a minha primeira visita no espaço de quatro anos, desde o verão em que me graduei na Escola local.
Nessa mesma semana consegui um trabalho na imponente e soberba Twiligth, fazenda que pertencia à família de Charlie Swan, um dos homens mais ricos da cidade, há várias gerações. Ele plantava frutas de quase todos os tipos, como uvas, pêssegos, limões, melões, morangos, laranjas, pêras, maçãs. A pesar do clima seco da região, o velho Swan havia desenvolvido uma técnica pioneira de irrigação utilizando pela primeira vez ali na cidade a drenagem da água e o encharcamento do solo. Aquilo me encantou, pois era o que havia de mais moderno no momento. O resultado foi que a safra daquele ano havia sido a melhor dos últimos dez anos. Além disso, outra coisa naquela fazenda também me fascinava completamente, a filha única de Charlie Swan. Sua herdeira. A primeira vez que eu a vi eu a quis. Bella não era mais uma garotinha tímida e desengonçada, ela desabrochara e havia se transformado numa linda mullher, embora contase apenas com quinze anos. Ela povoava os meus sonhos, me deixava duro e ardendo de desejo.
Seu corpo perfeito, de pernas torneadas, cintura fina, bunda empinada e seios fartos me deixaram hipnotizados. Ela vinha vez por outra ao pomar. Sorria, ajeitava os longos cabelos, perambulava um pouco e depois ia embora. Um fruto proibido, a chave de todo pecado, da libido, uma tentação em forma de adolescente para mim e para todos os outros trabalhadores. Eu me vi perdidamente atraído, envolvido e apaixonado. Mas eu sabia que aquilo era impossível. Pertencíamos a mundos diferentes, opostos e o velho Swan, por mais que gostasse e reconhecesse o meu trabalho, jamais aceitaria que um sujeito como eu, um reles empregado, saísse ou cortejasse a sua herdeira. Jamais. Fiz tudo o que pude para ignorá-la, tirá-la do meu sistema, esquecer, resistir aos encantos da menina-moça, mas o destino nos surpreendeu. Ao invés de nos separar, ele nos uniu. Duas semanas após ter começado meu trabalho em Twilight, eu a teria em meus braços e seria o primeiro homem a possuir aquele corpo lindo, macio, cheiroso e tentador. Bella havia entrado na minha vida virando tudo de pernas para o ar.”
Notas finais
veroka.
Nilcia.
julicosta.
elispreta.
ceciliamarlene
Sandra Nascimento Pena
Paula Marques
Lady_Fany
yarabastoss
Obrigados meninas e Valeu Também pelas 121 reviews vocês são d+.
.
Agora que eu to curiosa pra saber que armação e esta que rolou, a se to.
Bem Meninas amanhã tem mais.
Esta fic será postada de Sexta e Sábado (exceto quando eu tiver alguns imprevisto).
Beijocas
Kiki Cullen.
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