Aquele que Juntava
38 Capítulo 38 – SEPARAÇÃO
Tensão. Todos parados olhando a volta repentina de Magali. A garota retornou gritando coisas estranhas para os ouvidos dos outros. Seu rosto parecia sujo de lágrimas, mas nada que a impedisse de demonstrar confiança em si mesma.
– Largue ela, Jean! Você não quer machucá-la!
– Cale-se! – A voz distorcida do Assimilador era tenebrosa.
– E não fale assim comigo, mocinho! Senão eu vou te botar no castigo!
– Pare de me tratar como criança! Sua insolente!
Pela primeira vez, o grupo sentiu vontade de rir. O inimigo, tão poderoso e frio antes, parecia sinceramente incomodado por uma questão infantil. Magali continuava irritando-o.
– Você pensa que é muito bom, mas não passa de um bebê chorão! – Riu Magali de braços cruzados.
Não queria ter dito isso. Provocava o Assimilador apenas para que ele largasse sua amiga, o que conseguiu com êxito. O inimigo caminhou velozmente até Magali e parou em sua frente, encarando-a. Ele precisou se curvar um pouco para chegar à sua altura.
– Criatura horrenda! – Disse Magali, quase que com um cochicho. – Se aproveitando das crianças inocentes para realizar suas maldades. Saia já daí!
– Cala a boca, sua va...
Repentinamente, o Assimilador recuou dois passos. Magali, por sua vez, sentiu algo diferente. “Só eu posso ajudá-lo. Os outros não vão entender assim fácil!”. Um impulso levou-a a correr em direção a montanha atrás do centro. Havia uma caverna lá. Era pra lá que tinha que ir.
– O que está fazendo? – Gritou Astronauta recuperando-se da inconsciência. – Deveria estar com os presos!
Magali continuou a correr. Todos gritavam perguntando o que ela estava fazendo, ou o porquê dela estar ali. Deveria correr mais rápido, pois o Assimilador já estava em seu encalço.
O inimigo já erguia sua lâmina. Precisava de apenas um golpe para derrubar Magali. Um golpe certeiro, acertando a nuca. Só mais um pouco, apenas mais um pouquinho. Decidiu que voar seria melhor. E voou.
O inimigo se lançou como um torpedo em direção à Magali. A garota se assustou, apertou o passo e, na boca da caverna, abaixou-se. O Assimilador voou por cima de seu corpo e entrou na caverna com tudo, acertando o fundo.
O efeito do golpe foi inacreditável. O chão todo do lugar tremeu, e a boca da caverna começou a ruir. Logo, aquela boca estaria tampada por inúmeras rochas que se desprendiam da montanha.
– Magali! Saía daí antes que a caverna desmorone! – Gritou Cascão, feliz. Em sua cabeça, o Assimilador ficaria preso naquela caverna eternamente. – Vamos! Missão completa!
– Não! Ainda não está completa! – Gritou ela em resposta. O som abafado pelas pedras que caíam e que estavam prestes a cair. – Desculpa! Eu vejo vocês mais tarde!
– Do que está fal...
E Magali entrou na caverna. “Louca”, gritaram todos. Mônica chorou pela amiga. A boca da caverna estava finalmente coberta, e Magali estava lá dentro com o pior pesadelo de todos ali: O Assimilador.
– Jean, cadê você? – Perguntou Magali. Estava escuro demais. – Jean, apareça! Sei que você ainda está aqui dentro! Eu só quero conversar!
– Acha mesmo que eu quero conversar?
Luzes provindas de pequenas bolas roxas iluminaram o lugar. O Assimilador apareceu em frente à Magali e ergueu-a pelo pescoço. A outra mão já engatilhada, pronta para desferir um golpe fatal.
– Sua moleca! Sua idiota! Mulher imbecil! – O Assimilador continha uma lista de impropérios digna dos melhores ofensores. – Farei sua cabeça rolar e...
O Assimilador parou de falar quando Magali gentilmente tocou-lhe sua face sobre o capacete. Ela tinha um olhar piedoso, que fez o Assimilador calar-se no mesmo instante. Se o inimigo possuía um coração, este fora tocado.
– Me solte. Vamos acabar com tudo isso de dimensões e vamos acabar com sofrimento. Mas eu quero que você não sofra mais também – Magali começou a chorar pelo inimigo. – Eu agora quero, pessoalmente, que você seja feliz!
O capacete do inimigo derreteu como água, revelando a face cansada do inimigo. Ele estava num estado de fúria desconcertante, seus olhos reluziam, vermelhos como sangue.
– Você está mentindo! Vocês sempre mentem! Mentem para me apunhalar nas costas!
– Sei que você está com medo e sei que perdeu a fé em todos, mas você precisa confiar em mim! – Implorou Magali, agora acariciando os cabelos do inimigo, que parecia confuso. – Você precisa se livrar dessa coisa maligna que está lhe mandando usar esses poderes para o mal.
O Assimilador soltou Magali e caiu sentado no chão, observando o rosto da garota. Ele parecia confuso, olhava para o chão, olhava para Magali, olhava para a entrada na caverna. Olhava para tudo ao redor, mesmo que não houvesse nada.
– Que tal? – Perguntou Magali, sem ao menos reparar no seu pescoço vermelho pela ação das mãos do inimigo. – O que acha de fazer tudo voltar ao normal...
– O normal de vocês é bom. O meu não – Interrompeu o Assimilador com a voz mais calma. – Eu não sei o que você sabe sobre mim.
– Tudo. Ou quase tudo – Riu a garota. – O que eu quero, Jean, é que tudo volte ao normal e que você ganhe aquilo que nunca ganhou antes: Amor.
E a garota entregou ao Assimilador aquilo que ele nunca ganhou antes: Um abraço. O inimigo mais poderoso e perigoso, assim diziam, fora derrotado com um simples abraço.
– Desassimilar – Disse o inimigo.
E o incrível aconteceu. A armadura do Assimilador simplesmente sumiu e uma luz irrompeu no centro da caverna: Ângelo estava de volta.
– Desassimilei também o outro anjo, aquele que me dava ordens – Disse Jean, ainda como um adolescente. – Se eu não o fizesse, os dois provavelmente se Assimilariam ao meu corpo para sempre.
Uma fumaça roxa rodeou o corpo de Jean, fazendo-o voltar à forma de criança. Seu corpo pequeno, fraco e sujo finalmente reapareceu. Magali ajeitou os cabelos do garoto, que de cabeça baixa pensava naquilo tudo que havia feito.
– Você não fez nada de mal – Dizia Magali, ao ver que o garoto estava a ponto de irromper em choro. – Agora, como nós fazemos tudo voltar ao normal?
– Só preciso de alguma energia para isso – Respondeu Jean. – Gastei toda minha energia na batalha lá fora.
– Mas você não era todo-poderoso? – Perguntou Magali erguendo uma sobrancelha.
– Balela. Era apenas para assustar vocês. Tenho vários poderes, mas preciso de energia para usá-los. E, infelizmente, só consigo energia pelo ódio.
Magali riu. O garoto corou por ter revelado uma verdade tão idiota. “Bobinho”, disse Magali antes de ser atirada para longe do menino.
– Idiota! Acabou com meus planos!
Ângelo se dirigia contra Magali. Sua mão pronta para acertar alguns socos na garota. Jean entendeu mais rápido que todos:
– O Anjo-negro se apossou do Anjo?
Notas finais
Obrigado à todos os leitores fiéis que acompanham essa obra desde seu surgimento. Se quiserem fazer alguma pergunta, saibam que responderei (Quase) qualquer coisa.
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