Aquele que Juntava

28 Capítulo 28 – CONVERSA


– Que horas? – Perguntou Jean sentado em frente à porta da sala. Já haviam passado horas desde que os dois meninos pararam de brincar e conversar. Conversaram sobre futilidades: Skate, desenhos animados e quadrinhos, games. Grande parte dos assuntos Jean Nido não sabia, transformando Dudu numa espécie de professor de diversão.

– Sei lá. Tenho cara de relógio por acaso?

Os dois riram da besteira. Queriam sair da sala, mas estavam cansados e sonolentos. Seria má idéia sair da sala não sabendo sobre a localização do Assimilador e não sabendo se outras criaturas andavam pelo corredor. Sem contar que estava escuro, mesmo com o lustre aceso. Se uma sala com lustre aceso parecia mal-iluminada, imagine um corredor sem ao menos uma tocha.

– Estou com saudade de casa – Dudu levou a mão aos olhos. Falou então com a voz chorosa: – Por que isso tudo tem que acontecer?

Jean encarou o amigo por um tempo. Tentou falar algo para reconfortá-lo, mas nada saía de sua boca. A única idéia então foi mudar de assunto:

– Ei... Dudu – O menino conseguiu chamar a atenção do amigo. – Você foi meu primeiro amigo, sabia?

– Sério mesmo?

– Sim. Nunca tive muitos amigos.

– Não teve por que não quis ou por que ninguém quis?

O menino coçou a nuca. A pergunta foi meio confusa inicialmente. Depois de um tempo raciocinando, Jean respondeu:

– Pelos dois motivos. Eu nunca tinha tempo para fazer amigos.

– Por quê?

– Porque eu ficava com mamãe o tempo todo ajudando ela. Ela está muito doente, sabe?

– Sinto muito.

– Mas, ela está bem! E a sua?

– A minha nunca fica mal. É um saco. A mulher não me deixa em paz!

– Deveria valorizar mais ela. Talvez ela não te deixe em paz por gostar muito de você.

– Sim, mas...

Dudu ficou sem jeito perante a resposta do amigo. Coçou a nuca, olhou para o teto, encarou Jean, mas não conseguiu falar algo que fosse de contra com o último argumento do amigo.

– Amanhã vamos sair desse lugar? – Perguntou Dudu, desta vez mudando de assunto.

– Vamos sim. Creio que seja melhor dormimos primeiro.

– Não era melhor alguém montar guarda pro caso do Assimilador aparecer?

– E o que nós vamos fazer se o Assimilador aparecer? Bater nele?

Dudu riu, e após isso fechou os olhos e dormiu.

Dudu acordou só. Olhou ao redor e viu os restos mortais da mesa quebrados. Estilhaços de pratos se espalhavam pelo chão numa cena que parecia ter sido retirada de algum filme de terror.

– Um furacão passou por aqui? – Dudu levantou-se rapidamente, olhando ao redor. – Jean, o que aconteceu por aqui? Jean?

O garoto olhou ao redor e reparou que o pior não era a mesa quebrada ou os estilhaços: Era uma pequena marca de sangue que se encontrava no lugar onde Jean Nido dormia. O pior de tudo isso era que o garoto não estava por perto.

São nessas situações que as pessoas começam a agir de maneira impensada: Dudu abriu a porta sem lembrar-se do cão que antes o perseguira. Felizmente, constatou que o cão não se encontrava por perto, assim como o Assimilador.

– Gotas de sangue! – Descobriu o garoto ao ver algumas gotas vermelhas indo em direção à esquerda daquele corredor em T.