Aquele que Juntava

27 Capítulo 27 – NOVA AMIZADE


Deus lá sabe qual foi a motivação e a força do menino Jean ao intensificar a corrida, passar Dudu e abrir a porta no chute. Graças a todos os santos a porta estava aberta. Os dois entraram rapidamente e fecharam a porta, trancando-a logo em seguida.

– Será que deu? – Perguntou Dudu ofegante.

BUM! O cão batera de cabeça na porta e ganiu. Nenhum barulho a mais foi escutado após isso. Os meninos se entreolharam. Pensaram em abrir a porta, mas logo deixaram a idéia de lado. Os dois caíram sentados no chão.
– O que tem na cabeça do Assimilador pra botar um cão daquele tamanho por aqui? – Perguntou Dudu ofegante.

– Bem, talvez a cabeça dele só tenha cabelos.

Dudu riu da piada. Era bobinha, mas ainda era uma piada. Os dois então pararam de se encarar e passaram os olhos pela sala que estavam. Era uma espécie de salão: Iluminado por um lustre pendurado no teto, havia uma mesa repleta de pratos, todos cheios dos mais variados tipos de alimentos.

– Comida! Comida! Comida! – Gritou Dudu dirigindo-se a mesa e puxando uma coxa de galinha de um dos pratos. – Não vai comer?

– To sem fome – Respondeu o menino ainda sentado.

– Sem fome? – Perguntou Dudu com espanto. – Mas, você está magro pra caramba! Parece que não come há dias!

– Parece?

– Bastante.

– Bem...

O menino se levantou. Foi até a mesa e comeu um pouco de tudo na mesa. O almoço, aliás, apareceu bem no tempo certo. Dudu estava com fome até então.

– Nunca comi tanto na minha vida – Dudu lembrou-se do tempo em que comia pouco. Chegou até a sentir nojo daquela época. – Você nem tocou na comida. O que houve?

Jean suspirou e sentou na cadeira próxima a ele. O menino olhou para o chão um tanto desanimado.

– Como você veio parar aqui? – Perguntou Dudu.

– Eu comecei a seguir o Assimilador faz um tempo – Respondeu o menino de pronto. – Eu o ouvi falando o plano dele consigo mesmo. Ele disse que só queria melhorar o mundo. Quer dizer, não há nada de errado nisso, mas...

– Há sim! – Interrompeu Dudu. – Ele está querendo fazer isso à força! Parece que ele não enxerga isso!

– Pois é. Eu tentei falar isso pra ele o tempo todo, mas ele não ouvia. Eu até o segui numa florestinha antes dele fazer... Isso...

– Sei.

– A primeira coisa que ele fez ao mudar tudo foi procurar a presença daquela pessoa que o seguia. Ele foi atrás de mim, mandando eu e meus pais até aqui.

– Só... – Disse Dudu com ar de entendido.

Dudu então atirou o ossinho que estava em sua mão no cabisbaixo Jean Nido. O menino olhou sério para o osso que o atingira e depois para o seu atirador.

– Ei!
Dudu então atirou outro ossinho no seu parceiro.
– O que está fazendo? – Gritou Nido levantando-se e pegando um ossinho do chão.

– Aposto como você não me acerta! – Riu Dudu atirando mais um ossinho.

– Seu...

Após isso, os garotos começaram a atirar ossinhos um no outro. Dudu ficou um pouco preocupado com a reação de Jean, mas logo notou que seu objetivo fora cumprido: Jean Nido sorria enquanto retaliava.