Aquele que Juntava

24 Capítulo 24 – A VONTADE DE CAMINHAR


O clima ficava cada vez mais frio. Era inverno, tudo bem, mas ainda assim o frio estava bastante forte. Não era bem o frio que preocupava Franja e Astronauta – Que havia chego no dia anterior –. O que preocupava era o fato do céu não ter perdido a coloração vermelho-rubra.

– Será que o céu não vai voltar ao normal? – Perguntou Franja encostado numa parede olhando para o céu.

– Dentro de alguns dias, a Terra não vai agüentar tanta energia – Astronauta suspirou. Estava cansado, pois havia trabalhado junto a Franja na reconstrução da armadura.

– E aí não haverá mais céu, né?

Astronauta suspirou novamente, voltando ao trabalho. Não disse nada, não queria dizer nada, não queria preocupar ninguém. Era um não atrás do outro. E Astronauta odiava dizer a palavra “Não” quando não devia.

Como dito antes, o Astronauta chegou no fim do dia anterior, carregando sua armadura com a ajuda de Cascão. As crianças do mercado decidiram ficar no mercado, uma vez que lá era um lugar mais seguro. Para qualquer eventualidade, Astronauta deixou uma espécie de robô para cuidar dos pequenos.

– O Dudu some, a Mônica está depressiva, o Assimilador está indestrutível, o Mundo está pra acabar e nós não podemos fazer nada! – Reclamava Magali comendo um pão encontrado na despensa. – Eu estou ficando com medo, gente! E o Dudu! Meu Deus! Ele deve estar sofrendo horrores agora!

Magali chorava. Tudo o que o pessoal podia fazer era tentar acalmá-la. Entre um “Vai ficar tudo bem” e “Calma, calma”, a situação parecia apenas piorar. Afinal, o inimigo era agora um ser poderosíssimo e odiado. O ódio é sempre um sentimento ruim, mas nesse caso era o pior que poderiam sentir, afinal, era a raiva e o ódio que davam poderes ao Assimilador.

– Como delotar um inimigo desglaçado que não pode ser odiado? – Perguntou Cebola com as pernas cruzadas.

– Enchendo ele de tiro! – Respondeu Chico emburrado. – Ele pode ser poderoso, mas inda é gente!

– Não é! – Gritou Cebola. – Nunca foi! AQUELE PALHAÇO É MALUCO, E SÓ! NÃO É GENTE, É APENAS UM ANIMAL IRRACIONAL! E EU NUNCA IREI PERDOÁ-LO!

Todos olhavam assustados para Cebola. Sua expressão, sua voz, sua respiração, tudo nele emitia ódio. Emitia raiva.

– ELE NÃO PODE SER DELOTADO! ESTAMOS PELDIDOS! AH! COMO EU QUELIA BOTAR MINHAS MÃOS NELE! EU ILIA FAZER ELE SANGLAR ATÉ...

– Chega! – Gritou Mônica abrindo a porta do quarto onde dormia com violência. – Cala a boca, Cebola!

Todos agora olhavam assustados para Mônica. A menina parecia ter voltado ao normal, o que alegrou Magali. A menina veio determinada em direção ao amigo. Ela discursava enquanto caminhava.

– Nós não sabemos quem ele é, de onde veio e qual sua motivação – Mônica parecia defender o inimigo. Estranho? –. Logo, não podemos dizer que não podemos derrotar ele! Sempre conseguimos driblar nossos problemas. Ou não?

Todos concordaram com Mônica. Não havia problema, até aquele dia, que não havia sido resolvido.

– Então Cebola, por favor, não diga que não podemos derrotar o Assimilador! Porque vamos!