Aquele que Juntava

37 Capítulo 37 - ADEUS À ESPERANÇA


Magali estava extremamente confusa. Jean? Que história era aquela? E por que Dudu parecia mais desesperado em dizer para Magali salvar este tal de Jean do que tirá-lo dali? O que diabos estava acontecendo?

– Quem é Jean? – Perguntou a garota, demonstrando toda a confusão que fora descrita. – E pra que esse desespero todo?

– Tenho certeza que você não veio sozinha! Que os outros farão besteira! – Gritava Dudu com pressa. – Vou tentar explicar pra você bem rápido!

– Explica logo então, criatura! Você está me matando!

– Jean é o nome do Assimilador! Jean Nido! Ele é uma criança, acho que um ou dois anos mais novo que eu! Ele está disfarçado como adulto para que não o subestimem! Ele começou a fazer isso tudo por causa que uma voz começou a agir na cabeça dele, dizendo o que deveria fazer e dizendo que seria bom, mas na verdade é mal!

Magali dificilmente compreendia algo que o garoto dizia. Era de uma velocidade inacreditável. Dudu prosseguiu com seu discurso:

– Essa voz que está fazendo ele agir dessa forma esquisita, pois ele na verdade é apenas um cara como eu. Mas ele tem medo! E a mãe dele é doente! E o pai também!

– Mas, ele tem medo do que, exatamente? – Perguntou Magali. – E qual é essa doença que os pais dele têm?

– Idiota! – Gritou Chico Bento mirando sua arma. – Cê não tem vergonha, não? Seus pai deve di ta muito decepcionado com ocê.

– Dane-se o que meus pais pensam – Bradou o Assimilador, sem perder sua compostura.

– Assimilador! – Gritou Astronauta, atraindo a atenção e o silêncio do inimigo. – As conseqüências serão irremediáveis! A união das dimensões trará calamidades em breve. O planeta não irá agüentar e irá explodir.

– Você acha que eu não sei disso? – Perguntou o inimigo, girando a espada entre os dedos. – Você acha que eu não quero isso?

– Deixe de loucura! – Gritou Mônica, se pondo ao lado de Astronauta. – Você imagina quantas pessoas sofrem por sua causa? Seu plano não faz sentido? Para que destruir o mundo? Se você quer mesmo desaparecer daqui, então vá sozinho!

– Não, todos merecem ir comigo – Riu o inimigo. – Esse mundo só possuí pessoas de mal-caráter, jovenzinha. Tudo aquilo que dizem sobre “Alegria”, “Caridade”, “Honestidade”, nada disso existe neste lugar. As pessoas são egoístas. Elas não estenderam suas mãos a quem precisava. Agora, eu não estenderei a minha mão.

– Serei breve novamente, Assimilador – Interrompeu Astronauta. – Se você separar os mundos novamente, sua sentença no julgamento interplanetário não será tão severa! Eu prometo! Mas, caso você não acatar minha proposta...

O Astronauta abriu a palma de sua mão e a estendeu em direção ao Assimilador. O jovem olhava tudo com curiosidade. “Não”, disse ele em tom de deboche.

– Então, terei que apelar ao modo ruim.

Um raio dourado saiu da palma da mão do Astronauta. O que seria um golpe avassalador acabou sendo repelido calmamente pela espada do inimigo. Após isso, ele apareceu subitamente em frente ao inimigo.

– Vocês vão se arrepender amargamente de terem aparecido por aqui.

Um chute bastou para mandar o Astronauta para longe. Por trás, Mônica ergueu seu punho e tentou socar o inimigo em vão. Com um rápido desvio, o inimigo parou atrás da garota, segurando-a pelos cabelos.

– LARGA ELA! – Gritou Cebola puxando a faca e esquecendo completamente seu plano.

– Criança tola! – Gritou o Assimilador empurrando Mônica para frente.

Cebola ficou tão irritado com a atitude do Assimilador que, empurrando Mônica para o lado, tentou cravar sua faca no peito do inimigo. O Assimilador largou sua espada e segurou a faca – Obviamente pela lâmina – com sua mão direita. Cebola sentiu que havia cortado ao menos uma parte da mão do inimigo, mas este parecia não ter sentido.

– Eu não sinto tanta dor como você pensa – O Assimilador apertou forte a faca, esfarelando-a. – E você é mais idiota do que pens...

Um tiro laser ecoou da arma de Chico, acertando o inimigo certeiramente no braço direito. Todos sabiam do histórico de ferimentos causados naquele braço e queriam tentar se aproveitar disso. O Assimilador demonstrou raiva ao ser atingido.

O Inimigo finalmente abriu suas asas, deixando todos boquiabertos. As asas vermelhas se estenderam magnificamente, sendo maiores que aquelas ostentadas por Ângelo. Chico disparou mais uma, duas, três vezes, fazendo o Assimilador tomar vôo para se esquivar dos disparos.

O quarto disparo foi segurado pelo Assimilador. O rapaz simplesmente pegou o projétil Laser com as mãos e atirou de volta, numa demonstração histórica de força e resistência. Todos saíram do caminho do projétil.

– Quem pensam que são? Eu sou mais poderoso que vocês, entretanto vocês continuam a teimar em me derrotar! Não percebem que isso é impossível?

Uma minúscula pedra acertou a cabeça do Assimilador. Era Cascão. O rapaz atirou outra, e outra, e outra. O Assimilador assistia essa atitude “Desrespeitosa” com assombro.

– Insolente! – Disse, lançando vôo em direção à Cascão.

O rapaz não pensou duas vezes em correr em direção oposta ao inimigo voador. Cascão, por ser esportista nato, Cascão era eximiamente veloz. Correu desviando de alguns disparos de energia lançados pelo vilão. A cada desvio, Cascão soltava:

– Ai caramba! Pelo amor do Senhor Suíno! Pelas barbas gigantescas do Papai Noel! Agora!

– Agora? – Perguntou o Assimilador.

O inimigo acabou não vendo que Zé Lelé esperava-o alegremente com sua pá em mãos, pronto para desferir um golpe com toda sua força. Quando a palavra “Agora” ecoou em seus ouvidos, ele mal notou que Cascão ainda estava na rota de colisão com a pá, mas isso não era grande problema. Afinal, o Jovem Cascão, como bem sabemos, é um praticante de Parkour: Ele pulou por cima da pá em movimento.

A pá acertou o rosto do inimigo em cheio, produzindo um barulho assustador. O Assimilador rolou pela terra e parou em pé, ainda um pouco zonzo com o impacto. Ficaria um pouco mais zonzo com o impacto que se seguiu. O Astronauta, com sua armadura gigantesca, veio de encontro com o inimigo, derrubando-o com uma forte encontrão.

Astronauta se valeu do peso e do tamanho de sua armadura para se por sobre o corpo caído do Assimilador. Quando ele ergueu seu punho mecânico, o inimigo rapidamente tentou proteger o rosto com uma súbita expressão de espanto.

– Tão poderoso, mas ainda tem medo – Riu o Astronauta. O punho ainda erguido, hesitando entre o bater e o não-bater. – Renda-se Assimilador. Você perdeu.

– Perdi o quê? – Gritou o Assimilador, cuja expressão mudara de terror para ódio. – O que tenho para perder? Você não entende? Humano miserável!

Labaredas de fogo roxo subiram de onde o Assimilador estava e mandou o Astronauta para longe. O fogo cobriu o corpo do Assimilador por completo e, quando baixou, o inimigo estava mudado.

Ele ganhara uma armadura roxa que cobria todo o seu corpo. Sua espada sumira, dando lugar a duas lâminas afiadíssimas, encravadas em seus pulsos. Suas asas sumiram, dando lugar a uma capa longa e vermelha.

– Maldição! – Gritou Astronauta. O leitor de energia de sua armadura havia estourado. – Ele está mais poderoso?

Astronauta acionou todos os equipamentos de defesa da armadura e foi ao ataque. Uma espada laser saltou da cintura de sua armadura e foi parar em sua mão. A espada foi acionada em seu máximo de potência: A lâmina era tão grande que Astronauta temia atingir a si mesmo a cada movimento que fazia.

O herói desferiu vários golpes com sua espada. Ele gritava com fúria. Precisava acertar o Assimilador, ou o futuro da Terra estaria comprometido. O Assimilador apenas dançava, desviando de cada golpe efetuado. Em certo momento, ele rebateu a espada com uma de suas lâminas e, com a outra, golpeou velozmente a armadura de seu oponente.

O efeito foi espetacular: Após vários cortes, o Assimilador chutou seu oponente para longe. A armadura explodiu no ar, em frente aos olhos desesperados de todos. O Astronauta, com sorte, conseguiu tempo para ejetar.

O Assimilador era a fúria personificada. Ele bufava, esperando impaciente seu próximo adversário. Mônica, por trás, veio correndo e acertou-lhe um soco nas costas.

– Ai! – Disse ela ao constatar que sua mão não atravessaria nunca a armadura do inimigo.

O Assimilador virou-se e pegou a garota pelo pescoço, erguendo-a o máximo que pôde. Todos queriam ajudar Mônica, mas ninguém tinha coragem de fazê-lo. Estavam em choque. O vilão emanava desesperança.

Era o fim?

– Jean! – Gritou uma voz feminina entrando no lugar. – Largue a Mônica já e pare com isso! Eu quero lhe ajudar!