Aquele que Juntava
32 Capítulo 32 – O ARREPENDIMENTO
“A voz me diz pra botar o plano em prática. Creio que já está na hora, me sinto nervoso e fraco. Terei que atrair raiva para que meus poderes funcionem. Bem, aprendi que tenho, por enquanto, o poder de juntar as coisas e de ficar mais forte com a raiva dos outros. Acho que seria legal escolher um codinome, algo como ‘O lutador’? Não soa bem. ‘Juntador?’ é ridículo. Eu já ouvi uma palavra que parecia ser a mesma coisa que isso. Lembrei. Assimilar é quase a mesma coisa que juntar, eu acho. Já sei: Me chamarei ‘Assimilador’.”
Foi esse relato, escrito na última página do diário de Jean Nido que levou Dudu à conclusão que seu amigo era o Assimilador. Dudu chorava de raiva. Havia sido enganado e, novamente, se achava inútil. Queria se gabar por ter derrotado o inimigo que ninguém derrotara, e foi idiota. Provavelmente o menino Jean iria resolver tudo sem violência.
Dudu estava preso numa cela gigantesca, dividindo o espaço juntamente com os milhares de adultos das regiões próximas ao Limoeiro. Os adultos, por sua vez, estavam ainda paralisados, o que irritava ainda mais Dudu.
O garoto, sem ter o que fazer e com raiva, começou a chamar pelo seu inimigo e chutar a parede. Durante os chutes, percebeu que algo caíra no chão.
– O diário! – Disse Dudu ao perceber o diário de Jean Nido caído. – Essa droga que começou tudo! Se não fosse por isso, o Jean ainda seria meu amigo!
Arrependeu-se. Arrependeu-se por ter atacado o amigo e por ter dito tantas coisas à ele. Tudo bem, a maioria do que falara deveria ser verdade. Mas, mesmo assim, deveria haver um motivo para toda essa enganação. E o motivo, Dudu sabia décor: “Ele precisa de alguém”.
Abriu o diário e leu. Cada página virada era um choque para Dudu. Como uma pessoa podia passar por tanto? O relato era triste e só revelara ao pequeno Dudu aquilo que ele já desconfiava: A data da última atualização do diário era recente, de alguns poucos dias atrás e contava o seguinte:
“Uma habilidade que me foi dada pela voz que fala comigo é de, quando tendo poder elevado, me disfarçar de adulto. Assim, esse meu corpo pequeno não me atrapalha durante as lutas e nem faz o inimigo me subestimar. Queria ser adulto. É chato ter 11 anos”.
Dudu descobriu uma série de fatores que, novamente, se arrependera de ter descoberto: Descobrira que Jean Nido mentira muito habilmente. Afinal, uma das maiores mentiras Dudu logo descobriu:
– Ele disse que a mãe dele estava doente. A mãe dele realmente é doente, mas não era bem esse tipo de doença que eu imaginava.
Ele descrevia vozes em seu diário. Algo o manipulava. Algo estava tratando de colocar todos os seus sentimentos ruins à tona. Algo o fazia agir com essa violência e insensatez.
– Por favor – Disse Dudu enquanto chorava. – Venham logo, pessoal. Precisamos de vocês.
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