Aquele que Juntava
33 Capítulo 33 – A CHANCE
– Se isso aqui não derruba o Ajuntadô, Zé Lelé, nada derruba – Dizia Chico enquanto polia sua nova arma. – O Astronauta disse que isso há de derruba até mula-sem-cabeça. Ou seja, é bem forte, né?
– Certeza.
O plano já estava formado. Não era muito inteligente, mas havia outra opção? O grupo simplesmente entraria nos domínios do Assimilador com o teletransporte de Franjinha e partir para um último ataque.
Todos estavam muito nervosos. A tensão era incrível. Talvez a culpa tenha sido de Astronauta que, algumas horas antes da invasão, havia dito:
– Eu não sei exatamente quanto tempo a Terra aguentará. Creio que temos até alguns dias. Já tenho tudo preparado: A Armadura está consertada e consegui melhorar algumas armas que temos aqui. Consegui contato com algumas pessoas também – O Astronauta parecia bastante contente. Havia voado por alguns lugares com sua armadura consertada e voltara extremamente alegre da viagem. – Entretanto, temos que agir rápido pois não sabemos todas as intenções do inimigo. Fiquem atentos, pois essa é nossa última chance de salvar a Terra.
– Essa sua última frase pareceu meio clichê – Observou Cascão, inutilmente.
– É. Eu não consegui arrumar coisa melhor.
Era fato que cada um se entretinha como podia. Chico Bento, como já falado antes, glorificava sua arma nova que derrubava “Quase Qualquer Coisa”. Era fato que o rapaz ainda não havia disparado com sua arma. Queria guardar para o Assimilador cada chumbo reforçado que sua arma podia atirar.
Cascão, com Skate sobre os pés, tentava improvisar alguma manobra sem muito sucesso. Sua mente estava longe para pensar em fazer manobrinhas. Era tudo tão esquisito:
– Já derrotamos tantos vilões antes – Observou ele enquanto olhava para o céu vermelho. – Como um cara que chega do nada e não é conhecido por ninguém pode causar tanto problema?
Franja dava os toques finais na nova armadura do Astronauta. Era calculado pelos dois que essa nova versão teria muito mais potência.
– Lembra de quando eu falei pra você que nem tudo se resolvia na base da violência, mas sim do intelecto? – Perguntou Franja para o companheiro Astronauta que observava tudo.
– Lembro sim.
– Sabe, de vez em quando eu me pergunto se eu pensei mal no que disse.
– Como assim? – Perguntou Astronauta com um tom de preocupação. Seu companheiro parecia agitado.
– Esse inimigo, o Assimilador, eu não vejo como iria simplesmente conversar com ele ou tentar detê-lo sem usar força bruta.
– Ele é um animal, Franja – O jovem olhou para Astronauta com espanto. Astronauta parecia querer resolver tudo aquilo com violência. – Não podemos controlar os animais, apenas derrubá-los. Infelizmente, a regra se aplica com o Assimilador.
Magali escutava a conversa dos dois e achava tudo aquilo um absurdo. O rapaz não poderia ser tão mal. Estava com essa convicção desde o dia em que se encontrara pela primeira vez com o “Mal”. Ela acreditava que havia algum meio de parar o Assimilador sem... Sem... Ela odiava tal palavra, mas infelizmente tinha que pensar nessa possibilidade: Ela sabia que, de alguma maneira, podia-se parar o Assimilador sem matá-lo.
– Têm algo que eu quero falar para você faz muito tempo.
Foram com essas palavras que Cebola dirigiu à Mônica anunciando importante anúncio. Mônica corou nas faces, olhou para o amigo que sabia que era muito mais que um amigo e perguntou:
– O que é?
– Escute, eu não quero que você vá.
Os dois se encararam. Cebola parecia extremamente tenso, enquanto que Mônica exibia um olhar compassivo. Calma, a garota simplesmente perguntou:
– Por quê?
– Em todos esses anos eu nunca vi você tão chateada – Cebola coçou a nuca e tentava arrumar as palavras: – Esse cara que apareceu do nada simplesmente ferrou tudo. Inclusive seu coelho.
Mônica continuava a mandar um olhar inexpressivo à Cebola. O garoto deveria estar esperando algum tipo de resposta, pois prosseguiu levemente irritado:
– Sem contar que ele é o cara mais determinado e violento que já enfrentamos. Ele não é simplesmente um pé-de-chinelo como o Capitão Feio.
– Poeira Negra, Cebola.
– Você não está entendendo? Não é nenhuma brincadeira! O Assimilador é um cara muito cruel e... E... – O garoto reuniu coragem. – E EU NÃO QUELO QUE VOCÊ SE MACHUQUE!
As últimas palavras fizeram Mônica sorrir. A garota ajeitou os cabelos e se aproximou do amigo. Face a face, ela disse baixinho, quase que cochichando:
– Obrigado por se preocupar.
Então, em movimentos suaves, ela abraçou o amigo e foi aproximando seus lábios dos dele. O coração batendo. O suor frio. A simples e inegável forma que o corpo age quando o amor vai sendo concebido da forma mais breve possível: O beijo.
– Não quero estraga festa, mas será qui ocêis podi nos acompanha? – Perguntou Zé Lelé invadindo a privacidade do quarto onde Mônica e Cebola estavam. Os dois jovens rapidamente se largaram e responderam, nervosos:
– Estamos a caminho – Respondeu Mônica. Quando Zé saiu da vista dos dois, Mônica beijou o rosto de Cebola. O garoto corou: – Continuamos nossa conversa mais tarde, quando tudo isso houver acabado.
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