Aquele que Juntava

30 Capítulo 30 – FESTIVAL DA ENGANAÇÃO


Dudu ficou “de boca”, como já diria expressão popular. De quem era aquele quarto? Dudu imaginava. Entretanto, não pensava nisso no momento, pois seus olhos e seus pensamentos estavam todos voltados ao que via:

O quarto era digno do adjetivo “Perfeito”. A cama era feita da melhor madeira totalmente revestida com ouro. Os móveis, as tapeçarias, tudo era da cor roxa adornada com o mais fino ouro.

Dudu não hesitou em momento algum. Começou a revirar o quarto em busca de algo que o auxiliasse contra o Assimilador. Qualquer coisa serviria. Seus olhos buscavam uma arma ou algo do gênero. Deveria ter algo assim no quarto.

Até que sua atenção se voltou para um livrinho: Um livro de capa cinzenta, sujo, de aparência velha. Parecia um caderno. O menino pegou o livro e o abriu. Na primeira página estava escrita, com letras quase incompreensíveis, o nome do dono do diário. Dudu se espantou e folheou o livreto. Foi até a última página as leu.

E leu.

E se arrependeu de ter lido aquela página.

O garoto fechou o diário no mesmo instante e guardou-o no bolso da calça. Estava irritado e queria sair logo dali. No momento em que saía, viu a figura de Jean Nido na porta.

– O que aconteceu? – Perguntou o amigo. – Tudo bem com você?

Dudu o encarou. Estava zangado e o menino notou isso. Jean então, com um ar de preocupação, perguntou:

– Algo te machucou?

– Sim – Retrucou Dudu. – Algo me machucou muito.

– Sério? – Jean, parecendo preocupadíssimo, aproximou-se do amigo. – O que aconteceu?
Dudu ficou calado. Parecia não querer conversar. Suas mãos tremiam e sua boca se abria e fechava. Era como se o garoto quisesse fazer algo, mas sem sucesso. Não conseguiria.

– Fale comigo – Pediu Jean. – Sou seu amigo.

– Sabe, tudo o que eu queria era que Mônica e os outros viessem até aqui e derrotassem o Assimilador. Então, nós voltaríamos às nossas vidas. E então, eu e você seríamos amigos no nosso mundo normal.
Jean escutava tudo com um pouco de angústia. Não sabia o por que do amigo parecer tão sério de repente.

– Por que você mentiu para mim? – Perguntou Dudu.

– Como?

– POR QUE VOCÊ MENTIU? – Dudu então empurrou seu amigo, que caiu sentado no chão.

Os dois trocaram olhares por quase um minuto. O olhar assustado de Jean e o olhar raivoso de Dudu se encontraram e trocaram faíscas. O pobre menino, aprisionado por mais tempo, parecia confuso.

– Do que você está falando?

– Você mentiu pra mim! – Dudu apontou para Jean. – Você é um grande IDIOTA! – Dudu gritava. – Você não é amigo de ninguém!

– O que está acontecendo? – Jean levantou-se com calma. Sua fala parecia chorosa. – Explique!

– Por que você mentiu esse tempo todo para mim? – Dudu gritava tão alto que sua garganta doía. – Que tipo de jogo você queria jogar comigo? Que tipo de truque?

Jean não falava mais. Apenas encarava com olhar triste o que antes era seu amigo. As próximas palavras de Dudu lhe acertaram o coração pela primeira vez nos últimos tempos. O garoto que não tinha coração sentira mais uma vez:

– Você é um canalha! – Dudu chorava agora. – Você é o maldito Assimilador! Idiota! Idiota!