Aquele que Juntava

31 Capítulo 31 – O ÚLTIMO MINUTO DA INOCÊNCIA


Os dois se entreolharam. Dudu chorava enquanto via o rosto inexpressivo de seu amigo o encarando. Estava tudo acabado. Se os dois tinham um laço de amizade, este laço estava desfeito.

– É verdade. Eu sou o Assimilador.

Dudu então parou de chorar. Seu rosto contorceu-se em raiva nunca antes sentida. Era tudo muito bom na sua vida, até esse idiota que estava em sua frente entrar na sua vida. Como tudo poderia mudar de uma hora pra outra?

– Por que você fez tudo isso? – Dudu perguntou. – Pensei que éramos amigos!

– Eu ia fazer tudo voltar ao normal – Replicou Jean. – Eu só queria que esse mundo fosse unido. Queria que fosse perfeito.

– Você é egoísta! – Gritou Dudu, dessa vez apontando para o rosto do seu ex-amigo. – Você quer fazer um mundo do jeito que só você quer! Você não pensou nos outros! E os adultos? Você quer fazer um mundo mais feliz, mas já viu como as pessoas na Terra estão se sentindo por causa do seu “Maior Mundo Melhor”?
O garoto ouvia tudo calado e de cabeça baixa, como se escutasse um sermão de sua mãe. O discurso de Dudu continuava forte e bastante ofensivo contra Jean.

– Você não sabe que tudo isso só vai fazer o mundo acabar? – Essa última pergunta fez Jean encarar seriamente Dudu. – Eu ouvi o Astronauta dizer que o mundo explodirá em breve se as dimensões continuarem unidas.

– Eu...

– Você...?

– Eu não sabia – Jean não chorava. Era estranho, qualquer criança choraria se estivesse no lugar dele. – Desculpe.

– Desculpas agora não adiantarão – O menino então pegou um abajur próximo. – O que você fará comigo?

– Eu não irei te machucar. Não se preocupe.

– E o que vai fazer agora? Vai reverter a situação?

– Se eu fizer algo você será meu amigo? – Perguntou Jean num tom desesperado.
A pergunta fez Dudu pensar. O garoto baixou a cabeça, pensativo, confabulando sobre uma decisão certa. Estava na frente do maior inimigo que já vira e não sabia o que fazer. Deveria confiar nele ou derrubá-lo?

– Como eu vi o Assimilador andando atrás de mim quando cheguei aqui? E aquele cão?

– Eu só possuía dois poderes antes de tudo: O de juntar uma coisa à outra e a deobter poder pelo ódio dos outros. Esses são meus poderes originais – Jean então começou a gesticular com as mãos. – Entretanto, a união das dimensões acabou dando-me novos poderes. Esses seres iguais a mim de outras dimensões eram apenas armazenadores de poder para o corpo original: Eu.

– Quer dizer que você está muito mais poderoso do que era antes? – Dudu parecia aterrorizado. Mais poderoso?

– Exato. E um dos poderes que adquiri é o poder da ilusão.

Um morcego voou e pousou na cabeça de Dudu. O garoto se assustou e, quando olhou para cima, o morcego havia sumido. O menino sorriu após a demonstração.

Jean deu de costas para seu ex-amigo “Me acompanhe”, disse. E, antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi atingido por Dudu na cabeça. O abajur se partiu em vários pedaços ao ir de encontro com a cabeça de Jean.

– Pensa que pode me enganar? – Perguntou Dudu para o menino que jazia inconsciente. – Essa forma de criança não me engana, e nem você e suas mentiras. Vou descobrir um modo de fazer tudo voltar ao normal, você vai ver!

Dudu então recuou dois passos por causa da cena que há de se descrever agora: O menino Jean foi coberto por uma fumaça roxa que se ergueu até o teto. Quando a mesma se dissipou, o corpo adolescente do Assimilador surgiu como mágica.

A mão direita do inimigo voou até o pescoço de Dudu e o ergueu no ar. O garoto começou a chorar e a engasgar por causa da falta de ar. Ele se debatia inutilmente enquanto o Assimilador apertava cada vez mais seu pescoço.

– Você me atacou pelas costas! – Gritou. – Você não entende o quanto eu sofri? Você não entende o que eu passei! O mundo vai explodir? Ótimo! Assim tudo acaba, Eduardo! Já que ninguém se importa comigo, então eu não me importo com ninguém!

Dudu então sumiu. O Assimilador levou às mãos a cabeça. Era como se algo dentro dele houvesse salvado Dudu de um destino cruel. Aos poucos, entretanto, o Assimilador sentiu as trevas o tomando novamente. E, dessa vez, as trevas o tomaram por completo.

– Miseráveis! – Gritou o Assimilador, dessa vez com uma voz diferente da normal. – Eu odeio vocês! Que droga!

E, num acesso de raiva, o Assimilador criou uma bola de fogo com suas mãos e começou uma frenética destruição do quarto em que estava. Todo aquele quarto de príncipe ia abaixo perante os poderes quase infinitos do inimigo. E, por fim, o quarto havia caído.

– Se esse mundo explodir, o núcleo também explodira. As dimensões voltarão ao normal e eu perderei meus poderes – O Assimilador ofegava em meio ao fogo que tomava conta de seu quarto. – Pouco importa. Ao menos, nesta dimensão, eu não sinto dor. Irei tranquilamente.

O Assimilador parou de falar. Algo acontecera.

– Ratos – Murmurou. Alguém havia invadido seu castelo.

Notas finais

Aliás, já viram como acender um fogão manualmente?

http://www.youtube.com/watch?v=nv5p8GRxZF4

Link idiota, eu sei.

Agradeço novamente à quantidade de leitores que só aumenta por aqui. Amo vocês (Não aquele tipo de amor tão-tão, e isso não foi Gay. Amo como amizade, sabem?)