Aquele que Juntava
26 Capítulo 26 – DESCULPAS
“Putz, eu sou mais inútil do que pensava”, pensou Dudu largando a gola da camisa suja e desgastada do seu salvador. “Poxa! O cara me salvou e que faço em troca? Faço-lhe chorar! Claro!”.
O menino que havia salvado Dudu parecia ter saído de algum esgoto, ou parecia estar preso por anos no castelo do Assimilador. Seus olhos estavam molhados com lágrimas prematuras, prontas para saltarem de sua face.
Não foi somente o fato de Dudu ter notado que havia cometido um engano ao agir violentamente contra o menino: foi a pena ao olhar o garoto. Ele estava bastante sujo e magro, tinha cabelos longos que lhe caíam até os ombros. Os olhos verdes brilhavam por causa das lagrimas. As roupas que usava estavam desgastadas, pareciam nunca terem sido lavadas.
– Eu... Foi mal... É que... Bem...
– Tudo bem – Interrompeu o garoto limpando as lágrimas com as costas da mão. – O erro foi meu. Eu devia tê-lo ajudado de uma forma menos inesperada. Sou um inútil mesmo...
“Agora sim! Parabéns, Dudu: Você que é o inútil e ainda faz os outros se sentirem inferiores!”. Dudu respirou fundo, esperando o nervosismo passar. Em seguida, agradeceu o garoto e disse:
– Eu que sou tolo. Não deveria ter te assustado. Muito menos gritado com você.
– Não precisa se desculpar...
– E você não precisa se culpar.
O menino coçou a nuca e levantou-se. Aproximou-se da porta e olhou os dois lados do corredor. Dudu também se ergueu, dirigindo-se ao menino que parecia mais tranqüilizado.
– Qual seu nome? – Perguntou Dudu.
– Jean Nido – O menino pela primeira vez sorriu. Um sorriso um tanto triste. – E o seu?
– Eduardo. Todo mundo me chama de Dudu.
– Dudu?
– É um apelido. Você não tem um apelido?
– Não – O menino corajosamente saiu da cela.
– Você é louco? – Dudu puxou Jean para dentro da cela. – O Assimilador pode nos encontrar!
– E ele vai fazer o que se nos encontrar? – Perguntou Jean saindo mais uma vez da cela. – Eu já estou aqui há algum tempo. O máximo que ele fará é tocar sua testa e fazer com que volte para a cela.
– Há algum tempo? – Perguntou Dudu com assombro. – Pelo seu esta...
Jean correu até Dudu e tapou sua boca. Dudu logo entendeu: Um som estranho ecoava pelo corredor. Os sons aconteciam a cada segundo. Pareciam passos de algum animal grande, como um elefante.
– Que você acha de correr? – Perguntou Dudu ao garoto.
– Acho uma idéia legal!
Os dois meninos logo se viraram de costas e começaram a correr em alta velocidade. Dudu até espantou-se com a velocidade que corria. O medo faz coisas incríveis com os seres humanos.
Olhando para trás, Dudu viu a criatura que agora os perseguia: Era um cão do tamanho de um adulto, despelado e vermelho. Os olhos rubros do cão brilhavam e emanavam tamanha cólera que os dois garotos logo se sentiram ameaçados.
– Olha o tamanho dessa coisa! Qual será a raça dessa coisa? – Perguntou Dudu aos gritos.
– Sei lá! Tem uma porta lá na frente!
Dudu viu uma porta de maçaneta dourada no fim do corredor, que acabava se dividindo como um “T”. Agora, era correr e rezar para que a porta não estivesse trancada, ou teriam que se separar. E essa alternativa, meus amigos, era a mais inviável no momento.
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