Aquele que Juntava
23 Capítulo 23 – O NOVO ASSIMILADOR
Era algo grande. Prateado, descia como uma estrela cadente em direção a Terra. A velocidade desse grande ponto prateado era imensa. Geralmente, nesta velocidade, as coisas tendem a seguirem uma linha reta, mas esse ponto se movia em zigue-zague. O ponto começou a diminuir sua velocidade ao ver um mercado, no meio de uma cidade. Logo, já era visível sua forma: Era uma espécie de armadura, gigantesca, toda da cor cinza. Intimidava, afinal, era grande. E estava próximo a crianças não tão grandes. – O que aconteceu por aqui? – Perguntou uma voz mecanizada vinda da armadura em frente às portas do mercado. – Alguém pode me explicar? Eduardo – Também conhecido por nós como Dudu – aproximou-se calmamente. Tinha medo daquele ponto, apesar de saber o que era. Afinal, quem não ouvira falar nos últimos dias da nova armadura do Astronauta?
– Eu pensava que você podia explicar, né? – Disse Dudu, indignado. – Sei lá, de repente o chão começou a tremer e o céu começou a ficar vermelho... – E a professora ainda dizia que no Brasil não tinha terremotos! – Disse um outro menino dentro do mercado. – Bela mentirosa ela é! – Por que está aqui? – Perguntou Eduardo. Astronauta ficou um tempo calado. Procurava medir bem as palavras que iria dizer. Afinal, ele já via algumas crianças perdendo o medo e se aproximando das portas do mercado para ver melhor. – Bem... O homem parou de falar. Um grito, vindo de dentro do mercado, chamou a atenção de todos, sem exceção. Algumas crianças se afastaram, chegando o mais perto de Astronauta o possível. O homem, por sua vez usou da velocidade de sua armadura para chegar à origem do grito. – O que você fez? – Maria gritava, afastando-se de um vulto em meio a uma área vazia do mercado. – O que você fez? Astronauta e Dudu foram os primeiros a chegar. Os dois olharam para o vulto em meio à área vazia. Dudu arregalou os olhos em notável nervosismo e tensão. – O que foi? – Perguntou o Astronauta. – Cadê os adultos daqui? Os adultos paralisados deveriam ocupar aquela área vazia em torno do vulto, que sorria e segurava uma espada japonesa em sua mão direita. Logo, o vulto foi sendo reconhecido. Seu terno, agora impecável, era escuro como a noite. Seus cabelos lisos e longos, amarrados habilmente em um rabo-de-cavalo, lhe conferiam um visual singular juntamente a seus olhos castanhos tão profundos. – Não perguntarei o porquê de estar movendo-se – O Assimilador apontou sua espada. – Neste exato momento, vários homens acima de vinte anos estão paralisados graças aos efeitos do meu encantamento. Encantamento que ficou mais poderoso no momento em que consegui tamanho poder. – Quem é você? – Gritou Dudu tentando se aproximar do Assimilador, mas sendo impedido pelo Astronauta. – Eu vou conversar com este homenzinho lá fora – O Astronauta começou a se afastar do Assimilador em direção a porta do estabelecimento. – Vamos? Ou está com medo de mim, jovenzinho? – Eu não temo mais nada. O Assimilador seguiu Astronauta até um ponto onde estivesse longe do mercado. Com uma cidade sem adultos e com os moradores restantes num único canto, lugares propícios para um derrubar o outro eram muitos. – Pode começar a falar, garoto! – Exigiu Astronauta se preparando para qualquer imprevisto. – Por que me chama de garoto? – O Assimilador balançava sua espada lentamente. – E por que não foi pego no meu encantamento? – Minha armadura e meu traje são de uma tecnologia avançada. Seus encantamentos não funcionarão contra mim. – Sei – O Assimilador começou a estudar seu novo inimigo. – E por que o grandioso Astronauta veio até aqui? Astronauta, ao contrário do que havia feito com as crianças, não mediu palavras para explicar: – Sinto um enorme poder dentro de você. É poder demais para um ser humano qualquer. Vim até aqui porque algo de errado ocorria. – Veio até aqui por causa do meu poder? – Não. Vim até aqui após atestar que o tamanho do planeta havia crescido, assim como uma estranha energia se concentrava aqui – Astronauta apontou para o Assimilador. – Este planeta está acumulando muita energia! Ele vai explodir logo, logo! – Mentiras! – A expressão do Assimilador mudou abruptamente. – O meu mundo perfeito nunca será destruído! – Garoto... – Eu sempre lhe odiei, Astronauta! Desde que eu era uma criança! – Mas, por quê? – Sempre no espaço! Sempre tentando descobrir coisas num mundo que nada tem a ver como nosso! Nunca preocupando-se com o seu próprio planeta! – Mentiras! Sempre me preocupei com este planeta! – Sempre? – O Assimilador correu em direção ao Astronauta. Seria uma tática idiota, até porque o inimigo estava todo equipado, enquanto que ele próprio estava vestido com um terno. – Você nunca apareceu para tentar resolver nossos problemas! Conheça o poder do Assimilador! Astronauta segurou a tempo a espada que vinha em sua direção. Logo soltou, afastando-se. A espada quase cortou a mão de sua armadura pela metade. Não havia outra forma, tinha que retaliar. – Chega de brincadeiras, garoto! – O Astronauta ergueu sua mão em direção ao inimigo. – Infelizmente, terei que atacar!
Várias bolas de energia vieram em direção ao Assimilador. O inimigo usou sua espada para cortar cada bola, fazendo-as desaparecer. Algumas acabaram se distanciando demais e acertando o mercado, derrubando uma de suas paredes. – Assimilador! Se alguém se machucou... O Assimilador repentinamente apareceu na frente de seu inimigo, desferindo um soco em seu peito, mandando-o longe. Conversar era inútil, mas, o Astronauta tinha que tentar. Acabou pulando e usando seus jatos para voar ao mais alto que podia. – Asas? O Assimilador, agora com asas negras, voou em direção ao inimigo e começou a desferir vários golpes de espada, terminando ao acertar um chute no rosto da armadura danificada. Apesar dos danos, a armadura recusou-se a deixar de voar. O Astronauta ergueu os braços ao alto. Logo, vários e vários buracos foram se abrindo pelo braço da armadura. – Mísseis de paralisação e dor! – O Assimilador se afastou um pouco, preparando a espada. – Deite inimigo! Vários mísseis, de tamanho pequeno, voaram em direção ao inimigo, que nada fez a não ser receber os mísseis de braços abertos. Cada míssil acertou o Assimilador em cheio, explodindo e criando uma espécie de fumaça roxa. – Isso é um veneno que age no sistema imunológico, que irá fazê-lo sentir muita dor! QUE TIPO DE DEMÔNIO É VOCÊ? – O tipo que não sente dor – Disse o Assimilador. As roupas, da cintura para cima, estavam completamente rasgadas. Mas, em questão de segundos elas se regeneraram. – Acabou! O Assimilador voou em direção ao inimigo novamente, acertando-lhe um certeiro corte, que ia da cabeça até os pés. Com mais um chute, o inimigo caía em alta velocidade. Ao cair, a armadura se partiu no meio, expondo o corpo de Astronauta. O Assimilador lentamente desceu. Suas asas desapareceram no momento em que tocou o solo. – Entendeu? – O Assimilador ergueu sua espada para finalizar o serviço. – A ciência não derrota Deuses! – Chega! – Dudu atirou uma pedra na testa do Assimilador. O tiro foi tão certeiro, que um corte abriu-se na testa do inimigo, causando sangramento. – Que tipo de Deus você é? Pare com isso! – Garoto insolente! Com um movimento de mãos Dudu simplesmente desapareceu, causando choque em muitas crianças. Em seguida, o Assimilador largou a espada, levou as mãos a cabeça e desapareceu com um clarão.– E foi isso que aconteceu – Terminou de explicar uma das crianças a Cascão. – Nossa – Astronauta ouvia toda a história de braços cruzados e cabeça baixa. – Levou uma surra federal, hein? – Precisamos de um plano. Comigo e Franja, fazer um plano não será muito difícil. Pode me levar até ele, garoto? – Perguntou Astronauta. – Posso – Cascão levantou-se com um sorriso. – Se é para acabar com esse Assimilador, então eu ajudo a qualquer hora!
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