Aquela Garota

5 Uma Boa Vista, Uma Boa Sorte


Notas iniciais
link: http://www.youtube.com/watch?v=pcHI_lTmog4

\"\"

4. Uma boa vista, uma boa sorte

Bella POV

– E então, como foi o dia de vocês? — Renée perguntou, enquanto comia um pedaço da lasanha que eu havia feito. — Produtivo?

Depois que Rosalie e Edward me jogaram em cima do Emmett, ficamos alguns minutos jogados lá não chão, e então entramos. Tomei um banho que podia lavar minha alma, arrancar minha pele, mas que não tirava o cheiro de laranja. Meu cabelo parecia que tinha sido banhado com o suco, e eu já começava a odiar qualquer coisa que tivesse essa fruta no meio, porque ninguém merece isso. Eu ainda ia estrangular Alice Brandon, ela não perdia por esperar. Daria uns bons tapas na cara dela só pra aprender a não ajudar Tânia. E também porque ela merecia. Depois de me lavar toda, Emmett e eu decidimos fazer o jantar, e eu preparei a lasanha que mamãe tanto gostava, e ele a salada e o suco — que GRAÇAS A DEUS não era de laranja, ou eu ia espremer a cabeça dele na máquina.

– Foi... — Emmett olhou para mim e depois deu de ombros. — Normal.

NORMAL?!, eu queria berrar ali. Aonde procurar um emprego gera uma pancadaria com patricinhas ou levar tiros de Paintball e ter que pular da janela? AONDE? Nunca ninguém deve ter passado por isso quando foi procurar emprego o que nós passamos hoje. Batemos recordes juntos, pois foram os empregos mais rápidos que perdemos. E admito que até tinha medo do próximo.

– Que bom! — Renée murmurou desconfiada. — Vocês fizeram o que?

Ah, mamãe, nada demais, acredite. Meu irmão deveria ter falado o inferno que passamos hoje, pelo menos ela não estaria tão desconfiada, porque Renée conhece os capetas que tem em casa e nunca acredita que o normal possa se encaixar em uma frase que esteja Bella e Emmett Swan.

– Bem... — eu comecei, cutucando minha lasanha, com tédio. — Eu fiquei com Rosalie no meu quarto, olhando o catálogo de empregos para ver se achava um..

– Eu também. — Emmett emendou, sorrindo.

Renée levantou os olhos do seu prato e nos encarou, um pequeno sorrisinho nascendo em seus lábios rosados.

– Sério?! — perguntou, limpando os cantos da boca com um guardanapo. — E como foi? O que vocês acharam?

Nós dois poderíamos falar a verdade, contar exatamente o que tinha acontecido. Que eu tinha conseguido um emprego no mesmo dia, que no começo foi tudo muito bom e mil maravilhas, mas que no final eu acabei saindo aos tapas com Tânia Denali e que Rosalie, minha melhor amiga e que está sempre comigo, como lá, me ajudou, dando uns boas merecidas porradas em Alice Brandon. E que no final, meu chefe metido a usar roupas de cafetão das décadas passada, deu um bom sermão sobre sermos damas — porque a filha dele é uma — e que não deveríamos sair rolando pelo chão como animais.

Ah, deveríamos falar também do dia do Emmett, que foi procurar emprego fácil, acabou dando na casa de Rick, que foi muito um filho de uma boa mãe dando uma de danado e detonou meu irmão com uma arma de Paintball, e que depois deu várias marteladas nele, e meu maninho, para se vingar, fez o garoto chorar e se mijar nas calças com cosquinhas. Só que a mãe de Rick chegou e ele, junto de Alec, teve que pular da janela, caiu na piscina, e para fugir dali pulou para o quintal vizinho, aonde tinha um super cachorro vampiro que mordeu a bunda dele. E no final, nós falávamos que ficamos mais de uma hora deitados no quintal de casa choramingando pelo nosso fracasso.

Simples e fácil!

Mas, para a pergunta de Renée, nós dois simplesmente falamos:

– Ah, foi normal.

– Hm. — o sorriso dela morreu e logo voltou a desconfiança. — Vocês só olharam? — assentimos. — Nem uma ideia do que fazerem?

Eu sabia que não tinha mais chance de ser chamada novamente para ir trabalhar na CY, pois o que eu tinha feito lá era i-na-di-mis-si-vel — como o gordão falou — e que eu deveria ser mais garota. Como essa magica não iria acontecer, e eu não ia mostrar meus seios ou minha amiguinha para ele mostrando que sou uma verdadeira garota, desistiria logo daquele lugar e deixaria a vaga livra para uma verdadeira dama, que era o que ele estava procurando.

– Eu tenho uma. — falei.

Pedir o que eu ia pedir agora era a mesma coisa que pedir para morrer, mas eu tinha que tentar. Sabia que eu não seria mais aceita no CY, porque tinha dado problemas bem no primeiro dia. NUNCA que aquele velho gordo metido a lorde de quinta iria deixar eu pisar lá mais uma vez. Com certeza ele e Jasper me odiavam agora e queriam me ver o mais longe possível da lanchonete. Então, eu não tinha outra escolha, porque agora eu sabia que Rick queria me matar com uma arma de Paintball então o emprego de babá não rolava mesmo. Eu podia esperar pelos outros jornais que estavam por vir, mas eu queria tentar e implorar para Renée deixar eu trabalhar com Rose.

Renée me encarou com uma sobrancelha erguida, querendo desvendar o que quer que eu deixei no ar, e eu apenas dei meu sorriso mais inocente.

– Nem pensar! — falou, batendo o punho na mesa. — Nunca, Isabella.

– Mas mãe... — choraminguei.

– Não! Você não vai.

– Você nem ouviu o que eu tenho pra falar. — ergui o queixo.

Renée olhou para o teto — mania que ela tinha quando ficava nervosa e procurava pela calma — soltou um suspiro longo e profundo e finalmente me encarou. Ela não parecia nem um pouco crente de que o que eu fosse falar pudesse mudar sua opinião, apenas queria ouvir minhas justificativa.

– Fala. — mandou.

– Mãe, eu acho que a senhora deveria me dar uma chance. — falei. — Porque olha, foi como uma vez minha psicóloga disse: se é uma coisa que você gosta, então não se chama trabalho. E bem... Se eu não fizer algo que eu gosto, vai ficar chato e não vou aprender a ser responsável. Mas se for algo que eu realmente gosto — como trabalhar com Rosalie — eu vou apreciar e vou querer ir com isso em frente. Está me entendendo? — perguntei e Renée assentiu. — É isso que eu quero. Se eu vou trabalhar, pelo menos seja algo que me agrade...

E para deixar com cara da Granfinale, eu fiz a carinha mais inocente possível, sendo a mesma que eu fazia desde que descobri que Renée não resistia. Era a minha arma não-secreta, porque Emmett também sabia e também fazia uma carinha de criança. Mas era claro que a minha ficava muito mais perfeita e meus olhos verdes eram mais bonitos e brilhantes que os dele.

– O problema Bella, é que Rosalie vai estar lá. — Renée falou finalmente.

– Eu sei! — sorri.

– E se vocês duas não se preocuparem com o trabalho? Porque é um lugar aonde rola bebida, tem adolescentes dançando, gatinhos e tudo mais. Acha que vocês duas juntas não vão ficar fazendo fofoca e paquerando? — ergueu uma sobrancelha e Emm gargalhou. — Eu sei o que vocês duas fazem quando você vai fazer uma visita para ela.

Abaixei minha cabeça, sentindo minhas bochechas corarem violentamente. Não que eu estivesse mesmo morrendo de vergonha, mas era que eu sempre tinha essa reação quando acontecia algo constrangedor. E eu odiava toda vez que o sangue vinha para o meu rosto, parecia uma garotinha inocente por causa da pele branca. Rosalie sempre tirava uma com a minha cara quando isso acontecia, ela dizia que se não fosse pelo meu gênio ruim, eu iria fazer parte do grupinho da Tânia. Argh, só se eu tivesse nascida virada do avesso e olhe lá que eu iria fazer parte daquelas... ARGH!

– Mamãe, você sabe que Rose leva muito a sério o trabalho dela. Ela é responsável quanto a isso, mais do que qualquer outro adulto. Nunca faltou e nem levou uma reclamação do chefe. Mesmo quando eu vou lá na boate para nós conversar. Não tem nenhum problema.

Renée ficou me encarando por alguns minutos, e eu sustentei seu olhar. Emmett ao meu lado me cutucava com o pé, fazendo gracinha como sempre. Eu queria poder socá-lo e mandá-lo parar, mas me segurei, porque eu via que estava conseguindo convencer Renée, e não queria estragar tendo uma de nossas briguinhas.

Por fim, Renée suspirou.

– Tudo bem, Bella. — disse. — Eu vou te dar essa chance e ver como você se sai. Se chegar em casa bêbada e tiver sido demitida por arranjar alguma confusão, eu mesma vou escolher no que você vai trabalhar.

Eu soltei uma risada e apertei as mãos, não querendo extravasar e fazer ali minha dancinha da vitória que só Rose e Emm já tinham visto. Pulei da minha cadeira e fui até Renée, lhe dando um beijo na testa.

– Obrigada, mamãe! Você não vai se decepcionar comigo. — falei, correndo para fora da cozinha.

– Espero mesmo! — ela gritou, fazendo Emmett e eu gargalharmos.

Eu podia ligar para Rosalie e falar para ela guardar meu lugar naquela boate, mas eu não queria começar logo hoje, que estava fedendo a laranja e cansada até demais. Então, eu apenas mandei uma mensagem para a minha loira dando uma boa sorte para ela no trabalho, já que ela estava lá por hoje ser domingo e estar lotado. Ela me mandou um "SOCORRO, QUERO DORMIR!" que eu, boazinha como sou, ignorei completamente, rindo de seu desespero. Amanhã iria deixá-la feliz com a nova noticia, e assim nós duas seriamos ainda mais inseparáveis — como deveria ter sido, sabe, nós termos nascido como irmãs siameses.


Na segunda de manhã, eu acordei com uma vontade louca de vomitar por causa do fedor de laranja, que agora parecia ter impregnado no meu quarto. Eu gemi, ainda sem abrir os olhos e puxei o ar com força, sentindo tudo dentro do meu estomago revirar. Ou eu estava em uma piscina de laranja, ou realmente tinha se espalhado pelo comodo. Senti a água azeda subir pela minha garganta e encher minha boca, e preparada para o que viria, eu levantei em um impulso... Só não esperava que tivesse uma bandeja acima da minha cabeça.

– PORRA! — gritei, abrindo os olhos.

A vontade de vomitar passou na mesma hora, quando eu dei de cara com Emmett, que tinha uma careta, olhando para uma mancha enorme e amarela no meu edredom. Ele me olhou e deu um sorrisinho sem graça.

– Bom dia?! — soou mais como uma pergunta.

– Quer... Merda você fez? — olhei para minhas roupas de cama ensopadas, e depois para a bandeja de prata que ele segurava, que continha apenas um grande prato com dois sanduíches. Deveria ter um copo também, mas esse estava na minha cama, perto da mancha.

– Eu nada! — se defendeu. — A culpada foi você quem levantou rápido.

– Você queria o que? Eu estou fedendo a laranja, e caso tenha se esquecido, já que eu tenho certeza que seu selênio é muito pouco, a anã da Alice me deu um banho ontem. Sabe o que é ficar com esse cheiro enjoativo impregnado na sua pele? NÃO! — dei um tapa na cabeça dele. — Até parece que o cheiro está pelo quarto inteiro.

– Ah... Bem, desculpa, sabe... Foi eu quem coloquei o suco de laranja perto do seu nariz grande. — ele olhou para os lados, com aquele sorrisinho de quem não sentia porra de culpa nenhuma.

Eu fechei os olhos para me controlar e não estrangular aquele grande garoto. Contei até dez, sabendo da maneira certa que funcionaria. Emmett não se pronunciou nem nada, apenas ficou me observando. Foi então que eu me toquei do que ele tinha acabado de dizer. Se Emm havia colocado o copo de suco de laranja no meu nariz, era porque o único suco que tinha ali seria aquele. E esse suco estava derramado na minha cama, que chegava com a conclusão de que...

– Se você não sair correndo agora, eu juro que vou te matar, Emmett. — murmurei com a voz dolorida, me controlando ao máximo, tentando abaixar um pouco meus instintos assassinos.

– Mas Bella, eu não fiz por mal! — ele sorriu. — Queria apenas agradar minha irmãzinha que eu amo tanto.

– Sai do meu quarto.

– Bella, não faz isso comigo...

– Sai agora do meu quarto.

– Sua ingrata!

– SAI DO MEU QUARTO, SEU ANIMAL! — avancei em Emmett, que saiu gargalhando do quarto. — EU TE ODEIO! — gritei para ele e bati a porta com força, quase fazendo a casa desmoronar.

– Eu também! — ele respondeu, ainda rindo.

Let's Go Surfing — The Drums

Caminhei furiosa até minha cama e tirei os lençóis, os travesseiros, o edredom, tudo que estava banhado de suco. Abri a minha varanda e joguei os panos ali, depois voltei no quarto e peguei um perfume antigo, meu maço de cigarros e o esqueiro, saindo novamente. Fechei a porta da varanda para que a fumaça não fosse para lá. Sem nem pensar duas vezes, sabendo que agora do jeito que Renée estava ela iria me mandar lavar, e eu não teria paciência em tirar aquele cheiro horrível, eu abri o perfume e despejei ele em cima das coisas, peguei o esqueiro e acendi em uma ponta do lençol vendo bem lentamente o fogo começar a consumir os panos. Peguei um cigarro e acendi no fogo, levando logo ele aos lábios. Vi aos poucos as chamas consumirem tudo que seria a minha morte, e o cheiro de lavanda com cereja subir pelo ar. Era uma mistura antiga que eu fazia, e havia parado.

– Mãe, a Bella está queimando coisas novamente! — ouvi a voz de Emmett soar do quintal.

Me virei para ele, que estava perto da piscina, assistindo tudo também, e sorrindo. Mostrei o dedo do meio, e ele gargalhou. Renée apareceu do lado do Emmett, saindo da cozinha, e me olhou horrorizada. Não era por eu estar de pijama, fumando e descabelada — talvez até com um galo na testa -, e sim por causa da pequena fogueira que eu tinha feito.

– Isabella, o que você está fazendo?!

– Emmett jogou suco de laranja e quase me fez vomitar! — falei alto para ela. Uma movimentação no quintal ao lado chamou minha atenção, e quando olhei na direção da casa, vi Edward em uma varanda também, com uma mão na boca e outra nos cabelos. Seus olhos verdes estavam arregalados. E o melhor de tudo, ele estava usando apenas uma boxer preta. — Hey, Ed! — acenei para ele, sorrindo.

O ruivo passou alguns segundos olhando de mim para minha fogueira particular, depois acenou também, mesmo com a expressão surpresa. Eu mordi o lábio, sorrindo, e olhando para aqueles músculos bem definidos que ele tinha. Meus olhos milimétricos e medidores como uma régua perceberam logo que aquele peito definido tinha o tamanho perfeito para aquelas costas tão bem delineadas... Ah cara, Edward tinha pintinhas espalhadas por todo o torso, eu conseguia ver. Tinha como essa visão ser ainda mais tentadora? Eu ainda ia tarar meu futuro marido!

Eu soltei um suspiro e então senti a água bater na minha cara, e no corpo inteiro. Ouvia a risada de Emmett e até a de Renée, que se divertia com meu afogamento. Eu procurava uma forma de respirar com aquilo me atingindo, e quando consegui, soltei um grito, que logo fez a água parar. Olhei para baixo e meu irmão segurava uma mangueira, que estava apontada para mim. Cuspi o cigarro ensopado que estava pendurado na minha boca.

– Você ficou louco?! — berrei.

– Estou apagando seu fogo, Bella. — gargalhou. — Literalmente.

– ARGH!

Entrei no meu quarto novamente, ainda escutando as risadas da minha família, e até a de Edward. Segui para o banheiro, aonde tomei um banho bem demorado. Eu estava a todo vapor e nem eram dez horas da manhã ainda, precisava extravasar minhas energias em alguma coisa. Eu precisava correr. Vesti um short de moletom vermelho e uma regata cinza, prendi meu cabelo em cima.

– Bella, — Renée bateu na porta do meu quarto. — pode ir limpar aquela bagunça na varanda e depois vamos conversar.

– Ok. — murmurei e fui fazer o que ela mandou.

Sai para fora e peguei os panos queimados, e levantei, olhando na direção da casa do Edward. Senti minha respiração ficar presa ao ver ele de costas para mim e se espreguiçando. Ele estava fazendo de propósito, só pode! Fazendo ou não, eu não iria perder a chance de medi-lo milimetricamente. As costas, como eu tinha visto naquela noite, era muito melhor. Bem definida e branquinha como de alguém que nunca pegou sol na vida, com aquelas pintinhas espalhadas por ali e pelo ombro. Tinha umas até na sua nuca. Ele continuava com a boxer preta, que mesmo assim dava para ver que a bunda dele era bem redondinha, de quem malhava todos os dias. E caralho, ele tinha aqueles dois furinhos sexy. Sem pensar levei minha mão até as minhas costas, constatando que eu também tinha os furinhos.

– Hey, Revolucionista! — olhei na direção da voz de Edward, e ele me encarava com um sorriso. — Está mais calma?

– Eu nunca fico nervosa, Edward. — menti, revirando os olhos. — Desculpa pela bagunça.

– Que nada, foi divertido acordar com mais uma de suas surpresas. — nós rimos.

– E então, estava olhando a paisagem? — apontei para o horizonte que tinha no fundo das nossas casas.

Dava para ver algumas ruas de Los Angeles, como se estivéssemos no topo, com casas grandes espalhadas de uma forma que ao mesmo pareciam arrumadas de formar milimetricamente perfeita, elas estavam desorganizadas. Um pouco distante, dava para ver a grande Avenida 10 e a enorme praia, com o mar se estendendo até onde nossos olhos não pudessem ver. Charlie, quando comprou essa casa, foi como se tivesse ganhado na loteria porque no valor que deu para a vista maravilhosa que tínhamos, foi sensacional. A casa estava velha e caindo aos pedaços, e os antigos donos desesperados para vendê-la — agora nem sei porque. Então, quando meu pai deu a oferta, eles aceitaram. Depois de muitas reformas, ela tinha ficado perfeita e eu tinha pegado o melhor quarto, com a melhor vista — agora ainda mais.

– Yeah. — Edward assentiu lentamente. — Deve ser ainda melhor no amanhecer e no pôr-do-sol.

– É impressionante. — eu falei empolgada. — Mas então, Edward... Quer dar uma volta comigo? Conhecer mais o bairro?

Ele concordou e nós combinamos de nos encontrarmos daqui vinte minutos na rua. Com os panos na mão, e uma última secada na gostosura que Edward era, eu entrei no quarto novamente e joguei os panos em um canto. Peguei meu tênis Nike de corrida e coloquei no pé, peguei os panos novamente e desci para o andar inferior, seguindo para a cozinha aonde só estava Emmett, comendo.

– Cadê a mamãe? — perguntei, continuando a andar para a lavanderia.

– Já foi trabalhar. — ele falou alto. — Se livrou por enquanto.

– Claro, claro. — revirei os olhos.

Peguei um saco preto no compartimento de utensílios e coloquei os panos queimados ali, depois voltei para a cozinha, deixando o saco na porta. Subi correndo as escadas e entrei no meu quarto, pegando meu celular e meus fones de ouvido, mandei uma mensagem de bom dia para Rosalie, e essa me xingou por acordá-la. Eu adorava o fato dela esquecer de desligar o celular para impedir isso. Aquela loira me amava, só não admitia. Depois de pronta, peguei uma maçã na fruteira e com o saco nas mãos, sai de casa. Atravessei o quintal e joguei o saco na lata de lixo. Bem na hora Edward saiu de casa, com uma bermuda bege, uma regata preta e de tênis também. Ele estava com fones brancos pendurados no pescoço.

– Vamos lá, garotão? — perguntei com uma animação teatral, antes de dar uma mordida na maçã.

– Vamos lá, carbonizadora.

– Eu realmente espero que você corra mais do que usa piadinhas sem graça. — pisquei um olho para ele que gargalhou alto. — Agora vamos, antes que solte mais uma.

No começo apenas saímos andando, — mais porque eu estava comendo — e eu contando para Edward o porque de ter começado com um mini incêndio essa hora da manhã. Ele riu demais e falou que era fã do Emmett. Yeah, Edward praticamente jogou na minha cara que nunca estaria do meu lado. No meio do caminho Edward jogou os resto da maça em um lixo, já que eu não aguentei comer toda e ele me ajudou. Depois de alguns minutos chegamos a praia, que tinha pouco movimento. Ao invés de seguirmos pelo caminho de pedra que servia para caminhada, fomos mesmo pela areia. Corríamos lado a lado, conversando banalidades, até meu celular tocar. Era Rosalie, então diminuímos o ritmo. Eu coloquei no viva voz para que pudesse falar sem segurar.

– Espero que seja algo realmente bom, pois está atrapalhando minha corrida matinal. — atendi.

– Hey, não fale assim, mocinha. – ela disse com uma voz raivosa. – Você me acorda dez horas da madrugada sendo que eu fui dormir as seis!

– Eu sei. — gargalhei. — Mas é que eu estava ansiosa para lhe contar uma coisa. E você sabe muito bem como eu sou...

– Não tem como esquecer. – Rosalie bufou. – Fala logo o motivo de estar tão ansiosa.

– Bem... — sorri comigo mesma. — Eu falei com Renée ontem e a convenci ela a me deixar trabalhar com você.

– O que? Eu não acredito nisso.– Rosalie riu. – Como você conseguiu isso?

– Ah, sabe... Eu falei os pontos positivos, coloquei minha psicóloga no meio e fiz minha melhor cara.

Edward, que olhava para a frente, me olhou quando ouviu a palavra psicóloga e eu apenas dei de ombros. Para avisar logo, eu não sou nem louca nem nada porque vou a psicóloga. Longe disso. Tudo bem que parecia, já que eu fazia essas coisas, mas se percebesse, era Rosalie e Emmett que me colocavam em tudo isso.

– A de vadia? – Rose perguntou e Edward riu baixinho.

– Não! A de inocente mesmo. — revirei os olhos para os dois, mesmo que ela não pudesse me ver. — Eu sei que perdi meu outro emprego mesmo... Cara, acho que bati o recorde de não passar nem 24 horas trabalhando em um lugar.

O gordão não falou nada sobre eu estar demitida ou não, e nem falou que ia jogar minha ficha no lixo, mas depois do barraco que armei lá, com certeza eu não era nem bem vinda para comprar um suco, e junto de mim estava Rosalie e Edward. As patricinhas ainda iriam lá, porque elas se deram de vitimas e também porque eram clientes de lá. Eu ainda pedi para Jasper me defender falando que Tânia quem tinha começado, mas o traíra ficou de boca fechada apenas me fulminando com aqueles olhos verdes.

– Relaxa, Bella, mais empregos viram depois desse. Aquela espelunca velha não merece alguém co...– Rosalie foi cortada por um bip no meu celular.

Olhei para a tela e tinha alguém me ligando, era um número desconhecido.

– Rouss, espera um pouco que eu tenho uma segunda chamada. Daqui a pouco te ligo.

– Ok, então.

Eu desliguei a chamada com a loira e atendi a segunda chamada.

– Isabella Swan?– uma voz grossa falou. Ela me parecia um pouco conhecida...

– Sim, ela mesma. — murmurei, confusa.

– É Jasper, da lanchonete CY.

Eu e Edward trocamos olhares surpresos, e com isso até paramos de andar.

– O que...? — comecei, mas então lembrei que tinha colocado meu número na ficha. — Ah, oi Jasper. — falei, fechando a cara na mesma hora, mesmo que ele não pudesse ver minha expressão.

Se eu pudesse arrancaria aqueles cabelos castanhos claros dele e junto os olhos, fora que depois abriria aquele corpo magrela e arrancaria os órgãos dele para poder vender no mercado negro. Tudo porque ele não me ajudou, ficou quieto lá, vendo eu levar um sermão e toda a culpa em cima das minhas costas. Ok que dividiu um pouco com Rosalie, mas mesmo assim! Eu achava que nós dois éramos amigos...

– Olha, me escuta primeiro, tudo bem?– perguntou e eu suspirei.

– Porque eu deveria fazer isso? Eu me ferrei ontem mesmo não sendo só culpa minha e você sabia, mas não falou nada! Poxa, achei que me tornar a sua colega de trabalho daria um ponto positivo para nós... — murmurei, fazendo biquinho. — Só se você não foi com a minha cara.

– Olha, Bella... – Jasper suspirou. – Não tem nada haver com eu não ir com a sua cara ou sermos colegas de trabalho. A questão é o emprego, e eu preciso dele, entende? Se eu falasse que aquela garota quem havia começado a briga, com certeza ela nunca mais apareceria na lanchonete e Walter me mandaria embora, e você junto! Então, me desculpe por não ter te defendido, ok? Só que primeiro vem o trabalho...

Eu não podia culpar mais Jasper, porque ele tinha razão. Se ele precisava, fez com consciência. Se fosse eu também faria, e claro que me arrependeria depois, mas como ele disse: primeiro vem o trabalho. Eu tinha que dar o braço a torcer para ele. E também, eu não era uma pessoa de guardar rancor.

– Tudo bem. — troquei um sorriso com Edward. — Mas me tira uma dúvida, porque você não rasgou minha ficha depois de eu quase fazer você perder o emprego?

Jasper riu.

– Porque Walter falou que íamos precisar dela.

– Hm... O que você quer dizer com isso?

– Que você não foi demitida no seu primeiro dia de trabalho, que ele quer te dar uma nova chance.

– Sério?! — pulei da cama, arregalando os olhos. — Tipo... Não é brincadeira?

– Bem.. Você quer saber a verdade?– peguntou e eu concordei. – Walter quer que você fique por perto porque ele quer transformar você em uma dama.

– O QUE?! — berrei, quase sentindo meus olhos saírem das órbitas. — Só pode está de sacanagem com a minha cara. — gargalhei.

– Não estou não. É exatamente isso mesmo. Mas é você quem sabe...

Eu mordi o lábio inferior, sentindo a dúvida pairar sob mim. Voltar a trabalhar na lanchonete CY ou ir trabalhar com Rosalie? Eu tinha gostado da lanchonete, tinha mesmo! Mas também adoraria ir trabalhar com minha amiga, e em uma boate. Só que o que eu não queria falar para Renée — ser sincera com ela — era que eu e Rosalie não iriamos dar certo juntas em um trabalho. Porque Tânia também ia lá com suas seguidoras, e iria rolar barraco se estivéssemos juntas.

– Eu posso pensar? — perguntei, fazendo careta para mim mesma. — Digo... Eu gosto do meu estilo, não quero ser transformada em uma dama!

Jasper gargalhou e eu o acompanhei. Ele tinha uma risada empolgante, que contagiava até pelo telefone. Eu curtia pessoas assim, que pareciam animadas.

– Claro, claro. – respondeu. – Se você ainda quiser trabalhar lá, é só aparecer hoje depois do almoço.

– Tudo bem. — respondi. — Bem... Agora eu preciso ir, voltar a correr aqui com meu vizinho gato...

– Ah sim. – Jasper gargalhou alto, sendo acompanhado por Edward, que não mostrava nenhum indicio de vergonha. — Então tchau.

– Tchau. — desliguei e me virei para Edward. — Agora o bicho pegou para o meu lado. Eu consegui conversar com Renée para me deixar trabalhar com Rosalie, mas isso porque foi o único lugar que eu realmente queria.

– Então isso significa que você não vai aparecer na lanchonete? — ele me empurrou para que voltássemos a andar.

– É ai que está o problema, garotão. — suspirei. — Se na lanchonete aconteceu aquilo com Tânia, imagina na boate? Vai acabar que nós duas perderemos o emprego.

Eu conhecia muito bem nós duas, sabia como agíamos diante das idiotices que Tânia dizia. Se eu brigasse, Rosalie brigaria junta, porque nós fazíamos isso uma pela outra. Acho que até se eu fosse presa, Rosalie também seria. Mas claro que não por ela querer, mas porque estaria metida na mesma merda que eu. Só que na boate seria tudo uma coisa de impulsividade, irmandade, e acabaríamos duas desempregadas. Eu não queria isso. Precisava da Rosalie trabalhando para o caso de que Renée me expulsasse de casa quando não aguentasse mais as bagunças que eu fazia.

– Acho que já sabemos aonde você vai trabalhar. — Edward riu e eu o acompanhei. — Quanto tempo acha que dura lá?

– Edward! — bati no ombro dele. — Nem me conhece direito e já sabe da minha fama? Caramba, já encontrou a velha Sra. Wilson para futricar? Eu ainda vou fazer aquela velha ir pro caixão, sério. Ela me odeia e fica falando minha má fama para o bairro inteiro. — fiz careta. — Aquela múmia ambulante.

Edward começou a gargalhar das minhas reclamações e eu apenas bufei. Não estava mentindo, a Sra. Wilson me odiava porque eu ficava paquerando o netinho — que não tem nada de inho– dela. Não tenho culpa se a velha conseguiu fazer uma filha bonita que fez um filho puta de gostoso. Mas a Sra. Wilson não entendia meu caso, e falava que eu era uma má influencia para o neto dela, que seria o futuro médico conhecido mundialmente por ser o melhor e ter saído de Harvard. Cara, era um desses que eu precisava e ela ficava me privando.

Eu comecei a correr, sendo seguida por Edward, que tentava se controlar das risadas.

– Eu não falei com essa senhora, Bella. Nem sei quem é. — falou quando conseguiu respirar. — Mas acho que já tive uma amostra naquela lanchonete.

– Aquilo lá? — soltei uma risada irônica. — Não é nem o começo, Edward. E também queimar os lençóis. Se eu lhe falar o que já fiz, vai correr agora para casa, subir aquela ladeira enorme que descemos e pedir para seus pais saírem logo daqui porque tem uma maluca como vizinhas. Só que eu realmente gostei de ter um vizinho lindo e que fica só de cueca boxer na varanda.

Edward me encarou de olhos arregalados e fazendo ele ficar mais fofo do que já é, corou. Eu tive vontade de apertar aquela parte rosada, mas me controlei para não assustá-lo.

– Eu sei que sou lindo e gostoso, Bella, mas não me diga que você é uma voyeur?

– Eu não era... Até você aparecer. — pisquei um olho para ele, que riu. — Estou brincando, Edward. Mas agora falando realmente sério, eu acho que ainda duro um mês na lanchonete.

– Ainda?

– Claro. Eu até duvido que não chegue nem isso. — dei de ombros. — Mas vamos ver com o Jasper, quem sabe ele seja um bom amigo e me impede de fazer alguma besteira, o que eu duvido muito, se nem... Rosalie consegue.

Edward me olhou como se eu fosse uma retardada, e eu apenas dei de ombros novamente.

– Não sei como alguém pior que você vai conseguir lhe impedir.

– Ela não é pior que eu, acredite. — olhei para a frente. — Acho que ninguém é.

– O que você quer dizer com isso? — perguntou, confuso.

– Talvez você, Edward, consiga me impedir, hum? — ignorei sua pergunta. — Porque eu também não acredito muito em Rosalie. Ela até tenta, mas sempre acaba entrando no meio de tudo. — ri. — Você pode ser o cabeça aqui. O que acha, hum? Ficar o dia inteiro comigo... Rir bastante... Se tornar melhores amigos... Talvez em um futuro descobrir que está apaixonado por mim e nós nos casarmos e termos filhinhos dos olhos verdes... E então? — mexi as sobrancelhas, sorrindo maliciosamente e Edward riu.

– Aceito isso, Bella. — falou sorrindo abertamente.

Eu disse que ele seria o futuro pai dos meus filho. Eu disse!

– Então você está aceitando casar comigo? — arregalei os olhos.

Ele balançou a cabeça rindo e correu, me fazendo segui-lo, também rindo. Edward tinha um bom folego e aguentou correr uma hora e meia comigo. Ele com toda certeza praticava esportes e/ou fazia academia, porque qualquer outro pediria descanso na metade do caminho. Na hora de subirmos a ladeira enorme, ele subiu em uma boa, conversando, só perdendo o folego algumas vezes. Se fosse Rosalie ali, ela estaria agarrada em mim e eu tendo que carregá-la, porque se fosse esperar ela descansar, só subiríamos a noite. Uma vez, quando ela se atreveu a correr comigo, nós tivemos que ligar para o Emmett vir buscá-la por que ela não aguentou e deitou no chão da calçada.

Assim que chegamos na rua, eu me despedi dele e entrei em casa e não tinha ninguém. Emmett deveria ter saído com Alec para fazer alguma coisa. Eu tomei um banho que relaxou os músculos, vesti um short jeans e uma regata leve. Eu ia na casa da Rosalie e depois, dependendo, iria na lanchonete falar com Jasper e o Metido-a-Lorde do patrão. Deixei um recado para Emmett que se eu demorasse a chegar, ou a mamãe, era para ele preparar o jantar hoje — mesmo que corresse o risco dele botar fogo na casa — e segui para a casa da minha loira.

Eu parei em frente a pequena casa de apenas três cômodos. Dois embaixo e um em cima. As paredes da frente eram pintadas de cor de madeira clara, que quando batia o sol dava a impressão de serem levemente douradas — como o cabelo da Rosalie. O quintal da frente estava com a grama um pouco alta — indicando que não morava nenhum homem ali, ou se morava era muito desleixado -, mas mesmo assim de um verde brilhante e cuidado, assim como a maioria dos quintais das casas na Califórnia. Mas apesar disso, era um local confortável, que mais parecia um chalé antigo que ficava perdido no meio da mata.

Atravessei aquele pequeno gramado e subi as escadas da varanda, nem batendo na porta eu já fui entrando. Eu era de casa, e Rosalie não se incomodava com isso — tanto que ela fazia o mesmo na minha, só que ao invés de entrar pela porta, entrava pela janela. E também, não é como se eu fosse encontrar ela em alguma cena constrangedora naquela hora. Naquela hora! Porque em outras, eu já havia tido muitas lembranças ruins que eu queria a todo custo apagar da minha mente.

– Estou entrando. — avisei, já dentro da casa.

Dava para ouvir o barulho do chuveiro, o que significava que Rouss estava tomando banho. Eu segui para a cozinha e abri a geladeira, pegando uma latinha de Coca-Cola, depois me sentei no balcão. Fiquei ali olhando pela janela o movimento da rua, quando fiquei entediada e olhei para o meu lado. Tinha uma pequena folha preta, com letras coloridas que chamaram a minha atenção. Peguei e comecei a ler. Era um anúncio da boate Druken American Rebels — a qual Rose trabalhava — e falava que estavam precisando de ou barman ou bargirl.

– Você está com sorte. — Rosalie falou, me assustando. — Muito folgada, hein. — ela veio até mim e pegou a latinha da minha mão, tomando um gole.

Rosalie estava apenas enrolada em uma toalha, e andava pela casa molhando o chão todo. Ela subiu as escadas que dava no único quarto ali e eu a segui.

– Yep, estou mesmo. — concordei.

Eu me joguei em sua cama, achando algum espaço nas diversas roupas que tinham ali em cima. Assim era o quarto de Rosalie, uma verdadeira bagunça de roupas, CDs, posteres e papéis de bala por ela ser uma viciada em açúcar. O pequeno cômodo tinha uma janela que dava para a rua, e uma porta que era o armário de roupas, aonde Rosalie tinha entrado. Com o teto inclinado aquilo mais pareciam um sótão, como no estilo de filmes quando as adolescentes tinham seu quarto lá. Eu me sentia em casa quando estava ali com ela.

Mas era assim que nós nos sentíamos uma na casa da outra, como se fosse nossa. Também, com uma amizade de longa data só podia ser assim mesmo. E também, eu não tinha porque ficar constrangida na casa da Rosalie, pois ela morava sozinha e com ela as coisas ficavam mais livres.

E não, você não leu errado, Rosalie Hale morava sozinha aos dezessete anos. E não, não tinha acontecido nada grave com os pais dela e ela era uma fugitiva de algum orfanato, longe disso. Seus pais moravam em Washington e estavam muito bem, sabiam da filha e mandavam dinheiro para ela todo mês. Rosalie só morava sozinha por opção própria, pois ela não queria ir embora de Los Angeles e decidiu ficar aqui comigo. Então, depois de chorar muito, virar uma rebelde sem causa de dar muita dor de cabeça ao Sr. Hale e a Sra. Hale, eles finalmente deixaram ela fazer o que queria.

Agora Rosalie tinha sua própria casa — pequena por escolha dela -, e vivendo feliz com apenas algumas condições. Os pais de Rose falaram que se ela queria morar sozinha tinha que ter responsabilidades de quem era independente, e isso significava trabalhar, ter sempre comida dentro da geladeira e dos armários e não aprontar. Também tinha mais uma condição do Sr. Hale, que era: nada de trazer garotos para cá, só Bella pode entrar! Ainda bem que ele tinha pensado em mim. Apesar de que como ele falou, parecia que eu era a única "garoto" que podia estar ali. Mas tudo bem, eu já estava acostumada a isso.

– Sabe quem tinha me ligado aquela hora? — perguntei e ela negou. — Jasper.

– O da lanchonete?

– Esse mesmo. E sabe o que ele queria?

– Hã... Pedir que você nunca mais apareça na lanchonete e na vida dele? — chutou.

– Errado. Ele ligou para pedir desculpas por não ter me defendido e também para avisar que o emprego ainda era meu.

– E você respondeu? — ela me encarou.

Ok, agora eu estava pisando em um campo minado, e dependendo do próximo passo que eu desse podia ficar em pedacinhos que não poderiam serem colados para Renée me enterrar toda bonitinha. Eu não sabia qual seria a reação de Rosalie a minha resposta, mas torcia que fosse boa.

– Bem... Eu falei para ele que iria pensar, porque o Walter, sabe o gordão lá, queria me transformar em uma... Dama. E eu não sei... — dei de ombros.

– Ah sim. — Rosalie vestiu uma calça jeans hiper mega colada, destacando suas curvas. — E você já pensou?

– Eu estou com medo de nós duas trabalhando juntas. — confessei, fazendo Rosalie gargalhar.

Ela vestiu uma blusa branca com o nome da boate e veio até mim, deitando do meu lado. Hoje Rosalie só iria comparecer lá para pegar seu salário e fazer uma festinha particular entre os vips que sempre apareciam em plena segunda feira. Eles adoravam fazer festas em agosto.

– Eu também estava pensando nisso. — falou. — E sabe o que eu acho?

– O que?

– Que você deveria ir para essa lanchonete. Fala sério, é legal lá! É calmo e fácil. Você não precisa ficar servindo caras bêbados e que dão as piores cantadas do mundo. — rimos. — Enquanto eu fico no meu trabalho.

– É, você está certa, Rouss. — concordei. — Mas então, e esse anúncio? — balancei o papel.

– Ah, sim, foi ideia de Carl. Ele precisa mais de um barman do que de uma bargirl, só que agora o que vier está ótimo.

– Hm. — fiz.

Eu sabia como as coisas eram um pouco corridas na boate, por ser uma das mais badalada de Los Angeles. E sabia também que alguns barmans se matariam por aquele emprego, por causa do salário. Rosalie recebia muito bem — fora a gorda mesada que os pais dela mandavam -, então o dinheiro era muitas vezes gastos com besteira. Ela era uma das melhores de lá com suas habilidades em malabarismo, e por curiosidade minha e do meu irmão, nós pedimos que ela nos ensinasse. Era uma coisa fácil fazer isso, e nós dois aprendemos rápido. Emmett até fazia as coisas mais difíceis que Rouss fazia.

– Já sei! — falei, assustando a loira, que estava brisando.

– O que? — perguntou.

– Emmett está sem emprego, e ele sabe fazer muitas coisas como esses barmans, e a DAR está precisando. Ligando esses pontos...

Rosalie ficou me encarando por pelo menos uns três minutos. Era por isso que eu implorava tanto para ela pintar aqueles cabelos loiros, pois eu sabia que eles afetavam o seu cérebro. Nada contra loiras, pois muitas eram inteligentes, mas tinham outras que só por Deus mesmo. E Rosalie era uma dessas.

– NEM PENSAR! — Rosalie gritou, levantando da cama e seguindo para o banheiro.

– Ah, Rouss, por favor... — choraminguei, seguindo ela. — Eu também não sou fã do Emmett, mas ele está precisando disso.

– Ficou louca? — fez uma pergunta retórica, sem nem me olhar. Estava concentrada em colocar pasta na escova de dente. — Eu não aguentaria aquele garoto trabalhando comigo por quase cinco horas! — ela começou a escovar os dentes.

– Ele não é tão irritante assim. E essa sua aversão por ele vai ser até bom, porque assim vocês não se distraem. Pensa, você sem querer olhar na cara dele, sem conversa, mais trabalho...

– Eo no quelo izo. — ela falou com a boca cheia de espuma, quase não dando para entende-la. — Vou matal eze!

– Não vai não. Dá uma chance pra ele, vai? — fiz meu olhar pidão e Rosalie me encarou, entediada. — Por favor, Rouss, meu amor. — pisquei os olhos.

– Eo oleio voze. — falou.

– Aiiiiii! — eu soltei um gritinho e comecei a fazer minha dancinha. Rodei no lugar e quando parei de frente para Rosalie, ela me lançava um olhar de "para com isso antes que eu te mate", e foi o que eu fiz. — Eu te amo! — falei antes pegar meu celular e ir para a cozinha.

Apertei o discagem rápida para o Emmett. Ele demorou para atender, e quando atendeu, estava ofegante.

– Não estou... disponível.– falou. Sua voz parecia distante, e tinha ecos, o que significava que estava no viva-voz.

– O que você está fazendo? — perguntei desconfiada, já fazendo careta.

Ele soltou uma risada.

– Você... Não vai querer... Saber.– falou e no final soltou um gemido.

– Ai meu Deus, que nojo! — coloquei a língua pra fora.

Emmett soltou uma gargalhada e eu ouvi a voz de uma mulher ao fundo.

– Quanta... Malicia, Bella.– falou. – Eu estou... Fazendo ginástica com a... Mãe do Alec.

– O QUE?! — arregalei os olhos. — Emmett, como você não quer que eu malicie? Pobre Alec, quando descobrir... — sussurrei.

– Cala a boca, Bella. – Emmett riu e foi acompanhado por outras pessoas. – Ele está aqui também, junto da Mell. Fala oi para a Bella, Alec. Oi. – ele fez, entediado e eu ri. – Fala oi pra Bellinha, Mell.– barulho cortando. – Oi Bellinha!–ela soltou animada.

– Hey, gatinha. — a cumprimentei.

Mell, a irmã mais nova de Alec, ela tinha dez anos, era a única criança na face da Terra que eu gostava. E não era por ela me tratar docemente, mas sim porque a pestinha era uma capetinha e tinha os melhores planos para Alec e Emmett. Eu ia na casa dos Volturis dizendo para Renée e os pais de Alec que ia ser amiguinha da Mell, mas na verdade nós íamos era aprontar contra nossos irmãos que ficavam jogando videogame. Eu adorava fazer isso com a garotinha de pele amarelada e cabelos negros, com grandes olhos azuis, como era Alec. A cópia perfeita do meu mudinho preferido.

– Viu como eu não estou fazendo nada, Pinóquio?– Emmett riu.

– Nossa, ufa! — soltei o ar. — Menos mal. E não me chama de Pinóquio.

Emmett adorava tirar uma com a minha cara por causa do meu nariz. Para mim e para qualquer outro ele era normal, até engraçadinho por ser fino, mas para meu irmão era grande e ele dizia que crescia todos os dias que eu mentia para Renée, como acontecia com Pinóquio.

– Fala o que você quer. – ele mandou, agora sua voz ficando normal.


– Cara, eu arranjei um emprego para você! — soltei, animada.

– Mentira?! É de que?

– A sua cara.

– Eu te odeio.– sua voz ficou ríspida. – Não tem graça isso, Bella.

Eu fechei os olhos e suspirei. Como alguém podia ser tão burro como Emmett era?

– Idiota, não é brincadeira não. Arranjei um emprego de barman para você.

– NOSSA! – ele gritou, fazendo eu afastar o aparelho da orelha. – Que demais!

– Pois é, só quero que fique avisado logo de agora que sexta-feira você vai entrar lá.

– Ok.– ele estava eufórico. – Então até mais tarde em casa.

– Até. — desliguei.

Rosalie passou por mim, subindo as escadas para o quarto dela. Eu a segui novamente, indo até sua penteadeira e pegando um elástico para prender meu cabelo, assim como ela. Nós duas nos encaramos pelo espelho e ela fez careta para mim.

– Ok, hoje a noite tem que ser boa. — ela falou. — Você vai estar lá de bobeira ou vai pra casa?

– Primeiro vou na lanchonete e depois vou pra casa. — murmurei, pensando comigo mesma. — Acho que sou vou dar uma passada na DAR só na sexta mesmo. Renée está meio receosa comigo agora...

– Quem não estaria, quando as dez da manhã você coloca fogo nos lençóis. — Rosalie revirou os olhos.

– Como você... Emmett! — praguejei o nome do fofoqueiro.

– Yeah, ele me ligou antes de você e me contou o que fez. Ou mais ou menos...

– Como assim?

– Acho que ele queria era ligar para os bombeiros, porque gritava desesperado falando que a irmã maluca dele tinha botado fogo na casa. — bufei.

– Emmett só queria ouvir a sua voz de manhã, Rosalie. Ele sabe que quando já fala Alô, você desliga. — nós duas rimos das investidas do meu irmão bobão.

Olhei para o relógio que ficava na perto da TV e sorri, pois estava quase no final do horário de almoço.

– Eu preciso ir. — a loira falou antes de mim.

– Eu também. — segui com ela para fora de casa, e a esperei trancar a porta.

– Você vai mesmo na sexta?

– Vou sim. — assenti, pensando comigo mesma. — Tenho umas contas pendentes...

Eu já tinha tudo planejado na minha cabeça, e faria o que estava devendo para Edward. Estava com sorte, porque em apenas um dia Edward conheceria muitas pessoas da escola, para quando ele entrasse no ultimo ano não precisasse se preocupar em ter que se enturmar, porque já estaria enturmado antes mesmo desse dia.

– Ah, que bom que você lembrou! — Rose me olhou.

– Lembrei do que? — perguntei, confusa.

– Que você tem umas contas pendentes no DAR, dã. — ela me cutucou com a mão. — Está na hora de me pagar.

Fiquei olhando para ela, tentando lembrar de que contas ela estava falando, e me veio a mente as bebidas que eu tinha tomado com a loira.

– Hey! Você tem que pagar metade, nada disso. — protestei, dando as costas para ela e seguindo para a rua que ia para a lanchonete.

– Eu nada, você falou que ficava por sua conta! — ela gritou.

– Mentirosa, eu não estava bêbada o suficiente para falar isso. — me virei, olhando para ela, que estava no mesmo lugar parada. — Nem tente me enganar, hein.

Rosalie me mostrou o dedo do meio e me deu as costas, indo pelo caminho contrário que eu.

– Te ligo depois. — gritou por cima do ombro.

– OK!

Eu fui o mais rápido que podia para a lanchonete. Lá encontrei Jasper, que sorriu para mim. O Lorde não estava, então eu apenas assinei meu contrato para trabalhar ali, e fiquei olhando o que Jasper fazia. Por ser segunda-feira o movimento não estava tão alto, e eu até fiz algumas coisas, como peguei os pedidos e entreguei, que era um exemplo do que eu iria fazer. As patricinhas não apareceram, graças ao bom Deus, e eu pude fazer tudo em paz. Me sai bem, foi o que Jasper disse, e eu sabia, porque eu era ótima no que fazia.

Ok. Ok, eu estava exagerando, porque eu só fazia coisas que realmente saiam boas quando eram encrencas e planos malvados, de resto eu acabava por me ferrar. Ok, ok de novo, eu nunca me dava bem, em tudo me ferrada. Mas eu não tinha culpa!

Depois do meio expediente até as sete, eu me despedi de Jasper, que tinha se mostrado um cara legal, e corri até em casa. Não estava tão tarde para bater na porta da casa de alguém, então ofegante como estava, e sem pensar duas vezes atravessei do meu quintal para o dos novos vizinhos e toquei a campainha. Ouvi vozes lá dentro, não sabendo identificar de quem eram, nem da do Edward. Fiquei com receio de quem atendesse a porta fosse a mulher bonita, porque eu sabia que se fosse ela, iria ficar nervosa e começar a falar coisas sem pensar — como tinha feito na lanchonete com Jasper — e talvez poderia soltar o que tinha feito na casa dela no dia da mudança dela. Yeah, se a mulher bonita atendesse a porta nesse exato momento, eu teria que correr para longe.

– O que? — uma garota falou, fazendo eu sair dos meus devaneios.

Eu reconheci por ser a garota que eu tinha visto de costas no dia em enquanto fugia de Edward. Ela era muito bonita, e fazia eu me lembrar de Alice Brandon, o que fez eu logo fechar a cara para ela, e a expressão foi imitada pela garota de pele clara e cabelos ondulados do mesmo ruivo estranho do Edward. Na verdade, ela me lembrava muito ele, só que com os traços femininos. E se ele era lindo, ela detonava o irmão. O nariz arrebitadinho com pequenas sardas salpicando por ele lhe davam uma certa inocência, mas os olhos me lembravam felinos quando procuravam por uma caça, todo atento e perspicaz para qualquer detalhe. De um verde tão profundo e escuro que não dava para ficar olhando muito para eles. Eu não sabia definir como aquela garota era, mas com toda certeza ela deixava muito marmanjo ai com o coração destruído.

– Er... — pigarreei e mordi meu lábio inferior. — O Edward está? — perguntei.

– Espera. — pediu e se virou para trás. — EDWARD, TEM GENTE QUERENDO FALAR COM VOCÊ! — se virou para mim novamente, com um sorriso. Seus dentes eram muito brancos. — Ele já deve estar vindo... — ergueu uma sobrancelha, com a expressão confusa.

– Bella. — respondi, retribuindo seu sorriso.

– Quem é, Nessie? — ouvi a voz de Edward soando lá dentro e segundos depois apareceu atrás da garota. Foi ainda mais possível perceber a semelhança dos dois. — Ah, oi Bella!

– Hey. — o cumprimentei, sorrindo.

Nessie deu um tchau e entrou, perguntando para Edward se ele já tinha arrumado as coisas, que o ruivo respondeu que sim. Edward saiu para fora e fechou a porta, ficando na minha frente.

– E então, o que a minha nova vizinha tem para falar comigo? — perguntou.

– Eu só queria saber se você quer sair sexta feira que vem... — dei de ombros. — Sabe, estou devendo uma parte dos favores para você e acho que sexta vai ser o dia perfeito para cumprir e vai render muitas novas amizades.

– Seria legal. — ele assentiu, olhando para os lados. — Mas... Teria algum problema de eu levar Nessie junto? — apontou para dentro. — É que ela vai querer ir... — fez uma careta.

– Não. Nenhum problema, pode levar sua versão feminina. — respondi e ele me olhou de forma engraçada. — O que? Vocês se parecem e foi o único apelido que me veio agora. Preciso de um tempo, sabe... — olhei para Edward, que ainda estava com uma cara engraçada.

Eu ainda achava graça olhando para ela, mas já estava acostumada com essa meia... Careta. Digo, desde quando eu o conheci Edward fazia aquela careta, deveria ser alguma expressão só dele, sei lá. Tudo bem que eu não vi ele usar essa expressão com Rosalie, só comigo, mas sabe como é... Acho que eu o devia deixar desconfortável.

– Ok. — murmurou lentamente e depois sorriu de forma que me fez hiperventilar. Ok, tudo que ele fazia eu ficava assim, mas tudo bem. — Você vai usar vestido nesse dia, Bella?

– O... Que? — ergui uma sobrancelha para disfarçar o gaguejo que soltei.

– Estou brincando. — ele gargalhou e eu soltei uma risada nervosa. — Eu só queria ver qual é a sua reação. É engraçado que você faz brincadeiras maliciosas e não fica vermelha, mas quando alguém faz, até parece que vai chegar ao roxo.

– Ah, vai se ferrar. — bati no ombro dele, rindo também.

Eu não tinha culpa se isso acontecia. Não era sempre, era ele que fazia eu ficar assim. Eu não me importava de ser cara de pau e mandar algo na lata, como falar que ele é bonito e gostoso, mas se ele insinuasse alguma coisa, eu já me sentia uma garotinha de treze anos.

– Ok, parei. — levantou as mãos, se rendendo.

– Bella? — ouvi a voz da minha mãe me chamar.

Olhei para atrás e ela estava com o carro na rua, vendo se era eu mesma ali. Dei um pequeno aceno para ela, que retribuiu e depois entrou com o carro na garagem. Renée tinha que usar óculos, isso era um fato, porque nem estava tão escuro assim. O tempo estava ainda no por do sol, meio arroxeado, como se as nuvens fossem sorvetes derretidos e espalhados, da forma que eu mais amava. O tempo quente, mas fresquinho, com aquela briza. Uma pessoa com a vista normal não precisava força para enxergar, mas Renée não estava, e se recusava a usar óculos por falar que ficava velha. Cara, minha mãe é gata e não fica velha nunca! Nem se colocasse óculos de velha.

– Bom... Essa é a minha deixa para ir pra casa. — comecei, dando passos para trás. — Depois nós se fala, Edward.

– Até, Bella. — ele acenou, já entrando também.

Me virei para ir até em casa, mas parei, sorrindo comigo mesma. Se Edward queria brincar, eu ia brincar também.

– Ah, antes que me esqueça. — falei, fazendo ele parar. — Eu vou sim de vestido. — pisquei um olho e Edward riu, assentindo com a cabeça. — Tchau, Vizinho Gostoso.

Eu andei rápido para aonde Renée vinha, ela trazia sacolas de papel do mercado, tentando equilibrar aquilo. Eu a ajudei, e ela abriu a porta com a chave.

– Fazendo novas amizades? — perguntou, me deixando entrar.

– Claro que sim. — sorri. — Mãe, eu sou Bella Gostosa Swan, acha que eu não seria a primeira a falar com aquele gato?

Renée me guiou para a cozinha, rindo.

– Você e Emmett são mesmo irmãos, não pode negar. Falam iguais e tem o mesmo segundo nome: gostosos. — gargalhamos.

– É porque isso é um fato. — pisquei um olho para ela.


Notas finais
E então, minhas cats, como estão? Eu espero que muito bem :) E o que acharam do capitulo? Não teve muitas emoções, mas foi porque eu só estava dando uma arrumada na vida da Bella e dando um passo para o próximo capitulo - acho que ja deu pra imaginar o que vai acontecer, KKK.
.
Eu queria agradecer a MilenaOL e a Daay pelas lindas recomendações. Quando eu vi aquele numero 2 ali eu fiquei assim O.O e pensei : CARAMBA, JÁ GANHEI DUAS?! Sério, to mega feliz, vocês não sabem o quanto *O*
.
Antes de qualquer coisa, eu queria deixar um pequeno aviso aqui que eu não sei bem quando vou postar um novo capitulo de Revista Nerd e de Aquela Garota, porque ultimamente eu ando tendo um bloqueio diante das duas fics porque apareceu uma outra idéia na minha cabeça que se eu não coloca-la logo para fora, vou pirar total. É sério, o que está por vir está me matando lentamente, KKKK.
.
Bem, é só isso que eu tenho pra falar. E também que ando meio corrida aqui por causa da chuva. Estranho, toda vez que vou postar um capitulo começa a chover >.< Será que eu demoro tanto assim e quando faço, é um milagre? KKK . OK, parei de viajar.
.
Beijooos gatinhas :*