Aquela Garota

18 Sequestro


Notas iniciais
Hey pessoal, como vão? Eu quero pedir mil e uma desculpas para vocês pela demora. Eu tinha ele na metade e meu computador deu um problema e eu perdi, depois aconteceu de eu ficar oito dias sem internet por causa da vivo lixo, e então o Nyah ficou em manutenção e esse final de semana eu viajei. Mas bem, agora to aqui e vocês não precisam mais me odiar, eu acho. Espero que gostem do capítulo ;)

17. Sequestro

Bella POV

O clima estava tenso. Parecia que ninguém ia se mexer ou até respirar. Edward ainda continuava em cima de mim, e minhas mãos dentro de sua camiseta. Emmett ainda mantinha os braços cruzados e uma carranca. Rosalie estava com um sorriso malicioso. E Alec, Jasper, Renesmee, Alice e Tânia estavam de boca aberta.

– Eu sabia que você estava aprontando uma, Bella. – Rosalie falou maliciosamente. – E sabia que era com o Edward.

– Estava estampado na cara dos dois que isso iria acontecer. – Tânia soltou debochada. – Eu sempre soube.

Edward lentamente começou a sair de cima de mim, ficando em pé ao lado da cama. Eu sentei, ajeitando minha roupa que estava uma bagunça.

– E então, vão me explicar que porra está acontecendo aqui? – Emmett perguntou.

Edward e eu nos olhamos, sem saber o que falar. Afinal, não tinha explicação quando tudo que eles viram era a explicação. Nós estávamos nos beijando, ponto.

Decidi mudar o foco.

– E vocês vão me dizer por que chegaram aqui fazendo bagunça? E porque estão todos juntos? E... Sujos e com roupas rasgadas? E que porra aconteceu com a testa do Alec? – apontei para a coisa grotesca roxa na testa do meu amigo.

Eu consegui o resultado que queria. Todos invadiram meu quarto e começaram a falar ao mesmo tempo, mexendo às mãos de um lado para o outro. Tânia, Alice e Renesmee tinham expressões de pânico, Rosalie e Emmett de raiva, Jasper estava entediado e Alec fazia uma careta.

– Tudo tem que acontecer no Tijela e...

– O carro era enorme, enorme mesmo...

– Eu só queria passar um dia em paz...

– Eu tentei colocar em pratica minhas aulas de kong fu...

– Eu nem sei por que eu estou no meio disso...

– Eles eram grandes, musculosos e tinha vozes robóticas, acho que eram ETs...

– E sequestraram as gêmeas e...

Aquilo tinha virado bagunça.

– Cala a boca! – Edward gritou e todos calaram na mesma hora. – O que você falou, Alice? Sequestraram as gêmeas?

E novamente começou a bagunça com todos falando sobre o tal sequestro das gêmeas.

– Calem a porra da boca! – foi a minha vez de berrar e eles ficaram quietos. – Vocês parecem àquelas pessoas loucas gritando no inferno, não sabem ter calma, santo Deus! – joguei as mãos para a cima.

– Olha quem fala. A garota que foi exorcizada três vezes. – Tânia cruzou os braços e revirou os olhos.

– Hey! – me ofendi. – Eu não sou uma alma com demônio, ok? Então relaxa ai, Denali. E antes de você abrir a boca para falar algo, saiba o que está falando porque foram quatro vezes. Qua-tro. – falei lentamente para ela entender. – Quatro vezes que o John chamou um padre e as irmãs. Não sabe, não fala.

– Só ela pra se ofender com a conta dos exorcismos. Essa é a Bella. – Rosalie zombou e eu mostrei o dedo do meio pra ela.

– Foi uma coisa importante da minha vida. Quando foi comprovado que eu não tinha um demônio no corpo. Não posso esquecer. – dei de ombros.

– Vamos para com isso, por favor. – Renesmee deu um passo. – Além de ser assustador e sinistro, temos coisas mais importantes para resolver no momento.

Eu voltei a prestar atenção neles e em suas roupas sujas e rasgadas.

– Está certo. Quem quer contar a história? – Edward perguntou e todos abriram a boca para falar, mas ele levantou a mão os sinalizando para ficarem quietos. – Uma pessoa só.

– Eu conto! – Tânia tomou a frente, empurrando Nessie para trás.

– Porque você conta, patricinha? – Rosalie decidiu bater de frente com ela.

Tânia colocou as mãos na cintura e empinou o nariz.

– Porque foram as minhas primas que foram sequestradas, então eu vou contar. Além de que você não sabe de nada, apenas que chegou chutando tudo como um vândalo.

– Não foi como um vândalo! – Rosalie se ofendeu, dando um empurrão em Tânia. – Eu lutei kong fucomo o Senhor Miyagi ensinou em Karate Kid. E eu sou muito boa porque assisti todos os filmes...

– Você é louca? – Tânia a olhou como se fosse um ET. – Do que você está falando?

– Depois eu que sou louca. Você não sabe nada de Karate Kid? Sem cultura!

– Chega! – Edward se intrometeu, ficando no meio das duas. – Não importa quem fez o que ou quem é o que, eu só quero saber o que aconteceu para vocês todos estarem assim juntos e que negocio é esse de as gêmeas terem sido sequestradas. Foda-se que Tânia é prima delas, ok? E foda-se que Rosalie sabe karate, eu não me importo. Só contem logo a droga dessa história!

Seria errado demais dizer que fiquei excitada por Edward todo nervoso e mandão daquele jeito? Porque eu fiquei. Que nadador mais gostoso.

– E não é karate, é kong fu. – Rosalie murmurou com um bico e Edward lançou um olhar de raiva para ela que me fez arrepiar.

Acreditem, não foi arrepio de medo. Foi arrepio de expulsar todas aquelas pessoas daquele quarto e tirar nossas roupas.

– Tânia, comece a explicar o que aconteceu. – ele mandou.

Tânia POV

Eu ajeitei meu lindo cabelo me preparando para contar a história. Todos me encaravam, o foco em mim, como sempre deveria ser. Claro, com a perfeição que eu sou, isso é o mais correto. Os holofotes sempre tem que estar em cima de mim.

– Da pra parar de enrolar? – Bella perguntou grossa e se jogou na cama. – Não tenho o tempo todo. E tem umas coisas que preciso terminar... – ela olhou para Edward e mordeu o lábio. Ele sorriu malicioso, tentando disfarçar sob o olhar de Emmett.

Eu sempre soube que isso iria acontecer quando vi os dois juntos. Conhecia Bella e mesmo ela sendo o desastre que ela era, o seu tipo era o certinho como Edward era – ou foi antes de passar muito tempo com aquele grupo de delinquentes que eram os amigos de Bella. Além de ele ser um nadador. Eu a conhecia como a palma da minha mão para saber que ela tinha atração por nadadores. Também, como não ter? Meu paixão era um bom exemplo de perfeição. Brad era a perfeição em pessoa. Era a minha outra metade.

– Tânia! – Edward chamou minha atenção.

– OK. – falei e me sentei em uma poltrona, cruzando minhas belas pernas. – Vocês são apressados demais, sabiam? Vão ter rugas cedo, pele velha, seca... – tremi.

– Assim não dá! – Rosalie falou. – Eu vou contar.

– Não! – gritei e ela me encarou. – Edward falou que eu vou contar, então eu vou contar. Agora aquieta a bunda em algum lugar.

Ouvi o suspiro grupal e revirei os olhos, cruzando os braços para começar a contar a triste história.

– Começou quando eu estava passando com minha BMW perfeita em frente ao tal... Tijela. – fiz uma careta ao lembrar aquele lugar.

– Porque nós paramos? – Alice questionou.

Eu a ignorei e continuei procurando por Bella lá. Ela devia estar lá já que Emmett e Alec estavam. Provavelmente ela estava com Rosalie em algum outro lugar. E aquele... Parque cheio de arruaceiros com skate era o local perfeito para nós fazermos nosso plano contra Emmett.”

– Vocês tinham um plano contra mim? – Emmett olhou de mim para a Bella.

– Cala a boca. – mandei.

– Bella! – Rosalie olhou para Bella, que estava com uma expressão entediada. – Como assim você tem um plano com Tânia e não comigo? E nossos anos de amizade? E nosso pacto?

– Que pacto? – Bella pulou da cama. – Você nunca quis fazer um pacto comigo. Edward foi corajoso, ele fez! – então a expressão dela passou de magoada para maliciosa e ela mexeu as sobrancelhas na direção de Edward, que passou a língua nos lábios.

– Eu nunca faria um pacto com você assim! – Rosalie colocou a língua pra fora, com nojo.

– Bella, se recomponha! – Emmett rosnou e ela desviou os olhos de Edward por alguns segundos, mandando de esnobe para Emmett. – E que tipo de pacto é esse?

– Se eu fosse você, Emmett, não ia querer saber. – Jasper, pra provocar, colocou lenha na fogueira.

– O que?! – Emmett se virou para Edward.

– Chega! – Alec, o garoto que achei que tinha sofrido algum acidente pra ficar mudo, falou. Oh. – Enquanto vocês discutem coisa idiota, as gêmeas devem está sofrendo sob tortura. Então deixem a Tânia terminar a história para que possamos fazer algo.

– Ele está certo. – Nessie, bobamente apaixonada, concordou.

Aquele quarto estava cheio de romance rolando, eu podia sentir. Primeiro Bella e Edward. Então Renesmee e Alec. E por fim Alice e Jasper. Ela achava que eu não tinha percebido os olhares que eles trocavam. Podia ainda não ter um romance, mas estava indo por esse caminho.

– Continue, Tânia. – Edward mandou.

– Bem... Como eu ia dizendo... – olhei para minhas unhas perfeitamente feitas. – Eu estava olhando para aquele lugar com pessoas... Como Bella.

– Não ofende, cadela.

Ignorei seu xingamento.

“– Nós vamos entrar lá? – Alice fez uma careta.

– Meu Deus, será que não da pra você calar a boca?! – perguntei e ela bufou. – Não pergunte nada, apenas faça o que eu mando.

Ouvi seu resmungo, mas ignorei, terminado de estacionar meu carro. Tranquei as portas e ativei o alarme quando saímos, pois não sabia como eram os arruaceiros que Bella convivia. Nunca se sabe se algum deles vai tentar roubar em plena a luz do dia.

Tive que enfiar meus lindos Prada naquele lugar que tinha vários buracos. Pessoas com roupas largadas e suando por fazer tanto exercício passavam por mim. Tinha alguns que ainda mexiam comigo, mas eu ignorava como uma boa garota de classe alta que não se rebaixaria pra aquele nível.

Olhei ao redor daquele lugar, vendo aqueles buracos no chão aonde desciam com o skate. Qual era a graça nisso? Ir de um lado para o outro e suar como um porco, além de poder se machucar. Nunca entenderia.

– Eu não estou achando aquela garota... – murmurei. – Vou ter que falar com Emmett.

Segui para aonde Emmett estava. Ele tinha os braços cruzados diante do peito e olhava o amigo mudo dele fazer umas coisas estranhas com o skate dentro daquele buraco.

– Hey, Emmett. – o cutuquei com a minha unha.

– Tânia? – ele franziu o cenho. – O que você está... Fazendo aqui?

– Cadê a sua irmã? – ignorei sua pergunta.

Ele abriu a boca para responder, mas ouvimos um barulho alto que veio do buraco. Olhei e Alec estava todo torcido caído no chão, com uma mão na testa. Emmett começou a gargalhar, com as mãos na barriga.

– Eu não acredito que perdi essa queda... Droga! – ele ainda ria, perdendo o ar. – Alguém filmou?!

Todos que estavam perto negaram, também rindo do Alec. Esse levantou, bufando e com o impulso saiu daquele buraco.

– Cadê a Bella, Emmett? Eu não tenho tempo!

– Relaxa ai, Tânia. Se você quer saber onde está a minha irmã, tem que me tratar direito.

– Tratar direito uma ova! – bati o pé. – Me fale onde está a sua irmã porque eu não aguento mais ficar nesse lugar cheio de gente pobre e vândala que não fazem nada da vida. Quanta pobreza, olha isso... – lancei um olhar de nojo para aquele lugar. – Então me fala logo aon... Ai! – dei um passo para frente quando alguém bateu o ombro comigo. – Quem ousa encostar o ombro pobre no meu? – virei furiosa.

Uma garota cheia de curvas e carne estava parada na minha frente com os braços cruzados. Ela usava um mini-short jeans que deixava suas coxas toda a mostra de um jeito vulgar, assim como sua regata fazia seus peitos enormes quase pularem para fora e curta pra mostrar a barriga. E usava um boné, os cabelos negros grandes até a cintura.

– Karen! – Emmett abriu os braços a cumprimentando. – Você por esses lados...

– Oi, Emm. – ela o cumprimentou com o sorriso, que depois direcionou para mim, só que cheio de falsidade. – Olá, patricinha.

– Quem é você? – ignorei seu cumprimento.

– Eu sou a Karen. E você?

– Tânia Denali. – a olhei de cima a baixo.

Ela imitou o meu gesto, dando o sorriso mais cínico que podia. Só que o meu era melhor que o dela, afinal, eu sempre sou melhor.

– Você não parece fazer parte daqui. O que está fazendo aqui, Denali?

– Isso não lhe interessa. Por algum acaso você é cega?

Karen franziu o cenho com a minha pergunta.

– O que?

– Parece que é surda também. Eu estou perguntando por algum acaso se você é cega, já que bateu no meu ombro quando estava de costas. Então, você é cega ou o que?

Karen semicerrou os olhos na minha direção e eu continuei minha pose de diva, a olhando de cima, já que por ter corpo de modelo sou mais alta.

– Oh, isso não vai prestar... – ouvi Alec murmurar para Emmett, que riu.

– Tânia, eu acho melhor nos irmos embora. – Alice, medrosa, puxou meu braço. As gêmeas concordaram com ela em acenos de cabeça. – Bella não está por aqui.

– Então você é amiga da Bella? – Karen perguntou.

– Inimiga, para ser exata. – dei de ombros. – E então, vai me responder por que você bateu seu ombro pobre e vulgar em mim?

– Vulgar? – Karen rosnou.

Eu mereço mais cínica e falsa.

– Não sei por que está ofendida, querida. – soltei docemente. – Se você se veste assim, mostrando todo seu corpo, é porque está preparada para isso. Se você se veste como uma vadia, você vai ser chamada de vadia.

– Tânia! – Alice gritou.

– O que? – Karen soltou os braços e deu um passo na minha direção. – Repete, patricinha, se você for mulher!

Essa garota além de vadia era uma burra, porque se eu não tinha medo de Isabella Swan, que era filha do demônio, imagine dessa garota? Só no mundinho de vadias dela que eu iria ter medo.

Eu me aproximei dela, com nossos rostos próximos.

– Vadia. – murmurei, a olhando nos olhos. – Uma vadia cega e burra.

Karen soltou um rosnado de cadela e avançou em cima de mim, me pegando pelos cabelos. Eu soltei um grito, enfiando minhas unhas nas mãos dela.

– Você vai pagar por me xingar! – ela gritou.

– Briga de mulher! – algum imbecil gritou de algum lugar.

Eu tentei soltar as mãos de pobre dela do meu perfeito cabelo, mas aquela vagabunda tinha pele de cobra porque não sentia minhas unhas. Então ataquei o rosto dela, grudando as minhas unhas em sua bochecha. Ouvi seu choramingo de dor e então ela soltou meu cabelo. Aproveitei e dei um tapa na cara dela, bem estalado e forte. Ela me olhou furiosa.

– Eu já tive milhares de brigas com Isabella Swan, você acha que essa puxadinha de cabelo é ruim? – bufei, ajeitando meu cabelo. – Isso não é nada perto das nossas brigas.

– Vai deixar por isso, Ka? – um cara tamanho gigante apareceu atrás dela, com um sorriso sacana. – Vai apanhar de uma patricinha?

– Oh, anomalia, não se mete não, ok? – ergui minha mão para ele. – A conversa ainda não chegou ao instituto do Ravier.

– Xavier. – Emmett sussurrou para mim.

– Tanto faz. – dei de ombros.

– Ela acabou de citar X-Men? – Alice perguntou para alguém.

O cara enorme estava me encarando com muita raiva, mas eu estava mais concentrada em Karen, que ainda tinha a mão no rosto.

– Tânia não deveria ter xingado ele. – Alec sussurrou.

– Agora já foi. – Emmett sussurrou de volta.”

– Espera... – Edward me cortou. – Tânia mexeu com o Huck? O mesmo que... Queria me matar? – ele tremeu.

– Esse mesmo. – Emmett assentiu.

– Não se preocupe, baby... – Bella pegou Edward pelo braço e fez carinho no peito dele. – Eu já dei um jeito no Huck e ele nunca mais vai mexer com você.

Isso ia dar em namoro, eu já estou até vendo. Esses dois vão namorar e casar, porque desse jeito que estão.

– Continua logo essa história, Tânia. – Emmett resmungou.

Escuta aqui, patricinha... – o cara grandão deu um passo na minha direção.

– Epa. – Emmett interveio, ficando na minha frente. – Nada de bater em garotas, Huck. E se você encostar um dedo na Tânia, vai ter que se virar com a Bella assim como a Karen já vai. Tânia é o brinquedo particular de tortura da Bella, ninguém encosta nela ou mexe com ela além da minha irmã. Karen já vai se ferrar, vai ter dormir de olho aberto, você também quer passar por isso?

Huck lançou um olhar de pavor para mim e deu um passo para trás, empurrando Karen na minha direção.

– Você já está ferrada, então terminar de acabar com ela. – falou e Karen o olhou, horrorizada. – Vai logo!

Ela avançou em cima de mim, novamente com as mãos na direção do meu cabelo. Eu tentei me esquivar, mas ela pegou em cheio meus fios de ouro e deu um puxão. Soltei um grito, agarrando os ombros dela e a empurrando, mas não adiantava. Então dei uma rasteira nela, fazendo nós duas cairmos. Começamos a rolar no chão, se batendo entre tapas e puxões e arranhões.

– Apostas! Apostas! Quem vai ganhar? Tânia Patricinha Denali? Ou Karen Gostosa Swayer? – Emmett gritava.

– Tânia!

– Karen!

– Quero briga delas nua em piscina com sabão!

– Vai, Tânia!

– Patricinha!

– Gostosa!

– Caceta ela, Karen!

– Aaaaaaaaaaaaaah! Socorro!

Todos calaram a boca quando um grito duplo de socorro soou por ali. E eu conhecia aquelas vozes mesmo sem quase ouvi-las. Eu soltei Karen com tudo, batendo a cabeça dela no chão e pude ouvir seu gemido de dor. Ergui a cabeça e vi Irina e Kate sendo arrastadas por brutamontes vestidos de preto.

– Kate! Irina! – berrei, tentando me levantar, mas Karen grudou na minha cintura. – Me solta, sua pobretona! Eu tenho que salvar minhas primas!

Eu enfiei meus dedos nos olhos dela e ela soltou um grito, me soltando. Levantei em um salto, olhando desesperada para minhas primas se debatendo nos braços.

– Socorro! Socorro! – elas gritavam em uníssono.

– Alguém ajude elas, pelo amor de Deus! – coloquei as mãos nos cabelos. – Chamem a policia estão tentando sequestrar minhas primas!

Todos pareciam paralisados com aquilo, assim como eu estava. Os amigos da Karen a ajudava a levantar, e o pessoal que eu conhecia não se movia. Eu estava com medo deles fazerem algo contra elas caso eu tentasse avançar para ajuda-las.

– Tânia, nós temos que fazer alguma coisa! – Alice grudou no meu braço.

– Liga pra policia! – mandei e dei um passo na direção de onde estavam levando elas, que era pra fora daquele lugar, mas alguém tocou meu braço.

– Não acho uma boa ideia. – Emmett cautelosamente falou.

– Boa ideia ou não, são minhas primas! – me soltei dele.

– Nossa, ela tem sentimentos. – Alec falou ironicamente.

Ignorei aquele garoto, que era muito melhor mudo, e comecei a correr na direção dos brutamontes que estavam chegando perto de um carro grande e todo preto. Era bom ser diva que sabe andar e correr nos saltos altos, porque senão eu teria ido ao chão naquele lugar cheio de buraco. Quando cheguei perto dos brutamontes, me joguei contra um deles.

– Solta a minha prima, seu monstro! Solta! Solta! – comecei socar seu braço.

– Tânia! Para! – começaram a gritar meu nome.

– Tânia, me ajuda! – Kate pediu, chorosa, se debatendo nos braços daquele monstro.

– Ih, olha Zac, a garotinha tentando me bater. – o brutamonte que levava a Kate riu, e Zac, o que levava a Irina, o acompanhou.

– Cada coisa, Zay. – Zac murmurou. – Sai fora, garotinha.

Zac e Zay? Isso lá são nomes? Tinha que ser pobres!

– Vocês não sabem com quem estão falando? – coloquei as mãos na cintura. – Eu sou Tânia Denali, filha de uma modelo internacional e de um advogado muito prestigiado! E eu exijo que vocês soltem minhas primas. Não dei o direito de vocês pegarem ela. Não autorizei elas saírem de perto de mim. Então a soltem!

Os dois pararam de forçar minhas primas e me encararam. Sorri triunfante, por eles saberem respeitar uma diva como eu e que por ser ralé deveriam me obedecer. Mas não aconteceu deles a soltarem, e sim começarem a gargalhar.

– Como ousam?! – bati o pé, furiosa.

– Vamos embora, Zac. – Zay balançou a cabeça, voltando a puxar Irina, que voltou a se debater. – Que garota hilária...

Eu avancei em cima dele, estapeando e gritando para soltar minha prima. Isso só os fez rir ainda mais. Eu estava sendo a palhaça dali. Cadê a policia de pobres quando se precisa dela?

Um grito agudo soou, nós paramos e olhamos para o lado e Rosalie vinha correndo em nossa direção. Ela deu um salto, com as mãos em ângulos estranhos na frente e a perna esticada, pronta para chutar o Zac, mas falhou quando ele, sem esforço nenhum, empurrou ela e Rosalie rolou na terra. Ela tossiu, cuspindo e soltou um gemido.

– Outra louca! – Zac gargalhou.”

– Senhor Miyagi teria vergonha de você, Rosalie. – Edward falou balançando a cabeça em decepção para a Rosalie.

– Cala a sua boca, ruivo, porque você está de rolo com a minha melhor amiga, se eu quiser acabar com isso eu acabo! – Rosalie rosnou, em pura raiva.

– Rá, essa eu duvido! – Edward riu. – Tem coisas, Rosalie, que Bella precisa e você não pode dar. É questão de necessidade. Você é a melhor amiga, que fofoca com ela. Eu sou...

– Olha o que vai falar, Edward. – Renesmee o alertou e mandou um olhar para Emmett, que prestava muita atenção na conversa.

– Eu ia dizer amigo com beneficio, que é o que está definindo nossa relação. – Edward revirou os olhos.

– Você não sabe como eu sou boa em convencer a Bella, Edward. – Rosalie sorriu maldosamente. – Não é, Bella?

Nós todos olhamos para Bella, que assistia aquela discussão divertida, como se estivesse gostando que havia pessoas brigando por ela.

Mas era claro que ela estava gostando. Bella gostava de confusão, ainda mais quando a envolvia, fisicamente ou só o nome. Bem, pelo menos confusão leve e não com aquele ex-namorado e amigo dela, Jacob. Com ele, ela não se divertia. Eu a conhecia.

– Sabiam que vocês são as coisas mais adoráveis quando estão brigando por mim? – ela perguntou sorrindo.

– Vai se foder! – Rosalie rosnou.

– Será que da pra parar com isso e deixar Tânia terminar essa história? – Alec chamou a atenção de todos pela segunda vez. Ou terceira, sei lá.

– Espera! – Jasper decidiu abrir a boca e eu bufei. – Antes de começar, eu queria tirar uma duvida.

– Tire. – Alice o incentivou.

– Er... Tânia ficou toda preocupada com as gêmeas. Isso significa que ela tem sentimentos?

Todos se viraram para mim, para saber. Eu joguei meu cabelo perfeito para trás do meu ombro, revirando meus lindos olhos azuis.

– É claro que tenho sentimentos. Mas só com quem os merecem. E elas... Elas são da família. – dei de ombros.

– Certo, Tânia, então pode continuar. – Edward mandou.

– Não! Espera! – Bella me cortou e eu lhe lancei meu olhar de ódio. – Eu só queria saber de que porra de lugar Rosalie apareceu?

Todos olharam para ela, que fechou a expressão carrancuda.

– Eu estava voltando do banco quando decidi passar no Tijela achando que Bella estaria lá, o que eu estava errada já que ela estava aqui se enfurnando com Edward. – ela lançou sorriso malicioso para os dois, que retribuíram. Emmett bufou. – Então vi a bagunça e Tânia batendo nos caras. Achei que era a melhor hora de mostrar o que aprendi com o Senhor Miyagi. Mas não deu certo. – encolheu os ombros.

– E com isso duas se esfregaram no chão, o que explica as roupas sujas. – Edward pontuou, indicando minhas roupas e de Rosalie. Soltei um gemido de dor por estar tão suja e bagunçada. – Mas não explica o resto de vocês. – indicou o resto.

– Calma que ainda tem história. – falei.

Eu fiquei tão paralisada com a ação rápida – e fracassada – de Rosalie que isso deu tempo suficiente para Zac e Zay enfiarem Irina e Kate dentro do carro. Foi o cantar do pneu que me tirou da minha surpresa, e eu soltei um grito quando as vi indo para longe.

– Rosalie? Rosalie! Minha deusa, você está bem? – Emmett correu até Rosalie a ajudou a se levantar.

Rosalie? Deusa? Rá, faça me rir. Essa era do gueto.

– E agora, Tânia? – Alice apareceu ao meu lado, os olhos azuis tristes. – Como vamos salvar elas?

– Algum ser inteligente nesse lugar pegou o numero da placa daquele carro enquanto eu estava tentando salvar as gêmeas? – gritei e não tive a resposta que queria, só:

– A garota mais burra perguntando de alguém inteligente, eu mereço. – que veio de Rosalie, que ainda cuspia poeira.

– Cala a boca, sua inútil. Achei que você toda animal ia me ajudar e não serve de nada. Então cala a boca! – mandei e olhei na direção que o carro tinha ido. – Nós temos que descobrir para aonde levaram as gêmeas.

Todos ficaram em silencio, também olhando para a estrada.

Eu estava preocupada porque minhas primas haviam sido sequestradas, eles iriam torturar elas, machuca-las e todo o esforço que tive de fazê-las ficarem bonitas iria para o lixo por causa disso. Os cabelos não iam mais ser bons, a pele ia ficar marcada e imagine o que mais eles poderiam fazer.

– Erm... – alguém pigarreou. Eu olhei e era um grandão igual ao que tinha ficado assustado por ficar na mira de Bella. – Eu acho que sei para aonde eles a levaram

– Para aonde?! – eu gritei, avançando nele. – Fala logo, homem!

– Para o único lugar aonde as coisas erradas acontecem. O lugar que todos têm medo de ir por ser proibido. O lugar aonde as coisas ilegais acontecem e a policia não consegue dar um jeito...

Eu fiz uma careta, já sabendo que lugar era. Todos ali sabiam. Emmett foi o único que teve coragem de falar.

– O Buraco dos Perdidos... – sussurrou e todos ofegaram.”

– Que lugar é esse? – Edward perguntou.

– Um que você nunca vai querer ir, Edward. – Alec fez uma careta. – É o lugar mais perigoso daqui, aonde todos os crimes acontecem.

– É horrível lá, irmão. – Nessie murmurou em um choramingo.

Edward franziu as sobrancelhas, pensando, e quando percebeu o que Renesmee havia falado arregalou os olhos e correu até a irmã, pegando ela pelos braços e olhando tudo.

– Você esteve lá, Renesmee? Me diga que não! – pediu desesperado.

– E-eu... Fui.

– Renesmee! – a expressão de Edward era de terror e preocupação. – Você se machucou? Te machucaram? – ele virou e revirou a menina procurando machucados.

– E-Edward, e-eu...

– O que aconteceu com você? Foram os caras que sequestraram as gêmeas?

– Calma, Edward...

– O que são esses arranhões? E suas roupas, o que aconteceu? Renesmee, me diga que você está bem porque, pelo amor de Deus, eu estou preocupado!

– Edward! – ela deu um grito e ele parou, a encarando. – Eu estou bem, ok? Ninguém encostou em mim, não precisa se preocupar. Eu estou assim por que... Deixa Tânia terminar a história, é melhor.

Edward a puxou para um abraço, suspirando aliviado.

– Tânia, continua. – Bella pediu, a atenção voltada para Edward.

“- O que vamos fazer, Tânia? – Alice perguntou quando todos se dispersaram e ficamos apenas nós e os amigos da Bella.

Eu pensei, preocupada com o que o estranho enorme tinha acabado de falar. Se haviam mesmo levado às gêmeas para o Buraco dos Perdidos, então agora elas podiam estar sofrendo. Nós tínhamos que fazer algo urgente.

– Já sei. – falei e todos prestaram atenção em mim. – Nós vamos para lá.

– Você ficou louca?! – Rosalie berrou. – Eu não piso naquele lugar nunca.

– Eu não falei com você, sua delinquente. Vocês não tem obrigação nenhuma comigo. – revirei os olhos. – Estou falando de mim e da Alice. E eu não sei por que você está com medo, Rosalie, aquele é o seu tipo de lugar.

Rosalie fechou os olhos em fenda na minha direção, mas não fez nenhum avanço. Eu dei as costas para ela e segui em direção ao meu carro, enquanto Alice me seguia já com o celular no ouvido ligando para alguém. Quando entramos no carro, eu perguntei.

– Vou ligar para a polícia. Sequestraram as gêmeas, então eles têm que ir. – ela voltou a colocar o celular no ouvido.

– Mas não é só depois de vinte quatro horas de sumiço?

– Nós vimos sequestrando elas, então.

Eu liguei meu carro, o motor roncando baixinho.

– Tânia! – varias vozes me chamaram ao mesmo tempo.

Emmett, Alec e Rosalie vinham correndo na nossa direção. Eles se apoiaram na janela.

– O que foi agora? – revirei os olhos.

– Nós vamos com você. – o panaca do irmão da Bella falou.

– Eu não preciso de vocês.

– Mas nós vamos ajudar. – Rosalie resmungou. – Agora pare de ser uma patricinha vadia esnobe e abra a porra das portas desse carro.

Eu resmunguei enquanto abria as portas. Os três entraram no banco de trás, Emmett e Alec com aquelas malditas madeiras com rodinhas que eles ficavam em cima. Sujando todo o meu bebezinho. Tive que respirar fundo para não expulsa-los aos gritos porque eu tinha mandado lavarem meu bebe ontem e eles o estavam sujando.

– Você tem um plano? – Rosalie perguntou e eu franzi as sobrancelhas. Plano? – Você só pode estar de brincadeira com a minha cara! – ela jogou as mãos para cima. – Eu achando que você tinha um plano para encontrar as gêmeas e você só vai lá... Por ir?

Era algo realmente a se pensar e que eu não tinha parado para fazer. O Buraco dos Perdidos era um bairro barra preta e eu não pensei em um plano.

Os xingamentos de Bella sobre minha inteligência nunca fizeram tanto sentido.”

– Eu sempre tenho razão. – Bella falou com um sorriso cínico.

– Deixa ela continuar. – Emmett mandou, rindo.

Eu revirei os olhos.

“- Certo, nós precisamos de um plano. – Alice falou e todos concordaram. – Mas enquanto bolamos, vai dirigindo, Tânia.

Eu acelerei meu bebe, saindo daquele lugar pobre que era onde Bella e sua gangue de delinquentes passavam o tempo.

– Temos que achar o lugar que eles foram. Tem muitas... Casas lá. – Alec fez uma careta.

– Os caras pareciam burros demais, é capaz de até deixarem o carro do lado de fora para reconhecermos. – Emmett falou. – Quem sabe não damos sorte?

Sorte. Nós iriamos para lá torcendo com a sorte. Wow, grande plano.

– E depois? – Rosalie perguntou, emburrada.

Eu não sei o que ela queria ali. Falou que era pra ajudar, mas fica de cara feia. Vai ter rugas tão cedo essa garota que eu tenho até pena dela.

– Podemos chamar a policia. – Alice balançou o celular dela. – É uma boa ideia, o que acham?

Mas ela não tinha chamado ainda?

– Não é só depois de vinte quatro horas? – Emmett fez a mesma pergunta que eu tinha feito antes e ela bufou.

– Nós vimos elas serem sequestradas, acho que isso conta.

Todos ponderaram aquilo e Alice então discou o numero da policia.

– Eu posso dar um dos meus chutes de kong fu. – Rosalie falou, sorrindo. – Posso acabar com eles rapidinho.

– Como você fez no estacionamento? – olhei para ela. – Rá, eu duvido.

– Cale a boca, Denali, que você não faz nada de útil. Aqueles tapinhas que você estava dando nele não serviram de nada também.

– Pelo menos encostei neles. – ergui uma sobrancelha.

– Tânia, olhe pra frente! – Emmett falou e eu olhei.

A rua estava vazia.

– Escuta aqui, Tânia, você não começa com sua voz fina vim falar merda para mim porque eu estou com um humor fodido daqueles. – Rosalie voltou a latir.

– Você acha que é quem pra falar comigo assim?! – abri minha boca e a encarei. – Você está no meu carro!

– Então para essa porcaria para eu descer!

– Você não manda em mim!

– Cachorrinha é pra ser mandada, Tânia!

– Falou a cadela de rua!

– Para o carro, Tânia!

– Olha pra frente, Tânia!

– Seus xingamentos não me atingem!

– Frente!

– Como se o seus tivessem valor para mim também!

– Porra, Jasper na frente! – Alec gritou.

Mas outro grito sobressaltou o dele, que veio do lado de fora, era fino e muito alto. Quando olhei para frente arregalei os olhos. Então era como se tudo estivesse em câmera lenta. O garoto parado na rua, me olhando de olhos arregalados quando viu meu carro indo para cima dele. Rosalie, Emmett, Alec, Alice e eu gritando. E alguém gritando do lado de fora. Meu pé no freio e a mão de Emmett puxando o freio de mão. Quando meu carro encostou no garoto, as coisas voltaram ao normal, o garoto caiu, meu carro parou e só tínhamos nós gritando.

– Você matou o Jasper! – Emmett gritou para mim, com olhos arregalados.

– Eu matei uma pessoa! – gritei, em desespero.

Então pelo vidro eu vi Renesmee indo socorrer o garoto. Alice saiu do carro e correu também, assim como todos. Eu fiquei parada, com a respiração ofegante e lágrimas nos olhos, sem conseguir me mexer.

Eu-matei-uma-pessoa.

Eu matei uma pessoa e era linda e rica demais para ser presa.

Eu não podia ser presa!”

– Espera. – Edward me interrompeu e eu revirei os olhos.

Não da pra contar uma história com quase dez pessoas sem ser interrompida a cada cinco minutos. Era impossível, ainda mais quando essas pessoas eram essas pessoas que estavam comigo ali.

– O que?

– Você atropelou Jasper – apontou para o loiro que estava só o bagaço do pó. – e se preocupa em ser presa ao invés de se ele está bem?

– Essa é a Tânia. – Bella cantarolou.

– Não é assim. – me defendi. – Eu achei que ele já estava morto. Se ele estava morto, o que eu poderia fazer? Me preocupar com a minha prisão. – dei e ombros. Todos me lançaram olhares perplexos. – O que?

– Tânia, termina logo essa merda. – Rosalie mandou com a boca suja dela.

“- Nós temos que levar ele para o médico. – Ouvi Emmett falar.

Decidida a encarar de cabeça erguida aquela situação, e se fosse presa iria ser presa com dignidade de alguém de classe como eu, sai do meu carro. Alice e Renesmee estavam ajoelhadas ao lado do tal Jasper, falando com ele. Percebi, com alivio, que ele se mexia e que eu não iria ser presa.

– É uma boa ideia. – Alice falou sem tirar os olhos do garoto. – Você está bem para levantar?

O tal Jasper atropelado assentiu, retribuindo o estranho olhar de Alice. Ele nem notava Renesmee do outro lado. Avaliei o estado dele, que era apenas arranhões e sujeira.

Com a ajuda do Emmett, o tal Jasper levantou e de alguma forma que não poderia ser explicada nem por Newton, nós colocamos cinco pessoas no banco de trás. Claro que foi com uma discussão que eu não iria levar todos, mas aquela macho da Rosalie bateu de frente comigo e enfiou Renesmee e Jasper lá. Emmett, por ser o maior teve que ficar na frente. Houve a discussão de que nem Renesmee queria sentar no colo da Alice e nem Jasper no da Rosalie. Então acabou por fim Renesmee no colo da Rosalie e Jasper no da Alice. Onde os dois estavam conversando aos sussurros.

Hm, sei.

– Rumo ao hospital! – Emmett falou todo animando apontando para frente.

– Rumo ao hospital coisa alguma. – cortei barato dele. – Primeiro minhas primas, depois esse tal de Jasper.

– Mas ele está machucado! – Renesmee resmungou.

– E minhas primas sequestradas.

– O que?! – ela soltou um grito. – Como assim?

Então enquanto Rosalie explicava para Renesmee o que havia acontecido, eu segui para o Buraco dos Perdidos. No caminho Jasper e Renesmee explicaram porque Jasper estava atravessando a rua, que era pra falar com a ruiva, e por isso ele ajudou no acidente.

Quando toda a paisagem das casas de classe media mudaram para de ultra baixa, deu para percebemos que estávamos no maldito lugar. Não tinha mais casas bonitas, nem jardins verdes, e muito menos pessoas andando por aquelas ruas.

– Eu não gosto daqui. – murmurei.

– Parece uma cidade deserta... – Renesmee sussurrou e soltou um grito, assustando a todos. – OH! Não tão deserta assim...

– O que você viu? – Alice perguntou temerosa.

– Na janela!

Nós todos olhamos para a janela que Renesmee apontou e tinha uma pessoa olhando por uma fresta da cortina, mas quando percebeu que nós encarávamos, se escondeu.

Isso era arrepiante.

Continuei andando lentamente por aquelas ruas, olhando todas as garagens abertas para ver se via o carro. Todos prestavam atenção.

– Ali! Achei! Achei! – Emmett berrava apontando para o final de uma rua sem saída onde o carro preto estava estacionado.

Eu parei meu carro, encarando o galpão que o carro estava estacionado em frente. Aquilo parecia coisa de filme e eu estava totalmente arrepiada.

– O que nós vamos fazer? – Alec perguntou.

– Vamos entrar lá e socar a cara desses porcos gigantes! – Rosalie soltou como um rosnado.

– Você ficou louca? – o tal Jasper soltou com um gemido.

Devia estar sentindo dor. Mas primeiro as gêmeas.

– Não começa! – levantei minha mão para Rosalie. – Nós precisamos de um plano.

Todos nos encaramos, pensando. Até Alec vir com a ideia inteligente.

– Que tal escondermos o carro na outra rua, olharmos o movimento por aqui como funciona para então decidirmos o que fazer com as gêmeas? Afinal, eles parecem ser barra pesada e eu não quero morrer por só invadir lá...

Então nós combinamos de deixar meu carro no melhor lugar e fomos para uma parte de entulho que tinha no final daquela rua sem saída. Tinha um espaço grande aberto em uma descida para a rua debaixo e a vista para uma parte melhor da cidade. Cada vez mais parecia coisa de filme.

Ficamos assistindo o quase movimento que tinha por ali. Vimos uma velhinha com compras entrar numa casa mais razoável. Como também uns caras com roupas largas saírem de uma em ruinas e andarem para outro lado da rua, onde ficaram fumando. Demorou um tempo até ter movimento no galpão e Zac e Zay saírem rindo e contando dinheiro.

Eles passaram pelo carro, indo até os caras de roupas largas e comprando algo, para depois voltarem e entrarem no carro, fechando tudo. Um tempo o carro estava saindo fumaça pela brecha das janelas.

– Os caras estão ficando chapados. – Emmett riu. – Isso facilita muito nosso trabalho.

Assistimos mais algum tempo até que aconteceu. Uns estalos altos de tiros vieram de algum lugar e os caras de roupas largas sacaram armas e começaram a atirar para o outro lado. Não teve outra, nós gritamos e corremos na direção contrária daqueles caras, que era a grande queda. Quando percebi, eu estava rolando abaixo aquela terra toda sendo espetada por pedras e recebendo mais e mais areia nos meus lindos cabelos. E eu só conseguia ouvir meus gritos e do pessoal.”

– Vocês... Caíram? – Edward ergueu uma sobrancelha encarando nós todos.

Nós assentimos.

– Agora meu bebê está lá naquele lugar e minhas primas com aquelas pessoas. – murmurei sentindo meus olhos marejados. – Meu bebê...

– Ela não chora pelas primas, mas chora pelo carro. – Rosalie revirou os olhos, bufando.

– Cale a boca, Rosalie! – eu levantei e apontei meu dedo perfeito que agora estava com a unha toda defeituosa do que passei. Minhas lindas unhas... – Eu cansei de você, sua maldita. Sempre resmungando e xingando como um delinquente.

– Não começa me ofender essa hora não, patricinha! – Rosalie avançou na minha direção. – É por sua causa que estou toda quebrada e rasgada. Culpa de toda essa sua frescura nojenta!

Eu soltei um grito e avancei nela, minhas mãos em seus cabelos.

Bella POV

Eu encarei Rosalie e Tânia se atracando no meu quarto. Emmett e Jasper, que eram os que estavam mais perto, foram para separar aquela briga. Eu cruzei os braços, mantendo a expressão séria, mas por dentro torcendo por Rosalie. Quando eles separaram elas, eu tomei a frente.

– Já chega dessa palhaçada! Meu quarto não é lugar de brigas. – revirei os olhos para Rosalie e Tânia que se ajeitavam depois da pequena briga. – Agora, me diga como vocês chegaram aqui.

– Andando. – Alice quem respondeu.

Arregalei os olhos. Eram um caminho e tanto de lá até aqui. Isso me fez até ter um pouco de pena deles. Sim, eu não senti antes com toda aquela história, só agora.

– Então o carro e as gêmeas ficaram para trás. – falei o obvio e eles assentiram. – E porque todos vocês vieram para cá?

– Por que... – Emmett olhou para todos e depois para mim. – Você é você e vai saber o que fazer nessa situação.

Eles todos assentiram novamente.

Eu sorri para aquilo. Eu sou uma gênia e isso está mais claro que água de filtro. Tanto que todos eles sabem disso.

Era hora de colocar meu cérebro pra funcionar e tirar todos dali.

– Tem uma coisa muito inteligente para se fazer nesse momento... – falei e todos me encararam. – Alice, o que aconteceu com ligar para a polícia?

Ela franziu o cenho, pensando. Pensou... Pensou... Pensou...

– Eu não liguei. – respondeu quando percebeu. – Eu não liguei para a polícia porque toda hora alguém me atrapalhava.

– Sim. E não tem como nós resolvermos essa situação por nós mesmo. Nada que eu possa pensar será seguro então temos que falar com a polícia. E enquanto ela pega as gêmeas, nós pegamos o carro de Tânia.

Todos concordaram comigo e começaram a sair. Edward também ia, mas eu segurei a mão dele, ele me olhou e eu neguei, indicando com os olhos a minha cama. O sorriso malicioso que se espalhou pelos lábios dele quase me fez esquecer a ideia de esperar e joga-lo logo na minha cama para continuarmos o que estávamos fazendo.

– Espera! – Tânia falou e todos pararam. Eu soltei um suspiro triste. – Eu não acho bom irmos todos. Só vamos pegar o carro.

– Verdade. – Alec concordou. – Então quem vai?

– Eu! – Tânia ergueu uma mão como se tivéssemos cinco anos de idade. – E Bella.

– Eu não! – neguei. – Eu vou ficar aqui.

– É melhor Bella ir mesmo. – Emmett me lançou um olhar raivoso. – Ficar longe de quartos...

– Vai se foder, Emm. – fiz uma careta para ele. – Vocês não precisam mais de mim. Eu já pensei, agora só liguem para a polícia e vão pegar a porcaria do carro da Tânia.

– Não chama meu carro de porcaria. – a presunto rosa falou com um bico. – E você vai comigo.

Eu iria negar e expulsar todos eles dali, mas Emmett não me deixaria em paz então decidi o que era melhor.

– Tudo bem. Eu e Edward vamos com você, Tânia. E leva Alice – cuspi o nome – com você para não voltar sozinha nele. E... Jasper? – me virei para meu amigo. – Você foi atropelado e caiu rolando de um lugar alto, está tudo bem?

– Os ossos que Tânia tirou do lugar, a queda fez voltar. – ele resmungou com uma careta. – Vou sobreviver.

– Está certo. Então não precisamos passar no hospital. Vamos logo.

Todos começaram sair do meu quarto, Edward e eu por ultimo ainda de mãos dadas. Eu não me incomodava de soltar e Edward parecia que também não, então assim ficamos. Quando ficamos apenas Edward e eu no meu quarto, ele soltou a minha mão e passou o braço pela minha cintura e me puxou contra ele. Eu ofeguei, soltando um suspiro e amaldiçoando todos que estavam nos tirando dali. Senti seus lábios no meu ombro, fazendo um caminho até a parte sensível atrás da minha orelha.

– Sabia que você fica muito sexy quando assume o controle toda séria?

O tom rouco que ele falou e a pressão do seu corpo contra o meu fez um baixinho gemido escapar dos meus lábios e mais uma vez amaldiçoei a todos, jogando a praga para cada um de que passariam tudo que eu estava passando. Querer muito alguém e não poder ter porque sempre atrapalhavam.

Eu. Odiava. Todos. Eles.

Edward soltou uma risada e me deu um tapa na bunda, me fazendo andar. Saindo daquele transe, eu o empurrei pelo o ombro, rindo também.

Rosalie, Emmett, Renesmee, Alec e Jasper ficaram jogando videogame. Nós fomos com meu Jipe. No banco de trás, Alice estava no telefone falando com a polícia e dando o endereço. Dessa vez sem ser atrapalhada. Não tivemos que esperar as malditas 24hrs que todos insistiam em falar, pois como Alice falou, elas viram às gêmeas serem sequestradas.

– Eles falaram que estão mandando viaturas para lá. – Alice disse terminando a ligação. – E para nós mantermos a maior distancia que tudo será resolvido.

– Finalmente. – Tânia suspirou.

Eu assenti e olhei para Edward. O garoto estava com seus perfeitos olhos verdes grudados em minhas pernas descobertas pela saia. E ainda tinha um pequeno sorriso pervertidos em seus lábios. A minha vontade foi de estender minha mão por cima do console e provoca-lo de uma forma nada inocente, mas eu sentia os olhos de Tânia em nós dois e tive que me controlar.

– Então... – Pensando no diabo... Tânia pigarreou. – O que está acontecendo entre vocês dois?

– Nada que interessa a você, certamente. – Falei e ela bufou. – Tânia, você acha que vamos conversar como se fossemos amiga?

– Não. Nós não somos.

– Isso mesmo. – concordei. – Então fica calada ai atrás.

Ela bufou, mas eu tenho a arte de ignorar ela bem aperfeiçoada e foi isso que eu fiz.

– Você vai terminar de me contar a história? – Edward perguntou.

– É claro, baby. – nós sorrimos um para o outro. – Só vamos resolver isso e mais uma coisinha e eu termino de lhe contar.

Tânia não perguntou o que era, o que foi um grande milagre. O resto do caminho nós ficamos em silêncio. Tânia quem nos guiou até onde estava seu carro. Ela e Alice desceram e foram para o bebê da loira, deixando finalmente Edward e eu sozinho. O barulho das sirenes da policia chamou nossa atenção e eu dirigi para perto.

Tudo aconteceu como em filmes, a polícia ficou em frente ao galpão, pediu para soltarem as gêmeas, sem sucesso. Os pais delas apareceram. Aconteceram gritos de um lado e do outro entre os sequestradores e a policia. Eles queriam dinheiro. A polícia queria as gêmeas. No começo não teve trato. Depois teve trato. Polícia bolou um plano para pegar sequestrados. Deu certo. Gêmeas estavam livres e a família feliz. Sequestradores foram presos. Tudo acabou bem.

– Que dia. – Edward murmurou colocando uma mão na minha perna. – Para aonde nós vamos agora?

– Vamos ao Tijela. – falei e ele me olhou confuso. – Tenho umas coisas a tratar lá.

Quando chegamos ao Tijela procurei o grupo do Huck e encontrei meu alvo lá, grudada no namorado. Fui até eles, com Edward me seguindo. Assim que me aproximei todos se olharam sem entender.

– Bella. – Huck me cumprimentou.

– Karen, preciso falar com você. – sorri de forma mais falsa.

– Ei, você já sabe o que aconteceu aqui hoje? – um dos amigos do Huck perguntou.

– É claro que eu sei. Eu sei de tudo daqui, cara. – todos se encararam. – Vamos lá, Karen, precisamos conversar.

Ela hesitou, mas veio. A pena por ela me bateu, porque ela sabia – com certeza sabia mesmo – e mesmo assim veio. Emmett avisou e ela ainda veio. Eu realmente senti pena da garota.

– O que, Bella? – ela colocou um sorriso pequeno. – Olá, Edward.

– Ei. – meu nadador a cumprimentou e se inclinou para mim. – Você não vai fazer nada, vai?

– Por quê? – fechei meus olhos se fecharam em fenda na direção dele.

– Nada. – deu de ombros e um passo para trás.

Me incomodou saber que Edward estava se importando com o que eu ia ou não fazer com Karen. Eles nem se conheciam direito, só tinham trocado saliva uma vez e porque meu irmão fez o idiota do Edward fazer. Mas me incomodou isso e muito. E eu não ia fazer nada para Karen, mas minha vontade aumentou em fazer. Eu já estava com muita vontade mesmo de dar um susto nessa garota para ela ficar atenta, então ela brinca com Tânia e agora tem Edward. Bem, eu ia dar um belo susto.

– E então? – Karen perguntou.

– Escuta aqui, Karen, a próxima vez que você mexer com alguém que é meu, as coisas não vão ficar boas para seu lado. Porque você sabe do que sou capaz de fazer e as surpresinhas, seu namorado bem sabe. – sorri inocente e falsamente. – Então é bom você se manter no seu lugar e não fazer mais merda. Espero que tenha entendido para que eu não precise fazer uma surpresinha para você também.

Karen ficou em silêncio, me encarando. Ela tinha bem entendido, pois com certeza lembrava o que fiz com Huck depois que ele mexeu com meu nadador.

– Ótimo. – murmurei quando ela ainda ficou em silêncio e dei as costas. – Vamos, nadador.

– Tchau, Edward. – a maldita decidiu abrir a boca em um tom animado demais para meu gosto.

Largando a ideia de me controlar, eu me virei de volta e impulsionei meu punho direito para trás, logo empurrando ele bem no nariz da Karen. Foi certeiro e eu só pude ouvir o crack que fez.

– Bella! – Edward exclamou, surpreso.

Karen soltou um grito e levou a mão ao nariz que começou sangrar. Eu me aproximei dela e falei baixo para que apenas nós duas ouvíssemos.

– Agora espero que tenha entendido quando digo para não mexer com quem é meu.

Me afastei de Karen e seus lamentos. Eu não olhei para saber se Edward me seguia, mas torcia para que sim e não para que tenha ficado lá tentando ajudar Karen. Ela tinha a porra do namorado dela, não precisava do meu nadador.

Quando entrei no Jipe, a porta do lado do passageiro foi aberta e Edward entrou. O alívio que me tomou ao ver que ele foi comigo foi enorme. Ele era meu nadador e tinha que ficar do meu lado.

Liguei o Jipe e sai do estacionamento. Nós ficamos em silêncio por um tempo até Edward quebrar.

– Você é louca.

– Eu sou. – murmurei como uma criança que leva bronca e Edward riu. Eu me senti melhor ao vê-lo sorrindo. – Eu não ia fazer aquilo, você sabe, mas eu estou frustrada e precisava descontar em alguém minha raiva.

– Antes nela do que em mim, que estou do seu lado.

– Eu nunca faria nada com você, Edward. – coloquei minha mão em cima da perna dele. – A menos que você mereça, então você vai ter que me desculpar por que... Você mereceu.

Ele riu de novo e pegou minha mão com a dele, cruzando nossos dedos.

– Que tal você terminar de conta à história?

– Ótima ideia. Em que dia eu parei? Quarta. Vamos para a quinta feira. Naquele dia eu não tinha ido para a escola, fingi que estava toda quebrada e triste e Renée me deixou ficar em casa. Foi um bom aproveitamento. Então, Rosalie apareceu lá e nós decidimos ir comer um lanche. Fomos na lanchonete do Walter porque lá tem o melhor lanche de todos. Estávamos nós duas sentadas na mesa falando sobre a escola quando...

~ Quinta-feira ~

Eu não acredito que ela fez mesmo isso. – falei e Rosalie assentiu. – Que maldita! Ela se aproveita que é do ultimo ano para pegar os melhores garotos do primeiro.

– Vida injusta. – Rosalie murmurou.

Os sinos tocaram e eu ergui a cabeça, encontrando a ultima pessoa que queria ver. Senti a ponta das minhas orelhas queimarem de raiva. Mesmo que tenha dado a Tânia um bom pagamento pelo que ela me fez, ainda não era suficiente.

– Eu vou me vingar. – falei e Rosalie olhou para trás, rindo.

– Ela conseguiu te superar, Bella. O negócio do nerd sugador foi muito legal, você sabe.

– É, eu sei, e por isso eu ainda vou dar o troco. Está na hora de fazer Tânia passar uma vergonha.

A loira me lançou um sorrisinho falso quando me viu e eu acenei, também colocando um sorriso nos lábios. Ela e suas seguidoras sentaram numa mesa próxima e fizeram seus pedidos. Eu avaliei o que poderia fazer quando uma luz se acendeu ao ver ela indo falar com os esportistas da escola.

Eu levantei em um salto e fui até o balcão. O carinha que estava lá sorriu para mim. Ele adorava flertar comigo quando eu vou ia na lanchonete e eu ia usar isso ao meu favor. Pobre otário que tem queda por garotas mais nova.

– Em que posso ajuda-la, Bella?

– Eu preciso desse chantili. – aponto para atrás dele.

– O... Que? – o sorriso dele vacilou.

Eu me inclinei no balcão e ele se aproximou para ouvir.

– Está vendo aquela loira? – indiquei com os olhos e ele assentiu. – Ontem ela me colocou numa situação ferrada e hoje eu quero dar o troco. Ela me fez sair com um otário quando eu gosto de – alisei o braço dele. – caras como você. Então está na hora de ela pagar por isso. Então que tal me emprestar o chantili?

O carinha ficou me encarando por alguns segundos até assentir e por fim pegar a lata de chantili. Agradeci com uma piscadela e fui até a mesa onde estavam as gêmeas, já que Tânia e Alice tinham ido falar com os esportistas. Eu tinha que me lembrar de avisar ao Alec o que a namorada estava fazendo: falando com outros garotos. Vai que isso ele desencana dela.

– Olá, garotas. – eu me joguei na cadeira que antes Alice ocupava, escondendo a lata debaixo da mesa. – Como vão?

As gêmeas se olharam sem entender. Enquanto elas estavam presas em suas falta de palavras, eu estava apertando o spray de chantili na cadeira de Tânia. As gêmeas não falaram, e quando eu terminei sai dando tchau para elas.

Sentei de volta no meu lugar e Rosalie estava animada. Tivemos que esperar só alguns minutos para Tânia voltar. Assisti com prazer a loira voltar e sentar no lugar dela, bem em cima do chantili. Ela se remexeu, franzindo o cenho e eu e Rosalie gargalhávamos da cara dela. Tânia levantou e olhou para a cadeira e a cara dela foi impagável. Ela arregalou os olhos e abriu a boca em “O” enorme. Rosalie e eu não nãos aguentávamos de tanto que estávamos rindo.

Tânia olhou para mim e eu balancei a lata de chantili, fazendo-a soltar um grito de ódio. Ela passou por nós para ir ao banheiro e os garotos esportistas viram pela parede de vidro a bunda da loira branca de chantili, a vergonha dela aumentando ainda mais.

Depois disso eu consegui aproveitar meu lanche com prazer. Rosalie e eu passamos a tarde ali rindo da Tânia, que também continuou. Tive vontade de ir no banheiro e mandei Rosalie olhar as coisas enquanto ia.

Quando voltei, Rosalie estava no balcão conversando com um dos garotos esportistas. Ela acenou para mim e riu de algo que ele falou. Voltei para meu lugar e peguei meu suco de uva, tomando um grande gole. Fui tomada pela repulsa ao sentir o gosto horrível e quase vomitei. Estava horrível. Mais do que horrível.

– Rosalie! – gritei para minha amiga que me encarou. – Que merda aconteceu com meu suco?

– Nada. – ela franziu as sobrancelhas. – Ficou do mesmo jeito que você deixou.

– Quando eu deixei não estava horrível desse jeito.

– Eu não sei, Bella. Eu vim aqui falar com o Ben e seu suco ficou ai.

Foi então que ouvi a risada dela. Olhei para Tânia e ela acenou. Levantei em um salto e fui até ela.

– O que você fez com meu suco, sua desgraçada?

– Ah, nada de mais. Só misturei umas coisinhas e outras. Você sabe, tudo que seu amigo ali me emprestou. – ela olhou para o carinha e piscou um olho.

– Traíra! – rosnei para ele e voltei para Tânia. – Você me paga por isso, sua estupida.

Senti meu estomago revirar mais uma vez e a vontade de vomitar ficou ainda maior. Sai correndo para o banheiro e despejei tudo que tinha comido, mas o mal estar não passou, só pareceu piorar. Gritei por Rosalie, que apareceu em segundos e ela fez uma careta.

– Porra, Bella, você está verde e inchada pra caralho.

– Eu estou morrendo. – falei e voltei a vomitar mais. – Aquela vaca da Tânia quer me matar, Rosalie.

Rosalie continuou com uma careta e veio até mim, passando os braços embaixo dos meus e me levantando.

– Vamos para casa, Bella. Tia Renée vai saber o que fazer.”

– Eu fui parar no hospital aquele dia. Tive que fazer uma lavagem estomacal porque a idiota da Tânia colocou no suco droga de canela e eu tenho alergia à canela. Tânia quase conseguiu me matar.

Bufei e Edward fez uma careta. Nós estávamos numa loja de conveniência comprando cerveja já que em casa não teríamos mais privacidade e estávamos os dois frustrados.

– Que horrível foi esse dia, hm. – ele murmurou pegando Budweiser para nós. – Mas você se vingou dela depois, certo?

– Com toda certeza.

Seguimos para o caixa e a garota lá ficou flertando com Edward, mas quando ela olhou para mim, depois de eu pigarrear, algo em minha expressão a fez aquietar o rabinho dela e nos atender sem dar em cima do meu nadador.

– A minha vingança de sexta-feira foi a que mais me divertiu. – continuei enquanto seguíamos para o carro. – Finalmente era o dia de irmos para o acampamento. John decidiu que Rosalie e eu devíamos ficar afastada e de castigo pela bagunça que fizemos no banheiro, ele colocou Tânia e eu juntas.

– Ele não aprende nunca? – Edward riu.

– Não.

Entramos no Jipe e ao invés de seguir para casa, eu fiz o caminho para a praia.

– E o que aconteceu? – meu nadador abriu uma cerveja e tomou um gole. – Algo com ônibus pegando fogo?

– Não. Isso afetaria a todos e eu só queria afetar a Tânia.

~ Sexta-Feira ~

Eu me estiquei para olhar para trás e Rosalie acenou, com uma careta. Fiz um gesto de nojo apontando para Tânia ao meu lado e ela riu. Emmett e Alec estavam fazendo piadinhas do meu azar e isso começava a me irritar.

– John! – gritei e ele resmungou.

– Eu estou sentado no banco do lado do seu, Bella, não precisa gritar. – revirou os olhos. – O que foi?

– Eu quero sentar com meus amigos. – fiz bico. – Você me colocou para sentar com a minha assassina, como pode isso?

– Eu não sou assassina! – Tânia falou e eu mostrei o dedo do meio para ela. – Ei!

– Isabella, pare com isso e sente direito. Não vou deixar você sentar com seus amigos porque pretendo chegar ao acampamento.

Sentei emburrada com os braços cruzados e virei à cara para a janela. Se soubesse que teria que passar três horas num ônibus sentada ao lado de Tânia não tinha saído do hospital, deveria ter ficado lá dormindo e comendo gelatina.

– É sério que você quase morreu? – Tânia perguntou baixinho e eu a ignorei. – O que quase te matou?

– Eu não vou falar porque vai que você tenta de novo!

Ela ficou em silêncio e eu agradeci.

O tempo passou e eu começava a me sentir entediada ali, sem ninguém para conversar e já tinha ouvido todo o CD que tinha levado do Sum 41. Eu precisava fazer algo ou então enlouqueceria. Olhei de canto para Tânia, que estava rindo e conversando com as seguidoras dela sentada no banco de trás. Porque o John as deixa sentarem perto, mas eu não. Não. Tenho que ficar metros longe dos meus amigos porque somos um perigo para a humanidade.

Me odeie mais, John.

Eu estava com raiva e vingança acumulada e decidi que aquela era a hora de aproveitar. Esperei o ônibus fazer uma parada para todos irem no banheiro e fingi estar dormindo.

– Bella? – Rosalie me cutucou. – Está mesmo dormindo?

– Não. – abri os olhos e sorri. Rosalie retribuiu meu sorriso, o reconhecendo. – Está pronta?

– O que vamos fazer?

Eu levantei e peguei a bolsa de Tânia, que a sonsa tinha deixado ali. Rosalie e eu começamos a montar as coisas, rindo tanto que nossa barriga doeu. Quando todos voltaram Rose já estava no lugar dela e eu estava novamente fingindo dormir. Ouvi os burburinhos e John tentando acalmar a todos, mas quando o ônibus começou a andar todos explodiram em gargalhadas. E eu tive que abrir os olhos para ver a cara do John e Tânia.

Rose e eu tínhamos amarrado as roupas intimidas de Tânia nas janelas de forma que com o ônibus andando pareciam bandeirinhas balançando no vento. Maldade, eu sei e adoro.

– Minhas roupas! Minhas roupas! – Tânia começou a gritar quando reconheceu e nisso eu já estava gargalhando de chorar. – Parem!

– Quem fez isso?! – John gritou com uma veia saltando em sua testa. Ele olhou para mim e apontou. – Isabella!

– O que? Eu estava dormindo!

– Mentirosa! – Tânia choramingou com lágrimas nos olhos e o rosto vermelho de vergonha. – Parem com isso!

Eu mandei um sinal positivo para Rosalie, que estava se acabando de rir junto com meu irmão e Alec, mesmo Alice brigando para ele parar.

John gritou mais comigo e com todos, depois mandou o ônibus parar e as gêmeas, Alice e Tânia recolheram as peças. Eu estava com um sorriso de orelha a orelha, satisfeita comigo mesma e pela minha vingança.”

– Tânia me ignorou pelo resto da viagem. Eu consegui duas coisas em uma.

Edward não estava se aguentando de rir, ele tinha até engasgado com a cerveja quando contei que coloquei as calcinhas da Tânia nas janelas. Fora minha melhor vingança que valeu por ela ter me feito parar no hospital e pelo nerd sugador.

– Jesus Cristo, Bella, você é tão cruel! – ele falou quando conseguiu respirar. – Ainda bem que somos amigos.

Eu lancei um sorriso para ele e voltei à atenção para a rua. Finalmente chegamos à praia e parei meu Jipe em uma parte da areia que ficava perto da água, mas longe de onde as pessoas ficavam. Por estar noite não havia muitas pessoas para se incomodarem.

Desliguei o carro e pulei para o colo de Edward, sentado de lado com as costas apoiadas na porta. Peguei uma cerveja e abri, tomando um longo gole. Edward colocou uma mão na minha perna, subindo e descendo em um carinho.

– Eu acredito que Tânia não deixou assim...

– Não mesmo! – eu gargalhei. – Apesar de que não foi exatamente uma vingança. Ela se aproveitou da minha inquietude para dormir.

– Como assim?

– John mais uma vez me manteve afastada de Rosalie. Ele queria a minha pele assada para comer, você sabe, me odiando mais que qualquer outro dia. Eu acho que ele só não queria que eu fizesse algo realmente ruim e planejou me controlar afastando de meus amigos e meu irmão. Fui parar na mesma cabana que Tânia e suas seguidoras, também tinham outras meninas lá, mas as piores eram essas quatro. Foi o meu inferno.

– John estava mesmo te perseguindo esse dia.

– E como. Não pude reclamar nem reivindicar meus direitos porque todos ali sabiam o capeta que eu era. Só me restou dormir naquela cabana. Tive também que dividir um beliche com a Tânia, e pelas palavras dela, eu dormindo parecia que era um terremoto.

– Hmmm. – Edward me lançou um sorriso malicioso e eu revirei os olhos.

– Então enquanto eu estava dormindo e me mexendo de um lado para o outro, ela desceu do beliche de cima que era o dela e me empurrou da minha cama.

– Então você acordou e socou ela?

– Eu tenho sono de pedra, Edward. Já cai varias vezes da cama e não acordei. Eu também não acordei quando ela me empurrou e dormi a noite inteira no chão da cabana. Quando amanheceu, todos levantaram e saíram no horário que John mandou, menos eu, então ele veio atrás de mim e me encontrou no chão. Os três dias que passamos naquele acampamento as pessoas riam do meu mico de dormir no chão. As piadas eram para Tânia e para mim.

– Que droga. – Edward torceu o rosto.

Dei de ombros e tomei mais um gole da minha cerveja.

– Mas Tânia teve o dela, claro.

Edward apertou minhas pernas me puxando para mais perto dele e encostou os lábios gelados da cerveja no meu ombro.

– O que minha garota fez?

Eu o encarei de canto e ele sorriu para mim e postou um beijo na minha bochecha. Se ele havia percebido ou não como havia me chamado, não demonstrou. Mas eu percebi e foda-se se aquilo não me deixou feliz porque eu o chamava de meu nadador e vê-lo me chamando de minha garota foi adorável demais.

Antes de continuar a história eu tinha que beija-lo. E foi o que fiz, peguei seu rosto entre minhas mãos e colei nossos lábios. Ele estava com gosto dele misturado com cerveja, ainda mais delicioso e não resisti em lamber seus lábios.

– Hmm, hmmm, tão bom. – cantarolei e Edward riu. – Que dia eu estava?

– Sábado.

– Sim, sábado. Esse foi o dia da minha maior vingança contra Tânia. Precisei de Emmett e Alec para me ajudar...

~ Sábado ~

Nós só precisamos falar com ele e mais tarde trancar a porta? – Emmett perguntou e eu assenti. – E o que ganhamos com isso?

Meu irmão e Alec cruzaram os braços e ergueram a sobrancelha. Eu rosnei, mas eles continuaram com a pose.

– Dá logo o que esses panacas querem. – Rosalie me deu uma cotovelada. – Hoje quero ver umas garotas gritando loucamente.

– Está certo, o que vocês querem? – revirei os olhos.

Os dois se olharam e sorriram cumplices.

– Você vai lavar nossos bonés e bicicleta por um mês. – Alec falou.

– O que? Não! Que nojo, lavar bonés de vocês. Estão achando que sou o que? Escrava? De jeito nenhum!

– É isso ou você vai ter que falar com o Kevin, e eu juro para você que o cara no meio do mato é mais fedorento que na escola. – Emmett deu um sorrisinho sacana.

Merda! O que era pior, lavar os bonés desses dois ou enfrentar o fedor do Kevin? Ele conseguia competir em termos nojentos no mesmo nível que o sugador de baba. E eu já tinha tido minha cota de nojentos pelo mês!

– Está certo, eu lavo a porra dos bonés de vocês. – os dois comemoram e Rosalie riu da minha desgraça. Uma ideia me bateu e eu dei o mesmo sorriso sacana do meu irmão. – E claro, Rose lava as bicicletas.

– O que?

– Boa ideia. Vou adorar ver ela num short minúsculo, segurando uma mangueira e lavando minha bicicleta... – Emmett sorriu com os pensamentos pervertidos.

Eca. Pobre Rosalie.

– Ok, vão logo que meu tempo é curto! – empurrei os dois, que ainda comemoravam que não teriam que lavar os bonés deles. Me voltei para Rosalie, que tinha a pior expressão. – Você me odeia, eu sei, mas não ia me ferrar sozinha. Apenas lembre-se que a noite as coisas vão ser muitos animadas.

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E nós sorrimos cumplice com o que Tânia não perdia por esperar.

Emmett e Alec conseguiram o que eu precisava o que foi muito satisfatório. Então só tivemos que esperar o tempo passar até anoitecer e todos irem jantar. Rosalie e eu pegamos as coisas e seguimos para a cabana que eu estava dormindo.

– São nojentos. – Rosalie falou com uma careta olhando para os ratinhos na gaiola, mas então sorriu maldosamente. – Elas vão morrer de susto.

– Sim, vão. – eu gargalhei.

Nós preparamos as coisas e fizemos os ratinhos saírem das gaiolas, se espalhando. Kevin além de não tomar banho adorava animais estranhos e estar no meio do mato era como estar no habitat natural dele. Uma noite bastou para ele conseguir pegar ratinhos, que agora iriam voltar para a cabana.

Com tudo pronto fomos jantar também, recebendo sorrisos de Emmett e Alec. Pegamos nossas bandejas e sentamos em uma mesa vazia.

– Estou pensando em me esconder na sua cabana. – Rosalie falou. – Eu quero assistir ao vivo a reação da Tânia quando ver ratinhos na cama dela.

– Só cuidado para o John não te ver. Eu deixo você dormir debaixo da minha cama, como um cachorrinho bonzinho.

Ela jogou a tampinha do refrigerante dela em mim enquanto eu gargalhava.

Quando deu a hora de se recolher eu fui a primeira a chegar na cabana e ajeitei minha cama, com Rosalie na minha cola. Nós sentamos juntas e cobertas, vendo todas as meninas entrarem conversando animadamente. Quando perceberam Rosalie, eu tive que dar meu jeito.

– Se contarem para o John que ela está aqui, eu acabo com cada uma de vocês. – falei o mais séria possível e elas assentiram, ignorando minha amiga. – É assim que eu gosto.

Meu beliche ficava perto da porta dos fundos, aonde nenhuma delas tinham visto a tinta em cima da porta. Nem que eu tivesse que empurrar Tânia seria a primeira a abrir aquela porta, já que a da frente meu irmão e Alec tinham trancado.

Esperei ansiosamente alguma delas notar os ratinhos andando de um lado para o outro, mas eram muito barulhentas e sonsas demais. Bufei e decidi que eu tinha que ser aquela. Teatralmente coloquei a mão no coração e soltei o maior grito de todos.

– Um rato! – apontei para o ratinho caminhando pelo piso.

E então começou o fuzuê enorme, todas as meninas começaram a gritar e pular com medo dos ratinhos. Teve uma que até pisou em um, o pobre coitado quase colocou os olhos para fora. Nojento. Rosalie e eu estávamos gargalhando. Elas correram para a porta da frente.

– Está trancada! – uma gritou.

– A porta dos fundos! – apontei e elas foram.

Tânia estava perto e eu saltei para o lado dela, empurrando ela para abrir a porta. E foi na certa, a lata de tinta – das que o John estava nos obrigando a pintar as cabanas – caiu na cabeça de Tânia, sujando todo o cabelo dela de branco. Então as meninas gritaram mais ainda. Os ratinhos correram mais. E mais gritos. Rosalie já tinha rolado na cama e eu prendia minha barriga entre meus braços porque não aguentava mais rir.

– Eu vou matar você! – Tânia avançou em mim e eu segurei os braços dela, tentando controlar o riso.

– O que está acontecendo aqui?! – John entrou pela porta da frente e arregalou os olhos com a cena.

Meninas correndo. Ratinhos. Tânia suja de tinta e tentando me bater.

– Ih, chegou minha hora. Tchau, bebê. – Rosalie me deu um beijo na bochecha falando o apelido que ela tinha me dado naquele tempo e saiu pela porta dos fundos.

John voltou à vida e ficou com a cara roxa de raiva, aquela veia que eu conhecia bem e estava até pensando em dar um nome pulsava em sua testa.

– Parem! Parem com essa bagunça! Chega de gritos! Parem! Todas vocês quietas!

O cara ia ter uma AVC desse jeito. Eu até queria pedir para ele se acalmar, mas estava concentrada demais em Tânia e rindo muito para conseguir falar.”

Edward estava curvado em cima de mim, rindo. Peguei outra garrafa de cerveja e abri. Esperei mais uma vez ele voltar a respirar.

– Isso até parece coisa de filme.

– Não é? Talvez eu tenha pegado inspiração em alguns filmes que assisti...

– E John brigou com você?

– Só pela tinta, afinal não tinha como saber se foi eu ou não quem colocou os ratinhos lá, já que eram do mato.

Edward assentiu, concordando.

– Então chegamos ao ultimo dia da maratona. Domingo. Foi quando John deu um basta.

– O que vocês fizeram?

– Foi mais Tânia. Ela se vingou da tinta e eu lhe soquei a cara. Então John ligou para mamãe e Sra. Denali, e elas colocaram fim da maratona. Foi um longo, muito longo castigo e sermões, das duas.

Edward se ajeitou no banco e me ajeitou no colo dele.

– Estou pronto para ouvir.

Sorri.

– Eu tinha percebido que Tânia estava aprontando aquele dia, porque eu esperava. Ela sumiu das tarefas que o John passou, assim como as gêmeas e Alice. Alec tentou descobrir para mim, mas não conseguiu. Então mantive um olho aberto para cada coisa que fazia, desde o almoço, jantar e na fogueira que nós fizemos. Era domingo e iriamos embora no dia seguinte. Tinha marshmallows e história de terror. Me encolhi em Rosalie quando contaram a história do Monstro das Árvores daquela floresta, era arrepiante, Edward.

– Você tem medo de histórias de terror contadas em fogueiras? – ele riu.

– Bem, não exatamente as contadas em fogueiras, mas as que são contadas falando que morreu pessoas e que é do local. Você nunca sabe se é verdade.

Edward balançou a cabeça, não acreditando e me beijou quando lhe dei um tapa no ombro.

– Você está começando a falar enrolado. Bêbada. – ele riu.

– Você também. Agora me deixa continuar. Eu fiquei alerta com Tânia até na hora de nos recolhermos. Entrei desconfiada na cabana, verifiquei minha cama de cima a baixo e não tinha nada. Assim como todas as meninas entraram e foram se deitar, o susto dos ratinhos tendo passado. Tânia nem olhou na minha cara naquele dia, o que me deixou ainda mais desconfiada.

~ Domingo ~

Eu fechei meus olhos em fenda para Tânia, que cantarolava ao trocar de pijama. Nenhuma ameaça nem nada sobre se vingar do que aprontei com ela ontem. Eu tinha mexido com seu cabelo, aonde não tinha nenhum salão para dar jeito e ainda dava para ver pedaços de tinta branca nos fios loiros e mesmo assim ela não fez nada.

O que está acontecendo?

As luzes apagaram e todas foram dormir. Menos eu. Eu não tinha coragem de fechar os olhos porque estava com medo de Tânia tentar me matar sufocada com o travesseiro ou pior, colocar alguma barata na minha cama. Como ela podia conseguir isso eu não fazia ideia, mas se fizesse alguma coisa dessas nenhuma das meninas iam me ajudar porque estavam ferradas comigo pelo que aprontei. Tânia havia envenenado todas elas contra mim falando que eu tinha sim colocado os ratinhos na cabana e as otárias acreditaram. Tudo bem que coloquei mesmo, mas elas não precisavam acreditar em tudo que Tânia fala.

As horas foram passando lentamente e eu sentia meus olhos pesarem, mas não me rendia ao sono. Cada pequeno barulho eu estava em alerta.

E foi quando eu ouvi o pior de todos. Eram arranhados na porta. Arranhados barulhentos e horríveis que vento nenhum conseguiria fazer. E eu tremi de medo. Muito medo. Porque eu sabia que era o Monstro das Árvores e ele tinha vindo me pegar.

– Meninas? – chamei em um sussurro, mas não tive resposta nenhuma. – Meninas?

– Bellaaaaaa. – uma voz forte me chamou do lado de fora e senti vontade de chorar. – Bellaaaa.

Eu vou chorar!

Me encolhi nas minhas cobertas. No quarto tudo estava silencioso, mas do lado de fora tinha os arranhados que o Monstro das Árvores fazia e ele continuava me chamando. Mais... E mais vezes. E porra se eu não estava quase fazendo xixi nas calças de medo daquele monstro.

Ele arranhou mais uma vez e eu rezei para Deus me proteger. Novamente e eu estava em lágrimas. E mais uma vez e foi quando ele arrombou a porta, que abriu até bater na parede e eu só vi o vulto enorme do monstro que iria me comer viva.

– Argh! Bella! – ele rosnou a avançou em cima de mim.

Eu soltei um grito misturado com choro e pulei da minha cama, correndo para a porta da frente. Abri a porta e continuei correndo para fora.

– Monstro! É o Monstro das Árvores! Socorro! Todos nós vamos morrer! Monstro!

Todos começaram a sair de suas cabanas e me encarar enquanto eu pulava e chorava com medo do monstro. As meninas da minha cabana saíram, a maioria rindo e quando eu percebi Tânia na frente com um sorrisinho sacana nos lábios, eu soube que tinha caído na dela.

– Belo pijama, Bella! – um garoto gritou.

Eu olhei para meu pijama, que era o mais infantil de todos, do desenho Phineas e Ferb. Era meu desenho favorito porque eles sempre fazem as melhores coisas. E todos começaram a rir do meu pijama e me imitar gritando monstro.

No ódio, eu ignorei todos eles porque estava pouco me importando com o que pensavam de mim naquela maldita escola e só pensei em Tânia. Agindo como sempre ajo, eu avancei na direção na direção da loira. Ela ainda tentou correr, mas eu fui mais rápida e pulei nas costas dela, puxando aqueles cabelos.

– Sua maldita, eu vou acabar com você por ter me assustado!

– Socorro! Ah! – ela gritou se debatendo. – Tirem essa louca de cima de mim.

– Eu vou mostrar à louca! – bati a cara dela no chão e escutei o crack do nariz dela. Então Tânia começou a chorar, com sangue saindo do nariz dela e sujando nós duas. Mas eu só conseguia pensar em bater mais nela.”

– Eu quebrei o nariz dela e arranquei bastante cabelo. Valeu por qualquer vingança que tínhamos feito uma com a outra. Claro que tivemos nossas marcas que carregamos até hoje. – revirei os olhos.

Edward estava com uma expressão perplexa. Tive vontade de rir e apertar a bochecha dele, pois ele estava lindo com os olhos arregalados e a boca aberta, mas deixei minha mão quieta aonde estava, que era brincando com os cabelos da nuca dele.

– Vocês duas são loucas. – ele murmurou e eu dei de ombros. – Como Tânia conseguiu aquilo?

– Não foi só ela. A maioria das meninas se juntou com ela para se vingar de mim, por isso foi tão bem feito. As outras foram ameaçadas a ficarem quietas quando acontecesse o plano. Elas convenceram também um dos meninos mais alto que estava lá a se vestir e montaram a fantasia, que na luz é bem tosca, mas na escuridão parecia mesmo um monstro. Eu só vi pior porque estava com muito medo. Então elas deixaram a porta aberta, o garoto fez o show e o resto é resto.

Nós dois ficamos em silêncio por um tempo até Edward começar a rir. Eu o acompanhei.

– Você quebrou o nariz da Tânia.

– Eu quebrei o nariz da Tânia.

– Você tem um belo soco de direita. – ele pegou minha mão livre e acariciou. – Bate como um garoto.

– E faço outras coisas com ela também. – pisquei um olho para ele, que riu. Cruzei nossos dedos, minha mão pequena em sua grande. – Essa foi nossa primeira e última maratona, porque Renée e Sra. Denali falaram que se fizéssemos outra ficaríamos de castigo pelo resto da vida. E essas duas amigas juntas são capazes de fazer isso mesmo.

Edward já parecia não estar prestando atenção no que eu falava, porque estava se entretendo em beijar meu pescoço. Eu inclinei a cabeça para o lado, lhe dando mais acesso e quando ele sugou a pele mais sensível atrás da minha orelha, eu apertei os fios entre meus dedos. Edward soltou um gemido porque aquele era seu ponto fraco.

– Foi uma bela maratona... – ele murmurou contra minha pele. – Você devia ser adorável no começo de sua adolescência.

Eu fechei os olhos, aproveitando a boa sensação de seus lábios em minha pele.

– Não tão adorável. Era difícil garotos se aproximarem de mim e os que se aproximavam eram porque não me conheciam direito, mas depois... – suspirei ao sentir a mão dele subir pela minha perna, entrando pela minha saia, mas não se aproximando de onde eu me sentia quente. – Todos se afastavam por me achar bagunça demais.

Edward encostou o nariz na minha pele e puxou o ar, subindo até minha orelha.

– Eu, com certeza, não me afastaria de você... – ele sussurrou e eu apertei a mão dele.

– Você ainda está aqui. – as palavras escaparam pelos meus lábios, praticamente emboladas por minha mente estar em branco.

– Eu sempre estarei aqui.

Eu me derreti no colo de Edward quando ele falou aquelas palavras. Porque internamente era o que eu queria, que ele sempre estivesse comigo e ele falar daquela forma, sussurrando em meu ouvido como se fosse um doce segredo... Isso atingiu meu coração e meu centro. Cada vez mais meu nadador me fazia deseja-lo ainda mais. E ainda bem que nós tínhamos começando essa amizade com benefícios, porque se ele ousasse falar aquilo sem termos, eu não seria responsável pelos meus atos.

Como eu não me responsabilizava agora.

Eu virei meu rosto até meus lábios encontrarem os de Edward e nós nos beijamos. E cada vez que fazíamos aquilo, o beijo dele parecia ainda melhor. Me deixando com vontade de sempre querer mais, que nenhuma quantidade é suficiente.

Nós nos separamos um pouco para respirar, Edward riu e eu o acompanhei. Bobamente nós estávamos rindo.

– Estamos bêbados. – ele constatou o obvio.

– Nós estamos. – concordei.

– Beber parados nunca é bom. Acho que temos que ligar para alguém vir buscar o carro... – ele pegou o celular dele no bolso e começou a digitar uma mensagem.

Tão adoravelmente responsável.

Eu aproveitei para atacar o pescoço dele, retribuindo o carinho que ele tinha feito em mim antes. O cheiro de Edward era maravilhoso e eu funguei nele, uma, duas, três vezes, cantarolando gemidos e o fazendo rir.

– Se você continuar assim vai me deixar sem cheiro.

– Contanto que seja meu... – murmurei e respirei mais uma vez. Como uma pessoa podia ser tão cheirosa? – Apesar de que é melhor em você... – nós rimos da minha bobagem. Suspirei, começando a me sentir deprimida. Maldito álcool. – Odeio que as pessoas sempre nos atrapalham, Edward. – peguei a gola da camiseta dele e o puxei para mim, fazendo ele me encarar nos olhos. – Eu quero você. Muito. Urgente. Forte.

Mesmo bêbado, Edward entendeu rápido minhas palavras. E ele me olhou com luxuria e desejo, mas também diversão.

– Não acredito que quando bêbada você fica sem filtro e safada, Bella!

Eu joguei a cabeça para trás e gargalhei, empurrando o ombro dele.

– Não dá pra controlar. E olha onde sua mão ainda está. Não sou apenas eu que fico ainda mais safada bêbada.

O celular de Edward apitou com mensagem e curiosa como sou, peguei para ler.

Rose, pode vir nos buscar? Estamos bêbados aqui na praia, perto de umas pedras. – E

Não acredito nisso! Eu mereço vocês dois, seus putos. Sei aonde é, estou indo. – R.

– Claro que sabe, estamos perto de casa. – indiquei a rua e Edward assentiu. – Agora que tal me beijar?

Edward não pensou duas vezes e logo seus lábios estavam nos meus. As mãos bobas que ocorreram ali com nós dois bêbados quando me fizeram tirar a roupa, mas o celular de Edward sempre vibrava com mensagens de Rosalie, que nos impedia. As mensagens dela? Eram assim:

Edward, cuidado, Bella bêbada fica safada.

E

Que porra de cuidado, você é um cara. Parem com isso agora, eu já estou chegando.

E também

Sem sexo. Sem sexo. Sem sexo. Estou chegando e não quero pegar vocês dois fazendo isso, pelo amor de Deus.

Mesmo bêbados não tinha como fazer algo com Rosalie mandado várias e várias mensagens daquele jeito. Por isso desistimos, paramos até de nos amassar no banco do meu Jipe e fomos ouvir musica.

Então eu estiquei meu pé e liguei o som, tocando meu CD do Sum 41. A primeira musica que começou tocar foi With Me e eu não me contive, incentivando Edward a cantar também. dois bêbados, cantando.

– I want you to know… With everything, I won't let this go… – Edward e eu cantávamos aos berros fingindo que estávamos em um show, com microfone e tudo.

A parte lenta voltou e ele me deixou cantar. Eu me virei para ele, fazendo caras e bocas.

– 'Cause it's true… I am nothing without you… – eu cantei para Edward, que colou os lábios nos meus, me fazendo suspirar.

– Bella! Edward! Ei! – Rosalie gritou e bateu na minha janela. – Jack e Rose, parem agora de deixar janelas embaçadas!

Para brincar com a cara dela eu coloquei minha mão na janela e escorreguei, como na cena de Titanic e ouvi sua gargalhada. Nós nos separamos e eu abri a porta do motorista para Rosalie, que entrou. Quando ela viu as garrafas em cima do painel e nos pés de Edward, arregalou os olhos.

– Jesus, que ressaca do cão vocês vão ter.

– Olá, bebê! – eu gritei animada.

– Não acredito que você estava relembrando nossos tempos de começo de adolescência?

– Bella estava me contando sobre a maratona.

Rosalie gargalhou. Era uma das nossas histórias que ela mais adorava.

– Muito boa, você devia ter visto, Edward. Agora, vamos embora, Jack e Rose.

Rosalie ligou o carro e deu a ré, saindo da praia. No caminho para casa eu fiquei acolhida nos braços do Edward e nós cantamos With Me para Rosalie, fazendo ela nos xingar por sermos horríveis e estragar a melhor musica do mundo.

Notas finais
E então, o que vocês acharam? Eu estou morrendo de amor escrevendo cenas da Bella e do Edward assim juntos. Estamos chegando perto da road trip e também do campeonato de natação, muita bagunça vem ai. Pessoal, eu pensei em fazer um cronometro de postagem. Numa quarta-feira eu posto aqui em AG e outra em Manta Vermelha, assim eu consigo me colocar em ordem. Então próximo capitulo será em MV e no próximo AG. Bem, é isso, espero que tenham gostado desse capítulo e principalmente do final. Tenho uma amiga que fica desse jeito bêbada e quando nós saímos e ela ficou feliz demais, eu pensei em Bella assim kkkkkk Beijos e até o próximo ♥