Aquela Garota
19 Recomeços
18. Recomeços
Rosalie POV
– Eu estou bastante ansiosa. – Bella falou, os olhos presos no celular dela.
Um grande milagre da vida ela falar isso e estar deitada na minha cama, ao invés de mexendo em alguma coisa ou me irritando o tanto quanto pode enquanto está tendo uma grande explosão de hiperatividade. Isso só podia significar que Edward estava fazendo Bella gastar muita energia, muito mais do que os esportes que ela pratica.
– Posso... Imaginar... Por que. – eu soltei em uma lufada de ar enquanto puxava minha calça e fechava. – Ugh, essa calça está encolhendo.
– Hm, a calça.
– A calça. – rosnei e Bella revirou os olhos. – Edward está lhe dando bastante exercícios para fazer, não é? Na semana vocês sempre chegam atrasados nas aulas e estão juntos o resto do dia quando você não está trabalhando e ele não está treinando. E nos finais de semana correm de manhã, depois do almoço ficam juntos e só desgrudam um do outro depois da meia noite. Muita energia.
Esperei uma resposta de Bella, mas ela ficou quieta. Vesti a camiseta do Druken American Rebels e virei para Bella, que tinha uma carranca.
– Eu odeio você.
Arregalei os olhos.
– Porque isso?
Ela voltou à atenção para o celular e me ignorou. Foi quando eu entendi o que acontecia e não segurei a risada. Bella bufou e resmungou, jogou uma almofada em mim, mas eu não conseguia parar de rir.
– Sério mesmo, garota? Todo esse tempo e nada?
– Tenha um irmão como Emmett e amigos como você que você não vai se impressionar.
Eu fui até a minha penteadeira, ainda rindo de Bella. Prendi meu cabelo em cima, deixando-o mais arrumado possível e passei maquiagem. Eu odiava que Carl falava que era uma obrigação estar impecavelmente perfeita, mas era trabalho e eu gostava dele. Coloquei meu tênis e fui até minha cama, sentando. Bella já tinha desfeito a carranca e agora prendia um sorrisinho malicioso nos lábios.
– Pelo menos nenhum de nós dois impedimos as mensagens sacanas, não é?
– Pelo menos isso. – ela sorriu para mim. – Ainda bem que Renée me deu um celular novo porque senão nem isso.
Me deitei ao lado dela, que desviou o celular para que eu não lesse as mensagens dela com Edward.
Os dois estavam ficando cada vez mais inseparáveis. Depois que foram descobertos da amizade com benefícios, mesmo Emmett bufando para todos os lados, eles estavam mais abertos e eu não via nenhum metro de diferença esse relacionamento com namoro. Apenas não havia as discussões, as conversas chatas e todas as obrigações de namoro chato. Mas estavam lá os momentos juntos, as caricias e principalmente o ciúme.
Claro que os dois, tão sonsos e estúpidos como são, não percebiam isso, mas eu sim. E só estava esperando o momento que eles percebessem também.
– Você já pensou em qual vai ser seu grito de torcida para Edward sexta?
– Além de lindo e gostoso? – ela ergueu uma sobrancelha e eu revirei os olhos. – Eu improviso na hora. Olhar para Edward sendo o nadador ótimo que ele é vai me dar inspiração.
Sexta feira começaria o campeonato de natação entre estados. Ainda estavam apenas escolhendo nas escolas do estado, então a nossa enfrentaria a escola de outra cidade de Los Angeles. Depois que a melhor vencesse, seria então entre estados.
Bella e Edward não paravam de falar desse campeonato. Na hora do almoço nós todos tínhamos que ouvir a animação dos dois, e às vezes Nessie acompanhava quando ela não estava bastante interessada no que Alec falava. Certo que eram poucas vezes e que ela quem falava mais em uma conversa entre os dois, mas ainda assim era algo e nós estávamos orgulhosos da pequena garota ruiva ter feito nosso amigo voltar aos poucos à normalidade.
Meu celular tocou em cima do criado e eu peguei, fazendo uma careta quando vi o nome da minha mãe. Hora de aguentar um tempo de...
– Meu bebê, que saudades de você! Mamãe está tão feliz que dessa vez você atendeu. Temos tanta coisa para lhe falar desde o tempo que conversamos pela ultima vez. Ah, papai está mandando um oi para você. Mas me conta, como está indo a escola? E seu emprego de secretária da Renée? Como está Bella? E o namorado?
Minha mãe começou a me encher de mais e mais perguntas, não dando tempo nem para respirar. Eu revirei os olhos, suspirei e fiquei olhando as mensagens que Bella ainda trocava com Edward. Os dois sabiam provocar um ao outro.
– Essa foi boa. Até eu fiquei quente. Edward é bom. – tampei o celular e sussurrei.
Bella rosnou com raiva, para minha diversão.
– Pare de olhar minhas mensagens.
– Estão mais interessantes que a ligação da minha mãe.
– Rosalie? Querida? Bebê?
Respirei fundo e voltei atenção para a ligação. Hora de responder as mesmas perguntas de sempre na mesma ordem de sempre.
– Oi mãe, tudo bem? Eu também estou com saudades, você sabe. E desculpe não atender antes, é que estou muito ocupada. E não faz tanto tempo assim, só uma semana, não acho que tenha acontecido muita coisa. Mande um oi para papai e fale que o amo muito. A escola está indo bem como sempre, ainda mantenho os A’s. Renée é um amor e nós nos damos bem. Bella é a mesma pessoa de sempre, aliás agora ela está aqui do meu lado trocando mensagens quentes com um cara lindo.
– Rosalie! – Bella me deu uma cotovelada.
– E eu não tenho namorado, é perda de tempo, por favor. Fico feliz pela Selly, ela é uma boa mulher. E que droga que a Sra. Larry fez, se precisar que eu apronte para ela é só falar. – parei para respirar.
Eu não sabia o que Selly tinha feito de bom e nem o que a Sra. Larry fez de ruim, mas mamãe sempre falava das duas então era fácil o que responder sem prestar atenção na conversa. Selly sempre faria só coisas boas e Sra. Larry sempre seria uma megera.
– Como assim Bella está conversando com um garoto? Um garoto? Oh, fico tão feliz por ela!
Eu gargalhei alto. Meus pais realmente achavam que Bella não tinha futuro com garotos desde que ela sempre pareceu um. Mas como eles foram embora e me deixaram por conta própria nos meus dezessete anos, não a viram evoluir para uma garota. Bem, uma garota que soca como um garoto, mas ainda assim uma garota.
– Pois é, surpreendente, não? – olhei para Bella e ela fez uma careta. – E mais ainda que é um cara bonito.
Minha mãe suspirou do outro lado da linha.
– Estou ansiosa para quando você vir me falar que também está namorando um menino bonito, Rosalie. Alguém que você possa trazer para nós conhecermos.
Sério, minha mãe com certeza queria me encontrar casando quando completasse dezoito anos porque essa necessidade dela de querer que eu namore só pode significar isso.
– Um dia, mãe. Um dia. – murmurei a contra gosto e ela concordou.
– Bebê, você ainda não respondeu a minha pergunta.
– Qual delas? – perguntei distraidamente olhando para minhas unhas, totalmente entediada.
– A de quando você vai vir nos visitar. Eu, seu pai, Selly e até Lulu está com saudades de você.
– Lulu me odeia, ela não está com saudades de mim. Ela me mordeu na ultima vez que fui.
Lulu era a cadelinha que minha mãe arranjou depois que decidi ficar em Los Angeles. Pequena, magrela, com pelos só na cabeça e que se achava mais filha da minha mãe do que eu porque ela era criada como uma. E tinha ciúme de mim, então estava sempre rosnando quando me via. E na ultima vez, depois que eu briguei com a minha mãe e xinguei a Lulu, ela avançou em mim e mordeu minha perna. Era pequena, mas mordia com força e foi um inferno de dor.
– Essas coisas acontecem entre irmãs, bebê.
– Ela não é a minha irmã!
– Não fale assim, Rosalie. – mamãe engrossou o tom de voz e eu resmunguei. – Mas não fuja da pergunta. Quando você vai vir?
Eu tinha saudades dos meus pais, ainda mais do papai que me mimava do jeito que eu gostava, não como uma garotinha, mas como uma mulher. Ele sabia aonde me levar para me divertir e o que me dar, que com certeza não era roupas de marcas e ir ao salão como qualquer outra garota rica. Mas ir para Washington não era uma coisa que me agradava muito. Trocar o delicioso sol da Califórnia pela chuva de Seattle não me deixava feliz. Além de que ao chegar lá eu teria que aguentar mamãe em cima de mim todo momento conseguindo me sufocar de abraços e palavras doces do quanto ela está com saudades e me ama e também ouvir as coisas boas que Selly fez lá. Onde eu não estava porque preferi ficar em Los Angeles com minha melhor amiga.
Selly era a minha prima que meus pais “adotaram” – um pouco depois de adotar Lulu. Ela já tinha vinte anos quando foi morar com eles porque sua relação com seus pais não estavam indo bem. Então meus pais a criaram como uma filha mais velha, a enchendo de todos os mimos que podia. Ela decidiu não ir à faculdade e optou por se tornar professora de piano, o que ela tocava muito bem. Selly também tinha um namorado desde seus dezesseis anos e alguns meses atrás havia se casado com ele, para a felicidade de mamãe que pode organizar tudo. Ela era o orgulho da minha mãe, que se enchia de felicidade ao falar dela.
E eu era a filha distante que preferiu a melhor amiga a os pais, mas que ainda era muito amada porque eu era a filha dela. A que não agia como a conta bancária dos pais. A filha que ainda não tinha nem decidido que faculdade faria mesmo estando no segundo ano, mas que esperavam bem lá no fundo que eu optasse por admiração e algum dia fosse CEO como papai.
No começo para eles aceitarem a minha decisão de ficar foi difícil e eu tive que agir de forma rebelde ameaçando que tudo se tornaria ainda pior se me levassem a força para Washington. Mamãe não queria porque falava que não saberia viver sem mim porque era sua única filha – e meses depois ela arranjou não só uma, mas duas novas filhas. Papai não tinha exatamente um bom motivo para querer que eu fosse além da minha segurança, mas vendo que todo o drama de mamãe não estava me convencendo, ele sabia que mais nada faria. Nenhum deles entendia realmente porque eu preferi ficar com Bella a escolher eles. Eles não faziam noção de como eu a amava e sentia que precisava estar com ela porque nós éramos melhores amigas almas gêmeas e que seria doloroso ficar longe dela. Mais do que meus pais. E também não é como se um depois eu não iria embora pra universidade e seguir minha vida. Havia algo sobre ela conseguir me entender de uma forma que eles não conseguiam que fez meu laço com Bella ser ainda mais forte e também toda a proteção que eu tinha com a minha garota hiperativa que só me fez pensar na segurança dela. Qual é, eu não confiava totalmente em Emmett, mesmo ele sendo um bom irmão. Mas tinha coisas que ele não podia fazer por ela e eu sim, e longe eu não conseguiria.
Então eu consegui os convencer porque meus pais confiavam em mim e em minha responsabilidade de morar sozinha. Desde antes da minha adolescência eu era independente e eles sabiam disso. Eu tinha meus bons momentos de irresponsabilidade, mas era uma parte de mim que não tinha como controlar, ainda mais com meus amigos. E com as regras que nós combinamos, eu estava emancipada e morando sozinha em uma casa pequena como eu sempre gostei, e não das mansões extravagantes que mamãe encontrava e reformava para ficar ainda mais extravagante.
E uma das regras era fazer visitas regulares. Eu mantive por um tempo, mas então eu consegui aumentar o tempo e agora eu só ia quando eu sentia mesmo saudades. Bastantes saudades.
– Eu não sei, mãe. Como eu disse, estou muito ocupada e preciso terminar os trabalhos e tudo.
– Mas Rosalie, precisamos de você aqui. Para nos ajudar escolher o nome do bebê.
Eu franzi as sobrancelhas. Hm, bebê? Eu ouvi mesmo isso?
– Bebê?
– Sim, de Selly.
Então Selly estava grávida? Ótimo, mamãe deve estar em êxtase por sua boa garota. Afinal, ela está começando a vida dela. Já casou, mora em sua casa própria e tem um filho. A filha prodígio da mamãe. Nossa.
– Eu não tenho porque dar minha opinião para o nome do filho da Selly. – falei.
– O que? Selly tem filho? – Bella sussurrou em surpresa e eu assenti com uma careta. – Louca.
– Mas é sempre bom ter outras opiniões além da mãe, querida.
– Eu não acho. Se o filho é dela, ela que coloque o nome nele porque vai ser ela quem vai gritar ele quando a criança for o filho do demônio.
– Rosalie! – minha mãe me repreendeu.
Bella colocou a mão na boca tentando sufocar uma risada.
– Apenas minha opinião, mamãe.
– Você não deveria falar desse jeito. Mas não importa os motivos, eu quero que você venha nos visitar porque estou com saudades. E seu pai também.
Eu revirei os olhos pelo seu tom de choro.
– Quando der, eu vou.
– E sobre aquela sua road trip? Porque vocês não passam aqui? Assim posso rever Bella, Alec e a graça do Emmett. – seu tom se tornou meloso no ultimo nome.
Ugh, minha mãe tinha um carinho enorme por Emmett falando que ele era adorável. Aonde ela viu isso naquele cara eu não sei, mas ele era seu xodó de todos meus amigos. Afinal, não foi por ele que eu fiquei, então minha mãe mesmo amando Bella, ainda tinha uma ponta de ciúmes. E Alec depois que ele parou de falar e só assentia para minha faladora mãe, ela se sentiu triste achando que ele não gostava dela.
– Não dá para nós passarmos em Washington, mãe. Nós vamos para Orlando, não é caminho.
– Deem um jeito, querida, eu sei que vocês conseguem. Eu só quero ver meu bebê e abraçar ela.
– Certo, mãe. – eu olhei para meu relógio e arregalei os olhos. – Eu tenho que desligar porque preciso ir trabalhar.
– Trabalhar? Em pleno sábado à noite?
M.E.R.D.A
– Trabalhos escolares, mamãe. Eu gosto de adiantar. Agora preciso mesmo ir. Lembre de falar pro papai que amo ele. Amo você também. Tchau!
Eu desliguei antes que ela pudesse responder e joguei meu celular na cama, soltando um suspiro. Bella ao meu lado gargalhava com as mãos na barriga.
– Céus, Rosalie, você mesma se perde na sua mentira.
– Eu me esqueci.
Quando disse para meus pais que tinha arranjado um emprego, eu não podia dizer exatamente do que já que se eu falasse que era bargirl em uma boate eles enlouqueceriam e fariam Carl fechar as portas por contratar uma adolescente de dezessete anos. Então eu menti que trabalhava de secretária com tia Renée, e pedi para ela confirmar para mim. Mesmo não gostando muito, ela fez porque Bella e eu fizemos nossas melhores expressões de choro enquanto ela falava com minha mãe no telefone. Eles nunca imaginariam que eu trabalhava mesmo em uma boate porque ninguém contratava uma garota de dezessete anos para isso, mas eu convenci Carl com meu grande charme e tinha uma identidade falsa.
Levantei da minha cama em um salto e puxei Bella comigo. Nós trancamos tudo em casa e entramos no meu carro. Eu a levei até sua casa e quando parei em frente, toquei seu braço.
– Você podia aparecer lá hoje com Edward.
– Estava mesmo pensando nisso. Aliás, é o turno do Emmett e estou animada para ver vocês dando novamente àquela bebida para as pessoas.
Emmett e eu tínhamos combinado de fazermos a bebida só quando estivéssemos nós dois, já que era nossa criação. Se alguém decidisse saber e quisesse para, sei lá, vender por ai, teríamos que estar juntos para decidir se venderíamos ou não nossa receita. Éramos sócios.
– Então aparece.
Bella saiu do carro e eu acelerei, seguindo para a longa noite de trabalho.
Carl hoje está calmo, e eu sabia que é porque sua mulher voltou para casa. Eles têm esse péssimo relacionamento de brigar, ir embora e depois voltar e fazer a mesma coisa semanas depois. É por isso que não me envolvia e não entrava em um relacionamento, porque além da parte boa em ter alguém para se amassar, dormir junto e cuidar de você, tinha a pior parte que era ter discussões e ciúme. Eu não precisava de um cara tendo ciúmes porque estou com meus amigos, isso era fodido de irritante e eu não tinha paciência para coisas tão banais.
Eu fui para o bar, onde estavam Emmett e Jared conversando. Assim que me viu, Emmett abriu um sorriso e veio na minha direção. Eu estava confusa em como me sentir, porque de uns dias para cá ele andava sendo gentil e menos estúpido, o que é algo realmente grande para ele. Emmett conseguia testar toda minha paciência e ele não estar fazendo isso era algo realmente fácil de reparar.
– Sócia. – me cumprimentou. – Preparada para ver pessoas bêbadas como um gambá hoje?
– É o meu trabalho, eu sempre estou. – pisquei um olho para ele.
Nós seguimos para nossos lados a procura das bebidas que precisamos para já deixar a vista quando pedirem Los Condenados. Cada vez mais os clientes frequentes pendem e Carl adorou que isso está lhe trazendo lucros.
– Grande Rose. – Rex apareceu e passou um braço por cima do meu ombro, apertando e então foi para seu posto.
Emmett voltou e ele estava com os fones de ouvido e balançando de um lado para o outro dançando e pulando. Quando viu que eu o estava encarando, ele tirou um e sorriu.
– Saiu! Finalmente saiu!
– O que?
– O novo single da Katy. E é perfeito, Rosalie. Vai ser a musica que vai tocar no nosso... – ele travou a língua e balançou a cabeça. – O novo single é perfeito!
E ele voltou a dançar e pular animado com a nova musica. Eu dei risada da cara de Emmett, porque ele era bobo desse jeito.
Logo as luzes coloridas e brancas foram acesas, Josh ligou o som, a música alta tomando todo o cômodo e Rex deixava as pessoas entrarem. Em poucos minutos estava lotado, tinha corpos se movendo e dançando para todos os lados, copos sendo virados, o calor tomando e a festa começado.
Copos e mais copos de Los Condenados foram feitos e Emmett não tentou nenhuma gracinha ou cantadas estupidas que ele tirou de algum site porcaria da internet. E isso me deixou com um bom humor tão incrível que eu estou realmente animada servindo bebidas e fazendo malabarismos com as garrafas.
Bella chegou quase depois das dez e estava acompanhada do Edward, Nessie e Alec. Ela puxava Edward pela mão e eu vi como estão totalmente presos um ao outro naquele gesto. Qual é, eles agem como namorados mais do que percebem e são realmente idiotas. Nunca vou me cansar de achar isso porque é o que é. Me perguntei qual drama eles terão que passar para perceber que naquele momento pertencem um ao outro como casais apaixonados. Mesmo Bella negando com um gordo não saindo de sua boca, tem um letreiro enorme em sua testa com a palavra sim.
– O que vão querer hoje, pessoal? – eu perguntei assim que eles se aproximam.
– Los Condenados. – Renesmee falou animada e eu revirei os olhos.
– Eu preparo! – Emmett apareceu ao meu lado e começou.
– Você tem sorte que tem amigos trabalhando nessa parte que não pendem identidade. – eu falei para ela, que colocou sua melhor expressão de criança triste. E Renesmee sabia muito bem fazer essa expressão. – Todos vocês.
– Porque afinal você e meu irmão entraram aqui com uma dessas. – Bella cantarolou e eu pisquei um olho para ela. – Me passe uma cerveja.
O tempo passou e Renesmee e Alec, depois de beberem, estavam na pista se misturando com a multidão de corpos dançantes. Eu apreciei a forma como ela conseguia o fazer voltar a ser o mesmo, que mesmo tímido como é, arriscava a fazer as coisas animadas que todos nós fazemos. Alec gostava de dançar, mas depois de ter seu coração quebrado ele parou com tudo que gostava e Renesmee estava o trazendo de volta. Isso me agradava.
Bella e Edward não se arriscaram na pista, ficando no bar. Ele estava sentado em um banco com Bella no meio de suas pernas, os braços dela jogados nos ombros dele e os dois mantinham aquela conversa apenas entre os dois. A mesma que compartilhavam de vez em quando no horário do almoço, a coisa com palavras baixas e sorrisinhos de assuntos que só eles sabiam. Algo tão íntimo entre os dois que eles não percebiam que estavam fazendo, apenas faziam.
Eu gostava de observar isso entre Bella e Edward. Eu vi minha amiga em seu pior momento de coração quebrado e odiei como o inferno Jacob Black por fazê-lo. Mesmo não demonstrando ela tinha esse lado sensível sobre sentimentos e ele conseguiu feri-la. E ela conseguiu aos poucos se curar e mesmo falando que nós a ajudamos, o trabalho foi todo dela. Primeiro se livrando totalmente de Jacob – as coisas que ela tinha dele, as memórias, os sentimentos. Então ela começou do começo, voltando a ser ela sem ele. Eu não era nem um pouco fã da Bella com Jacob porque ela se tornava meio estupida por causa dos sentimentos, e depois que ele foi embora, de ela se reconstruir, foi bom ter minha amiga de volta.
E apareceu Edward. No começo fiquei com medo que ele fosse outra decepção para ela, e então depois do medo ter ido embora e ele ter ganhado minha confiança por saber como cuidar dela e gostar da minha garota, eu tive ciúmes. Estupido, mas porque ele estava sendo um grande amigo para ela. Eu nunca tinha realmente dividido a Bella, porque Emmett era seu irmão e mesmo eles tendo os bons momentos, não era algo como nossa amizade. E Alec era amigo de Bella também, mas não era a mesma coisa. Nem mesmo Jacob conseguiu. E Edward sim, ele conseguiu ter aquele lado dela que só eu tinha e eu tive ciúme disso, de ele conseguir também. Era por isso que eu o irritava, mas ainda gostava dele por fazer bem a Bella. Porque se faz bem a ela, não tem como eu realmente não gostar. E o cara é um mané legal, pertence ao nosso grupo.
Só que as coisas entre eles evoluíram. Os flertes se tornaram mais constante e os olhos quentes que eles trocavam era perceptível e palpável e era impossível não perceber aonde tudo ia dar. Eu não tinha mais que dividir aquele meu lugar porque agora Edward tinha um lugar só para ele. Um que eu, com toda certeza, não poderia ocupar. E eu fiquei feliz porque Bella precisava daquilo, de algo tão adolescente em sua vida quanto um amigo com beneficio. Ela não podia passar por essa fase da vida dela sem essa emoção.
E foda-me que eu me sentia uma grande mãe da minha amiga. Era assim que eu me sentia e isso não me incomodava. Era o que acontecia quando você conversava muito com a mãe de sua amiga.
Mas mesmo eu confiando em Edward, eu ainda precisava fazer o que tinha que ser feito.
– Eu vou no banheiro, já volto. – Bella falou para nós e serpenteou pela pista de dança para chegar ao local.
Eu me aproximei de Edward e ele me olhou desconfiado. Ele sempre tinha esse olhar desconfiado sob mim, achando que eu iria fazer alguma coisa com ele muito mal. Eu podia, eu tinha coisas más em minha mente para ele, mas só se ele fosse realmente um estúpido de magoar Bella, não o estúpido que ele era junto com ela sem ver um palmo à frente da cara bonita.
– Edward, posso lhe pedir um favor?
– Hm, pode? – ele perguntou ainda mais desconfiado.
– Na verdade, é mais uma ajuda. Passe pelo balcão.
Eu indiquei e ele me lançou um olhar arregalado. Indiquei novamente com o meu melhor olhar de ameaça e ele fez, rápido. Ele tinha medo de mim e isso era divertido. Peguei ele pelo pulso e o puxei para atrás do bar, aonde ficavam os estoques de bebidas.
– E então... – ele pigarreou. – Para que você me trouxe pra cá?
– Eu preciso de uma ajuda para pegar uma bebida. Ela fica no alto e os meninos estão ocupados, então como somos amigos, confio em você para me ajudar. – e no fim eu abri meu melhor sorriso.
Ele assentiu e eu indiquei qual garrafa era, que ficava no topo do armário. Uma merda, digo, porque eu não era tão alta assim, mesmo sendo mais do que garotas da minha idade, mas não o suficiente para esse armário para gigantes.
– Eu odeio que eles coloquem a bebida que mais usamos nas prateleiras de cima, sempre tenho que pedir ajuda porque senão cai, quebra e eu quem pago o prejuízo.
Edward estava pegando a bebida e eu vi a hora perfeita pra começar.
– Ninguém quer garrafa de bebida quebrada no chão, não é, Edward? Aonde tem aqueles cacos de vidro bem pontiagudos que da pra cortar muitas coisas. Muitas coisas preciosas. Você não acha?
Percebi Edward engolindo e seco e tive vontade de gargalhar. Ele realmente tremia das pernas quando eu colocava minha melhor voz de ameaça, esse era um bom namorado para Bella porque quando ele ousasse dar um passo errado, eu faria meu melhor e ele voltaria para o lugar. Ou melhor, ele nunca ousaria porque saberia que eu estou ali com minha faca.
– A-Acho, Rouss. Ninguém quer garrafas quebradas que vão deixar cacos com pontar cortantes que poderiam cortar... – ele engoliu em seco novamente.
Jesus, eu amava esse Cullen por ser engraçado assim.
Edward pegou a garrafa e virou para mim, dando um pequeno sorrisinho nervoso. Eu dei um passo para perto dele, vendo seus olhos arregalar.
– Só por garantia mesmo vou ser mais explicita. Edward, se você fizer alguma coisa errada com Bella, se você a magoar, eu juro que eu corto a porra das suas bolas e dou para o cachorro do Rex comer junto com o resto da carcaça do seu corpo. E o Rex é um cara grande, enorme, então imagina como é o cachorro dele deve ser. Imaginou? Pois é. Então espero que você seja muito cuidadoso com o que faz com Bella ou eu vou colocar minha ameaça em pratica. Estamos entendidos?
Eu podia rolar no chão de rir com a cara que Edward estava fazendo. Tinha um pequeno acumulo de suor em suas têmporas e eu podia jurar que ele estava tremendo. Tão fácil. Porque não era fácil desse jeito com Emmett?
– Edward?
– Eu nunca faria nada com Bella. – ele falou rápido e eu assenti. – Ela é minha amiga e antes de magoar ela, eu me machucaria. Eu amo demais Bella e nossa amizade para fazer alguma coisa ruim, acredite.
Eu fiquei surpreendida com a forma confiante que ele falou tudo isso e dei um passo para trás, abalada. Seus olhos verdes queimavam em confiança e eu não podia mais ameaçar o cara porque eu confiava nele. Além de que com certeza eu tive palavras dele que Bella ainda não tinha ouvido, palavras essas proferidas de forma dura e eu sabia que essa amizade entre eles é tão duradoura como a minha com Bella, e nós vamos ser amigas para sempre.
– Ótimo, vamos voltar agora então, garotão. – usei o apelido que Bella sempre fala e bati em seu peito.
Nós voltamos para o bar e todo o calor de pessoas, deixando para trás a garrafa de bebida e nossa pequena conversa barra ameaça.
Bella estava encostada no balcão e seus olhos brilharam e um sorriso apareceu em seus lábios quando ela nos viu. Edward passou por baixo do balcão e foi de encontro a ela. Ele ainda estava tenso da conversa, mas percebi seus ombros automaticamente relaxarem quando os dois encostam primeiros os dedos, depois as mãos e então ele a abraçou e deu um beijo em sua cabeça.
Porra, Edward sabia amolecer um coração como o meu sendo tão gentil e adorável. E sei que vou chutar a bunda dos dois se eles acabarem com isso antes mesmo de começar algo sério. Há algo único e bonito ali que não podia ser perdido.
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Eu não era realmente uma fã de estudar. Eu gostava mais do bem bom de aprender na hora, praticar e conseguir fazer porque sou inteligente. Mas isso não vai realmente me garantir boas notas como meu pai espera e então eu tinha que me esforçar um pouco mais. Era por isso que estava na biblioteca no meu horário livre quando eu poderia facilmente escapar para fora da escola e fazer algo útil na uma hora que tenho.
Eu tinha a mesa mais distante para que pudesse me concentrar e fugir de todas aquelas conversas estupidas sobre esportes e foder vadias dos garotos e as fofocas nojentas das garotas. É algo realmente irritante quando você está concentrada em ler e tem aquelas vozes falando coisas como “E ela caiu de boca no meu pau” ou “Descobri que ela saiu com o namorado do lindo do Larry”. É algo mais do que irritante, me da vontade de vomitar saber quem saiu com quem ou quem fez um boquete ou teve os seios tocados.
Tinha uma prova de Literatura Inglesa se aproximando e eu me concentrei em meu livro, tentando não me deixar ser levada pelo torpor do sono que estava nublando minha mente com tanto tédio. Esfreguei meus olhos e assim que os abri, dei com Emmett em todos seus músculos e cabelo loiro entrando na biblioteca. Ele parou, olhou em volta até seus olhos encontrarem os meus e veio na minha direção.
Antes mesmo de sentar eu já estava com o aviso na ponta da língua.
– Se for para encher meu saco e ser uma dor na bunda, cai fora.
– Eu não quero encher seu saco, eu só estou precisando de um lugar para me esconder e você está aqui, Rose. – ele sorriu.
Emmett tinha aquele sorriso doce com covinhas que ele tirava de algum lugar. Era aquele que não o deixava com cara de pateta nem de tarado que só pensava em sexo. Eu gostava desse sorriso porque me lembrava dos momentos que Emmett não era um idiota e eu apreciava a companhia dele. Os poucos momentos que ele não pensava em mim como a amiga gostosa da sua irmã que ele queria foder, mas sim em uma amiga dele que ele não queria foder. Bem, menos a parte do não querer foder porque acho que Emmett só pensava nisso quando olhava para mim. O que torna o motivo principal de eu o afastar.
As coisas eram mais fáceis quando éramos crianças e eu não tinha peitos. Ele pensava em outras coisas perto de mim.
– Certo, então quieto. – rosnei e vi ele assentir com a cabeça.
Os primeiros dez minutos Emmett realmente ficou em silencio, mas então ele olhou para o que eu estava lendo e bufou.
– Romeu e Julieta? É uma droga.
– Não totalmente. Chato toda a forma que eles falam, sim. Mas o resto é bom.
– Duas crianças se amando? Qual é, cedo demais para isso.
Era algo novo ver Emmett discutindo sobre um livro e isso me fez desviar do foco de estudar. Eu precisava manter aquela discussão porque novamente estava aquele pouco momento que eu sabia que ele não ia ser um completo idiota. O momento que eu esperava porque gostava do Emmett com cérebro.
Cruzei os braços e me recostei na cadeira.
– Porque você fala isso?
– Vamos lá, Rouss. Ela só tem treze anos e ele tem o que? Dezessete? Com certeza uma garota da idade dela vai achar amar um cara mais velho só por isso, por ele ser mais velho e estar interessado nela. Vai me dizer que você não sabe o que é isso?
Eu realmente sabia o que era porque qualquer garota deve ter se encantado com um garoto mais velho e se, com sorte, ele a notar, ela iria achar que o amava. Eu não achei que o amava, mas estava encantada o suficiente para ser boba perto dele. Vergonhoso, ugh.
– Mas e ele, o amor dele por ela?
– Há algo divertido e excitante que em algum momento quando você tem dezesseis anos, você queira uma garota mais nova para se divertir. Tempos modernos ou antigos, tanto faz, adolescente é adolescente e eles têm ereções fáceis e elas são bobas. Isso não muda. E é isso que acontece, ele se encanta com ela também e por ela achar que o ama, ele também acha que a ama.
As coisas começaram a ficar divertidas e eu deixei escapar um sorriso. Emmett sentiu mais confiança e relaxa no lugar como eu.
– Então você está dizendo que tudo que aconteceu, toda essa história bonita e que muitos amam, só aconteceu por causa de hormônios adolescentes?
– Sim. E porque eles eram solitários demais então era fácil se apegar a outra pessoa. As pessoas acham que o romance Romeu e Julieta é um amor avassalador que levou os dois a morrerem por amor, mas eu acho que é só uma confusão adolescente como qualquer outra normal. Acontece que é no tempo antigo e as coisas mudam. E tem a parte trágica que é o que realmente encanta a todos.
Emmett colocou uma expressão de gênio e eu não consegui mais segurar a risada. Minha gargalhada explodiu na biblioteca silenciosa e cabeças se viraram na nossa direção, mas eu não controlei. Essa foi a porcaria mais porcaria que já ouvi sobre Romeu e Julieta.
– Você por algum acaso já leu Romeu e Julieta? – perguntei entre risos para Emmett, que passou da expressão confusa para uma marota.
– Não. Só sei o básico. Eles se amam, a família briga, no final termina com eles mortos por veneno. Blá blá blá de chato.
A expressão de Emmett era hilária ao falar e mais uma vez eu estava rindo dele, dessa vez o mais silenciosa possível. Emmett tinha aquele sorriso de covinhas e eu sabia que ele estava orgulhoso de si por ter conseguido me fazer rir. Era incrível como ele mesmo se orgulhava de si por isso, mas não mudava aquele jeito que sabia que me irritava.
Ele aproximou a cadeira da minha e eu vi a mudança no sorriso. Eu já tinha ideia que estava vindo algo estupido.
– Você sabe, Rose, nós podemos passar pela parte que achamos que nos amamos, viver uma aventura e no final... O destino resolve.
Antes, eu teria dado um soco nele por ser idiota novamente, mas dessa vez eu me senti relaxada e sua cantada estupida só me deu mais vontade de rir e brincar com Emmett. Eu coloquei minha mão na perna dele e acariciei. Ele arregalou os olhos levemente, mas manteve o sorriso malicioso. Eu aproximei meus lábios do ouvido dele e suspirei, deixando meu hálito correr pela pele sensível atrás da orelha dele e ouvi Emmett suspirar.
Ele era tão fácil de seduzir. Como Edward era fácil de ameaçar. Todos os caras eram tão fáceis.
– Eu não vou transar com você, Emmett. – sussurrei e me afastei.
Emmett tinha a expressão desolada. Eu queria xingar ele e falar para parar com isso, de uma hora ser legal para outra ser um babaca como qualquer outro garoto, mas sabia que não iria adiantar porque esse era Emmett, e ele persistia no que queria, mas não mudava.
O sino tocou e eu peguei meu livro, levantando rápido. Emmett continuou sentado em sua própria fossa de fracasso, mais uma vez. Quando me afastei, ele decidiu falar.
– Dessa vez não teve um nunca, Rosalie. Você não falou nunca.
Eu parei e olhei para ele, que agora estava sorrindo. Rápido e prático, ele esquecia o que lhe deixava triste. Se Emmett fosse mais fácil pessoal, eu sabia que poderia gostar dele. Ele levava a vida de forma leve e não pressionava nada, ele fazia aquilo que lhe dava vontade e tinha o sorriso de covinhas mais doce e lindo que ficava escondido atrás de um sacana e estupido. Ele me daria o tipo de relacionamento que eu conseguiria levar, um que não teria discussões por motivos idiotas, que saberia me respeitar e acima disso, carinho e sexo quente como as garotas que dormiram com ele, falavam. E ainda tinha sua paixão pela Katy Perry que seria algo engraçado para rir sempre que ele mostrasse o lado fã. Mas ele conseguia afastar isso sendo como era.
– Você sabe como as coisas são, Emmett. – foi o que eu falei e ele balançou a cabeça, ainda mantendo o sorriso.
Era o sorriso de covinhas. Adorável como o que passava em sua mente.
– Quem sabe um dia, Rosalie.
Essa era a sua promessa de um dia ser diferente. Uma que nós sabíamos que seria difícil de cumprir. Uma que ele já fez várias vezes, que apenas nós dois conhecíamos e que me deixava afetada por ele porque ao falar isso, ele sempre tem aquele sorriso que eu gosto. Você sabe, o de covinhas e doce.
Yep, se Emmett fosse mais fácil, eu realmente poderia gostar dele.
Edward POV
– É amanhã. – Brad comentou animado ao se sentar no meu lado na arquibancada.
Nós não tínhamos tido treino para que pudéssemos descansar para amanhã e eu apenas decidi ficar um pouco perto da piscina para pensar. Eu estava tendo uma nova oportunidade de começar e dessa vez nada nem ninguém iria estragar isso. Já bastava uma única vez ter deixado alguém acabar comigo e ter meu pai me odiando por jogar fora anos de luta para chegar onde estávamos.
E eu podia sentir aquela ansiedade do recomeço roendo na boca do meu estomago. Eu fechava meus olhos e só conseguia imaginar ter uma arquibancada inteira de alunos torcendo por você para trazer uma vitória para a escola e era isso que eu amava. Ter uma responsabilidade de algo que eu poderia dar conta. Podia sentir a água gelada em volta de mim enquanto eu nadava para chegar do outro lado da piscina, ser o mais rápido, o mais ágil na volta. E quando emergi só ouvir mais e mais gritos.
– O que você está fazendo aqui? – perguntei para ele.
– Eu gosto de vir para cá antes, eu acho relaxante. – ele apoiou os cotovelos nas pernas e encarou a piscina. – É meio que o tempo que tenho com a piscina.
– Eu te entendo. – murmurei e ele assentiu.
Nós dois ficamos em silencio e os minutos passaram. Brad era uma boa companhia e eu percebia a grande diferença de ter um amigo no time com o que eu achava que era meu amigo. Brad sabia respeitar e apoiar, ele não demonstrava uma maliciosa maldosa quando falava boa sorte ou quando lhe desejava parabéns por conseguir algo.
O treinador rompeu pelas portas e se surpreendeu ao encontrar nós dois sentados ali.
– Cullen, eu queria mesmo falar com você. Vamos lá no meu escritório.
Eu me despedi de Brad e segui o treinador. Dentro do escritório apertado dele, ele me indicou a cadeira e eu sentei. O Sr. Hilton se apoiou na mesa e me encarou.
– Nós temos que ter uma conversa, Edward.
Seu tom de voz foi severo e eu já sabia sobre o que era. Eu não podia realmente achar que um treinador de natação não saberia sobre mim. Treinadores sabiam de tudo, era o que meu antigo sempre me falava. E por o Sr. Hilton ser ainda mais severo que meu antigo, não era de esperar menos.
– Nós temos. – falei porque estava nervoso e não sabia mais o que falar.
Ele não iria nesse momento me expulsar do time, iria? Digo, ele me deixou chegar até aqui. Ou talvez ele só tenha descoberto agora e vai mesmo me expulsar. Afinal, ele não sabe a verdadeira história e acha que eu fiz tudo aquilo de propósito como realmente falaram.
– Eu só preciso de uma explicação, Edward. Antes de falar ou fazer qualquer coisa.
Ele iria me expulsar.
Minhas palmas começaram a soar e eu queria correr para longe sem ouvir as palavras dele. Tudo estava voltando a ficar ruim e eu não tinha nem começado. E o pior, era minha culpa porque foi meu erro passado. Mais uma vez.
– Edward. – o treinador me chamou e eu o encarei com uma careta. – Explique-se.
Explicar. Eu tinha realmente alguma chance mesmo explicando? Ele poderia não acreditar em mim, como ninguém acreditou, nem mesmo meu pai. Apenas Renesmee porque ela conhecia James. E também Bella acreditou, ela ficou do meu lado. Então eu também tinha uma chance de o treinador também acreditar. Eu não podia entrar em pânico agora quando eu tinha uma chance de uma explicação.
– Eu fui idiota. – as palavras pularam para fora da minha boca e a expressão do Sr. Hilton se tornou desagradável. Foi quando percebi o que tinha falado. – Não, não assim. Eu fui idiota porque confiei em um cara do time e ele fez aquilo comigo. Mas a culpa não é totalmente dele porque eu fui idiota na noite anterior.
Então eu comecei a contar para o treinador o que tinha exatamente acontecido. Eu fui totalmente sincero com ele como havia sido com Bella, torcendo para isso ser um grande ponto para mim. Falei de como eu era indulgente com minha responsabilidade e esnobe por ser o melhor considerado e achava que dava conta. De naquela noite ter saído para curtir e ter tomado um comprimido que James falou que não iria afetar em nada os resultados porque não era estimulante. E então como foi quando fiz o teste e deu que tinha Epinefrina.
Quando terminei, eu estava me sentindo um pouco melhor por poder liberar aquilo para o treinador, mas também estava tenso porque agora era apenas a decisão dele e se ele acreditava mesmo em mim.
O treinador encarou a parede, os lábios torcidos e as sobrancelhas franzidas. Era a forma que ficava quando ele pensava demais. Depois de um tempo de tortura, ele pigarreou.
– Garoto, você foi realmente estupido. Você sabe, não se deve confiar em colegas de time fora da piscina.
– Eu aprendi. – murmurei.
– Vocês são um time, dentro de um ginásio e prontos para entrar numa piscina. Mas fora, vai ter os que são mesmo seus amigos e terá aqueles que vão te derrubar. E sério, Edward, comprimidos? Uma pessoa tem que ser realmente estupida.
– Eu sou.
– Oh, você é mesmo. – ele concordou.
Nós dois ficamos em silencio e eu apertei minhas mãos em nervosismo. Eu queria mesmo ir embora antes que ele falasse que eu estava fora, porque pelo seu tom pareceu que eu estava. Mas eu fiquei sentado ali, olhando para as costas do treinador e tomando coragem.
– Eu estou fora? – perguntei.
– Você é viciado nesses comprimidos?
– Não. Só foi daquela vez. Apenas.
O treinador suspirou e me encarou.
– Você sabe, poderia ter mentido para mim porque eu não sei quase nada do que aconteceu com você em Nova York além do que li. Ter falado que armaram pra você de uma forma que você era totalmente ignorante. Mas você me contou a verdade, que o erro foi seu por acreditar em quem não deveria. Isso é algo bom, Edward. E por você ter me contado isso, ter me dado sua confiança em ser sincero, você vai continuar no time.
O ar fugiu dos meus pulmões em um suspiro de alivio. Eu já não me sentia nauseado e nem com vontade de fugir. Eu iria ficar no time e isso era bom. Era mais do que bom.
– Eu vou confiar em você no meu time, garoto. Mas não me decepcione, não faça nenhuma burrada porque as coisas vão ficar feias entre nós dois.
– Pode deixar, treinador. Eu não vou fazer nada. Obrigada.
Ele abriu um pequeno sorriso e eu retribuí com um aberto. Ele não fazia ideia da chance que estava me dando.
Sr. Hilton pigarreou e se sentou em sua cadeira, apoiando os cotovelos na mesa e abrindo um sorriso mais aberto.
– Você é realmente bom, Edward. É bom ver que você não se perdeu depois do que aconteceu. Não desistiu.
– Eu não conseguiria. Nadar é algo que eu realmente amo.
Novamente pensei na sensação de estar nadando. De ter uma torcida por você. De vencer e ser cumprimentado por isso. Não há nada no inferno que poderia me levar para longe disso. Eu perdi uma vez e foi o suficiente para me fazer perceber que eu precisava demais daquilo.
– É esse sentimento que vai te levar longe, garoto. É por isso que você está no meu time.
Eu abri um sorriso para Sr. Hilton, confiante em mim mesmo que eu o orgulharia.
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Era o dia. Eu estava de volta em competições de natação e isso me deixava animado, ansioso e nervoso. Podia ouvir o barulho das pessoas nas arquibancadas. Eu sentia falta disso e só agora estava realmente percebendo isso, quando o tenho de volta.
Nós estamos no vestiário e eu já estou vestido em minha sunga, por me sentir melhor com a parte superior mais livre.
E tinha Bella. Ela estava sentada no banco, seus olhos em mim, me provocando com um sorrisinho malicioso. Mas eu não me atrevia a retribuir seu flerte com olhares, porque não seria nada legal partes minhas ficarem animadas bem quando eu tinha que aparecer na frente de muitas pessoas. Jesus Cristo, minha mãe estava lá no meio daquelas pessoas e isso seria fodido de constrangedor. Mas Bella não se importava com isso.
Nenhum dos caras falou alguma coisa por Bella ter se atrevido a invadir o vestiário e agradeci que ela escolheu fazer isso depois que eles estão já vestidos e prontos para sair.
– Você sabe que nós vamos vencer, certo? – ela perguntou para mim.
– É claro que vamos. – confirmei e Bella sorriu.
Eu só não conseguia evitar. Eu tinha essa parte ruim minha que era totalmente esnobe quando se tratava de competições. Era aquela competitiva que não sabia perder. E Bella compartilhava a mesma parte que eu porque ela estava segura. Ela acreditava em mim.
– Com vocês falando assim eu me sinto mais confiante. – Scott falou e Bella estalou a língua para ele.
Brad e Scott foram os primeiros a sair e no instante seguinte eu tinha Bella em meus braços e os lábios nos meus. Era uma reação instantânea a e a calma me tomava. Era reconfortante beijar ela e eu não sabia explicar, apenas que eu adorava aqueles lábios com os meus. Ter ela em minhas mãos. Bella era macia e quente e cheirava a sol e calor e protetor solar. Ela me lembrava Califórnia e eu nunca tinha reparado nisso mesmo forte antes de nós começarmos a nos envolvermos. Eu só sabia que depois que nos beijamos a primeira vez e eu senti tudo aquilo, eu queria e precisava de mais.
Quando nos afastamos, ela me abraçou. E enquanto ela enterrava seu rosto em meu pescoço, suspirando e me cheirando como sempre fazia quando podia, eu aproveitei para encostar meu nariz em seu cabelo loiro e também inalar seu cheiro.
– Você vai ser o melhor, garotão. Eu sei e você sabe.
Pensamentos iguais.
Então me lembrei de algo e peguei meu celular no meu armário.
– Bella, você pode me explicar uma coisa? O que essa música da Katy Perry está fazendo aqui no meio das minhas músicas?
Bella esticou o pescoço para ver e quando leu o nome, ela gargalhou alto.
– Você não escapou. Emmett está pegando o iPhone de todo mundo e comprando o novo single da Katy. Ele quer que ela fique em primeiro. E olha, você ajudou!
Eu balancei a cabeça não acreditando naquilo. Quando Emmett conseguiu comprar era o mistério porque não lembrava de ter dado meu celular para ele e muito menos a senha da conta.
Questionei isso com o olhar para Bella que riu mais uma vez e balançou a cabeça.
– Não faço a menor ideia. Quando se trata dela, ninguém para meu irmão.
Deixei aquilo de lado e aproveitei mais um pouco de Bella, apalpando ela o quanto podia quando nos beijávamos enquanto ainda não estava na hora. Mas nós tínhamos que nos controlar. Então começou a voz do diretor abrindo o campeonato na escola e nós precisávamos ir.
Com uma toalha em cima dos meus ombros eu e Bella fomos de mãos dadas para a piscina e então ela se separou de mim, me desejando boa sorte e indo ficar junto de Rosalie, Emmett, Renesmee, Alec, Jasper e minha mãe. Vi também Tânia e suas amigas. Carlisle não estava ali e ao mesmo tempo em que não fiquei surpreso, eu também fiquei um pouco decepcionado. Mas decepcionado comigo por uma pequena parte minha ter achado que ele iria vir.
Eu fui para aonde estava o treinador e os caras e Sr. Hilton passou mais uma vez para nós o que devíamos fazer enquanto o diretor ainda continuava falando. John estava no seu melhor humor definitivamente.
Tocaram o hino nacional, nós cantamos e finalmente começou. Brad foi o primeiro a ir, ele subiu na plataforma elevada e olha para seu adversário, que estava sorrindo. Ele retribuiu o sorriso e falou algo que fez os dois trocarem mais sorriso abertos, mas eram competitivos e nada amigáveis. Quando apitou, os dois se jogaram na água e o salto de Brad o fez ter alguns centímetros à frente nadando de peito. Seus braços o fizeram pegar ainda mais alguns centímetros e o outro cara não tinha chance contra.
Eles chegaram do outro lado, viraram e voltaram e então Scott estava tomando o lugar e sendo rápido como Brad em seu nado de costas.
Eu fui para meu lugar na plataforma elevada, esperando Scott voltar. Eu podia ouvir meus amigos soltando seus gritos de incentivo e isso me deixou ainda mais em êxtase. Me agachei em posição e encarei a água azul abaixo de mim. Podia ouvir o som deles voltando. Estava na hora.
Seja minha amiga, água, eu pensei como sempre fazia, antes de ver Scott batendo a mão na parede e eu podia me lançar na água.
Estava lá àquela boa sensação de ter que nadar por um motivo: vencer. Meus braços batiam contra a água para chegar cada vez mais perto do outro lado da piscina no nado craw e era prazeroso. Ver a água azul a minha frente, se estendendo, parecendo infinita no começo até você poder começar ver a parede. O folego apertando embaixo da água e quando você levantava a cabeça para pescar um pouco de ar e novamente estava debaixo.
Eu bati na parede, virando um pouco mais ereto e avancei para frente. Essa virada sempre me fazia ter segundos a mais para chegar do outro lado e eu não sabia como estava o outro cara, se a minha frente ou atrás – mesmo que eu tivesse saído com segundos de diferença à frente. Mas eu dei o melhor de mim e quando avistei a parede e a toquei com as pontas dos dedos, me ergui da água e olhei para o lado bem no momento que o outro cara bateu a mão na parede. E eu sabia que todos aqueles gritos vindo da arquibancada eram para mim e meu time porque nós vencemos.
Eu virei e olhei para aonde meus amigos estavam e todos estão pulando e torcendo. Esme estava batendo palmas e sorrindo e eu via o que tinha perdido há um tempo – mesmo ela tentando esconder. Seus olhos verdes brilhando com orgulho de mim. Percebi Renesmee com os olhos marejados e sorri para o quanto minha irmã conseguia ser sentimental, mas sabia que ela estava assim porque também via uma esperança de minha briga com Carlisle acabar. E então Jasper, Emmett e Alec estavam pulando e gritando e fazendo gestos e ao lado deles Rosalie balançava uns pompons que com certeza roubou mais uma vez das lideres. Ao lado dela estava Bella, também pulando e gritando e batendo palmas e sorrindo. Ela estava fazendo tudo ao mesmo tempo e estava tão linda e animada que eu queria beija-la por ser a pessoa que era.
O treinador tocou meu ombro, me chamando para sair da piscina. Ele sorriu orgulhoso para mim ao bater nas minhas costas em um cumprimento e Scott, Brad e eu batemos as mãos em toques em nossa comemoração de time. Eu tinha um bom time agora.
Ali estava meu recomeço. Aonde eu tinha amigos verdadeiros torcendo por mim. Eu tinha um bom time e um ótimo treinador. Eu apenas precisava conseguir convencer meu pai que as coisas estavam melhorando que tudo vai ficar bom e perfeito. Não de novo porque antes não esteve. Mas perfeito como vai acontecer.
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Nós todos vamos para um bar que Emmett gosta perto de casa. Tem karaokê, esse é o motivo principal. Todos me disseram que ele gostava de cantar e Emmett queria ficar bêbado para comemorar. Pegamos uma mesa, colocamos as cadeiras em volta e nos amontamos ali com cervejas. Claro que era errado porque somos menores de idade, mas Emmett conhecia o dono do bar e ele não se importava, contanto que não tivesse nenhum pai depois reclamando com ele.
Eu tinha Bella de um lado e Renesmee do outro. Minha irmã estava me parabenizando desde quando conseguiu me alcançar e ainda continuava, sua felicidade sem limites. A mesma energia de sempre quando eu ganhava também em Nova York. Ela era a melhor e eu não podia querer irmã melhor.
No começo nós estamos em uma conversa animada e baixa, mas enquanto iamos bebendo mais e mais cerveja, nosso tom aumentava assim como as risadas e as coisas idiotas. Até eles falarem sobre como nós vencemos.
– E só de pensar que Edward quase não conseguiu fazer o teste. – Rosalie falou.
Ela era a que está menos bêbada de todos nós e a que incitava os assuntos.
– Culpa de alguém que trancou a porta. – Bella bufou.
– Ninguém descobriu realmente quem foi, não é? – Jasper perguntou e nós negamos.
– Mas eu estou perto. – Bella ergueu a mão. – Eu ando investigando e estou cada vez mais chegando perto. Eu achava que era o Brad, mas as pistas levaram para longe dele... Apesar de que isso pode significar uma coisa.
Eu lhe dei uma cotovelada devagar.
– Não adianta você falar que é o Brad porque você tem uma birra com ele. – Emmett disse. – Eu acho que foi Jacob.
– As pistas também não levam para ele.
– Que pistas? – perguntei e ela me lançou um olhar divertido.
– Eu tenho meus contatos, Edward. Posso saber de muita coisa naquela escola.
– Contatos que Bella quer dizer Jéssica. Ela quem sabe de tudo. – Rosalie revirou os olhos e nós todos explodimos em gargalhadas.
Não era engraçado, mas tínhamos álcool na cabeça e animação de uma vitória escolar então isso realmente não importava.
– Tanto faz. O que importava é que vou descobrir quem foi e essa pessoa vai me pagar. Ela podia ter feito uma grande merda para Edward e eu não aceito isso.
A expressão séria de Bella foi o que fez eu me inclinar e beijar sua bochecha. Molhado e nojento como ela sempre fazia. Bella gargalhou e me empurrou, depois limpando o local.
– Se Scott, Brad e você continuarem daquele jeito como foram hoje, vocês vão longe no campeonato. – Alec apontou para mim. – Vocês foram rápidos.
Sim, nós fomos. Muito rápidos e isso era o que tínhamos de melhor.
– Sabe o que eu preciso para essa noite de comemoração ficar melhor? – Emmett perguntou e bateu o punho na mesa. – Beber o suficiente para ter coragem de cantar no karaokê!
– Então isso não é muito. – Rosalie soltou e ele sorriu para ela.
E foi o que fizemos. Pedimos mais cerveja e logo nós todos estavamos bastante altos e rindo ainda mais. Nosso assunto variou para que tipo de animais seriamos até histórias horríveis de festa de infância e Jasper conseguiu vencer com a que ele teve 7 Minutos no Paraiso com uma garota mais velha e ela era uma louca total que bateu nele falando que esse era o paraíso dela.
E então Emmett estava bêbado o suficiente e foi até o karaokê, se inscrevendo e pagando para cantar. Na vez dele, não foi segredo para ninguém. Ele cantou a nova musica da Katy Perry que comprou no iTunes no meu celular e eu gargalhei alto com aquilo, assim como os outros. Eles também não tinham escapado das mãos do Emmett e seu poder de descobrir as senhas das contas.
O cara se moveu em cima do palco, balançando o quadril e afinando um pouco a voz, o que tornou tudo ainda mais divertido. Ele gritou que amava a Katy e que a nova música era perfeita, fazendo todos no bar rirem dele. Nós na nossa mesa já não nos aguentavamos com dor na barriga de tanto rir dele.
Quando acabou ele desceu e veio correndo na nossa mesa, ofegante.
– E então, quem é o próximo? – ele perguntou e todos nós nos encaramos.
– Eu! – Renesmee levantou e saltitou até o palco, pagando e escolhendo a música.
Ela cantou I Love It e Emmett foi à loucura, arrastando Alec e os três cantaram a música juntos. Quase atingiu o mesmo nível de diversão que Emmett nos proporcionou. Rosalie também arriscou e cantou Maddona, Like a Virgin e eu tive que deixar a cabeça na mesa para conseguir respirar, com Bella do meu lado me abanando.
E só restou Jasper e nós dois. Eu não iria, não arriscaria minha voz lá no microfone, mesmo estando bêbado, mas Bella decidiu que nós precisávamos cantar juntos e eu não consegui dizer não. Não tinha como dizer não para o sorriso de bêbada mais adorável que eu já tinha visto. Então deixei ela me arrastar até a mesa da garota que recebia o dinheiro e colocava a musica que queríamos.
– Qual vai ser a música? – ela perguntou.
Eu e Bella nos encaramos e sorrimos ao mesmo tempo ao lembrar quando ficamos bêbados no carro.
– With Me, Sum 41. – eu falei
Nós subimos no palco e eu peguei um banquinho que estava no canto, sentando. Não estava sentindo muita confiança em minhas pernas para ficar em pé depois de ter tomado aquelas cervejas que eu nem lembro mais o numero.
O toque da guitarra começou e nossos amigos gritaram em reconhecimento, batendo na mesa para fazer mais barulho. Eu não aguentei e comecei a rir, deixando Bella começar a cantar sozinha. Ela me lançou um olhar e eu acompanhei ela, achando minha voz horrível, mas não me importando porque é aquilo que ela queria e é isso que eu dei para ela.
Quando toca o refrão eu já estou me sentindo mais confiante, assim como Bella e nós nos soltamos, como fizemos no carro. Tudo soa muito horrível aos meus ouvidos e mesmo assim eu continuei, eu sempre continuaria por ela. Só para vê-la feliz.
Uma hora eu puxei Bella para meu colo e a abracei pela cintura e eu não estava mais cantando para as pessoas, e sim para ela. A música nunca mais teria o mesmo sentido para mim e eu nunca mais ouviria ela sem lembrar de Bella e nós dois bêbados, ela sentada no meu colo e nós cantando num karaokê enquanto nossos amigos gritavam e agitavam. E tudo isso era realmente perfeito. O dia estava sendo perfeito em cada pequeno momento.
Perto do final, Bella inclinou o rosto e me beijou e eu queria saber o que se passava em sua mente, mas eu só conseguia retribuir e sentir todos aquelas sensações e sentimentos me tomando. Tudo que ela era e me lembrava. Calor. Sol. Protetor solar. Califórnia. E porra eu amava estar na Califórnia e não queria nunca mais ir embora. Não queria deixar tudo isso que eu estava tendo aqui, nunca. Meus novos amigos. A natação. E principalmente a minha garota. A minha amiga. Com benefícios. Mas minha.
POV Renesmee
– Eu estou tão feliz por você, querido. – Esme falou tocando os cabelos de Edward, que estava à mesma bagunça de sempre.
Fazia pouco tempo que ele tinha acabado de acordar, já que passou a noite inteira no quintal com Rosalie, Emmett e Bella. Eles, bêbados, decidiram ficar conversando e Edward só entrou depois das sete da manhã, a hora que eu estava acordando com muita dor de cabeça pela ressaca.
Sua aparência não era das melhores. Ele tinha a cara amassada, o cabelo e embaixo dos olhos manchas escuras. Esme ainda estava fazendo o jantar, então ela preparou sanduiches para Edward e ficava mimando ele com carinho enquanto ele comia. Como os dois gostavam. Eu me mantinha assistindo eles da sala.
– Fiquei feliz em você lá. – ele murmurou, aumentando ainda mais o sorriso da mamãe.
Totalmente o filhinho da mamãe.
– Como eu podia perder você voltando às competições de natação? Eu estou orgulhosa que você está voltando a fazer o que ama.
Edward sorriu para ela e voltou atenção para o lanche. Esme ficou ali, fazendo carinho nele e era bom assistir os dois novamente sendo tão próximos quanto eram. Com todas as coisas de Nova Yok, Edward se afastou muito de mamãe e isso entristeceu os dois. Ele ficou triste e magoado e provavelmente teria se afastado de mim também se eu não tivesse insistido e não deixado ele fazer aquilo. Eu amava meu irmão demais para vê-lo se acabar em arrependimentos e culpa. Natação podia ser a paixão dele, mas não valia a pena se entregar a tristeza quando ele podia recomeçar de novo. A vida sempre dá uma nova chance de recomeço.
– Eu sinto muito que seu pai não apareceu. – Esme falou e Edward paralisou, franzindo as sobrancelhas.
– Eu não imaginava que ele iria. – meu irmão deu de ombros, indiferente.
Uma indiferença falsa porque eu sabia que ele se importava. Carlisle e Edward sempre foram próximos e unidos, ainda mais pela natação. Mesmo meu pai sendo médico e querendo que Edward também fosse, ele não achou ruim quando Edward disse que queria se focar na natação. Ele só o apoiou e o ajudou. E com o que aconteceu, a decepção que papai sofreu, acabou com qualquer laço forte que eles tinham. Mas os dois estavam magoados e tristes por estarem afastados.
– Ele só precisa de um tempo, querido. Você sabe. Quando ele vê que você está conseguindo, Carlisle vai melhorar. – Esme encorajou.
Edward não falou nada. Ele não acreditava que papai iria voltar a olhar para ele com orgulho como alguma vez olhou, e ainda mais vindo de Esme esse incentivo. Era como vir de mim. Um Está bem, vai ficar tudo bem, para Edward nós estamos apenas confortando ele e ele não acreditava que as coisas iam melhorar.
A campainha tocou e eu levantei em um salto, indo até a porta. Quando abri encontrei Alec parado ali. Meu coração acelerou e eu me apoiei na madeira. Esse garoto me deixava boba e aparecendo assim na minha porta, uma coisa que ele não fazia, me deixou de pernas moles.
– Hey! – eu tentei falar o mais natural possível para esconder meu nervosismo. – Você por aqui.
Alec tinha as mãos dentro do bolso da bermuda e os ombros encolhidos em constrangimento. Ele usava um moletom preto que o deixava ainda mais branco e era tão lindo que eu queria tocar ele com aquela roupa. Eu sempre tinha essa vontade de toca-lo ou estar muito perto dele e precisava me controlar para não assusta-lo. Estava cada vez mais se tornando difícil porque Alec era adorável e lindo e perfeito demais.
– Hey, Nessie. – ele falou e abriu um pequeno sorriso. – Vamos dar uma volta?
Eu olhei para a cozinha, mamãe e Edward ainda conversando e sorrindo. Era um momento bom deles. Eu voltei a olhar para Alec e assenti. Ele aumentou ainda mais seu sorriso e indicou que eu passasse.
Nós seguimos pela descida que dava para a praia, em silencio. Pela primeira vez perto do Alec eu não sabia mesmo o que falar porque eu estava pensando em todos os motivos dele querer dar uma volta comigo. E bem, ele quem tinha ido até minha casa me chamar, então ele que começasse a falar dessa vez.
Mas ele ficou em silencio até alcançarmos a praia e seguimos pela areia, como fazíamos as vezes com a Mell, quando a trazíamos a praia a tarde. Eu tinha pegado um enorme carinho por ela, porque a garota sabia encantar qualquer um. Ela mais do que adorável e era impossível não ama-la.
Alec pigarreou e eu virei minha atenção para ele.
– Nessie, eu queria saber se... Você tem algo para fazer amanha a noite?
Eu arregalei os olhos, surpresa.
– N-não.
Alec parou e eu o imitei, ficando em sua frente e esperando pelo que ele falaria. Porque ele iria falar aquilo que eu imaginava, não era? Menino Jesus Cristo, eu acho que estava hiperventilando.
Ele pegou minha mão com a dele, apertando nossos dedos e oh, bem, eu realmente estava hiperventilando. Ainda mais com ele me olhando daquele jeito.
– Você quer sair comigo amanhã, Renesmee?
Não. Espera. Eu estava hiperventilando e tremendo e eu ia surtar. Alec acabou de perguntar se eu queria sair com ele e ele não gaguejou, não desviou os olhos. Ele estava tão confiante que eu achava que estava me apaixonando de novo por Alec Volturi. Porque eu posso me apaixonar por ele várias e várias vezes, quando ele mostra mais um lado dele escondido atrás daquele maldito medo que a Alice o colocou, eu me apaixono.
Eu não sabia se Alec estava sentindo minhas mãos suadas ou até tremendo um pouco de nervosismo e ansiedade, mas se ele tivesse não demonstrou. Ele só ficou ali me encarando esperando por uma resposta.
Eu precisei me concentrar no momento para não me deixar nadar em pensamentos em como seria sair com ele. Muita concentração.
– E-eu... É claro que sim. Sim. Eu quero. Muito. E eu vou calar a boca antes que comece falar sim em outros idiomas.
Alec tinha uma pequena careta e eu me senti desabar.
– Desculpe, Alec. Desculpe. Eu não vou falar sim em outros idiotas. Não hoje. Oh, Deus, você está desistindo e pegando seu pedido de volta.
Eu escondi meu rosto em minhas mãos, resmungando comigo mesma. Eu era tão idiota que tinha assustado Alec e estragado tudo. Burra.
Eu senti as mãos quentes de Alec no meu braço e ele me puxou para mais perto. Eu escutei uma risadinha sua e revirei os olhos. Claro que ele estava rindo. E é claro que nesse momento os papéis estão invertidos. Ele estava confiante e eu quem estou gaguejando.
– Eu não estou pegando meu pedido de volta, ok? Mas... Você sabe mesmo falar sim em outros idiomas?
– Sei. – soltei em um resmungo. – Eu aprendi quando estava entediada. Mas é só sim e não.
– Isso é legal.
Eu senti o ar me deixar em alivio. Ele não estava achando aquilo estranho. Então eu podia voltar ao normal porque era seguro.
Era seguro.
Eu ergui meu rosto e Alec era apenas algum centímetro mais alto que eu.
– Então se você não se assustou com isso, você não vai se assustar com o que eu estou com vontade de fazer.
Alec me olhou em duvida e eu lhe lancei um sorriso leve para ele não precisar se preocupar. Eu já estava novamente segura de mim e tendo Alec me chamando para sair, eu me sentia muito, muito confiante.
– Eu sou irmã do Edward. – cantarolei e Alec revirou os olhos. – Não se impressione.
E antes que ele pudesse falar ou fazer alguma coisa, eu dei um passo à frente e encostei meus lábios nos dele. Alec não se afastou, o que era uma coisa boa, então eu aprofundei o beijo e ele retribui e eu estava com meu coração acelerado e minhas pernas parecendo gelatina. Porque eu estava beijando Alec e ele estava retribuindo e eu queria gritar, pular e contar para Bella e Rosalie, porque eu precisava surtar como uma garota. E as duas me incentivaram aquilo, da forma delas, mas incentivaram.
Eu passei meus braços pelo pescoço dele, suspirando em contentamento. Seus lábios eram macios e tinham gosto de sorvete arco-íris, o mesmo que Mell sempre nos fazia comer e eu queria beija-lo para sempre para senti-los.
Beijar Alec era bom, gostoso e adorável. Era perfeito como ele, porque Alec fazia meu coração acelerar e eu amava meu coração acelerado.
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